Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II

quarta-feira, 23 de junho de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Estação Central do Brasil #inforio

Estação Central do Brasil
Estação D. Pedro II
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A Estação Central do Brasil em 1899. Foto de Marc Ferrez.

Uso atual Estação de trens metropolitanos
Localização Praça Cristiano Ottoni, Centro - Rio de Janeiro, RJ
Coordenadas
Código RJ-1364
Linha {{{linha}}}
Linhas Deodoro
Santa Cruz
Japeri
Belford Roxo
Saracuruna
Administração SuperVia
Inauguração 1858
Fechamento
Movimento em Não disponível
Serviços ÔnibusRestaurante




































A Estação Central do Brasil é uma estação ferroviária, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, e operada pela Supervia. É a estação de trens mais famosa do Brasil. Até o ano de 1998 era dominada Estação Dom Pedro II, denominação pela qual ainda é também conhecida.
A mesma teve um prédio construído em 1858 para inaugurar a linha da Estrada de Ferro Central do Brasil, a "Estação do Campo". Com o tempo teve seu nome alterado para estação da Corte e, mais tarde, Dom Pedro II. A estação hoje se chama Central do Brasil devido à antiga ferrovia extinta em 1971 por decisão da RFFSA. Este já era o nome informal da estação, e passou a oficial depois das filmagens do filme a que esta deu nome, que teve cenas rodadas na estação e concorreu ao Óscar, com Fernanda Montenegro na disputa pelo prêmio melhor atriz, em 1998.
O prédio construído em 1858 foi reformado anos mais tarde e finalmente demolido nos anos 30, para dar lugar ao atual, em razão das obras de eletrificação e expansão do sistema.
Dela hoje saem trens de diversos ramais, ligando o Centro aos demais bairros da Zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro, e também aos municípios da Baixada Fluminense, inclusive o ramal de Saracuruna/Gramacho, do qual originalmente saíam da garagem de Barão de Mauá, por pertencerem à antiga Estrada de Ferro Leopoldina.



Torre do relógio da Estação Central

Estação Central do Brasil
Localização

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Bibliografia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Rua 1o.de Março #inforio

A Rua Direita - História

O primitivo Caminho de Manuel de Brito, berço histórico da cidade, que ligava o Largo da Misericórdia ao Morro de São Bento, em data indefinida foi dividido em duas partes: a primeira que ficou sendo a Rua da Misericórdia ainda hoje existente e a segunda a Rua Direita, que ligava o Morro do Castelo ao Morro de São Bento.

A Rua Direita, no início do século XVII era apenas uma trilha precária, mas era o local preferido dos mercadores de escravos, no século XVIII, tornou-se uma das ruas mais movimentadas da cidade. Nela se instalaram os primeiros Governadores da cidade, numa casa que ficava na esquina com a Rua da Alfândega. Teve também o primeiro Palácio Episcopal, onde residiu o primeiro Bispo do Rio, D. José de Barros e Alarcão, em 1682.

Mais tarde os Governadores passaram a instalar-se na casa que antes era a Casa dos Contos, designação colonial do tesouro, onde depois veio a ser o Paço dos Vice-Reis e o Paço Real com a chegada da Família Real de Portugal ao Brasil. Em torno desta rua se desenvolveram as principais ruas da cidade. Posteriormente, nela se abrigaram o Banco do Brasil, os Correios, as Lojas da Moda, as confeitarias, já no século XIX. Em 1875 ela passou a chamar-se Rua Primeiro de Março, em homenagem à data da vitória da Batalha de Aquidabã, em março de 1870, que foi um marco importante para o fim da Guerra do Paraguai. Coincidentemente este dia também é o da Fundação da Cidade, 1º de Março de 1565..

Na Rua Direita surgiu, em 1835, a grande sensação da época, uma sorveteria. Foi a primeira rua a ser dotada de numeração nas casas, idéia do arquiteto francês Pedro Alexandre Cavroé. Devido à grande intensidade de tráfego, em 1847, adotou-se nela o sistema de mão e contra-mão. Segundo Ferreira da Rosa: " foi na Rua Direita que o Rio de Janeiro viu traçadas as primeiras linhas da sua grandeza; aí se soletrou a história fortunosa do desenvolvimento desta metrópole". Durante quase três séculos foi em torno da rua Direita, que giraram os grandes acontecimentos políticos da cidade. Só no início do século XX é que a área viu ser transferido o eixo principal da Metrópole para a nova Avenida Central, eixo monumental da nascente República.


Localização








Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março, fotos de Marc Ferrez. A primeira tirada em 1870 olhando-se em direção ao Morro do Castelo, que aparece ao fundo. Mais à frente pode ser visto o passadiço coberto que ligava o Paço ao antigo Convento do Carmo e que servia de caminho para que a Família Real pudesse ir ao Convento e à Catedral, sem passar pela curiosidade popular. Em seguida é vista a antiga Catedral do Rio de Janeiro, a Igreja do Carmo, o Beco dos Barbeiros e o Hotel do Globo.













Foto tirada em 1890 olhando-se em direção ao Morro de São Bento, vendo-se o prédio dos Correios, projetado por Antonio de Paula Freitas e terminado em 1877, seguido do prédio da Bolsa de Valores, recém inaugurado, este prédio depois veio a ser a Praça do Comércio e posteriormente a abrigar a sede do Banco do Brasil. Hoje é o Centro Cultural do Banco do Brasil, mas ainda mantém uma agência do Banco. O prédio em seguida foi destruído para a passagem da Avenida Presidente Vargas.



Rua 1o.de Março atualmente


As seis fotos abaixo mostram vistas da Rua Primeiro de Março. A primeira, tirada do Edifício Garagem Menezes Cortes, mostra uma lateral do antigo Paço Imperial, atualmente um Centro Cultural, e ao seu lado o Palácio Tiradentes. A segunda é uma vista tirada da calçada do antigo Convento do Carmo, mostrando a Igreja de São José, um prédio da Rua Erasmo Braga e a rampa de acesso ao prédio do Palácio Tiradentes, com uma das esculturas que ornamentam sua entrada. A terceira mostra o conjunto formado pelas duas Igrejas do Carmo, a antiga Catedral Metropolitana, hoje Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, duas das mais antigas e tradicionais igrejas da cidade.

A quarta apresenta uma vista tirada da calçada do Centro Cultural Paço Imperial, com a fachada do antigo Convento do Carmo e o conjunto das Igrejas do Carmo sendo que a Antiga Sé após a recente restauração para os festejos dos 200 anos da chegada de D. João ao Rio de Janeiro. A quinta mostra um detalhe da torre da antiga Catedral já restaurada. A última mostra uma vista da esquina da Primeiro de Março com a Avenida Presidente Vargas, onde se pode ver em primeiro plano os prédios do Centro Cultural Banco do Brasil e dos Correios e Telégrafos e ao fundo o conjunto das Igrejas do Carmo.









 


Bibliografia


Outras RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO


segunda-feira, 7 de junho de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Arcos da Lapa #inforio

   

Aqueduto da Carioca


Arcos da Lapa.
O Aqueduto da Carioca, popularmente conhecido como os Arcos da Lapa, localiza-se no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.
Considerada como a obra arquitetônica de maior porte empreendida no Brasil durante o período colonial, é hoje um dos cartões postais da cidade, símbolo mais representativo do Rio Antigo preservado no bairro boêmio da Lapa.

Índice


História


Vista do Aqueduto da Carioca (Leandro Joaquim, c. 1790). A lagoa, em primeiro plano, foi aterrada para a construção do Passeio Público. O edifício no alto do morro é o Convento de Santa Teresa.


Aqueduto da Carioca, Rio de Janeiro, Brasil (Marc Ferrez, 1896).


Os primeiros estudos para trazer as águas do rio Carioca para a cidade remontam a 1602, por determinação do então governador da Capitania do Rio de Janeiro, Martim Correia de Sá (1602-1608). Em 1624, um contrato para a construção do primitivo conduto foi firmado com Domingos da Rocha, que não chegou a iniciar os trabalhos. Em 1660 apenas 600 braças de canos estavam assentadas, tendo as obras recebido impulso em 1706, sob o governo de D. Fernando Martins Mascarenhas Lancastro (1705-1709).
Em 1718, sob o governo de Antônio de Brito Freire de Menezes (1717-1719), iniciaram-se as obras de instalação dos canos de água através da antiga Rua dos Barbonos (atual Rua Evaristo da Veiga). Sob o governo de Aires de Saldanha de Albuquerque Coutinho Matos e Noronha (1719-1725), em 1720 o encanamento alcançava o Campo da Ajuda (atual Cinelândia), ainda nos arrabaldes da cidade à época. Foi este governador quem, alterando o projeto original, defendeu a vantagem de se prolongar a obra até ao Campo de Santo Antônio (atual Largo da Carioca), optando pelos chamados Arcos Velhos – um aqueduto ligando o morro do Desterro (atual morro de Santa Teresa) ao morro de Santo Antônio, inspirado no Aqueduto das Águas Livres, que então começava a se erguer em Lisboa. A obra estava concluída em 1723, levando as águas à Fonte da Carioca, chafariz erguido também nesse ano, que as distribuía à população no referido Campo de Santo Antônio.
A solução foi paliativa, uma vez que já em 1727 se registram reclamações de falta de água, atribuindo-se à ação de quilombolas (escravos fugitivos, que viviam ocultos nas matas) a responsabilidade pela quebra dos canos. Mais tarde, o governo pediu contas ao encarregado pela conservação da obra o qual, furtando-se ao seu dever, evadiu-se. Foram estabelecidas, ainda, penas para os atos de vandalismo contra a obra.
O governador Gomes Freire de Andrade (1733-1763) determinou, em 1744, a reconstrução do Aqueduto da Carioca, com pedra do país, diante do elevado custo da cantaria vinda do reino. Com risco atribuído ao brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, recebeu a atual conformação, em arcaria de pedra e cal. A Carta Régia de 2 de maio de 1747 determinou que as águas fossem cobertas por abóbada de tijolos, para evitar o seu desvio mal-intencionado.
Inaugurado em 1750, as águas brotaram aos pés do Convento de Santo Antônio, em um chafariz de mármore, através de 16 bicas de bronze. Mais tarde essa água foi estendida, através da Rua do Cano (atual Rua Sete de Setembro), até ao Largo do Paço (atual Praça XV), onde os navios vinham abastecer-se.
Na segunda metade do século XIX, durante o Império e, posteriormente, diante do advento da República, novas alternativas para o abastecimento de água aos moradores da cidade do Rio de Janeiro foram sendo utilizadas. O aqueduto, a partir de 1896 passou a ser utilizado como viaduto para os novos bondes de ferro da Companhia de Carris Urbanos, principal meio de acesso do centro aos altos do bairro de Santa Teresa, até os dias de hoje.
Conservados pelo poder público, em nossos dias, os antigos arcos coloniais servem de pano de fundo para diversos eventos, como as festividades da Semana Santa e o tradicional Auto de Natal da cidade.

Características

A estrutura, em pedra argamassada, apresentava originalmente 270 metros de comprimento por 17,6 metros de altura. Em estilo românico, caiada, possui 42 arcos duplos e óculos na parte superior. Em sua construção foi empregada a mão-de-obra de escravos indígenas e africanos.

Panorama do aqueduto da Carioca.

       Localização


       Bibliografia

         Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

Outras RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO


domingo, 6 de junho de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Mosteiro de São Bento #inforio



Mosteiro
   História



Fundado em 1590 por monges vindos da Bahia, o Mosteiro beneditino do Rio de Janeiro foi construído a pedido dos próprios habitantes da recém fundada cidade de São Sebastião. Em pleno Centro da grande metrópole, conserva-se aqui um lugar de silêncio, paz, oração e trabalho, que se traduz em diversas atividades mantidas regularmente. 

As duas principais são as celebrações diárias do Ofício Divino e da Missa, com canto gregoriano. Além disso, funcionam dentro da Abadia: o Colégio de São Bento, as Edições Lumen Christi, a Faculdade de São Bento, a Casa de retiros de Emaús e a Obra Social São Bento. O Mosteiro mantém também duas casas de retiro e encontros: a Casa de São Bento, no Alto da Boa Vista, e o Sitio Seio de Abrahão, em Teresópolis.


Localização



Fotos do Mosteiro







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Igreja Abacial
O projeto inicial da igreja do Mosteiro é atribuído ao arquiteto militar Francisco de Frias Mesquita, tendo sido provavelmente elaborado entre 1617 e 1618. A parte mais antiga do conjunto é o frontispício com suas três arcadas, que foram levantados entre 1666 e 1669, juntamente com o coro. O interior da igreja é revestido de talha de madeira dourada, em estilo barroco, datando de 1717 o início de sua colocação. A nave central é ladeada por 8 capelas laterais dedicadas ao Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Pilar, Santo Amaro, Santa Gertrudes, São Lourenço, São Brás e São Caetano. Ao fundo, domina a capela-mor, com o coro onde os monges cantam diariamente o Ofício Divino e o grande altar da titular da igreja, Nossa Senhora do Monserrate. Na entrada da capela-mor vê-se o atual altar-mor, onde o celebrante principal oferece diariamente o santo sacrifício da Missa.

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Nossa Senhora do Monserrate
A imagem da titular da igreja abacial está colocada sobre o grande altar situado no fundo da capela-mor. Foi esculpida pelo monge Frei Domingos da Conceição da Silva, sendo que já existia em 1676. Foi apenas na década de 1950 que um antigo nimbo dourado foi substituído pelas cortinas de veludo que estão ao fundo.
A imagem de Nossa Senhora do Monserrate está esculpida em alto relevo, e as imagens do corpo da igreja, de época posterior, vieram a combinar com ela. Os olhos do menino Jesus eram de ovos de passarinho pintados de esmalte, mas foram recentemente substituídos por outros de vidro.
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São Bento e Santa Escolástica
As imagens dos dois irmãos gêmeos, ele, patriarca dos monges e ela, matriarca das monjas do Ocidente, estão colocadas também no grande altar da capela-mor da igreja abacial, ladeando a imagem de Nossa Senhora do Monserrate. A duas imagens, de São Bento e de Santa Escolástica, foram esculpidas por Frei Domingos da Conceição, cerca do ano 1676.
A Santa Abadessa traz numa das mãos o báculo, símbolo de sua posição de mãe e guia espiritual, e na outra a Regra de São Bento, que até os dias de hoje é seguida por monges e monjas no mundo inteiro.
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Capela da Conceição
Em 1700-1703 mandou-se vir de Lisboa um retábulo e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Entretanto, o atual retábulo é do triênio de 1747-1748, quando também se mandou vir, novamente de Lisboa, a linda imagem que ora se vê no altar, feita no ano de 1748.
A talha do arco desta capela, construída entre 1677 e 1684, foi colocada entre 1720 e 1723. Seu autor é o mesmo que fez a talha dos demais arcos e do corpo central da igreja: Alexandre Machado Pereira.
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Sacristia
É um lugar normalmente fechado à visitação pública. Na sacristia os monges se preparam para desempenhar suas funções litúrgicas, seja como sacerdotes celebrantes das Missas, seja como oficiantes nas celebrações solenes do Ofício Divino. Por seu especial amor à sagrada liturgia, os monges beneditinos dedicam um grande cuidado à manutenção da sacristia, onde fica guardado tudo o que é necessário para as diversas cerimônias.

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Alpendre - Portaria
O alpendre que se vê na gravura, de colunas toscanas inteiriças e de teto à mourisca, fica à esquerda da igreja e foi levantado, concomitantemente à portaria correspondente, entre os anos de 1663 e 1666, quando ainda não havia o frontispício da igreja. Sua construção foi dirigida pelo monge mestre-de-obras Frei Leandro de São Bento. Suas paredes brancas, simples e despojadas, são um prenúncio da arquitetura interna do mosteiro, destinada à habitação quotidiana dos monges, em total contraste com o esplendor dourado da igreja. O raciocínio é simples: enquanto esse despojamento está de acordo com a vida pobre abraçada pelos monges, o máximo de beleza está reservado ao templo, que é a casa de Deus.
Por essa porta, ainda hoje entram vários jovens que, deixando a agitação do mundo, decidem abraçar a vida monástica, para seguir o Cristo pelo caminho estreito da obediência, do silêncio e da oração. Deixam o mundo para se fazerem presentes a ele de outro modo, mais profundo e comprometido, quando apresentam a Deus suas carências de justiça, paz e amor, pela adoração e o louvor contínuos.

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Claustro
É no claustro que os monges se reúnem após as refeições para alegres momentos de convívio fraterno. Fora desses horários, é um local de silêncio, muito propício para a oração contemplativa. No seu centro encontra-se um belo chafariz, ladeado por quatro jambeiros que regularmente cobrem o chão de flores rosadas. Também no claustro são sepultados os monges que partem para o encontro definitivo com o Senhor.
Normalmente, o claustro é fechado à visitação, devido ao seu caráter de lugar de recolhimento, mas em certas datas específicas é aberto aos fiéis que nele entram em procissão. Esses dias são: Domingo de Ramos, Solenidade de Corpus Christi e nas exéquias dos monges


Quem foi São Bento



São Bento
 




São Bento de Núrsia, Patriarca do Monaquismo Ocidental






 
 

Por Dom Jerome Theisen, OSB, Abade Primaz da Confederação Beneditina (+1995).
 
Por ocasião da dedicação do Mosteiro de Monte Cassino em 1964, após sua reconstrução, o Papa Paulo VI proclamou São Bento (ca. 480 - ca. 547) patrono principal de toda a Europa. O título, apesar de um pouco exagerado, é verdadeiro sob vários aspectos. São Bento não construiu o Mosteiro de Monte Cassino com a intenção de salvar a cultura, mas, de fato, os mosteiros que depois seguiram a sua Regra foram lugares onde o conhecimento e os manuscritos foram preservados. Por mais de seis séculos, a cultura cristã da Europa medieval praticamente coincidiu com os centros monásticos de piedade e estudo.
São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, tendo vivido quase três séculos depois do seu surgimento no Egito, na Palestina e na Ásia Menor. Tornou-se monge ainda jovem e desde então aprendeu a tradição pelo contato com outros monges e lendo a literatura monástica. Foi atraído pelo movimento monástico, mas acabou dando-lhe novos e frutuosos rumos. Isto fica evidente na Regra que escreveu para os mosteiros, e que ainda hoje é usada em inúmeros mosteiros e conventos no mundo inteiro (Regra em Português).
A tradição diz que São Bento viveu entre 480 e 547, embora não se possa afirmar com certeza que essas datas sejam historicamente acuradas. Seu biógrafo, São Gregório Magno, papa de 590 a 604, não registra as datas de seu nascimento e morte, mas se refere a uma Regra escrita por Bento. Há discussões com relação à datação da Regra, mas parece existir um consenso de que tenha sido escrita na primeira metade do século VI.
São Gregório escreveu sobre São Bento no seu Segundo Livro dos Diálogos (versão inglesa disponível em Dialogues), mas seu relato da vida e dos milagres de Bento não pode ser encarado como uma biografia no sentido moderno do termo. A intenção de Gregório ao escrever a vida de Bento foi a de edificar e inspirar, não a de compilar os detalhes de sua vida quotidiana. Buscava mostrar que os santos de Deus, em particular São Bento, ainda operavam na Igreja Cristã, apesar de todo o caos político e religioso da época. Por outro lado, seria falso afirmar que Gregório nada apresenta em seu texto sobre a vida e a obra de Bento.
De acordo com os Diálogos de São Gregório, Bento (e sua irmã gêmea, Escolástica) nasceu em Núrsia, um vilarejo no alto das montanhas, a nordeste de Roma. Seus pais o mandaram para Roma a fim de estudar, mas ele achou a vida da cidade eterna degenerada demais para o seu gosto. Por conseguinte, fugiu para um lugar a sudeste de Roma, chamado Subiaco, onde morou como eremita por três anos, com o apoio do monge Romano.
Foi então descoberto por um grupo de monges que o incitaram a se tornar o seu líder espiritual. Mas o seu regime logo se tornou excessivo para os monges indolentes, que planejaram então envenená-lo. Gregório narra como Bento escapou ao abençoar o cálice contendo o vinho envenenado, que se quebrou em inúmeros pedaços. Depois disso, preferiu se afastar dos monges indisciplinados.
São Bento estabeleceu doze mosteiros com doze monges cada, na região ao sul de Roma. Mais tarde, talvez em 529, mudou-se para Monte Cassino, 130 km a sudeste de Roma; ali destruiu o templo pagão dedicado a Apolo e construiu seu primeiro mosteiro. Também ali escreveu sua Regra para o Mosteiro do Monte Cassino, já prevendo que ela poderia ser usada em outros lugares.
Os 38 pequenos capítulos do Segundo Livro dos Diálogos contêm vários episódios da vida e dos milagres de São Bento (versão em inglês disponível em Dialogues). Alguns capítulos falam da sua habilidade em ler o pensamento das pessoas, outros, dos seus feitos miraculosos, como, por exemplo, fazer brotar água da rocha, um discípulo andar sobre a água, e um jarro de óleo nunca se esgotar. As estórias de milagres fazem eco aos acontecimentos da vida de certos profetas de Israel, e também da vida de Jesus. A mensagem é clara: a santidade de Bento é como a dos santos e profetas de antigamente, e Deus não abandonou o seu povo, mas continua a abençoá-lo com homens santos.
Bento deve ser encarado como um líder monástico, não como um erudito. Provavelmente conhecia bem o latim, o que lhe dava acesso aos escritos de Cassiano e outros, incluindo regras e sentenças. Sua Regra é o único texto conhecido de Bento, mas é suficiente para manifestar a sua habilidade genial para cristalizar o melhor da tradição monástica e passá-la para o Ocidente.
Gregório apresenta Bento como modelo de santo que foge da tentação para levar uma vida de atenção à presença de Deus. Através de um esquema equilibrado de vida e oração, Bento chegou ao ponto de se aproximar da glória de Deus. Gregório narra a visão que Bento teve quando sua vida chegava ao fim: "De súbito, na calada da noite, olhou para cima e viu uma luz que se difundia do alto e dissipava as trevas da noite, brilhando com tal esplendor que, apesar de raiar nas trevas, superava o dia em claridade. Nesta visão, seguiu-se uma coisa admirável, pois, como depois ele mesmo contou, também o mundo inteiro lhe apareceu ante os olhos, como que concentrado num só raio de sol" (cap. 34). São Bento, o monge por excelência, levou um tipo de vida monástica que o conduziu à visão de Deus.
 

Bibliografia