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sábado, 21 de abril de 2012

#RIOmais20 - Mais de cem aviões devem chegar ao Rio e não há estacionamento para todos

O Itamaraty informou que, entre os dias 20 e 23, são esperados cerca de 120 chefes de estado ou de governo e 193 delegações estrangeiras; e eles devem chegar quase ao mesmo tempo

Antônio Werneck


O Aeroporto Internacional do Rio: por falta de estacionamento, Infraero planeja deslocar aviões para terminais de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador
Genílson Araújo/10-02-2012 / O Globo

RIO -
Se existissem flanelinhas na aviação brasileira, eles estariam em festa: com os aeroportos sobrecarregados, virou uma grande dor de cabeça encontrar vaga para estacionar os 110 aviões previstos para aterrissar na cidade durante a realização da Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. O Itamaraty informou que, entre os dias 20 e 23, são esperados cerca de 120 chefes de estado ou de governo e 193 delegações estrangeiras. E eles devem chegar quase ao mesmo tempo.

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Segundo informou Abide Ferreira Junior, superintendente regional da Infraero no Rio, com tanta gente chegando à cidade, a empresa planeja usar aeroportos no Rio e em outros cinco estados: Guarulhos (São Paulo), Confins (Belo Horizonte), Brasília, Campinas e Salvador. A manobra está sendo coordenada pela Aeronáutica, que também pretende arranjar vagas nas bases aéreas do Galeão e de Santa Cruz. Mas não tem jeito: quem vier com seu avião, vai ficar a pé momentaneamente. Terá de descer aqui, e o avião vem buscar depois.

Oficialmente, a Infraero não vê problemas, mas quem está debruçado sobre os planos de segurança tem essa preocupação. Para cada deslocamento, haverá militares, batedores e até helicópteros. Mas, como a cidade não vai parar, a equação é complexa .

— A Infraero, em conjunto com os órgãos públicos envolvidos no evento, já desenvolveu um planejamento para receber com tranquilidade todos os chefes de estado, delegações e participantes da Rio+20. Os aeroportos do Rio estão prontos para receber o evento — garantiu Abide Ferreira.

Santos Dumont será usado como apoio
No Rio, os aeroportos Santos Dumont e de Jacarepaguá serão usados apenas como apoio. Quem vier em avião de carreira, por exemplo, deverá descer no Aeroporto Internacional de Guarulhos e depois voar para o Rio. Aqui, terá duas opções: de carro até o hotel, com batedores e segurança máxima; ou de helicóptero até o Riocentro, onde serão instalados três helipontos. Há ainda, nesses casos, a possibilidade de usar o Aeroporto de Jacarepaguá.

Os terminais do Rio recebem diariamente uma média de 800 voos (chegadas e partidas). Na sexta-feira foram 814. Apenas no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, o movimento diário é de 48 mil passageiros em média. No Santos Dumont, são 25 mil. Ao número, somam-se 50 mil credenciados e cinco mil jornalistas estrangeiros que chegarão à cidade para acompanhar o evento. O Galeão tem capacidade para acomodar em seu pátio, por hora, 54 aeronaves.

Ainda segundo a Infraero, autoridades e delegações que vierem em aviões de carreira terão a opção de pousar em Guarulhos, de onde seguirão para o Rio pela ponte aérea, desembarcando no Santos Dumont. De lá, poderão embarcar em helicóptero até o Aeroporto de Jacarepaguá, ou voar diretamente para o Riocentro.
No Rio, serão usados ainda a Base Aérea do Galeão, a Base Aérea de Santa Cruz e o Aeroporto de Jacarepaguá como apoio.

— Para os chefes de estado e de governo, teremos um canal diferenciado: vamos montar corredores exclusivos nos aeroportos. As delegações estrangeiras não, elas passam por outro canal — afirmou o superintendente da Infraero no Rio.

A Base Aérea de Santa Cruz passará por reformas de emergência para contornar a falta de estacionamentos para os aviões, confirmou ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, durante reunião para discutir a organização do evento. O encontro, no Palácio da Cidade, em Botafogo, durou quase duas horas e reuniu ainda a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, entre outras autoridades.

— Já recebemos a confirmação do governo federal de que a Base Aérea de Santa Cruz será reformada para dar um apoio ao evento — antecipou a ministra Gleisi.

Desde a semana passada, a Força Aérea e a Infraero estão realizando reuniões técnicas para definir a forma como a base será utilizada. Segundo o chefe de Estado-Maior do Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, o espaço, contudo, será um plano B.

— Já temos os aeroportos do Galeão e Santos Dumont para receber os aviões das delegações. A ideia é transferir os aviões militares do Galeão para Santa Cruz — explicou o general.

O prefeito, por sua vez, garantiu entregar o Transoeste (corredor expresso para ônibus que vai ligar a Barra a Santa Cruz) a tempo da conferência. A inauguração estava prevista para acontecer em julho.

— As delegações vão poder contar com o Aeroporto de Jacarepaguá, o Santos Dumont e o Galeão. A Base Aérea de Santa Cruz será uma garantia a mais. Este espaço, aliado à inauguração do Transoeste, vai aproximar as delegações do Riocentro — afirmou o prefeito

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio20/rio20-mais-de-cem-avioes-devem-chegar-ao-rio-nao-ha-estacionamento-para-todos-4702406#ixzz1sfoOPJM3

#RIOmais20 - Prefeito Eduardo Paes decretará hiperferiadão


Rio de Janeiro terá 3 dias de feriado durante realização da Rio+20
Prefeito Eduardo Paes decide enviar projeto de lei à Câmara, após pedido do Governo

Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo

RIO DE JANEIRO
- O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), acatou pedido do governo federal e anunciou nesta sexta-feira que enviará na próxima semana à Camara Municipal um projeto de lei para decretar feriado nos três últimos dias da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada na cidade de 13 a 22 de junho. Segundo Paes, a medida será votada em regime de urgência.

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Após reunião de quase três horas entre representantes dos governos federal, estadual e municipal no Palácio da Cidade, também foi anunciada a decisão de preparar a Base Aérea de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, para pousos e decolagens de aviões oficiais durante a Rio+20.

O objetivo das duas medidas é facilitar a locomoção das delegações e o esquema de segurança nos três dias reservados para a reunião de cúpula da conferência. A questão do transporte é apontada como uma das principais preocupações na logística da Rio+20. "Para nós seria importante (o feriado), porque isso facilitaria muito a realização do evento. A presidente Dilma (Rousseff) também pediu que a base aérea da Aeronáutica fosse preparada para receber chefes de Estado, como estrutura adicional", disse a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Apesar do temor de esvaziamento dos eventos programados pela sociedade civil com a decretação de feriado antes do fim de semana (de quarta a sexta-feira), Paes disse que a medida "vai permitir que a população participe ainda mais". Com o feriado, não será necessário criar corredores exclusivos para o trânsito de chefes de Estado e de governo, disse o prefeito. "O deslocamento ficará mais fácil. Não será um transtorno, mas uma honra para a cidade receber chefes de Estado 20 anos depois da Rio-92".

Além de Paes e Gleisi, participaram da reunião o governador Sérgio Cabral (PMDB), a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a secretária de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas, o secretário executivo da Comissão Nacional da Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, e o responsável pela logística do Comitê de Organização da Rio+20, ministro Laudemar Aguiar.
 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

PROTEÇÃO A JORNALISTAS - Governo Dilma foi é criticado por contrariar plano de proteção ao jornalista

Para a Abraji, a posição formal das Nações Unidas poderia abrir caminho para a punição dos assassinos de jornalistas. 

Associações de jornalismo investigativo ao redor do mundo criticaram a posição brasileira, contrária à aprovação de um plano das Nações Unidas para proteção de jornalistas. O documento foi rejeitado no fim de março, na sede da Unesco, em Paris.

Também foram contra Paquistão, Índia, Venezuela e Cuba. Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji, a posição formal da ONU poderia abrir caminho para a punição dos assassinos de jornalistas. O Itamaraty afirmou não ser contra o plano. Mas declarou não concordar com o procedimento adotado de o texto ter chegado pronto à Assembleia, sem chance de alterações.

Fonte Jornal Nacional

sábado, 24 de março de 2012

SEM ESTRUTURA - Prefeito admite falta de hotéis para hospedar participantes a menos de 3 meses da Rio+20

Sem hotéis, campanha incentivará cariocas a hospedar participantes da Rio+20
Paes diz que ainda estuda detalhes da proposta, com lançamento previsto até o início de abril
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Ludmilla de Lima
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Preparação da Rede Hoteleira para Rio+20. Na foto, camareira arruma quarto do Hotel Royalty
Luiz Ackermann / O Globo.
RIO - A menos de três meses da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a prefeitura planeja fazer uma campanha para que cariocas hospedem pessoas de fora durante o encontro, de 13 a 22 de junho. O prefeito Eduardo Paes diz que ainda estuda detalhes da proposta, com lançamento previsto até o início de abril. Um dos motivos que levará o prefeito a fazer o pedido à população é a falta de infraestrutura hoteleira suficiente para abrigar 50 mil cadastrados pela ONU, mais os milhares de visitantes que vêm ao Rio discutir os rumos do planeta. Para garantir acomodação a todas as delegações, o comitê organizador da Rio+20 bloqueou (espécie de pré-reserva) apartamentos em hotéis no interior do estado.

Até agora, são 120 delegações e 80 chefes de estado ou de governo confirmados. Outras comitivas devem desembarcar no Rio, pois representantes dos 193 países-membros da ONU foram convidados. O comitê calcula que parte dos grupos, além da imprensa e do público, tenha que se hospedar fora da capital. Por isso, a agência de viagens que representa o comitê, a Terramar, tem negociado com hotéis de cidades como Angra dos Reis, Mangaratiba e Petrópolis.

Pelos dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), o município do Rio conta hoje com 33 mil quartos, incluindo albergues, hotéis e três mil unidades em motéis. No entanto, nem todos estarão disponíveis para o público da conferência — uma reedição da Rio-92 vinte anos depois.

No momento, restam poucas vagas: a taxa de ocupação na cidade para o período da conferência, segundo a ABIH-RJ, já atinge 94% em toda a rede hoteleira. Do percentual, 80% estão relacionados à conferência.

Estratégia foi usada em Copenhague
No Centro, 100% dos quartos já estão reservados para o evento. Na Barra, em São Conrado, em Ipanema e no Leblon, a taxa é de 92%; no Leme e em Copacabana, 91%, e no Flamengo e em Botafogo, 94%. Tanto os hotéis cinco estrelas da cidade quanto os de três e quatro estrelas estão com ocupação de 94%.

O presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, explica que é comum durante grandes eventos as comitivas ficarem hospedadas em outras cidades:

— Em qualquer cidade do mundo, durante grandes eventos, cidades periféricas, a cerca de 120 quilômetros de distância, são usadas para abrigar visitantes.

O secretário estadual de Turismo, Ronald Ázaro, concorda:

— Niterói e Petrópolis, por exemplo, são opções a menos de duas horas do Rio. Búzios e Cabo Frio têm mais de 12 mil vagas que podem ser usadas durante a conferência. A solução (para a hospedagem durante a Rio+20) está dentro do Estado do Rio.

Angra dos Reis, localizada a 157 quilômetros do Rio; Mangaratiba (100 quilômetros) e Petrópolis (68 quilômetros) já têm hotéis com pré-reservas para a conferência.

O economista Sérgio Besserman, presidente do grupo de trabalho da prefeitura para a Rio+20, lembra que essa estratégia foi usada em Copenhague, capital da Dinamarca, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, há dois anos.

— No carnaval se hospeda muito mais gente no Rio. A grande maioria em casas e apartamentos alugados. Mas, como agora é uma conferência internacional, a demanda vai para os hotéis, os quartos cinco estrelas — afirma Besserman, destacando a campanha que será anunciada pelo prefeitura como uma forma de criar mais acomodações.

A ABIH-RJ discute com os hotéis cinco estrelas o compromisso de disponibilizar 70% das vagas (2.898 quartos, ou 4.542 leitos) exclusivamente para a cúpula da Rio+20.

Diante da grandiosidade da programação da ONU, outros eventos marcados para junho foram transferidos para outras cidades ou adiados, para liberar o Riocentro e desafogar a rede hoteleira. Superintendente do Rio Convention & Visitors Bureau, Paulo Senise cita o caso do Congresso Internacional de Odontologia, que traria 3.000 pessoas ao Rio, mas acabou saindo da agenda da cidade.

— Tivemos que desaconselhar a realização de eventos no mesmo período. Um congresso de enfermagem dos Estados Unidos, que traria mil pessoas, será transferido para outra data. E o principal evento que impedia a realização da Rio+20, o Congresso Internacional de Odontologia, foi para Foz do Iguaçu — diz Senise.

O Expo Rio Móbile, evento anual da indústria de móveis e alta decoração, precisou mudar de data a pedido do Riocentro e do governo brasileiro. Prevista para acontecer de 19 a 23 de junho, a feira foi adiada para 24 a 28 de julho. A expectativa de público é de 4 mil pessoas.

Muito além dos limites da capital
A Rio+20 irá além dos limites da capital. A agência de turismo oficial da conferência, que faz as reservas para as delegações da ONU, tem adotado como medida de precaução o bloqueio de até 100% das vagas de hotéis no interior. O objetivo, segundo a Coordenação de Imprensa e Comunicação da Rio+20, é assegurar hospedagem para as delegações, incluindo as que ainda devem confirmar viagem ao Rio. Localizado em Itaipava, distrito de Petrópolis, o Bomtempo Resort já fechou contrato com a agência, que reservou todo o estabelecimento para o período entre 19 e 23 de junho. São 34 quartos, com capacidade para cem pessoas.

E está em negociação a reserva do resort para a semana anterior, preparatória da Rio+20.

— Petrópolis é uma opção viável de hospedagem durante eventos no Rio, que tem hoje um excesso de procura. Dependendo do ponto em que você está no Rio, quem sai de Petrópolis chega até mais rápido ao destino — afirma o proprietário do resort, Rogério Elmor.

No bairro do Retiro, também em Petrópolis, o Riverside Park Hotel, de três estrelas, foi 100% bloqueado para as mesmas datas. Gerente do grupo, Fabiano Barros conta que um prédio de apartamentos alugados para temporada mantido pelo hotel em Itaipava, de nível quatro estrelas, também está todo pré-reservado. São 15 quartos em Itaipava e 31, no Riverside, onde é possível hospedar 78 pessoas.

O eco resort Hotel do Bosque, em Angra dos Reis, é outro que está fechado para a Rio+20. São 94 apartamentos, com capacidade para cerca de 400 hóspedes. O resort Portobello, em Mangaratiba, também negocia com a agência.



Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/sem-hoteis-campanha-incentivara-cariocas-hospedar-participantes-da-rio20-4400116#ixzz1q2T3Qz67

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

LIBERDADE DE IMPRENSA - Unesco condena assassinato de jornalistas no Brasil

Órgão pediu proteção da liberdade de imprensa no País; segundo dados, desde 2002 foram mortos 11 jornalistas e funcionários da imprensa brasileira 

Efe 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) condenou nesta segunda-feira o assassinato de dois jornalistas no Brasil e pediu que esses crimes sejam esclarecidos para proteger a liberdade de imprensa.

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Os jornalistas são Mario Randolfo, editor do site "Vassouras na NET", baleado junto com sua esposa em Barra do Piraí, no estado do Rio de Janeiro, no último dia 8, e Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, redator-chefe do "Jornal da Praça" e diretor do site "Mercosul News", que recebeu um disparo mortal quatro dias mais tarde em Ponta Porã, perto da fronteira com o Paraguai.

"Esses crimes são inaceitáveis e constituem um ataque intolerável à profissão do jornalismo e ao direito humano fundamental da liberdade da palavra", afirmou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, em comunicado.

A responsável pela agência da ONU pediu "uma investigação exaustiva sobre os crimes", porque "é essencial que os jornalistas possam continuar informando sem temer por suas vidas e a segurança de seus familiares".

Segundo os cálculos da Unesco, desde 2002 foram assassinados 11 jornalistas e funcionários da imprensa no Brasil.
A organização apoiou no ano passado um projeto de pesquisa sobre as características e funções dos meios de informação da União Europeia que operam em áreas violentas ou difíceis do Rio de Janeiro, que devem "ajudar aos profissionais desses meios a desenvolver seu trabalho com mais segurança".

Um ano antes, a Unesco formou 80 profissionais de rádios comunitárias em três regiões do Brasil, incluindo a região do Amazonas.

Fonte Estadão

sábado, 8 de outubro de 2011

COPA 2014 - A Copa do Mundo é nossa?

Para ler no fim de semana. Ou não…
(O longo texto — mais de seis mil palavras e coisa de 35 mil caracteres — que segue abaixo foi escrito para a revista Interesse Nacional, que já está nas livrarias. Escrito para um público menos afeito às coisas do futebol, traduz e resume tudo o que penso sobre o momento vivido pelo esporte mais querido no Brasil).

Por JUCA KFOURI*
Para começar o jogo, pense nisso: na França, em 1998, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Michel Platini, melhor jogador da história do futebol francês até que, naquela Copa, Zinedine Zidane lhe tomasse a coroa. Platini não era o presidente da FFF, a Federação Francesa de Futebol.
Na Alemanha, em 2006, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Franz Beckenbauer, o Kaiser, melhor jogador da história do futebol alemão até hoje. Beckenbauer não era o presidente da DFB, a Federação Alemã de Futebol.
No Brasil, para 2014, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo é Ricardo Terra Teixeira, que jamais jogou futebol.
Teixeira é também o presidente da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
A secretária executiva do COL é sua filha, neta de João Havelange; o diretor jurídico é também advogado de Teixeira e o homem de imprensa é o mesmo da CBF.
Para continuar o jogo, ainda no primeiro tempo, lembre-se disso: o estádio do Morumbi, que há 50 anos serve o futebol mundial, palco de decisões da Copa Libertadores da América com as presenças do São Paulo, do Palmeiras e do Santos, além de já ter recebido um sem-número de jogos da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e de ter sido sede dos jogos do Corinthians no primeiro Mundial de Clubes da Fifa, foi descartado para receber os jogos da Copa 2014, cinco ou seis no máximo, num evento que dura trinta dias.
Ao se submeter aos caprichos de Teixeira, brigado com a direção do São Paulo FC, dono do Morumbi, três governadores tucanos esqueceram do lema da cidade paulistana – Non ducor, duco (Não sou conduzido, conduzo) – e se submeteram ao despautério de construir um novo estádio numa cidade que tem também o Pacaembu e terá a nova arena do Palmeiras.
Orgia de construção de novos estádios
Em compensação, estão em construção estádios em Cuiabá, em Manaus e emBrasília, onde nem futebol realmente profissional há. Como se ergue outro no Recife, embora a cidade tenha três estádios e seus três donos, o Sport, o Santa Cruz e o Náutico, já tenham anunciado que não cogitam a possibilidade de usar a nova arena. Natal também tenta erguer seu estádio, chamado Arena das Dunas, Sanud ao contrário, e ali pelo fim do jogo voltaremos à alusão aparentemente tão estranha.
É importante frisar que, quando a Copa do Mundo foi realizada nos Estados Unidos, nem sequer um estádio foi erguido para recebê-la, assim como a França, quatro anos depois, construiu apenas um, o Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
No Brasil, porém, o Maracanã foi demolido para ser feito outro, embora o lendário santuário do futebol tenha sido reformado para os Jogos PanAmericanos de 2007.
Do mesmo modo, acontece com o Mineirão, e na São Paulo do Morumbi, do Pacaembu e da nova arena do Palmeiras, ergue-se, em Itaquera, o Fielzão, para o Corinthians.
No Rio de Janeiro, por sinal, existe o mais moderno estádio do país, o Engenhão, inaugurado no Pan e nem cogitado para receber jogos da Copa.
Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza também estão na festa dos estádios, seja na reforma do Beira-Rio, na ampliação da Arena da Baixada ou da reconstrução da Fonte Nova e do Castelão.
Enquanto isso os aeroportos, as estradas, a rede hospitalar, a hoteleira…
Em torno da construção de arenas esportivas, por sinal, não são poucas as mentiras que se inventam para justificá-las.
Não é verdade que sejam,necessariamente, polos de progresso para as regiões em que se instalam e basta olhar exatamente para a região do Engenhão para constatar.
Do mesmo modo acontece no Soweto, em Joanesburgo, que não foi beneficiado pela construção do Soccer City, um estádio desnecessário e a quatro quilômetros do histórico Ellis Park, o estádio em que Nelson Mandela quebrou de vez o preconceito dos negros com o rúgbi, esporte dos brancos, ao ir prestigiar a final da Copa do Mundo da modalidade.
É famosa a história que cerca a New Orleans Arena, inaugurada em 1999 com capacidade para receber vinte mil pessoas que só provou mesmo sua utilidade, segundo os habitantes da cidade na Louisiana, quando o furacão Katrina, em 2005, destruiu a região e o ginásio foi usado como abrigo dos que perderam tudo.
O significado de uma Copa do Mundo
É preciso ter claro o significado de uma Copa do Mundo. O livro Soccernomics, escrito por Simon Kuper, colunista esportivo do Financial Times, e pelo economista Stefan Szymanski (Editora Tinta Negra, 310 pp.), mostra que a Copa do Mundo nada mais é que o anúncio, que dura trinta dias, de um país.
Anúncio que corre apenas só um risco: ser um mau anúncio. O livro demonstra que sede alguma de Copa do Mundo ganha dinheiro por recebê-la, mas que a questão nem é essa. Os autores convidam os governantes a falar a verdadepara seus povos e a fazer a pergunta que os verdadeiros estadistas devem fazer: quanto custa manter um país feliz por um mês? Conforme for a resposta, vale a pena pagá-lo e, de fato, quem recebe um evento como a Copa do Mundo de futebol passa trinta dias feliz e orgulhoso. Não é preciso, portanto, mentir, inventar e, muito menos, criar monstros como as licitações e orçamentos secretos.
O governo Lula obteve vitórias incontestáveis ao trazer os dois maiores eventos da humanidade, a Copa e a Olimpíada, para o Brasil. E foi ele, porque tanto Ricardo Teixeira quanto Carlos Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, em governos anteriores desde Fernando Collor, tinham tentado e amargado mais que fracassos, verdadeiras humilhações.
Foi exatamente na gestão do presidente monoglota que as vitórias vieram e países como os Estados Unidos, com Barack Obama na campanha, foram derrotados.
O risco, no entanto, dos enormes triunfos se transformarem em derrotas escandalosas existe e não é pequeno.
Porque se o Brasil pode perfeitamente fazer a Copa do Mundo do Brasil no Brasil (se a África do Sul fez, por que não faríamos?), não pode, nem deve, fazer a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil.
E a orgia das construções de novos estádios, em vez de priorizar o legado às cidades, demonstra que estamos tentando dar um passo maior que nossas pernas.
No finzinho do primeiro tempo é preciso lembrar que, em artigo assinado na página 3 da Folha de S. Paulo, Teixeira garantiu que esta seria a Copa da iniciativa privada.
Mas um estudo do Tribunal de Contas da União já demonstrou que nada menos do que 98,5% do que se gastará para fazer a Copa será de dinheiro público, do BNDES, da Infraero e da Caixa Econômica Federal, sem falar de incentivos e isenções fiscais, porque, como se sabe, a Fifa não pagará nem um tostão de impostos por tudo que disser respeito à Copa.
É hora do intervalo, para pensar.
Todo e qualquer país que se candidate a receber uma Copa do Mundo, do mais poderoso ao mais humilde, de quebra entrega boa parte de sua soberania.
Porque a Fifa, que se orgulha de ter mais filiados que a ONU (e tem mesmo, 208 contra 192), não brinca em serviço e tem sede pantagruélica. Basta dizer
que a cerveja que patrocina a entidade, dos Estados Unidos, foi a única encontrável nos estádios da orgulhosa Alemanha, para desespero do Partido Verde local, indignado com o desrespeito à tradição, e à qualidade, da bebida alemã.
No Brasil não chegaremos a tanto, mas veremos a suspensão da lei que impede a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, porque a mesma Budweiser vem aí.
Futebol no mundo globalizado
Mas, afinal, que fenômeno é este, do que estamos falando?
Assunto para o segundo tempo.Porque é impossível entender o que culmina com a Copa no Brasil sem entender o que se passou com o futebol no mundo “golbalizado”, com o perdão do trocadilho infame já feito uma vez, três anos atrás, para um texto feito por este escriba para a revista Política Externa, praticamente aqui reproduzido com as obrigatórias atualizações.
A Terra é uma bola, como se sabe. E joga-se bola na Terra por todos os cantos.
E a Terra é uma bola cada vez menor, do tamanho de uma de futebol. Que também se transformou com a tal da globalização.
Da primeira Copa do Mundo transmitida para o mundo inteiro pela TV, em 1970, no México, a chamada aldeia global testemunhou o incrível crescimento de uma de suas mais influentes multinacionais, a Fifa, com sede na Suíça, em Zurique. E quem melhor soube aproveitar o desenvolvimento do futebol como um negócio extraordinário foi o continente europeu.
Não há sequer um grande nome do futebol mundial que não esteja na Espanha, na Itália, na Inglaterra ou na Alemanha. E os países periféricos, embora tecnicamente do Primeiro Mundo do futebol sob ponto de vista do talento que produzem, se transformaram em meros exportadores de pé de obra, numa inversão tal de valores que em vez de exportarem o espetáculo acabam por exportar os artistas.
Brasil e Argentina são os dois mais eloquentes exemplos do fenômeno no continente americano, algo que afeta também, e cada vez mais, a África.
Não fosse assim e a Seleção Brasileira teria mais que apenas dois jogadores que atuam no país convocados para defendê-la no começo das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ou no time pentacampeão, em 2002, na Alemanha, teria mais que só o goleiro Marcos e os volantes Gilberto Silva e Kléberson entre os titulares, os dois últimos, em seguida, vendidos para o exterior. E por quê?
Porque nem o real nem o peso podem concorrer com o dólar ou com o euro, dizem os conformados – e os cartolas que lucram com tal estado de coisas.
Dos cartolas duas CPIs recentes no Congresso Nacional já trataram devidamente.
E uma investigação da parceria Corinthians/MSI, feita pela Polícia Federal, dois anos atrás, apenas acrescentou novas informações sobre os métodos da lavagem de dinheiro indiscriminada, que também é face da globalização, para legalizar dinheiro de drogas, contrabando de armas e outros crimes. Trata-se de crime, também transnacional, é claro.
CBF apoia ida de ídolos brasileiros para a Europa
E não só o êxodo que incomoda. A CBF tem uma política deliberada de apoiar a ida de nossos ídolos para a Europa, por diversas razões.
Dona da maior grife do futebol mundial, a entidade não quer concorrência interna como nos anos 1960, quando, por exemplo, Santos e Botafogo eram, com frequência, capazes de excursionar pelo mundo com cotas maiores que a da Seleção Brasileira.
Além do mais, argumenta-se na CBF que nossos jogadores adquirem uma consciência tática e uma saúde física que não teriam se ficassem no Brasil, além de se acostumarem a enfrentar em seus campeonatos aqueles que encontrarão nas Copas do Mundo.
Se, nos tempos do complexo de vira-latas de Nelson Rodrigues, os atletas brasileiros se assustavam com a saúde de vaca premiada dos europeus, hoje são eles que ficam atemorizados ao ver a Seleção Brasileira perfilada com os melhores jogadores de cada time europeu reunidos numa equipe só.
Se, em tese, tal política traz benefícios à CBF, por outro acarreta prejuízos óbvios ao futebol disputado no país. Um dos mais visíveis é o de que não se encontram camisas de clubes brasileiros nas lojas de material esportivo pelo mundo afora, embora as da Seleção sejam as mais expostas nessas mesmas lojas.
Só que não é tão difícil encontrar as do Boca Juniors e do River Plate, porque os grandes clubes argentinos são menos submissos que os nossos.
Outro prejuízo, ainda mais letal, está em que a torcida brasileira paulatinamente perde seus vínculos com a Seleção.
Não se discute mais apaixonadamente em torno de uma convocação, porque nem o centroavante do Flamengo, nem o meia do Corinthians, nem o goleiro do Cruzeiro estão
cotados, ao contrário do atacante do Barcelona, do defensor do Milan ou, até, do atleta que joga na Ucrânia.
Sim, porque a globalização que atingiu o futebol brasileiro não se restringe a levar os jogadores para países do dito Primeiro Mundo, leva também para a Turquia, Ucrânia etc., demonstração cabal de que a explicação para o êxodo não está na economia nacional, mas, sim, no modelo de gestão arcaico, e nada transparente, de nosso futebol.
Por incrível que pareça, em pleno século XXI, o futebol brasileiro convive com a globalização e com suas capitanias hereditárias ao mesmo tempo, numa simbiose deletéria.
A perda de vínculo com a Seleção é tamanha que o time da CBF é capaz de passar dois anos sem se exibir no Brasil, como aconteceu recentemente.
Verdade que a vida fora do país mudou muito o comportamento de nossos jogadores, cada vez menos parecidos com os boleiros de antigamente e cada vez mais com os popstars de hoje em dia, todos com seus empresários, procuradores, agentes, assessores de imprensa e muita, mas muita artificialidade.
Quem esteve nas Copas do Mundo, aliás, muitas vezes se perguntou se estava vendo um campeonato esportivo ou um festival de rock.
Nostalgia, romantismo, saudosismo? Talvez um pouco, mas só um pouco.
Mercantilização do futebol
Diante da inexorável mercantilização do futebol é inútil combatê-la, mas é essencial denunciar seus descaminhos, até para torná-la mais eficaz.
Como aconteceu no Brasil nos anos 1970, quando os bicheiros tentaram se apropriar dos clubes de futebol como já haviam feito com as escolas de samba, em busca de reconhecimento social, agora são os bilionários de fortunas suspeitas que repetem a estratégia, em escala planetária, como se constata na Inglaterra.
Clubes londrinos tão tradicionais como o Chelsea e o Arsenal são alvos da cobiça dos que se beneficiaram da privatização das empresas estatais da exUnião Soviética, o primeiro já devidamente dominado. A boa imprensabritânica grita, critica, denuncia e não por ser contra o avanço do capitalismo, mas por querer vê-lo dentro dos limites compatíveis com a prática esportiva.
Afinal, foi um escocês, Bill Shankly, ex-técnico e gerente do Liverpool em seu período de ouro, filósofo do futebol que era, o autor da célebre frase: “É claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso”.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, João Saldanha morreu sem se conformar com os rumos que o futebol tomava ainda em 1990. Ele que se insurgia até contra as placas de publicidade nos estádios por considerar que, além de botar em risco a integridade física dos jogadores, elas poluíam o visual do jogo.
De fato, numa época em que eram de ferro, as placas fizeram algumas vítimas entre os que não conseguiam brecar em tempo de não se chocar contra elas.
Mas passaram a fazer parte do cenário do futebol, sem maiores problemas.
A publicidade nas camisas dos times, então, horrorizava o velho João Sem Medo, incapaz de aceitar aquelas manchas nos mantos sagrados de times tão tradicionais.
Fato é que apenas o Barcelona, um caso à parte no mundo do futebol por causa do nacionalismo catalão, conseguiu resistir ao fenômeno, fundamental para as finanças de qualquer grande clube. Não só o time espanhol não recebia para anunciar patrocinador como, ao contrário, pagava à Unicef para expor sua marca. Mas até esta exclusividade acabou. Já nesta temporada o Barça ostenta, a peso de ouro, a marca da Qatar Foundation, do país, não por acaso, sede da Copa de 2022, em seu verão de 52 graus Celsius.
Conviver com tudo isso, portanto, não só passou a fazer parte do dia a dia do futebol como, na verdade, passou a ser legítima preocupação na busca de mais rentabilidade e excelência do espetáculo. Com todos os riscos que embute.
Para o historiador marxista Eric Hobsbawm, “a capacidade de o futebol ser um símbolo de identidade nacional há muito é conhecida. No meu livro sobre nacionalismo eu escrevi que ‘a comunidade imaginária de milhões parece ser mais realista do que um time de onze pessoas’. Atualmente, indubitavelmente, isto é mais importante do que nunca na história, já que grandes jogadores são recrutados de quase todos os cantos do mundo. Acho que só participar de uma Copa do Mundo é que faz as pessoas que vivem no Togo ou em Camarões darem-se conta de que são cidadãos de seus países. Posso entender o apelo deste tipo de patriotismo, mas eu não tenho entusiasmo nenhum pelo
nacionalismo”.
E cada vez mais autores se debruçam sobre o tema, como no excelente livro do jornalista americano Franklin Foer: Como o Futebol Explica o Mundo, Um Olhar Inesperado sobre a Globalização (Jorge Zahar Editor).
Da questão religiosa, na Escócia, passando pelo antissemitismo, violência de torcidas, na Inglaterra, racismo na Ucrânia, novas oligarquias na Itália, sempre tendo o futebol como tema, nos Estados Unidos, inclusive, onde a esquerda o elegeu por ser menos truculento que o chamado futebol americano, até a corrupção dos cartolas (adivinhe onde), no Brasil, é claro, Foer produz umasérie de reportagens formidáveis. Segundo ele mesmo, com o cuidado de não ser “demasiado hostil à globalização que, com todas as suas falhas, fez com que o futebol chegasse aos recantos mais distantes do planeta e à minha vida”.
Tentativa de corrigir os rumos
E este é o ponto. Porque não se trata de nenhuma bandeira quixotesca a rebeldia contra o que está estabelecido, mas, sim, trata-se de tentar corrigir rumos sem aceitar passivamente o que para muitos está escrito e ponto final.
No fundo, é como disse Hobsbawm em entrevista à Folha de S. Paulo: “O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização. Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização”.
De fato.
De um lado, a força propulsora do capitalismo em busca de mais e mais lucro e rentabilidade. Do outro, a sobrevivência de um modelo nacionalista que convive dialeticamente com a internacionalização, como se para ser um ídolo global é necessário ser, antes, do seu país natal.
Muito antes do fenômeno da globalização, o jornalista Renato Pompeu em seu romance A Saída do Primeiro Tempo (Editora Alfa-Omega), já propunha uma
“teoria do futebol”. Nela, com extrema graça e criatividade, defende, por exemplo, que a semana inglesa foi criada para permitir que os súditos de Sua Majestade, a Rainha, jogassem bola aos fins de semana.
Sim, cada vez mais surgem pensadores que explicam o mundo pela bola e recentemente mesmo chegou às livrarias outra brilhante pensata sobre o tema, do historiador medievalista da USP, Hilário Franco Júnior, A Dança dos Deuses – Futebol, Sociedade, Cultura (Companhia das Letras).
Influência do futebol na vida das pessoas
Ao tratar da importância que o esporte assumiu no mercado do entretenimento, Franco mostra que 3% do PIB europeu vêm dele, com parcela importante do valor constituída pelo que o futebol gera. Calcula-se que o futebol gere empregos para 450 milhões de pessoas pelo mundo afora, o que permite dizer que, direta ou indiretamente, cerca de dois bilhões de almas vivem do esporte, quase 1/3 da população mundial.
A estimativa é do ex-presidente da Fifa, João Havelange, o brasileiro que estava na hora certa no lugar certo e comandou a virada da entidade ao assumi-la em 1974, quando as fronteiras já começavam a cair. Apesar de ter criado um modelo exclusivista, para pouquíssimos, Havelange aliou-se ao capital multinacional da Adidas e da Coca-Cola, entre outros, para disseminar o futebol pelos continentes africano e asiático, além de dedicar especial atenção aos Estados Unidos, que até recebeu a Copa do Mundo de 1994. Se o futebol dos homens ainda não é um sucesso na terra de Tio Sam, o das mulheres é, campeãs olímpicas que são.
Ainda segundo Franco revela, o estudo “Soccereconomics 2006”, feito pelo banco holandês ABN-AMRO, “estimou em 0,7% a taxa suplementar de crescimento no país que ganhasse o Mundial daquele ano, em função do maior consumo de bebidas, comidas, material esportivo e suvenires, mas sobretudo devido ao aumento da autoestima nacional, que leva a população a investir e consumir mais”.
De fato, nem sempre se avalia corretamente o quanto o futebol influencia a vida das pessoas.
Há quem diga, por exemplo, que Fernando Henrique Cardoso deve muito de sua primeira eleição à vitória na Copa do Mundo de 1994. Claro que o Plano Real teve influência decisiva, mas, lembremos: o Brasil vinha da derrocada do governo Collor, acabara de sofrer o trauma da perda do maior ídolo nacional de então, o piloto Ayrton Senna, e estava com sua autoestima em estágio de elevadíssima depressão, quadro ideal, talvez, para mudar tudo, para tentar o que ainda não havia sido tentado depois de governos ditatoriais e do fracasso dos primeiros governos democráticos, de José Sarney e Fernando Collor, eleito diretamente, ainda por cima.
Quem sabe um operário não daria jeito na coisa? Só que não foi daquela vez, porque a vitória obtida por Romário e sua trupe em gramados americanos mudou o humor do país, que preferiu esmagadoramente o professor que tinha virado ministro e estabilizado a moeda.
Tão importante, no entanto, como vencer a inflação, era o tetracampeonato, depois de 24 anos da conquista do tri.
Mas, atenção, à medida que vamos chegando ao fim do segundo tempo: não leve a ferro e fogo tamanha digressão. Porque nada autoriza a que se suponha que o tricampeonato seja creditado à ditadura Médici, pois a História dá a ele o lugar que fez por merecer, o das sombras, e a Pelé, Tostão & Cia o que lhes cabe, o da glória.
Em bom português, imaginar que o povo confunda vitórias esportivas com os governantes do momento é ledo engano, assim como é desrespeitar sua inteligência. Mas que afeta humores, afeta, e muito. Daí, também, o inconformismo de quem tem senso crítico em relação ao estágio do futebol no dito país do futebol, o nosso.
Na verdade, nem somos. A Inglaterra é muito mais país do futebol pelo que o reverencia. E mesmo a Argentina parece levar vantagem em dosagem de paixão.
Maltratamos o futebol no país do patropi
Importante dizer que em todas as pesquisas de tamanho de torcidas no Brasil, o contingente maior é o dos que não se interessam por futebol, só depois vindo as torcidas do Flamengo e do Corinthians. O que não impede que se constate como maltratamos o futebol no patropi.
Em plena fase de globalização da economia, o futebol brasileiro ainda está no estágio da acumulação pré-capitalista e, como tal, vive na base da pirataria, como bem demonstraram duas CPIs no Congresso Nacional no ano 2000.
Lamentável que nos sujeitemos a ser polo passivo numa atividade em que somos, sem sombra de dúvida, como na música, de Primeiro Mundo.
Já foi dito e aqui é repetido que as diferenças econômicas entre os maiores centros do futebol mundial explicam muita coisa, mas não justificam todas elas.
Por exemplo: o Brasil tem o oitavo PIB do mundo e a Espanha o 12º. A Itália está em sexto lugar no ranking, mas a Rússia está em décimo, assim como a Turquia está em 17º, com 1/3 de nosso PIB, e a Ucrânia em 53º, quase quinze vezes menor que o brasileiro. E perdemos jogadores para todos esses países, sem exceção, entre tantos outros.
É claro que o euro pesa, que a União Europeia pesa, que o preço dos ingressos pesa, que as cotas de TV pesam. Mas nosso mercado publicitário é equivalente ao de Espanha e Itália, nossa população é muito maior, a capacidade instalada de nossos estádios é do mesmo porte e o que nos falta é gestão, é visão, e é, também, menos corrupção no futebol.
Porque em nossa Belíndia ainda não fomos capazes nem de dar à Bélgica aquilo que ela está disposta a pagar em termos de conforto e segurança nos estádios, nem de dar à Índia aquilo que merece como forma de lazer popular compatível com seu padrão de vida. E não será na Copa de 2014 que daremos, porque Copa do Mundo não é evento para os mais pobres, muito ao contrário.
Na verdade, vivemos sem saber o que queremos ser quando crescer em matéria de política esportiva e não temos sido capazes de nos aproveitar das oportunidades que a globalização oferece, limitados ao papel de exportar matéria-prima, como nos tempos da dependência do país essencialmente agrícola.
Nosso futebol, assim como nosso vôlei, é tão bom como o café que produzíamos e se, então, vendíamos o que por aqui havia de melhor sem nos preocupar com a criação de um mercado interno digno desse nome, agimos igualmente hoje em dia em relação aos nossos craques.
Fifa não é contestada no Brasil
Ao exercer seu poder imperial, a Fifa jamais é contestada no Brasil, diferentemente do que acontece na Europa. A ponto de, ainda em 1990, o então só bilionário presidente do Milan, Silvio Berlusconi, acima de qualquer suspeita de esquerdismo, ter feito o alerta de que as Copas do Mundo eram daninhas ao progresso dos clubes. Sua argumentação era de uma clareza incontestável.
A Itália tinha acabado de sediar a Copa e havia sido eliminada, nas semifinais, pela Argentina, em Nápoles. Duas temporadas do Campeonato Italiano, em 1988 e 1989, tinham sido prejudicadas pelas reformas nos estádios que receberiam a Copa, sem, portanto, capacidade total naqueles anos, em prejuízo das bilheterias. O Milan cedeu quase todos os seus jogadores tanto para a seleção italiana como para a holandesa, cujos três maiores jogadores (Rijkard, Gullit e Van Basten) lhe pertenciam. Pois bem, nãosó a Holanda foi eliminada na primeira fase. A Itália, que era a favorita por jogar em casa, acabou eliminada também.
“E agora, findo o fiasco geral, vem a dona Fifa e diz: ‘Reerga o futebol’ ”, reclamava o empresário que viraria o mais poderoso homem da Itália anos depois. Berlusconi radicalizava e propunha que as Copas do Mundo fossem disputadas pelos clubes, com suas legiões de estrangeiros, ao argumentar que o futebol globalizado já não dava conta de se manter tendo como grande atração, a cada quatro anos, um torneio de seleções nacionais. “Que se limitem ao enfrentamento nos Jogos Olímpicos”, propunha.
Hoje, a liga dos clubes europeus exerce forte influência para limitar as vontades da Fifa e, por utópico que pareça, talvez não esteja longe o dia em que a proposta do histriônico premiê se torne realidade. Ao contrário, no Brasil, temos sido incapazes de fortalecer a estrutura clubística e, em vez de aprofundarmos o potencial capitalizador de nosso futebol, vivemos, isso sim, à base da socialização da miséria.
A superestrutura dirigente do futebol nacional é muito mais do que conservadora, é extremamente reacionária, como tal refratária a qualquer mudança de modelo de gestão e, para piorar, corrupta e corruptora, além de sedutora. Provas recentes disso temos às fartas.
No governo Lula foi aprovada a Timemania, uma loteria que será utilizada para que os clubes paguem suas dívidas com o Estado brasileiro, aí compreendidas as com a Previdência Social e com a Receita Federal.
Ao dar com uma mão, o governo não se preocupou em exigir, com a outra, alguma forma de contrapartida, premiando, enfim, os que construíram a dívida. Não se exigiu, por exemplo, para aderir à loteria, a administração empresarial do futebol profissional, como se faz na Europa. Até mesmo a Lei de Incentivo ao Esporte nada exigiu como mudança de modelo. Tudo isso num governo presidido por quem, torcedor que é, está cansado de conhecer as mazelas da cartolagem. Mais: por quem assinou as duas primeiras leis de seu mandato, em 2002, o Estatuto do Torcedor e a chamada Lei da Moralização do Esporte, ambas milagrosamente aprovadas, a primeira por unanimidade, no período FHC e generosamente sacramentadas por Lula.
Em seu discurso, na cerimônia de assinatura, Lula garantiu: “Nunca mais o torcedor será tratado como gado no Brasil e nunca mais os dirigentes esportivos deixarão de ser responsabilizados por seus atos”.
Não havia, então, um cartola no ato, no Palácio do Planalto. Poucos meses depois, no entanto, à custa de levar a Seleção Brasileira ao Haiti, presidentes da República e da CBF
estavam de braços dados, congraçamento que só se aprofundou de lá para cá e as Timemanias da vida são só uma face dessa moeda.
A outra é a organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, algo de que o país pode sim dar conta, desde que com a nossa cara e o nosso tamanho. Mas, repita-se, o
que se anuncia é uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil, desperdício de dinheiro público em novos estádios, sinônimos de elefantes brancos tão logo a Copa termine.
Brasil precisa de nova classe dirigente no esporte
Para deixar de ser mero coadjuvante na globalização do futebol, o Brasil precisa de uma nova classe dirigente em seu esporte, executivos que tenham saído das escolas com a perfeita compreensão do fenômeno, capacitados a pensar o futebol como negócio na indústria do entretenimento, conscientes de que, no entanto, este é um negócio diferente dos demais, no qual se o lucro é vital, ser campeão é o primeiro objetivo. Negócio singular em que a cabeça fria do empresário precisa ser usada para exacerbar a cabeça emocional do consumidor, no qual o ídolo não pode ser tratado como mercadoria qualquer, mas como alguém vital para a prosperidade do empreendimento.
Administrado como se deve, certamente o futebol brasileiro não poderá fazer frente às propostas milionárias de um Milan, uma Inter, de um Barcelona ou Real Madrid, àqueles jogadores que tiverem brilhado numa Copa do Mundo, craques já consagrados, como nem mesmo os alemães e franceses conseguem concorrer.
Mas não só os preços pagos serão equivalentes aos das transações entre os próprios clubes europeus, cinco, seis vezes maiores do que o investido para tirar os ídolos brasileiros, como se evitará o êxodo das promessas que vão embora antes mesmo de disputar uma Copa do Mundo, por quantias invariavelmente ridículas.
Porque há casos emblemáticos.
O do atacante Élber, já aposentado, é um deles.
Ele surgiu no futebol em Londrina e com 19 anos, em 1991, foi jogar na Suíça, no Grasshopper (?!). Lá fez sucesso e se transferiu para o Sttuttgart, da Alemanha, de onde foi para o poderoso Bayern de Munique, Lyon, da França, sempre fazendo gols e até chegando à Seleção Brasileira, com menos brilho.
Terminou sua carreira em 2006, no Cruzeiro, e, então, ao defender o clube mineiro, pela primeira vez jogou no Maracanã, santuário não só do futebol brasileiro, mas do mundial.
Outro caso é o do centroavante Afonso, que surgiu no Atlético Mineiro aos 20 anos, em 2001, e nem bem jogou como titular foi, no ano seguinte, para a Suécia, de onde se transferiu para o holandês Heerenveen (??!!), onde tantos gols fez que acabou convocado para a Seleção Brasileira, sem que Dunga, o técnico, jamais o tivesse visto jogar, assim como a esmagadora maioria da torcida e da imprensa especializada brasileiras.
Élber e Afonso existem aos montes, assim como os mais raros Ronaldo e Kaká, ou, mais raros ainda, Pelé e Mané Garrincha, que jogaram a vida toda no Brasil, em outros tempos, é claro, tempos que acabaram como o próprio Pelé testemunhou quando decidiu terminar sua carreira no New York Cosmos, ao integrar o esforço de popularização do futebol nos Estados Unidos.
Será chover no molhado dizer que a globalização está aí e não adianta vociferar contra ela, murro em ponta de faca. Mas que outro murro, o do choque de gestão, pode tornar o Brasil mais ativo neste banquete também no futebol, só não vê quem não quer, ou se aproveita da pirataria, como os corsários ingleses, que se deram bem, é verdade, na origem do capitalismo, embora o Império Britânico tenha se dado ainda melhor, algo, por enquanto, distante da terra de Macunaíma. Distante, sim, mas próximo a ponto decobiçar a possibilidade de fazer na Inglaterra a Copa que está em andamento no Brasil.
Sanud e CPIs do Congresso Nacional
História para a prorrogação, depois de tudo que já foi dito no primeiro e segundo tempos deste jogo.
Lembra-se da Sanud, Dunas ao contrário, lá do começo do jogo?
Pois é, é disso que trataremos agora.
Uma empresa com este nome, sediada em paraíso fiscal, aflorou nas CPIs do Congresso Nacional que investigaram a CBF.
À época, a revista Veja publicou a nota seguinte: “O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, usou uma empresa de fachada, a R.L.J. Participações, com
sede no Rio de Janeiro, para esquentar dinheiro ilícito vindo de um paraíso fiscal, o principado de Liechtenstein. A operação foi assim: em julho de 2000, a R.L.J. registrou em seu balanço uma dívida de 2,9 milhões de reais com a Sanud Etablissement, de Liechtenstein. Documento sigiloso do Banco Central de 1º de novembro passado, ao qual VEJA teve acesso, indica que, nos últimos seis anos, a R.L.J. não recebeu empréstimo da Sanud e, nesse mesmo período, não mandou um único centavo a Liechtenstein a título de pagamento. Além disso, no ano passado, a Sanud já não existia havia dezenove meses. Seu fechamento, que não poderia ocorrer sem a quitação de todos os seus créditos, inclusive os 2,9 milhões de reais de Ricardo Teixeira, está documentado em correspondência do Coaf, órgão brasileiro de fiscalização financeira”.
Entramos nos acréscimos.
Recentemente o programa “Panorama”, da BBC, desenterrou o caso e revelou que a ISL, falida gigante do marketing esportivo associada à Fifa, depositara US$ 9,5 milhões na conta da Sanud.
Procurado pela emissora britânica, o presidente da CBF e, lembre-se, do COL preferiu calar.
Pois foi em meio a tal clima de escândalo que transcorreu a última reeleição do presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, para perplexidade até do primeiroministro da Inglaterra, David Cameron, que simplesmente a chamou de “farsa”. Tudo porque a Inglaterra, que pode organizar uma Copa do Mundo perfeita servindo-se apenas de Londres, foi reveladoramente caroneada pela Rússia como sede do torneio em 2018.
A candidatura do berço do futebol moderno teve apenas um voto além do próprio. Sim, o ouro do Império perdeu para a prata dos emergentes que fizeram a festa na partilha da velha União Soviética.
E é para não ficar mal com essa gente, ao constatar o atraso nas obras para a Copa-2014, que o governo brasileiro propôs o instrumento de tornar sigiloso o que deve ser transparente nas licitações, porque o que é público ao público pertence ou, ao menos, deveria pertencer.
Dilma dá sinais de independência e insatisfação
Amarrada por compromissos assumidos no governo Lula ou não, o fato é que a presidenta Dilma Rousseff começou a dar sinais de independência e de insatisfação em relação à condução das coisas sobre a Copa. E fez questão de dar um tapa de luva de pelica nos organizadores do evento ao nomear Pelé como embaixador da Copa do Mundo. Não que Pelé que, lembremos, foi ministro extraordinário do Esporte no governo FHC, seja um crítico ácido da cartolagem encastelada no poder do futebol brasileiro, porque não é, mas ela fez com a imagem dele aquilo que Teixeira fazia questão de negar, fazia questão de não dar.
E ao colocar Pelé sentado entre ela e Teixeira na primeira cerimônia oficial da Copa do Mundo no país, na Marina da Glória, em fins de julho último, a presidenta sinalizou com clareza que CBF e COL são uma coisa e o governo quer ser outra, tanto que tratou Teixeira por “senhor”, e apenas uma vez, mas fez questão de se referir a Pelé duas vezes em seu discurso, na primeira chamando-o de “queridíssimo”.
Há, enfim, alguma esperança, ainda antes do apito afinal, depois do qual não haverá mais nada a fazer.
* Artigo originalmente publicado na revista “Interesse Nacional”, edição no.15, de outubro de 2011.

por Juca Kfouri às 12:00

sábado, 24 de setembro de 2011

CRUZ VERMELHA: fome atinge 1 BILHÃO de pessoas por dia (PARA REFLETIRMOS) #VERGONHA

Mas o mundo produz comida suficiente para alimentar seus 7 bi de habitantes

 
Áreas rurais da África Subsaariana são as principais afetadas pela fome (Oli Scarff / Getty Images) O mundo produz comida suficiente para alimentar seus quase 7 bilhões de habitantes, mas a cada dia 1 bilhão de homens, mulheres e crianças vão dormir com fome, informa a Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV). Em seu relatório sobre desastres mundiais, divulgado nesta quinta-feira, a FICV analisa as causas da fome e localiza o problema principalmente em áreas rurais da África Subsaariana e na região da Ásia-Pacífico - embora o número de famintos nas cidades também esteja crescendo.

O documento adverte que os países ricos também não escapam à fome e que é improvável que se alcance o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estipulados pela ONU, que seria reduzir pela metade o número de pessoas que passam fome e vivem na extrema pobreza.

A Cruz Vermelha destaca o desequilíbrio que existe no mundo, onde 1 bilhão de pessoas em situação de desnutrição crônica convivem com 1,5 bilhão de pessoas sobrealimentadas. As crianças são os principais afetados pela distribuição deficiente dos recursos, com 9 milhões de mortes anuais antes de alcançar os cinco anos de idade.
Atualmente, 178 milhões de crianças na faixa de idade entre zero e cinco anos sofrem problemas de crescimento por uma deficiência na alimentação, um problema que começa no seio materno causando a metade das mortes de crianças menores de dois anos.

Leia mais: Como a ajuda humanitária agrava a crise de fome na África

Causas - O relatório afirma que as causas da fome e desnutrição são complexas e incluem desde a fala de investimento agrícola até a mudança climática, passando pela inconstância nos preços dos combustíveis e a especulação com as matérias-primas.

"Mas uma das causas mais nocivas é a discriminação de gênero. Se estima que 60% das pessoas desnutridas no mundo sejam mulheres, e em alguns países as meninas têm o dobro de probabilidade que os meninos de morrer por causa da desnutrição e de doenças infantis que poderiam ser prevenidas", acrescenta.

A FICV pede aos governos que desenvolvam planos de ação para enfrentar este grave problema e substituir o esquema de ajuda alimentícia pelo de transferência de capital, que poderia potencializar a criação de empregos e a geração de renda.

Investimentos - De acordo com o documento, a população mais vulnerável deve ter tratamento prioritário, ou seja, os menores de cinco anos e as mulheres grávidas. O relatório reconhece também que aumentar os recursos não é suficiente "devido à corrupção e ao desperdício, algo que é mais recorrente em governos agrícolas".

Os governos devem investir mais em pesquisa e deixar de considerar que os produtores são somente homens, para evitar o círculo vicioso que condena o dobro de mulheres. O relatório também critica "a hipocrisia das massivas intervenções estatais por parte da União Europeia, Estados Unidos e Japão para conceder enormes subsídios nacionais para a proteção de seus próprios agricultores".

A FICV reforça a necessidade de conhecer melhor o alcance e o impacto da desnutrição e da fome no mundo, já que há suspeitas de que em alguns países os números requisitados pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) não refletem a realidade.

De acordo com algumas pesquisas, o número de pessoas que sofrem de fome poderia ser até um terço maior do que o informado pela FAO. Por isso, a FICV pede "uma base de dados aberta sobre a agricultura e a alimentação".

Fonte Veja / Agencia EFE http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/fome-atinge-1-bilhao-de-pessoas-por-dia-diz-relatorio

sábado, 17 de setembro de 2011

DIlma tira 4 ministras de comitiva à ONU

Folha de S. Paulo
O Planalto desconvidou ontem quatro ministras de integrar a comitiva da presidente Dilma Rousseff à Nova York, onde ela participa da abertura da Assembleia Geral da ONU.

As ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Igualdade Racial), Iriny Lopes (Mulheres) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) foram contatadas ontem.

A Folha apurou que a alegação para o desconvite foi a presença de muitos ministros na comitiva. O ministro Gilberto Carvalho falou com as ministras.

O Planalto desconvidou ontem quatro ministras de integrar a comitiva da presidente Dilma Rousseff à Nova York, onde ela participa da abertura da Assembleia Geral da ONU.

As ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Igualdade Racial), Iriny Lopes (Mulheres) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) foram contatadas ontem.

A Folha apurou que a alegação para o desconvite foi a presença de muitos ministros na comitiva. O ministro Gilberto Carvalho falou com as ministras.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

RUMO A ONU - Brasil doa US$ 100 mil à Mongólia para ajudar crianças


   
O governo doou hoje US$ 100 mil à Mongólia, canalizados pela Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e destinados a ajudar as crianças do país, informou nesta segunda-feira em comunicado a Embaixada Brasileira em Pequim.
O objetivo do Brasil é ajudar as crianças das famílias que sofreram no inverno passado com as temperaturas de até 40 graus negativos, que deixaram 80% do país com camadas de entre 20 e 60 cm de neve e causaram a morte de mais de dois milhões de cabeças de gado.
Com a doação, serão comprados alimentos, suplementos alimentícios e combustível para ajudar essas famílias a enfrentar as perdas pela onda de frio, um fenômeno frequente na Mongólia.
O embaixador do Brasil em China e Mongólia, Clodoaldo Hugueney, se reuniu hoje em Pequim com o embaixador da Mongólia na China, Tsedenjav Sukhbaatar, para tornar a doação oficial.
Devido ao forte frio deste ano, o governo da Mongólia pediu à comunidade internacional alimentos, remédios, aparelhos de calefação, roupa e velas, além de ajuda humanitária.
EFE

segunda-feira, 22 de março de 2010

MUNDO - Dia Mundial da Água



Dia Mundial da Água
Water Impact 0.jpg
Água
Tipo Mundial
Seguido por Mundial
Data 22 de Março

O Dia Mundial da Água foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 22 de Fevereiro de 1993,[1] declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.
Nesse período vários Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a realizar no Dia, atividades concretas que promovam a conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações proposta pela Agenda 21.
A cada ano, uma agência diferente das Nações Unidas produz um kit para imprensa sobre o DMA que é distribuído nas redes de agências contatadas. Este kit tem como objetivos, além de focar a atenção nas necessidades, entre outras, de:
  • Tocar assuntos relacionados a problemas de abastecimento de água potável;
  • Aumentar a consciência pública sobre a importância de conservação, preservação e proteção da água, fontes e suprimentos de água potável;
  • Aumentar a consciência dos governos, de agências internacionais, organizações não-governamentais e setor privado;
  • Participação e cooperação na organização nas celebrações do DMA.
Os temas dos DMA anteriores foram:
  • 2009: Água e saúde
  • 2008: Saneamento
  • 2007: Lidando com a escassez de água
  • 2006: Água e cultura
  • 2005: Água para a vida
  • 2004: Água e desastres
  • 2003: Água para o futuro
  • 2002: Água para o desenvolvimento
  • 2001: Água e saúde
  • 2000: Água para o século XXI
  • 1999: Todos vivem rio abaixo
  • 1998: Água subterrânea: o recurso invisível
  • 1997: Águas do Mundo: há suficiente?
  • 1996: Água para cidades sedentas
  • 1995: Mulheres, playboy, sexo e Água
  • 1994: Cuidar de nossos recursos hídricos é função de cada um.
A partir de 2001 ficou restrito a cada país a adoção da Agenda 21

 


 

domingo, 21 de março de 2010

ONU - Ban Ki-moon visita em Gaza casas destruídas na última ofensiva israelense

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, iniciou hoje uma breve visita à Faixa de Gaza no marco de sua viagem por Israel e pelos territórios palestinos, com uma panorâmica da destruição que causou a operação israelense do ano passado. Ban, que esteve ontem na cidade cisjordaniana de Ramala e em Jerusalém, viu em Izbet Abed Rabbo, perto de Jabalya, no norte de Gaza, as casas destruídas em tal ofensiva militar, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos, em sua maioria civis.
As casas ainda continuam em escombros porque o bloqueio israelense impede a entrada na faixa de materiais de construção.
Ontem à noite, perante o presidente israelense, Shimon Peres, em Jerusalém, Ban qualificou a situação de Gaza de "muito preocupante" e ressaltou que o bloqueio israelense "impõe dificuldades inaceitáveis, por sua vez reforçando os extremistas".
O máximo representante da ONU dedicará o resto da manhã a reuniões com representantes de diferentes agências das Nações Unidas e visitas a projetos humanitários.
"Irei expressar minha solidariedade com o sofrimento dos palestinos que ali vivem", explicou ontem em Ramala.
Ele também vai falar com meios de comunicação.
Ban voltará a Jerusalém ao meio-dia para se reunir com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, com o número dois da diplomacia israelense, Dany Ayalon, (o ministro Avigdor Lieberman está de viagem pela Europa) e com o chefe de Governo, Benjamin Netanyahu.
O secretário-geral já esteve na Faixa de Gaza em janeiro de 2009 para avaliar a destruição provocada pela ofensiva militar israelense, que tinha terminado dias antes.
EFE

 

 

sábado, 20 de março de 2010

PONTO FUTURO - Lula está de olho no cargo de secretário-geral da ONU, diz 'The Times'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria considerando a possibilidade de suceder Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU, segundo afirma reportagem publicada neste sábado pelo diário britânico The Times. Segundo o diário, "diplomatas dizem que Lula da Silva, que deixa o cargo em janeiro, pode buscar o posto mais alto da diplomacia mundial quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon expirar, no fim de 2011".
"A ideia teria sido aventada pela primeira vez pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante a reunião de cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro", comenta o diário.
A reportagem observa que a possibilidade já vem sendo discutido pela imprensa brasileira, com sugestões de que Lula teria sido consultado por mais de uma pessoa sobre a questão.
''Paixão pela África''
Em entrevista ao diário, o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, não negou a possibilidade.
"Ele (Lula) tem um grande interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul", disse Garcia ao Times.
"Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África", afirmou.
Para o diário, o estilo pessoal do presidente brasileiro e sua capacidade para manter relações amigáveis com todos os lados - com a China e com os Estados Unidos, com o Irã e com Israel - elevou seu reconhecimento internacional.
O jornal comenta as ofertas feitas na última semana por Lula, durante sua viagem ao Oriente Médio, de servir de mediador para o conflito na região como um exemplo dessa proeminência cada vez maior do presidente no cenário internacional.
Veto
O Times observa, porém, que Lula tomou recentemente posições que desagradaram os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, ambos países que teriam o poder de veto sobre sua indicação ao cargo de secretário-geral da ONU.
O jornal cita a recepção dada em Brasília ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e as críticas às sanções ao Irã, e também o apoio à Argentina em sua disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.
Segundo a reportagem, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, teria considerado as iniciativas de Lula pela paz no Oriente Médio como "risivelmente ingênuas".
BBC Brasil

 

 

terça-feira, 16 de março de 2010

MEIO-AMBIENTE - Reunião discute como salvar espécies ameaçadas de extinção

A Conferência da Convenção sobre Mercado Internacional de Espécies em Risco da Fauna e da Flora (Cites) discutirá esta semana a caça e o comércio ilegal de tigres e rinocerontes.
O encontro realizado em Doha, capital do Qatar, reúne cerca de 1,5 mil delegados de mais de 170 países, ONGs, além do setor privado e grupos indígenas.
Em colaboração com a Interpol, o secretariado da Cites fez um apelo a todos os países para submeterem informação sobre os tigres, a fim de que uma estratégia unificada contra a caça ilegal seja adotada .
No início dos anos 1990, mais de 100 mil tigres viviam em todo o continente asiático. Estimativas atuais indicam que o número desses animais diminuiu para cerca de 3,2 mil.
Os tigres são normalmente caçados devido ao interesse na pele, que é usada para fins decorativos. Outras partes do corpo desses animais são utilizadas para elaboração de medicamentos tradicionais.
A reunião de Doha também debate o aumento da caça ao rinoceronte e o combate a redes criminosas envolvidas no comércio ilegal dos chifres em várias regiões de África e Ásia.
O número de rinocerontes no mundo cresceu de forma encorajadora na década de 1990, mas rumores de que o chifre do animal teria propriedades medicinais capazes de conter células cancerosas têm impulsionado o comércio ilegal.
Ecossistemas
A Assembleia Geral da ONU declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade e o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, afirmou que este ano é "crucial para a tomada de medidas para proteger as espécies".
O término dareunião da Cites será no dia 26 de março. Os participantes do evento discutirão 42 propostas que refletem a preocupação internacional sobre o aceleramento da destruição de ecossistemas florestais e marinhos.
EcoDesenvolvimento
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