Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 22 de abril de 2012

DELTA NA TRANSCARIOCA - Prefeitura teme que Delta abandone a obra

Por Fernando Molica
Jornal O Dia

A Andrade Gutierrez se comprometeu com a Prefeitura do Rio: assumirá toda a construção da Transcarioca caso a Delta abandone a obra. A via expressa está sendo feita por um consórcio formado pelas duas empreiteiras.

As conversas entre a prefeitura e a Andrade Gutierrez sobre os problemas da Delta se intensificaram nos últimos dias. Os dois lados concordam que a decisão da construtora de deixar a reforma do Maracanã piora sua situação junto a bancos e fornecedores. A saída da Transcarioca seria, portanto, uma consequência natural.

Lote ameaçado
Envolvida no caso Carlinhos Cachoeira, a Delta também integra o consórcio que constrói trecho do Arco Metropolitano. O governo estadual teme que, com a provável saída da empreiteira, sua sócia, a Oriente, não consiga tocar a obra.

Segunda colocada

Gente graúda do governo fala em chamar a segunda colocada na licitação, caso a Oriente não assuma a tarefa. No último dia 17, o Informe adiantou que a Delta deveria abandonar as obras do Maracanã, Transcarioca e Arco Rodoviário.






sábado, 14 de abril de 2012

#COPA2014 - Pezão, já em campanha, abre o Maracanã para visitação #Eleições2012

Maracanã abre porta ao público, e RJ prevê obra 50% pronta até fim do mês
'Vai ser o estádio mais moderno do mundo', diz vice-governador durante visita de torcedores ao palco da final da Copa do Mundo de 2014

Por GLOBOESPORTE.COM
Rio de Janeiro
O Maracanã abriu as portas neste sábado pela primeira vez para os torcedores desde o fechamento para a reforma. Cinquenta pessoas, que se inscreveram com antecedência, foram as primeiras a entrar no palco da final da Copa do Mundo de 2014 e puderam acompanhar de perto o trabalho dos operários. Até o início da tarde, mais 250 (divididas em grupos de 50) também farão a visita. Segundo o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, a obra chegará a 50% de conclusão até o final de abril.

- É importante compartilhar a reforma com a população, mostrar como o Maracanã está sendo melhorado. Muita gente optou por demolir estádios, mas decidimos reformá-lo e torná-lo mais moderno que Wembley ou qualquer outro. Vai ser o estádio mais moderno do mundo.


As inscrições são feitas pelo email visitaguiada@maracanario2014.com.br. Até o momento, mas de 1.000 pessoas se cadastraram. Por causa da grande procura, o consórcio que administra o Maracanã planeja abrir mais um dia de tour, aos domingos. A princípio, as visitas estão marcadas apenas para o primeiro sábado de cada mês a partir de maio.

- Ninguém acredita que vai ficar igual à maquete. Mas vai ficar ainda mais bonito que a maquete. Nós estamos 32 dias adiantados com relação ao cronograma. Já temos tudo comprado e a cada dia vamos acelerar o andamento das obras - garantiu Pezão.

Pelo relatório divulgado pela Emop (Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro) na última quinta, as obras do Maracanã estão 45% concluídas e o estádio deverá ficar pronto em fevereiro de 2013, a tempo de ser usado na Copa das Confederações. O valor total da reforma é estimado em estão orçadas em R$ 859.946.874,32.
Pezão espera que Brasil faça final da Copa contra Espanha (Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com


    

#COPA2014 - Delta já vislumbra prejuízo e ameaça deixar obra do Maracanã [Isso já era esperado !!!]

Reforma do Maracanã causa desentendimento entre empreiteiras
FOLHA DE SÃO PAULO

Palco da final da Copa do Mundo-2014 e com as obras atrasadas, o Maracanã tem causado estresse para as três empreiteiras que venceram o consórcio para a construção do estádio (Odebrecht, que lidera o grupo, Andrade Gutierrez e Delta).

De acordo com a coluna, um dos motivos da tensão é o fato de que a construção do novo Maracanã, estimada em mais de R$ 900 milhões, estaria dando prejuízo. Sem entendimento, a Delta, deve deixar a obra.

O Maracanã vai receber sete jogos na Copa-2014 e também está escalado para a Copa das Confederações-2013, torneio teste da Fifa. Segundo a Secretaria Estadual de Obras, o estádio será entregue em fevereiro de 2013. A previsão anterior era o fim de 2012.

Angular Fotografias Aéreas-2.abr.2012

Imagem aérea mostra obras do Maracanã 

#COPA2014 - Relator do IPHAN considera a reforma do Maracanã, UM CRIME

LUCAS VETTORAZZO
FOLHA DO RIO
A ata de reunião do conselho consultivo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) realizada em agosto de 2011 mostra que o grupo se opunha à reforma do Maracanã, classificada pelo relator do encontro como um "crime".
Na ata, o conselheiro Nestor Goulart Reis argumenta que o tombamento do Maracanã impede obras de demolição. Seriam permitidas, segundo ele, apenas obras de restauração e conservação.

Mesmo com a opinião contrária de seu conselho, o projeto de reforma do estádio, palco da final da Copa-14, foi aprovado pelo órgão.

A ata foi requisitada pelo Ministério Público Federal à Justiça, para constar em uma ação civil pública na qual o órgão questiona a demolição.

"Destruir obras tombadas é crime, e todos que participam disso são responsáveis criminalmente", afirmou Reis na reunião, segundo a ata.

Em nota, o Iphan afirma que o conselho é "órgão consultivo e os conselheiros reconhecem não caber ao conselho deliberar sobre intervenções em bens tombados".

De acordo com a nota, na reunião, os conselheiros "apenas manifestaram suas opiniões quanto à posição assumida pela superintendência do Iphan no Rio na modernização do Maracanã".

O estádio é tombado pelo Iphan desde 2000. O principal ponto de divergência é a demolição da marquise. Para conselheiros, isso descaracterizaria o Maracanã, posição compartilhada pelo Ministério Público Federal.

Angular Fotografias Aéreas-2.abr.2012

Imagem aérea mostra obras do Maracanã






quinta-feira, 5 de abril de 2012

CONCESSÃO DO MARACANÃ - IMX de Eike Batista é a única a entregar projeto para administrar o Complexo do Maracanã

Marca é uma joint venture entre a multinacional de entretenimento IMG e EBX, de Eike Batista 

Glauber Gonçalves - estadão.com.br

RIO
- A IMX, joint venture entre a EBX e a multinacional de entretenimento IMG, foi a única empresa a entregar estudo de viabilidade para a futura concessão do Complexo do Maracanã, no Rio, informou a Secretaria da Casa Civil do Estado. Apesar de o prazo para a entrega do documento ter se encerrado no último dia 31, empresas que não submeteram o estudo podem participar da concorrência. No entanto, ainda não há datas para a divulgação do edital de licitação.



Wilton Junior/AE - 04/11/2011
Estádio é o maior patrimônio do complexo

O governo do Estado do Rio agora vai avaliar o projeto, que será submetido ao Comitê de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Se aprovado, será aberta a licitação para a concessão. O Complexo do Maracanã é formado por toda a área que engloba o Estádio do Maracanã, o Maracanãzinho, a pista de atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare. Pelas regras da disputa, a IMX não terá vantagens na disputa por ter entregado o estudo de viabilidade.

Em dezembro do ano passado, o empresário Eike Batista, controlador da EBX, já havia manifestado interesse em disputar a concessão do Maracanã. O executivo disse que pretendia transformar o estádio em um polo de entretenimento e implantar um centro comercial no local. Na época ainda não se sabia se o governo permitiria a remodelação do complexo. O edital do estudo de viabilidade acabou com essa dúvida ao estabelecer a futura implantação de área de lazer com bares, restaurantes e lojas no local. 

Fonte Estadão

terça-feira, 3 de abril de 2012

#COPA2014 - Mesmo com obras atrasadas, Maracanã abrirá pra visitação do público

Com obra atrasada, Maracanã vai abrir para visitação do público

DE SÃO PAULO

Mesmo com as obras para a Copa das Confederações e o Mundial de 2014 atrasadas, o Maracanã vai ser aberto para visitação do público a partir de 14 de abril, um sábado.

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Angular Fotografias Aéreas

Imagem aérea mostra obras do Maracanã


Segundo o governo do Rio, o público poderá acompanhar de perto as obras de reforma do estádio, acompanhado por técnicos, até o campo de jogo.

As inscrições devem ser feitas por e-mail (visitaguiada@maracanario2014.com.br). Não são aceitas inscrições no local.

Ainda de acordo com os responsáveis pelas obras, as visitas guiadas acontecerão de hora em hora, das 8h às 13h, em grupos de no máximo 50 pessoas. A partir de maio, serão no primeiro sábado de cada mês.

Palco de sete jogos da Copa-2014, o Maracanã passa por obras de reforma e modernização orçadas em R$ 859.946.874,32.

Segundo a Secretaria Estadual de Obras, o estádio será entregue em fevereiro de 2013. A previsão anterior era o fim de 2012.

A coluna Painel FC da Folha publicou na última semana que andamento das obras enfrentará um momento crucial em outubro próximo, mês para o qual está programada a colocação da cobertura do estádio.

Na avaliação do Comitê Organizador Local e da Fifa, o estádio só ficará pronto para a Copa das Confederações se essa etapa for concluída com sucesso.

Já anunciado como sede da final do torneio em 2013, o Maracanã é uma das principais dores de cabeça do COL e da Fifa.

 Daniel Marenco - 23.jan.12/Folhapress

Cristo Rendentor visto por vão da arquibancada na obra do Maracanã


Fonte Folha

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ANDAMENTO DAS OBRAS - Rio de Janeiro - RJ #Copa2014

Vista aérea mostra que obras do Maracanã, que já passaram
por polêmica por causa da mudança na cobertura, destruída atualmente
Foto: Reinaldo / Terra

Rio de Janeiro, RJ

Estádio: Maracanã
Capacidade planejada: 82.000 torcedores

Sumário: As obras no Maracanã já passaram por polêmica por causa da mudança na cobertura, além de ter enfrentado greves dos operários. Agora o estádio tem avançado na reforma e está com novos espaços abertos para visitação de torcedores.

Andamento das obras: 30%

O que já foi feito: toda a antiga cobertura do estádio foi retirada, processo que foi terminado em outubro do ano passado. Recentemente as primeira peças da nova arquibancada também foram instaladas.

O que tem por fazer: A cobertura de lona tensionada será uma das principais novidades do Maracanã, até por causa da promessa de que ela gerará energia solar. Além disso, ainda é preciso iniciar as obras para melhorias das áreas de acesso ao Maracanã.

Previsão de conclusão: Fevereiro de 2013


7 jogos da Copa nesse estádio:

15/06 - F1 x F2
18/06 - B1 x B3
22/06 - H1 x H3
25/06 - E2 x E3
28/06 - oitavas
04/07 - quartas
13/07 - final

Fonte Terra

sábado, 11 de fevereiro de 2012

MARACANÃ - Governo vai ter de gastar mais para adequar estádio para Olimpíada 2016

Por Sérgio Rangel
A atual reforma no estádio do Maracanã para receber a Copa-2014 não atende todas as exigências dos organizadores da Olimpíada-2016

O governo do Rio se negou a ampliar a conta da reforma do Maracanã, que é de quase R$ 1 bilhão, rejeitando, assim, reivindicações custosas feitas pelos organizadores dos Jogos.

Em nota, a Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro) informou que "o projeto do Maracanã teve que ser desenvolvido em tempo hábil para que a reforma ficasse pronta para entrega do estádio a tempo da Copa das Confederações", a ser disputada em junho do próximo ano.

De acordo com a Emop, as exigências a serem atendidas eram as formuladas pela Fifa e deixam o legado necessário aos Jogos Olímpicos e a futura utilização do estádio como uma arena multiuso.

 Fonte Folha

sábado, 8 de outubro de 2011

COPA 2014 - A Copa do Mundo é nossa?

Para ler no fim de semana. Ou não…
(O longo texto — mais de seis mil palavras e coisa de 35 mil caracteres — que segue abaixo foi escrito para a revista Interesse Nacional, que já está nas livrarias. Escrito para um público menos afeito às coisas do futebol, traduz e resume tudo o que penso sobre o momento vivido pelo esporte mais querido no Brasil).

Por JUCA KFOURI*
Para começar o jogo, pense nisso: na França, em 1998, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Michel Platini, melhor jogador da história do futebol francês até que, naquela Copa, Zinedine Zidane lhe tomasse a coroa. Platini não era o presidente da FFF, a Federação Francesa de Futebol.
Na Alemanha, em 2006, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Franz Beckenbauer, o Kaiser, melhor jogador da história do futebol alemão até hoje. Beckenbauer não era o presidente da DFB, a Federação Alemã de Futebol.
No Brasil, para 2014, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo é Ricardo Terra Teixeira, que jamais jogou futebol.
Teixeira é também o presidente da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
A secretária executiva do COL é sua filha, neta de João Havelange; o diretor jurídico é também advogado de Teixeira e o homem de imprensa é o mesmo da CBF.
Para continuar o jogo, ainda no primeiro tempo, lembre-se disso: o estádio do Morumbi, que há 50 anos serve o futebol mundial, palco de decisões da Copa Libertadores da América com as presenças do São Paulo, do Palmeiras e do Santos, além de já ter recebido um sem-número de jogos da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e de ter sido sede dos jogos do Corinthians no primeiro Mundial de Clubes da Fifa, foi descartado para receber os jogos da Copa 2014, cinco ou seis no máximo, num evento que dura trinta dias.
Ao se submeter aos caprichos de Teixeira, brigado com a direção do São Paulo FC, dono do Morumbi, três governadores tucanos esqueceram do lema da cidade paulistana – Non ducor, duco (Não sou conduzido, conduzo) – e se submeteram ao despautério de construir um novo estádio numa cidade que tem também o Pacaembu e terá a nova arena do Palmeiras.
Orgia de construção de novos estádios
Em compensação, estão em construção estádios em Cuiabá, em Manaus e emBrasília, onde nem futebol realmente profissional há. Como se ergue outro no Recife, embora a cidade tenha três estádios e seus três donos, o Sport, o Santa Cruz e o Náutico, já tenham anunciado que não cogitam a possibilidade de usar a nova arena. Natal também tenta erguer seu estádio, chamado Arena das Dunas, Sanud ao contrário, e ali pelo fim do jogo voltaremos à alusão aparentemente tão estranha.
É importante frisar que, quando a Copa do Mundo foi realizada nos Estados Unidos, nem sequer um estádio foi erguido para recebê-la, assim como a França, quatro anos depois, construiu apenas um, o Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
No Brasil, porém, o Maracanã foi demolido para ser feito outro, embora o lendário santuário do futebol tenha sido reformado para os Jogos PanAmericanos de 2007.
Do mesmo modo, acontece com o Mineirão, e na São Paulo do Morumbi, do Pacaembu e da nova arena do Palmeiras, ergue-se, em Itaquera, o Fielzão, para o Corinthians.
No Rio de Janeiro, por sinal, existe o mais moderno estádio do país, o Engenhão, inaugurado no Pan e nem cogitado para receber jogos da Copa.
Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza também estão na festa dos estádios, seja na reforma do Beira-Rio, na ampliação da Arena da Baixada ou da reconstrução da Fonte Nova e do Castelão.
Enquanto isso os aeroportos, as estradas, a rede hospitalar, a hoteleira…
Em torno da construção de arenas esportivas, por sinal, não são poucas as mentiras que se inventam para justificá-las.
Não é verdade que sejam,necessariamente, polos de progresso para as regiões em que se instalam e basta olhar exatamente para a região do Engenhão para constatar.
Do mesmo modo acontece no Soweto, em Joanesburgo, que não foi beneficiado pela construção do Soccer City, um estádio desnecessário e a quatro quilômetros do histórico Ellis Park, o estádio em que Nelson Mandela quebrou de vez o preconceito dos negros com o rúgbi, esporte dos brancos, ao ir prestigiar a final da Copa do Mundo da modalidade.
É famosa a história que cerca a New Orleans Arena, inaugurada em 1999 com capacidade para receber vinte mil pessoas que só provou mesmo sua utilidade, segundo os habitantes da cidade na Louisiana, quando o furacão Katrina, em 2005, destruiu a região e o ginásio foi usado como abrigo dos que perderam tudo.
O significado de uma Copa do Mundo
É preciso ter claro o significado de uma Copa do Mundo. O livro Soccernomics, escrito por Simon Kuper, colunista esportivo do Financial Times, e pelo economista Stefan Szymanski (Editora Tinta Negra, 310 pp.), mostra que a Copa do Mundo nada mais é que o anúncio, que dura trinta dias, de um país.
Anúncio que corre apenas só um risco: ser um mau anúncio. O livro demonstra que sede alguma de Copa do Mundo ganha dinheiro por recebê-la, mas que a questão nem é essa. Os autores convidam os governantes a falar a verdadepara seus povos e a fazer a pergunta que os verdadeiros estadistas devem fazer: quanto custa manter um país feliz por um mês? Conforme for a resposta, vale a pena pagá-lo e, de fato, quem recebe um evento como a Copa do Mundo de futebol passa trinta dias feliz e orgulhoso. Não é preciso, portanto, mentir, inventar e, muito menos, criar monstros como as licitações e orçamentos secretos.
O governo Lula obteve vitórias incontestáveis ao trazer os dois maiores eventos da humanidade, a Copa e a Olimpíada, para o Brasil. E foi ele, porque tanto Ricardo Teixeira quanto Carlos Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, em governos anteriores desde Fernando Collor, tinham tentado e amargado mais que fracassos, verdadeiras humilhações.
Foi exatamente na gestão do presidente monoglota que as vitórias vieram e países como os Estados Unidos, com Barack Obama na campanha, foram derrotados.
O risco, no entanto, dos enormes triunfos se transformarem em derrotas escandalosas existe e não é pequeno.
Porque se o Brasil pode perfeitamente fazer a Copa do Mundo do Brasil no Brasil (se a África do Sul fez, por que não faríamos?), não pode, nem deve, fazer a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil.
E a orgia das construções de novos estádios, em vez de priorizar o legado às cidades, demonstra que estamos tentando dar um passo maior que nossas pernas.
No finzinho do primeiro tempo é preciso lembrar que, em artigo assinado na página 3 da Folha de S. Paulo, Teixeira garantiu que esta seria a Copa da iniciativa privada.
Mas um estudo do Tribunal de Contas da União já demonstrou que nada menos do que 98,5% do que se gastará para fazer a Copa será de dinheiro público, do BNDES, da Infraero e da Caixa Econômica Federal, sem falar de incentivos e isenções fiscais, porque, como se sabe, a Fifa não pagará nem um tostão de impostos por tudo que disser respeito à Copa.
É hora do intervalo, para pensar.
Todo e qualquer país que se candidate a receber uma Copa do Mundo, do mais poderoso ao mais humilde, de quebra entrega boa parte de sua soberania.
Porque a Fifa, que se orgulha de ter mais filiados que a ONU (e tem mesmo, 208 contra 192), não brinca em serviço e tem sede pantagruélica. Basta dizer
que a cerveja que patrocina a entidade, dos Estados Unidos, foi a única encontrável nos estádios da orgulhosa Alemanha, para desespero do Partido Verde local, indignado com o desrespeito à tradição, e à qualidade, da bebida alemã.
No Brasil não chegaremos a tanto, mas veremos a suspensão da lei que impede a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, porque a mesma Budweiser vem aí.
Futebol no mundo globalizado
Mas, afinal, que fenômeno é este, do que estamos falando?
Assunto para o segundo tempo.Porque é impossível entender o que culmina com a Copa no Brasil sem entender o que se passou com o futebol no mundo “golbalizado”, com o perdão do trocadilho infame já feito uma vez, três anos atrás, para um texto feito por este escriba para a revista Política Externa, praticamente aqui reproduzido com as obrigatórias atualizações.
A Terra é uma bola, como se sabe. E joga-se bola na Terra por todos os cantos.
E a Terra é uma bola cada vez menor, do tamanho de uma de futebol. Que também se transformou com a tal da globalização.
Da primeira Copa do Mundo transmitida para o mundo inteiro pela TV, em 1970, no México, a chamada aldeia global testemunhou o incrível crescimento de uma de suas mais influentes multinacionais, a Fifa, com sede na Suíça, em Zurique. E quem melhor soube aproveitar o desenvolvimento do futebol como um negócio extraordinário foi o continente europeu.
Não há sequer um grande nome do futebol mundial que não esteja na Espanha, na Itália, na Inglaterra ou na Alemanha. E os países periféricos, embora tecnicamente do Primeiro Mundo do futebol sob ponto de vista do talento que produzem, se transformaram em meros exportadores de pé de obra, numa inversão tal de valores que em vez de exportarem o espetáculo acabam por exportar os artistas.
Brasil e Argentina são os dois mais eloquentes exemplos do fenômeno no continente americano, algo que afeta também, e cada vez mais, a África.
Não fosse assim e a Seleção Brasileira teria mais que apenas dois jogadores que atuam no país convocados para defendê-la no começo das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ou no time pentacampeão, em 2002, na Alemanha, teria mais que só o goleiro Marcos e os volantes Gilberto Silva e Kléberson entre os titulares, os dois últimos, em seguida, vendidos para o exterior. E por quê?
Porque nem o real nem o peso podem concorrer com o dólar ou com o euro, dizem os conformados – e os cartolas que lucram com tal estado de coisas.
Dos cartolas duas CPIs recentes no Congresso Nacional já trataram devidamente.
E uma investigação da parceria Corinthians/MSI, feita pela Polícia Federal, dois anos atrás, apenas acrescentou novas informações sobre os métodos da lavagem de dinheiro indiscriminada, que também é face da globalização, para legalizar dinheiro de drogas, contrabando de armas e outros crimes. Trata-se de crime, também transnacional, é claro.
CBF apoia ida de ídolos brasileiros para a Europa
E não só o êxodo que incomoda. A CBF tem uma política deliberada de apoiar a ida de nossos ídolos para a Europa, por diversas razões.
Dona da maior grife do futebol mundial, a entidade não quer concorrência interna como nos anos 1960, quando, por exemplo, Santos e Botafogo eram, com frequência, capazes de excursionar pelo mundo com cotas maiores que a da Seleção Brasileira.
Além do mais, argumenta-se na CBF que nossos jogadores adquirem uma consciência tática e uma saúde física que não teriam se ficassem no Brasil, além de se acostumarem a enfrentar em seus campeonatos aqueles que encontrarão nas Copas do Mundo.
Se, nos tempos do complexo de vira-latas de Nelson Rodrigues, os atletas brasileiros se assustavam com a saúde de vaca premiada dos europeus, hoje são eles que ficam atemorizados ao ver a Seleção Brasileira perfilada com os melhores jogadores de cada time europeu reunidos numa equipe só.
Se, em tese, tal política traz benefícios à CBF, por outro acarreta prejuízos óbvios ao futebol disputado no país. Um dos mais visíveis é o de que não se encontram camisas de clubes brasileiros nas lojas de material esportivo pelo mundo afora, embora as da Seleção sejam as mais expostas nessas mesmas lojas.
Só que não é tão difícil encontrar as do Boca Juniors e do River Plate, porque os grandes clubes argentinos são menos submissos que os nossos.
Outro prejuízo, ainda mais letal, está em que a torcida brasileira paulatinamente perde seus vínculos com a Seleção.
Não se discute mais apaixonadamente em torno de uma convocação, porque nem o centroavante do Flamengo, nem o meia do Corinthians, nem o goleiro do Cruzeiro estão
cotados, ao contrário do atacante do Barcelona, do defensor do Milan ou, até, do atleta que joga na Ucrânia.
Sim, porque a globalização que atingiu o futebol brasileiro não se restringe a levar os jogadores para países do dito Primeiro Mundo, leva também para a Turquia, Ucrânia etc., demonstração cabal de que a explicação para o êxodo não está na economia nacional, mas, sim, no modelo de gestão arcaico, e nada transparente, de nosso futebol.
Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o futebol brasileiro convive com a globalização e com suas capitanias hereditárias ao mesmo tempo, numa simbiose deletéria.
A perda de vínculo com a Seleção é tamanha que o time da CBF é capaz de passar dois anos sem se exibir no Brasil, como aconteceu recentemente.
Verdade que a vida fora do país mudou muito o comportamento de nossos jogadores, cada vez menos parecidos com os boleiros de antigamente e cada vez mais com os popstars de hoje em dia, todos com seus empresários, procuradores, agentes, assessores de imprensa e muita, mas muita artificialidade.
Quem esteve nas Copas do Mundo, aliás, muitas vezes se perguntou se estava vendo um campeonato esportivo ou um festival de rock.
Nostalgia, romantismo, saudosismo? Talvez um pouco, mas só um pouco.
Mercantilização do futebol
Diante da inexorável mercantilização do futebol é inútil combatê-la, mas é essencial denunciar seus descaminhos, até para torná-la mais eficaz.
Como aconteceu no Brasil nos anos 1970, quando os bicheiros tentaram se apropriar dos clubes de futebol como já haviam feito com as escolas de samba, em busca de reconhecimento social, agora são os bilionários de fortunas suspeitas que repetem a estratégia, em escala planetária, como se constata na Inglaterra.
Clubes londrinos tão tradicionais como o Chelsea e o Arsenal são alvos da cobiça dos que se beneficiaram da privatização das empresas estatais da exUnião Soviética, o primeiro já devidamente dominado. A boa imprensabritânica grita, critica, denuncia e não por ser contra o avanço do capitalismo, mas por querer vê-lo dentro dos limites compatíveis com a prática esportiva.
Afinal, foi um escocês, Bill Shankly, ex-técnico e gerente do Liverpool em seu período de ouro, filósofo do futebol que era, o autor da célebre frase: “É claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso”.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, João Saldanha morreu sem se conformar com os rumos que o futebol tomava ainda em 1990. Ele que se insurgia até contra as placas de publicidade nos estádios por considerar que, além de botar em risco a integridade física dos jogadores, elas poluíam o visual do jogo.
De fato, numa época em que eram de ferro, as placas fizeram algumas vítimas entre os que não conseguiam brecar em tempo de não se chocar contra elas.
Mas passaram a fazer parte do cenário do futebol, sem maiores problemas.
A publicidade nas camisas dos times, então, horrorizava o velho João Sem Medo, incapaz de aceitar aquelas manchas nos mantos sagrados de times tão tradicionais.
Fato é que apenas o Barcelona, um caso à parte no mundo do futebol por causa do nacionalismo catalão, conseguiu resistir ao fenômeno, fundamental para as finanças de qualquer grande clube. Não só o time espanhol não recebia para anunciar patrocinador como, ao contrário, pagava à Unicef para expor sua marca. Mas até esta exclusividade acabou. Já nesta temporada o Barça ostenta, a peso de ouro, a marca da Qatar Foundation, do país, não por acaso, sede da Copa de 2022, em seu verão de 52 graus Celsius.
Conviver com tudo isso, portanto, não só passou a fazer parte do dia a dia do futebol como, na verdade, passou a ser legítima preocupação na busca de mais rentabilidade e excelência do espetáculo. Com todos os riscos que embute.
Para o historiador marxista Eric Hobsbawm, “a capacidade de o futebol ser um símbolo de identidade nacional há muito é conhecida. No meu livro sobre nacionalismo eu escrevi que ‘a comunidade imaginária de milhões parece ser mais realista do que um time de onze pessoas’. Atualmente, indubitavelmente, isto é mais importante do que nunca na história, já que grandes jogadores são recrutados de quase todos os cantos do mundo. Acho que só participar de uma Copa do Mundo é que faz as pessoas que vivem no Togo ou em Camarões darem-se conta de que são cidadãos de seus países. Posso entender o apelo deste tipo de patriotismo, mas eu não tenho entusiasmo nenhum pelo
nacionalismo”.
E cada vez mais autores se debruçam sobre o tema, como no excelente livro do jornalista americano Franklin Foer: Como o Futebol Explica o Mundo, Um Olhar Inesperado sobre a Globalização (Jorge Zahar Editor).
Da questão religiosa, na Escócia, passando pelo antissemitismo, violência de torcidas, na Inglaterra, racismo na Ucrânia, novas oligarquias na Itália, sempre tendo o futebol como tema, nos Estados Unidos, inclusive, onde a esquerda o elegeu por ser menos truculento que o chamado futebol americano, até a corrupção dos cartolas (adivinhe onde), no Brasil, é claro, Foer produz umasérie de reportagens formidáveis. Segundo ele mesmo, com o cuidado de não ser “demasiado hostil à globalização que, com todas as suas falhas, fez com que o futebol chegasse aos recantos mais distantes do planeta e à minha vida”.
Tentativa de corrigir os rumos
E este é o ponto. Porque não se trata de nenhuma bandeira quixotesca a rebeldia contra o que está estabelecido, mas, sim, trata-se de tentar corrigir rumos sem aceitar passivamente o que para muitos está escrito e ponto final.
No fundo, é como disse Hobsbawm em entrevista à Folha de S. Paulo: “O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização. Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização”.
De fato.
De um lado, a força propulsora do capitalismo em busca de mais e mais lucro e rentabilidade. Do outro, a sobrevivência de um modelo nacionalista que convive dialeticamente com a internacionalização, como se para ser um ídolo global é necessário ser, antes, do seu país natal.
Muito antes do fenômeno da globalização, o jornalista Renato Pompeu em seu romance A Saída do Primeiro Tempo (Editora Alfa-Omega), já propunha uma
“teoria do futebol”. Nela, com extrema graça e criatividade, defende, por exemplo, que a semana inglesa foi criada para permitir que os súditos de Sua Majestade, a Rainha, jogassem bola aos fins de semana.
Sim, cada vez mais surgem pensadores que explicam o mundo pela bola e recentemente mesmo chegou às livrarias outra brilhante pensata sobre o tema, do historiador medievalista da USP, Hilário Franco Júnior, A Dança dos Deuses – Futebol, Sociedade, Cultura (Companhia das Letras).
Influência do futebol na vida das pessoas
Ao tratar da importância que o esporte assumiu no mercado do entretenimento, Franco mostra que 3% do PIB europeu vêm dele, com parcela importante do valor constituída pelo que o futebol gera. Calcula-se que o futebol gere empregos para 450 milhões de pessoas pelo mundo afora, o que permite dizer que, direta ou indiretamente, cerca de dois bilhões de almas vivem do esporte, quase 1/3 da população mundial.
A estimativa é do ex-presidente da Fifa, João Havelange, o brasileiro que estava na hora certa no lugar certo e comandou a virada da entidade ao assumi-la em 1974, quando as fronteiras já começavam a cair. Apesar de ter criado um modelo exclusivista, para pouquíssimos, Havelange aliou-se ao capital multinacional da Adidas e da Coca-Cola, entre outros, para disseminar o futebol pelos continentes africano e asiático, além de dedicar especial atenção aos Estados Unidos, que até recebeu a Copa do Mundo de 1994. Se o futebol dos homens ainda não é um sucesso na terra de Tio Sam, o das mulheres é, campeãs olímpicas que são.
Ainda segundo Franco revela, o estudo “Soccereconomics 2006”, feito pelo banco holandês ABN-AMRO, “estimou em 0,7% a taxa suplementar de crescimento no país que ganhasse o Mundial daquele ano, em função do maior consumo de bebidas, comidas, material esportivo e suvenires, mas sobretudo devido ao aumento da autoestima nacional, que leva a população a investir e consumir mais”.
De fato, nem sempre se avalia corretamente o quanto o futebol influencia a vida das pessoas.
Há quem diga, por exemplo, que Fernando Henrique Cardoso deve muito de sua primeira eleição à vitória na Copa do Mundo de 1994. Claro que o Plano Real teve influência decisiva, mas, lembremos: o Brasil vinha da derrocada do governo Collor, acabara de sofrer o trauma da perda do maior ídolo nacional de então, o piloto Ayrton Senna, e estava com sua autoestima em estágio de elevadíssima depressão, quadro ideal, talvez, para mudar tudo, para tentar o que ainda não havia sido tentado depois de governos ditatoriais e do fracasso dos primeiros governos democráticos, de José Sarney e Fernando Collor, eleito diretamente, ainda por cima.
Quem sabe um operário não daria jeito na coisa? Só que não foi daquela vez, porque a vitória obtida por Romário e sua trupe em gramados americanos mudou o humor do país, que preferiu esmagadoramente o professor que tinha virado ministro e estabilizado a moeda.
Tão importante, no entanto, como vencer a inflação, era o tetracampeonato, depois de 24 anos da conquista do tri.
Mas, atenção, à medida que vamos chegando ao fim do segundo tempo: não leve a ferro e fogo tamanha digressão. Porque nada autoriza a que se suponha que o tricampeonato seja creditado à ditadura Médici, pois a História dá a ele o lugar que fez por merecer, o das sombras, e a Pelé, Tostão & Cia o que lhes cabe, o da glória.
Em bom português, imaginar que o povo confunda vitórias esportivas com os governantes do momento é ledo engano, assim como é desrespeitar sua inteligência. Mas que afeta humores, afeta, e muito. Daí, também, o inconformismo de quem tem senso crítico em relação ao estágio do futebol no dito país do futebol, o nosso.
Na verdade, nem somos. A Inglaterra é muito mais país do futebol pelo que o reverencia. E mesmo a Argentina parece levar vantagem em dosagem de paixão.
Maltratamos o futebol no país do patropi
Importante dizer que em todas as pesquisas de tamanho de torcidas no Brasil, o contingente maior é o dos que não se interessam por futebol, só depois vindo as torcidas do Flamengo e do Corinthians. O que não impede que se constate como maltratamos o futebol no patropi.
Em plena fase de globalização da economia, o futebol brasileiro ainda está no estágio da acumulação pré-capitalista e, como tal, vive na base da pirataria, como bem demonstraram duas CPIs no Congresso Nacional no ano 2000.
Lamentável que nos sujeitemos a ser polo passivo numa atividade em que somos, sem sombra de dúvida, como na música, de Primeiro Mundo.
Já foi dito e aqui é repetido que as diferenças econômicas entre os maiores centros do futebol mundial explicam muita coisa, mas não justificam todas elas.
Por exemplo: o Brasil tem o oitavo PIB do mundo e a Espanha o 12º. A Itália está em sexto lugar no ranking, mas a Rússia está em décimo, assim como a Turquia está em 17º, com 1/3 de nosso PIB, e a Ucrânia em 53º, quase quinze vezes menor que o brasileiro. E perdemos jogadores para todos esses países, sem exceção, entre tantos outros.
É claro que o euro pesa, que a União Europeia pesa, que o preço dos ingressos pesa, que as cotas de TV pesam. Mas nosso mercado publicitário é equivalente ao de Espanha e Itália, nossa população é muito maior, a capacidade instalada de nossos estádios é do mesmo porte e o que nos falta é gestão, é visão, e é, também, menos corrupção no futebol.
Porque em nossa Belíndia ainda não fomos capazes nem de dar à Bélgica aquilo que ela está disposta a pagar em termos de conforto e segurança nos estádios, nem de dar à Índia aquilo que merece como forma de lazer popular compatível com seu padrão de vida. E não será na Copa de 2014 que daremos, porque Copa do Mundo não é evento para os mais pobres, muito ao contrário.
Na verdade, vivemos sem saber o que queremos ser quando crescer em matéria de política esportiva e não temos sido capazes de nos aproveitar das oportunidades que a globalização oferece, limitados ao papel de exportar matéria-prima, como nos tempos da dependência do país essencialmente agrícola.
Nosso futebol, assim como nosso vôlei, é tão bom como o café que produzíamos e se, então, vendíamos o que por aqui havia de melhor sem nos preocupar com a criação de um mercado interno digno desse nome, agimos igualmente hoje em dia em relação aos nossos craques.
Fifa não é contestada no Brasil
Ao exercer seu poder imperial, a Fifa jamais é contestada no Brasil, diferentemente do que acontece na Europa. A ponto de, ainda em 1990, o então só bilionário presidente do Milan, Silvio Berlusconi, acima de qualquer suspeita de esquerdismo, ter feito o alerta de que as Copas do Mundo eram daninhas ao progresso dos clubes. Sua argumentação era de uma clareza incontestável.
A Itália tinha acabado de sediar a Copa e havia sido eliminada, nas semifinais, pela Argentina, em Nápoles. Duas temporadas do Campeonato Italiano, em 1988 e 1989, tinham sido prejudicadas pelas reformas nos estádios que receberiam a Copa, sem, portanto, capacidade total naqueles anos, em prejuízo das bilheterias. O Milan cedeu quase todos os seus jogadores tanto para a seleção italiana como para a holandesa, cujos três maiores jogadores (Rijkard, Gullit e Van Basten) lhe pertenciam. Pois bem, nãosó a Holanda foi eliminada na primeira fase. A Itália, que era a favorita por jogar em casa, acabou eliminada também.
“E agora, findo o fiasco geral, vem a dona Fifa e diz: ‘Reerga o futebol’ ”, reclamava o empresário que viraria o mais poderoso homem da Itália anos depois. Berlusconi radicalizava e propunha que as Copas do Mundo fossem disputadas pelos clubes, com suas legiões de estrangeiros, ao argumentar que o futebol globalizado já não dava conta de se manter tendo como grande atração, a cada quatro anos, um torneio de seleções nacionais. “Que se limitem ao enfrentamento nos Jogos Olímpicos”, propunha.
Hoje, a liga dos clubes europeus exerce forte influência para limitar as vontades da Fifa e, por utópico que pareça, talvez não esteja longe o dia em que a proposta do histriônico premiê se torne realidade. Ao contrário, no Brasil, temos sido incapazes de fortalecer a estrutura clubística e, em vez de aprofundarmos o potencial capitalizador de nosso futebol, vivemos, isso sim, à base da socialização da miséria.
A superestrutura dirigente do futebol nacional é muito mais do que conservadora, é extremamente reacionária, como tal refratária a qualquer mudança de modelo de gestão e, para piorar, corrupta e corruptora, além de sedutora. Provas recentes disso temos às fartas.
No governo Lula foi aprovada a Timemania, uma loteria que será utilizada para que os clubes paguem suas dívidas com o Estado brasileiro, aí compreendidas as com a Previdência Social e com a Receita Federal.
Ao dar com uma mão, o governo não se preocupou em exigir, com a outra, alguma forma de contrapartida, premiando, enfim, os que construíram a dívida. Não se exigiu, por exemplo, para aderir à loteria, a administração empresarial do futebol profissional, como se faz na Europa. Até mesmo a Lei de Incentivo ao Esporte nada exigiu como mudança de modelo. Tudo isso num governo presidido por quem, torcedor que é, está cansado de conhecer as mazelas da cartolagem. Mais: por quem assinou as duas primeiras leis de seu mandato, em 2002, o Estatuto do Torcedor e a chamada Lei da Moralização do Esporte, ambas milagrosamente aprovadas, a primeira por unanimidade, no período FHC e generosamente sacramentadas por Lula.
Em seu discurso, na cerimônia de assinatura, Lula garantiu: “Nunca mais o torcedor será tratado como gado no Brasil e nunca mais os dirigentes esportivos deixarão de ser responsabilizados por seus atos”.
Não havia, então, um cartola no ato, no Palácio do Planalto. Poucos meses depois, no entanto, à custa de levar a Seleção Brasileira ao Haiti, presidentes da República e da CBF
estavam de braços dados, congraçamento que só se aprofundou de lá para cá e as Timemanias da vida são só uma face dessa moeda.
A outra é a organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, algo de que o país pode sim dar conta, desde que com a nossa cara e o nosso tamanho. Mas, repita-se, o
que se anuncia é uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil, desperdício de dinheiro público em novos estádios, sinônimos de elefantes brancos tão logo a Copa termine.
Brasil precisa de nova classe dirigente no esporte
Para deixar de ser mero coadjuvante na globalização do futebol, o Brasil precisa de uma nova classe dirigente em seu esporte, executivos que tenham saído das escolas com a perfeita compreensão do fenômeno, capacitados a pensar o futebol como negócio na indústria do entretenimento, conscientes de que, no entanto, este é um negócio diferente dos demais, no qual se o lucro é vital, ser campeão é o primeiro objetivo. Negócio singular em que a cabeça fria do empresário precisa ser usada para exacerbar a cabeça emocional do consumidor, no qual o ídolo não pode ser tratado como mercadoria qualquer, mas como alguém vital para a prosperidade do empreendimento.
Administrado como se deve, certamente o futebol brasileiro não poderá fazer frente às propostas milionárias de um Milan, uma Inter, de um Barcelona ou Real Madrid, àqueles jogadores que tiverem brilhado numa Copa do Mundo, craques já consagrados, como nem mesmo os alemães e franceses conseguem concorrer.
Mas não só os preços pagos serão equivalentes aos das transações entre os próprios clubes europeus, cinco, seis vezes maiores do que o investido para tirar os ídolos brasileiros, como se evitará o êxodo das promessas que vão embora antes mesmo de disputar uma Copa do Mundo, por quantias invariavelmente ridículas.
Porque há casos emblemáticos.
O do atacante Élber, já aposentado, é um deles.
Ele surgiu no futebol em Londrina e com 19 anos, em 1991, foi jogar na Suíça, no Grasshopper (?!). Lá fez sucesso e se transferiu para o Sttuttgart, da Alemanha, de onde foi para o poderoso Bayern de Munique, Lyon, da França, sempre fazendo gols e até chegando à Seleção Brasileira, com menos brilho.
Terminou sua carreira em 2006, no Cruzeiro, e, então, ao defender o clube mineiro, pela primeira vez jogou no Maracanã, santuário não só do futebol brasileiro, mas do mundial.
Outro caso é o do centroavante Afonso, que surgiu no Atlético Mineiro aos 20 anos, em 2001, e nem bem jogou como titular foi, no ano seguinte, para a Suécia, de onde se transferiu para o holandês Heerenveen (??!!), onde tantos gols fez que acabou convocado para a Seleção Brasileira, sem que Dunga, o técnico, jamais o tivesse visto jogar, assim como a esmagadora maioria da torcida e da imprensa especializada brasileiras.
Élber e Afonso existem aos montes, assim como os mais raros Ronaldo e Kaká, ou, mais raros ainda, Pelé e Mané Garrincha, que jogaram a vida toda no Brasil, em outros tempos, é claro, tempos que acabaram como o próprio Pelé testemunhou quando decidiu terminar sua carreira no New York Cosmos, ao integrar o esforço de popularização do futebol nos Estados Unidos.
Será chover no molhado dizer que a globalização está aí e não adianta vociferar contra ela, murro em ponta de faca. Mas que outro murro, o do choque de gestão, pode tornar o Brasil mais ativo neste banquete também no futebol, só não vê quem não quer, ou se aproveita da pirataria, como os corsários ingleses, que se deram bem, é verdade, na origem do capitalismo, embora o Império Britânico tenha se dado ainda melhor, algo, por enquanto, distante da terra de Macunaíma. Distante, sim, mas próximo a ponto decobiçar a possibilidade de fazer na Inglaterra a Copa que está em andamento no Brasil.
Sanud e CPIs do Congresso Nacional
História para a prorrogação, depois de tudo que já foi dito no primeiro e segundo tempos deste jogo.
Lembra-se da Sanud, Dunas ao contrário, lá do começo do jogo?
Pois é, é disso que trataremos agora.
Uma empresa com este nome, sediada em paraíso fiscal, aflorou nas CPIs do Congresso Nacional que investigaram a CBF.
À época, a revista Veja publicou a nota seguinte: “O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, usou uma empresa de fachada, a R.L.J. Participações, com
sede no Rio de Janeiro, para esquentar dinheiro ilícito vindo de um paraíso fiscal, o principado de Liechtenstein. A operação foi assim: em julho de 2000, a R.L.J. registrou em seu balanço uma dívida de 2,9 milhões de reais com a Sanud Etablissement, de Liechtenstein. Documento sigiloso do Banco Central de 1º de novembro passado, ao qual VEJA teve acesso, indica que, nos últimos seis anos, a R.L.J. não recebeu empréstimo da Sanud e, nesse mesmo período, não mandou um único centavo a Liechtenstein a título de pagamento. Além disso, no ano passado, a Sanud já não existia havia dezenove meses. Seu fechamento, que não poderia ocorrer sem a quitação de todos os seus créditos, inclusive os 2,9 milhões de reais de Ricardo Teixeira, está documentado em correspondência do Coaf, órgão brasileiro de fiscalização financeira”.
Entramos nos acréscimos.
Recentemente o programa “Panorama”, da BBC, desenterrou o caso e revelou que a ISL, falida gigante do marketing esportivo associada à Fifa, depositara US$ 9,5 milhões na conta da Sanud.
Procurado pela emissora britânica, o presidente da CBF e, lembre-se, do COL preferiu calar.
Pois foi em meio a tal clima de escândalo que transcorreu a última reeleição do presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, para perplexidade até do primeiroministro da Inglaterra, David Cameron, que simplesmente a chamou de “farsa”. Tudo porque a Inglaterra, que pode organizar uma Copa do Mundo perfeita servindo-se apenas de Londres, foi reveladoramente caroneada pela Rússia como sede do torneio em 2018.
A candidatura do berço do futebol moderno teve apenas um voto além do próprio. Sim, o ouro do Império perdeu para a prata dos emergentes que fizeram a festa na partilha da velha União Soviética.
E é para não ficar mal com essa gente, ao constatar o atraso nas obras para a Copa-2014, que o governo brasileiro propôs o instrumento de tornar sigiloso o que deve ser transparente nas licitações, porque o que é público ao público pertence ou, ao menos, deveria pertencer.
Dilma dá sinais de independência e insatisfação
Amarrada por compromissos assumidos no governo Lula ou não, o fato é que a presidenta Dilma Rousseff começou a dar sinais de independência e de insatisfação em relação à condução das coisas sobre a Copa. E fez questão de dar um tapa de luva de pelica nos organizadores do evento ao nomear Pelé como embaixador da Copa do Mundo. Não que Pelé que, lembremos, foi ministro extraordinário do Esporte no governo FHC, seja um crítico ácido da cartolagem encastelada no poder do futebol brasileiro, porque não é, mas ela fez com a imagem dele aquilo que Teixeira fazia questão de negar, fazia questão de não dar.
E ao colocar Pelé sentado entre ela e Teixeira na primeira cerimônia oficial da Copa do Mundo no país, na Marina da Glória, em fins de julho último, a presidenta sinalizou com clareza que CBF e COL são uma coisa e o governo quer ser outra, tanto que tratou Teixeira por “senhor”, e apenas uma vez, mas fez questão de se referir a Pelé duas vezes em seu discurso, na primeira chamando-o de “queridíssimo”.
Há, enfim, alguma esperança, ainda antes do apito afinal, depois do qual não haverá mais nada a fazer.
* Artigo originalmente publicado na revista “Interesse Nacional”, edição no.15, de outubro de 2011.

por Juca Kfouri às 12:00

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

COPA 2014 - Após greve, operários do Maracanã voltam ao trabalho

Eles reivindicavam aumento da cesta básica de R$ 160 para R$ 180.


Rio de Janeiro, RJ, 19 (AFI) - Os funcionários da construção civil que trabalham na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 retomaram o trabalho na manhã desta segunda-feira, após 18 dias de greve, informou o Consórcio Maracanã Rio 2014, responsável pelas obras do estádio.

Os operários voltaram ao trabalho depois que o Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-RJ) considerou a greve abusiva na sexta-feira e exigiu a retomada das obras até esta segunda. Com isso, o consórcio não precisará atender às novas exigências dos funcionários.

Eles reivindicavam aumento da cesta básica de R$ 160 para R$ 180, melhora da condição dos alimentos e maior limpeza em refeitórios e vestiários. Além disso, os operários apontaram que não havia médicos no turno da madrugada das obras. Insatisfeitos, eles iniciaram a paralisação no Maracanã no dia 1.º de setembro.

sábado, 17 de setembro de 2011

COPA 2014 - Maracanã deverá ser excluído da Copa das Confederações, diz revista

Ritmo lento das obras deverá deixar o ex-maior do mundo fora do torneio

Com as obras paradas por conta de uma greve dos operários, o Maracanã pode receber uma péssima notícia no próximo mês. De acordo com a coluna Radar da revista “Veja”, o estádio deverá ser excluído pela Fifa da Copa das Confederações de 2013, evento que precede a Copa do Mundo de 2014, por conta do ritmo lento das obras. A entidade máxima do futebol fará o anúncio das sedes do torneio em outubro.

Os trabalhadores pararam a obra no estádio pela segunda vez no último dia 1º reclamando a falta de médicos no turno da madrugada, aumento da cesta básica de R$ 160 para R$ 180, melhora da condição dos alimentos e maior limpeza em refeitórios e vestiários, entre outros aspectos. O consórcio alegou que já reviu o acordo em meados de agosto e não o descumpriu. Desta vez, não abriria a mão do direito de levar a greve à Justiça.

Na última sexta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) decretou, por unanimidade, que o movimento que já dura 16 dias é "abusivo" e, portanto, o Consórcio Rio 2014, responsável pela reforma do estádio, não terá de ceder a nem sequer um item da lista de exigências apresenta pelos trabalhadores.

As obras do Maracanã estão orçadas em R$ 859,9 milhões e, segundo o presidente do orgão estadual (EMOP) responsável pela reforma do Maracanã, Ícaro Moreno, estarão concluídas a tempo da participação do estádio na Copa das Confederações em 2013.

Os trabalhadores pararam a obra no estádio pela segunda vez no último dia 1º reclamando a falta de médicos no turno da madrugada, aumento da cesta básica de R$ 160 para R$ 180, melhora da condição dos alimentos e maior limpeza em refeitórios e vestiários, entre outros aspectos. O consórcio alegou que já reviu o acordo em meados de agosto e não o descumpriu. Desta vez, não abriria a mão do direito de levar a greve à Justiça.
Na última sexta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) decretou, por unanimidade, que o movimento que já dura 16 dias é "abusivo" e, portanto, o Consórcio Rio 2014, responsável pela reforma do estádio, não terá de ceder a nem sequer um item da lista de exigências apresenta pelos trabalhadores.

As obras do Maracanã estão orçadas em R$ 859,9 milhões e, segundo o presidente do orgão estadual (EMOP) responsável pela reforma do Maracanã, Ícaro Moreno, estarão concluídas a tempo da participação do estádio na Copa das Confederações em 2013.


Fonte G1 http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/09/maracana-devera-ser-excluido-da-copa-das-confederacoes-diz-revista.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

COPA 2014 - Obras nas 12 arenas da Copa consumiram só 11,5% do orçamento

RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO

A mil dias do início da Copa-2014, as obras dos estádios das cidades-sedes custaram apenas 11,5% do orçamento total das construções.

Levantamento da Folha mostra que foram gastos até agora R$ 769,2 milhões nas obras não foi computado o valor da Arena das Dunas, que iniciou a execução do projeto há só um mês. O total dos orçamentos das 12 arenas soma R$ 6,66 bilhões.


Foto de Rafael Andrade - 18.ago.2011/Folhapress


                Obra no Maracanã em agosto


O prazo da Fifa para o início das reformas e construções foi março de 2010. Teoricamente, as reformas estão em andamento há pelo menos um ano e meio. Mas boa parte das obras das arenas não começou naquela data.
A obra do Itaquerão foi iniciada em maio deste ano. A da Arena das Dunas, no mês passado. E a reforma da Arena da Baixada não começou.

O estádio da Fonte Nova, em Salvador, foi o que gastou o maior percentual do orçamento, com 25% do total. É também o maior valor absoluto, com R$ 146,6 milhões. Isso se explica pela implosão da arena antiga, que teve custo de cerca de R$ 30 milhões.
Mas o Maracanã, por exemplo, só usou 3% (R$ 26 milhões) da verba total prevista. O estádio enfrenta sua segunda greve de operários, e as obras estão paralisadas.

Mesmo assim, o governo do Rio diz que 25% da reforma da arena foi realizada.
Para Jorge Hori, especialista em orçamentos de obras, é comum ter baixa execução orçamentária no início das operações porque a terraplenagem e as fundações são fases em geral menos custosas.

Mas o ritmo da obra costuma ser como um sino. No meio, chega a seu pico. O custo da obra costuma ficar na metade quando o andamento também está na metade.

No caso dos estádios, segundo Hori, essa realidade pode ser um pouco alterada, e os gastos, postergados. Erguer a cobertura, uma operação de alto custo, é algo realizado só no final da reforma.

Ainda assim, vejo uma defasagem. Não é tão grande, mas existe. Claro, tem que se analisar caso a caso, disse.

O caso mais problemático é o da Arena das Dunas, em Natal. As obras começaram no mês passado e estão previstas até dezembro de 2013.

É prazo igual ao do Itaquerão. Mas as obras do estádio do Corinthians, iniciadas em maio, estão aceleradas.

Um local onde não se vê movimentação é a Arena da Baixada, que sofre com uma discussão sobre a engenharia financeira da reforma, prevista para o próximo mês.

Em Porto Alegre, a obra do Beira-Rio é lenta por não terem sido acertados detalhes do contrato entre o Internacional e a Andrade Gutierrez.
Diante desse quadro, Hori prevê que o grosso dos gastos dos estádios do Mundial será feito no primeiro semestre de 2012, quando as obras devem atingir o seu pico.

Há depois uma complicação, que são as coberturas, porque a engenharia brasileira não está acostumada a fazê-las com essas lonas tensionadas. Somos capazes, mas não temos o know-how.

A maioria dos estádios usará coberturas desse tipo, similares às vistas nas arenas da África do Sul na Copa-2010.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

EM GREVE, obras no Maracanã seguem paradas #Rio

Obras estão paradas desde o dia 1° de setembro.
É a segunda vez que operários entram em greve este ano.

Do Bom Dia Rio


Os operários que trabalham nas obras do Maracanã, na Zona Norte do Rio, continuam em greve nesta terça-feira (13). Nesta manhã, os funcionários se preparam para fazer uma caminhada em volta do estádio. A paralisação já dura 13 dias e as obras precisam estar prontas para a Copa das Confederações, em 2013.

Dessa vez, o grupo está insatisfeito com a falta de médicos e a alimentação no turno da madrugada, além do não lançamento das horas extras no contra-cheque.

No dia 1º de setembro, o Consórcio Maracanã Rio 2014 decidiu entrar na Justiça do trabalho. Na segunda-feira (12), o  Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro (Sitraicp) entregou sua defesa ao Tribunal Regional do Trabalho e até o fim da semana o Ministério Público do Trabalho deve dar um parecer a respeito da greve. O Consórcio Maracanã já havia apresentado sua defesa ao dar entrada na ação.

Paralisação também em agosto
Em agosto, dois mil funcionários pararam de trabalhar nas obras do estádio durante cinco dias. Na época, o Sindicato alegou que o Consórcio não tinha cumprido o que ficou acordado, que seria aumento da cesta básica e o plano de saúde para os funcionários.

No dia 21 de agosto, ficou acordado com o Consórcio que os operários ganhariam plano de saúde, além de R$ 160 de vale alimentação.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Copa de 2014 - Maracanã, mais caro e atrasado


Não tem jeito: a reforma do Maracanã custará mesmo 150 milhões de reais mais cara e não ficará pronta para a Copa das Confederações, que será disputada em junho de 2013.

Numa reunião que está sendo realizada neste momento no Rio de Janeiro, o governo estadual está explicando para representantes do TCU e da AGU os motivos pelos quais a obra passará de 700 milhões de reais para pelo menos 850 milhões de reais. De posse de um laudo técnico, o governo vai explicar a decisão já tomada de demolir o teto do Maracanã, o que não estava previsto no projeto original. A nova cobertura não será de concreto como a atual.

A previsão é que o novo Maracanã só possa ser inaugurado em outubro de 2013, meses depois da Copa das Confederações. Ou seja, se tiver jogo da Copa no Rio de Janeiro, terá que ser no Engenhão.

Por Lauro Jardim

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TCU - aponta problemas em obras do Maracanã para Copa do Mundo de 2014

AE - Agência Estado
RIO - O Maracanã, que será palco da final da Copa do Mundo de 2014, continua em reforma, mas o TCU (Tribunal de Contas da União) aponta irregularidades na licitação das obras do estádio, que também receberá jogos na Copa das Confederações em junho de 2013. Segundo o Jornal Nacional, da TV Globo, para o TCU, o projeto básico da reforma apresentado pelo Estado do Rio de Janeiro tem irregularidades. Segundo análise dos auditores, os projetos necessários não foram elaborados. Desta forma, não há como se saber o verdadeiro custo da obra.
Arquivo/AE
Arquivo/AE
Reforma do Estádio do Maracanã precisa estar pronta antes da Copa das Confederações, em 2013
Parte do gasto com as obras será pago pelo governo do Rio de Janeiro (R$ 305,5 milhões). O restante será concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cerca de R$ 400 milhões. O TCU comparou as propostas de reforma do Maracanã com o Mineirão, em Belo Horizonte. Enquanto para o estádio carioca foram apresentadas apenas 37 plantas sobre as intervenções necessárias para a reforma, em Minas foram desenvolvidos 1.309 projetos.
Em documento, o Tribunal afirma que "como não há projetos de engenharia suficientes para caracterizar os serviços contratados, a planilha beira a mera peça de ficção".
Segundo o TCU, o BNDES deveria liberar apenas 20% dos recursos, até que o governo do Estado do Rio de Janeiro apresente o projeto executivo com todas as obras detalhadas. Assim, o Maracanã só receberia, em um primeiro momento, R$ 80 milhões dos R$ 400 milhões já aprovados.
O governo do Estado não vê irregularidades e informa que o projeto executivo foi contratado junto com a obra e estará pronto em 15 de abril. Segundo o governo, o TCU do Rio de Janeiro aprovou o edital de licitação e o projeto básico. Como não houve questionamento dos 20 licitantes que participaram do projeto, a licitação é considerada apta pelo governo estadual.
O TCU afirmou que o relatório propõe medidas preventivas para evitar que as obras cheguem a ser paralisadas no futuro por causa de irregularidades. 


domingo, 16 de maio de 2010

RUAS, IGREJAS E MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO - Maracanã, 60 anos #inforio


   
Em 16 de junho de 1950, foi inaugurado o estádio municipal do Maracanã, no Rio de Janeiro, para que o Brasil pudesse sediar a Copa do Mundo, já que a Europa encontrava-se abalada pela Segunda Guerra Mundial.

Exibir mapa ampliado



          Tour Virtual pelo Maracanã http://www.suderj.rj.gov.br/visitasguiadas/index.html
   
Com grande incentivo do jornalista Mário Filho, que depois foi homenageado dando seu nome ao estádio, a obra finalmente pôde ser concretizada, contrariando a opinião pública e políticos, que defendiam a aplicação do dinheiro na construção de hospitais e escolas.
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O novo estádio foi inaugurado com um jogo amistoso entre as seleções de novos do Rio e de São Paulo, dia 17 de junho de 1950, e o primeiro gol foi marcado pelo carioca Didi, bi-campeão mundial de 1958 e 1962 pela seleção brasileira.

A Copa do Mundo de 1950 foi iniciada no dia 24 de junho, com goleada da seleção brasileira contra o México, por 4 x 0. Mas o vencedor desta Copa foi o Uruguai, superando o Brasil na final por 2 x 1.


Os grandes jogadores da história do futebol brasileiro iniciaram e consagraram suas carreiras no estádio. A primeira vez que Pelé jogou pela seleção brasileira foi no Maracanã, em 1957.

Em 1961, fez o primeiro “gol de placa” e, em 19 de novembro de 1969, marcou ali seu milésimo gol.



O Botafogo ganhou seu primeiro título somente sete anos depois da inauguração do estádio, com uma das maiores exibições de Garrincha em todos os tempos.


       A invasão corinthiana em 1976



O maior artilheiro da história do Maracanã é Zico, com 333 gols em 435 partidas.
 

piscina1
O campo tem medidas oficiais de 110m x 75m numa área de 186.638m², onde foram realizadas grandes competições de futebol, como a Copa do Mundo, em 1950, e o primeiro Campeonato Mundial Interclubes da FIFA, em 2000 e espetáculos musicais, com artistas consagrados mundialmente, como

Frank Sinatra
 
Kiss

Tina Turner

Madonna



Rolling Stones

Paul McCartney

Ivete Sangalo
 

entre outros.

No aniversário de 50 anos do Maracanã, em 2000, foi inaugurada a Calçada da Fama, onde os maiores craques que escreveram a história do estádio deixaram a marca dos pés. Estão imortalizados na Calçada da Fama, em ordem alfabética: Ademir Menezes (in memorian), Ademir da Guia, Adílio, Alex, Almir (in memorian), Altair, Amarildo, Andrade, Assis, Barbosa (in memorian), Bebeto, Beckenbauer, Bellini, Branco, Brito, Carlos Alberto Torres, Carpegiani, Castilho (in memorian), Cláudio Adão, Coutinho, Danilo Alvim (in memorian), Dario, Dequinha (in memorian), Dida, Didi, Dirceu Lopes, Djalma Santos, Dunga, Edinho, Edmundo, Edu Coimbra, Eusébio, Evaristo, Falcão, Félix, Figueroa, Friaça, Garrincha (in memorian), Gerson, Ghighia, Gylmar, Ipojucan (in memorian), Jair Rosa Pinto, Jairzinho, Joel Martins, Jorginho, Julinho, Júnior, Kaká, Leandro, Leão, Leônidas, Luís Pereira, Luizinho Lemos, Manga, Marco Antônio, Marinho, Marinho Chagas, Marta, Nilton Santos, Orlando, Paulo Borges, Paulo Cézar Lima, Paulo Henrique, Pelé, Pepe, Pinga, Pinheiro, Quarentinha (in memorian), Raul Plassmann, Reinaldo, Renato Gaúcho, Rivelino, Roberto Dinamite, Roberto Miranda, Ronaldo Fenômeno, Rondinelli, Romário, Romerito, Rubens (in memorian), Samarone, Silva Batuta, Sócrates, Telê Santana, Tita, Tostão, Vavá, Waldo, Washington, Zagallo, Zico, Zinho, Zito, Zizinho e Zózimo (in memorian).












Única mulher na lista, a artilheira Marta deixou sua marca após a seleção feminina de futebol conquistar a medalha de ouro nos XV Jogos Pan-Americanos, em julho de 2007

Para a realização do Pan no Rio de Janeiro, de 13 a 29 de julho de 2007, foi iniciada uma grandiosa reforma no estádio, no valor total de R$ 196 milhões. O estádio sediou as cerimônias de abertura e encerramento do evento, e semifinais e finais das partidas de futebol feminino e masculino. Também foi lá que a Pira Pan-americana ficou acesa.



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Os antigos placares foram substituídos por outros três digitais, de 16m x 1,20m. Além deles, dois telões de 10m x 6m foram instalados atrás das balizas. Entre as principais modificações, estão o rebaixamento do campo em 1,60m, e a criação da platéia inferior, no 2º andar, extinguindo a antiga “geral”. Nas arquibancadas, houve a colocação de assentos, e a capacidade do estádio, que já chegou a 183.341 pessoas no jogo Brasil 1 x 0 Paraguai, em 1969, passou a ser de 87.101 mil lugares, proporcionando maior conforto aos torcedores.


A cabine de imprensa, vestiários, banheiros e bares também foram modernizados.
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A origem do nome Maracanã vem do tupi-guarani que significa “semelhante a um chocalho”. Antes da construção do estádio, existia no local grande quantidade de aves vindas do norte do país chamadas Maracanã-guaçu, que emitiam sons semelhantes ao de um chocalho.




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