Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 17 de abril de 2012

RECEPTAÇÃO NO RIO - Ferros-velhos ilegais reabrem e já chegam a 70 na Região Metropolitana

Estabelecimentos voltam à ativa enquanto crescem os índices de roubos de veículos no estado
Rafael Galdo


Homens examinam um carro em Nova Iguaçu, do lado de fora de um ferro-velho na beira da Rodovia Presidente Dutra: o portão costuma ser mantido fechado
Marcelo Piu / O Globo


RIO
- Enquanto crescem os índices de roubos de veículos no estado, ferros-velhos irregulares voltaram a funcionar a pleno vapor na Região Metropolitana. De acordo com dados da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), órgão que concede a permissão para esses estabelecimentos operarem, são apenas 59 autorizados no estado. Mas, numa briga de gato e rato, muitos deles fechados em operações nos últimos anos reabriram clandestinamente em áreas como Jacarepaguá, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Itaboraí. Hoje, a estimativa é que haja 70 funcionamento ilegalmente. Segundo especialistas e a polícia, os ferros-velhos são um dos principais destinos de carros e peças de veículos roubados ou furtados.

No início deste mês uma equipe do GLOBO percorreu três conhecidos polos de ferros-velhos. E constatou que neles há muito mais estabelecimentos abertos do que os que constam da lista de regularizados, obtida pelo jornal. Ao todo, em um dia, os repórteres encontraram 40 ferros-velhos somente em Nova Iguaçu, São Gonçalo e Itaboraí. Às margens da Via Dutra, na altura do Km 13, em Nova Iguaçu, havia 16 operando, embora apenas três ferros-velhos tenham autorização para tal.

Já à beira da BR-101, entre Manilha e Itaboraí, eram 18 estabelecimentos, enquanto a lista tem 13 autorizados para a região. Em São Gonçalo, na RJ-104, entre Alcântara e Manilha, eram outros seis, embora só um esteja autorizado nesse trecho.

Em Nova Iguaçu, 54 ferros-velhos foram fechados próximo à Dutra em julho de 2008. Hoje, só no quilômetro 13,5, sentido São Paulo, peças são vendidas por pelo menos dez estabelecimentos, um ao lado do outro. Compradores não conseguem distinguir qual ferro-velho está em situação regular e qual não está.

Portão fechado para driblar fiscalização
Repórteres do GLOBO passaram-se por interessados na compra de peças e encontraram alguns estabelecimentos com os portões fechados, sem que fosse possível ver o material no lado de dentro. Do lado de fora, no entanto, funcionários ofereciam as mercadorias.

— Peças de nacionais e importados? — perguntavam.

Num outro ferro-velho, perguntado sobre peças para uma Toyota Hilux, um funcionário afirmou que já tinha vendido todas as partes do último que havia chegado ao local:

— Compramos o carro depenado. E já vendemos tudo que tínhamos.

De acordo com o delegado Ronaldo Oliveira, ex-titular da DRFA e representante no Rio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, a prática de manter os ferros-velhos com portões fechados e vendedores na rua era comum no período em que esteve à frente da divisão, entre 2007 e 2009. Se o estabelecimento está trancado, fica difícil comprovar que ele estava funcionando ilegalmente. Na época, segundo o delegado, um levantamento da DRFA mostrou que 20% dos roubos de veículos estavam ligados aos ferros-velhos. Os outros 80% eram cometidos normalmente por jovens de 17 a 25 anos ligados ao tráfico. Para intensificar o combate aos ferros-velhos, Oliveira disse ter contado com a regulamentação da lei estadual 5.042, de abril de 2008:

— A lei passou a fiscalização dos ferros-velhos do Detran para a DRFA. Inicialmente, com base nela, apenas seis conseguiram a autorização.

Por essa lei, os ferros-velhos, para funcionar, precisam de cadastro na DRFA. E, para obter o Registro de Autorização de Funcionamento (RAF) na delegacia, precisam cumprir requisitos como etiquetar todas as peças à venda, informando sua origem, além de manter um cadastro com nomes, endereços, identidades e CPFs, tanto dos compradores como dos fornecedores. Desde a aprovação da lei, 385 ferros-velhos foram lacrados e 14 toneladas de peças foram apreendidas, entre 2008 e 2011.

Antes das operações, a estimativa era que houvesse cerca 400 estabelecimentos do tipo na Região Metropolitana. Embora o número de ferros-velhos irregulares tenha caído (para cerca de 70), cresceu para até 30% o percentual estimado de roubos que têm como destino os ferros-velhos. Segundo a DRFA, na última sexta-feira, uma operação fechou oito estabelecimentos na Estrada do Cafundá, em Jacarepaguá. E a ideia, segundo os investigadores, é aumentar a fiscalização para, com o tempo, reduzir esse comércio, até a sua extinção por completo.

De acordo com investigadores, atacar o ferro-velho agora é a forma mais rápida de tentar conter o crescimento dos índices de roubos de veículos. Mas, em paralelo, devem ser mantidas investigações sobre outros destinos dados aos veículos roubados, como a clonagem e o transporte clandestino.

Coronel da reserva da PM, Milton Corrêa da Costa também afirma que o crescimento dos roubos e furtos de veículos tem ligação com os ferros-velhos. Mas aponta outra hipótese: a repressão atual ao tráfico de drogas faz com que criminosos busquem outras fontes de lucro, acontecendo assim, segundo ele, um "maior intercâmbio entre traficantes e quadrilhas especializadas em desmanche, revenda de peças e receptação de veículos".

— O tráfico se aperfeiçoa em furto e roubo de veículos, e revende o produto do crime para quadrilhas especializadas. Uma das formas de combater esse crime é intensificar a fiscalização de ferros-velhos, principalmente no Grande Rio e em terrenos não legalizados — diz o coronel, lembrando ainda a necessidade de identificar oficinas de desmanche de veículos que se passam por mecânicas.

O aumento dos roubos
Os números mais recentes do Instituto de Segurança Pública mostram que, no Estado do Rio, houve um aumento de 31,1% nos roubos de veículos em fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2011. Foram 1.953 casos este ano contra 1.490 em 2011. Na cidade do Rio, no mesmo período, o crescimento foi de 23,1% (940 ocorrências este ano e 763 em 2011). Na Grande Niterói (Niterói, São Gonçalo e Maricá), o aumento foi ainda maior, com 352 casos, 97% a mais na comparação com fevereiro de 2011. No mesmo período, o número subiu de 466 para 556 (19%) na Baixada e de 83 para 105 (26,5%) no interior.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/ferros-velhos-ilegais-reabrem-ja-chegam-70-na-regiao-metropolitana-4664612#ixzz1sIDfJlwu
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sexta-feira, 30 de março de 2012

GREVE NO RIO - Sobe para 20 o número de municípios com rodoviários em greve

Detro diz que greve prejudica 2,3 milhões de pessoas na Baixada e na Grande Niterói
Athos Moura
Isabel Araújo
Paulo Roberto Araújo
Cíntia Cruz


Passageiros se aglomeram no terminal rodoviário de Nova IguaçuExtra / Cléber Júnior


RIO - Subiu para 20 o número de cidades com rodoviários em greve, na manhã desta sexta-feira. Municípios do Sul Fluminense também aderiram, além de oito cidades da Baixada Fluminense e cinco da chamada Grande Niterói. São elas, além de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Mesquita, Paracambi, Miguel Pereira, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Rio das Flores, Vassouras, Itaguaí, Paty dos Alferes, Seropédica e Mangaratiba. O presidente do Detro, Alcino Carvalho, estima que 2,3 milhões de moradores do Grande Rio estão sendo prejudicados com a greve. O número de usuários afetados no Sul Fluminense ainda não foi estimado.

São cerca de 1,3 milhão de prejudicados na região de Niterói, que abrange São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Tanguá, e cerca de 1 milhão usuários de ônibus intermunicipais na Baixada Fluminense, onde a greve dos rodoviários foi decretada na noite desta quinta-feira, e só não atingiu Duque de Caxias e Magé.

- É preciso que se chegue com urgência a um consenso para que a greve chegue ao fim com uma solução adequada para os dois lados. Milhões de pessoas estão sendo prejudicados, e a paralisação afeta toda a força de trabalho da capital do Rio - apelou Carvalho.

Segundo ele, na manhã desta sexta-feira aumentou o número de ônibus em circulação em Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Tanguá em relação à frota que circulou nesta quinta-feira. Segundo Carvalho, os fiscais do Detro estão nas ruas do Grande Rio para apoiar os usuários dos ônibus que estão sendo prejudicados pela greve dos rodoviários de Niterói e da Baixada Fluminense.

Já de acordo com o presidente do Sindicato de Trabalhadores do Transporte Rodoviários de Nova Iguaçu (STTRNI), Joaquim Graciano da Silva, a categoria está se mobilizando para que nesta manhã haja 70% de coletivos circulando, conforme exige decisão judicial. Durante os horários de menor movimento, 40% dos ônibus precisam estar nas ruas. O descumprimento da determinação implica multa de R$ 300 mil ao dia.

Alcino Carvalho confirmou que alguns instrutores estão dirigindo ônibus em Niterói, mas disse que isso não é ilegal porque eles são habilitados e responsáveis pelo treinamento dos motoristas. Os fiscais do Detro estão fiscalizando as vans legais para que elas mantenham a tarifa normal nas linhas que ligam os municípios do Grande Rio à capital.

Em Niterói e São Gonçalo, os moradores prejudicados com a greve dos rodoviários estão tirando os carros das garagens para chegar ao trabalho. Por causa disso, há enormes engarrafamentos, inclusive em vias que jamais ficaram congestionadas. Apesar da situação caótica, principalmente nos cruzamentos, não há soldados da PM e nem guardas municipais nos principais corredores de tráfego entre Niterói e São Gonçalo. Na Baixada, no entanto, há policiais nos terminais rodoviários e guardas municipais nos cruzamentos.

Rodoviários da Baixada protestam contra colegas que furam greve
Desde as 5h desta sexta-feira, rodoviários de linhas de ônibus em Nova Iguaçu se reúnem no terminal rodoviário do município. Eles reivindicam reajuste salarial de 16% e aumento de 50% na cesta básica. Funcionários das empresas protestam contra os colegas que furaram a greve e, segundo a rádio CBN, alguns manifestantes arremessaram ovos em quatro coletivos. Dois carros da Polícia Militar estão no local.

- Depois querem reclamar de aumento salarial. Esperamos 72 horas para a manifestação. Ontem saiu uma liminar dizendo que só podíamos fazer greve na segunda-feira que vem e com 70% dos funcionários trabalhando. Isso não é greve - disse o motorista Denilson Ricardo Reis, de 45 anos, da empresa Master.

- Quem fura a greve quebra a nossa força. Não tem risco de sermos demitidos - acrescentou o despachante Marcos Aurélio da Silva, de 34 anos.

Revoltados com os colegas que continuam trabalhando, os grevistas os chamam de covardes. Com a paralisação, muitos trabalhadores tiveram que voltar para a casa. O auxiliar de linha de produção Ediberto Carvalho, de 28 anos, pegou uma carona de Japeri para Nova Iguaçu, mas não conseguiu chegar ao trabalho.

- Cheguei às 4h40m aqui na rodoviária, mas não tem ônibus. Tinha que estar na empresa às 6h. O problema é que sou novo. Tenho medo de ser mandado embora.

Uma despachante da empresa Nossa Senhora da Penha que não aderiu à greve se justifica:

- Temos que lutar por nosso direito, mas sem deixar a população sofrer. As pessoas têm que ir trabalhar.

Em Niterói, passageiros duvidam que 40% da frota estejam nas ruas, como determina Justiça
Os passageiros reclamam da falta de opções para se deslocarem. Em Niterói e São Gonçalo, os passageiros colocam em dúvida se a porcentagem de 40% da frota - quantidade estipulada para estar nas ruas de acordo com decisão judicial - estão realmente rodando. O não cumprimento desta decisão acarreta multa de R$ 100 mil diários a categoria em greve.

- A greve está pior hoje. Não vi ônibus nas ruas. A fila para pegar catamarãs estava imensa - contou Regis Ferreira, que mora em São Francisco, Niterói, e trabalha no Centro do Rio.

No terminal de São Gonçalo, há muitas filas e poucos ônibus em circulação. A técnica de laboratório Joseane Marta dos Santos, moradora daquele município, saiu às 5h45m de casa e ficou 40 minutos esperando um ônibus para Niterói.

- Peguei um ônibus no ponto final que já saiu lotado. Ele não conseguiu pegar mais ninguém até chegar ao terminal. Fiquei uma hora à espera de uma ônibus para Jurujuba, mas desisti. Vou tentar pegar um táxi com uma amiga - contou.

Em Niterói, praticamente não há ônibus nas ruas. A estagiária Vivian Ribeiro e sua mãe, Maria Emília Ribeiro, saíram de casa, em Itapu, na Região Oceânica, cinco horas antes de seus compromissos no Rio. Vivian contou que não conseguiu ir para o estágio nesta quinta e ficou com medo de o problema se repetir nesta sexta.

Trânsito sofre impacto
Na Região Metropolitana, a greve também causa transtorno para os motoristas. Com a falta de coletivos, a quantidade de carros aumentos nas ruas e há congestionamento em locais onde geralmente não existem complicações no trânsito, como a Avenida Rio Branco, no Centro de Niterói. Apesar dos pontos de ônibus, cheios o policiamento em Niterói não está reforçado.

O motorista que vem da Baixada, porém, encontra uma situação completamente oposta. Com a ausência dos ônibus as principais vias expressas da cidade, caso da Avenida Brasil e Linha Vermelha, estão com o trânsito mais leve, na manhã desta sexta-feira.

Quem também não está satisfeito com a greve dos rodoviários são os usuários do trem, que relatam que na manhã desta sexta-feira o número de pessoas transportadas aumentou. A SuperVia já registra aumento de demanda nos trens urbanos às 6h30m desta sexta-feira. Haverá viagens extras em Nova Iguaçu e Queimados, no ramal de Japeri, de acordo com a demanda dos passageiros. A concessionária afirma que está monitorando todos os ramais para verificar a necessidade de mais viagens extras nesta manhã. Até as 7h, os trens operavam em intervalos regulares em todos os ramais.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj), a greve prejudicou nesta quinta-feira até 1,3 milhão de pessoas. Os municípios em greve são: Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Seropédica, Itaguaí, Paracambi, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá.

No Rio, rodoviários fazem acordo e descartam greve
O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio (Setrerj), Antônio Onil da Cunha Filho, descarta a possibilidade de a categoria entrar em greve na capital. Segundo ele, em assembleia realizada dia 23, os rodoviários cariocas aprovaram um acordo com os empresários de ônibus. Eles receberão, a partir dos salários de março, pagos no início de abril, um aumento de 10%. O motorista e o despachante dos ônibus municipais passaram a ganhar R$ 1.618,06. O salário do cobrador do Rio foi para R$ 892,88 e o do fiscal, para R$ 1.055,36.

Em Nova Iguaçu, a assembleia que decretou a paralisação de 13 mil rodoviários da Baixada — a exceção é Caxias, onde houve acordo — durou mais de quatro horas. A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor) informa que, por decisão judicial, os grevistas desses municípios têm de colocar 70% da frota de ônibus nas ruas, nos horários de rush, e 40%, no restante do dia. O descumprimento da determinação implica em multa de R$ 300 mil ao dia.

No caso dos cinco municípios que começaram a greve na madrugada de quinta-feira, o superintendente do Setrerj informa que 751 dos 3.767 ônibus intermunicipais e municipais operaram, correspondendo a 19,9% da frota. Por determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os rodoviários deveriam colocar em circulação 40% da frota durante a greve. A multa pelo descumprimento da determinação é de R$ 100 mil por dia. O Detro, no entanto, garante que, no caso apenas dos intermunicipais, 40% dos veículos trafegaram. O órgão fiscalizou a operação dessas linhas.

TRT se reúne para tentar acordo em Niterói
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) realiza na sexta-feira, a partir das 13h, audiência de conciliação entre rodoviários e empresas de ônibus de Niterói e municípios vizinhos. Após a audiência, os rodoviários da região realizarão assembleia para discutir os rumos do movimento.

De acordo com rodoviários, por causa da greve, manobristas, instrutores e mecânicos tiveram que assumir a direção de ônibus. No fim da manhã de ontem, quem circulava pelo Terminal Rodoviário João Goulart, em Niterói, observava condutores sem uniforme ao volante dos coletivos. Cerca de 50 rodoviários fizeram um apitaço no terminal. Gritaram palavras de ordem e bateram na lateral dos ônibus, hostilizando motoristas que não aderiram a greve.

Segundo Márcio Barbosa, do Setrerj, ao contrário das denúncia dos rodoviários, não houve desvio de função dos motoristas que estão trabalhando. De acordo com Barbosa, o sindicato orientou que os motoristas trabalhassem com outras camisas que não fossem o uniforme para evitar represálias de quem tivesse fazendo piquete.

— Não há no volante um profissional que não tenha carteira D. Colocamos sim, nossos auxiliares em carros particulares para buscar os motoristas em casa. — disse ele.

Na avaliação de Barbosa, a greve tem conotação política devido às próximas eleições na entidade. Os profissionais não aceitaram a proposta de aumento de 10% oferecida pelas empresas. Ainda segundo o superintendente, hoje o salário bruto do motorista é de R$ 1.438,42 e o do cobrador, de R$ 791,83.

— O reajuste tarifário foi de 5,5% e as empresas estão oferecendo aumento de 10% — afirmou Barbosa.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Passageiros de Niterói à Arraial do Cabo, Wilson Costa, disse que a adesão dos rodoviários foi de 90%. Segundo ele, integrantes do sindicato rodaram desde cedo pelos municípios e constataram que apenas três ou quatro ônibus de cada empresa estavam circulando.

— Não estamos fazendo piquete nem qualquer tipo de manifestação. É um movimento pacífico — disse Wilson.

Diferentemente de seu diretor, o presidente do sindicato, Joaquim Miguel Soares, é contra a greve:

— Os sindicatos do Rio e de Caxias concordaram com a oferta de 10% de aumento. Por que Niterói tem que ser diferente?

Centenas de pessoas amanheceram nos pontos de ônibus de Niterói e municípios vizinhos. Para não se atrasar ao trabalho, muitos resolveram tirar os carros da garagem. O resultado foi um trânsito bastante complicado desde o início da manhã. Quem não tinha carro ou não conseguia carona encontrava dificuldade para chegar ao seu destino. A universitária Jordana Alves, de 22 anos, decidiu pegar um táxi para ir para o trabalho, no Centro do Rio. Ela demorou 30 minutos para encontrar um que estivesse vazio.

Já o motorista de transporte escolar, que tinha deixado o veículo estacionado em Icaraí, Max Luciano Correa, resolveu ir trabalhar de bicicleta, para evitar ficar preso no trânsito.

Ontem, as escolas particulares de Niterói também foram afetadas. Em Icaraí, o Colégio São Vicente de Paulo teve baixa frequência. De acordo com funcionários, as provas foram canceladas. O Instituto Abel também teve a frequência reduzida. A unidade buscou alguns funcionários em casa.

Por meio de nota, a Barcas S/A informou que transportou, até as 10h desta quinta-feira, 22.700 passageiros na linha Praça Araribóia-Praça Quinze — movimento 18,9% maior que o registrado quinta-feira da semana passada. Não foi necessário realizar viagens extras. Já na linha Praça Quinze-Charitas, houve um aumento na demanda de 19% em relação à semana passada e três viagens extra foram realizadas no trajeto até as 10h.



Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/sobe-para-20-numero-de-municipios-com-rodoviarios-em-greve-4452141#ixzz1qbZyUbti

sábado, 14 de janeiro de 2012

JUSTIÇA DO RIO - Prende Beltrami, Solta Beltrami

Ex-comandante do 7º BPM consegue habeas corpus para deixar prisão

POR VANIA CUNHA

Rio - Djalma Beltrami, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), conseguiu, na noite desta sexta-feira, habeas corpus que garante sua liberdade. O pedido foi feito pela defensora Cláudia Valéria Taranto e a decisão foi tomada no plantão judiciário.
O ex-comandante, que ficou cerca de 30 horas preso, ainda está no Quartel General da Polícia Militar, mas deve sair da unidade ainda nesta sexta-feira. Essa é a segunda prisão de Beltrami. A primeira, que aconteceu no dia 19 de dezembro, durou 44 horas.
Nesta quinta-feira, aconteceu a segunda. O coronel Djalma Beltrami foi preso por participação no esquema de pagamento de propinas no 7º BPM (São Gonçalo). O ex-comandante foi denunciado por tráfico e associação para o tráfico pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público à Justiça.
Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia
Justiça manda soltar o tenente-coronel Djalma Beltrami, após ser preso pela segunda vez | Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia
A acusação do Ministério Público é por ter se omitido na ação de policiais daquele quartel, que mantinham esquema de recebimento de propina no Morro da Coruja, São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
“O coronel não cumpriu o seu dever de agir. Descobrimos que não havia repressão ao tráfico, assim como ao baile funk, que atraía bandidos de outras regiões. Depoimentos, gravações telefônicas autorizadas pela Justiça e o cruzamento de dados nos levam à convicção da participação do oficial”, afirmou o subchefe do Gaeco, promotor Marcelo Maurício Barbosa Arsênio. Outros 13 PMs subordinados a Beltrami e 27 criminosos também foram denunciados à Justiça.

Acusados de receber propina para não reprimir criminosos
A denúncia do Gaeco do Ministério Público acusa o coronel Djalma Beltrami, 13 comandados e outros PMs ainda não identificados de terem sido “cooptados pelo tráfico” e receberem “importâncias em dinheiro para não agir, permitindo o tranquilo funcionamento da organização criminosa”.
Segundo o Gaeco, “ante a omissão dos militares”, os traficantes conseguiam “transitar com material entorpecente, portar e negociar armas de fogo”.

Polêmico na arbitragem
O ex-comandante do 7º BPM, Djalma Beltrami, também fez carreira nos campos de futebol. O PM foi árbitro de futebol durante 22 anos e encerrou sua carreira no início do ano, quando completou 45 anos. Beltrami, que foi escolhido melhor árbitro do Rio em 2005 e 2006, também ficou famoso por partidas polêmicas. Ele apitou o jogo entre Flamengo e Botafogo na decisão do Estadual de 2007. No fim da partida, que terminou empatada em 2 a 2, o atacante Dodô, do Alvinegro, foi expulso após impedimento mal assinalado. O Flamengo ganhou na disputa de pênaltis.

O tenente-coronel também foi o árbitro da ‘Batalha dos Aflitos’, jogo decisivo entre Grêmio e Náutico na Série B, em 2005. Ele expulsou quatro jogadores do time gaúcho e marcou dois pênaltis para a equipe pernambucana, mas o placar terminou 1 a 0 para os gremistas.
Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Comandante se lamenta ao ser preso em sua chegada ao Batalhão para trabalhar | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Ele também recomeçou um jogo em 2009, após perceber que tinha encerrado a partida entre Santos x Atlético-MG antes do fim dos acréscimos. Aos 50 minutos, anulou um gol do Santos, que perdeu por 3 a 2.

Em 2007, no jogo entre Goiás e Internacional, que interferiu diretamente no rebaixamento do Corinthians, ele mandou repetir duas vezes a cobrança de pênalti do time goiano.

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação do Rio, Jorge Rabelo, destacou a atuação de Beltrami nos campos: “Sempre foi um ótimo árbitro”.

Mar de lama volta a inundar quartel de São Gonçalo

Segundo o delegado Alan Luxardo, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelam esquema de pagamento de propina pelo tráfico do Morro da Coruja para que os agentes não combatessem o crime. Investigação aponta que PMs recebiam pagamentos de R$ 160 mil mensais. Foram expedidos 24 mandados de prisão temporária (30 dias), sendo 13 para PMs, por tráfico, associação e corrupção.

Beltrami foi preso às 8h30 do dia 19 de dezembro, quando chegou à unidade que comandava há três meses. Ele negou as acusações, disse que fez operações contra o tráfico e que complementava sua renda como árbitro de futebol, tarefa que desempenha há 22 anos. A PM vai pedir esclarecimentos sobre as circunstâncias e a motivação da prisão do coronel, que foi para o Batalhão de Choque. O advogado dele vai pedir a revogação da prisão. Os outros PMs foram para a Unidade Prisional, em Benfica.

Grampos mostram que os PMs do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM negociavam propinas com o chefão do pó na Coruja, Maicon dos Santos, o Gaguinho. Num trecho, em 11 de setembro, a conversa foi sobre pagamento de R$ 10 mil por semana, que supostamente seriam para o comandante. Cada patrulha do GAT receberia R$ 5 mil. Nos grampos não há conversas do coronel Beltrami. “Temos provas que o esquema funcionava depois da posse do comandante. Temos material bastante contundente sobre o esquema”, afirmou Alan Luxardo.

Depois do telefonema, os PMs se encontraram com suposto advogado de Gaguinho. Câmeras de posto de gasolina e o GPS das viaturas confirmaram a passagem pelo local. Os PMs do GAT foram transferidos para outros quartéis em 20 de setembro, a pedido de Beltrami. Gaguinho escapou.

Escutas
Escutas mostram suposto policial pedindo R$ 10 mil em nome do ‘comando’ pela retirada do policiamento.
Policial: “Vai ter que aumentar o negócio porque tem gente mais alta chegando. Vai ser tudo com o ‘zero um’.
Traficante: “Quero perder pra vocês e pro cara que assumiu agora, tenho condições de dar 10 (mil reais) pra ele por semana.”
Policial: “Tem que ser pra cada ‘gêmea’ (patrulha), por final de semana.”
Traficante: “(...) Tem como aumentar o de vocês mil (reais) e dar dez (mil reais) por semana para o comandante, arregar ele também”.
Policial: “A ideia era a gente conseguir tirar aquela porrada de viatura, comboio, Golzinho, tudo isso”.

PM pede dinheiro para ‘devolver’ traficante baleado.
Policial: “Manda logo o negócio, senão vou finalizar (matar). Perde três caixas (mil reais) aí. Já perde pelo final de semana e pelo garoto”.
Traficante: Nós ‘trabalha’ por barca (patrulha) e são muitas barcas. Também arrego o ‘número 1’. Vou mandar lá e ninguém vai roer”.
Policial: Duvido. Manda 1 caixa e meia (R$ 1,5 mil) por esse garoto aqui, que ele tá ‘vazando óleo’ (sangrando)”.

domingo, 23 de outubro de 2011

BARRACO - NITERÓI X SÃO GONÇALO

Prefeito de Niterói pede desculpa aos moradores de São Gonçalo
Wolney Trindade disse que a culpa do engarrafamento, em Niterói, é dos gonçalenses que aproveitam as promoções do supermercado Guanabara Foto: Thiago Lontra / Extra

Andréa Machado, Danielle Moitas, Fabiana Paiva e Rafaella Barros
O secretário de Segurança e Controle Urbano de Niterói, Wolney Trindade, reafirmou, ontem, as ofensas aos moradores de São Gonçalo feitas em entrevista ao programa Roberto Canázio, da Rádio Globo. "Se dependesse de mim eles (gonçalenses) ficavam por lá. Tem que manter esse pessoal de São Gonçalo lá", declarou na ocasião, após a reabertura do supermercado Guanabara, embargado por ele na noite de terça-feira, por alegação de caos no trânsito. A declaração do secretário levou o prefeito Jorge Roberto Silveira a pedir desculpas aos gonçalenses ontem. Ele porém, manteve Wolney no cargo. O secretário, no passado, foi seu vice-prefeito.

— Foi uma declaração extremamente infeliz. Eu quero me desculpar pessoalmente com o povo de São Gonçalo. As duas cidades são praticamente a mesma coisa. Já foram uma cidade só, são dois territórios que se confundem. O próprio Wolney nasceu na fronteira, em Engenhoca — disse o prefeito de Niterói.

Indiferente ao pedido de desculpas de Jorge Roberto, Wolney manteve as ofensas:

— Nem Deus faria (eu) me retratar. Disse e vou continuar dizendo. Vários donos de birosquinhas vieram comprar em Niterói para, depois, explorar o próprio gonçalense. Não ofendi a mãe de ninguém, o marido de ninguém, a pessoa de ninguém. Não devo desculpas. Eles que me devem. Tenho muitas realizações lá. E não é preconceito, porque tenho família e amigos que moram lá. Tenho direito de crítica — rebateu o secretário, ontem.

Segundo Wolney, o nó nas ruas do Centro de Niterói foi provocado porque moradores da cidade vizinha foram fazer compras no supermercado em promoção.

A prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset, pediu mais respeito aos gonçalenses.

— Acho lamentável este tipo de declaração. São Gonçalo é um município com grande representatividade no estado — defendeu Panisset.

Críticas ao secretário
Acostumado a fazer diversas entrevistas em seu programa, o radialista Roberto Canázio ficou estarrecido com as declarações do secretário, a quem não poupou críticas:

— É um nazista, um cretino, preconceituoso e xenófobo. Deve ter horror a tudo que seja diferente. É isso mesmo o que ele pensa. Em nenhum momento se retratou ou tentou amenizar suas declarações.

Moradora e candidata à Prefeitura de São Gonçalo por duas vezes, a deputada estadual Graça Matos disse que a declaração de Wolney era absurda:

— Wolney já foi candidato a deputado comigo e ia pedir votos em redutos gonçalenses. Se não fosse o povo de São Gonçalo, o centro de Niterói estaria morto. Ele deveria se retratar.

Para o presidente da escola de samba Porto da Pedra, Francisco Marins, a declaração do secretário não reflete a opinião da população de Niterói sobre a cidade vizinha:

— Foi uma declaração isolada e infeliz. A população de Niterói e a de São Gonçalo são extremamente unidas. Tenho certeza de que os niteroienses não acham isso.

OAB da cidade pode ir à Justiça
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Gonçalo, José Luiz Muniz afirmou que a declaração de Wolney Trindade foi ofensiva e preconceituosa:

— Vamos nos reunir na segunda-feira para decidir qual será a providência. Possivelmente, vamos fazer uma interpelação judicial ao secretário.

Jorge Mariola, vereador de São Gonçalo, enviou à Câmara dos Vereadores uma moção de repúdio a Wolney:

— Custa-me crer que um funcionário público alçado ao cargo de secretário de Segurança e Controle Urbano tenha faltado com respeito à população, agredindo-a com palavras desrespeitosas.

Diretor do supermercado Guanabara, Albino Pinho disse que a loja está aberta a todos:

— Atendemos São Gonçalo com o maior prazer. Temos interesse em abrir uma loja na cidade, mas não há nada de concreto por enquanto

Fonte Extra  http://extra.globo.com/noticias/economia/prefeito-de-niteroi-pede-desculpa-aos-moradores-de-sao-goncalo-2858202.html#ixzz1bb6Pt7A3



terça-feira, 4 de outubro de 2011

JUÍZA PATRÍCIA - Promotor que trabalhava com juíza diz em depoimento à polícia que Mário Sérgio transferiu seguranças dela

Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br)
 
RIO - Um promotor afirmou, num dos últimos depoimentos prestados à Divisão de Homicídios (DH), que a juíza Patrícia Acioli morreu porque ficou "entregue à própria sorte" quando o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, determinou a transferência dos dois PMs do 7º BPM que faziam a segurança informal da juíza. O promotor trabalhava desde 2001 na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde a magistrada era titular. Na segunda-feira, a DH concluiu o inquérito sobre o assassinato da juíza, indiciando, por homicídio, 11 PMs . Patrícia foi executada com 21 tiros no dia 11 de agosto.

Ainda segundo o promotor contou em seu depoimento, Mário Sérgio fez constar no Boletim Interno da PM com o registro da transferência dos policiais que uma nova remoção só poderia ser feita com a sua ordem. Diante da determinação do então comandante-geral e de informações dando conta que o tenente-coronel planejava a morte da juíza, o promotor teve um encontro com Mário Sérgio.

Na reunião - para melhorar a relação entre o comandante, o MP e a juíza -, o promotor afirmou ter explicado ao coronel como eles trabalhavam a questão dos autos de resistência em São Gonçalo. Mário Sérgio - que pediu exoneração na última quarta-feira, após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira - disse apenas que a nomeação do tenente-coronel Cláudio para o 7º BPM foi sua, para melhorar os índices de criminalidade do batalhão de São Gonçalo.

Ao "Fantástico", da Rede Globo, no domingo, Mário Sérgio explicou que os PMs foram transferidos porque estavam fazendo segurança de autoridades informalmente. O ex-comandante explicou que, sobre o fato de a transferência deles só poder ser feita com sua autorização, isso foi uma forma de proteger os dois, para evitar que fossem transferidos para o interior do estado. Um dos PMs transferidos era namorado da juíza. Segundo a PM informou na segunda-feira, é praxe a recomendação do comandante.

Entre os PMs indiciados, estão o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) e do 22º BPM (Maré), e o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes, que chefiava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM. Todos já estão presos. O tenente-coronel - acusado pela polícia de ser o mentor do crime - e o tenente negam as acusações.

O inquérito foi entregue ao Ministério Público estadual na última sexta-feira, ainda sem o relatório do delegado Felipe Ettore, titular da DH e responsável pelas investigações, que levaram 50 dias. O material já está sendo analisado agora pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Eles têm até terça-feira para elaborar a denúncia e encaminhá-la à Justiça estadual.

No domingo, o cabo Sérgio Costa Júnior, o primeiro a aderir à delação premiada, confirmou que o coronel esteve na prisão militar antes dele mesmo ser preso, garantindo que "tudo ia passar" . Em entrevista ao Fantástico, ele afirmou que o coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira não apostava numa punição para os policiais do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7 BPM (São Gonçalo) pelo assassinado da juíza.

- Ele fez uma reunião com todos, deu uma palavra de conforto. Disse que tudo ia passar. E depois só ficou o tenente (Daniel Benitez) conversando com ele, não sei dizer por quanto tempo - afirmou o cabo, em entrevista ao Fantástico .

Sérgio e Benitez foram os autores dos 21 disparos que mataram a juíza, dentro do condomínio onde ela morava, no dia 11 de agosto. O cabo afirmou, na entrevista, que atirou com duas pistolas, de calibres 40 e 45. O tenente seria o autor dos tiros de revólver 38. Sérgio disse estar arrependido e temer pela vida da família:

- Saiu nos jornais que por causa do meu depoimento o coronel foi preso. Na verdade, não falei no nome do coronel. Quem falou no coronel foi o tenente Benitez - disse.

Apreensões eram chamadas de espólio de guerraO cabo revelou ainda que a ideia de assassinar a juíza partiu do tenente Benitez, que conversou com a equipe do GAT entre abril e maio. Patrícia Acioli incomodava aos PMs porque colocava em risco o faturamento do batalhão. Os policiais lotados na unidade de São Gonçalo partilhavam armas, drogas e dinheiro apreendidos com bandidos, itens que eram chamados de espólio de guerra.

- Uma vez, o tenente reservou uma parte do espólio para o coronel. Se entregou, não posso dizer - afirmou o cabo Sérgio.

Outro cabo que aceitou participar da delação premiada revelou que o batalhão arrecadava entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por semana. O que passasse desse valor, iria para o coronel, de acordo com o relato da testemunha.

Câmeras de segurança do condomínio onde a juíza morava, em Piratininga, Niterói, revelaram que Sérgio e Benitez estiveram no local do crime aproximadamente sete horas antes do assassinato. Primeiro, chegou o tenente, a pé, seguido posteriormente por Sérgio, numa moto.

Imagens mostraram ainda que ambos aguardavam a saída da juíza do fórum, no dia do crime. Como a moto em que estavam demorou a pegar, um carro começou a seguir o automóvel da juíza. Assim que os dois policiais a alcançam, o veículo, em que estava o policial Jovanir Falcão Júnior, vai embora.

De acordo com o cabo Sérgio, o estudo do local foi bastante detalhado porque a juíza, mesmo sem saber do risco que corria, já havia escapado de outras duas emboscadas na mesma semana. Na primeira, Patrícia Acioli desmarcou uma reconstituição de crime que iria fazer e, em outro dia, saiu mais cedo do que o habitual do trabalho, impedindo que os policiais realizassem seus planos.

No dia seguinte ao assassinato, quatro policiais foram presos por outro crime, com condenação da própria juíza. Após as primeiras investigações, todos os policiais do GAT do 7º BPM foram presos e a Justiça autorizou que as ligações feitas por eles de dentro da unidade prisional fossem grampeadas.

Nas gravações, o tenente Benitez pede a um interlocutor que encha uma bolsa de viagem com seis, oito caixas de cerveja e duas garrafas de vodca. Em conversa com a mãe, o tenente afirmou que fugir do local seria fácil "a coisa mais fácil de fazer do mundo" e que ele poderia ter umas feriasinhas em breve. Por telefone, Benitez foi informado também sobre a visita do 01, como é chamado o coronel Claudio

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/03/promotor-que-trabalhava-com-juiza-diz-em-depoimento-policia-que-mario-sergio-transferiu-segurancas-dela-925501497.asp#ixzz1ZntIp6ex

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Suspeito de alta patente - Tenente-coronel preso como mentor da execução de juíza é acusado de ficar com 'espólio' do tráfico

Publicada em 28/09/2011 às 00h39m
Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br) e Sérgio Ramalho (sergio.ramalho@oglobo.com.br)



RIO - Em depoimento à Justiça, um cabo da Polícia Militar preso pela morte da juíza Patrícia Acioli admitiu ter atirado na magistrada e disse que o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira recebia parte das apreensões feitas irregularmente por policiais durante as operações do Grupamento de Apoio Tático (GAT). O ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), que está preso sob a acusação de ser o mentor do crime , é suspeito de ficar com o "espólio" do tráfico nas favelas onde realizava operações. O cabo decidiu colaborar com a polícia em troca do benefício da delação premiada. O GLOBO teve acesso ao depoimento, que durou cerca de duas horas.

LEIA MAIS: Tenente-coronel assumiu seu 1º batalhão, em São Gonçalo, por indicação do comandante da PM

O cabo disse que a execução foi tramada pelo tenente Daniel Benitez, que chegou a propor a contratação de uma milícia do Rio para cometer o crime. A ideia não foi adiante. De acordo com o militar, Benitez era o homem de confiança do tenente-coronel Cláudio, com quem atuou em três unidades da PM antes de os dois serem lotados no 7º BPM. O policial disse à Justiça que o tenente era o responsável por repassar ao ex-comandante a caixinha do tráfico das favelas do Salgueiro e da Coruja. O valor era pago semanalmente aos policiais do GAT do 7º BPM.

Ainda de acordo com o delator, as armas usadas no assassinato da juíza eram "espólio" de operações em favelas de São Gonçalo. Uma delas, a de calibre .40, foi apreendida no Morro da Coruja. Segundo o PM, parte da munição utilizada era do 7º BPM e parte fora apreendida em favelas. Outra arma do crime, o revólver calibre 357, ficou com Benitez, que, segundo o depoimento, também adquiriu a moto usada na emboscada contra Patrícia. O carro utilizado no crime, um Palio vinho, foi incendiado na mesma noite, no bairro Santa Luzia.

O cabo contou ainda que o GAT atuava nas favelas mais perigosas de São Gonçalo. A cada 24 horas, eles eram cobrados para que fizessem grandes apreensões de drogas e armas. De acordo com o depoimento, o grupo não apresentava o material à delegacia. O dinheiro arrecadado ficava com a equipe. O réu colaborador disse ainda que Benitez convidou os integrantes do GAT a se transferirem para o 14º BPM (Bangu), para onde o tenente-coronel Cláudio estava cotado para assumir o comando. Segundo o cabo, o comentário no quartel era que "em Bangu o espólio seria maior".

De acordo com o cabo, a juíza escapou de duas tentativas de emboscada montada pelos policiais. Numa, ocorrida uma semana antes do assassinato, ela escapou por não ter ido ao Fórum de São Gonçalo. O cabo acrescentou em seu depoimento que, dias antes do assassinato, um dos policiais envolvidos no plano havia perdido o rastro da juíza. O PM estava incumbido de seguir Patrícia, mas acabou perdendo a magistrada de vista no Centro de São Gonçalo.






Considerado pela DH fundamental por indicar a participação do tenente-coronel na trama, o depoimento cita ainda a participação de um policial do 12º BPM (Niterói), que levou o tenente Benitez até a casa da juíza, em Piratininga, durante o planejamento do crime. O policial do batalhão de Niterói ainda não foi preso, e por isso não teve o nome divulgado.

O cabo afirmou ainda que, após ter sido preso, juntamente com o tenente Benitez e outro cabo, o tenente-coronel Cláudio esteve no batalhão Prisional Especial (BEP) para conversar com os três. Na visita, no domingo do Dia dos Pais, que não foi registrada no livro de entrada da prisão, o então comandante do 7º BPM se comprometeu a ajudar os três, inclusive indicando um advogado para defendê-los.

O presidente do TJ, desembargador Manoel Rebêlo dos Santos, ressaltou que a prisão de um mandante de crime é um fato raro no país.

- Sempre chegamos aos executores, mas poucas vezes no Brasil se consegue chegar ao mandante - frisou o desembargador.

Perguntado se a prisão de um comandante de batalhão afetaria a posição do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que o oficial continua gozando de sua "plena confiança". Beltrame disse ainda que a transferência de Cláudio para o 22 BPM uma semana após a morte da juíza não significou uma proteção ou promoção.

O presidente da Associação de Magistrados do Rio de Janeiro, Antônio César de Siqueira, lamentou que um comandante esteja sendo acusado de ser mandante do crime:

- É lamentável que pessoas que ocupam cargo de comando estejam à frente de um ataque à democracia. Comandante em Bangu foi preso em 2006

Até acontecer o caso do tenente-coronel Cláudio, o único oficial da mesma patente preso na PM havia sido o então comandante do 14º BPM (Bangu), Celso Lacerda Nogueira. O tenente-coronel foi preso no dia 15 de dezembro de 2006, dentro das investigações da Operação Gladiador, acusado de corrupção passiva e participação no bando do bicheiro Fernando Iggnacio. Ele foi condenado a sete anos de reclusão. Seu processo, porém, está em recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

O oficial também responde a um Conselho de Justificação na Seção Criminal do TJ do Rio, mas a ação foi suspensa, até que transite em julgado o processo federal. Só aí o processo sobre a perda de patente será julgado. Oficial pode ser levado para presídio fora do Rio

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Manoel Alberto Rebêlo, disse na terça-feira em entrevista à Rádio BandNews que os PMs presos devem cumprir suas penas em presídios fora do estado. Uma das opções seria a penitenciária de Catanduvas, no Paraná.

- Os culpados serão processados, punidos e, no que depender de mim, cumprirão pena em presídio de segurança máxima fora do Rio - disse ele.

Em entrevista de manhã, sem a presença de um representante do comando, o corregedor-geral da PM, Ronaldo Menezes, anunciou que o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira seria transferido para o presídio Bangu 8. O militar apresentou-se no Batalhão de Choque, no Centro, por volta das 3h de terça-feira, após ser informado pela corregedoria sobre seu mandado de prisão.

O corregedor disse ainda que os outros policiais presos ontem também iriam para Bangu 8 (onde ficam detentos com curso superior). São eles cabo Alex Ribeiro Pereira (7º BPM), cabo Sammy dos Santos Quintanilha (7º BPM), cabo Carlos Adílio Maciel Santos (7º BPM), cabo Jovanis Falcão Júnior (7º BPM), 3º sargento Charles de Azevedo Tavares (7º BPM) e soldado Júnior César de Medeiros (7º BPM). Outros três já estavam presos desde o último dia 12: o tenente Daniel Santos Benitez Lopes e os cabos Jeferson de Araújo Miranda e Sérgio Costa Júnior. Esses estão em diferentes prisões.

O corregedor-geral disse que aguardará detalhes sobre as razões para a Justiça ter expedido o mandado de prisão contra Cláudio de Oliveira, que foi exonerado. Quem assume provisoriamente o comando do 22 BPM é o subcomandante da unidade, o tenente-coronel Isidro.

- Após todos esses fatos, será aberto um processo administrativo - disse Menezes.

O prazo para conclusão do processo é de 40 dias. Depois disso, será levado para o secretário de Segurança, que abrirá um processo de justificação. O procedimento poderá culminar com a demissão do oficial da corporação

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/27/tenente-coronel-preso-como-mentor-da-execucao-de-juiza-acusado-de-ficar-com-espolio-do-trafico-925459932.asp#ixzz1ZKsXb2rd 



No covil dos chefões - Ex-comandante e outros 7 PMs presos por morte de juíza são isolados em Bangu 1

RIO - A penitenciária de segurança máxima Laércio da Costa Pelegrino, Bangu 1, célebre por afastar do convívio da sociedade os bandidos mais perigosos do estado, principalmente chefes do tráfico, recebeu terça-feira os oito PMs acusados de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido em 11 de agosto. Entre eles estão o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) e do 22º BPM (Maré), tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira , e o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopez. Como o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar - que cumpre pena no presídio federal de Mossoró (RN) -, o grupo está sendo submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Nele, há restrição às visitas, as celas são individuais e o banho de sol, apenas uma vez por semana, acontece em horários diferentes, para que os detentos não se encontrem e conversem.

LEIA MAIS: Tenente-coronel preso por envolvimento na execução de juíza ficará em Regime Disciplinar Diferenciado

SUSPEITO DE ALTA PATENTE: Cláudio Luiz é acusado de ficar com 'espólio' do tráfico

De acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), a transferência foi decidida para evitar que os acusados fossem enviados para presídios federais. A medida foi pedida pelo Ministério Público ao juiz responsável pela 3 Vara Criminal de Niterói, Peterson Simão.

Advogado é o mesmo de CacciolaA transferência surpreendeu o advogado do tenente-coronel Cláudio, que reagiu com indignação. Manuel de Jesus Soares - que também defendeu o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola - havia recebido a informação de que seu cliente passaria a noite em Bangu 8.

- Só hoje (quarta-feira) eu soube que ele havia sido levado para Bangu 1, o que é absolutamente ilegal. Amanhã (quinta-feira), vamos tomar as providências necessárias para reverter essa decisão absurda - disse ele.

O tenente-coronel foi instruído a não fazer qualquer declaração ao titular da Divisão de Homicídios, delegado Felipe Ettore, enquanto o advogado não tiver acesso ao inquérito.

Também foram transferidos para Bangu 1 o soldado Júnior Cézar de Medeiros, o terceiro-sargento Charles de Azevedo Tavares e os cabos Alex Ribeiro Pereira, Carlos Adílio Maciel Santos, Jovanis Falcão Júnior e Sammy dos Santos Quintanilha.

Pela ficha de antecedentes criminais do tenente-coronel Cláudio, é possível ter uma ideia do seu perfil operacional. Constam oito anotações, que vão desde lesões corporais leves a um homicídio. O registro que inaugura sua ficha é o de abuso de autoridade, em 3 de setembro de 1989, sofrido por Patrícia Acioli, quando ela era defensora pública. Ela assistia, com um grupo de amigos, à partida entre Brasil e Chile em que um sinalizador de embarcações foi lançado pela torcedora Rosinery Melo do Nascimento, que ficou conhecida como Fogueteira, ao lado do goleiro chileno Roberto Roja, o que ocasionou a paralisação do jogo e tumulto. Cláudio, então tenente, e Patrícia discutiram. Ele a prendeu por desacato.

A última ocorrência da ficha é a de violência doméstica familiar, registrada na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Jacarepaguá, bairro onde o oficial mora. A companheira do PM sofreu lesão corporal em 2008, mas o caso ainda não virou processo.

Já o homicídio ocorreu em Copacabana, em 1994. Nesse caso, no entanto, o oficial foi absolvido. Outras anotações na ficha são de lesão corporal, em 1993 (a pena prescreveu); constrangimento ilegal e maus-tratos, em 1995 (ele foi absolvido); prevaricação, em 1996 (ainda aguarda decisão judicial); e tortura, em 1998 (o oficial foi absolvido).

Na quarta-feira, nem o governador Sérgio Cabral nem o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, nem o comandante interino da PM, coronel Álvaro Garcia, quiseram comentar a crise na cúpula da PM.


Fonte O Globo  http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/29/ex-comandante-outros-7-pms-presos-por-morte-de-juiza-sao-isolados-em-bangu-1-925470837.asp#ixzz1ZKqQshhU 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tenente-coronel apontado como mandante do assassinato de juíza está detido no Batalhão de Choque e é afastado do comando do 22º BPM

Tenente-coronel apontado como mandante do assassinato de juíza está detido no Batalhão de Choque e é afastado do comando do 22º BPM

O Ex-Comandante Cláudio Luiz de Oliveira durante operação no conjunto de favelas de Manguinhos
Foto: Arquivo / Pablo Jacob

O Globo

O tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, apontado como mandante do assassinado da juíza Patrícia Accioli, em agosto, está detido no Batalhão de Choque desde as primeiras horas da madrugada desta terça-feira e foi afastado do comando do 22º BPM (Maré), segundo informou a assessoria da Polícia Militar. A Justiça decretou, no fim da noite de segunda-feira, a prisão do tenente-coronel, que era comandante do 7º BPM (São Gonçalo) na época da morte da magistrada. Outros cinco policiais, que atuavam no mesmo batalhão sob a tutela de Cláudio Luiz também tiveram mandados expedidos pela 3ª Vara Criminal de Niterói.

Os policiais faziam parte do Grupamento de Ações Táticas e são acusados de forjar um auto de resistência para acobertar a morte de Diego Belieni, então com 18 anos.

Outros três PMs já estão presos por participação na morte de Diego e da juíza. São eles: o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Jú8nior e Jefferson de Araújo Miranda.

A Justiça decretou a prisão após um dos cabos que executaram o crime ter relatado ao juiz Peterson Barroso Simões que o tenente-coronel era o mandante do crime. O cabo, que estaria ameaçado de morte, resolveu contar tudo e participar de uma antecipação de prova, obtendo o direito à delação premiada (que inclui provável redução de pena). O PM e sua família foram incluídos no programa de proteção à testemunha. O cabo teria dito que usou duas pistolas no crime. A polícia havia informado que a juíza morreu com 21 tiros de pistolas 40 e 45 e de revólver 38.

Após o assassinato de Patrícia Acioli, o comando da Polícia Militar trocou os comandantes de diversos batalhões. Foi quando Cláudio Luiz de Oliveira assumiu o comando do 22º BPM (Maré).

Nesta segunda, o juiz Fábio Uchôa, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, decretou as prisões preventivas de sete PMs do 7º BPM (São Gonçalo) acusados de envolvimento num auto de resistência forjado. Dois dos policiais já estão presos no Batalhão Especial Prisional (BEP), pois são suspeitos de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli. São eles: Jovanis Falcão Júnior e Carlos Adílio Maciel dos Santos, o Carlão.

O caso ocorreu em junho do ano passado, na Fazenda dos Mineiros. Segundo o inquérito da 72ª DP (São Gonçalo), os PMs teriam atirado a esmo após não receberem propina de traficantes. Uma mulher foi morta.

Ex-comandante do batalhão de São Gonçalo já está preso

A Polícia Militar informou nesta terça-feira que o tenente-coronel Claudio Oliveira já foi exonerado do comando do 22º BPM (Maré) e está detido na carceragem do Batalhão de Choque desde o início desta madrugada. O oficial é apontado como mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto, quando ainda era comandante do 7º BPM (São Gonçalo).

Outros cinco policiais, que atuavam no mesmo batalhão sob a tutela de Cláudio Luiz também tiveram mandados expedidos pela 3ª Vara Criminal de Niterói. Os policiais faziam parte do Grupamento de Ações Táticas e são acusados de forjar um auto de resistência para acobertar a morte de Diego Belieni, então com 18 anos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Morte de juíza: um dos acusados tentou forjar álibi #rio

Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br)

RIO - Um depoimento mantido em sigilo por policiais da Divisão de Homicídios (DH) revela que um dos três PMs presos, acusados de assassinar a juíza Patrícia Acioli, tentou forjar um álibi para justificar sua presença nas proximidades do Fórum de São Gonçalo na noite do crime. O policial procurou uma advogada e tentou convencê-la a mentir, pedindo a ela que dissesse que esteve com ele na noite da execução. A advogada recusou a proposta. Patrícia foi morta com 21 tiros em Piratininga, Niterói, no último dia 11 de agosto.

LEIA MAIS: Polícia faz busca em residências de pessoas ligadas aos PMs acusados de matar juíza em Niterói

FORA DO TRAJETO: Polícia investiga participação de patrulhas em assassinato da juíza Patrícia Acioli

EMBOSCADA: Câmeras registram perseguição a juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares em Niterói

O rastreamento dos celulares dos três PMs feito pela DH revelou que dois deles estiveram perto do Fórum onde a juíza trabalhava na noite do assassinato - um deles era o que pediu um álibi à advogada. A dupla teria permanecido no local por mais de uma hora, até desligar seus celulares. Até agora, os três são os únicos acusados formalmente pelo assassinato. Patrícia saiu do Fórum de São Gonçalo às 23h13m e foi executada às 23h55m, na porta de casa.

PM afirma que estava em encontro amoroso

Em seu depoimento, também sob sigilo, o PM que tentou forjar o álibi contou que estava na Zona Sul do Rio, horas antes do crime, quando recebeu a ligação de um dos outros dois PMs acusados. Segundo ele, os três combinaram um encontro amoroso com mulheres do Morro do Castro, na Engenhoca, em Niterói. Ainda de acordo com o depoimento do policial, o grupo estava namorando na Região Oceânica, também em Niterói, no momento em que a juíza foi morta. O policial admitiu que esteve antes na porta do Fórum para conversar com a advogada que o assistia, mas contou que houve um desencontro entre eles.

A advogada foi a responsável, na noite do crime, por avisar aos três policiais militares que a juíza Patrícia Acioli decretaria a prisão deles e de mais cinco policiais do 7º BPM (Alcântara) pelo assassinato de Diego da Conceição Beline, de 18 anos. O rapaz foi morto em junho deste ano na Favela do Salgueiro, em São Gonçalo. Os PMs tentaram forjar um auto de resistência (morte em confronto), deixando uma arma (pistola 9mm) e um punhado de drogas ao lado do corpo. A versão dos policiais não convenceu, e eles acabaram acusados de homicídio.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/23/morte-de-juiza-um-dos-acusados-tentou-forjar-alibi-925431438.asp

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Polícia investiga participação de patrulhas em assassinato de juíza Patrícia Acioli

O Globo
Publicada em 21/09/2011 às 01h39m
Antônio Werneckwerneck@oglobo.com.br

RIO - O deslocamento fora da rotina de duas patrulhas do 12º BPM (Niterói) na noite do assassinato da juíza Patrícia Acioli passou a ser investigado pelos policiais da Divisão de Homicídios (DH). Os veículos em que estavam seis policiais militares foram rastreados pelo sistema de GPS da noite do dia 11 de agosto (data da execução) até a madrugada do dia seguinte. A DH trabalha com a possibilidade de o crime ter a participação de mais policiais. Até agora, o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda, lotados no 7 BPM (São Gonçalo), são os únicos acusados formalmente pelo assassinato.

Carro da PM ficou apagado na Praia de Piratininga

Sem autorização de um oficial superior e contrariando a orientação do comando, uma patrulha com dois policiais deixou por volta das 22h o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) no bairro Vila Progresso, em Pendotiba, e ficou estacionada com as luzes apagadas na Praia de Piratininga até a hora da execução da juíza, quando foi acionada pela central 190 (o serviço de emergência da corporação). Ela foi a primeira a chegar ao local do crime.

- Ela deveria ficar posicionada no DPO e só sair para atender uma ocorrência - disse um oficial da PM.

O deslocamento de uma outra patrulha é o que mais intriga os investigadores. O veículo com quatro PMs, do 12º BPM (Niterói), deveria policiar o bairro de São Francisco, na Zona Sul de Niterói - a cerca de 10km da Região Oceânica, onde o assassinato ocorreu. Entretanto, às 22h06m, o GPS indicou que o carro, em alta velocidade (média de 95km/h), deixou São Francisco e seguiu até a Estrada Francisco da Cruz Nunes, que liga o Largo do Batalha ao bairro de Itaipu. Ele ficou parado num posto de gasolina até as 23h58m, quando, sem ser acionado, foi para o local do crime, aonde chegou aos nove minutos do dia 12.
Segundo os policiais, os assassinos podem ter usado a Estrada Francisco da Cruz Nunes como rota de fuga. Também há suspeita de que eles tenham passado pela Avenida Central e pelo DPO da Vila Progresso. A forma como o veículo com os quatro policiais saiu de São Francisco, onde deveria ficar baseado, e seguiu em alta velocidade para a Região Oceânica despertou a suspeita dos investigadores.

Acusados estiveram na rua da juíza um mês antes
A juíza Patrícia Acioli foi seguida do Fórum até sua casa, onde foi executada com 21 tiros. Ela deixou o trabalho às 23h13m e foi morta às 23h55m. A quebra do sigilo telefônico do tenente e dos dois cabos revelou que eles estiveram na rua da juíza um mês antes do crime, no dia 11 de julho. Também mostrou que, dos três policiais acusados do crime, dois estiveram próximo ao Fórum na noite do crime.

Os três PMs e mais cinco policiais do 7º BPM tiveram a prisão decretada pela juíza no dia da morte dela. Eles são acusados de matar Diego de Souza Beliene, de 18 anos, irmão de um traficante da Favela do Salgueiro, em São Gonçalo

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/20/policia-investiga-participacao-de-patrulhas-em-assassinato-de-juiza-patricia-acioli-925407871.asp#ixzz1Ya9bh71C

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acusados de participar da morte da juíza vão ser isolados dos colegas para não combinarem estratégias

Extra

Acusados pela polícia de envolvimento na morte da juíza Patrícia Lourival Acioli, o tenente PM Daniel Benitez e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda serão transferidos do Batalhão Especial Prisional (BEP), onde estão presos preventivamente à disposição da Justiça.

De acordo com informações divulgadas pelo "RJ TV", os três policiais serão transferidos a pedido do Ministério Público. Os nomes das unidades, que abrigarão os presos, não foram revelados. A transferência poderá ocorrer ainda hoje. No entanto, os três PMs deverão ficar em unidades separadas, a fim de não manter contato uns com os outros.

O EXTRA procurou a advogada Alzira de Castro Garcia Dias, que defende os policiais, para comentar o caso. Por duas vezes o repórter tentou falar com a advogada, mas uma mulher que se identificou como sua secretária disse que ela estava em uma reunião. Até o fim da noite, ela não havia retornado as ligações.

Patrícia Acioli foi assassinada, na noite do dia 11 de agosto, quando chegava em casa, em Piratininga, Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ela teria sido seguida, durante 40 minutos, por homens que estavam em uma motocicleta.

Próximo ao bairro, onde a juíza morava, o veículo ultrapassou o carro da magistrada e seguiu em direção as proximidades do condomínio, onde reside Patrícia Lourival Acioli.

Laudo da perícia técnica, feito por peritos do Instituto Carlos Éboli, revelou que Patrícia foi atingida pelos primeiros disparos de pistola 40, quando reduziu a velocidade do carro, a fim de abrir o portão da garagem de sua residência.
Segundo o laudo, o atirador se escondeu atrás de alguns veículos, estacionados em frente à residência da magistrada e próximos a um terreno baldio.

O mesmo homem também teria feito disparos de pistola calibre 45. O laudo não esclarece se outra pessoa teria feito disparos de calibre 38, que também atingiram a juíza, ou se os tiros foram disparados pelo primeiro atirador.
De acordo com laudo de necropsia, pelo menos seis projeteis foram retirados do corpo da magistrada.

Ao todo, Patrícia Acioli levou 21 tiros. Os disparos acertaram o pescoço, o peito e os braços da vítima.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PMs suspeitos de matar juíza no #Rio serão transferidos, diz polícia

Eles ficarão em unidades prisionais diferentes a pedido do MP.
Câmeras mostram últimos passos de Patrícia Acioli na noite do crime.

Do G1, com informações do Fantástico
Os três policiais militares suspeitos de matar a juíza Patrícia Acioli, no dia 11 de agosto, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, serão transferidos da Unidade Prisional da PM em Benfica, na Zona Norte, para unidades diferentes, a pedido do Ministério Público. As informações foram confirmadas pela assessoria da Polícia Militar na noite desta segunda-feira (19).

A polícia utilizou imagens de câmeras de segurança para refazer os últimos passos da juíza. As imagens mostram que ela foi seguida por cerca de 40 minutos, durante todo o trajeto entre o Fórum de São Gonçalo e sua casa, em Niterói.

Segundo a investigação, Patrícia Acioli deixou o fórum por volta das 23h e saiu da garagem em seu carro às 23h13. Câmeras de segurança registram que uma moto ocupada por dois homens, com o farol apagado em alguns trechos, acompanha o deslocamento do veículo da juíza ao longo da estrada para Niterói.

Às 23h48, a quatro quilômetros de distância da casa de Patrícia, os suspeitos ultrapassam o carro da juíza e seguem na frente para preparar a emboscada. Às 23h53 eles entram no condomínio da vítima, e logo em seguida ela chega, como mostra a última imagem registrada antes do crime.

A investigação policial também mostra que o carro de Patrícia foi alvejado ainda em movimento e que os tiros continuaram depois que o veículo parou. Foram 21 tiros, e as cápsulas recolhidas são de três calibres: 38, 40, de uso padrão da polícia, e 45, de uso restrito. Os assassinos deixaram o condomínio às 23h58.

Investigação
A polícia remontou detalhes do crime analisando imagens de câmeras de segurança somadas às perícias do carro, do local e do corpo da juíza. Ainda foram utilizados dados de mais de 3 milhões de celulares que passaram pela área entre o fórum e a casa de Patrícia Acioli até um mês antes de sua morte. Com isso, os investigadores provar que o crime foi planejado e teve envolvimento de policiais militares.

A investigação aponta para três suspeitos: o tenente Daniel Benitez e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda. As fotos deles são exibidas pela primeira vez nesta reportagem. Segundo o delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Ettore, eles estão entre os oito envolvidos na morte de Diego de Souza Beliene, de 18 anos, em São Gonçalo.

“Eles sabiam que seriam presos em poucos dias, que estava sendo expedida a ordem de prisão por processo anterior, e aí não teriam mais tempo para a execução da vitima”, conta o delegado, referindo-se ao assassinato da juíza.
Na investigação da morte de Diego, a polícia vigiava os movimentos dos três. E no dia do assassinato da juíza, antenas de empresas de telefonia captaram os sinais dos celulares de Daniel Lopes e Sérgio Costa Júnior no fórum de São Gonçalo. Só que antes das 23h, os celulares dos policiais foram desligados. E só foram religados quase uma hora depois de a juíza ter sido executada. A partir daí, a polícia começou a rastrear dados dos celulares do PMs nos dias anteriores ao crime.

Ação planejada
No dia 11 de julho, exatamente um mês antes do crime, os registros mostram que os três acusados se encontraram na Rua dos Corais, em Piratininga, Niterói, endereço da juíza. Segundo a polícia, eles ficaram 26 minutos, das 19h43 às 20h09, juntos na pequena rua onde, um mês depois, a juíza foi morta na emboscada.

No dia em que foi assassinada, Patrícia tinha acabado de assinar o pedido de prisão preventiva, por envolvimento na morte de Diego, dos três homens agora acusados também pela morte dela. “Está provado que eles são os autores do homicídio. Isso não há dúvida para a polícia que esses três participaram efetivamente da execução da juíza Patrícia Acioli”, afirma o delegado.

Em depoimento, Daniel e Jeferson negam a acusação. Sergio se recusou a falar. “O desfecho da investigação não é só para provar as pessoas que estavam na moto, mas para verificar se de fato há outras pessoas envolvidas”, completa o delegado.

Veja a reportagem no site do Fantástico

Fonte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/09/pms-suspeitos-de-matar-juiza-no-rio-serao-transferidos-diz-policia.html

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

DESVIO DE DINHEIRO PÚBLICO - MP denuncia Aparecida Panisset, prefeita de São Gonçalo


Sérgio Ramalho
Aparecida Panisset durante eleiçõs em São Gonçalo - Foto: Luiz Alvarenga - Extra (Arquivo)
RIO - A prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset (PDT), foi denunciada pelo procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Lopes, por envolvimento no desvio de R$ 600 mil dos cofres do município. Na ação penal, que será julgada por desembargadores da seção criminal do Tribunal de Justiça (TJ), Aparecida é acusada de assinar convênios com igrejas evangélicas para a realização de cursos e atendimentos médicos que não saíram do papel.
No primeiro ato após ser reconduzido para mais dois anos à frente do Ministério Público do Rio, o procurador-geral Claudio Lopes assinou ainda denúncias contra dois vereadores das cidades de Araruama e Miracema. De acordo com a denúncia do MP, Aparecida Panisset firmou o primeiro convênio, em 21 de outubro de 2005, com a Igreja Evangélica Assembleia de Deus da Reconciliação. A entidade passou a receber R$ 25 mil mensais para oferecer cursos profissionalizantes e realizar serviços médicos e assistenciais gratuitos à população, por um ano.
Situação semelhante à constatada pelo MP no convênio, de mesmo valor e tempo de duração, firmado em junho de 2006, com o Templo Pentecostal Casa do Saber (TPCS). De acordo com as denúncias, as atividades nunca foram implementadas. Além da prefeita, também responderão à ação penal, Moisés Figueiró Moreira, Zilar de Souza Couto e Isaque de Araújo Marques, responsáveis pelas entidades. Procurados pelo GLOBO, Aparecida Panisset e os outros três denunciados não se manifestaram. Em caso de condenação, eles poderão ser obrigados a devolver o dinheiro aos cofres da cidade.
Procurador-geral denunciou dois vereadores
O vereador Sérgio Roberto Egger de Moura, de Araruama, foi denunciado por desacatar um Policial Militar que havia apreendido uma van de transporte ilegal de passageiros, e o vereador André Luiz Amim Monteiro, de Miracema, por lesão corporal e ameaça.
No caso do vereador Sérgio de Moura, a denúncia ressalta que o político havia destratado um PM responsável pela apreensão de uma van, em 19 de agosto de 2009. Na ocasião, o vereador chegou ao local questionando a apreensão do veículo, usando, de acordo com a denúncia, xingamentos contra o policial e dizendo que o PM “não sabia com quem estava se metendo”.
A denúncia, cujo crime é considerado de menor potencial ofensivo por Lei, é justificada pelo Procurador-Geral de Justiça pelo fato de o denunciado já responder a outras denúncias e ações penais pela prática de diversos crimes, entre eles, tentativa de homicídio. Egger de Moura é suspeito de integrar uma milícia no Município e se encontra atualmente preso.
No caso do vereador André Monteiro, de Miracema, a denúncia tem por base uma ameaça e agressões praticadas por ele contra Mateus Pinto Schelck, no dia 21 de maio de 2009.

sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/CHUVAS - CEF libera FGTS para moradores #chuvarj


Quem teve a casa devastada pelas chuvas poderá sacar o dinheiro depois que prefeituras das cidades relatarem quais as áreas afetadas

Igor Silveira
Publicação: 10/04/2010 07:00
 

Cinco dias depois do início das chuvas que castigaram o estado do Rio de Janeiro, a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou, ontem, a liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores que vivem em quatro municípios atingidos pelo desastre: Niterói, Maricá, São Gonçalo e a capital, Rio. Os moradores dessas cidades terão direito ao benefício porque os governantes decretaram estado de calamidade pública ou situação de emergência, uma das exigências para que o dinheiro possa ser sacado pelas vítimas das enchentes.

O superintendente nacional de atendimento da CEF, Elício Lima, afirmou, no entanto, que ainda não há uma previsão para que os beneficiados possam ir ao banco retirar o dinheiro. “Essa é uma exigência legal, mas precisa passar por algumas etapas antes que os valores sejam liberados. Estamos aguardando o retorno do Ministério de Integração Nacional sobre os pedidos dos prefeitos e, em seguida, a delimitação e entrega da Declaração de Áreas Afetadas, preparada pelas próprias prefeituras”, explicou. “Só depois disso, o trabalhador, mediante comprovação de residência, pode ir à agência sacar o dinheiro”, completou. O benefício é limitado ao saldo existente na conta vinculada ou, no máximo, a R$ 4.650.

O Correio conversou por telefone com a bancária Cristina Borges, 48 anos, uma das vítimas que terá direito ao saque do FGTS. Moradora de Niterói, ela foi surpreendida, na noite da última segunda-feira, por uma enxurrada de água e lama que invadiu a casa onde vive. No dia seguinte, o saldo catastrófico: móveis e aparelhos eletrônicos destruídos, paredes comprometidas e todas as portas da residência estragadas. “Fiquei uma noite inteira acordada, tentando salvar alguma coisa. Estava sem água e luz. Pela manhã, me dei conta do tamanho do prejuízo. É muito triste ver grande parte do que conquistei ao longo do tempo ser destruída de uma só vez”, lamentou. “A liberação do benefício pode ser um bom negócio, mas não sei se resolve. Quem perdeu tudo, por exemplo, não vai conseguir grande coisa com o limite imposto pelo governo”, ressaltou.

No início da tarde de ontem, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, determinou a liberação de cerca de R$ 125 milhões, em caráter emergencial. As secretarias que receberão a maior parte da verba são as de Saúde e Defesa Civil (R$ 60,2 milhões) e a de Obras (R$ 31,6 milhões). Logo depois, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou a criação de uma linha de crédito também para as prefeituras do estado que decretaram estado de emergência ou calamidade pública. O total pode chegar a R$ 1 bilhão, com juros de 3%, por meio do programa Pró-Moradia Emergencial, com financiamento de até 30 anos.

Veja outras ações anunciadas pela Caixa Econômica Federal, ontem, para ajudar às vítimas das enchentes que atingem o estado do Rio de Janeiro desde a última segunda-feira, dia 05 de abril.

  • Abertura da conta 0199.006.2010-1 para recebimento de depósitos, em qualquer agência da CAIXA, Casas Lotéricas e Correspondentes Bancários, bem como transferência pela internet.
  • Arrecadação de doações (roupas de cama, mesa e uso pessoal; alimentos não perecíveis; produtos de higiene pessoal e limpeza) em todas as agências da CAIXA da região metropolitana do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e Niterói.
  • Funcionamento da Central de Telemarketing (0800-7260101) para prestar informações sobre o recebimento de donativos e FGTS.
  • Atuação do movimento de voluntários da CAIXA para reforço na campanha de arrecadação.
  • Fornecimento de assistência técnica para elaboração de projetos e demais providências empreendidas pelos municípios.
  • Priorização dos projetos do Programa Minha Casa Minha Vida que beneficiem as localidades atingidas pelas enchentes.
  • Emissão gratuita de CPF para as populações atingidas.
  • Doação de mobiliário não utilizado pela Instituição para as vítimas por intermédio das Secretarias de Ação Social dos municípios atingidos.


 


 

quinta-feira, 8 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/CHUVAS - Cidade do Rio recebe donativos em 23 postos; veja endereços


colaboração para a Folha
A Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio disponibilizou mais 21 postos de atendimento para receber doações a desabrigados por causa da forte chuva que atinge o Estado desde a última segunda-feira (5). De acordo com a prefeitura, as necessidades mais urgentes são colchonetes, roupas de cama e banho, material de higiene, fraldas, alimentos não perecíveis, leite em pó e água mineral.

Além desses postos de atendimento, os donativos podem ser entregues das 9h às 17h também no Centro Administrativo São Sebastião, na Cidade Nova, e na Praça da Cruz Vermelha, número 10, no centro. O endereço de todos os postos e mais informações podem ser obtidos pelo telefone (21) 3973-3800 ou no site www.rio.rj.gov.br.
Segundo a Defesa Civil Estadual, foram enviadas doações de materiais e alimentos para as pessoas que estão em abrigos improvisados principalmente http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6916779144653602677em escolas da rede pública das cidades do Rio, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá e Duque de Caxias. Entre os donativos estão colchões, lençóis, travesseiros e cestas básica.
De acordo com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, até o final da tarde dde ontem (7) foram distribuídos às prefeituras de Seropédica, Mangaratiba e Niterói 150 colchões, 150 kits de roupa de cama e travesseiro, 100 guarda-chuvas, 480 kg de roupas usadas, 210 kg de toalhas de banho e 300 cobertores.
As vítimas das chuvas no complexo do Alemão, Manguinhos e CCPL, no Rio, e Salgueiro, em São Gonçalo também receberam doações.
Dados da Coordenação da Defesa Civil do Estado, contabilizados até o final da tarde de ontem (7), indica que os municípios das regiões metropolitana, Baixada Fluminense, Baixada Litorânea e Serrana foram os mais atingidos pelas chuva. O número de desabrigados era de 3.262, enquanto que o total de desalojados --que estão na casa de parentes e amigos-- somava 11.439 pessoas.
Ao todo, 154 pessoas já morrreram em decorrência das chuvas em todo o Estado desde a última segunda-feira.

 


 

domingo, 28 de março de 2010

ENTERRO - Pai do cantor Buchecha é enterrado em São Gonçalo


O corpo do pai do cantor Buchecha, Claudino de Souza Filho, de 61 anos, foi sepultado na tarde deste domingo em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O corpo foi encontrado na madrugada de hoje com marcas de tiros na Estrada da Conceição, no bairro Mutuá, que fica próximo à casa dele.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
O cantor Buchecha e dezenas de pessoas acompanham o sepultamento de Claudino de Souza Filho | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
A família acredita que ele tenha reagido a uma tentativa de assalto, mas o delegado titular da 72ª DP (São Gonçalo) Adilson Palacio acredita em execução. Moradores da região disseram que Claudino chegou a segurar a mão do bandido que estava com a arma.

Buchecha é filho do primeiro casamento da vítima e segundo a família eles eram muito próximos. Antes da viagem, Claudino passou alguns dias na casa do funkeiro na Ilha do Governador. Os dois já fizeram algumas músicas juntos e o pai seria o criador da coreografia que fez sucesso com a dupla Claudinho e Buchecha, em que eles dançavam com uma mão no rosto e a outra para frente.