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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Suspeito de alta patente - Tenente-coronel preso como mentor da execução de juíza é acusado de ficar com 'espólio' do tráfico

Publicada em 28/09/2011 às 00h39m
Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br) e Sérgio Ramalho (sergio.ramalho@oglobo.com.br)



RIO - Em depoimento à Justiça, um cabo da Polícia Militar preso pela morte da juíza Patrícia Acioli admitiu ter atirado na magistrada e disse que o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira recebia parte das apreensões feitas irregularmente por policiais durante as operações do Grupamento de Apoio Tático (GAT). O ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), que está preso sob a acusação de ser o mentor do crime , é suspeito de ficar com o "espólio" do tráfico nas favelas onde realizava operações. O cabo decidiu colaborar com a polícia em troca do benefício da delação premiada. O GLOBO teve acesso ao depoimento, que durou cerca de duas horas.

LEIA MAIS: Tenente-coronel assumiu seu 1º batalhão, em São Gonçalo, por indicação do comandante da PM

O cabo disse que a execução foi tramada pelo tenente Daniel Benitez, que chegou a propor a contratação de uma milícia do Rio para cometer o crime. A ideia não foi adiante. De acordo com o militar, Benitez era o homem de confiança do tenente-coronel Cláudio, com quem atuou em três unidades da PM antes de os dois serem lotados no 7º BPM. O policial disse à Justiça que o tenente era o responsável por repassar ao ex-comandante a caixinha do tráfico das favelas do Salgueiro e da Coruja. O valor era pago semanalmente aos policiais do GAT do 7º BPM.

Ainda de acordo com o delator, as armas usadas no assassinato da juíza eram "espólio" de operações em favelas de São Gonçalo. Uma delas, a de calibre .40, foi apreendida no Morro da Coruja. Segundo o PM, parte da munição utilizada era do 7º BPM e parte fora apreendida em favelas. Outra arma do crime, o revólver calibre 357, ficou com Benitez, que, segundo o depoimento, também adquiriu a moto usada na emboscada contra Patrícia. O carro utilizado no crime, um Palio vinho, foi incendiado na mesma noite, no bairro Santa Luzia.

O cabo contou ainda que o GAT atuava nas favelas mais perigosas de São Gonçalo. A cada 24 horas, eles eram cobrados para que fizessem grandes apreensões de drogas e armas. De acordo com o depoimento, o grupo não apresentava o material à delegacia. O dinheiro arrecadado ficava com a equipe. O réu colaborador disse ainda que Benitez convidou os integrantes do GAT a se transferirem para o 14º BPM (Bangu), para onde o tenente-coronel Cláudio estava cotado para assumir o comando. Segundo o cabo, o comentário no quartel era que "em Bangu o espólio seria maior".

De acordo com o cabo, a juíza escapou de duas tentativas de emboscada montada pelos policiais. Numa, ocorrida uma semana antes do assassinato, ela escapou por não ter ido ao Fórum de São Gonçalo. O cabo acrescentou em seu depoimento que, dias antes do assassinato, um dos policiais envolvidos no plano havia perdido o rastro da juíza. O PM estava incumbido de seguir Patrícia, mas acabou perdendo a magistrada de vista no Centro de São Gonçalo.






Considerado pela DH fundamental por indicar a participação do tenente-coronel na trama, o depoimento cita ainda a participação de um policial do 12º BPM (Niterói), que levou o tenente Benitez até a casa da juíza, em Piratininga, durante o planejamento do crime. O policial do batalhão de Niterói ainda não foi preso, e por isso não teve o nome divulgado.

O cabo afirmou ainda que, após ter sido preso, juntamente com o tenente Benitez e outro cabo, o tenente-coronel Cláudio esteve no batalhão Prisional Especial (BEP) para conversar com os três. Na visita, no domingo do Dia dos Pais, que não foi registrada no livro de entrada da prisão, o então comandante do 7º BPM se comprometeu a ajudar os três, inclusive indicando um advogado para defendê-los.

O presidente do TJ, desembargador Manoel Rebêlo dos Santos, ressaltou que a prisão de um mandante de crime é um fato raro no país.

- Sempre chegamos aos executores, mas poucas vezes no Brasil se consegue chegar ao mandante - frisou o desembargador.

Perguntado se a prisão de um comandante de batalhão afetaria a posição do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que o oficial continua gozando de sua "plena confiança". Beltrame disse ainda que a transferência de Cláudio para o 22 BPM uma semana após a morte da juíza não significou uma proteção ou promoção.

O presidente da Associação de Magistrados do Rio de Janeiro, Antônio César de Siqueira, lamentou que um comandante esteja sendo acusado de ser mandante do crime:

- É lamentável que pessoas que ocupam cargo de comando estejam à frente de um ataque à democracia. Comandante em Bangu foi preso em 2006

Até acontecer o caso do tenente-coronel Cláudio, o único oficial da mesma patente preso na PM havia sido o então comandante do 14º BPM (Bangu), Celso Lacerda Nogueira. O tenente-coronel foi preso no dia 15 de dezembro de 2006, dentro das investigações da Operação Gladiador, acusado de corrupção passiva e participação no bando do bicheiro Fernando Iggnacio. Ele foi condenado a sete anos de reclusão. Seu processo, porém, está em recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

O oficial também responde a um Conselho de Justificação na Seção Criminal do TJ do Rio, mas a ação foi suspensa, até que transite em julgado o processo federal. Só aí o processo sobre a perda de patente será julgado. Oficial pode ser levado para presídio fora do Rio

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Manoel Alberto Rebêlo, disse na terça-feira em entrevista à Rádio BandNews que os PMs presos devem cumprir suas penas em presídios fora do estado. Uma das opções seria a penitenciária de Catanduvas, no Paraná.

- Os culpados serão processados, punidos e, no que depender de mim, cumprirão pena em presídio de segurança máxima fora do Rio - disse ele.

Em entrevista de manhã, sem a presença de um representante do comando, o corregedor-geral da PM, Ronaldo Menezes, anunciou que o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira seria transferido para o presídio Bangu 8. O militar apresentou-se no Batalhão de Choque, no Centro, por volta das 3h de terça-feira, após ser informado pela corregedoria sobre seu mandado de prisão.

O corregedor disse ainda que os outros policiais presos ontem também iriam para Bangu 8 (onde ficam detentos com curso superior). São eles cabo Alex Ribeiro Pereira (7º BPM), cabo Sammy dos Santos Quintanilha (7º BPM), cabo Carlos Adílio Maciel Santos (7º BPM), cabo Jovanis Falcão Júnior (7º BPM), 3º sargento Charles de Azevedo Tavares (7º BPM) e soldado Júnior César de Medeiros (7º BPM). Outros três já estavam presos desde o último dia 12: o tenente Daniel Santos Benitez Lopes e os cabos Jeferson de Araújo Miranda e Sérgio Costa Júnior. Esses estão em diferentes prisões.

O corregedor-geral disse que aguardará detalhes sobre as razões para a Justiça ter expedido o mandado de prisão contra Cláudio de Oliveira, que foi exonerado. Quem assume provisoriamente o comando do 22 BPM é o subcomandante da unidade, o tenente-coronel Isidro.

- Após todos esses fatos, será aberto um processo administrativo - disse Menezes.

O prazo para conclusão do processo é de 40 dias. Depois disso, será levado para o secretário de Segurança, que abrirá um processo de justificação. O procedimento poderá culminar com a demissão do oficial da corporação

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/27/tenente-coronel-preso-como-mentor-da-execucao-de-juiza-acusado-de-ficar-com-espolio-do-trafico-925459932.asp#ixzz1ZKsXb2rd 



No covil dos chefões - Ex-comandante e outros 7 PMs presos por morte de juíza são isolados em Bangu 1

RIO - A penitenciária de segurança máxima Laércio da Costa Pelegrino, Bangu 1, célebre por afastar do convívio da sociedade os bandidos mais perigosos do estado, principalmente chefes do tráfico, recebeu terça-feira os oito PMs acusados de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido em 11 de agosto. Entre eles estão o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) e do 22º BPM (Maré), tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira , e o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopez. Como o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar - que cumpre pena no presídio federal de Mossoró (RN) -, o grupo está sendo submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Nele, há restrição às visitas, as celas são individuais e o banho de sol, apenas uma vez por semana, acontece em horários diferentes, para que os detentos não se encontrem e conversem.

LEIA MAIS: Tenente-coronel preso por envolvimento na execução de juíza ficará em Regime Disciplinar Diferenciado

SUSPEITO DE ALTA PATENTE: Cláudio Luiz é acusado de ficar com 'espólio' do tráfico

De acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), a transferência foi decidida para evitar que os acusados fossem enviados para presídios federais. A medida foi pedida pelo Ministério Público ao juiz responsável pela 3 Vara Criminal de Niterói, Peterson Simão.

Advogado é o mesmo de CacciolaA transferência surpreendeu o advogado do tenente-coronel Cláudio, que reagiu com indignação. Manuel de Jesus Soares - que também defendeu o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola - havia recebido a informação de que seu cliente passaria a noite em Bangu 8.

- Só hoje (quarta-feira) eu soube que ele havia sido levado para Bangu 1, o que é absolutamente ilegal. Amanhã (quinta-feira), vamos tomar as providências necessárias para reverter essa decisão absurda - disse ele.

O tenente-coronel foi instruído a não fazer qualquer declaração ao titular da Divisão de Homicídios, delegado Felipe Ettore, enquanto o advogado não tiver acesso ao inquérito.

Também foram transferidos para Bangu 1 o soldado Júnior Cézar de Medeiros, o terceiro-sargento Charles de Azevedo Tavares e os cabos Alex Ribeiro Pereira, Carlos Adílio Maciel Santos, Jovanis Falcão Júnior e Sammy dos Santos Quintanilha.

Pela ficha de antecedentes criminais do tenente-coronel Cláudio, é possível ter uma ideia do seu perfil operacional. Constam oito anotações, que vão desde lesões corporais leves a um homicídio. O registro que inaugura sua ficha é o de abuso de autoridade, em 3 de setembro de 1989, sofrido por Patrícia Acioli, quando ela era defensora pública. Ela assistia, com um grupo de amigos, à partida entre Brasil e Chile em que um sinalizador de embarcações foi lançado pela torcedora Rosinery Melo do Nascimento, que ficou conhecida como Fogueteira, ao lado do goleiro chileno Roberto Roja, o que ocasionou a paralisação do jogo e tumulto. Cláudio, então tenente, e Patrícia discutiram. Ele a prendeu por desacato.

A última ocorrência da ficha é a de violência doméstica familiar, registrada na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Jacarepaguá, bairro onde o oficial mora. A companheira do PM sofreu lesão corporal em 2008, mas o caso ainda não virou processo.

Já o homicídio ocorreu em Copacabana, em 1994. Nesse caso, no entanto, o oficial foi absolvido. Outras anotações na ficha são de lesão corporal, em 1993 (a pena prescreveu); constrangimento ilegal e maus-tratos, em 1995 (ele foi absolvido); prevaricação, em 1996 (ainda aguarda decisão judicial); e tortura, em 1998 (o oficial foi absolvido).

Na quarta-feira, nem o governador Sérgio Cabral nem o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, nem o comandante interino da PM, coronel Álvaro Garcia, quiseram comentar a crise na cúpula da PM.


Fonte O Globo  http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/29/ex-comandante-outros-7-pms-presos-por-morte-de-juiza-sao-isolados-em-bangu-1-925470837.asp#ixzz1ZKqQshhU 

sábado, 24 de setembro de 2011

Morte de juíza: um dos acusados tentou forjar álibi #rio

Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br)

RIO - Um depoimento mantido em sigilo por policiais da Divisão de Homicídios (DH) revela que um dos três PMs presos, acusados de assassinar a juíza Patrícia Acioli, tentou forjar um álibi para justificar sua presença nas proximidades do Fórum de São Gonçalo na noite do crime. O policial procurou uma advogada e tentou convencê-la a mentir, pedindo a ela que dissesse que esteve com ele na noite da execução. A advogada recusou a proposta. Patrícia foi morta com 21 tiros em Piratininga, Niterói, no último dia 11 de agosto.

LEIA MAIS: Polícia faz busca em residências de pessoas ligadas aos PMs acusados de matar juíza em Niterói

FORA DO TRAJETO: Polícia investiga participação de patrulhas em assassinato da juíza Patrícia Acioli

EMBOSCADA: Câmeras registram perseguição a juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares em Niterói

O rastreamento dos celulares dos três PMs feito pela DH revelou que dois deles estiveram perto do Fórum onde a juíza trabalhava na noite do assassinato - um deles era o que pediu um álibi à advogada. A dupla teria permanecido no local por mais de uma hora, até desligar seus celulares. Até agora, os três são os únicos acusados formalmente pelo assassinato. Patrícia saiu do Fórum de São Gonçalo às 23h13m e foi executada às 23h55m, na porta de casa.

PM afirma que estava em encontro amoroso

Em seu depoimento, também sob sigilo, o PM que tentou forjar o álibi contou que estava na Zona Sul do Rio, horas antes do crime, quando recebeu a ligação de um dos outros dois PMs acusados. Segundo ele, os três combinaram um encontro amoroso com mulheres do Morro do Castro, na Engenhoca, em Niterói. Ainda de acordo com o depoimento do policial, o grupo estava namorando na Região Oceânica, também em Niterói, no momento em que a juíza foi morta. O policial admitiu que esteve antes na porta do Fórum para conversar com a advogada que o assistia, mas contou que houve um desencontro entre eles.

A advogada foi a responsável, na noite do crime, por avisar aos três policiais militares que a juíza Patrícia Acioli decretaria a prisão deles e de mais cinco policiais do 7º BPM (Alcântara) pelo assassinato de Diego da Conceição Beline, de 18 anos. O rapaz foi morto em junho deste ano na Favela do Salgueiro, em São Gonçalo. Os PMs tentaram forjar um auto de resistência (morte em confronto), deixando uma arma (pistola 9mm) e um punhado de drogas ao lado do corpo. A versão dos policiais não convenceu, e eles acabaram acusados de homicídio.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/23/morte-de-juiza-um-dos-acusados-tentou-forjar-alibi-925431438.asp

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Polícia investiga participação de patrulhas em assassinato de juíza Patrícia Acioli

O Globo
Publicada em 21/09/2011 às 01h39m
Antônio Werneckwerneck@oglobo.com.br

RIO - O deslocamento fora da rotina de duas patrulhas do 12º BPM (Niterói) na noite do assassinato da juíza Patrícia Acioli passou a ser investigado pelos policiais da Divisão de Homicídios (DH). Os veículos em que estavam seis policiais militares foram rastreados pelo sistema de GPS da noite do dia 11 de agosto (data da execução) até a madrugada do dia seguinte. A DH trabalha com a possibilidade de o crime ter a participação de mais policiais. Até agora, o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda, lotados no 7 BPM (São Gonçalo), são os únicos acusados formalmente pelo assassinato.

Carro da PM ficou apagado na Praia de Piratininga

Sem autorização de um oficial superior e contrariando a orientação do comando, uma patrulha com dois policiais deixou por volta das 22h o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) no bairro Vila Progresso, em Pendotiba, e ficou estacionada com as luzes apagadas na Praia de Piratininga até a hora da execução da juíza, quando foi acionada pela central 190 (o serviço de emergência da corporação). Ela foi a primeira a chegar ao local do crime.

- Ela deveria ficar posicionada no DPO e só sair para atender uma ocorrência - disse um oficial da PM.

O deslocamento de uma outra patrulha é o que mais intriga os investigadores. O veículo com quatro PMs, do 12º BPM (Niterói), deveria policiar o bairro de São Francisco, na Zona Sul de Niterói - a cerca de 10km da Região Oceânica, onde o assassinato ocorreu. Entretanto, às 22h06m, o GPS indicou que o carro, em alta velocidade (média de 95km/h), deixou São Francisco e seguiu até a Estrada Francisco da Cruz Nunes, que liga o Largo do Batalha ao bairro de Itaipu. Ele ficou parado num posto de gasolina até as 23h58m, quando, sem ser acionado, foi para o local do crime, aonde chegou aos nove minutos do dia 12.
Segundo os policiais, os assassinos podem ter usado a Estrada Francisco da Cruz Nunes como rota de fuga. Também há suspeita de que eles tenham passado pela Avenida Central e pelo DPO da Vila Progresso. A forma como o veículo com os quatro policiais saiu de São Francisco, onde deveria ficar baseado, e seguiu em alta velocidade para a Região Oceânica despertou a suspeita dos investigadores.

Acusados estiveram na rua da juíza um mês antes
A juíza Patrícia Acioli foi seguida do Fórum até sua casa, onde foi executada com 21 tiros. Ela deixou o trabalho às 23h13m e foi morta às 23h55m. A quebra do sigilo telefônico do tenente e dos dois cabos revelou que eles estiveram na rua da juíza um mês antes do crime, no dia 11 de julho. Também mostrou que, dos três policiais acusados do crime, dois estiveram próximo ao Fórum na noite do crime.

Os três PMs e mais cinco policiais do 7º BPM tiveram a prisão decretada pela juíza no dia da morte dela. Eles são acusados de matar Diego de Souza Beliene, de 18 anos, irmão de um traficante da Favela do Salgueiro, em São Gonçalo

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/20/policia-investiga-participacao-de-patrulhas-em-assassinato-de-juiza-patricia-acioli-925407871.asp#ixzz1Ya9bh71C

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acusados de participar da morte da juíza vão ser isolados dos colegas para não combinarem estratégias

Extra

Acusados pela polícia de envolvimento na morte da juíza Patrícia Lourival Acioli, o tenente PM Daniel Benitez e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda serão transferidos do Batalhão Especial Prisional (BEP), onde estão presos preventivamente à disposição da Justiça.

De acordo com informações divulgadas pelo "RJ TV", os três policiais serão transferidos a pedido do Ministério Público. Os nomes das unidades, que abrigarão os presos, não foram revelados. A transferência poderá ocorrer ainda hoje. No entanto, os três PMs deverão ficar em unidades separadas, a fim de não manter contato uns com os outros.

O EXTRA procurou a advogada Alzira de Castro Garcia Dias, que defende os policiais, para comentar o caso. Por duas vezes o repórter tentou falar com a advogada, mas uma mulher que se identificou como sua secretária disse que ela estava em uma reunião. Até o fim da noite, ela não havia retornado as ligações.

Patrícia Acioli foi assassinada, na noite do dia 11 de agosto, quando chegava em casa, em Piratininga, Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ela teria sido seguida, durante 40 minutos, por homens que estavam em uma motocicleta.

Próximo ao bairro, onde a juíza morava, o veículo ultrapassou o carro da magistrada e seguiu em direção as proximidades do condomínio, onde reside Patrícia Lourival Acioli.

Laudo da perícia técnica, feito por peritos do Instituto Carlos Éboli, revelou que Patrícia foi atingida pelos primeiros disparos de pistola 40, quando reduziu a velocidade do carro, a fim de abrir o portão da garagem de sua residência.
Segundo o laudo, o atirador se escondeu atrás de alguns veículos, estacionados em frente à residência da magistrada e próximos a um terreno baldio.

O mesmo homem também teria feito disparos de pistola calibre 45. O laudo não esclarece se outra pessoa teria feito disparos de calibre 38, que também atingiram a juíza, ou se os tiros foram disparados pelo primeiro atirador.
De acordo com laudo de necropsia, pelo menos seis projeteis foram retirados do corpo da magistrada.

Ao todo, Patrícia Acioli levou 21 tiros. Os disparos acertaram o pescoço, o peito e os braços da vítima.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Polícia conclui que assassinato de juíza Patrícia Acioli teve um mentor

Publicada em 14/09/2011 às 23h48m
Gustavo Goulartgus@oglobo.com.br e Vera Araújovaraujo@oglobo.com.br
 

  RIO - O assassinato da juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, Patrícia Acioli, tem um mandante. É essa a conclusão a que os investigadores da Divisão de Homicídios (DH) chegaram, a partir de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e das apreensões feitas nas casas dos três policiais militares acusados da morte da magistrada. Segundo uma fonte na polícia, o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Junior e Jefferson de Araújo Miranda, do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), que já estão presos, foram os autores do crime, mas não agiram sozinhos.

A fonte contou que, durante as buscas, foram encontrados documentos que comprovam a atuação do mandante do crime. Segundo o titular da DH, delegado Felipe Ettore, a juíza, morta em 11 de agosto em Niterói, decretou no mesmo dia a prisão dos PMs, acusados do assassinato de um jovem em São Gonçalo. Como os três policiais foram avisados pela advogada sobre a prisão, de acordo com a DH, escolheram aquele dia para a execução, embora um mês antes já estivessem planejando o crime.

De acordo com Ettore, uma prova disso é que, em julho, os acusados estiveram no condomínio da juíza num carro do 12º BPM (Niterói), apesar de serem do 7º BPM (São Gonçalo). O fato também indica que há mais policiais envolvidos.

A Justiça expediu 15 mandados de busca e apreensão em endereços nos municípios de São Gonçalo, Maricá e nos bairros de Senador Camará e Jacarepaguá. Os alvos foram imóveis dos acusados e de parentes deles. A DH também apreendeu 757 pistolas e revólveres usadas pelo 7º BPM (São Gonçalo). O Instituto de Criminalística Carlos Éboli pôs uma força-tarefa para analisar o armamento. O trabalho pode levar de semanas a meses, dependendo da sorte de se encontrar a pistola e o revólver usados no crime. O exame é feito a partir da ranhura do cano, uma espécie de impressão digital da arma. Tenente investigado por roubar cerveja

A família de Patrícia Acioli ainda não está satisfeita com o resultado das investigações. A advogada dos parentes da juíza, Letícia Lins e Silva, informou que não está tendo acesso aos documentos.

- A família está aguardando o desfecho, mas não temos conhecimento oficial das investigações. A polícia pediu mais 30 dias para concluir o inquérito. Os advogados da família não têm acesso a nada - disse Letícia.

A família está aguardando o desfecho, mas não temos conhecimento oficial das investigações. A polícia pediu mais 30 dias para concluir o inquérito. Os advogados da família não têm acesso a nada

Na noite de terça-feira, durante uma manifestação realizada na Praia de Icaraí, em Niterói, parentes da juíza salientaram a importância da prisão dos mandantes do crime. Eles têm convicção de que houve participação de outros policiais.

TAMBÉM NA VIDA PRIVADA: Juíza executada prendia PMs e tinha relações perigosas com policiais

INFOGRÁFICO: A senhora do martelo de ferro

LOCALIZAÇÃO: Onde ocorreu o crime

CRIME: Juíza assassinada em Niterói foi alvejada com 21 tiros, diz delegado

FOTOGALERIA: Veja imagens do trabalho da perícia no carro da juíza e do sepultamento de Patrícia

O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, disse que sempre soube da participação de policiais no crime:

- Desde o primeiro momento, trabalhávamos com a hipótese da participação de policiais. Em momento nenhum afastamos essa possibilidade. É muito importante a conclusão das investigações, porque aí se chega às pessoas. Nós temos um crime individualizado, particularizado, e deixa de existir uma culpa coletiva sobre toda uma unidade, o 7º BPM, como estava acontecendo. À medida que o crime é investigado e se descobrem os verdadeiros culpados, vai-se conduzir essas pessoas ao julgamento e aliviar a unidade de uma culpa coletiva que estava recaindo sobre ela - disse o comandante, acrescentando que a participação de outras pessoas não deve ser descartada. - Todas as hipóteses devem ser consideradas. Acho que as investigações devem ser conduzidas para a possibilidade de participação de outros atores nesse crime.

Um dos acusados, o tenente Benitez, já respondeu por outros crimes antes. Um dos casos ganhou destaque nas páginas dos jornais em janeiro de 2008, quando um grupo de PMs foi flagrado furtando cerveja e outras bebidas de um caminhão da AmBev, no Lins de Vasconcelos. Até carros da PM foram usados para o transporte da cerveja. Benitez já era tenente nessa época e trabalhava como supervisor da equipe. Na época, o subcomandante do 3BPM (Méier) era o tenente-coronel Cláudio Luiz Oliveira, o mesmo que estava comandando o quartel de São Gonçalo na época em que Patrícia foi morta. Cláudio levou Benitez para comandar o GAT no batalhão de São Gonçalo.

Os três policiais presos sob a acusação de executar Patrícia Acioli prestaram depoimento durante a tarde e a noite de terça-feira. Eles foram levados para a Divisão de Homicídios por uma escolta com três caminhonetes do Batalhão de Choque, na segunda-feira, e passaram a noite da unidade. A advogada Alzira de Castro permaneceu durante todo o tempo em busca de informações sobre o inquérito. Ela foi à DH acompanhada da mulher do tenente Daniel Benitez. Alzira defende o oficial no caso do assassinato da juíza. Além disso, tem Benitez e os dois cabos como clientes no processo em que tiveram as prisões decretadas por Patrícia Acioli, pela morte de um adolescente no bairro Salgueiro, em São Gonçalo.

O depoimento do tenente durou cerca de quatro horas. Já à noite foram ouvidos os dois cabos. Por volta das 22h15m de terça-feira, eles deixaram a DH sob escolta de policiais da Batalhão de Choque. Sem algemas e com casacos com capuzes, os dois cabos embarcaram na parte detrás de uma caminhonete encostada estrategicamente em frente à porta principal da delegacia. O tenente embarcou em seguida em outra caminhonete. Os três policiais militares acusados procuraram esconder o rosto e demonstravam cansaço. Todos eles negam ter cometido o crime.

A juíza foi assassinada em meados de agosto quando chegava em casa, no bairro de Piratininga, Região Oceânica de Niterói. As ameaças de morte à juíza não eram um segredo. Dois dias antes do assassinato, um policial civil da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) esteve na Polícia Federal para informar que havia um plano para executar a magistrada , considerada linha-dura nos julgamentos contra PMs da banda podre de São Gonçalo. A própria Patrícia esteve, na semana anterior ao crime, na sede da Corregedoria da Polícia Militar, onde teria contado que estava sendo ameaçada por policiais do 7º BPM (São Gonçalo) e do 12º BPM (Niterói). O Disque-Denúncia recebeu, em 2009, duas informações de que ela corria risco. Na época, as denúncias foram repassadas para a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco)

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/14/policia-conclui-que-assassinato-de-juiza-patricia-acioli-teve-um-mentor-925359799.asp#ixzz1Y18Ey9Vj
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