Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II

terça-feira, 31 de julho de 2012

MENSALÃO DO PT - CUT AMEAÇA STF de parar na véspera do julgamento do mensalão


G1

Na tentativa de pressionar o Planalto a abrir uma negociação salarial, os servidores do Judiciário em Brasília, incluindo os funcionários do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmam que irão cruzar os braços na próxima quarta-feira (1º), véspera do início do julgamento do mensalão.

A sinalização de greve foi confirmada na noite desta segunda (30) ao chefe do STF, Carlos Ayres Britto, por dirigentes de três entidades sindicais.

Sem reposição salarial desde 2006, os servidores da Justiça em Brasília decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado. O indicativo de greve, aprovado em assembleia no dia 23 de junho, prevê a suspensão dos trabalhos nos seis tribunais superiores do país.

Os profissionais do Judiciário reclamam que o governo federal se recusa a apresentar propostas de reajuste para a categoria. Segundo o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), José Carlos Pinto de Oliveira, cerca de 20 mil trabalhadores podem suspender as atividades nesta quarta se não surgir uma proposta por parte do Executivo.

"O objetivo é que até 15 de agosto todo os funcionários do Judiciário estejam em greve. A classe solicita um aumento médio de 32,48% nos gastos de pessoal da Justiça", ressaltou Oliveira.

Interlocução

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) se ofereceu para fazer a interlocução entre os servidores e o governo federal. De acordo com o presidente da entidade, Vagner Freitas, que participou do encontro com Ayres Britto na sede do Supremo, o governo tem de sentar à mesa para dizer quanto poderia pagar à categoria.

"O governo elencou uma série de problemas financeiros, mas não discute conosco a possibilidade de fazer a contra-argumentação", reclamou o dirigente da CUT.

Os sindicalistas afirmam ter requisitado ao presidente do STF que ele argumente com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, sobre a necessidade de iniciar uma negociação salarial. A proposta orçamentária do Judiciário deve ser enviada até 15 de agosto para o Executivo. O governo, por outro lado, tem até o final do mês para encaminhar o Orçamento de 2013 para o Congresso.

Conforme o coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Distrito Federal (Sindijus-DF), Jailton Mangueira Assis, Ayres Britto teria se comprometido a incluir na proposta do Judiciário a previsão de parte dos recursos necessários para implantar o plano de carreira e para garantir o reajuste dos funcionários.

Questionado sobre os eventuais prejuízos que a greve poderia trazer à análise dos 38 réus do mensalão, o sindicalista refutou responsabilidades no julgamento. "Deixamos bem claro que quem faz julgamento é a magistratura. Não vamos aceitar nenhum tipo de colocação de que os servidores estão atrapalhando qualquer tipo de julgamento", enfatizou Assis.

Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/07/servidores-do-stf-ameacam-parar-na-vespera-do-julgamento-do-mensalao.html

SUPERSALÁRIOS - Folha de pagamento da @Alerj revela salários que superam 10 vezes o base


Assembleia Legislativa divulgou folha com remuneração de servidores.
Benefícios como auxílio-educação e tempo de casa aumentam salário.

Do G1 RJ


A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) divulgou a folha de pagamento do mês de junho, com o nome de funcionários e os respectivos salários, como mostrou o RJTV desta terça-feira (31). Muitos servidores recebem mais de 10 vezes a remuneração-base, por causa de benefícios que vão desde auxílio-educação até o tempo de casa.

A Assembleia do Rio foi a primeira no país a cumprir a Lei de Acesso à Informação e divulgar a relação dos salários.

Atualmente, a Alerj tem 4.328 funcionários na folha de pagamento, que, em junho, chegou a R$ 37,421 milhões. Nenhum salário ultrapassa o limite máximo para servidores em todo o país de R$ 26.723.

Mas existem vários casos em que o valor recebido é superior a mais de 10 vezes o vencimento base. Benefícios, incorporações e bonificações promovem o crescimento impressionante dos salários.


'COISA DE MALUCO'

Um consultor técnico, que é funcionário de carreira da Alerj, tem remuneração de R$ 1.780,25 por mês. Mas recebe R$ 6.370,87 de representação, um benefício comum a todos na folha de pagamento.

Devido a cargos ocupados no passado, foram incorporados mais de R$ 28.652,07. Com isso, o salário do consultor ficaria em R$ 51.129, um valor bem acima do teto. Já com o redutor obrigatório, que retirou mais de R$ 25 mil, e os descontos de Previdência e imposto de renda, o consultor recebe R$ 20.820,29, valor 12 vezes superior ao salário base.

Outro servidor, com salário base de mais de R$ 1.400, ganharia mais de R$ 70.700 com os acréscimos. O redutor subtraiu quase R$ 42 mil. E, mesmo assim, o salário ficou em mais de R$ 20.300, ou seja, quase 14 vezes maior do que a remuneração-base.

Algumas gratificações que aumentam os salários já foram extintas. É o caso da incorporação que foi abolida em 1996, mas continua valendo para quem já tinha este direito.

O diretor da Organização Transparência Brasil analisou a folha da Alerj, critica a falta de explicação para as partes que compõem os salários e os valores do auxílio-educação.

Já o Sindicato dos Servidores da Alerj informou que já entrou na Justiça, pedindo a retirada dos nomes da lista divulgada.

#COPA2014 - Ministro do esporte admite que parte da infraestrutura não estará pronta para Copa. FALTAM 680 DIAS, Ministro


Das agências internacionais, em Londres (Inglaterra)

Lalo de Almeida/ Folhapress

Ministro do Esporte Aldo Rebelo comentou sobre as obras para a Copa do Mundo de 2014

O Brasil não terá concluído toda a infraestrutura quando sediar a Copa do Mundo de 2014, mas o país estará em condições de receber centenas de milhares de visitantes para o torneio, disse nesta terça-feira o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Em Londres para as Olimpíadas, Aldo disse que está conversando com patrocinadores e organizadores locais para garantir que os povos indígenas e os pobres não fiquem de fora da Copa no país que já venceu o torneio cinco vezes.


O Brasil sediará os dois maiores eventos do mundo esportivo em um intervalo de dois anos: o Rio de Janeiro será a sede das Olimpíadas em 2016.

"Faremos tudo para garantir que as pessoas que venham à Copa do Mundo tenham uma garantia de segurança, de conforto, de mobilidade dentro dessas 12 cidades sede", disse Aldo à Reuters, falando com a ajuda de um intérprete.

"Parte da infraestrutura não estará completamente pronta porque esse é um processo em andamento. Continuamos construindo o país", acrescentou.

Um relatório do Ministério do Esporte publicado em maio informou que 41 dos 101 projetos ligados à Copa do Mundo ainda não saíram do papel. A preocupação é de que aeroportos, rodovias e outros esquemas de trânsito façam face às multidões.

Aldo afirmou que a empresa francesa Accor está investindo 2,5 bilhões de dólares na construção de hotéis no Brasil até 2015, acrescentando que haverá lugar para todos os torcedores brasileiros e estrangeiros nas cidades sede.

Comunista que assumiu o cargo no ano passado, ele afirmou que a cúpula ambiental Rio+20 ocorrida recentemente no Rio de Janeiro mostrou que a cidade pode lidar com eventos de grande escala.

LUGAR PARA OS POBRES

Apesar de sua emergência como uma potência econômica, o Brasil permanece sendo um país onde há uma grande diferença entre ricos e pobres.

Aldo afirmou que é vital que a população diversa do país tenha acesso às partidas da Copa do Mundo, e que os ingressos não sejam monopolizados pela classe média e pelos clientes corporativos.

"Eu já coloquei essa questão com os organizadores, com os patrocinadores; assim, uma solução adequada pode ser encontrada para que essas pessoas possam de fato ter acesso aos estádios", afirmou.

"Em outras palavras, as partes mais pobres da população também têm de participar dessa grande festa. Eles não podem ser excluídos do banquete que será a Copa do Mundo de Futebol."

Aldo rebateu as críticas de que alguns dos estádios virarão um elefante branco após o fim do torneio porque estão em cidades sem times grandes.

"Os estádios não serão usados apenas para a Copa do Mundo", disse. "A maioria dos estádios novos em construção tem propósitos múltiplos, assim o lugar será usado para outros eventos."

Ele fez um paralelo com Wembley, sede da seleção inglesa de futebol e local para finais de torneios anuais.

"Em Londres, você tem um exemplo muito bom, o belo Wembley Stadium, que não tem muitas partidas de futebol durante o ano, mas vive de eventos."

FARRA COM DINHEIRO PÚBLICO I - Distritais em Londres em busca de ideias nas paralimpíadas custam R$ 16 mil


Correio Braziliense

Os deputados distritais Eliana Pedrosa (PSD), Olair Francisco (PT do B) e Robério Negreiros (PMDB) estão de malas prontas para assistir as Paralimpíadas, em Londres. Para manter os deputados durante 12 dias na sede das Olimpíadas o GDF vai gastar mais R$ 16 mil. Os deputados alegam que vão em busca de ideias usadas pela cidade para atender os portadores de necessidades especiais durante os jogos. Segundo eles, as sugestões serão usadas para melhorar os serviços de mobilidade urbana na Copa do Mundo em Brasília. 

Confira a reportagem da TV Brasília






FARRA COM DINHEIRO PÚBLICO II - Distritais de carro novo. Cada um custárá....


Lilian Tahan
Correrio Braziliense

Se trocar a frota de carros da Câmara era uma intenção no início do ano, agora é realidade. 

A nota de empenho 00507 confirma a previsão de recursos (R$ 377,7 mil) para a compra de seis Ford Fusion zero quilômetro. 

Casa veículo custará R$ 62.950. Os carros novos ficarão à disposição dos integrantes da Mesa Diretora - Patrício (presidente), Dr. Michel (vice), Aylton Gomes (2º secretário), Joe Valle (3º secretário) e Olair Francisco (1º secretário) - e da Corregedoria (Siqueira Campos). 

A Câmara diz que em função de uma disputa de preços, a Casa economizou quase R$ 30 mil em relação ao valor de mercado.

GREVE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS FEDERAIS - Funcionários públicos pedem aumento salarial na Avenida Paulista


De acordo com a Polícia Militar, grupo caminha em direção ao Banco do Brasil e deve reunir mil pessoas

SÃO PAULO - Cerca de 500 funcionários do judiciário nacional, da área da saúde e do Banco Central protestam na Avenida Paulista por melhores condições de trabalho e aumento salarial, nesta terça-feira, 31. De acordo com a Polícia Militar, o grupo caminha em direção ao Banco do Brasil, localizado no número 2015 da Rua Augusta.

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Os membros da manifestação contam com um carro de som e a movimentação ocupa uma faixa da avenida, afirma a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A ocupação interfere no tráfego de veículos no sentido Consolação da avenida.

O grupo começou a se reunir por volta das 10h no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), de acordo com a PM, mas apenas às 13h40 a CET registrou o manifesto. A previsão da polícia é de que o grupo aumente para mil pessoas.

CPI DO CACHOEIRA - CPI já cogita indiciar noiva de Cachoeira


Para parlamentares, detenção de Andressa Mendonça em Goiânia por suspeita de chantagem a juiz indica que ela assumiu operação do esquema após prisão do contraventor

Ricardo Brito e Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A cúpula da CPI do Cachoeira vai sugerir no fim dos trabalhos o indiciamento de Andressa Mendonça, noiva do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A detenção de Andressa nessa segunda-feira, 31, em Goiânia, após suposta chantagem, reforçou a convicção dentro da CPI de que a mulher assumiu papel de comando na organização.

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A equipe técnica da comissão tem trabalhado com informações segundo as quais Andressa seria uma espécie de laranja no esquema de lavagem de dinheiro de Cachoeira. Agora, para um integrante da cúpula da CPI, estaria provado que ela também faz parte da "quadrilha". Andressa vai depor na comissão no dia 7.

"(A detenção) evidencia que ela estava sendo uma espécie de operadora da organização", afirmou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), favorável à quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Andressa, que não foram realizados durante a Operação Monte Carlo.

"Comprovamos os indícios do seu envolvimento", afirmou o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que quer indiciá-la. Embora não queria antecipar uma decisão ao Estado, o relator disse a interlocutores também ser favorável ao indiciamento de Andressa.

Articuladora. Com a prisão de Cachoeira, em 29 de fevereiro, coube a Andressa a articulação política e jurídica do processo, segundo integrantes da CPI, policiais federais e procuradores.

Toda semana, a mulher visita o contraventor na prisão, em Brasília, mantendo intenso contato com os advogados do caso, e não só com os que defendem o companheiro. Andressa também tem conversado com os acusados que estão em liberdade.

Nos dois dias de audiência da Justiça Federal sobre o caso em Goiânia, na semana passada, chamou a atenção a desenvoltura de Andressa com os comparsas do grupo. Ela conversou com todos os seis réus e com os advogados dos aliados do contraventor.

Andressa foi autorizada a conversar diariamente com Cachoeira nas instalações da Justiça goiana. O último encontro, na quarta-feira, foi reservado. Nesse dia, Andressa relatou ter ido ao gabinete de Alderico dos Santos no intervalo do almoço e definiu o juiz como "tacanho, meio capiau". No dia seguinte, em novo encontro, Andressa teria feito a suposta chantagem, segundo Alderico relatou ao Ministério Público.

"Todos os negócios dele (Cachoeira) estão sob a coordenação dela (Andressa), sejam as articulações, sejam as cobranças de dívidas", disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Para o parlamentar, Andressa deve ir à comissão na condição de investigada, e não de testemunha.


CACHOEIRODUTO - Márcio Thomaz Bastos deixa defesa de Carlinhos Cachoeira


Ex-ministro e sua equipe devem anunciar oficialmente nesta terça a saída do caso; motivos ainda não foram esclarecidos

A equipe do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos deixa de responder pela defesa do contraventor Carlos Agusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nesta terça-feira, 31, todos os advogados vão sair do caso oficialmente. Eles não explicaram o motivo da decisão.

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Dida Sampaio/AE - 22.05.2012
Márcio Thomaz Bastos acompanha Cachoeira durante depoimento à CPI

Cachoeira é acusado de liderar esquema de jogos ilegais e foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal, durante as investigações da Operação Monte Carlo. Nessa segunda-feira, a noiva do contraventor, Andressa Mendonça, foi detida acusada de tentar chantager o juiz federal responsável pelo julgamento do processo que envolve Cachoeira na Justiça de Goiás.

"Tínhamos combinado que após as audiências começaríamos a transição para um outro escritório escolhido por eles. Estamos em reunião com a família e acho que até o final da semana já poderemos repassar o processo", explicou a advogada Dora Cavalcanti Cordani, integrante da equipe. A primeira audiência foi na semana passada, quando o contraventor se recusou a responder as perguntas do juiz Alderico dos Santos. Durante o seu depoimento, usou o tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, que acompanhava o depoimento na primeira fileira.

Thomaz Bastos já estava fora do caso há duas semanas. Durante o tempo em que comandou a defesa, o ex-ministro fez repetidos pedidos para libertar o contraventor e tentou, também sem sucesso, anular as provas obtidas contra seu cliente. O advogado também o acompanhou na ida à CPI que investiga as relações do grupo do contraventor com agentes públicos. Na ocasião, Cachoeira também ficou em silêncio.

Com Agência Brasil

CACHOEIRODUTO - Mulher de Carlinhos Cachoeira paga fiança de R$ 100 mil


Pagamento era condição para Andressa Mendonça não ser presa, após acusação de tentativa de chantagem a juiz federal para libertar o contraventor

Rubens Santos, de O Estado de S.Paulo


ANÁPOLIS - Andressa Mendonça, a mulher do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pagou nesta terça-feira, 31, a fiança de R$ 100 mil, em dinheiro, conforme determinado em medida cautelar pelo juiz Mark Yoshida Brandão, da 13ª Vara da Justiça Federal em Goiânia. Caso a determinação não fosse cumprida, seria expedido mandado de prisão contra ela.

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A medida foi em resposta à denúncia de que Andressa teria tentado chantagear o juiz federal Alderico Rocha Santos em troca da liberdade do marido, preso desde fevereiro. À Polícia Federal, o juiz, responsável pelo julgamento do contraventor, afirmou ter sido procurado por Andressa em seu gabinete na semana passada. Nessa segunda-feira, 30, ela foi detida, mas ficou em silêncio.

Além da fiança, o delegado Sandro Paes Sandre, da Policia Federal em Goiás, proibiu Andressa de ter contato ou visitar Cachoeira e também com pessoas vinculadas ao processo da Operação Monte Carlo. Ela responderá processo por crime de corrupção ativa.

Na próxima semana, Andressa e o juiz Alderico Rocha Santos passarão por acareação na PF, em Goiânia. Rocha assumiu o processo da Operação Monte Carlo, que prendeu Carlos Cachoeira e mais 80 pessoas, no mês de fevereiro. Todos, de acordo com a PF, estão envolvidos num esquema de exploração de jogos ilegais, em Goiás.

MALANDRAGEM COM DINHEIRO PÚBLICO - Presidente da Câmara pode ter recebido diárias a mais por viagem a #Londres2012


Equipe de jornalismo
Do Contas Abertas

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), pode ter recebido diárias indevidas ao integrar formalmente a comitiva da presidente Dilma Rousseff em viagem a Londres para acompanhar a abertura da Olimpíada. Como o pagamento da hospedagem das autoridades ao hotel Ritz foi efetuado pela Embaixada do Brasil em Londres, o parlamentar não poderia receber da Câmara dos Deputados diárias integrais, ao menos durante o período em que integrava o grupo oficial.

Confira aqui a ordem bancária


O pagamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE) ao hotel pela estadia da presidente Dilma e de outros nove membros da comitiva foi relativo ao período de 23 a 28 de julho e totalizou R$ 488.187,41, equivalentes a £ 154.710,00. No entanto, conforme ordem bancária emitida em 18 de julho pela Câmara dos Deputados, o parlamentar recebeu R$ 9.724,00, correspondentes a 8,5 diárias, para o período de 23 a 31 de julho de 2012. Assim, houve pagamento em duplicidade referente aos dias 23 a 28, ocasião em que o parlamentar esteve hospedado no hotel Ritz como integrante da comitiva.

De acordo com o Ato da Mesa nº 31 de 2012, “quando a União custear, por meio diverso, as despesas de pousada”, os deputados da Casa devem receber apenas metade da diária. A legislação interna ainda prevê que o presidente da Casa receba US$ 550 por dia em viagens internacionais fora da América do Sul. Segundo o ato, o pagamento de metade da diária a deputados também ocorrerá “quando o deslocamento não exigir pernoite”, “no dia de retorno do evento” e quando o beneficiário ficar hospedado em imóvel pertencente ao governo brasileiro ou tiver a hospedagem custeada por “governo estrangeiro ou organismo internacional”.

A suposta irregularidade pode ter sido ainda maior caso o deputado tenha se hospedado nos dias restantes (28 a 31 de julho) na embaixada brasileira em Londres, em outro imóvel do governo brasileiro, ou às custas da União. O Contas Abertas tentou descobrir onde o parlamentar ficou hospedado no período. Para isso, entrou em contato com o gabinete do presidente da Câmara dos Deputados e com a assessoria da Casa, porém a assessoria do gabinete informou que Maia não precisa prestar contas dessas informações. A Câmara dos Deputados, por sua vez, não respondeu à indagação do Contas Abertas.

A reportagem também procurou a assessoria do Ritz London Hotel, onde a delegação ficou hospedada, e a Embaixada do Brasil em Londres, mas nenhuma resposta foi obtida até o fechamento da matéria.

A estadia da comitiva de Dilma no Ritz London Hotel, um dos mais luxuosos da Europa, custou aos cofres públicos R$ 900,1 mil. Além da presidente e do deputado, a comitiva foi composta por outras sete autoridades: os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), Aldo Rebelo (Esporte), Gastão Vieira (Turismo), Helena Chagas (Comunicação Social) e o embaixador do Brasil em Londres, Roberto Jaguaribe. Integrou ainda a comitiva o intérprete Paulo Ângelo Liégio Matão.

MENSALÃO DO PT - Mensalão distribuiu R$ 141 milhões em propina. VEJAM as cifras do GOLPE



O escândalo de corrupção mais célebre da história recente, cujo capítulo final começa a se desenhar esta semana, ganhou mais fama pelo número de envolvidos e pelo seu peso político, que pelo montante desviado – até hoje um valor apenas estimado pelo Ministério Público com base principalmente em declarações do pivô do esquema, o publicitário Marcos Valério. O número que aparece na peça acusatória assinada pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, é R$ 141 milhões em movimentações fraudulentas e na compra de apoio político, durante dois anos.

O valor é menor, por exemplo, que o surrupiado da obra do TRT de São Paulo - escândalo que eclodiu em 2000, quando a união do empreiteiro e senador cassado Luís Estevão com o juiz Nicolau dos Santos Neto, segundo investigações, resultou num desvio R$169 milhões.

A origem do dinheiro é ponto crucial no debate jurídico que começa nesta quinta. É a caracterização da recursos – se lícitos ou ilícitos - que determinará a existência ou não de alguns crimes, como lavagem de dinheiro, por exemplo. A defesa sustentará que os recursos vieram de empréstimos bancários. A acusação alegará que esta versão é mera cortina de fumaça para esconder o golpe.

São as seguintes as cifras do escândalo:

R$ 141 milhões - Foi o montante movimentado pelo mensalão em dois anos, somados empréstimos bancários e os recursos que teriam sido desviados de contratos com o setor público. As informações são da Procuradoria Geral da República.

R$ 32 milhões – Foi a soma total repassada a beneficiários do esquema do mensalão, apontados nominalmente pela Procuradoria nas alegações finais do processo. O Ministério Público não esclareceu o que aconteceu com o restante do dinheiro.

R$ 56 milhões - Foi o valor total dos repasses de Marcos Valério a pedido do PT, segundo lista apresentada pelo próprio publicitário às autoridades, em 2005.

R$ 55 milhões - Foi o montante de empréstimos tomados pelas empresas de Marcos Valério junto aos Bancos Rural e BMG, segundo relação apresentada pelo publicitário para justificar a origem do dinheiro que movimentou.

MENSALÃO DO PT - Relembre o surgimento e a evolução do mensalão


Esquema foi revelado pela imprensa há sete anos. Políticos e partidos aliados do governo do presidente Lula foram acusados de receber dinheiro em troca de apoio no Congresso.

Jornal Nacional



Começa nesta semana, no Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais julgamentos da vida política do Brasil: o escândalo conhecido como mensalão. Ele foi revelado pela imprensa há sete anos. Motivou investigações pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Congresso. A acusação do procurador-geral da República é de que políticos e partidos aliados ao governo do presidente Lula receberam dinheiro em troca de apoio no Congresso Nacional. Nesta segunda (30) e nesta terça (31), o Jornal Nacional vai relembrar o surgimento e a evolução do caso. Os fatos que ajudam a entender tanto as acusações quanto os argumentos dos advogados de defesa dos 36 réus.

A história se desenrolou no subterrâneo do mundo da política. O ano era 2005 e a acusação era de que deputados vendiam apoio político ao governo do presidente Lula em troca de uma mesada.

O escândalo começou com a divulgação de um vídeo, pela revista Veja, no dia 14 de maio de 2005. O então funcionário dos Correios Maurício Marinho aparecia recebendo propina e contando sobre um esquema montado dentro dos Correios para desvio de dinheiro dos contratos com outras empresas. “Aqui nós somos três que trabalhamos fechado. Os três são designados pelo PTB, pelo Roberto Jefferson”, disse Maurício Marinho.

Roberto Jefferson era deputado federal e presidente do PTB. Ao ser acusado no esquema dos Correios, resolveu denunciar, em uma entrevista bomba ao jornal Folha de S. Paulo, a existência do mensalão. Segundo ele, deputados do PP e do PL, atual PR, recebiam R$ 30 mil por mês para votar os projetos de interesse do governo Lula. No dia 7 de julho, o PL reagiu: pediu a cassação de Roberto Jefferson.

O assunto paralisou o Congresso. Ao se tornar alvo de investigação pelos colegas deputados, Roberto Jefferson reforçou a denúncia do mensalão.

Para o plenário lotado do Conselho de Ética, Roberto Jefferson disse que recebeu R$ 4 milhões do PT sem declarar à Justiça Eleitoral e que tinha contado ao então Chefe da Casa Civil, José Dirceu, tudo sobre o mensalão e a participação do tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

“Zé, tem um negócio ruim que está acontecendo. Partidos da base estão distribuindo para os deputados um mensalão de R$ 30 mil”, disse Roberto Jefferson.

Mas inocentou o Presidente Lula. “A reação do presidente foi como se tivesse levado uma facada nas costas”, afirmou.

E usou um estilo teatral para dar um conselho a José Dirceu em tom de ameaça: “Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, vai fazer réu um homem inocente que é o presidente Lula”.

Poucos dias depois, em 16 de junho, o ministro-chefe da Casa Civil caiu. “Não me considero fora do governo, me considero parte integrante do governo. O governo do presidente Lula é a minha paixão, é a minha vida, e eu, ao sair, deixo aqui parte da minha alma, do meu coração. Todos sabem, mas não deixo a minha alma, ela vai comigo para luta, eu sei lutar”, declarou José Dirceu na ocasião.

Naquelas semanas, três comissões parlamentares de inquérito funcionavam ao mesmo tempo, em Brasília. Depoimentos eram colhidos quase todos os dias. E mesmo o deputado Roberto Jefferson ainda tinha o que contar na CPI dos Correios.

O personagem central da história apareceu de olho roxo, segundo ele por causa de um acidente doméstico. Ele estava disposto a fazer novas revelações. “Vejo que muitos que ontem exorcizavam aqueles fantasmas agora se abraçam com eles”, declarou Roberto Jefferson em 30 de junho de 2005.

Ele contou que o dinheiro do mensalão era pago no Banco Rural. E que assessores dos parlamentares eram encarregados de buscar a propina na agência. “Subiam até o escritório do banco para receber entre R$ 20 e R$ 60 mil”.

Um dos saques, de R$ 50 mil, foi feito pela mulher do deputado João Paulo Cunha, do PT, que na época era presidente da Câmara.

E assim surgiu a figura de Marcos Valério, um empresário da área de propaganda, de Minas Gerais, e que seria o responsável pelo dinheiro do mensalão.

As contas de das duas principais agências de Marcos Valério movimentaram mais de R$ 25 milhões entre 2003 e 2004. Para tentar justificar tanto dinheiro que saía das contas dele, Valério contou que tomava empréstimos bancários e repassava o dinheiro para o PT pagar despesas de campanhas eleitorais. Disse também que foi avalista de um dos empréstimos do partido, no valor de R$ 2,4 milhões. Mas negou qualquer irregularidade. “Eu desconhecia o assunto mensalão”, disse ele.

Além de Valério, foram avalistas do empréstimo três dirigentes do partido dos trabalhadores: José Genoino, então presidente do PT, o tesoureiro Delúbio Soares, e Sílvio Pereira, secretário-geral.

O presidente do PT apresentou uma explicação para a assinatura dele ao lado do nome de Marcos Valério no contrato dos empréstimos. José Genoíno disse que tinha assinado os documentos sem ler. “Esse empréstimo teve o aval do Marcos Valério, eu assinei em confiança ao companheiro Delúbio, e no PT é normal os dirigentes assinarem cheque, assinarem contrato em confiança a outro dirigente. Eu não conhecia Marcos Valério, a relação dele é com o Delúbio, eu assinei em confiança ao Delúbio”, disse José Genoíno no dia 3 de julho de 2005.

No Congresso, a explicação do PT era que o esquema se tratava de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral, e não de mensalão. “O PT, durante 2003 e 2004, usou recursos não contabilizados para quitar dívidas das nossas campanhas. Todos nós sabemos como é feito uma campanha eleitoral", afirmou Delúbio Soares no dia 20 de julho de 2005.

No fim de julho, o Jornal Nacional revelou que Silvio Pereira tinha recebido de presente um carro de uma empresa que tinha negócios com a Petrobras, a construtora GDK. Era um veículo importado: um Land Rover Defender, no valor de R$ 80 mil.

No mesmo mês, Delúbio Soares, José Genoíno e Silvio Pereira acabaram tendo que se afastar da direção do PT.

E um novo personagem apareceu: o publicitário Duda Mendonça admitiu publicamente que recebia pagamentos do PT em uma conta bancária fora do Brasil, que teria sido aberta por ordem de Marcos Valério. Ele admitiu que era pago com dinheiro não declarado. “Não podia emitir nota fiscal. Está na cara que esse dinheiro não é oficial”, afirmou Duda Mendonça.

O escândalo atingiu, então, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação. Luiz Gushiken foi acusado de mandar o Banco do Brasil assinar contrato de publicidade, sem licitação, com a empresa DNA, de Marcos Valério, e pagar antecipadamente mais de R$ 20 milhões à empresa. Em meio às denúncias, Gushiken acabou saindo do governo.

Em 2011, depois de concluir a investigação, o procurador-geral da república, Roberto Gurgel, pediu a absolvição do ex-ministro Gushiken ao STF, por considerar que não havia provas contra ele.

No Congresso, um dos momentos mais marcantes: o autor das denúncias e um dos principais acusados ficaram frente a frente.

O dia era 2 de agosto. Conselho de Ética. O depoimento era do ex-ministro José Dirceu, acusado de ser um dos responsáveis pelo mensalão. E, na primeira fila da plateia, estava o autor das denúncias. Os ataques foram bem diretos.

José Dirceu: “Não organizei, não sou chefe. Jamais permitiria compra de voto e pagamento de parlamentares”.

Roberto Jefferson: “Tratei de todos os assuntos com Vossa Excelência, deputado José Dirceu. Os assuntos republicanos e os não republicanos”.

José Dirceu: “Não é verdade! O senhor está mentindo”.

Roberto Jefferson: “Tenho medo de Vossa Excelência, porque provoca em mim os instintos mais primitivos”.

Nove semanas tinham se passado desde o surgimento do escândalo. Foi quando o então Presidente Lula falou sobre o assunto, durante uma viagem a Paris.

A entrevista foi divulgada em primeira mão pelo Fantástico no dia 17 de julho de 2005. "Doa a quem doer, vamos continuar implacáveis com a apuração da corrupção. O PT tem que explicar para a sociedade brasileira que erros cometeu. O que o PT fez no ponto de vista eleitoral é feito em todo país sistematicamente”, afirmou Lula.

Menos de um mês depois, o presidente voltou à televisão, desta vez em um pronunciamento em cadeia nacional. “Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento”, declarou Lula em 12 de agosto de 2005.

Mas não disse quem o havia traído. E, sem usar a palavra mensalão, Lula admitiu que o partido e o governo tinham errado. “Nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas”, disse.

No Congresso, deputados tentavam salvar seus mandatos ou pelo menos evitar a perda dos direitos políticos. Quatro renunciaram: Valdemar da Costa Neto e Carlos Rodrigues, os dois do antigo PL; José Borba, do PMDB; e Paulo Rocha, do PT. Três foram cassados: Roberto Jefferson do PTB; José Dirceu, do PT; e Pedro Côrrea, do PP.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SERVIDORES FEDERAIS em GREVE buscam apoio da população de Brasília


Da Agência Brasil

Brasília - Os servidores públicos federais, em greve há 41 dias, fizeram uma distribuição de panfletos para explicar à população os motivos que levaram as categorias à greve. O ato aconteceu hoje (30) na Rodoviária do Plano Piloto, área central de Brasília. O local concentra a maior movimentação de pessoas na capital federal.

A vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Cleusa Cassiano, explicou que a ação de hoje busca dialogar com a população sobre a greve. “O ato de hoje é para dar visibilidade ao movimento junto à população. Estamos desde maio esperando uma posição do governo e até agora nenhuma proposta foi apresentada”.

A Agência Brasil ouviu os pedestres abordados pelos manifestantes. As opiniões com relação à greve foram divergentes, mas a maioria concorda que é direito dos servidores fazer paralisações, embora considere que a movimentação prejudica a população.

Para a estudante de fisioterapia Viviane Poncilio, a legalidade da greve é inquestionável, mas ainda assim critica o movimento. “A greve é um direito dos trabalhadores, mas esses servidores aí ganham acima da média do que ganha um trabalhador comum. Não acho que eles devam entrar em greve por mais dinheiro”, disse.

Bianca Gomes, atendente de telemarketing concorda com a posição de Viviane. “É um direito deles. Eu, por exemplo, quero aumento e eles também. O ruim é que o não trabalho deles prejudica muita gente”, afirma. Para ele, o maior prejudicado é a população. “Acho que uma greve tão longa assim é ruim para o governo, para os trabalhadores e, principalmente, para a população”.

Hoje o Ministério do Planejamento sinalizou que não apresentará a proposta de reajuste aguardada pelos servidores federais, prevista para ocorrer amanhã (31). O órgão enviou ofício à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) suspendendo as reuniões previstas para esta semana.

Os servidores em greve programam para amanhã (31) uma grande manifestação na Esplanada dos Ministérios com a participação do todas as categorias que aderiram à paralisação.

Edição: Davi Oliveira

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GREVE DOS CAMINHONEIROS - Após negociação, caminhoneiros liberam mais duas faixas da Dutra


Congestionamento chegou a 20 quilômetros no sentido Rio


Manifestação de caminhoneiros fecha o trânsito na Rodovia Presidente Dutra
PABLO JACOB / AGÊNCIA O GLOBO

RIO — Após negociarem com a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal, os coordenadores do movimento grevista dos caminhoneiros decidiram liberar mais uma faixa de rolamento em cada sentido da Rodovia Presidente Dutra, em Barra Mansa. No fim da manhã, uma faixa da Via Dutra já havia sido liberada no sentido Rio, altura de Barra Mansa, depois de cerca de seis horas de interdição. Os caminhões permanecem impedidos de seguir viagem em ambos os sentidos. A reportagem do GLOBO identificou pelo menos dois veículos danificados por tentarem furar o bloqueio. A paralisação da categoria, que começou na tarde de domingo, completou 24h.

— A condição para a liberação dos caminhões é que Agência Nacional de Trasporte Terrestre(ANTT) venha conversar conosco. Paramos Belo Horizonte, Blumenau, Vitória e Rio — disse Odimar Meirelles, um dos coordenadores do movimento grevista e membro do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac).

Mais de 24 horas após o início da greve de caminhoneiros a Dutra segue com 15 quilômetros de congestionamento no sentido Rio. No sentido São Paulo, de acordo com a PRF, o tráfego segue intenso. O bloqueio está concentrado próximo ao quilômetro 273, na altura do bairro de Vila Ursulino, em Barra Mansa.

Segundo o agente especial da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Mauro do Carmo, lotado em Barra Mansa, a corporação está com um número reduzido de agentes operando neste momento na rodovia. Ele afirmou não ser possível prever quando as pistas serão totalmente liberadas:

- Tem colega com 17 anos de profissão que nunca viu algo semelhante. Estamos trabalhando muito para manter pelo menos uma faixa liberada aos carros, ônibus e veículos de socorro, mas não é possível prever o desfecho disso tudo.

Questionado sobre os transtornos à população o sindicalista Odimar Meirelles afirmou que é parte do processo.

— Isso faz parte infelizmente, estão nos prejudicando também.

No início da tarde, um helicóptero do Grupamento Aero-Marítimo da Polícia Militar pousou próximo a um posto de gasolina, onde está concentrado o comando da greve dos caminhoneiros.

A Nova Dutra confirmou que grevistas formaram mais duas barreiras, na tarde desta segunda-feira, em outras duas cidades do Sul Fluminense. Uma delas está localizada no quilômetro 302, em Resende, no sentido Rio, e a outra no quilômetro 228, em Piraí, próximo à Serra das Araras, no sentido São Paulo. Nos dois locais, o congestionamento chega a dois quilômetros.

Protesto contra lei que regulamenta jornada de trabalho

De acordo com o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos, Francisco de Bitencourt Ferreira, os caminhoneiros protestam contra a Lei 12.619, de 30 abril de 2012, que regulamenta a jornada de trabalho da categoria. A norma obriga o trabalhador a ter descanso de onze horas entre duas jornadas de trabalho, uma hora por dia de parada para almoço e repouso de 30 minutos a cada quatro horas rodadas, além de limitar a jornada a oito horas diárias. Se não cumprirem esta carga horária, os motoristas podem ser multados pela Polícia Rodoviária Federal.

Segundo a concessionária Nova Dutra, 2,5 mil caminhões participam da manifestação. Ainda segundo os agentes que estão no local, a Operação Tartaruga, anunciada pelo Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais,não estaria atrapalhando a atuação da PRF no local.

O presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários do Estado do Rio (SPR), Marcelo Novaes, afirmou que o congestionamento na Via Dutra, provocado pelo protesto dos caminhoneiros, não tem relação direta com o movimento dos policiais rodoviários por melhores condições trabalho. Segundo Novaes, aconteceu apenas uma coincidência, mas ele admitiu que o problema não teria consequências tão graves se a PRF do Rio estivesse fiscalizando as rodovias com um efetivo pelo menos razoável.

— A PRF do Rio tinha em 1996 um total de 1.100 patrulheiros. Hoje tem apenas 450 trabalhando em quatro turnos. Dos 34 postos, apenas 17 estão funcionando. O sindicato deu apoio ao fechamento porque não era possível manter um patrulheiro apenas trabalhando em determinados postos por questões de segurança. O efetivo no mínimo aceitável para fiscalizar as rodovias federais do Rio seria de 1.200 homens. Os poucos policiais que atuam na Dutra estão negociando com os caminhoneiros para liberar as pistas, mas eles estão irredutíveis. Trabalhamos com uma quantidade ínfima de agentes. Não podemos tapar o sol com a peneira — disse o líder sindical.

Marcelo Novaes afirmou também que não há relação do movimento dos policiais rodoviários com os congestionamentos que aconteceram na tarde de quinta-feira na Nova Dutra; na manhã de sexta-feira na Rio-Petrópolis; e, e na noite do mesmo dia na BR-493 (Magé-Manilha) e na BR-101 (Niterói-Manilha), onde motoristas ficaram até seis horas parados em congestionamentos nas rodovias de acesso à Região dos Lagos.

— Há 16 anos tínhamos seis carros, com dois agentes cada um, patrulhando a Ponte Rio-Niterói e seus acessos. Hoje temos apenas um carro com dois homens. O posto de Itaguaí, que patrulha 200km de rodovia, do Rio a Paraty, incluindo o trecho das usinas nucleares, tem apenas cinco policiais por turno, um número inconcebível. São pontos sensíveis e de segurança nacional do nosso estado que estão sem negligenciados pelo governo federal na véspera da Copa do Mundo e das Olimpíadas — lamentou Novaes.

O vice-presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários do Rio (SPR), Ranir Almeida, disse que o sucateamento da PRF no Rio impediu que o serviço de inteligência do órgão detectasse o movimento dos caminhoneiros que está provocando o caos na Rodovia Presidente Dutra, em Barra Mansa. Segundo Almeida, a PRF tem 600 homens no Rio, dos quais 150 em funções administrativas. Os demais trabalham nas rodovias em regime de turnos. Segundo ele, o efetivo básico não é o ideal e deveria ser de mil homens.

— Nós não temos efetivo para atuar em contenção de distúrbios. Não há pessoal para isso. Se a inteligência detectasse o movimento dos caminhoneiros, o transtorno não estaria acontecendo. Os acidentes são atendidos emergencialmente, mas não há como cumprir missões não emergenciais porque não temos gente na pista. Este é o motivo também do fechamento de vários postos da PRF no Rio. O governo tem que se mobilizar para resolver o problema — reclamou o líder sindical.

Especialista em Direito de trânsito, o promotor de justiça Rogério Zouein responsabilizou o comando da Polícia Rodoviária Federal (PRF) pelo caos que os usuários da Rodovia Presidente Dutra estão enfrentando desde a tarde deste domingo. Zouein disse que faltou autoridade para desobstruir a principal via de ligação do Rio com São Paulo:

— Não há necessidade de se buscar um fundamento legal específico para que o poder público desobstrua a rodovia federal, se necessário utilizando-se a força policial. A nenhum cidadão ou categoria profissional, seja por qualquer razão, justa ou injusta, é dado o direito de obstuir uma rodovia de uso público, ainda mais a Rio-São Paulo. É algo muito além do direito sagrado de ir e vir. Trata-se da preservação da ordem pública — disse o promotor.

Ricardo Zouein também reclamou uma ação do governo do estado.

— A rodovia é federal, mas numa situação como esta, que atinje a vida do estado do Rio e de seus cidadãos — cobrou ele.

Motoristas passam a madrugada na estrada

A manifestação pegou de surpresa até mesmo alguns caminhoneiros. Morador de Nova Iguaçu e motorista de uma empresa que presta serviços de Sedex, Clei Anderson Santos, de 32 anos, disse que não concorda com a forma com que a manifestação está sendo feita.

— Se eu tentar furar o bloqueio, corro o risco de ter caminhão danificado. Existem outras formas de se manifestar. Poderia ter sido feito um ato em Brasília, que não prejudicasse as pessoas — sugeriu.

Clei tinha uma encomenda para entregar às 6h40m em Campinas, no estado de São Paulo, mas está parado no acostamento no sentido São Paulo desde meia-noite e meia.

Já o comerciante Marcelo Oliveira de Alencar, de 45 anos, saiu às 4h30m de Resende e somente por volta das 10h conseguiu fazer o retorno em um posto da PRF e retornar a sua cidade.

— O que estão fazendo é um absurdo. Vi ambulância com paciente, com atendimento marcado no Into, no Rio. Nada contra fazer protesto, nada contra a classe protestar. Mas as manifestações precisam ser feitas de formas mais respeitosas — criticou.

O policial rodoviário federal André Cunha, do posto de Floriano, em Barra Mansa, afirmou que a corporação está tendo muita dificuldade em fazer o trânsito fluir no sentido Rio da Via Dutra. — Já tivemos informações de que um caminhão foi depredado ao tentar furar o bloqueio. O comando da greve não está deixando nenhum caminhão passar.

O movimento não está recebendo a adesão de todos os caminhoneiros. Muitos deles, com carga perecível, tentam furar as barreiras, mas são impedidos.

A greve dos rodoviários vem causando transtorno e muita revolta entre os motoristas. Na altura do município de Quatis, no Sul Fluminense, os grevistas estão impedindo a passagem de qualquer tipo de veículo. O superintendente de um hospital de Niterói, Aílton Maia, está viajando desde domingo, vindo de Foz do Iguaçu. Ele criticou a forma que o movimento está sendo conduzindo no Rio.

— Estamos parados há três horas e meia. No Paraná também havia greve, mas eles estavam organizados e deixavam os carros de passeio trafegar. Aqui é uma bagunça, um desrespeito — reclamou.

O administrador de empresas André Faria, morador de Guadalupe, na Zona Oeste do Rio, está parado desde as 9h desta segunda-feira.

— O que está acontecendo é a ausência do poder público. A Polícia Rodoviária Federal está sendo conivente. Era para eu ter chegado ao trabalho às 10h — afirmou André, que tentou sair de Itatiaia rumo ao Rio na noite de domingo, mas precisou retornar e seguir viagem nesta manhã.

O aposentado Nei Reis e a esposa Maria da Piedade contam que ficaram parados por mais de cinco horas. — Saímos às 8h de Passa Quatro, no sul de Minas. Estamos com sede e fome. Estão barrando todo mundo, é um absurdo — disse Nei, morador da Tijuca, na Zona Norte do Rio.

Muitos ônibus que passam por Barra Mansa e Resende pela Via Dutra ficaram retidos no congestionamento, o que acabou atrapalhando a rotina de várias pessoas que dependem dos veículos. Na Rodoviária de Volta Redonda, no guichê de uma empresa que faz a linha em cidades do Vale do Paraíba paulista — Queluz, Lorena, Guará, Taubaté e São José — os veículos apresentaram atraso em todos os horários. Uma empresa que realiza viagens vindas do sul do país também teve problemas com o horário. De acordo com um funcionário, um ônibus que vinha de Curitiba com previsão de chegada às 9h chegou cinco horas depois do esperado.

Os ônibus que seguiam viagem para Resende tiveram as saídas canceladas desde o início da manhã, o que gerou grande transtorno para passageiros. A psicóloga Thaiza de Oliveira Melo chegou cedo na Rodoviária de Volta Redonda, às 6h, mas até às 11h não havia conseguido embarcar para chegar ao trabalho. — Estou aqui desde as 6h da manhã e pego no trabalho às 8h. Nem sei se vou conseguir chegar — disse.

O morador de Resende Vinícius Valério disse que chegou atrasado no trabalho na tarde de domingo e não sabia que horas chegaria em casa. — Eu trabalho aqui em Volta Redonda e no domingo cheguei atrasado. Saí às 17h de Resende e cheguei às 22h em Volta Redonda. E não sei que horas vou chegar em casa — lamentou.

Já agente de turismo, Tânia Maria da Silva, de 50 anos, ficou cerca de sete horas retida na Via Dutra, em Resende. Ela estava indo para Barra Mansa, após retornar de viagem ao Sul do país. - Fiquei bastante cansada depois de viajar vários quilômetros desde o Rio Grande do Sul dentro de um ônibus e fui obrigada aguardar ainda mais sete horas para chegar em casa. Se a pista não tivesse congestionada, o percurso entre Resende a Barra Mansa, onde moro, não levaria nem meia hora de viagem – protestou Tânia.

O prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PMDB), saiu de sua cidade às 4h para um encontro com o ex-presidente Lula em São Paulo. Ele disse que conseguiu passar em direção a São Paulo, mas constatou que a situação é crítica em direção ao Rio:

— Os caminhões estão parados no acostamento e nas duas pistas. As autoridades precisam buscar uma solução urgente para o problema. Domingo foi o último dia das férias escolares. Muitas famílias que estavam em Itatiaia e em cidades paulistas estão voltando ao Rio e ficaram presas no engarrafamento. É um prejuízo para todo mundo. A reivindicação dos caminheiros é justa, o governo precisa negociar, mas as pessoas que não têm nada com isso não podem ser prejudicadas — afirmou o prefeito.

Para quem está em Barra Mansa e quer fugir do congestionamento na Dutra, a opção é seguir pelo distrito de Rialto. O motorista que optar por este trajeto deve entrar no bairro Bocaninha, seguir em direção a Colônia Santo Antônio, onde passará pela estrada de acesso a Rialto. Depois de cortar o distrito, o motorista deve entrar na estrada rural que dá acesso a Floriano, também em Barra Mansa, ou Bananal, em São Paulo.

Já quem deseja sair da Via Dutra, pode entrar no posto de combustível, em Floriano, onde terá acesso a estrada rural até Rialto. Mas, os motoristas devem ter cuidado, pois, a passagem é estreita. A outra alternativa é passar pelo bairro Santa Rita do Zarur, em Volta Redonda, e sair no distrito de Nossa Senhora do Amparo, em Barra Mansa, seguir 22 quilômetros por um estrada de chão até a cidade de Quatis, ou ainda sair em Floriano. Esta é a melhor opção para quem pretende seguir na Via Dutra, no sentido São Paulo.

Fábrica em Resende dispensa funcionários

Funcionários da fábrica de ônibus e caminhões Man Latin América (antiga Vokswagen), localizada no polo industrial de Resende, no Sul Fluminense, dispensou todos os seus funcionários às 15h, devido aos transtornos que os trabalhadores estão passando por causa da manifestação dos caminhoneiros em três pontos da Via Dutra: Barra Mansa, Piraí e Resende.

Já os funcionários da Peugeot-Citroen que saíram do plantão às 7h desta segunda-feira em seis ônibus da empresa — cada veículo com 40 operários de produção — da cidade de Porto Real, com destino a Volta Redonda e Barra Mansa, ficaram reditos próximo ao posto da PRF, em Porto Real, até por volta das 12h. Segundo a PRF, muitos passaram mal e outros sentiram fome e cede.

— Vários funcionários da Peugeot resolveram ir a pé, num percurso de 13 quilômetros, do posto da PRF, no distrito de Floriano, até o Centro de Barra Mansa — disse um funcionário da Pegeout.

Caminhões com legumes não conseguem chegar ao Rio

Muitos caminhões que transportavam legumes para Ceasa pela Dutra não conseguiram chegar ao Rio, afirma o presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio (Acegri), Waldir Lemos. Segundo ele, dos 60 caminhões carregados de batatas vindos de São Paulo e do Paraná que chegariam à Ceasa, apenas dez conseguiram passar pelo protesto

— Os caminhões estão presos na altura de Barra Mansa, por essa razão os legumes não sairão com o preço padrão. A batata, que normalmente custa R$ 40 a saca, hoje (segunda) está chegando a R$ 100. Certamente esse valor será repassado para o consumidor — diz ele.

Centro de Barra Mansa congestionado

O congestionamento provocado pela manifestação de caminhoneiros na Via Dutra já afeta o Centro de Barra Mansa, por onde a estrada passa. A Guarda Municipal informou que as vias principais da cidade, que é cortada pela rodovia, estão paradas devido ao engarrafamento.

Os guardas estão nas principais saídas da cidade para orientar os motoristas. Já os agentes da 5ª delegacia da Polícia Rodoviária Federal, na Rodovia Lúcio Meira (BR-393), pedem aos caminhoneiros que seguem na pista sentido Volta Redonda para aguardar o fim da manifestação em posto de gasolina e no pátio dos postos da PRF, às margens da estrada.

Segundo a PRF, a recomendação é para prevenir uma complicação no trânsito em Volta Redonda, onde as duas rodovias são interligadas. Caso o fluxo de veículos aumente na BR-393, o congestionamento da Dutra pode avançar por Volta Redonda.

CACHOEIRODUTO - Juiz diz que mulher de Cachoeira tentou chantageá-lo com dossiê


Andressa Mendonça teria dito que documento foi elaborado por jornalista da Veja

O GLOBO

Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, ao deixar a Justiça Federal de Goiás, no último dia 24
GIVALDO BARBOSA / O GLOBO

GOIÂNIA - O juiz Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiânia, afirmou na tarde desta segunda-feira que Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, tentou chantageá-lo com ameaça de divulgar um dossiê que teria informações e fotos dele com dois políticos e dois empresários. Andressa teria dito, segundo o magistrado, que o levantamento foi feito pelo diretor da sucursal da “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior, a pedido de Cachoeira. O conteúdo seria divulgado caso o juiz não adotasse medidas favoráveis ao bicheiro. Ela exigia absolvição do processo em que Cachoeira é acusado de corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha.

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- Ela insistiu para que eu aceitasse a proposta de liberar o Carlos (Cachoeira) em troca da não divulgação do dossiê. Foi quando eu perdi a paciência, abria porta e pedi para ela sair – disse o juiz ao GLOBO.

Procurada, a direção da revista afirmou que a acusação é absurda e mentirosa:

"A direção da VEJA afirmou que seu Departamento Jurídico está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos."

O objetivo de Andressa era obter uma decisão favorável para seu marido. O juiz reagiu e fez um relato do caso ao Ministério Público Federal. Depois de analisar o caso, o MP pediu a prisão dela, que pode acontecer a partir de quarta-feira, caso ela não pague R$ 100 mil de fiança.

- Ela teve a desfaçatez de ir à Justiça Federal tentar chantagear o juiz. Ele deve ter ficado perplexo. Foi muita ousadia da parte dela - disse uma autoridade que está acompanhando caso de perto.

Santos é o juiz que está conduzindo o processo contra o bicheiro e mais sete réus, por corrupção e formação de quadrilha armada, aberto após investigações da Operação Monte Carlo.

De acordo com informações da Polícia Federal concedidas nesta segunda-feira, Andressa já foi liberada e terá um prazo maior para pagar a fiança. Além disso, a PF definiu que ela não poderá ter qualquer contato com envolvidos na operação Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira, inclusive com o marido. Mais cedo, Andressa foi levada para prestar esclarecimentos à Polícia Federal. Os agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão em sua casa, antes de encaminhá-la ao depoimento.

Na última quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que abra inquérito para apurar o suposto uso de Andressa como laranja de Cachoeira. Documentos apreendidos na Operação Monte Carlo indicam que Cachoeira negociou a compra de uma fazenda de R$ 20 milhões entre Luziânia e Santa Maria, a cem quilômetros de Brasília, e passou para o nome da namorada.

A CPI do Cachoeira também já marcou a data para o depoimento da atual mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira e da ex-esposa do contraventor, Andréa Aprígio, na comissão que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos com políticos e empresários. Ambas vão se apresentar à CPI, Andressa no dia 7 de agosto e Andréa no dia seguinte.

A assessoria do presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PSDB-PB), já se manifestou em relação à tentativa de chantagem e garantiu que a mulher do bicheiro será interrogada sobre o delito.

Ajufe apoia atitude de juiz

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou nesta segunda-feira nota elogiando a conduta de Rocha Santos. A entidade manifestou "irrestrito apoio" ao magistrado:

"O juiz, corretamente, comunicou o fato ao Ministério Público Federal, que, por sua vez, tomou as medidas cabíveis ao caso. A atitude do juiz federal demonstra transparência e que a Magistratura Federal não se intimida por esse tipo de conduta. A impensada atitude da Sra. Andressa Mendonça não interferirá no andamento do processo criminal conduzido pelo juiz federal Alderico Rocha Santos. A sociedade brasileira tem total confiança na Justiça Federal", afirmou a entidade, em nota.

Andressa seria “mensageira” do grupo criminoso, diz MP

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF - GO) classifica o comportamento de Andressa como o de “mensageira do grupo criminoso” de Cachoeira. Para os procuradores da República Léa Batista, Marcelo Ribeiro e Daniel de Resende Salgado, que participaram da operação Monte Carlo, que resultou na prisão de Cachoeira, Andressa agiu com “ousadia” ao ter supostamente tentado corromper o juiz.

“A gravidade do fato é latente, uma vez que a chantagem a um magistrado, no exercício de suas atribuições, com o escopo de pressioná-lo a decidir conforme os interesses do preso, é uma afronta ao próprio Estado Democrático de Direito. É fato inadmissível e que deve ser neutralizado, de forma rigorosa, pelas agências formais de controle”, avaliam os procuradores da República, segundo nota divulgada nesta segunda pelo MP.

Para o MPF, a investigação feita pelo grupo criminoso sobre a vida do juiz só vem a demonstrar que o grupo continua ativo, continuando a desenvolver ações de enfrentamento ao próprio Estado. “É mais um método utilizado por organizações criminosas para tentar garantir a impunidade de seus membros”, esclarecem.


MENSALÃO É DO LULA - Advogado de Jefferson insistirá na inclusão de Lula no processo do mensalão


Para Luiza Barbosa, um indício do envolvimento do ex-presidente com o esquema é ele não ter feito nada ao saber da denúncia

Ricardo Britto, de O Estado de S. Paulo

O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende o presidente do PTB, Roberto Jefferson, no processo do mensalão, afirmou nesta segunda-feira, 30, à Agência Estado que vai insistir, durante o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu no caso. O julgamento está marcado para começar na quinta-feira, 2 de agosto. Apesar de o Supremo já ter rejeitado anteriormente o pedido de inclusão de Lula, Corrêa Barbosa disse que fará novo questionamento quanto ao envolvimento do ex-presidente.

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Werther Santana
Para advogado de Jefferson, ex-presidente Lula era envolvido no mensalão

O advogado deve fazer sua sustentação da tribuna do STF no dia 10 de agosto. O defensor no processo diverge da linha adotada por Roberto Jefferson desde que revelou em 2005 o suposto esquema de compra de apoio político no governo Lula. Para Jefferson, Lula não sabia. "Não é o que a produção da prova e as diligências comprovaram e eu constatei nos autos", afirmou o advogado. O presidente do PTB é réu na ação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Um dos indícios de envolvimento do ex-presidente apontados pelo defensor é o fato de Lula, ao ter supostamente sido avisado por Jefferson do esquema de compra de apoio político no Congresso, não ter feito nada. Corrêa Barbosa também quer o motivo pelo qual a Procuradoria-Geral da República não o denunciou, não fez diligências, nem sequer propôs ao Supremo o arquivamento de uma investigação contra Lula. "É uma caixa-preta aquilo lá", criticou.

Para o advogado de Jefferson, o Supremo terá três caminhos a seguir quando ele questionar mais uma vez a ausência de Lula no caso: rejeitá-lo; converter em diligência para incluí-lo no processo (o que atrasaria o julgamento); e mandar abrir um processo em separado. A chance de sucesso da estratégia, contudo, é nula e serviria mais para retardar o julgamento da causa.

Corrêa Barbosa visitou Jefferson no domingo, 29, à noite no Hospital Samaritano, no Rio. O presidente do PTB passou no sábado por uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. Segundo o advogado, Jefferson estava bem disposto. "Ele não parava de falar e ainda queria saber o que os jornais estavam noticiando sobre o mensalão", disse.


MENSALÃO DO PT - Presidente do TSE arquiva pedido para adiar o julgamento do mensalão


Carmen Lucia, ministra do STF, diz que argumentos apresentados por advogados são 'vagos e imprecisos'

Mariângela Galucci, de O Estado de S. Paulo


A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Antunes Rocha, arquivou um pedido de advogados de São Paulo ligados ao PT para que ela ponderasse com seus colegas de STF que é inoportuno julgar a ação do mensalão durante o período eleitoral.

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Os advogados manifestavam a preocupação sobre uma eventual influência do julgamento, que começa na quinta-feira, 2, nas eleições municipais de outubro. Ao despachar, Cármen Lúcia afirmou que não havia pedido ou requerimento relacionado às atribuições da Presidência do TSE.

Segundo a ministra, os advogados "valem-se de petição para externar preocupações e requerer o que seria indevida interferência deste Tribunal Superior Eleitoral na organização interna do Supremo Tribunal Federal".

"Além de serem vagos e imprecisos os argumentos apresentados, baseados em suposto desequilíbrio no processo eleitoral decorrente do julgamento da ação penal mencionada, é de primário conhecimento não caber a este Tribunal Superior Eleitoral representar junto ao Supremo Tribunal Federal preocupações e interesses de réus em qualquer ação penal ali em tramitação, ainda que sejam candidatos ou dirigentes de partidos políticos", disse Cármen Lúcia.

SUPERSALÁRIOS - Liminar veta divulgação de salários da Câmara


Para o juiz Sá Dantas, divulgação fere princípio constitucional de 'inviolabilidade da intimidade, da honra e da vida privada'

Ricardo Brito, da Agência Estado

A Justiça Federal em Brasília concedeu nesta segunda-feira, 30, liminar para proibir a divulgação dos nomes dos servidores da Câmara dos Deputados com os respectivos salários no site da Casa. A decisão do juiz Hamilton de Sá Dantas, titular da 21ª Vara Federal, atendeu a um pedido feito pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) e ocorre na véspera do prazo estabelecido pela Câmara para revelar os vencimentos dos servidores, em cumprimento à Lei de Acesso à Informação (12.527/2011).

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No despacho de oito páginas, o juiz entendeu que a divulgação dos nomes dos trabalhadores fere o princípio constitucional da "inviolabilidade da intimidade, da honra e da vida privada das pessoas". Sá Dantas argumenta na decisão que a própria Lei de Acesso à Informação em seu artigo 31 prevê que as informações pessoais também devem ter acesso restrito e só poderiam ser acessadas com o prévio conhecimento da pessoa.

O magistrado determinou à Câmara que adote outro critério para se individualizar as informações de salários que não o nome, como matrícula, cargo e função. O critério de apresentação nominal constava do ato da Mesa Diretora da Câmara número 45, de 16 de julho.

"A divulgação individualizada com a utilização de outro elemento particularizador que não os nomes, como, por exemplo, os números das matrículas dos servidores, como quer o autor, não prejudica a finalidade da norma que, grosso modo, visa oferecer informações gerais sobre a gestão e o gasto do dinheiro público, inexistindo, assim, real interesse público que justifique a exposição dos nomes dos servidores", destacou.

O presidente do Sindilegis, Nilton Paixão, comemorou a decisão. "Está sendo feita uma interpretação equivocada da lei", disse. "O que é importante salientar é que os sindicatos não são contra a lei, o que nós queremos é preservar a nossa segurança e a nossa privacidade", completou.

O sindicato tenta ainda na noite desta segunda-feira obter uma liminar para barrar a divulgação, nesta terça-feira, 31, dos salários do Senado, também previsto para esta terça. Só nesta segunda o primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PSDB-PB), publicou o ato que prevê, assim como na Câmara, a divulgação individualizada dos nomes dos servidores e respectivos salários. Há suspeitas de que as duas Casas Legislativas continuem pagando vencimentos acima do teto constitucional, de R$ 26,7 mil, a seus servidores.

A entidade também tenta anular no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) a liberação dos vencimentos dos servidores do TCU, que já está no ar.

CACHOEIRODUTO - MPF diz que Andressa é 'mensageira do grupo criminoso' de Cachoeira


Mullher de bicheiro é investigada por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Ela é suspeita de tentar chantagear um juiz federal em Goiânia.

Gabriela Lima
Do G1 GO


A empresária Andressa Mendonça, 30 anos, tornou-se "mensageira do grupo criminoso" do marido, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos , o Carlinhos Cachoeira, de acordo com o Ministério Público Federal em Goiás. A informação foi dada pelo procurador Daniel Resende Salgado, que concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (30).

Andressa é suspeita de ter tentado chantagear o juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do bicheiro em fevereiro. Nesta segunda, ela foi ouvida sobre essa suspeita pela Polícia Federal.

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"A ousadia da companheira de Carlinhos Cachoeira ao chantagear e ofertar vantagem ao juiz federal, somada às galhofas observadas durante a audiência, mostra o desprezo e a afronta de Carlos Augusto de Almeida Ramos e de pessoas ligadas ao capo do grupo criminoso aos órgãos de persecução e ao poder judiciário. A gravidade do fato é latente, uma vez que a chantagem a um magistrado, no exercício de suas atribuições, com o escopo de pressioná-lo a decidir conforme os interesses do preso, é uma afronta ao próprio Estado Democrático de Direito. É fato inadmissível e que deve ser neutralizado, de forma rigorosa, pelas agências formais de controle", afirmou o procurador.

Na entrevista, Daniel Resende Salgado disse que a organização denunciada pela Operação Monte Carlo continua atuando e afirmou: "É plenamente possível ele [Cachoeira] comandar o grupo, mesmo preso, através dela".

Inquéritos
Suspeita de tentar chantagear o juiz federal responsável pelo processo da Operação Monte Carlo, Andressa é investigada em dois inquéritos abertos pelo MPF. De acordo com a procuradora Léa Batista, que também participou da entrevista coletiva, serão apurados os crimes de corrupção ativa, em um dos inquéritos, e lavagem de dinheiro, em outro.

Procuradores Léa Batista e Daniel Salgado durante
entrevista coletiva no MPF (Foto: Gabriela Lima/G1)

Na última sexta-feira (27), os procuradores instauraram apuração da denúncia de corrupção ativa, após denúncia feita pelo juiz federal Alderico Rocha Santos. Por causa da tentativa de chantagem, Andressa está proibida de visitar Cachoeira na prisão, de entrar no prédio da Justiça Federal e ter qualquer contato com os demais envolvidos na Operação Monte Carlo.

Em ofício enviado ao MPF, Santos relatou o encontro com Andressa, na última quinta-feira (26). Ele afirma ter recebido a esposa de Cachoeira após muita insistência. De acordo com o documento, a tentativa de constrangimento tinha como objetivo "obter decisão revogando a prisão preventiva e absolvição" de Carlinhos Cachoeira.

O G1 tentou falar com Andressa Mendonça, por telefone, mas não obteve retorno. A equipe de reportagem do G1 também foi à casa onde ela mora atualmente, em um condomínio de luxo em Goiânia, mas o segurança informou que ela não estava. Os advogados de Cachoeira também não foram localizados até a publicação desta reportagem.

Esclarecimentos
Andressa Mendonça prestou esclarecimentos à Polícia Federal, em Goiânia, nesta segunda-feira (30). De óculos escuros e expressão triste, ela deixou a sede da PF, por volta das 12h15, acompanhada de um advogado. Ela tem prazo de três dias para pagar fiança no valor de R$ 100 mil, estipulada pela PF. De acordo com o delegado Sandro Paes Sandre, ela é suspeita de chantagear o juiz Alderico Rocha Santos. Conforme determinação da polícia, ela também não poderá ver o marido.

“Se for comprovada a oferta, ela pode pegar de 2 a 12 anos de reclusão pelo crime de corrupção ativa e ficará presa na PF”, esclarece o delegado Sandre.

Na quarta-feira (25), o MPF já aberto inquérito para investigar o suposto uso do nome da mulher do contraventor como laranja na compra de uma fazenda em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, no valor de R$ 20 milhões, correspondente ao crime de lavagem de dinheiro.


Chantagem
Em entrevista ao G1, na manhã desta segunda-feira, o juiz Alderico Rocha contou que Andressa o procurou na quinta-feira (26), afirmando que teria um dossiê contra o magistrado e, em troca da não-publicação, teria pedido um alvará de soltura para Cachoeira.

Alderico Rocha foi quem conduziu a audiência, na semana passada, do processo referente à Operação Monte Carlo. O contraventor e mais sete são réus na ação penal. Todos ficaram em silêncio na audiência.

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Andressa Mendonça, e a conduziu à sede da superintendência da Polícia Federal . Durante cerca de três horas, ela prestou esclarecimentos em cumprimento a um mandado de condução coercitiva expedido pela Justiça Federal.
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