Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 22 de abril de 2012

WATERGATE - Morre Charles Colson, assessor de Nixon

Morre Charles Colson, assessor de Nixon preso por participação no Watergate
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Charles Colson, ex-assessor especial do presidente americano Richard Nixon e que foi preso por sua participação no escândalo Watergate, morreu aos 80 anos por complicações de uma operação cerebral à qual se submeteu no mês passado, informou neste sábado (21) a imprensa dos Estados Unidos.
Caso WatergateColson fazia parte do comitê de reeleição de Nixon, que desenvolveu as tentativas de espionar o Partido Democrata em 1972.

Previamente havia tentado desacreditar o analista do Departamento de Defesa, Daniel Ellsberg, responsável pelo vazamento dos chamados "Papéis do Pentágono", documentos que revelaram a autêntica situação da Guerra do Vietnã e o que pensava o departamento sobre esse conflito.

Nessa tentativa, Colson utilizou um grupo encoberto, encarregado de investigar os vazamentos da Casa Branca, para que invadisse o escritório do psiquiatra de Ellsberg na busca de material contra o analista.

O então alto funcionário se declarou culpado da tentativa de obstrução da justiça em suas manobras contra Ellsberg, embora outras acusações relacionadas diretamente com o escândalo Watergate ou com a participação direta na invasão do escritório do psiquiatra tenham sido desprezadas.
Peter Dejong - 2.ago.00/Associated Press

Charles Colson durante conferência evangélica em Amsterdã; ex-assessor de Nixon morreu aos 80 anos

A vida após a prisão
Colson foi preso após se declarar culpado de obstrução da Justiça e acabou cumprindo sete meses de prisão. O homem que chegou a dizer que estaria disposto a pisotear sua avó para conseguir a reeleição de Nixon dedicaria o resto de sua vida à assistência espiritual aos presos e escreveu mais de 20 livros.

Ele disse ter experimentado um "despertar religioso" que o levou a fundar a maior organização religiosa para presidiários.
A morte Sua morte foi anunciada por Jim Liske, diretor da organização de assistência espiritual aos presos Prison Fellowship Ministries, que Colson ajudou a fundar após sua prisão, quando se tornou evangélico.

Nascido no dia 16 de outubro de 1931, em Boston, Colson morreu no Hospital de Inova Fairfax, Virgínia.


    

domingo, 26 de fevereiro de 2012

OPERAÇÃO BLACK OPS - Atletas são denunciados à Justiça por contrabando. Ação criminal contra 90 é extinta

Para MPF, Diguinho e Emerson também poderão responder por lavagem de dinheiro

POR Gabriela Moreira

Rio - Os jogadores de futebol Diguinho, do Fluminense, e Emerson, do Corinthians, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por contrabando e lavagem de dinheiro, pela compra de uma BMW X6 branca importada ilegalmente dos EUA. A decisão, que será apreciada pela Justiça Federal, pode trazer problemas ao Tricolor das Laranjeiras e Alvinegro do Parque São Jorge (SP).

Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Caso se tornem réus no processo, os jogadores só poderão deixar o País com autorização judicial. Ou seja, terão de pedir permissão para jogarem as partidas no exterior pela Taça Libertadores, assim como caberá à Justiça a autorização para possíveis transferências para clubes estrangeiros.
Fora das quatro linhas, a vida dos atletas poderá ficar ainda pior. Em caso de condenação, a pena para ambos os crimes é de prisão, de no mínimo quatro anos, podendo chegar a 14 anos. A denúncia foi feita na semana em que o Fluminense se classificou para a final da Taça Guanabara, hoje.

Como O DIA publicou com exclusividade em dezembro, Emerson e Diguinho criaram uma ‘cadeia artificial de compra e venda’ do veículo, segundo o processo, chegando a emitir cinco notas fiscais entre eles e a loja que importou a BMW, a Euro Imported Cars, do bicheiro Haylton Scafura, foragido da Justiça.
Foto: Carlos Moraes e Rafael Neddermeyer / Agência O Dia
Foto: Carlos Moraes e Rafael Neddermeyer / Agência O Dia

CONTRADIÇÃO
Em depoimento, eles caíram em contradição. Emerson colocou a culpa pela compra do carro num vendedor de Vila Isabel e disse ter falado com Diguinho após o carro ter sido apreendido pela PF apenas por mensagem de texto. Já Diguinho declarou que falou por telefone com o colega do Corinthians e os dois se encontraram e conversaram sobre a apreensão.

As investigações mostraram ainda que Emerson fez um depósito diretamente na conta da empresa do israelense Jehuda Kazzab, morador de Miami, nos Estados Unidos, e que é réu no processo. De acordo com a denúncia, Jehuda, conhecido como Udi, teria se associado à quadrilha do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, e do filho dele, Haylton Escafura.

A BMW de Emerson e Diguinho teria sido trazida de forma ilegal para o País, pela máfia dos caça-níqueis, em associação com uma quadrilha israelense.

TRANSAÇÕES
No Brasil, a BMW X6, quando zero, é avaliada em cerca de R$ 300 mil, mas foi declarada por Emerson por R$ 200 mil. Após três meses com o carro, o atleta vendeu o bem para Diguinho, alegando à Justiça que não gostou da cor do estofado. Confira a transação que foi feita entre eles:

29/10/2010 — Emerson compra a BMW da Rio Bello por R$ 200 mil (Nota Fiscal 12).
20/12/2010 — Ele devolve o carro à loja e recebe a quantia de R$ 160 mil (Nota Fiscal 30). No mesmo dia, Diguinho compra a BMW por R$ 200 mil (Nota Fiscal 31).
10/01/2011 — Ele devolve o carro (Nota Fiscal 34). Horas depois, compra novamente (Nota Fiscal 35).

No processo, os advogados de Diguinho disseram que a BMW foi comprada em março passado, por R$ 315 mil. Segundo investigações, esta não foi a primeira compra irregular de Emerson. O corintiano ainda comprou um Camaro e um terceiro carro motor V8, modelo não identificado.

Ação criminal contra 90 é extinta
A BMW de Diguinho e Emerson foi apreendida na Operação Black Ops, da PF, com outros 102 carros, em outubro. Mas, semana passada, a 3ª Vara Criminal Federal extinguiu a ação penal contra 90 desses proprietários. Segundo a decisão, a extinção foi provocada pela ausência de denúncia contra eles, a maioria moradora de outros estados.

O MPF afirma que a competência da denúncia contra estes proprietários é da Justiça dos estados de origem. Além disso, o MPF aguarda o fim da ação administrativa da Receita Federal, contra os donos dos veículos. Os carros não serão liberados enquanto a Receita não finalizar a ação, que pode decretar a perda dos bens.

Fonte O Dia  
   

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

EM BOCA RATTON - Conheça o refúgio milionário de Ricardo Teixeira nos Estados Unidos

Presidente da CBF escolhe mansão de R$ 2 milhões para se refugiar em meio a denúncias e possibilidade de renúncia
A entrada do condomínio de luxo no qual Teixeira tem uma mansão avaliada em R$ 2 milhões
(Foto: Fernando Santos)
Fernando Santos
Em Boca Raton (EUA)

A escolha parece ter sido feita a dedo. Entre as cidades de Boca Raton e Palm Beach, próxima a Miami, Ricardo Teixeira se refugia num condomínio de alto luxo com acesso pela sugestiva Champion Boulevard.

É uma mansão cercada por um exclusivo campo de golfe o abrigo americano do presidente da CBF. Na última sexta-feira, ele voou para lá, quando deixou o Brasil em meio a denúncia de um depósito milionário na conta de sua filha de 11 anos e notícias cada vez mais intensas de que, acuado e perdendo poder político, deixaria o seu cargo no comando do futebol brasileiro.

E MAIS:
- Teixeira tem sala em seu nome no aeroporto de Boca Raton
- CBF: rebeldes ameaçam barrar mudança estaturária
- Em contra-ataque, Teixeira marca Assembleia na CBF
- Permanência de Teixeira surpreende federações rebeldes
- Aliados de Teixeira não veem problema em depósito de Rosell
- Por CBF, Lopes pode até peitar Teixeira

O cartola estava, pelo menos até segunda-feira, numa casa luxuosa no número 5896 da Vintage Oaks Circle, que fica dentro do condomínio The Polo Club. Este é um de dois endereços registrados na Florida em nome de Ricardo Terra Teixeira, 64 anos, nascido em 20 de junho de 1947, exatamente como consta nos documentos pessoais do dirigente.

O outro endereço é uma sala no aeroporto para jatinhos particulares de Boca Raton, segundo documento público obtido pelo LANCENET! através da empresa de rastreamento de dados Intelius, sediada em Washington, a capital americana (leia na página ao lado). De acordo com esse documento, a mansão de Teixeira está avaliada em US$ 1.177.542 (R$ 2,017 milhões) Ela não está registrada em nome do dirigente. O proprietário é a empresa Joio Properties Lic. No registro público, porém, consta se tratar do “endereço” de Teixeira.

Refúgio fica em área que até praias são privativas (Foto: Fernando Santos)
A mansão tem 1.324,36 metros quadrados. Só a garagem tem 227,38 metros quadrados. São três quartos e quatro banheiros. A casa foi construída em 1997, quando foi comprada pela Globul Anstalt por US$ 924.400 (R$ 1,8 milhão em valores da época). Em 1 de março de 2001, a Joio Properties Lic. comprou a mansão por US$ 800 mil (R$ 1,6 milhão em calores da poca), o que corresponde a uma desvalorização em uma área onde a tendência é sempre de alta.

O condomínio The Polo Club é um entre pelo menos dez na região de Boca Raton que mantém o mesmo estilo: casas luxuosíssimas em volta de um exclusivo campo de golfe.

No caso do The Polo Club, o campo para os golfistas fica logo à direita da portaria de entrada. Bem ao lado fica o Palm City Polo, um centro de equitação, que é uma das paixões do dirigente e de sua filha.

Segundo anunciou a CBF na semana passada, Teixeira negou a renúncia imediata e prometeu retornar a suas atividades na entidade “após o Carnaval”. Certamente, com saudades de um local exclusivo e para poucos endinheirados.

RESIDÊNCIA É SEDE DE EMPRESA
A casa onde Teixeira está também é sede de uma empresa que o dirigente abriu em 20 de janeiro em sociedade com sua mulher, Ana Carolina Wigand Pessanha Rodrigues. De acordo com reportagem da “Folha de S.Paulo” publicada sábado, o número 5896 da Vintage Oaks Circle está registrado como sede da Kronos Capital Investiments. A empresa de Teixeira, segundo registro público, tem como objetivo “fazer todo e qualquer negócio dentro da lei”. O registro da casa, porém, é residencial, e não comercial.

DIRIGENTE ATENDE O INTERFONE DA MANSÃO
Ricardo Teixeira atendeu o interfone na manhã de segunda no condomínio The Polo Club, na ligação feita pelo segurança para o número 5896 da Vintage Oaks Circle.

A reportagem do LANCENET! chegou ao local por volta de 10h. O segurança confirmou o endereço e pediu a identificação do visitante para liberar a entrada.

Em seguida, o segurança ligou para o endereço de Teixeira, que disse não estar esperando ninguém naquele momento.

Como Teixeira se recusa a falar com o LANCENET! há vários anos, sem explicar denúncias feitas pelo Diário e outros órgãos de imprensa, a reportagem não insistiu em falar com o dirigente. Apenas questionou o segurança:

– Neste endereço mora uma pessoa chamada Ricardo Teixeira?

– Sim, foi ele quem atendeu a ligação – respondeu o segurança.

Em seguida, a reportagem pediu para fotografar a entrada do condomínio e o campo de golfe que fica logo à direita da portaria. O segurança não se opôs:

– Por mim, não há problema.

Porém, após alguns cliques já dentro do condomínio, dois seguranças num veículo da frota interna determinaram à reportagem do LANCENET! que deixasse o local.

Fonte LANCENET http://www.lancenet.com.br/minuto/Exclusivo-refugio-milionario-Ricardo-Teixeira_0_650934909.html#ixzz1n6qevKkN

sábado, 18 de fevereiro de 2012

MANSÃO NOS EUA - Ricardo Teixeira tem empresa com sede em Miami

Por Filipe Coutinho

Há um mês, o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014), Ricardo Teixeira, montou na Flórida, nos Estados Unidos, uma empresa, sediada numa mansão, para investir dinheiro fora do Brasil.

VEJA TAMBEM
O dirigente viajou na sexta-feira para a Flórida. A abertura da empresa, a Kronos Capital Investiments, indica que, enquanto ele discutia uma saída do Brasil, já preparava a estrutura burocrática para viver fora do país.

OUTRO LADO
A assessoria de imprensa de Ricardo Teixeira disse ontem que o cartola não deu informações sobre a abertura de empresa e tampouco se irá morar fora do Brasil.
Segundo a assessoria, ele visita a Flórida com frequência há mais de 20 anos, mas vai a um local diferente de onde fica sediada a empresa. Além disso, reafirma que os negócios do dirigente são declarados à Receita Federal.

Reprodução Google
Imagem do Google com a casa (em destaque) em que funciona a empresa do cartola em Delray Beach
Imagem do Google com a casa (em destaque) em que funciona a empresa do cartola em Delray Beach

Fonte Folha
   

domingo, 29 de janeiro de 2012

DESVIO DE VERBAS - Renascer em condenações


 
A bispa Sônia Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, foi condenada a devolver R$ 785 mil aos cofres públicos. Em 2004, esse dinheiro foi repassado à Fundação Renascer, presidida pela bispa. Deveria ter sido aplicado na alfabetização de 8 mil pessoas. Não há provas de que tenha sido gasto para esse fim. Pior: os recursos foram sacados na boca do caixa e não podem ser rastreados. As irregularidades levaram o Tribunal de Contas da União a multar Sônia Hernandes em mais R$ 100 mil. Não chega a ser surpresa num currículo que inclui prisão nos Estados Unidos e acusações por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica no Brasil. Os advogados da pastora dizem que ela ainda não foi informada da sentença.

Felipe Patury

   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SUCO DE LARANJA SUSPENSO - EUA suspendem importação de suco de laranja

Americanos alegam presença de fungicida proibido no suco de laranja brasileiro
 
O Estado de S. Paulo
 
NOVA YORK - O governo dos Estados Unidos suspendeu ontem as importações de suco de laranja do Brasil e outros países por conta da presença de um fungicida na bebida que é proibido no mercado americano. A suspensão foi decidida pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), segundo informações da agência de notícias ‘Bloomberg’.
O governo brasileiro foi pego de surpresa pela notícia, mas o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, prometeu que vai mostrar que a situação do suco exportado é regular. "O que os Estados Unidos dizem da laranja, os russos dizem da carne", argumentou. Ao embargarem a compra de carnes brasileiras em junho do ano passado, os russos alegaram que o produto brasileiro não apresentava todas as especificações necessárias para entrar naquele país.
Além de vetar a entrada do suco, o órgão americano planeja destruir ou proibir a comercialização do produto que já foi importado se testes encontrarem qualquer nível do fungicida carbendazim, que é usado em pomares brasileiros e europeus, mas proibido nos Estados Unidos. Os resultados dos testes feitos em cargas que já se encontram em portos americanos devem sair ainda nesta semana.
Risco. Traços do fungicida, que estudos relacionam ao aumento do risco de tumores no fígado em animais, foram encontrados em suco de laranja produzido no Brasil e exportado aos EUA. Os americanos compram 15% de todo o suco brasileiro, maior produtor mundial da bebida. Em termos de valor, os EUA absorvem US$ 300 milhões dos US$ 2 bilhões que o Brasil exporta anualmente da bebida.
De acordo com a Bloomberg, o governo dos EUA também vai testar o suco que já foi colocado à venda. Isso porque o produto comercializado no mercado americano contém, geralmente, uma mistura de suco importado com o produzido domesticamente, explicou Siobhan DeLancey, porta-voz da FDA.
Se traços do fungicida forem encontrados, a agência vai informar o público e "tomará as medidas necessárias para assegurar que o produto seja removido do mercado", garantiu a porta-voz.
Sem aviso. Até o início da noite de ontem, o governo brasileiro não havia sido notificado oficialmente por Washington sobre a suspensão das importações. O Ministério da Agricultura fez questão de esclarecer, em nota divulgada à imprensa, que o carbendazim é registrado para uso em lavouras de citros - laranja, limão, lima, tangeria, entre outros - há 21 anos.
O fungicida, utilizado em várias culturas agrícolas, é usado na citricultura para combater a "pinta-preta", um tipo de fungo comum em pomares de laranja.
A quantidade de fungicida autorizada pelo Ministério da Agricultura para produtos destinados à exportação segue o limite estabelecido pelo Codex Alimentarius, programa conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que normatiza regras que garantem a segurança dos alimentos em todo o mundo. O Codex estabelece o limite de 1 miligrama de fungicida por quilo de citros, o que equivale a mil partes por bilhão.
Indústria. A indústria do suco de laranja brasileira também não havia sido informada sobre a decisão. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) foi procurada pela reportagem do Estado, mas não se pronunciou. Anteontem, o presidente da associação, Christian Lohbauer, já havia admitido a possibilidade dos EUA vetarem a entrada do suco brasileiro.

COLABORARAM CÉLIA FROUFE, DE BRASÍLIA, E GUSTAVO PORTO, DE RIBEIRÃO PRETO 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

GUERRA DO IRAQUE - Guerra custou US$ 1 trilhão e deixou milhares de mortos. #EUA #IraqueWar #ShameofTheWorld

Soldados americanos se retiram do país na fase final de operação que durou quase nove anos.

 



O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o encerramento formal da Guerra do Iraque, com a retirada dos últimos soldados do país e o final das operações que duraram quase nove anos, custaram bilhões de dólares e milhares de vidas. 

Agora, caberá aos líderes iraquianos garantir a segurança e a reconstrução em um país devastado. 

Quase todos os números relacionados com a guerra são questionados, sendo que o número de mortes entre os iraquianos é o mais questionado de todos. Abaixo, um resumo de algumas das cifras mais importantes e os argumentos que as cercam.


Número de soldados 

Os soldados americanos lideraram a invasão do Iraque em março de 2003, em uma coalizão com a Grã-Bretanha e outros países. 

Os números de soldados dos Estados Unidos no país variou entre 100 mil e 150 mil, exceto no período da elevação do contingente, em 2007. 

A elevação do contingente foi uma iniciativa do ex-presidente George W. Bush para melhorar a segurança no país, principalmente na capital, Bagdá, e envolveu o envio de mais 30 mil soldados. 

O presidente Barack Obama fez da retirada do Iraque uma das grandes promessas de sua campanha eleitoral de 2008 e o número de soldados vinha caindo desde que ele assumiu o cargo, em janeiro de 2009. 

No dia 19 de agosto de 2010, a última brigada de combate americana saiu do país, deixando para trás 50 mil funcionários militares envolvidos no processo de transição.


Vítimas 

Segundo os últimos dados do Departamento Defesa dos Estados Unidos, os americanos perderam 4.487 militares desde o início da operação no Iraque em 19 de março de 2003. 

No dia 31 de agosto de 2010, quando os últimos soldados de combate americanos saíram do Iraque, 4.421 tinham morrido, dos quais, 3.492 morreram em ação. Quase 32 mil tinham sido feridos em operações no país.

Desde então, no que foi chamado Operação Novo Amanhecer, 66 morreram, dos quais 38 em ação. Outros 305 foram feridos em ação desde 1º de setembro de 2010. 

A Grã-Bretanha perdeu 179 militares. Entre estes, 136 morreram durante operações. 

Outros países que fizeram parte da coalizão registraram 139 mortes, segundo o site iCasualties. 

Mas, enquanto os dados de vítimas entre os militares americanos e dos outros países da coalizão trazem números razoavelmente bem documentados, o número de vítimas entre os civis iraquianos é mais difícil de determinar devido à falta de estatísticas oficiais confiáveis.

Todos os números e estimativas de mortes entre iraquianos são muito questionados. 

A organização Iraq Body Count (IBC) vem tentando levantar estes números analisando relatos da imprensa e comparando com registros de necrotérios. 

Segundo o IBC ocorreram entre 97.461 e 106.348 mortes entre os iraquianos até julho de 2010. 

O período mais violento em termos de mortes de civis foi o mês da invasão, março de 2003, durante o qual o IBC afirma ter ocorrido a morte de 3.977 civis iraquianos. Outros 3.437 morreram em abril de 2003. 

Mas, estes não são os únicos números. 
Outros relatórios e pesquisas apresentaram uma variedade de estimativas de números de iraquianos mortos. A Pesquisa sobre a Saúde da Família Iraquiana, que contou com o apoio da ONU, estimou que ocorreram 151 mil mortes violentas no período entre março de 2003 e junho de 2006. 

Enquanto isto, a revista especializada The Lancet publicou em 2006 uma estimativa de 654.965 mortes entre iraquianos relacionadas à guerra, das quais 601.027 foram causadas por violência.
Esta pesquisa da revista The Lancet e a Pesquisa sobre a Saúde da Família Iraquiana incluem mortes de combatentes e civis iraquianos. 

Um número desconhecido de empreiteiros civis também foram mortos no Iraque. O site iCasualities publicou o que descreve como uma lista parcial que traz o número de 467 mortos.



Custo 

O custo da guerra é outra área na qual os números variam muito. 

O Serviço de Pesquisa do Congresso, um serviço respeitado e apartidário, estima que, no final do ano fiscal de 2011, os Estados Unidos terão gasto quase US$ 802 bilhões para financiar a guerra. 

No entanto, o economista vencedor do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, e a professora de Harvard Linda Bilmes, afirmam que o custo real chega a US$ 3 trilhões se os impactos adicionais no orçamento e na economia dos Estados Unidos forem levados em conta. 

Deslocados pela guerra 

A violência sectária do conflito no Iraque começou a aumentar no começo de 2005. Mas a destruição de um importante templo xiita em fevereiro de 2006 levou a um aumento grande dos ataques ocorridos entre milícias sunitas e xiitas. 

Isto levou muitas famílias iraquianas a abandonar suas casas e se mudar para outras áreas do país ou ainda fugir do Iraque.

A Organização Internacional de Migração (IOM, na sigla em inglês), que monitora o número de famílias que abandonaram suas casas, estima que nos quatro anos entre 2006 e 2010, até 1,6 milhão de iraquianos tiveram que deixar seus domicílios, mas permaneceram no país, o que representa 5,5% da população
Deste total, cerca de 400 mil pessoas voltaram no meio de 2010, primeiramente para Bagdá, Diyala, Ninewa e Anbar, segundo a IOM. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CRISE - American Airlines pede concordata, mas garante voos


A AMR, controladora da gigante aérea, tem patrimônio de US$ 24 bilhões e dívida de US$ 29 bilhões

REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA EFE

Avião da American Airlines é fotografado no aeroporto Dallas-Fort Worth, em Grapevine, no Texas (Foto: Tony Gutierrez / AP)

A AMR, empresa controladora da American Airlines, anunciou nesta terça-feira (29) seu pedido de concordata, em uma tentativa de reduzir a enorme dívida da empresa e também os custos trabalhistas que ela possui atualmente. Ao mesmo tempo, a AMR afirmou que tem dinheiro em caixa para manter as operações da gigante aérea e da American Eagle, subsidiária pertencente ao mesmo grupo.

A AMR afirmou em comunicado que declarou uma moratória no tribunal de Manhattan para reestruturar sua dívida e ganhar em competitividade. A American Airlines, com presença em mais de 50 países, faz uso do capítulo 11 da legislação americana que regula os processos de falência e permite manter as operações normais do negócio.

O aumento dos custos trabalhistas e do preço do combustível elevou a dívida da companhia aérea, que teve perdas de US$ 162 milhões no terceiro trimestre deste ano. Os ativos da companhia estão avaliados em US$ 24,7 bilhões, frente ao passivo de US$ 29,5 bilhões.

A reestruturação da American Airlines, que tem 78 mil empregados, inclui a nomeação de um novo executivo-chefe, Thomas Horton, presidente desde julho e antigo diretor financeiro. "Tenho certeza que a American emergirá mais forte como um líder mundial conhecido por sua excelência e inovação", ressaltou Horton no comunicado.

As ações da companhia aérea caíam nesta terça-feira mais de 60% nas negociações eletrônicas prévias à abertura de Wall Street



Fonte Epoca http://revistaepoca.globo.com/Negocios-e-carreira/noticia/2011/11/american-airlines-pede-concordata-mas-garante-voos.html

sábado, 19 de novembro de 2011

DESASTRE ECOLÓGICO - PF investiga se Chevron tentou atingir pré-sal ao perfurar poço que vazou #ChevronOUT

Suspeita também é levantada por técnicos da ANP; vazamento no Campo de Frade já dura 11 dias
 
A Polícia Federal está investigando a possibilidade de a petroleira norte-americana Chevron estar tentando indevidamente alcançar a camada pré-sal do Campo de Frade. Na tentativa, teria ocorrido a ruptura de alguma estrutura do poço perfurado, dando origem ao vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ), que já dura 10 dias. Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) admitiram nesta sexta-feira, 18, que discutem internamente essa possibilidade.


Divulgação
Mancha de óleo no mar: estimativa de vazamento é de 200 a 330 barris por dia entre os dias 8 e 15


Veja também:
TV ESTADÃO: Vídeo mostra redução de vazamento
Chevron admite erro de cálculo na produção em FradeBrasil não tem plano de reação para grandes vazamentos


O delegado Fábio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF e responsável pelo inquérito, disse que “uma das hipóteses com as quais trabalhamos é a de que o acidente pode ter ocorrido pelo fato da empresa ter perfurado além dos limites permitidos”. Os especialistas da ANP suspeitam que o emprego pela Chevron de uma sonda com capacidade para perfurar a até 7,6 mil metros, quando o petróleo em Frade aparece a menos da metade dessa profundidade, é um indicativo de que a companhia poderia estar burlando seu plano de prospecção do campo.


Além de investigar a hipótese de que haveria em curso, antes do acidente, uma ação exploratória em direção ao pré-sal, a ANP pretende apurar falhas na construção do poço, o emprego de material inadequado e a falta de realização de testes de segurança antes do início da perfuração.


A Chevron tem quatro poços autorizados no Campo de Frade. O site da ANP informa que um deles está concluído e os outros três (6CHEV4ARJS, 9FR47DRJS e 9FR49DPRJS), em fase de perfuração, em lâminas d’água que variam entre 1.184 metros e 1.276 metros de profundidade.


Movimentação de terreno

Ex-presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja afirma que as conjecturas que surgem em relação às causas do vazamento na Bacia de Campos, até mesmo as que vêm sendo investigadas pela ANP, não podem ser consideradas definitivas.


Segundo ele, a Chevron poderia estar tentando alcançar o pré-sal, sem que isso represente uma irregularidade. “A área é dela, se quiser pode ir ao Japão”, afirmou ele, acrescentando que a empresa deve, com até 20 dias de antecedência, avisar a ANP sobre seus planos de perfuração, com detalhes da profundidade.


Para Azambuja, a hipótese mais provável é que durante o trabalho de injeção de água em um poço tenha havido movimentação de terreno e o petróleo represado no que os especialistas chamam de trapa (armadilha) acabou escapando. “Esse é um fenômeno que pode acontecer. Em reservatórios, o óleo pode ficar preso numa trapa. Quando a trapa rompe, há vazamento.”


Estrangeiros

A Polícia Federal também investiga a suspeita de que a Chevron empregue estrangeiros em situação irregular no País. Segundo o delegado Fábio Scliar, há indícios de que até pessoas que não deram entrada oficialmente no Brasil estejam trabalhando em plataformas localizadas no litoral brasileiro.


“Trata-se de um ilícito administrativo. Mas é algo sério. Se isso for comprovado e esses estrangeiros em situação irregular estiverem recebendo salários no exterior, por exemplo, já se configura crime de sonegação fiscal e de sonegação previdenciária”, explicou o delegado responsável. Um porta-voz da empresa negou essa possibilidade.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a prioridade, no momento, é conter o vazamento. “Estamos agindo neste sentido. Depois, vamos passar para a fase de apuração de responsabilidades e penalidades. Teve dano ambiental, tem multa, a legislação é clara. A área técnica vai produzir relatórios e, depois, vamos dar satisfação à sociedade”, disse.


Já o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), reforçou sua posição de que os Estados produtores de petróleo têm de receber uma maior parte dos royalties pois são afetados pela operação. “Esse acidente é a demonstração clara do que significa um dano ambiental em um Estado produtor de petróleo. É uma prova de que eles devem receber uma parte maior dos royalties.”


Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pf-investiga-se-chevron-tentou-atingir-pre-sal-ao-perfurar-poco-que-vazou,800178,0.htm

domingo, 13 de novembro de 2011

BICHOS - Cão come envelope recheado de dólares

Quando um envelope recheado de notas, num total mil dólares (cerca de R$ 1.754,00) desapareceu, Christy e Joe Lawrenson logo pensaram que alguém havia arrombado sua casa deles na Flórida (EUA). Mas depois do susto, ficou claro quem havia sido o responsável pelo desaparecimento do dinheiro: o cão de estimação do casal, Tuity. Há cerca de duas semanas, Christy tinha deixado as notas em uma envelope para o marido levar ao banco e efetuar o pagamento da prestação do carro.
Quando Joe foi em casa para almoçar, percebeu que o envelope havia sumido. Ele só não desconfiava que Tuity, um Labrador Retriever de quatro anos, foi mais rápido e colocou as patas na grana antes. Logo após perceber o desaparecimento do dinheiro, Joe viu pedaços de notas espalhados pelo chão da casa. O restante estava no estômago Tuity.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MEIO AMBIENTE - Relatório dos EUA aponta recorde nas emissões de gases em 2010

O volume de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global, liberado na atmosfera deu um salto sem precedentes em 2010, segundo os últimos dados mundiais sobre emissões de dióxido de carbono, compilados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

“Isso é grande”, afirmou Tom Boden, diretor da Divisão de Ciências Ambientais do Centro de Análise de Informação sobre o Dióxido de Carbono, do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee. “Nossos dados remontam a 1751, mesmo antes da Revolução Indsutrial. Nunca antes nós vimos um aumento de 500 milhões de toneladas métricas de carbono em um único ano”, acrescentou.

A elevação, medida de emissões de CO2 liberadas na atmosfera resultantes da queima de carvão e gás, alcançou cerca de 6% entre 2009 e 2010, subindo de 8,6 para 9,1 bilhões de toneladas métricas.

Grandes saltos foram registrados em Estados Unidos, China e Índia, os maiores poluidores do mundo. Picos significativos posteriores a 2009 também foram registrados em Arábia Saudita, Turquia, Rússia, Polônia e Cazaquistão.

Alguns países, como Suíça, Azerbaijão, Eslováquia, Espanha, Nova Zelândia e Paquistão tiveram reduções sutis entre 2009 e 2010, mas estes países foram exceções. Grande parte da Europa demonstrou uma elevação moderada.
Segundo Boden, os números podem indicar uma recuperação econômica após a recessão global de 2007-2008. “Pelo menos do ponto de vista do consumo de energia, as companhias voltaram aos níveis manufatureiros, competindo com índices pré-2008; as pessoas voltaram a viajar, sendo assim as emissões do setor do transporte competiram com as do período pré-2008″, afirmou.

Mas os dados também geraram preocupações sobre a saúde do meio ambiente. “Esta notícia é muito ruim”, afirmou John Abraham, professor associado da Escola de Engenharia da Universidade de St. Thomas, em Minnesota. “Estes resultados demonstram que será mais difícil fazer os duros cortes de emissões ao nos confrontarmos com uma crise climática”, emendou.

Os dados foram extraídos de estatísticas das Nações Unidas, reunidas de cada país do mundo a respeito dos estoques de energia em combustíveis fósseis, exportações e produção, bem como dados energéticos compilados pela gigante petrolífera BP.

“Se você sabe quanto de um combustível é consumido e se conhece a taxa de oxidação e o conteúdo de carbono do combustível, pode-se deduzir uma estimativa de emissão, portanto este é um algorítmo bastante direto para fins de cálculo”, concluiu Boden.

Em maio, a Agência Internacional de Energia (AIE) já havia divulgado relatório dizendo que as emissões internacionais de gases de efeito estufa bateram um recorde histórico em 2010.

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.

Enviado por Agostinho Vieira -   (Fonte/ Globo Natureza)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CORRUPÇÃO - Fraudes em saúde são cem vezes maiores que as contra bancos

As fraudes globais em sistemas de saúde atingem anualmente US$ 800 bilhões e já são cem vezes maiores do que os crimes cometidos contra sistemas financeiros.

Só nos Estados Unidos, no ano passado, foram US$ 100 bilhões em perdas. Entre os crimes mais comuns estão a falsificação de recibos de consultas, exames e cirurgias.

Também figuram entre as principais fraudes o superfaturamento de procedimentos hospitalares e falsificações cometidas pelos próprios médicos e enfermeiros, que declaram ter usado equipamentos, materiais ou medicamentos não solicitados.

O objetivo principal e comum de todas as práticas é obter reembolso dos sistemas de saúde.

Segundo dados apresentados durante a conferência do SAS Institute, empresa de sistemas de inteligência de negócios, apesar dos números alarmantes, o setor ainda investe pouco em ferramentas de proteção.

Enquanto os gastos anuais com tecnologia antifraude superam US$ 2 bilhões nas instituições financeiras --volume que deve chegar a US$ 4,3 bilhões em 2013, segundo a consultoria Chartis Research--, o setor de saúde movimenta um décimo do valor.

Parte da investigação sobre as fraudes tem ficado a cargo dos governos.

Fisioterapeuta auxilia paciente a caminhar em hospital em Washington, nos Estados Unidos 
Os EUA, um dos países que mais sofrem com o problema, prenderam neste ano a maior quadrilha já envolvida em fraudes de saúde.
Em fevereiro, 111 médicos, enfermeiros e usuários foram detidos em nove cidades do país sob a acusação de lavagem de dinheiro, falsificação e conspiração contra o sistema médico. Os desfalques chegavam a US$ 225 milhões.

Com auxílio do FBI, o país investiga hoje mais de 2.000 casos potenciais de fraudes contra o setor de saúde.

TECNOLOGIA DO CRIME 
Apesar de o setor financeiro liderar os investimentos em tecnologias de combate a fraudes, as instituições sofrem com o número crescente de crimes.

Só as seguradoras americanas perdem, por ano, US$ 30 bilhões com crimes relacionados à falsificação de propriedade e de ocorrências que buscam compensações.

No Brasil, as perdas com fraudes bancárias eletrônicas somaram R$ 685 milhões no primeiro semestre deste ano, com alta de 36% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). 
Durante a conferência, Bob Shiflet, vice-presidente do Bank of America, declarou que novas tecnologias móveis e até as redes sociais se tornaram ferramentas sofisticadas para que os criminosos aperfeiçoem a abordagem às vítimas e hoje representam alguns dos principais desafios para o setor financeiro.

A jornalista CAMILA FUSCO viajou a convite do SAS Institute. 

Fonte Folha http://www1.folha.uol.com.br/mercado/997984-fraudes-em-saude-sao-cem-vezes-maiores-que-as-contra-bancos.shtml



Fonte Folha

sábado, 8 de outubro de 2011

COPA 2014 - A Copa do Mundo é nossa?

Para ler no fim de semana. Ou não…
(O longo texto — mais de seis mil palavras e coisa de 35 mil caracteres — que segue abaixo foi escrito para a revista Interesse Nacional, que já está nas livrarias. Escrito para um público menos afeito às coisas do futebol, traduz e resume tudo o que penso sobre o momento vivido pelo esporte mais querido no Brasil).

Por JUCA KFOURI*
Para começar o jogo, pense nisso: na França, em 1998, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Michel Platini, melhor jogador da história do futebol francês até que, naquela Copa, Zinedine Zidane lhe tomasse a coroa. Platini não era o presidente da FFF, a Federação Francesa de Futebol.
Na Alemanha, em 2006, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Franz Beckenbauer, o Kaiser, melhor jogador da história do futebol alemão até hoje. Beckenbauer não era o presidente da DFB, a Federação Alemã de Futebol.
No Brasil, para 2014, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo é Ricardo Terra Teixeira, que jamais jogou futebol.
Teixeira é também o presidente da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
A secretária executiva do COL é sua filha, neta de João Havelange; o diretor jurídico é também advogado de Teixeira e o homem de imprensa é o mesmo da CBF.
Para continuar o jogo, ainda no primeiro tempo, lembre-se disso: o estádio do Morumbi, que há 50 anos serve o futebol mundial, palco de decisões da Copa Libertadores da América com as presenças do São Paulo, do Palmeiras e do Santos, além de já ter recebido um sem-número de jogos da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e de ter sido sede dos jogos do Corinthians no primeiro Mundial de Clubes da Fifa, foi descartado para receber os jogos da Copa 2014, cinco ou seis no máximo, num evento que dura trinta dias.
Ao se submeter aos caprichos de Teixeira, brigado com a direção do São Paulo FC, dono do Morumbi, três governadores tucanos esqueceram do lema da cidade paulistana – Non ducor, duco (Não sou conduzido, conduzo) – e se submeteram ao despautério de construir um novo estádio numa cidade que tem também o Pacaembu e terá a nova arena do Palmeiras.
Orgia de construção de novos estádios
Em compensação, estão em construção estádios em Cuiabá, em Manaus e emBrasília, onde nem futebol realmente profissional há. Como se ergue outro no Recife, embora a cidade tenha três estádios e seus três donos, o Sport, o Santa Cruz e o Náutico, já tenham anunciado que não cogitam a possibilidade de usar a nova arena. Natal também tenta erguer seu estádio, chamado Arena das Dunas, Sanud ao contrário, e ali pelo fim do jogo voltaremos à alusão aparentemente tão estranha.
É importante frisar que, quando a Copa do Mundo foi realizada nos Estados Unidos, nem sequer um estádio foi erguido para recebê-la, assim como a França, quatro anos depois, construiu apenas um, o Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
No Brasil, porém, o Maracanã foi demolido para ser feito outro, embora o lendário santuário do futebol tenha sido reformado para os Jogos PanAmericanos de 2007.
Do mesmo modo, acontece com o Mineirão, e na São Paulo do Morumbi, do Pacaembu e da nova arena do Palmeiras, ergue-se, em Itaquera, o Fielzão, para o Corinthians.
No Rio de Janeiro, por sinal, existe o mais moderno estádio do país, o Engenhão, inaugurado no Pan e nem cogitado para receber jogos da Copa.
Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza também estão na festa dos estádios, seja na reforma do Beira-Rio, na ampliação da Arena da Baixada ou da reconstrução da Fonte Nova e do Castelão.
Enquanto isso os aeroportos, as estradas, a rede hospitalar, a hoteleira…
Em torno da construção de arenas esportivas, por sinal, não são poucas as mentiras que se inventam para justificá-las.
Não é verdade que sejam,necessariamente, polos de progresso para as regiões em que se instalam e basta olhar exatamente para a região do Engenhão para constatar.
Do mesmo modo acontece no Soweto, em Joanesburgo, que não foi beneficiado pela construção do Soccer City, um estádio desnecessário e a quatro quilômetros do histórico Ellis Park, o estádio em que Nelson Mandela quebrou de vez o preconceito dos negros com o rúgbi, esporte dos brancos, ao ir prestigiar a final da Copa do Mundo da modalidade.
É famosa a história que cerca a New Orleans Arena, inaugurada em 1999 com capacidade para receber vinte mil pessoas que só provou mesmo sua utilidade, segundo os habitantes da cidade na Louisiana, quando o furacão Katrina, em 2005, destruiu a região e o ginásio foi usado como abrigo dos que perderam tudo.
O significado de uma Copa do Mundo
É preciso ter claro o significado de uma Copa do Mundo. O livro Soccernomics, escrito por Simon Kuper, colunista esportivo do Financial Times, e pelo economista Stefan Szymanski (Editora Tinta Negra, 310 pp.), mostra que a Copa do Mundo nada mais é que o anúncio, que dura trinta dias, de um país.
Anúncio que corre apenas só um risco: ser um mau anúncio. O livro demonstra que sede alguma de Copa do Mundo ganha dinheiro por recebê-la, mas que a questão nem é essa. Os autores convidam os governantes a falar a verdadepara seus povos e a fazer a pergunta que os verdadeiros estadistas devem fazer: quanto custa manter um país feliz por um mês? Conforme for a resposta, vale a pena pagá-lo e, de fato, quem recebe um evento como a Copa do Mundo de futebol passa trinta dias feliz e orgulhoso. Não é preciso, portanto, mentir, inventar e, muito menos, criar monstros como as licitações e orçamentos secretos.
O governo Lula obteve vitórias incontestáveis ao trazer os dois maiores eventos da humanidade, a Copa e a Olimpíada, para o Brasil. E foi ele, porque tanto Ricardo Teixeira quanto Carlos Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, em governos anteriores desde Fernando Collor, tinham tentado e amargado mais que fracassos, verdadeiras humilhações.
Foi exatamente na gestão do presidente monoglota que as vitórias vieram e países como os Estados Unidos, com Barack Obama na campanha, foram derrotados.
O risco, no entanto, dos enormes triunfos se transformarem em derrotas escandalosas existe e não é pequeno.
Porque se o Brasil pode perfeitamente fazer a Copa do Mundo do Brasil no Brasil (se a África do Sul fez, por que não faríamos?), não pode, nem deve, fazer a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil.
E a orgia das construções de novos estádios, em vez de priorizar o legado às cidades, demonstra que estamos tentando dar um passo maior que nossas pernas.
No finzinho do primeiro tempo é preciso lembrar que, em artigo assinado na página 3 da Folha de S. Paulo, Teixeira garantiu que esta seria a Copa da iniciativa privada.
Mas um estudo do Tribunal de Contas da União já demonstrou que nada menos do que 98,5% do que se gastará para fazer a Copa será de dinheiro público, do BNDES, da Infraero e da Caixa Econômica Federal, sem falar de incentivos e isenções fiscais, porque, como se sabe, a Fifa não pagará nem um tostão de impostos por tudo que disser respeito à Copa.
É hora do intervalo, para pensar.
Todo e qualquer país que se candidate a receber uma Copa do Mundo, do mais poderoso ao mais humilde, de quebra entrega boa parte de sua soberania.
Porque a Fifa, que se orgulha de ter mais filiados que a ONU (e tem mesmo, 208 contra 192), não brinca em serviço e tem sede pantagruélica. Basta dizer
que a cerveja que patrocina a entidade, dos Estados Unidos, foi a única encontrável nos estádios da orgulhosa Alemanha, para desespero do Partido Verde local, indignado com o desrespeito à tradição, e à qualidade, da bebida alemã.
No Brasil não chegaremos a tanto, mas veremos a suspensão da lei que impede a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, porque a mesma Budweiser vem aí.
Futebol no mundo globalizado
Mas, afinal, que fenômeno é este, do que estamos falando?
Assunto para o segundo tempo.Porque é impossível entender o que culmina com a Copa no Brasil sem entender o que se passou com o futebol no mundo “golbalizado”, com o perdão do trocadilho infame já feito uma vez, três anos atrás, para um texto feito por este escriba para a revista Política Externa, praticamente aqui reproduzido com as obrigatórias atualizações.
A Terra é uma bola, como se sabe. E joga-se bola na Terra por todos os cantos.
E a Terra é uma bola cada vez menor, do tamanho de uma de futebol. Que também se transformou com a tal da globalização.
Da primeira Copa do Mundo transmitida para o mundo inteiro pela TV, em 1970, no México, a chamada aldeia global testemunhou o incrível crescimento de uma de suas mais influentes multinacionais, a Fifa, com sede na Suíça, em Zurique. E quem melhor soube aproveitar o desenvolvimento do futebol como um negócio extraordinário foi o continente europeu.
Não há sequer um grande nome do futebol mundial que não esteja na Espanha, na Itália, na Inglaterra ou na Alemanha. E os países periféricos, embora tecnicamente do Primeiro Mundo do futebol sob ponto de vista do talento que produzem, se transformaram em meros exportadores de pé de obra, numa inversão tal de valores que em vez de exportarem o espetáculo acabam por exportar os artistas.
Brasil e Argentina são os dois mais eloquentes exemplos do fenômeno no continente americano, algo que afeta também, e cada vez mais, a África.
Não fosse assim e a Seleção Brasileira teria mais que apenas dois jogadores que atuam no país convocados para defendê-la no começo das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ou no time pentacampeão, em 2002, na Alemanha, teria mais que só o goleiro Marcos e os volantes Gilberto Silva e Kléberson entre os titulares, os dois últimos, em seguida, vendidos para o exterior. E por quê?
Porque nem o real nem o peso podem concorrer com o dólar ou com o euro, dizem os conformados – e os cartolas que lucram com tal estado de coisas.
Dos cartolas duas CPIs recentes no Congresso Nacional já trataram devidamente.
E uma investigação da parceria Corinthians/MSI, feita pela Polícia Federal, dois anos atrás, apenas acrescentou novas informações sobre os métodos da lavagem de dinheiro indiscriminada, que também é face da globalização, para legalizar dinheiro de drogas, contrabando de armas e outros crimes. Trata-se de crime, também transnacional, é claro.
CBF apoia ida de ídolos brasileiros para a Europa
E não só o êxodo que incomoda. A CBF tem uma política deliberada de apoiar a ida de nossos ídolos para a Europa, por diversas razões.
Dona da maior grife do futebol mundial, a entidade não quer concorrência interna como nos anos 1960, quando, por exemplo, Santos e Botafogo eram, com frequência, capazes de excursionar pelo mundo com cotas maiores que a da Seleção Brasileira.
Além do mais, argumenta-se na CBF que nossos jogadores adquirem uma consciência tática e uma saúde física que não teriam se ficassem no Brasil, além de se acostumarem a enfrentar em seus campeonatos aqueles que encontrarão nas Copas do Mundo.
Se, nos tempos do complexo de vira-latas de Nelson Rodrigues, os atletas brasileiros se assustavam com a saúde de vaca premiada dos europeus, hoje são eles que ficam atemorizados ao ver a Seleção Brasileira perfilada com os melhores jogadores de cada time europeu reunidos numa equipe só.
Se, em tese, tal política traz benefícios à CBF, por outro acarreta prejuízos óbvios ao futebol disputado no país. Um dos mais visíveis é o de que não se encontram camisas de clubes brasileiros nas lojas de material esportivo pelo mundo afora, embora as da Seleção sejam as mais expostas nessas mesmas lojas.
Só que não é tão difícil encontrar as do Boca Juniors e do River Plate, porque os grandes clubes argentinos são menos submissos que os nossos.
Outro prejuízo, ainda mais letal, está em que a torcida brasileira paulatinamente perde seus vínculos com a Seleção.
Não se discute mais apaixonadamente em torno de uma convocação, porque nem o centroavante do Flamengo, nem o meia do Corinthians, nem o goleiro do Cruzeiro estão
cotados, ao contrário do atacante do Barcelona, do defensor do Milan ou, até, do atleta que joga na Ucrânia.
Sim, porque a globalização que atingiu o futebol brasileiro não se restringe a levar os jogadores para países do dito Primeiro Mundo, leva também para a Turquia, Ucrânia etc., demonstração cabal de que a explicação para o êxodo não está na economia nacional, mas, sim, no modelo de gestão arcaico, e nada transparente, de nosso futebol.
Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o futebol brasileiro convive com a globalização e com suas capitanias hereditárias ao mesmo tempo, numa simbiose deletéria.
A perda de vínculo com a Seleção é tamanha que o time da CBF é capaz de passar dois anos sem se exibir no Brasil, como aconteceu recentemente.
Verdade que a vida fora do país mudou muito o comportamento de nossos jogadores, cada vez menos parecidos com os boleiros de antigamente e cada vez mais com os popstars de hoje em dia, todos com seus empresários, procuradores, agentes, assessores de imprensa e muita, mas muita artificialidade.
Quem esteve nas Copas do Mundo, aliás, muitas vezes se perguntou se estava vendo um campeonato esportivo ou um festival de rock.
Nostalgia, romantismo, saudosismo? Talvez um pouco, mas só um pouco.
Mercantilização do futebol
Diante da inexorável mercantilização do futebol é inútil combatê-la, mas é essencial denunciar seus descaminhos, até para torná-la mais eficaz.
Como aconteceu no Brasil nos anos 1970, quando os bicheiros tentaram se apropriar dos clubes de futebol como já haviam feito com as escolas de samba, em busca de reconhecimento social, agora são os bilionários de fortunas suspeitas que repetem a estratégia, em escala planetária, como se constata na Inglaterra.
Clubes londrinos tão tradicionais como o Chelsea e o Arsenal são alvos da cobiça dos que se beneficiaram da privatização das empresas estatais da exUnião Soviética, o primeiro já devidamente dominado. A boa imprensabritânica grita, critica, denuncia e não por ser contra o avanço do capitalismo, mas por querer vê-lo dentro dos limites compatíveis com a prática esportiva.
Afinal, foi um escocês, Bill Shankly, ex-técnico e gerente do Liverpool em seu período de ouro, filósofo do futebol que era, o autor da célebre frase: “É claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso”.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, João Saldanha morreu sem se conformar com os rumos que o futebol tomava ainda em 1990. Ele que se insurgia até contra as placas de publicidade nos estádios por considerar que, além de botar em risco a integridade física dos jogadores, elas poluíam o visual do jogo.
De fato, numa época em que eram de ferro, as placas fizeram algumas vítimas entre os que não conseguiam brecar em tempo de não se chocar contra elas.
Mas passaram a fazer parte do cenário do futebol, sem maiores problemas.
A publicidade nas camisas dos times, então, horrorizava o velho João Sem Medo, incapaz de aceitar aquelas manchas nos mantos sagrados de times tão tradicionais.
Fato é que apenas o Barcelona, um caso à parte no mundo do futebol por causa do nacionalismo catalão, conseguiu resistir ao fenômeno, fundamental para as finanças de qualquer grande clube. Não só o time espanhol não recebia para anunciar patrocinador como, ao contrário, pagava à Unicef para expor sua marca. Mas até esta exclusividade acabou. Já nesta temporada o Barça ostenta, a peso de ouro, a marca da Qatar Foundation, do país, não por acaso, sede da Copa de 2022, em seu verão de 52 graus Celsius.
Conviver com tudo isso, portanto, não só passou a fazer parte do dia a dia do futebol como, na verdade, passou a ser legítima preocupação na busca de mais rentabilidade e excelência do espetáculo. Com todos os riscos que embute.
Para o historiador marxista Eric Hobsbawm, “a capacidade de o futebol ser um símbolo de identidade nacional há muito é conhecida. No meu livro sobre nacionalismo eu escrevi que ‘a comunidade imaginária de milhões parece ser mais realista do que um time de onze pessoas’. Atualmente, indubitavelmente, isto é mais importante do que nunca na história, já que grandes jogadores são recrutados de quase todos os cantos do mundo. Acho que só participar de uma Copa do Mundo é que faz as pessoas que vivem no Togo ou em Camarões darem-se conta de que são cidadãos de seus países. Posso entender o apelo deste tipo de patriotismo, mas eu não tenho entusiasmo nenhum pelo
nacionalismo”.
E cada vez mais autores se debruçam sobre o tema, como no excelente livro do jornalista americano Franklin Foer: Como o Futebol Explica o Mundo, Um Olhar Inesperado sobre a Globalização (Jorge Zahar Editor).
Da questão religiosa, na Escócia, passando pelo antissemitismo, violência de torcidas, na Inglaterra, racismo na Ucrânia, novas oligarquias na Itália, sempre tendo o futebol como tema, nos Estados Unidos, inclusive, onde a esquerda o elegeu por ser menos truculento que o chamado futebol americano, até a corrupção dos cartolas (adivinhe onde), no Brasil, é claro, Foer produz umasérie de reportagens formidáveis. Segundo ele mesmo, com o cuidado de não ser “demasiado hostil à globalização que, com todas as suas falhas, fez com que o futebol chegasse aos recantos mais distantes do planeta e à minha vida”.
Tentativa de corrigir os rumos
E este é o ponto. Porque não se trata de nenhuma bandeira quixotesca a rebeldia contra o que está estabelecido, mas, sim, trata-se de tentar corrigir rumos sem aceitar passivamente o que para muitos está escrito e ponto final.
No fundo, é como disse Hobsbawm em entrevista à Folha de S. Paulo: “O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização. Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização”.
De fato.
De um lado, a força propulsora do capitalismo em busca de mais e mais lucro e rentabilidade. Do outro, a sobrevivência de um modelo nacionalista que convive dialeticamente com a internacionalização, como se para ser um ídolo global é necessário ser, antes, do seu país natal.
Muito antes do fenômeno da globalização, o jornalista Renato Pompeu em seu romance A Saída do Primeiro Tempo (Editora Alfa-Omega), já propunha uma
“teoria do futebol”. Nela, com extrema graça e criatividade, defende, por exemplo, que a semana inglesa foi criada para permitir que os súditos de Sua Majestade, a Rainha, jogassem bola aos fins de semana.
Sim, cada vez mais surgem pensadores que explicam o mundo pela bola e recentemente mesmo chegou às livrarias outra brilhante pensata sobre o tema, do historiador medievalista da USP, Hilário Franco Júnior, A Dança dos Deuses – Futebol, Sociedade, Cultura (Companhia das Letras).
Influência do futebol na vida das pessoas
Ao tratar da importância que o esporte assumiu no mercado do entretenimento, Franco mostra que 3% do PIB europeu vêm dele, com parcela importante do valor constituída pelo que o futebol gera. Calcula-se que o futebol gere empregos para 450 milhões de pessoas pelo mundo afora, o que permite dizer que, direta ou indiretamente, cerca de dois bilhões de almas vivem do esporte, quase 1/3 da população mundial.
A estimativa é do ex-presidente da Fifa, João Havelange, o brasileiro que estava na hora certa no lugar certo e comandou a virada da entidade ao assumi-la em 1974, quando as fronteiras já começavam a cair. Apesar de ter criado um modelo exclusivista, para pouquíssimos, Havelange aliou-se ao capital multinacional da Adidas e da Coca-Cola, entre outros, para disseminar o futebol pelos continentes africano e asiático, além de dedicar especial atenção aos Estados Unidos, que até recebeu a Copa do Mundo de 1994. Se o futebol dos homens ainda não é um sucesso na terra de Tio Sam, o das mulheres é, campeãs olímpicas que são.
Ainda segundo Franco revela, o estudo “Soccereconomics 2006”, feito pelo banco holandês ABN-AMRO, “estimou em 0,7% a taxa suplementar de crescimento no país que ganhasse o Mundial daquele ano, em função do maior consumo de bebidas, comidas, material esportivo e suvenires, mas sobretudo devido ao aumento da autoestima nacional, que leva a população a investir e consumir mais”.
De fato, nem sempre se avalia corretamente o quanto o futebol influencia a vida das pessoas.
Há quem diga, por exemplo, que Fernando Henrique Cardoso deve muito de sua primeira eleição à vitória na Copa do Mundo de 1994. Claro que o Plano Real teve influência decisiva, mas, lembremos: o Brasil vinha da derrocada do governo Collor, acabara de sofrer o trauma da perda do maior ídolo nacional de então, o piloto Ayrton Senna, e estava com sua autoestima em estágio de elevadíssima depressão, quadro ideal, talvez, para mudar tudo, para tentar o que ainda não havia sido tentado depois de governos ditatoriais e do fracasso dos primeiros governos democráticos, de José Sarney e Fernando Collor, eleito diretamente, ainda por cima.
Quem sabe um operário não daria jeito na coisa? Só que não foi daquela vez, porque a vitória obtida por Romário e sua trupe em gramados americanos mudou o humor do país, que preferiu esmagadoramente o professor que tinha virado ministro e estabilizado a moeda.
Tão importante, no entanto, como vencer a inflação, era o tetracampeonato, depois de 24 anos da conquista do tri.
Mas, atenção, à medida que vamos chegando ao fim do segundo tempo: não leve a ferro e fogo tamanha digressão. Porque nada autoriza a que se suponha que o tricampeonato seja creditado à ditadura Médici, pois a História dá a ele o lugar que fez por merecer, o das sombras, e a Pelé, Tostão & Cia o que lhes cabe, o da glória.
Em bom português, imaginar que o povo confunda vitórias esportivas com os governantes do momento é ledo engano, assim como é desrespeitar sua inteligência. Mas que afeta humores, afeta, e muito. Daí, também, o inconformismo de quem tem senso crítico em relação ao estágio do futebol no dito país do futebol, o nosso.
Na verdade, nem somos. A Inglaterra é muito mais país do futebol pelo que o reverencia. E mesmo a Argentina parece levar vantagem em dosagem de paixão.
Maltratamos o futebol no país do patropi
Importante dizer que em todas as pesquisas de tamanho de torcidas no Brasil, o contingente maior é o dos que não se interessam por futebol, só depois vindo as torcidas do Flamengo e do Corinthians. O que não impede que se constate como maltratamos o futebol no patropi.
Em plena fase de globalização da economia, o futebol brasileiro ainda está no estágio da acumulação pré-capitalista e, como tal, vive na base da pirataria, como bem demonstraram duas CPIs no Congresso Nacional no ano 2000.
Lamentável que nos sujeitemos a ser polo passivo numa atividade em que somos, sem sombra de dúvida, como na música, de Primeiro Mundo.
Já foi dito e aqui é repetido que as diferenças econômicas entre os maiores centros do futebol mundial explicam muita coisa, mas não justificam todas elas.
Por exemplo: o Brasil tem o oitavo PIB do mundo e a Espanha o 12º. A Itália está em sexto lugar no ranking, mas a Rússia está em décimo, assim como a Turquia está em 17º, com 1/3 de nosso PIB, e a Ucrânia em 53º, quase quinze vezes menor que o brasileiro. E perdemos jogadores para todos esses países, sem exceção, entre tantos outros.
É claro que o euro pesa, que a União Europeia pesa, que o preço dos ingressos pesa, que as cotas de TV pesam. Mas nosso mercado publicitário é equivalente ao de Espanha e Itália, nossa população é muito maior, a capacidade instalada de nossos estádios é do mesmo porte e o que nos falta é gestão, é visão, e é, também, menos corrupção no futebol.
Porque em nossa Belíndia ainda não fomos capazes nem de dar à Bélgica aquilo que ela está disposta a pagar em termos de conforto e segurança nos estádios, nem de dar à Índia aquilo que merece como forma de lazer popular compatível com seu padrão de vida. E não será na Copa de 2014 que daremos, porque Copa do Mundo não é evento para os mais pobres, muito ao contrário.
Na verdade, vivemos sem saber o que queremos ser quando crescer em matéria de política esportiva e não temos sido capazes de nos aproveitar das oportunidades que a globalização oferece, limitados ao papel de exportar matéria-prima, como nos tempos da dependência do país essencialmente agrícola.
Nosso futebol, assim como nosso vôlei, é tão bom como o café que produzíamos e se, então, vendíamos o que por aqui havia de melhor sem nos preocupar com a criação de um mercado interno digno desse nome, agimos igualmente hoje em dia em relação aos nossos craques.
Fifa não é contestada no Brasil
Ao exercer seu poder imperial, a Fifa jamais é contestada no Brasil, diferentemente do que acontece na Europa. A ponto de, ainda em 1990, o então só bilionário presidente do Milan, Silvio Berlusconi, acima de qualquer suspeita de esquerdismo, ter feito o alerta de que as Copas do Mundo eram daninhas ao progresso dos clubes. Sua argumentação era de uma clareza incontestável.
A Itália tinha acabado de sediar a Copa e havia sido eliminada, nas semifinais, pela Argentina, em Nápoles. Duas temporadas do Campeonato Italiano, em 1988 e 1989, tinham sido prejudicadas pelas reformas nos estádios que receberiam a Copa, sem, portanto, capacidade total naqueles anos, em prejuízo das bilheterias. O Milan cedeu quase todos os seus jogadores tanto para a seleção italiana como para a holandesa, cujos três maiores jogadores (Rijkard, Gullit e Van Basten) lhe pertenciam. Pois bem, nãosó a Holanda foi eliminada na primeira fase. A Itália, que era a favorita por jogar em casa, acabou eliminada também.
“E agora, findo o fiasco geral, vem a dona Fifa e diz: ‘Reerga o futebol’ ”, reclamava o empresário que viraria o mais poderoso homem da Itália anos depois. Berlusconi radicalizava e propunha que as Copas do Mundo fossem disputadas pelos clubes, com suas legiões de estrangeiros, ao argumentar que o futebol globalizado já não dava conta de se manter tendo como grande atração, a cada quatro anos, um torneio de seleções nacionais. “Que se limitem ao enfrentamento nos Jogos Olímpicos”, propunha.
Hoje, a liga dos clubes europeus exerce forte influência para limitar as vontades da Fifa e, por utópico que pareça, talvez não esteja longe o dia em que a proposta do histriônico premiê se torne realidade. Ao contrário, no Brasil, temos sido incapazes de fortalecer a estrutura clubística e, em vez de aprofundarmos o potencial capitalizador de nosso futebol, vivemos, isso sim, à base da socialização da miséria.
A superestrutura dirigente do futebol nacional é muito mais do que conservadora, é extremamente reacionária, como tal refratária a qualquer mudança de modelo de gestão e, para piorar, corrupta e corruptora, além de sedutora. Provas recentes disso temos às fartas.
No governo Lula foi aprovada a Timemania, uma loteria que será utilizada para que os clubes paguem suas dívidas com o Estado brasileiro, aí compreendidas as com a Previdência Social e com a Receita Federal.
Ao dar com uma mão, o governo não se preocupou em exigir, com a outra, alguma forma de contrapartida, premiando, enfim, os que construíram a dívida. Não se exigiu, por exemplo, para aderir à loteria, a administração empresarial do futebol profissional, como se faz na Europa. Até mesmo a Lei de Incentivo ao Esporte nada exigiu como mudança de modelo. Tudo isso num governo presidido por quem, torcedor que é, está cansado de conhecer as mazelas da cartolagem. Mais: por quem assinou as duas primeiras leis de seu mandato, em 2002, o Estatuto do Torcedor e a chamada Lei da Moralização do Esporte, ambas milagrosamente aprovadas, a primeira por unanimidade, no período FHC e generosamente sacramentadas por Lula.
Em seu discurso, na cerimônia de assinatura, Lula garantiu: “Nunca mais o torcedor será tratado como gado no Brasil e nunca mais os dirigentes esportivos deixarão de ser responsabilizados por seus atos”.
Não havia, então, um cartola no ato, no Palácio do Planalto. Poucos meses depois, no entanto, à custa de levar a Seleção Brasileira ao Haiti, presidentes da República e da CBF
estavam de braços dados, congraçamento que só se aprofundou de lá para cá e as Timemanias da vida são só uma face dessa moeda.
A outra é a organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, algo de que o país pode sim dar conta, desde que com a nossa cara e o nosso tamanho. Mas, repita-se, o
que se anuncia é uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil, desperdício de dinheiro público em novos estádios, sinônimos de elefantes brancos tão logo a Copa termine.
Brasil precisa de nova classe dirigente no esporte
Para deixar de ser mero coadjuvante na globalização do futebol, o Brasil precisa de uma nova classe dirigente em seu esporte, executivos que tenham saído das escolas com a perfeita compreensão do fenômeno, capacitados a pensar o futebol como negócio na indústria do entretenimento, conscientes de que, no entanto, este é um negócio diferente dos demais, no qual se o lucro é vital, ser campeão é o primeiro objetivo. Negócio singular em que a cabeça fria do empresário precisa ser usada para exacerbar a cabeça emocional do consumidor, no qual o ídolo não pode ser tratado como mercadoria qualquer, mas como alguém vital para a prosperidade do empreendimento.
Administrado como se deve, certamente o futebol brasileiro não poderá fazer frente às propostas milionárias de um Milan, uma Inter, de um Barcelona ou Real Madrid, àqueles jogadores que tiverem brilhado numa Copa do Mundo, craques já consagrados, como nem mesmo os alemães e franceses conseguem concorrer.
Mas não só os preços pagos serão equivalentes aos das transações entre os próprios clubes europeus, cinco, seis vezes maiores do que o investido para tirar os ídolos brasileiros, como se evitará o êxodo das promessas que vão embora antes mesmo de disputar uma Copa do Mundo, por quantias invariavelmente ridículas.
Porque há casos emblemáticos.
O do atacante Élber, já aposentado, é um deles.
Ele surgiu no futebol em Londrina e com 19 anos, em 1991, foi jogar na Suíça, no Grasshopper (?!). Lá fez sucesso e se transferiu para o Sttuttgart, da Alemanha, de onde foi para o poderoso Bayern de Munique, Lyon, da França, sempre fazendo gols e até chegando à Seleção Brasileira, com menos brilho.
Terminou sua carreira em 2006, no Cruzeiro, e, então, ao defender o clube mineiro, pela primeira vez jogou no Maracanã, santuário não só do futebol brasileiro, mas do mundial.
Outro caso é o do centroavante Afonso, que surgiu no Atlético Mineiro aos 20 anos, em 2001, e nem bem jogou como titular foi, no ano seguinte, para a Suécia, de onde se transferiu para o holandês Heerenveen (??!!), onde tantos gols fez que acabou convocado para a Seleção Brasileira, sem que Dunga, o técnico, jamais o tivesse visto jogar, assim como a esmagadora maioria da torcida e da imprensa especializada brasileiras.
Élber e Afonso existem aos montes, assim como os mais raros Ronaldo e Kaká, ou, mais raros ainda, Pelé e Mané Garrincha, que jogaram a vida toda no Brasil, em outros tempos, é claro, tempos que acabaram como o próprio Pelé testemunhou quando decidiu terminar sua carreira no New York Cosmos, ao integrar o esforço de popularização do futebol nos Estados Unidos.
Será chover no molhado dizer que a globalização está aí e não adianta vociferar contra ela, murro em ponta de faca. Mas que outro murro, o do choque de gestão, pode tornar o Brasil mais ativo neste banquete também no futebol, só não vê quem não quer, ou se aproveita da pirataria, como os corsários ingleses, que se deram bem, é verdade, na origem do capitalismo, embora o Império Britânico tenha se dado ainda melhor, algo, por enquanto, distante da terra de Macunaíma. Distante, sim, mas próximo a ponto decobiçar a possibilidade de fazer na Inglaterra a Copa que está em andamento no Brasil.
Sanud e CPIs do Congresso Nacional
História para a prorrogação, depois de tudo que já foi dito no primeiro e segundo tempos deste jogo.
Lembra-se da Sanud, Dunas ao contrário, lá do começo do jogo?
Pois é, é disso que trataremos agora.
Uma empresa com este nome, sediada em paraíso fiscal, aflorou nas CPIs do Congresso Nacional que investigaram a CBF.
À época, a revista Veja publicou a nota seguinte: “O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, usou uma empresa de fachada, a R.L.J. Participações, com
sede no Rio de Janeiro, para esquentar dinheiro ilícito vindo de um paraíso fiscal, o principado de Liechtenstein. A operação foi assim: em julho de 2000, a R.L.J. registrou em seu balanço uma dívida de 2,9 milhões de reais com a Sanud Etablissement, de Liechtenstein. Documento sigiloso do Banco Central de 1º de novembro passado, ao qual VEJA teve acesso, indica que, nos últimos seis anos, a R.L.J. não recebeu empréstimo da Sanud e, nesse mesmo período, não mandou um único centavo a Liechtenstein a título de pagamento. Além disso, no ano passado, a Sanud já não existia havia dezenove meses. Seu fechamento, que não poderia ocorrer sem a quitação de todos os seus créditos, inclusive os 2,9 milhões de reais de Ricardo Teixeira, está documentado em correspondência do Coaf, órgão brasileiro de fiscalização financeira”.
Entramos nos acréscimos.
Recentemente o programa “Panorama”, da BBC, desenterrou o caso e revelou que a ISL, falida gigante do marketing esportivo associada à Fifa, depositara US$ 9,5 milhões na conta da Sanud.
Procurado pela emissora britânica, o presidente da CBF e, lembre-se, do COL preferiu calar.
Pois foi em meio a tal clima de escândalo que transcorreu a última reeleição do presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, para perplexidade até do primeiroministro da Inglaterra, David Cameron, que simplesmente a chamou de “farsa”. Tudo porque a Inglaterra, que pode organizar uma Copa do Mundo perfeita servindo-se apenas de Londres, foi reveladoramente caroneada pela Rússia como sede do torneio em 2018.
A candidatura do berço do futebol moderno teve apenas um voto além do próprio. Sim, o ouro do Império perdeu para a prata dos emergentes que fizeram a festa na partilha da velha União Soviética.
E é para não ficar mal com essa gente, ao constatar o atraso nas obras para a Copa-2014, que o governo brasileiro propôs o instrumento de tornar sigiloso o que deve ser transparente nas licitações, porque o que é público ao público pertence ou, ao menos, deveria pertencer.
Dilma dá sinais de independência e insatisfação
Amarrada por compromissos assumidos no governo Lula ou não, o fato é que a presidenta Dilma Rousseff começou a dar sinais de independência e de insatisfação em relação à condução das coisas sobre a Copa. E fez questão de dar um tapa de luva de pelica nos organizadores do evento ao nomear Pelé como embaixador da Copa do Mundo. Não que Pelé que, lembremos, foi ministro extraordinário do Esporte no governo FHC, seja um crítico ácido da cartolagem encastelada no poder do futebol brasileiro, porque não é, mas ela fez com a imagem dele aquilo que Teixeira fazia questão de negar, fazia questão de não dar.
E ao colocar Pelé sentado entre ela e Teixeira na primeira cerimônia oficial da Copa do Mundo no país, na Marina da Glória, em fins de julho último, a presidenta sinalizou com clareza que CBF e COL são uma coisa e o governo quer ser outra, tanto que tratou Teixeira por “senhor”, e apenas uma vez, mas fez questão de se referir a Pelé duas vezes em seu discurso, na primeira chamando-o de “queridíssimo”.
Há, enfim, alguma esperança, ainda antes do apito afinal, depois do qual não haverá mais nada a fazer.
* Artigo originalmente publicado na revista “Interesse Nacional”, edição no.15, de outubro de 2011.

por Juca Kfouri às 12:00