Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador Jogos Olímpicos de 2016. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jogos Olímpicos de 2016. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de abril de 2012

#RIOmais20 - MP cobra resultados de despoluição da Baía da Guanabara. Projeto se arrasta desde 1995



A Estação de Alegria, no Caju, a maior do programa de despoluição da Baía , tem apenas metade de seus tanques funcionando
Mário Moscatelli / Divulgação

RIO
— A promotoria de Meio Ambiente vai propor audiência especial à Justiça, com a presença de representantes do governo e da Cedae, para apresentar um relatório sobre a situação das obras de despoluição da Baía de Guanabara e a aplicação de R$ 1,5 bilhão de recursos investidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pelo governo japonês e pelo estado para a conclusão do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que se arrasta desde 1995. A obra faz parte dos compromissos do governo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para as Olimpíadas de 2016. A ação que tramita na 3ª Vara de Fazenda Pública da capital desde 2007 tem por objetivo obrigar a Cedae a apresentar um cronograma físico-financeiro completo, com prazos definidos para sua conclusão, e exigir do estado garantias dos repasses necessários.

Na quinta-feira, a promotora do Meio Ambiente, Rosani da Cunha Gomes, fez um sobrevoo na Baía de Guanabara, acompanhada de uma perita, de um documentarista e do presidente da ONG Olhar Verde, Mário Moscatelli, para produzir um vídeo que será parte integrante do relatório.

— Processos são frios e não expressam a situação. Várias obras estão sendo feitas, mas, efetivamente, a situação não mudou. Está piorando em relação a 2007. Fiquei triste e decepcionada com o que vi. Apresentando um vídeo para todos com a situação de degradação da baía, quem sabe, não consigamos sensibilizar a todos — afirmou Rosani.

Segundo ela, o processo começou na administração anterior, quando as obras estavam paralisadas e não havia transparência sobre a aplicação dos recursos, mas a ação ficou estagnada, depois que a juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes determinou, em julho de 2009, a realização de uma perícia para avaliação da poluição na baía. A perícia custaria R$ 80 mil. Tanto o MP quanto a Cedae recorreram da decisão.

Minc concorda com audiência
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, é favorável à realização de uma audiência especial, mas ressaltou que a situação mudou muito de 2007 para cá. Segundo ele, em quatro anos, o tratamento de esgoto doméstico saiu de 2 mil litros por segundo para mais de 5 mil litros por segundo:

— Esse inquérito é do antigo programa, porque não tinha transparência nenhuma. Construíram as estações de tratamento com dinheiro do BID, mas o que era para ser feito com o dinheiro do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), que eram as elevatórias, redes e conexões, não foi feito. Ficamos 13 anos com as estações de tratamento de esgoto secas. Quando assumimos, a Estação de Alegria (Caju) tratava 300 litros por segundo , com tratamento primário, ou seja, nada. Hoje trata 2.500 litros.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, argumentou que o inquérito sobre o programa de despoluição começou ainda na administração passada e garantiu que hoje todas as informações sobre obras e gastos estão na internet. Segundo ele, não é possível cravar prazos num programa tão complexo:

— Dependemos do Congresso para autorizar a captação de recursos estrangeiros e também dependemos de licitações, que por vezes atrasam, em razão de contestação de empresas participantes. Mas o fato é que hoje já tratamos 6 mil litros de esgoto por segundo e chegaremos a 2016 tratando 16 mil, ou seja, 80% de todo o esgoto produzido.

Presidente do Instituto Brasil Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o engenheiro sanitarista Haroldo Mattos de Lemos acredita que o problema do esgotamento doméstico está equacionado, mas a questão do lixo ameaça a despoluição da baía:

— O maior problema hoje é o lixo. Os moradores, principalmente da Baixada, jogam o lixo nos rios que desembocam na baía.

‘Esgoto sobra no rio e falta na estação’
Entre os problemas apontados no sobrevoo de quinta-feira, o presidente da ONG Olhar Verde, Mário Moscatelli, cita o fato de a Estação de Alegria, no Caju, ainda funcionar com metade de sua capacidade:

— O esgoto que sobra no rio falta dentro da estação. Ainda tem muita coisa para ser feita, e é preciso transparência.

O pescador Jaime Cerrado, de 69 anos, nascido e criado na Praia do Porto Velho, em São Gonçalo, diz que a poluição está destruindo o meio ambiente e a atividade pesqueira na região. A pequena enseada, onde a água é malcheirosa e coberta por uma camada de lixo que inclui de garrafas plásticas a sapatos, em nada lembra a baía em que ele pescava quando jovem.

— Meu pai era pescador e eu segui o ofício. Mas a poluição está matando a baía e acabando com a pesca. Antes eu ia para o mar e voltava com 70 quilos de pescado. Hoje quando está muito bom, o que é raro, a gente volta com 20 quilos — diz Jaime, que é o último na família envolvido com a pesca. — Não compensa mais pescar. Dentro da baía, só tem sujeira.

O cenário é o mesmo na Praia das Pedrinhas, que fica a poucos metros da Estação de Tratamento de Esgoto de São Gonçalo, construída na década de 90 com recursos do programa e que nunca operou satisfatoriamente. No local, uma manilha lança esgoto in natura no mar de forma intermitente. O pescador Pedro Paulo Bolpato, de 50 anos, conta que algumas espécies desapareceram da Baía de Guanabara.

— De uns dez anos para cá, a gente só pega tainha e corvina, que resistem à sujeira. Outros peixes, como a sardinha, sumiram. Às vezes, vou para o mar e volto sem pegar nada. A rede só puxa lixo. Tem dias que a praia fica coberta por uma espuma fedorenta, esgoto puro.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio20/as-vesperas-da-rio20-mp-cobra-resultados-de-despoluicao-da-baia-da-guanabara-4694357#ixzz1sg7AH7S6

sábado, 14 de abril de 2012

JÁ TEM 'ROLO' - TCU descobre que Ministério do Esporte enviou dinheiro do Rio para São Bernardo, berço do PT

TCU investiga uso de verba de Jogos Olímpicos

Relatório conclui que Ministério do Esporte repassou a cidades de São Paulo dinheiro destinado a preparar o Rio

Luiz Ernesto Magalhães

RIO - O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou irregulares convênios do Ministério do Esporte para repassar quase R$ 16 milhões de verbas que deveriam ser usadas para preparar o Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. Desse total, cerca R$ 13 milhões sequer ficaram na cidade: foram destinados à reforma e construção de instalações esportivas em São Bernardo do Campo (SP) e Lins (SP). Mais R$ 3 milhões foram direcionados para obras que na verdade eram de responsabilidade do Ministério da Defesa para os Jogos Mundiais Militares de 2011, no Rio.

No caso dos Jogos Militares, o relatório do TCU considera agravante o fato de que parte desses recursos acabou sendo usada para pagar despesas de um contrato sob investigação do próprio TCU. O contrato se refere à reformas no Centro Nacional de Tiros que, segundo o TCU, tem indícios de superfaturamento.

Em seu voto, a ministra Ana Arraes também questionou a demora para que a Autoridade Pública Olímpica (APO) divulgue a chamada Matriz de Responsabilidades. No documento devem constar os orçamentos, os prazos e qual ente público — se União, estado e município — será responsável por implantar cada projeto. Há meses, a União estuda repassar à prefeitura e ao Estado recursos para a execução de alguns projetos que de início seriam de sua responsabilidade.

São Bernardo teve repasse de R$ 12 milhões
Os convênios foram firmados em 2010. Em relação às instalações localizadas em municípios de São Paulo, o Ministério do Esporte alegou em sua defesa que os projetos eram importantes para dotar o país da infraestrutura esportiva necessária e preparar atletas para os Jogos Olímpicos. Ana, no entanto, acolheu o entendimento dos auditores do TCU de que o programa de onde saíram os recursos explicitava que o dinheiro só podia ser usado no Rio.

Para São Bernardo, por exemplo, R$ 12 milhões foram destinados para construir o Centro de Desenvolvimento do Handebol Brasileiro. O complexo esportivo contará com alojamentos para atletas e espaços para que as quatro seleções da modalidade possam treinar simultaneamente.

O presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Manoel Luiz Oliveira, disse que a previsão inicial era que as obras fossem concluídas no fim do ano passado. Mas os trabalhos não começaram.

— O dinheiro está disponível. O problema é que os projetos das obras ainda estão sob análise da Caixa Econômica Federal. Não vou entrar no mérito da decisão do TCU. Mas, pessoalmente, acho que ações para melhorar a infraestrutura do esporte são investimentos para as Olimpíadas — justificou Manoel Oliveira.

TCU quer que Ministério use verbas do programa no Rio
Para a cidade de Lins (SP), o Ministério do Esporte fechou um convênio de R$ 975 mil para a reforma do estádio municipal. Do total, R$ 358 mil já foram liberados, de acordo com o Portal da Transparência.

No caso das instalações de Deodoro, o Ministério do Esporte argumentou que o Centro de Tiro será usado nas Olimpíadas. O TCU não concordou com o argumento, alegando que o intervalo de cinco anos entre os Jogos Militares e Olimpíadas trará a necessidade de gastos futuros com manutenção, reforma e até novos investimentos para atender a exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Em seu voto, Ana Arraes determinou que o ministério só use as verbas do programa olímpico no Rio. E pede que os técnicos do TCU identifiquem e realizem audiência com os responsáveis pelos repasses.

Procurado, o Ministério do Esporte não localizou ninguém que pudesse comentar o relatório. A Autoridade Olímpica informou que ainda não foi informada sobre a decisão do TCU.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/tcu-investiga-uso-de-verba-de-jogos-olimpicos-4645836#ixzz1s0kbjviO
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

MARACANÃ - Governo vai ter de gastar mais para adequar estádio para Olimpíada 2016

Por Sérgio Rangel
A atual reforma no estádio do Maracanã para receber a Copa-2014 não atende todas as exigências dos organizadores da Olimpíada-2016

O governo do Rio se negou a ampliar a conta da reforma do Maracanã, que é de quase R$ 1 bilhão, rejeitando, assim, reivindicações custosas feitas pelos organizadores dos Jogos.

Em nota, a Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro) informou que "o projeto do Maracanã teve que ser desenvolvido em tempo hábil para que a reforma ficasse pronta para entrega do estádio a tempo da Copa das Confederações", a ser disputada em junho do próximo ano.

De acordo com a Emop, as exigências a serem atendidas eram as formuladas pela Fifa e deixam o legado necessário aos Jogos Olímpicos e a futura utilização do estádio como uma arena multiuso.

 Fonte Folha

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

PÁRA TUDO - Justiça suspende licitação para construção do Parque Olímpico carioca #JO2016

Mandado foi a pedido dos moradores da Vila Autódromo, ameaçados de despejo pelas obras

Elenilce Bottari


RIO - A juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, suspendeu a licitação para a obra do Parque Olímpico que será usado na Olimpíada de 2016. A abertura de propostas para a construção do parque estava marcada para esta quarta-feira. O mandado de segurança foi impetrado pela Defensoria Pública da defesa dos moradores da Vila Autódromo, ameaçados de despejo pelas obras. Em sua decisão, a juíza afirma que a obra estará suspensa até que seja assegurado o direito a moradia dos moradores da Vila Autódromo, vizinha ao autódromo de Jacarepaguá, local do futuro Parque Olímpico. A prefeitura do Rio, por meio de nota, informou que a data já tinha sido adiada para o dia 5 de março.

Segundo a mensagem da prefeitura, a realização da licitação não causará a retirada imediata dos moradores da Vila Autódromo. A prefeitura informou ainda que está mantido o compromisso de dar início às obras do parque a partir da construção de um novo autódromo com padrões internacionais, “uma obrigação que é do Governo Federal”. Segundo a nota, foi apenas iniciado o processo licitatório do Parque Olímpico, e as alternativas de moradia para a comunidade já foram apresentadas.

“Todos serão transferidos para um condomínio de qualidade que vai ser construído em um terreno na Estrada dos Bandeirantes a menos de 1 km. O espaço vai reunir 920 apartamentos de dois ou três quartos, além de creche e comércio. A população só sairá da comunidade depois que as novas casas estiverem prontas. É importante destacar que algumas construções hoje estão numa área sujeita a inundações e na faixa marginal de proteção da Lagoa de Jacarepaguá”, diz a nota.

A Vila existe há 40 anos e está situada no terreno onde a prefeitura pretende construir uma das principais instalações para os Jogos Olímpicos de 2016. Desde a realização dos Jogos Pan-Americanos, em 2007, eles travam uma batalha contra o município para não serem removidos dali.

A decisão liminar reconhece o direito desses moradores sobre a área da vila. Por isso, suspende a contratação das obras previstas para o local. Caso a prefeitura não atenda a determinação da Justiça, está sujeita a multa diária de R$ 20 mil.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/justica-suspende-licitacao-para-construcao-do-parque-olimpico-carioca-3705532#ixzz1jtQmYJID

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

UM BOM ALERTA - Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas

Vale a pena ler. E refletir...

--------------------------

Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas


Thomas Pappon

Da BBC Brasil em Londres

A escalada de custos, a falta de controle nas obras e o abandono generalizado do legado físico da Olimpíada de Atenas 2004 foram sinais da tragédia financeira que estaria por vir, a crise de débito grega, na opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A aventura olímpica de Atenas trouxe prestígio, fez a Grécia reviver – mesmo que por apenas três semanas – a glória e a pompa dos jogos pan-helênicos da Antiguidade e deu uma boa polida na autoestima e no orgulho da população.

Tópicos relacionadosEconomia, EsporteMas ela também expôs sérias falhas de planejamento e organização, levantando dúvidas sobre a capacidade do Estado grego – no início de 2004, antes da expansão da UE, a Grécia era o segundo país mais pobre do bloco em termos de PIB per capita – em lidar com um evento do porte de uma Olimpíada.

"Os Jogos foram determinantes para inflar os números na época", disse à BBC Brasil Marika Frangakis, economista do EuroMemo (Economistas Europeus por uma Política Econômica Alternativa).

Segundo Frangakis, o país já vinha acumulando gastos públicos extraordinários, uma situação que teria se agravado "com as oportunidades de corrupção abertas na distribuição de contratos a grandes corporações".

'Olimpíada mais cara da modernidade'
Hoje, sete anos depois, ainda é difícil precisar o total dos gastos com a Olimpíada de 2004. Em novembro daquele ano, o governo anunciou o custo final como sendo de 8,9 bilhões de euros (R$ 21,3 bilhões) quase o dobro do orçamento inicial e o suficiente para apelidar, na época, Atenas 2004 de os Jogos mais caros da história moderna.

O montante não inclui gastos com obras que vinham sendo planejadas antes, independentemente dos Jogos, mas que foram aceleradas por causa destes, como o novo aeroporto internacional, uma via expressa e linhas de bonde e trem, todas na capital ou arredores.

Segundo dados do Ministério das Finanças grego divulgados em novembro de 2004, dos 8,9 bilhões de euros (R$ 21,3 bilhões) – quase o dobro do gasto dos Jogos anteriores, os de Sydney, de 6,65 bilhões de dólares australianos (R$ 11,8 bilhões) –, 7,2 bilhões vieram do Estado, que disponibilizou a maior parte destes recursos através de um programa de investimentos em infraestrutura semelhante ao PAC brasileiro.


Parte do complexo olímpico de Faliro, em Atenas, está abandonada
O país também teve o azar de estar realizando os primeiros Jogos após os ataques de 11/9 nos Estados Unidos, o que o obrigou a aumentar várias vezes a parcela dedicada à segurança do evento.

"A Olimpíada pôs pressão sobre as finanças públicas", disse à BBC Brasil o economista Vassilis Monastiriotis, da London School of Economics.

"Grande parte dos gastos (do Estado) foi financiada com empréstimos."

"Os Jogos arrecadaram bem menos do que o estimado originalmente. O governo esperava recuperar parte dos custos com a venda ou privatização de instalações olímpicas, mas ele conseguiu levantar apenas uma parte disso, 25% talvez, do esperado", diz Monastiriotis.

Hoje, longe de ter ajudado a revitalizar Atenas, o complexo olímpico de Faliro está abandonado, os dois principais estádios estão fechados e várias outras instalações que sediaram competições estão às moscas, cobertas de mato e grafite.

Deficit e Dívida
A economia grega fechou 2004, segundo a Eurostats, o braço de estatísticas da União Europeia, com um deficit de 7,5% do PIB, o maior entre todos os países do bloco, que tinha sido expandido naquele ano em 10 países para 25. No ano anterior, o deficit grego tinha sido de 5,6% do PIB.

A dívida pública em 2004 subiu para 98,6% do PIB – ou equivalente a cerca de 50 mil euros para cada família no país.

O premiê grego na época, Kostas Karamanlis, se apressou em jogar a culpa pela escalada da dívida sobre o governo anterior, acusando-o de ter "maquiado" suas contas com dívidas criadas "em segredo" e deixando de incluir, no Orçamento previsto para 2004, itens significativos como os gastos em Defesa.

O fato de a Grécia ter trocado de governo poucos meses antes da Olimpíada também não ajudou a dar mais transparência à contabilidade dos Jogos.

Assim como não ajudou o fato de sucessivos governos terem se acomodado em manter os altos níveis de endividamento do país.

Em 2003 o país conseguiu reduzir a dívida pública, mas de 2004 em diante, ela cresceu a cada ano, culminando em 144,9% do PIB em 2010.

"Não há dúvida de que os gastos dos Jogos contribuíram para o tamanho da dívida, mas a acumulação da dívida grega é um processo bem mais amplo", disse à BBC Brasil Spyros Economides, cientista político da London School of Economics.

"Não se trata de uma dívida acumulada por famílias ou indivíduos, em empréstimos, hipotecas ou cartão de crédito. É dívida do Estado, gerada por vários governos perdulários, que pegavam fundos da UE, não para investi-los em infra-estrutura, construções, ou programas de criação de emprego ou suporte agrícola, mas em projetos sociais populistas e políticas clientelistas", disse Economides.

O orçamento da próxima Olimpíada, a de Londres 2012, é de 9,3 bilhões de libras (R$ 25,9 bilhões). A maior parte, 5,9 bilhões de libras (R$ 16,4 bilhões), virá do governo; 2,1 bilhões de libras (R$ 5,8 bilhões) virão da loteria e o resto está previsto para ser levantado junto ao setor privado.

O orçamento dos Jogos no Rio 2016 ainda está sendo revisto. No dossiê da candidatura, ele estava estimado em R$ 28,8 bilhões – R$ 7,5 bilhões a mais do que o custo de Atenas 2004





terça-feira, 22 de novembro de 2011

ESSA EU GELEI - Senado aprova medida que permite uso do FGTS em obras da Copa

MP 540 também reduz IPI em automóveis e dá incentivo à indústria nacional.
Proibição de anúncios de cigarro em postos de venda foi inserida na lei.
           
Iara Lemos Do G1, em Brasília
                    
Mesmo diante das críticas da oposição, o plenário do Senado aprovou, na noite desta terça-feira (22), a medida provisória 540/11, que permite o uso de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. O fundo, mantido por contribuições de empregadores para uso dos empregados, já é usado para financiar programas de habitação, saneamento básico e infraestrutura.
A medida também reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado de automóveis e concede incentivos fiscais para diversos setores da economia contemplados pelo Plano Brasil Maior, de estímulo à indústria nacional. A medida vai para sanção da presidente da República Dilma Rousseff.
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) estiveram entre os que mais criticaram a proposta. A principal crítica da oposição foi com relação aos diferentes
assuntos colocados na medida.
saiba mais

"A medida provisória que estamos analisando hoje pula de 24 artigos para 52 artigos. Ela é inadimissível à luz da Constituição [...] Não é possível misturar temas dos mais diversos. Se trata desta aberração que é dar uma barretada com chapéu alheio aos grandes empresários. Está se permitindo usar fundos do FGTS para obras da Copa, cujo retorno é altamente problemário [...] Esta medida provisória é uma afronta ao Congresso Nacional", disse Nunes.
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), integrante da base do governo, também criticou a medida. Segundo ele, o projeto "ofende ao bom-senso". Já o senador Humberto Costa (PE), líder do PT, afirmou que há uma "verborragia" por parte da oposição.
"É lógico que somos solidários à visão de que uma medida provisória não pode se transformar em uma árvore de Natal cheia de penduricalhos [...] Se por um lado é legítima a crítica pelas formas de tramitação, não é legítima a falta de propostas para o país. Aqui estão propostas da mais legítima importância para o país", disse o líder do PT.

Incentivos
Com a medida aprovada, o governo estima R$ 2,4 bilhões de renúncia fiscal com a MP em 2011 e de R$ 15,3 bilhões em 2012. A compensação de receita virá da arrecadação do IOF sobre empréstimos e do aumento de tributos para alguns setores, listados na MP.
A MP prevê ainda que empresários de alguns setores deixem de pagar 20% da folha salarial como contribuição previdenciária para serem tributados em cima de seu faturamento bruto anual. O setor de tecnologia da informação ficaria com a alíquota (2,5%), seguido do setor produtivo (2%) e de transporte urbano (1,5%).

Cigarro
Além dos incentivos tributários, a MP também incorporou diversas mudanças na legislação sobre o fumo. Ela proíbe, por exemplo, a publicidade de cigarros nos postos de venda e o aumento do aviso sobre os problemas causados pelo cigarro que vêm no verso dos maços.
Diante das críticas da oposição, o líder do PT na Câmara, Humberto Costa (PE), afirmou que a mudança foi incorporada pela Câmara dos Deputados, e que o governo se compromete em trabalhar pelo veto.
"Toda essa temática que trada da comercialização do fumo não é original, veio da Câmara dos Deputados. E nós vamos trabalhar para que seja vetado", afirmou o petista
        

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jogos Olímpicos de Atenas/2004 e a atual crise na Grécia


Gasto olímpico grego ilustra a perda de controle das finançasPor VITOR PAOLOZZI*
Valor Econômico 29/06/2011

A realização das Olimpíadas de 2004 foi determinante para a crise da Grécia? Quando se imagina que hoje cada cidadão grego tem uma parcela de aproximadamente US$ 45 mil na dívida do país, é quase inevitável especular o quanto que os gastos desenfreados para viabilizar os Jogos de Atenas ajudaram para cavar o buraco atual. E, apesar de a resposta para a pergunta inicial ser não, um exame da aventura olímpica dos gregos serve para ilustrar por que hoje o país está à porta da União Europeia e do FMI com o pires na mão.

O roteiro percorrido de 1997, quando a cidade foi escolhida como sede, até 2004 traz pelo menos duas semelhanças com a organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016: explosão no orçamento inicial e atrasos nas obras. Até hoje, sete anos após o término dos Jogos de Atenas, não existe um consenso sobre qual foi o valor total gasto.

Em 1997, autoridades gregas e o Comitê Olímpico Internacional estimaram um custo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. No final de 2004, o então ministro das Finanças da Grécia, George Alogoskoufis, disse que a conta bateu em US$ 11,9 bilhões. Em entrevista ao “The Times” londrino em 2009, um ex-integrante do governo, falando anonimamente, disse que o custo foi superior a US$ 17 bilhões. Mas, com a falta de transparência sobre os gastos, há quem estime que o país torrou 20, 25 ou até 30 bilhões de euros.
“No fim, os Jogos não são uma causa fundamental para a dívida grega. Mas talvez o país não devesse ter aceitado fazê-los, porque houve um gasto significativo de dinheiro”, diz ao Valor Spyros Economides, professor da London School of Economics.
Victor Matheson, professor de economia na College of the Holy Cross, em Worcester (EUA), e autor de vários estudos sobre o impacto econômico de grandes eventos esportivos, julga que “as Olimpíadas certamente são um reflexo dos problemas que o país como um todo enfrenta”.
“Neste momento, a dívida da Grécia em proporção ao PIB é de aproximadamente 110%. As Olimpíadas acrescentaram cerca de cinco pontos percentuais nisso. Assim, em termos de tamanho total, os Jogos são uma pequena parte do problema. Contudo, eles levaram a gastos perdulários que não foram pagos e que talvez tenham reiniciado o hábito da Grécia de gastar em excesso”, diz.

Para Jason Manolopoulos, autor do livro “Greece’s Odious Debt”, recém-publicado nos Estados Unidos e no Reino Unido, as Olimpíadas são “apenas mais um exemplo de má administração, corrupção, clientelismo e pensamento de curto prazo.”
No ano passado, o ex-ministro dos Transportes Tassos Mantelis admitiu em depoimento ao Parlamento grego ter recebido propina de US$ 120 mil em 1998 da Siemens. A empresa alemã é suspeita de subornar autoridades gregas para vencer concorrências para equipamentos de segurança empregados na vigilância dos Jogos.
Segundo a revista alemã “Der Spiegel”, também a operadora de ferrovias Deutsche Bahn possivelmente recorreu a subornos para ganhar a concorrência de um contrato do metrô de Atenas.

Além da corrupção, os Jogos também forneceram exemplos de ineficiência, má administração e planejamento falho. Houve atrasos nas obras, o que obrigou gastos extras para terminá-las em tempo. E, hoje, várias das instalações construídas para abrigar as competições estão abandonadas. O pior, no entanto, é que as despesas continuam correndo. No ano passado, a imprensa grega revelou que a agência criada para administrar a Vila Olímpica vem aumentando desde 2006 o seu número de funcionários, contratando profissionais como designers gráficos, especialistas em comunicação e psicólogos.

Após a amarga experiência olímpica grega, Manolopoulos e Economides apontam algumas lições para o Brasil. “Um projeto de infraestrutura, como o do metrô, vale mais do que uma cobertura luxuosa para um estádio”, diz Manolopoulos. “O principal é manter os custos tão baixos quanto possível, e não ser extravagante, fazendo construções que serão inúteis. Creio que está ficando cada vez mais difícil justificar para um contribuinte porque se deve promover esses Jogos se eles vão custar uma soma fenomenal de dinheiro”, completa Economides.
*Vitor Paolozzi é jornalista

    Fonte Valor Economico Valor Econômico, publicado em 29/06/2011 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LIXO IN RIO - Cerca de 80% do lixo produzido em todo o estado ainda têm destinação inadequada

Ratos e urubus rasgam a fantasia
Cerca de 80% do lixo produzido em todo o estado ainda têm destinação inadequada
Publicada em 09/10/2011 às 23h34mEmanuel Alencar (emanuel.alencar@oglobo.com.br)

 

RIO - A três anos da Copa do Mundo, no retrato do lixo urbano do Estado do Rio há urubus, crianças pisando em seringas e solo contaminado. Lixões a céu aberto, vazadouros clandestinos e aterros sem adequação ambiental ainda recebem 79,4% do total de resíduos domiciliares e daqueles recolhidos nas ruas do estado. Nada menos que 14 mil toneladas de lixo por dia são despejadas sem o controle necessário. Os dados foram levantados pelo GLOBO, com base em informações da Secretaria estadual do Ambiente e da Comlurb. Enquanto os aterros sanitários em operação - depósitos adequados que recebem apenas 20,6% do lixo diário - somam 14, há pelo menos 49 lixões. Sem contar os 189 vazadouros clandestinos.

VÍDEO: Coordenador de projetos da Comlurb dá detalhes sobre impasse em Gramacho

FOTOGALERIA: Confira mais imagens de Jardim Gramacho

INFOGRÁFICO: O raio x do lixo no Estado do Rio

O panorama põe em risco o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei 12.305/2010 - que completou um ano em agosto. A legislação é clara: em 2014 os lixões a céu aberto e aterros controlados, como o de Jardim Gramacho, devem ser erradicados. E os estados e municípios que não apresentarem seus planos de resíduos em agosto do ano que vem perdem o direito de receber financiamento federal. Um desafio que a cada dia ganha contornos mais dramáticos. A reciclagem no Rio, por exemplo, não passa de 0,5% do total de resíduos gerados diariamente, segundo dados da Secretaria do Ambiente.

Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em resíduos domésticos, Emilio Eigenheer ainda vê uma solução distante. Para ele, o principal gargalo está nos municípios do interior.

- Temos uma economia que está gerando lixo a níveis de países desenvolvidos e uma estrutura que não chegou ao século XX. Em um ano de lei quase nada avançou. Na Região Metropolitana, teremos ganhos mais rápidos, com as grandes empresas construindo aterros privados. Mas no interior, onde a produção de lixo é pequena, as empresas não vão - diz Eigenheer. - Não há mágica. Quando as prefeituras têm dinheiro, acabam resolvendo. A grande dificuldade é ter verba para bancar este negócio permanentemente. Entraves políticos nos consórcios

Os tímidos avanços refletem uma questão aparentemente trivial: quem vai pagar esta conta? O caso do lixão de Babi, em Belford Roxo, Região Metropolitana, é emblemático. Construído com dinheiro da multa do vazamento de óleo da Petrobras, na Baía de Guanabara, em 2000, acabou virando lixão, lembra o secretário do Ambiente, Carlos Minc. Hoje o depósito, onde até crianças atuam como catadores, tem um rio de chorume - resultado líquido da decomposição do lixo orgânico - e porcos circulando

.

- As obras jamais foram concluídas, mudou o prefeito e já era. É por isso que apostamos em consórcios intermunicipais. Um aterro pequeno vira lixão em três semanas - afirma Minc, que reconhece as dificuldades, mas garante que a lei será cumprida "com folga". - Posso garantir o fim dos lixões da Região Metropolitana em dois anos. Com Seropédica em operação total, avançaremos muito.

Na prática, os entraves políticos não sugerem tanto otimismo. Dos 15 consórcios previstos no estado, apenas dois já estão firmados. E o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Teresópolis, o primeiro aterro construído com dinheiro público, só está enterrando adequadamente lixo do próprio município. Muitos prefeitos relutam em jogar seus rejeitos em aterros sanitários por causa do preço, que chega a R$ 100 por tonelada. Transferir os custos para a população, via taxas de lixo, é assunto proibido num país que vive sob disputa eleitoral, observam especialistas. Minc afirma que o governo do estado investe anualmente R$ 30 milhões do Fecam no programa "Lixão Zero":

- Eu tenho que fazer o aterro, dar dinheiro para o remediar o lixão, e no caso do aterro sanitário privado, subsidiar as prefeituras. Os consórcios estão caminhando. O mais difícil foi a costura política - defende-se Minc.

- Só vamos conseguir reverter este quadro quando se pagar pelo serviço de coleta de lixo. É o princípio mundial do gerador-pagador, consagrado na Europa - opina o diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho. - A coleta e destinação adequada é igual a outro serviço qualquer, como o fornecimento de gás e energia. E, como tal, precisa ser remunerado. Do contrário não há sustentabilidade. Em destinação de resíduos, o Rio está atrás de Rio Grande do Sul, onde 70% do lixo produzido por dia vão para aterros sanitários, e de São Paulo, com índice superior a 50%.

O aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, ainda é o destino de 70% do lixo domiciliar e do recolhido nas ruas da capital, segundo a Comlurb. Em março, o secretário Carlos Minc anunciava o encerramento do lixão para dezembro, com a ativação total do aterro sanitário de Seropédica. A Comlurb agora estipula o fechamento para junho de 2012. Gramacho vive um impasse. Os cerca de 1.300 catadores ainda não sabem o que fazer a partir do fim da atividade. O fundo que deveria ter sido criado para ampará-los - abastecido com dinheiro da venda do biogás da Novo Gramacho à Petrobras - ainda não saiu do papel.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/09/cerca-de-80-do-lixo-produzido-em-todo-estado-ainda-tem-destinacao-inadequada-925542533.asp#ixzz1aNYQA49d



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PIUÍ,APITA O TREM DA ALEGRIA OLÍMPICO


APO na mira
Por Lauro Jardim 
A medida provisória que cria a Autoridade Pública Olímpica está na mira da oposição na Câmara. DEM e PSDB até concordam com importância da criação da entidade, mas cobrarão explicações do governo quanto à criação dos 484 cargos previstos na MP. Os contratados receberão salários de até 22 100 reais.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

MEIO-AMBIENTE - Governo pede R$ 1,3 bilhão ao BID para despoluição da Baía de Guanabara (via SRZD)


   
Governo pede R$ 1,3 bilhão ao BID para despoluição da Baía de 
Guanabara. Foto: Divulgação.O governo do Estado do Rio de Janeiro pediu um empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de um R$ 1,3 bilhão para despoluir a Baía de Guanabara. O valor também será aplicado nas obras de recuperação das lagoas da Barra e de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a secretária estadual de Ambiente, Marilene Ramos, a revitalização destas áreas está na lista de encargos dos Jogos Olímpicos de 2016.

Marilene afirmou que os projetos devem ser concluídos até a Copa do Mundo de 2014. Segundo ela, a qualidade ambiental vai melhorar já durante a obra. O governo do Rio espera que as primeiras parcelas do empréstimo sejam liberadas até abril de 2011.

domingo, 25 de abril de 2010

JOGOS 2016 - COB pede cerca de R$ 250 milhões em investimento público para Rio 2016


   
O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) pediu ao Ministério do Esporte o envio de cerca de R$ 250 milhões em investimento público para os Jogos do Rio-2016, segundo informações de um dos dirigentes olímpicos envolvidos no programa.
Atualmente, as entidades recebem cerca de R$ 34 milhões pela Lei Piva. O comitê não confirmou nem desmentiu o número. Essa diferença entre o investimento atual e o almejado é mais acentuada entre as modalidades de menor tradição no Brasil, como o Boxe, que recebeu só R$ 1,2 milhão em 2008.
Seu projeto para o governo prevê R$ 40 milhões em seis anos e meio, ou cerca de R$ 6 milhões por ano. "Por se tratar de alto rendimento, tem que ter metas. Mas tem que vir o investimento", defendeu o presidente da confederação, Mauro Silva.

JOGOS 2016 - Projetos para Jogos Olímpicos do Rio-2016 já têm atrasos


   
RODRIGO MATTOS
da Reportagem Local


Apenas sete meses após o Rio ganhar a disputa para sede olímpica, já há atraso em projetos esportivos e de organização para os Jogos de 2016.
Até agora não foi liberado nada dos R$ 300 milhões prometidos pelo Ministério do Esporte em novembro. A verba daria início a programas olímpicos, e parte desse dinheiro --R$ 120 milhões-- seria aplicada especificamente no plano para tornar o país uma "potência".
Só que a proposta para instituí-lo está travada há quase cinco meses no governo, que recebeu em dezembro pedidos de verbas das confederações olímpicas. "O Ministério do Esporte está finalizando uma proposta de incremento do esporte olímpico e paraolímpico no país", informou a assessoria da pasta.
O principal motivo para a paralisação é uma discussão entre o comitê e o governo em relação ao formato do projeto, segundo dirigentes das confederações. A entidade e a pasta negam as desavenças.
Enquanto isso, confederações já relataram um atraso no plano de longo prazo para 2016.
"Quando o presidente [Carlos Arthur] Nuzman nos convocou, definiu um prazo curto para os projetos. Entendíamos que o investimento seria imediato", contou o presidente da Confederação de Pentatlo, Hélio Meirelles. "O número de tarefas que temos pela frente é muito grande".
As modalidades de menos recursos foram as mais prejudicadas. "Praticamente, perdemos um ano de preparação", afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo.
Os esportes com mais tradição no país sofreram menos danos. 'Não tivemos atrasos. Não deixamos de fazer viagens. Podem ser feitas adequações posteriores quando vier a verba'', explicou o presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley.
As confederações levaram cerca de R$ 34 milhões pela Lei Piva no ano passado. Esse valor pode triplicar com a liberação de verba prevista pelo governo. E pode até ser multiplicado por sete se todas as reivindicações forem atendidas.
Há ainda o caso das duas confederações que receberam status de olímpicas, golfe e rúgbi, que só terão verbas da Lei Piva a partir de 2012, segundo COB. Por ora, só terão recursos do comitê por meio de projetos esporádicos. "Ainda estamos em negociação com o COB", contou o presidente da confederação de golfe, Rachid Orra.
Fora do campo esportivo, o ministério também fez pouco. Até agora não houve recurso governamental para o Comitê Organizador Rio-2016.
Ainda com uma equipe reduzida, como previsto, o comitê tem sido administrado com verba privada de sobras da campanha olímpica. Foram R$ 5,5 milhões restantes do investimento feito por empresas e pelo empresário Eike Baptista.
Em outubro, o ministério dizia que também tinha "restos da candidatura" e que parte seria repassada até o final daquele ano ao comitê. Houve outra promessa, de R$ 15 milhões, do total inicial a ser investido.
Outra tarefa nas mãos do governo é a constituição da APO (Autoridade Pública Olímpica), órgão que tocará as obras por parte da administração pública, com governos municipal, estadual e federal. O COI pedira que estivesse pronta em abril.
Mas a APO só deve ser apresentada em maio, na visita do comitê internacional ao Brasil. Isso porque o seu formato ainda é discutido pelos governo.
O Rio-2016 cumpriu os prazos combinados com o COI para estabelecer seu estatuto e boa parte de seus integrantes.
Mas, na esfera do governo, os primeiros passos olímpicos têm sido lentos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

JOGOS 2016 - Prefeito do Rio fala em alterar projeto para receber Jogos-2016

da Efe, no Rio de Janeiro
O projeto para organizar os Jogos Olímpicos-2016 poderá sofrer algumas alterações, afirmou nesta quinta-feira o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante a cerimônia de inauguração do seminário "A Olimpíada e a Cidade: Conexão Rio-Barcelona".
"Os ajustes são possíveis e espero que contem com o apoio do Comitê Olímpico Internacional", disse o prefeito.
"Assumimos um compromisso com o COI [Comitê Olímpico Internacional] e o cumpriremos, mas temos que pensar em Jogos Olímpicos que beneficiem a cidade", acrescentou Paes.
O prefeito explicou que os Jogos devem servir também para revitalizar o porto e o centro do Rio, áreas atualmente degradadas e que não serão palco de competições.
Paes citou como exemplo Barcelona, que conseguiu revitalizar seu porto e o centro histórico com um projeto para os Jogos Olímpicos de 1992, que transformou totalmente a cidade espanhola.
"Estamos discutindo possíveis modificações, mas por enquanto não há nada de concreto", disse o prefeito ao ser questionado sobre as revisões que pretende apresentar ao COI.
Paes afirmou que espera apresentar uma proposta concreta em maio e que sua preferência é por um projeto que leve em conta a revitalização da zona portuária.
O projeto de candidatura aprovado pelo COI e com o qual o Rio de Janeiro venceu a disputa com Madri, Tóquio e Chicago para sediar os Jogos de 2016 concentra a maior parte das competições na Barra da Tijuca.
Paes assegurou que, quando o projeto de candidatura foi apresentado, era difícil pensar no porto como alternativa.
Segundo ele, naquela época não havia planos para revitalizar a zona portuária com centros culturais e novas infraestruturas, e que o COI teria rejeitado qualquer iniciativa prevista para essa região.
"Antes era impensável, mas hoje é possível apresentar a zona portuária como alternativa. Respeitaremos os contratos e os compromissos assumidos, mas temos que refletir sobre o que vamos fazer para que os Jogos beneficiem toda a cidade e recuperem áreas degradadas", disse o prefeito.
A possibilidade foi apoiada pelo ex-prefeito de Barcelona Pasqual Maragall, que ocupou o cargo durante os Jogos Olímpicos de 1992 e vai assessorar o planejamento da edição de 2016.

 

 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

COB leva maior delegação da história para Vancouver

Por Blog do Erich Beting em 05/02/2010


O título desse post é irônico, mas também pode ser considerado trágico. No próximo dia 12 tem início os Jogos Olímpicos de Inverno, na cidade canadense de Vancouver. E o Brasil contará com a maior delegação da história de uma edição de Jogos de Inverno.
Não, infelizmente não me refiro aqui aos cinco atletas que lá estarão. Sim, isso mesmo. São apenas cinco competidores do país em solo canadense: Leandro Ribela (cross country), Jacqueline Mourão (cross country), Isabel Clark (sowboard), Jonathan Long (esqui alpino) e Maya Harrison (esqui alpino).
Já que por aqui só se pensa em futebol, teríamos no máximo um time de futsal para entrar em ação. Mas, se nossos atletas decidissem fazer uma partida contra a delegação de cartolas brasileiros presentes em Vancouver, tomariam de goleada. 
O COB anunciou hoje que 39 pessoas estarão na cidade canadense para acompanhar a organização dos Jogos de Inverno. Não, você não leu errado. São 18 profissionais que trabalham no Rio 2016 e outros 21 (!!!!!!) representantes de município, estado e governo federal!
"O programa de Observadores é uma importante oportunidade de integração com outros comitês organizadores. A experiência de realizar os Jogos Olímpicos é única em todos os setores", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do Comitê Organizador do Rio-2016, para justificar a ida dessa gentaiada toda para o Canadá.
Sem dúvida que "a experiência de realizar os Jogos Olímpicos é única". Mas existe uma brutal diferença entre Jogos Olímpicos de Inverno e Jogos Olímpicos de Verão. A começar pelas modalidades praticadas. Não será útil, em NENHUMA HIPÓTESE, saber como organizar uma etapa do cross country, ou de snowboard. Melhor seria mandar essa turma estudar gestão de eventos esportivos na Universidade que tem a chancela do Comitê Olímpico Internacional. Aprender com quem está gerenciando Londres-2012. Ou ficar em casa.
Sim, conhecimento sempre é bom. Mas o COB e seu presidente Nuzman são mestres em tentar justificar essa necessidade de conhecer para gastar dinheiro onde não precisa.
Enquanto o país não aprender que, sem atleta, não existe esporte e, sem esporte, não existe dirigente esportivo, estaremos fadados a acumular muitas milhas de viagem. E a assistir pela televisão a meia dúzia de abnegados que se tornam, por simples paixão, atletas de alto rendimento. No caso de Vancouver, nem meia dúzia. 
A oportunidade para mudar é agora. Do contrário, continuaremos a depender da verba pública para bancar o esporte no país.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Blair o que é de César - por Fernando Duarte

Um factóide de proporções olímpicas. Não há outra explicação para a decisão da Rio 2016 de oferecer ao Tio Tony um bico de consultor na organização das primeiras olimpíadas em solo sul-americano. O problema é que o tipo de propaganda que pode acabar sendo feita em decorrência da ‘’compra’’ do passe de Blair.

Carisma, o ex-premier britânico tem de sobra. Basta lembrar que sua presença na candidatura de Londres aos Jogos de 2012 foi considerada por meio mundo um dos trunfos com que a capital do Reino Unido tirou de Paris uma vitória que parecia sacramentada na votação do Comitê Olímpico Internacional em 2005. Blair encabeçou a articulação política – foi, por exemplo, o único chefe de estado das cidades candidatas a comparecer aos Jogos de Atenas.

Vale lembrar, porém, como ficou bastante claro na vitória carioca do ano passado, que peso político é apenas parte da fórmula para ganhar votos dos delegados do COI. Barack Obama armou um circo danado com sua passagem relâmpago por Copenhague, mas esbarrou nas deficiências da candidatura de Chicago. Foi com o melhor projeto, apesar das pitadas de carisma emprestadas por Lula e a mostra impecável de preparo dada por Sérgio Cabral e Eduardo Paes, que o Rio levou a melhor.

Londres enfrentou Paris com um projeto combinando austeridade e legado, afastando-se do gigantismo propagandístico de Pequim e que se concentrava também no que ocorreria depois das duas semanas de competições. Liderado por um herói olímpico, o meio-fundista Sebastian Coe, ultrapassou Paris com um sprint na reta.

Outro ponto é que tanto Blair como Lula têm poder reduzido longe de um mandato. E no caso do ex-líder britânico, sua saída foi bastante conturbada graças à maneira como ele e George ‘’Dubya’’ Bush foram a Bagdá. Paulo Coelho aponta o dedo e classifica o Tio Tony como criminoso de guerra, uma visão que embora transpire paixão em demasia, é adotada por muita gente no Reino Unido e no mundo que não engoliu a maneira como a invasão do Iraque foi planejada e executada.
E o recente depoimento de Blair no Inquérito Chilcot, que investiga a participação britânica na operação militar, voltou a cutucar os insatisfeitos quando o ex-premier não só disse que faria tudo de novo como resolveu defender procedimento semelhante em relação ao Irã.
 
Tio Tony tampouco gerou boa publicidade com a revelação de que fez um senhor pé de meia desde que deixou Downing Street: pelo menos US$ 20 milhões entre palestras, consultorias e afins. Calcula-se por aqui que o homem ganha pelo menos US$ 3 mil por minuto em discursos e o ‘’Guardian’’ recentemente revelou uma intrincada teia contábil usada por Blair para movimentar o dinheiro que também recebe como doações para sua Faith Foundation, a ONG com que se dispõe a promover tolerância religiosa ao redor do mundo.
Sim, o homem tem bons contatos – tanto que um dos trabalhos paralelos a seu trabalho oficial (o de enviado de EUA, Rússia, ONU e União Européia para o Oriente Médio) é o de consultor para o banco americano J.P. Morgan. Mas a duvida é se o Rio e o Brasil realmente vão precisar do moleskine do Tio Tony quando a própria apresentação carioca em Copenhague teve o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltando perspectivas crescimento econômico endossadas até mesmo por organismos internacionais.
O governador Sérgio Cabral fala na importância de uma ponte para que o Rio assimile as lições de organização de Londres. Pelo que testemunhei desde a vitória de 2005, uma das principais ações e lições do Comitê Organizador de 2012 foi o de definir muito bem os limites entre ações técnicas e políticas.
Ainda que Cabral tenha deixado claro que será dinheiro privado caindo no bolso de Blair, fica a impressão de gasto redundante. Garoto-propaganda (no melhor sentido possível, que fique bem claro), já há de sobra na Rio 2016.

Cabral defende participação de Tony Blair como consultor da Rio 2016

Publicada em 01/02/2010 às 23h24m
O Globo

RIO - O governador Sergio Cabral, que está em viagem no exterior, defendeu nesta segunda-feira a participação do ex-primeiro ministro britânico Tony Blair como consultor do estado na preparação dos Jogos Olímpicos de 2016. No domingo, o escritor Paulo Coelho criticou a escolha do ex-ministro e iniciou um protesto no Twitter. Coelho é contra a participação de Blair porque ele foi favorável à guerra no Iraque.
Para Cabral, ter a ajuda do ex-ministro é uma prova de que o Rio está sintonizado com as experiências internacionais. O governador afirmou ainda que Blair foi o maior responsável pela organização dos Jogos em Londres:
- O ex-primeiro-ministro foi o grande responsável não só pela conquista dos Jogos Olímpicos em Londres em 2012, mas sobretudo pela estruturação da excepcional organização para as Olimpíadas de 2012, que a delegação do Rio acabou de verificar mais uma vez em missão oficial a Londres - afirmou.

Cabral defendeu ainda o ex-ministro como um dos mais importantes líderes mundiais.
-Tony Blair tem sido solicitado no mundo inteiro para palestras e responsabilidades, como no caso do Oriente Médio, que lhe foi conferida pelo G-8. Ele é uma personalidade respeitada e um dos mais importantes chefes de estado dos últimos 25 anos em todo o mundo - disse Cabral, que ontem estava em Madri.
Em seu protesto na internet, Paulo Coelho disse que sentiu vergonha ao ver Blair com a camisa da seleção brasileira numa foto ao lado do governador.
(Correspondente comenta indicação de Blair: 'Factoide de proporções olímpicas')