Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 27 de março de 2012

AFASTAMENTO NO RIO - Juiz é afastado suspeito de receber propina e favorecer Prefeito de itaguaí

Órgão do TJ do Rio decide afastar juiz de Mangaratiba
Rafael de Oliveira Fonseca é suspeito de autorizar ilegalmente escutas telefônicas
Chico Otávio

RIO - O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio decidiu na tarde desta segunda-feira, por unanimidade, afastar e abrir processo administrativo disciplinar contra o juiz Rafael de Oliveira Fonseca, titular da Vara Única de Mangaratiba. O magistrado é suspeito de autorizar ilegalmente escutas telefônicas e depois destruir o conteúdo das gravações, repassar para assessores armas, carros e celulares apreendidos em operações policiais e receber propina para conceder alvarás de soltura a milicianos de Itaguaí, onde atuou como juiz criminal.

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O desembargador Azevedo Pinto, relator do caso e corregedor de Justiça, também pediu a extração de peças ao Ministério Público, para possível ação penal contra o magistrado, e abertura de procedimento para investigar o chefe de gabinete de Rafael, por produzir provas ilegais na tentativa de inocentar o juiz.

Em seu voto, a desembargadora Nilza Bittar disse que "a certeza de impunidade de um juiz sempre surpreende mais". Rafael foi citado em reportagem domingo, no GLOBO, como responsável pela absolvição do prefeito de Itaguaí, Carlos Busatto Júnior, o Charlinho, sem dar ao Ministério Público a chance de produzir novas provas sobre a contratação irregular de um jornal pelo município.

O clima na sessão do Órgão Especial foi tensa, marcada por bate-boca entre os desembargadores. A poucos metros do plenário, uma equipe do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciava a inspeção ordinária destinada, entre outros objetivos, a cruzar por amostragem o rendimento com as declarações de renda dos 180 desembargadores fluminenses, além de checar os seus benefícios salariais.

Procurado pela reportagem do GLOBO, o juiz não quis se pronunciar.


Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/orgao-do-tj-do-rio-decide-afastar-juiz-de-mangaratiba-4417281#ixzz1qJ7oAInP

sábado, 17 de março de 2012

MILÍCIAS NO RIO - Fraude da integração na mão de PMs

Oficial da Baixada seria líder do bando que vende cartões no mercado negro e ameaça funcionários das concessionárias. Após denúncia de O DIA, Polícia Civil abre inquérito

POR Alessandra Horto


Rio
- Milícia formada por PMs de batalhão da Baixada Fluminense é suspeita de comandar uma das principais quadrilhas de venda de bilhetes da integração metrô-trem desviados. O grupo, que seria liderado por oficial da PM, controla a maioria dos pontos de comercialização do tíquete. A gangue também é apontada como responsável pelas ameaças feitas a funcionários e até executivos das concessionárias MetrôRio e SuperVia.

Vídeo flaga ação de cambistas em estações


Ontem, após O DIA denunciar a disputa por mercado negro que movimenta mais de R$ 1,44 milhão por mês e frauda 40 mil dos 70 mil bilhetes de integração vendidos por dia, a Polícia Civil abriu inquérito. Agentes da Delegacia de Defesa do Consumidor terão apoio de unidades distritais para prender o bando.

Assustado, funcionário do alto escalão de uma das concessionárias revela detalhes das ameaças feitas pela quadrilha. Algumas são direcionadas à família dos trabalhadores. “Eles mandam recados dizendo que se acabarmos com o esquema deles, que nossos filhos terão que mudar de escola, que nos caçarão por toda a parte”, conta.

Preocupada, a SuperVia reforçou a segurança nas estações. Policiais à paisana têm circulado em meio aos passageiros, atentos a qualquer movimentação suspeita que possa oferecer risco a funcionários, usuários ou empresa. Recentemente, acordo assinado entre a concessionária e a Secretaria de Segurança Pública permite esse serviço.



A SuperVia informou que encaminhou ofício à Secretaria Estadual de Transportes comunicando o fato e pedindo providências. O secretário Júlio Lopes, no entanto, não quis falar sobre o problema. Em nota, a Metrô Rio também disse que comenta o assunto.

Esquema rende lucro de R$ 1,44 milhão por mês
A rentabilidade do mercado negro de bilhetes da integração metrô-trem está alimentando uma guerra entre quadrilhas. Conforme O DIA mostrou ontem, a disputa pelo controle dos pontos de venda dos tíquetes nas estações já provocou até mortes.

Vendido por R$ 4,20 nas bilheterias da SuperVia e do metrô, o benefício que dá direito a embarque nos dois modais está sendo fraudado por cambistas que agem a serviço das quadrilhas.

De posse dos dois cartões — necessários para garantir embarque nos dois sistemas — eles os revendem separadamente por R$ 2,90 (trem) e R$ 3,10 (metrô), valor integral das passagens. O lucro obtido é de R$ 1,80 por venda, já que a soma dos dois valores dá R$ 6.

Estimativas das concessionárias mostram que o negócio rende R$ 1,44 milhão por mês. Tanto prejuízo levou ao fim do benefício que será substituído pelo Bilhete Único. Com isso, o preço da viagem completa passará de R$ 4,20 para R$ 4,95 a partir de segunda-feira.


Fonte O Dia     

sexta-feira, 16 de março de 2012

MILÍCIAS NO RIO - Guerra de gangues por fraude com bilhetes de trem e metrô

Quadrilhas faturam R$ 1,44 milhão por mês com venda irregular tíquete de integração

POR Mahomed Saigg

Rio
- Quadrilhas especializadas em desviar bilhetes de integração metrô-trem estão em guerra pelo controle de pontos de vendas dos tíquetes no Rio e na Baixada Fluminense. Comandadas por milicianos, as gangues estão de olho na rentabilidade do negócio que chega a movimentar R$ 1,44 milhão por mês.

No meio desta disputa estão funcionários das duas concessionárias, ameaçados de morte, e os passageiros. Há suspeita de que a ‘concorrência’ já levou a um assassinato. Imagens obtidas com exclusividade por O DIA mostram a atuação de cambistas nas estações Coelho da Rocha, Duque de Caxias e Gramacho. As outras paradas de trem em que eles agem, principalmente no início da manhã, são: Pavuna, Belford Roxo, Comendador Soares, Queimados, Oswaldo Cruz e Marechal Hermes. O mesmo se repete nas estações do metrô.



Como se estivessem numa feira, integrantes do bando oferecem os bilhetes aos gritos de ‘passagem, passagem’. Despreocupados, se posicionam junto às bilheterias e roletas. Uma das imagens mostra um cambista assediando uma passageira da passarela até o guichê da bilheteria.

Na maioria dos casos, as longas filas terminam encorajam os usuários a comprar as passagens nas mãos desses atravessadores. A integração metrô-trem é vendida por R$ 4,20 sob forma de dois cartões, um para cada meio de transporte. Os cambistas compram nos guichês e revendem os tíquetes separadamente por R$ 3,10 (metrô) e R$ 2,90 (SuperVia), valores integrais das passagens. Desta forma a quadrilha consegue obter lucro de R$ 1,80 a cada dupla de bilhetes vendidos.

A estimativa é que das 70 mil integrações metrô-trem vendidas por dia, 40 mil sejam desviadas. A fraude chega a render até R$ 1,44 milhão mensal aos criminosos. “Todos querem controlar este negócio milionário. Custe o que custar”, destaca um funcionário do alto escalão de uma das concessionárias. Ele recebe ameaças de morte desde que tentou varrer os cambistas das estações.

Ameaça de morte chega a executivos
A ira das quadrilhas não se limita a funcionários que circulam pelas estações. Até executivos da SuperVia e da Metrô Rio estão recebendo ameaçadas de morte. “Está todo mundo com medo. Já tem gente que está até pensando em pedir demissão porque está se sentindo inseguro para trabalhar”, revelou um funcionário de uma das concessionárias de transporte, que preferiu não se identificar.

O medo de ser alvo dessas quadrilhas já chegou até a direção das duas empresas. Fontes ligadas à cúpula do MetrôRio e da SuperVia confirmam que as ameaças atingem seus executivos.



No início, quando detectamos que o problema estava crescendo rápido demais houve gente que tentou enfrentar esses caras. Mas em pouco tempo fomos obrigados a recuar porque começaram as ameaças de morte. E nós sabemos que essas quadrilhas não estão de brincadeira”, desabafou o funcionário.

Integração metrô-trem
O derrame de tíquetes da integração metrô-trem vendidos no mercado paralelo foi apontado como uma das justificativas para o fim do benefício. A partir de segunda-feira, a viagem integrada nos dois modais só poderá ser feita com o Bilhete Único Intermunicipal. E com novo preço: R$ 4,95.

O valor é R$ 0,75 mais caro que o cobrado atualmente com o cartão integração usado na fraude, que custa R$ 4,20. O reajuste é defendido pela direção das duas empresas que acumulam prejuízos com o esquema. A alegação é de que o novo , sem o desconto, os passageiros gastariam R$ 6 para percorrer o mesmo ptrajeto (R$ 2,90 - SuperVia; R$ 3,10 - metrô).

Fonte O Dia 
    

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

VOLTOU NO RIO - TRE devolve o mandato de Carminha Jerominho na Câmara do Rio

Por: Bruno VIlla
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE) acaba de devolver o mandato a vereadora Carminha Jerominho (PT do B).(FOTO)

A moça é filha do ex-vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e sobrinha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães, condenados a 10 anos de prisão por chefiarem uma milícia na Zona Oeste.

A 228ª Zona Eleitoral havia cassado o mandato de Carminha, por arrecadação ilegal de recursos, na campanha de 2008

Fonte Extra Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/extra-extra/tre-devolve-mandato-de-carminha-jerominho-na-camara-do-rio-3907425.html#ixzz1lmZHXKBg 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MILÍCIAS NO RIO - Testemunha de processo contra milícia é a 4a assassinada no RJ


Uma das testemunhas da Operação Capa Preta, que investiga a ação de milícias na Baixada Fluminense, foi assassinada na noite desta quinta-feira, com pelo menos dez tiros, em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio. Considerado peça fundamental na investigação do caso, Alex José do Carmo foi a 4ª testemunha assassinada desde o início das investigações. As informações são da rádio CBN.
O processo investiga a ação de 13 policiais militares, quatro ex-policiais, um policial civil, um sargento do exército, um sargento da marina e um fuzileiro naval. Segundo a polícia, eles agiam cobrando taxas de moradores para segurança, instalação de serviços de TV a cabo e gás.


   

sábado, 14 de janeiro de 2012

MILÍCIAS NO RIO - Topiqueiros são ameaçados por milícia na Taquara


Polícia investiga exigência de ‘taxa’ de R$ 150 por dia de motoristas

POR CHRISTINA NASCIMENTO

Rio - Um grupo de 20 topiqueiros da cooperativa Rio da Prata foi parar na 32ª DP (Taquara) nesta sexta-feira, após ter o ponto onde atuam — Estrada dos Bandeirantes, na favela Vila Sapê, Jacarepaguá — ‘fechado’ por milicianos que exigiam taxa de R$ 150 por dia de cada veículo para circular. Homens chegaram armados e ameaçaram queimar as vans e jogar bombas, caso os motoristas não fizessem o pagamento. Um inquérito policial foi instaurado.

Motoristas denunciaram na 32ª DP ameaças sofridas desde novembro | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Há suspeita de participação de policiais no esquema e que o episódio seja disputa de território de grupo paramilitares, já que a Rio da Prata é presidida por César Moraes Gouveia, citado no relatório final da CPI das Milícias. Os motoristas da cooperativa negam: eles foram à delegacia com camisetas com a inscrição ‘Não sou miliciano’.

No ponto de van da Vila do Sapê, 40 motoristas prestam serviço. Se todos pagassem a taxa, a milícia arrecadaria, por mês, R$ 180 mil. O delegado da 32ª DP, Maurício Mendonça, disse que a investigação é sigilosa.

As ameaças começaram em novembro, quando homem que se identificou como Michel procurou a cooperativa e se apresentou como o novo ‘administrador’ dos pontos de Jacarepaguá. “Ele disse que a partir de agora seria cobrada a taxa. Falou que até o Natal o dinheiro seria recolhido. Como resistimos, eles chegaram armados e nos expulsaram do ponto ”, disse um diretor da Rio da Prata, que preferiu não ser identificado.

Os motoristas da cooperativa ganharam licitação da prefeitura para administrar quatro lotes de Bangu e Santa Cruz. Há 5 anos, nove vans da cooperativa foram ‘sequestradas’ por traficantes da Favela do Sapo, em Senador Câmara, que exigiam dinheiro para circular. A devolução só ocorreu com a ajuda da polícia.


 Fonte O Dia http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2012/1/topiqueiros_sao_ameacados_por_milicia_na_taquara_218354.html

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - Chefe de milícia pagou R$ 300 mil em 'flat' com dinheiro vivo

Ex-PM é acusado de homicídios, extorsão, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

POR JOÃO ANTÔNIO BARROS

Rio - Fim do reinado de Dalmir Pereira Barbosa na milícia de Rio das Pedras. O ex-sargento da PM foi preso na noite de terça-feira no Apart-Hotel Barra Palace, na Avenida Sernambetiba, na orla da Barra da Tijuca. Ele responde a processos por homicídios, extorsão, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, e tinha dois mandados de prisão.

Dalmir foi localizado por agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) depois de o Disque-Denúncia informar a localização do foragido. O imóvel foi adquirido pelo ex-militar em 2006. Ele pagou pelo apartamento, à época, R$ 300 mil em dinheiro vivo.

Ao ser preso, Dalmir não estava armado nem reagiu. Disse que passa por tratamento de câncer de mama | Foto: Daniel Cruz / Povo do Rio

O ex-sargento da PM é apontado em investigações das polícias Civil e Militar como o líder da quadrilha que explora as vans, o gatonet, o comércio de botijões de gás e a segurança ilegal em Rio das Pedras. Só com transporte de passageiros em Kombis na comunidade de Jacarepaguá, os milicianos movimentam mais de R$ 50 milhões por ano.

Ao ser preso, Dalmir Barbosa não estava armado nem reagiu. Disse que passa por um tratamento de câncer de mama. Ele estava foragido desde 2009, quando teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça.

Entre os homicídios que responde está o de Paulo Roberto da Costa Paiva, ex-chefe de gabinete SMTU, além da tentativa de morte, em 2008, de Maria do Socorro Barbosa, viúva do inspetor de Polícia Civil Félix Tostes — ex-líder da milícia de Rio das Pedras. Seu irmão, Dalcemir, acusado nos mesmos processos, continua foragido. O delegado Fernando Reis informou que o ex-militar atualmente pouco ia à favela.

Denunciado por ‘O DIA’ em 2008

As contas de Dalmir Pereira Barbosa com o Leão não bateram em 2008. Depois que série de reportagens de O DIA mostrou a vida rica do miliciano, com carros de luxo e apartamentos à beira-mar, a Polícia Federal e a Receita Federal abriram processos e descobriram que o sargento, apesar de ganhar R$ 23 mil em 2006, movimentou em contas bancárias R$ 813 mil naquele ano.

As investigações rastrearam as declarações de bens e notaram patrimônio avaliado em R$ 6,1 milhões. Em apólices, aplicou R$ 5 milhões. Amante da boa vida, em 2008, Dalmir levou a família inteira — 16 pessoas — para comemorar aniversário num cruzeiro pela costa brasileira




    

domingo, 20 de novembro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - Ex-PM que fugiu do BEP é morto a tiros em Campo Grande

Por Carolina Heringer 
O ex-PM Wellington Vaz de Oliveira, de 38 anos, foi morto a tiros, na noite desse sábado, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Os disparos foram, provavelmente, de fuzil, de acordo com informações da Polícia Militar.

Wellington estava foragido desde que deixou, pela porta da frente, o Batalhão Especial Prisional (BEP), em setembro do ano passado. Ele é acusado de envolvimento com a milícia da Zona Oeste comandada pelo ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e o também ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman.
Wellington foi encontrado morto dentro de seu carro, um Gol de cor preta, num posto de gasolina. Segundo testemunhas, homens que estavam numa kombi branca desceram do veículo e efetuaram diversos disparos contra o ex-PM.
De acordo com a PM, a Delegacia de Homicídios, responsável pelo caso, vai pedir imagens das câmeras de segurança do posto para ajudar na identificação dos responsáveis pelo crime.

Wellington fugiu no dia 8 de setembro de 2010, junto com outro ex-PM, José carlos da Silva, que também seria integrante da milícia de Jerominho e Batman. A fuga teria sido facilitada em troca do pagamento de R$ 200 mil. Uma sindicância foi aberta na época, mas ninguém acabou identificado ou punido

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/ex-pm-que-fugiu-do-bep-morto-tiros-em-campo-grande-3279800.html#ixzz1eFoeZqhm



domingo, 6 de novembro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - Milicianos controlam 47 ruas e dez estacionamentos em terrenos públicos no Centro

Por Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Sergio Ramalho (sergio.ramalho@oglobo.com.br)

 

RIO - Em maio deste ano, Ricardo Cesar Ribeiro de Lemos, flanelinha que atua na área dos Arcos da Lapa e morador do Morro da Providência, no Centro, procurou a 5ª DP (Gomes Freire) para registrar uma ocorrência: por volta das 14h do dia 7, um sábado, quando trabalhava na Rua da Lapa, foi expulso do local e ameaçado por homens armados que se apresentaram como policiais. Não foi o único caso registrado naquela delegacia. Pelo menos dez guardadores relataram este ano ações semelhantes de homens armados, ocupando carros e motocicletas, em diferentes pontos do Centro.

Para a subprefeitura do Centro, que cobre 18 bairros, não há mais dúvidas: uma milícia formada por pelo menos 14 policiais civis e militares passou a agir na região explorando um novo filão: vagas de estacionamento. Já estaria sob o controle do bando 47 ruas, 70 flanelinhas e dez estacionamentos que funcionam em terrenos públicos (do município, do estado e da União) - áreas tomadas à força.

Um levantamento da subprefeitura, em poder do subprefeito Thiago Barcellos, revela que o grupo paramilitar tem um faturamento mensal estimado em mais de R$ 1 milhão. A quadrilha contaria com apoio em delegacias e batalhões da PM da região, além da própria prefeitura do Rio, onde funcionários estariam facilitando a ação do bando, fazendo vista grossa.
VÍDEO: Assista a trechos da entrevista com o subprefeito do Centro

terça-feira, 1 de novembro de 2011

MILÍCIAS NO BR - O perigoso crescimento das milícias (Editorial)

O Globo

Numa infernal inversão de valores, servidores públicos pagos para garantir a segurança da população chefiam grupos paramilitares armados que extorquem dinheiro do povo em troca de serviços e se envolvem em assassinatos.

Reportagem do GLOBO domingo mostrou que as chamadas milícias, frequentadoras assíduas das páginas policiais da imprensa carioca, atuam em pelo menos 11 estados brasileiros. Como no Rio, frequentemente há conluio de políticos com esses grupos, que multiplicam seus ganhos com ações espúrias.

Há também o caso de políticos que, por tentarem investigar a atuação das milícias, acabam em sua alça de mira. No Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias, concluída em 2008, tem recebido ameaças. A maioria das 225 pessoas denunciadas e indiciadas pelo Ministério Público, entre elas deputados e vereadores, está presa.

A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, do CNJ, alertou que as milícias estão por trás da maioria dos casos de violência contra magistrados brasileiros.

Em agosto, a juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, RJ, foi executada por homens armados quando chegava em casa, em Niterói. Patrícia investigava crimes cometidos por policiais em São Gonçalo e atividades da máfia das vans.

A Justiça decretou a prisão de 11 policiais militares envolvidos na execução da juíza, inclusive o tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7 Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo) e apontado como mandante do crime.

Além do Rio de Janeiro, as milícias estão organizadas em São Paulo, Minas, Bahia, Espírito Santo, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Pará, conforme a reportagem. Sua atuação é majoritariamente urbana, mas também agem no meio rural, contratadas por grileiros e fazendeiros, como no Pará e em Mato Grosso do Sul.

Nas áreas urbanas, geralmente oferecem às comunidades proteção contra traficantes e bandidos, dos quais se livram sumariamente, usando homens, tempo, métodos e armas do poder público. Em seguida, tornam-se eles mesmos um perigo para a sociedade, passando a ameaçar todos os que não aceitam suas "regras" para receber "serviços" como fornecimento de gás, acesso à internet, etc.

O combate às milícias é uma das prioridades da Secretaria de Segurança do Estado do Rio. Esta também tem de ser a postura das secretarias dos demais estados brasileiros, com destaque para os outros dez onde os paramilitares comprovadamente já atuam.

O problema não é de fácil solução, uma vez que viceja na banda podre das polícias e se ramifica nos descaminhos dos Legislativos estaduais.

O combate a essa praga nacional exige a atuação decisiva do Poder Executivo federal em ajuda às autoridades dos estados para estancar e fazer retroceder a infiltração desses marginais nos aparelhos policiais. A existência das milícias é duplamente cruel para com cidadãos dos quais se cobram impostos elevados para receber serviços do Estado e que, se não pagarem também essa outra "tarifa", podem sofrer o impensável nas mãos de quem deveria protegê-los

 

InSEGURANÇA NO RIO - @MarceloFreixo aceitou convite da Anistia Internacional após ameaças. #Milícias

‘Minha saída é estratégica’, diz Freixo sobre temporada fora do país

Deputado estadual aceitou convite da Anistia Internacional após ameaças.
Segundo Freixo, só nó último mês foram sete ameaças à sua segurança.
 

Do G1, com informações da Globo News



Após aceitar o convite da Anistia Internacional, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), do Rio de Janeiro, afirmou, na noite desta segunda-feira (31), em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, que decidiu passar uma temporada fora do país por questões estratégicas.

Menos de três meses após a execução da juíza Patrícia Acioli, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, ameaças de morte obrigaram o deputado a tomar a decisão.

Só nos últimos dias, o deputado foi informado de sete ameaças de morte. Para ele, além das prisões, é preciso tirar a fonte financeira das milícias, como o controle do transporte alternativo e TV a cabo. O deputado classificou as mílícias como uma "máfia que tenta calar o pode público". Freixo ressaltou, ainda, que o combate ao crime organizado deve envolver todo o estado.

Ainda sobre a sua temporada fora do país, o deputado ressaltou que essa não é uma forma de recuo. Ele reafirmou a sua proposta de combater as milícias e disse que retorna ao Brasil ainda neste mês, sem abrir mão da sua função pública.

"A minha saída é uma saída estratégica porque tem uma pressão muito grande. São sete ameaças e eu não posso brincar com isso. A Patrícia Acioli recebeu as mesmas ameaças e nós vimos no que deu. Então é um tempo de reorganizar a minha segurança, mas eu volto ainda no mês de novembro para continuar esse enfrentamento”, disse o deputado.

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Secretaria do RJ diz que Freixo pediu escolta para filho há cinco dias
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Deputado Marcelo Freixo, do RJ, deixará o país após ameaças de morte

CPI das Milícias Freixo está no segundo mandato de deputado estadual e sempre esteve ligado a denúncias de grupos de extermínio. Em 2008 foi o presidente da CPI que investigou a ação das milícias no Rio e terminou com o indiciamento de mais de 220 pessoas, inclusive políticos e policiais. Desde então, ele passou a sofrer ameaças. Na semana passada, ele também pediu proteção para o filho.

“Não é uma viagem planejada, nem uma viagem dos sonhos. A Anistia Internacional é uma parceira de muitos anos na luta em defesa dos direitos humanos, eles estão insistindo há algum tempo para que eu saia um pouco desse foco. Ninguém mais pode duvidar da capacidade criminosa desses grupos. Porque, enfim, eles foram capazes de torturar jornalistas, matar uma juíza, são capazes perfeitamente de matar um deputado", completou Freixo.

O deputado atribuiu as ameaças ao trabalho que ele realiza na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele afirmou que não possui nenhum problema particular ou pessoal com as milícia: “Não devo nada às milícias, não tem isso. Como é a mesma coisa do caso Patrícia Acioli, foi morta pelo exercício da sua função como juíza. E mais, como é bom lembrar, a Patrícia foi morta por pessoas que usaram as armas da própria polícia, com munição da própria polícia. Isso não foi um descuido, isso foi um recado”, disse.

Pedido de escolta A Secretaria de Segurança Pública do Rio afirmou em nota que o deputado Marcelo Freixo solicitou escolta para seu filho, por meio de uma carta, no dia 26 de outubro. Ainda de acordo com a secretaria, a escolta foi solicitada para começar em novembro.
Ofício enviado à secretaria pelo deputado Marcelo
Freixo (Foto: Divulgação/Secretaria de Segurança
Pública)

A secretaria enviou uma carta à presidência da Alerj nesta segunda informando que todas as ameaças ao deputado "foram verificadas e devidamete processadas", mas, "que esse tipo de investigação, por envolver a segurança de pessoas é realizada de forma sigilosa". E que o pedido de escolta foi "prontamente aceito" e "no mesmo dia, o comando da PM entrou em contato com o parlamentar".

A secretaria diz ainda que a segurança de Freixo é feita por diversos policiais da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).

A secretaria divulgou também a carta enviada por Freixo solicitando a escolta. No entanto, no ofício, não é explicitado que a escolta só fosse iniciada em novembro. Ele pede, em caráter preventivo, segurança para o filho.

Já Freixo destacou que solicitou segurança para a família em 27 de agosto: "Dizer que as investigações foram feitas em caráter sigiloso, foi sigiloso demais, porque nem eu sei do resultado dessa investigação. Eu imagino que, mais do que o secretário, eu tenho o interesse em saber que investigação é essa. Foram 276 denúncias de informações e planos e nenhuma delas eu recebi um retorno da secretaria", disse o deputado.

Documento relata atentado No dia 17, representantes de diferentes partidos políticos e entidades se reuniram num ato em defesa do deputado, depois que um documento da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar apontou que Freixo seria alvo de um atentado.

O documento da PM, endereçado à Coordenadoria Institucional de Segurança da Alerj, indica que o miliciano conhecido como Carlão planejava o assassinato de Marcelo Freixo. De acordo com a Coordenadoria, o miliciano receberia dinheiro de um ex-PM se executasse o deputado

 Fonte g1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/10/minha-saida-e-estrategica-diz-freixo-sobre-temporada-fora-do-pais.html

domingo, 30 de outubro de 2011

MILÍCIAS NO BR - Milícias se alastram por pelo menos 11 estados

Cássio Bruno (cassio.bruno@oglobo.com.br)

RIO - A população do Rio de Janeiro não é a única refém das milícias. Em pelo menos 11 estados brasileiros, há ações de grupos paramilitares armados e chefiados por agentes públicos da área de segurança, de acordo com levantamento feito pelo GLOBO, nas duas últimas semanas, com base em dados fornecidos por Ministérios Públicos e Ouvidorias de Polícia. Os milicianos atuam em territórios urbanos e rurais, onde impõem lei própria e serviços econômicos, além de se envolverem em assassinatos. Em alguns casos, como na Bahia, há suspeita de envolvimento de políticos.

As milícias estão organizadas na Paraíba, no Espírito Santo, no Ceará, em Mato Grosso do Sul, no Pará, em Pernambuco, em Alagoas, no Piauí, em Minas Gerais e em São Paulo, além da Bahia e do Rio. Os grupos agem com características diferentes em cada estado. O discurso para controlar as comunidades é parecido: eles extorquem dinheiro de moradores e comerciantes para oferecer segurança privada ilegal. Em troca da proteção, os milicianos prometem expulsar ou matar traficantes.

Um dos casos mais graves está em Salvador. Investigações do Ministério Público apontam que milicianos têm controle de 12 bairros do subúrbio da capital, entre eles Águas Claras, Fazenda Grande do Retiro e Cosme de Faria. Eles exploram o transporte alternativo e a distribuição de serviços de internet, de TV a cabo e de gás. O modo de operar é semelhante ao de grupos paramilitares do Rio. Vereadores, com base eleitoral na região, estão na mira dos promotores. Segundo o MP, os parlamentares estariam se beneficiando das milícias em eleições.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/10/29/milicias-se-alastram-por-pelo-menos-11-estados-925699563.asp#ixzz1cFqzAiq3

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - Deputado @MarceloFreixo diz que Beltrame seria alvo de atentado

RIO - O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) afirmou, na noite de terça-feira, que o Disque-Denúncia recebeu uma informação de que uma milícia de Campo Grande está planejando um atentado contra ele e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. A ação ocorreria ainda esta semana. A assessoria de imprensa da secretaria disse desconhecer a denúncia.

De acordo com Freixo, o Disque-Denúncia repassou as informações para o coronel responsável pela segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que o procurou imediatamente. O deputado disse que não vai deixar de trabalhar, mas deve alterar parte de sua agenda. Entre os compromissos que serão desmarcados, está um debate, nesta quarta-feira, na Uerj:

- Depois do que fizeram com a juíza Patrícia Acioli (assassinada em 11 de agosto), não podemos desconsiderar denúncias. A questão é que essas informações chegam, mas não são acompanhadas de providências.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/26/deputado-marcelo-freixo-diz-que-beltrame-seria-alvo-de-atentado-925661924.asp#ixzz1bsiRodTg


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - ´Vans Piratas Ameaças e afastam fiscais

Ameaças afastam fiscais
Detro comprará helicóptero e pedirá ao Bope que proteja pessoal que age contra piratas
POR FRANCISCO EDSON ALVES
Rio - Para tentar frear a violência contra fiscais que atuam na repressão contra veículos piratas no Rio, o Detro comprará um ‘caveirão aéreo’ e pedirá ao Bope que dê cobertura às equipes, com seus veículos blindados.

Segundo o presidente do Detro, Rogério Onofre, nos últimos quatro anos houve cerca de 400 atentados a tiros, tentativas de atropelamento, ameaças e sequestros-relâmpago de agentes. Além disso, veículos apreendidos por eles foram resgatados.
Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
PMs apoiam blitz em Santa Cruz: tensão| Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
Onofre revela que, dos 120 fiscais contratados em 2007, 80 (66%) pediram demissão e tiveram que ser substituídos. A maioria deles fora ameaçada de morte.
Nos quatro anos, um fiscal foi assassinado, e um PM que dava cobertura a uma blitz quase morreu queimado numa Kombi apreendida. Somente 10% dos relatos, porém, foram registrados em delegacias. “Os funcionários travam uma luta de guerrilha diariamente com grupos criminosos ligados a milicianos e traficantes”, diz Onofre.

Perigo na Zona Oeste

As áreas mais perigosas para a repressão de transporte ilegal são Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, no Rio, e Niterói e São Gonçalo, também na Região Metropolitana.

O helicóptero será blindado e equipado com câmeras de longo alcance, filmadoras e computadores de última geração. “A aeronave será de extrema importância no combate aos bandos armados”, diz Onofre.

Hoje, o Detro tem apoio do Batalhão de Choque ou do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). Quinta-feira, policiais do BPRv armados de fuzil deram seguranças a fiscais numa blitz em Santa Cruz.

Lá, em meia hora, 33 vans e Kombis piratas foram apreendidas. Na terça-feira, um Peugeot que fazia lotadas ilegalmente foi incendiado quando já estava em cima de um reboque, em Niterói.

Viva Voz: X., policial militar, 31 anos

“Durante uma blitz do Detro em que eu era um dos PMs que davam cobertura aos fiscais, em Bangu, em dezembro de 2008, um motorista tentou fugir da fiscalização. Eu consegui entrar na Kombi em movimento, mas ele seguiu para a Favela Vila Aliança e abandonou o veículo.

Enquanto eu tentava ligá-la para sair da comunidade, o motorista voltou, jogou gasolina e tacou fogo. Tive dificuldades para sair, mas escapei ileso. Foram momentos de pânico. Também já tentaram tomar minha arma e quase fui atropelado por topiqueiros em fuga várias vezes”.

Para despistar, veículos sem logotipo

As quadrilhas monitoram a saída de PMs de batalhões para dar apoio às blitzes do Detro e contam até com grupos armados que resgatam veículos rebocados a caminho de depósitos. Em pouco mais de dois anos, oito veículos piratas foram retirados de reboques por bandos.

“Olheiros ficam diariamente de plantão em motos na beira das estradas e avisam nossos itinerários a comparsas por meio de radiotransmissores”, diz a coordenadora de Fiscalização do Detro, Marli de Sousa. Por conta disso, boa parte dos carros dos fiscais passou a circular descaracterizado.

A organização criminosa conta ainda com homens que incitam passageiros contra os fiscais. “A todo momento, homens estranhos rondam os locais das blitzes, insinuando que sabem onde moramos e que vão nos pegar”, revela a fiscal A., 26.

“Não sei até onde teremos forças, mas não vamos sucumbir às intimidações. Vamos é reforçar cada vez mais as ações, pois temos o apoio do governo do estado e da população”, garante Rogério Onofre.

Profissionais já escaparam até de linchamento

18/10/2011
Homens atearam fogo ao Peugeot LCZ-8200 (foto), flagrado por fiscais do Detro fazendo transporte ilegal de passageiros. O veículo já estava sobre o reboque. Atiraram pedra e quebraram o vidro de carro da fiscalização. “Por pouco não atingiu minha cabeça”, conta Y., 50 anos, um agente.

10/7/2010
Carro do Detro foi incendiado em ação em Alcântara, em São Gonçalo. Garrafa PET com vestígios de gasolina foi encontrada.

7/7/2009
Homens armados, em um Ecosport, interceptaram reboque e resgataram Kombi que havia sido apreendida em Campo Grande.

26/4/2009
O fiscal Ely Peixoto foi assassinado a tiros por três homens no Jardim Íris, em São João do Meriti. Três dias antes, ele fora ameaçado por topiqueiros piratas.

9/10/2008
Kombi apreendida em Brás de Pina foi incendiada pelo dono em ação do Detro. Grupo de topiqueiros piratas incitou moradores de favela vizinha contra fiscais, que quase foram linchados.

10/12/2008
Durante fiscalização em Bangu motorista tentou queimar vivo um PM que dava cobertura à blitz. O policial se salvou e prendeu o criminoso.

19/9/2007
Fiscal acompanhava o condutor de van apreendida na Avenida Presidente Vargas, no Centro, para depósito. No caminho, o motorista desviou o veículo e entrou no Morro da Providência. Ameaçado, o agente fugiu pela janela.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

MILÍCIAS NO RIO - Polí­cia investiga raspadinha que seria vendida pela milí­cia no Rio (Dica da @Subsoares)



Paulo Carvalho

A polí­cia está investigando um novo esquema usado por grupos milicianos para aumentarem sua renda: uma raspadinha que pode ser vista em vários bares e bancas de jornais, em diferentes pontos da cidade. A modalidade de jogo atrai a atenção dos compradores em função do preço e da oferta dos prêmios oferecidos.

Por R$ 0,50 a unidade, o jogador pode, caso seja sorteado, levar para casa camisas de clubes de futebol ou seleções. Todas falsificadas. Alguns bares oferecem outros brindes, como copos e canetas com o escudo dos times.

O EXTRA flagrou as raspadinhas sendo vendidas em bairros da Zona Oeste é onde  maior a presença da milí­cia, mas também no Centro, em Vila Isabel, na Penha, em Madureira e até em outras cidades, como São Gonçalo.

A Delegacia de Repressão e Ações Criminosas Organizadas (Draco) já¡ tem um inquérito aberto para investigar o jogo ilegal. A investigação ainda está na fase inicial. As informações, passadas por jornaleiros e comerciantes, de que o jogo do bicho também poderia estar por trás da venda das raspadinhas serão investigadas pela polícia

Numa banca na Penha, os números da raspadinha são colados nas camisas
Foto: Bruno Gonzalez / Extra

A informação da polícia de que milicianos podem estar por trás da venda das raspadinhas já chegou aos comerciantes. Eles, entretanto, preferem não falar sobre o assunto. Segundo vários contaram ao EXTRA, os fornecedores se apresentam como representantes de uma empresa que comercializa raspadinhas.

De acordo com os jornaleiros, o lucro oferecido pelos donos do jogo é de 20% sobre o que for vendido. Se, por exemplo, o jornaleiro consegue vender todas as raspadinhas de um lote são numeradas de 1 a milhão, ele fica com um lucro de R$ 100. O restante do faturamento, 80%., vai para a mão do fornecedor.

Em algumas bancas de jornais, é colocado um número em cada camisa, e o vencedor não pode trocar o prêmio. Na internet, é possí­vel comprar um lote com mil raspadinhas, de diversos modelos, por R$ 30.

Algumas raspadinhas trazem desenhos ou letras impressos
Foto: Bruno Gonzalez / Extra

A San Marino Artes Gráficas, de São Paulo, oferece na internet raspadinhas semelhantes as encontradas pelo EXTRA nas bancas e bares. O valor, de R$ 30, pode ser parcelado. Um representante da empresa confirmou, por e-mail, ter diversos clientes no Rio. Ainda segundo ele, não há limite para a compra dos kits. Dependendo da quantidade comprada, há desconto no frete.

A Loterj informou, através de sua assessoria, que já tomou conhecimento das raspadinhas após o contato do EXTRA. Em nota, o órgão disse repudiar a venda de qualquer produto não autorizado e que esteja em desacordo com a legislação vigente.

Além da Draco, a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) também vai investigar a venda das raspadinhas. O delegado titular, Alessandro Thiers, afirmou que fica claro no jogo o crime de pirataria, já que as camisas dadas como prêmio são falsificadas. A exploração ilegal do jogo também será investigada.


 Fonte Extra http://extra.globo.com/casos-de-policia/policia-investiga-raspadinha-que-seria-vendida-pela-milicia-no-rio-2752084.html#ixzz1akvqT8at

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MILÍCIAS IN RIO - Descoberto plano para executar parlamentar @MarceloFreixo

Ex-policial foragido de presídio da PM receberia R$ 400 mil para matar deputado que presidiu CPI das Milícias
Publicada em 09/10/2011 às 23h35mSérgio Ramalho (sergio.ramalho@oglobo.com.br)

RIO - Ex-cabo da Polícia Militar que fugiu do Batalhão Especial Prisional (BEP), em setembro passado, estaria articulando um plano para executar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Ligado a um grupo paramilitar de Campo Grande, na Zona Oeste, Carlos Ary Ribeiro, o Carlão, receberia R$ 400 mil para matar o parlamentar, que presidiu a CPI das Milícias. De acordo com documento reservado da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, o ex-PM já teria feito levantamento da rotina do político, inclusive dos horários em que ele dispensa a segurança da Assembleia Legislativa do Rio.

Procurado pelo GLOBO, Marcelo Freixo confirmou ter sido informado sobre a existência do plano pelo presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), que aumentou o aparato de segurança do parlamentar:

- Após a morte da juíza Patrícia Acioli as ameaças feitas a mim triplicaram. Isso pode ser um sinal de que o crime organizado no Rio pretende avançar nas suas fronteiras, não aceito que esse problema seja exclusivamente meu. As milícias continuam com seus negócios e territórios em expansão, somente as prisões não vão deter esses grupos. É preciso retirar deles as fontes de lucro. Convivo com o medo, a vontade de viver e de continuar fazendo o que acredito - afirma Marcelo Freixo.

As milícias continuam com seus negócios e territórios em expansão, somente as prisões não vão deter esses grupos. É preciso retirar deles as fontes de lucro. Convivo com o medo, a vontade de viver e de continuar fazendo o que acredito

Fuga pelo buraco do ar-condicionadoCarlão é ligado a grupos paramilitares de Campo Grande, agora, chefiados pelo ex-PM Tony Ângelo de Aguiar. Segundo investigações da Coordenadoria de Inteligência, Tony seria o financiador do suposto plano de atentado ao parlamentar.

Carlão fugiu do BEP menos de 24 horas após a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança desencadearem uma operação contra a milícia da Zona Oeste . Na ocasião, 19 pessoas foram presas. O nome de Carlão figurava entre os que tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça. No caso do ex-PM, a determinação era para que fosse transferido do BEP para Bangu 8. Carlão, entretanto, fugiu da unidade prisional da PM antes de a mudança ser concretizada.

RELEMBRE: Mesmo presos, chefes de milícias comandam quadrilhas na Zona Oeste do Rio, no estilo do tráfico

Na ocasião, o então corregedor da PM, Ronaldo Menezes, disse que o ex-cabo escapou de sua cela pelo buraco do ar-condicionado, mas não explicou como o aparelho foi recolocado no local. A versão acabou questionada por promotores da Auditoria de Justiça Militar. No BEP, o ex-PM tinha transformado sua cela em suíte, com direito a cama de casal, ar-condicionado, TV, videogame e frigobar. Quatro meses antes da fuga, policiais da corregedoria e promotores encontraram um celular e um notebook na cela do ex-PM.

Suspeita de favorecimento dentro de unidade prisional Um levantamento da Promotoria da Auditoria Militar revela que as fugas de quatro ex-PMs - entre eles, Carlão -- presos no BEP aconteceram às vésperas de transferências deles para presídios comuns. Para a promotora Isabella Pena Lucas, isso evidencia a prática de favorecimento na unidade:

- Não estou falando de um caso isolado, mas de quatro fugas que aconteceram quando esses ex-PMs seriam transferidos para o sistema prisional - ressaltou Isabella. Comissão indiciou 225 pessoas

A CPI das Milícias, presidida por Marcelo Freixo, indiciou 225 pessoas, entre elas políticos, policiais civis e militares, além de bombeiros. O trabalho da comissão trouxe à tona o domínio territorial de vários desses grupos paramilitares. Principalmente em Campo Grande, onde os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães, respectivamente, ex-deputado estadual e ex-vereador, chefiavam a maior milícia da região. As investigações da comissão, associadas a inquéritos da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), resultaram nas prisões dos políticos e de vários integrantes da milícia.

Apesar de enfraquecido, o grupo paramilitar de Campo Grande continua atuando. O ex-PM Tony Ângelo de Aguiar estaria por trás do crime que era planejado contra o parlamentar, atendendo a ordens de Natalino, Jerominho e Ricardo da Cruz Teixeira, o Batman. Todos condenados e presos em penitenciárias federais fora do estado

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/09/ex-policial-foragido-de-presidio-da-pm-receberia-400-mil-para-matar-deputado-que-presidiu-cpi-das-milicias-925542301.asp#ixzz1aNVEDzW2

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MILÍCIAS IN RIO - Milícia negocia imóveis onde vai passar novo acesso ao Engenhão

Publicada em 04/10/2011 às 23h50m
Luiz Ermesto Magalhães (luiz.magalhães@oglobo.com.br)
   Portão esconde o  acesso à favela, onde a milícia construiu casas (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

RIO - O corredor que servia de passagem para a Favela Belém Belém pela Rua das Oficinas, em frente à entrada sul do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, foi invadido por uma milícia. No local estão sendo construídas pelo menos dez casas, que estão sendo negociadas por R$ 10 mil a unidade. Na entrada do corredor tem um portão com barras de ferro e tapumes de madeira que limita a visão e o acesso de curiosos. No final do corredor, foi construída uma parede separando as casas da favela.
Segundo informações de comerciantes e moradores do Engenho de Dentro, a invasão foi patrocinada pela milícia que também atua na favela Águia de Ouro, em Del Castilho.

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As casas construídas na antiga passagem para a favela estão no meio do caminho de uma nova via de acesso ao Engenhão. A obra faz parte do pacote da prefeitura para os Jogos Olímpicos de 2016, já que o estádio receberá as provas de atletismo.
O paredão, que agora faz com que os moradores mais antigos tenham que buscar caminhos alternativos para sair da Belém-Belém não é o único sinal da ação da milícia. Há dois anos, um muro que indicava onde a favela terminava foi demolido e pelo menos outros 20 barracos foram construídos pelos milicianos. Essas casas também ficam no traçado da futura via.
A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade

Os milicianos também cobram dos comerciantes do bairro R$ 10 por semana de "proteção", ao estilo da máfia. Alguns comerciantes deixaram de contribuir depois que a polícia prendeu, em julho, alguns suspeitos de integrarem a quadrilha.
A Belém-Belém surgiu há cerca de 40 anos. Os primeiros moradores eram famílias de funcionários da Rede Ferroviária Federal que trabalhavam nas oficinas de manutenção dos trens no mesmo terreno onde o Engenhão foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.
O presidente da associação de moradores da favela, Argemiro Moreira, calcula que 1.800 pessoas vivam hoje em cerca de 300 casas. Ele estima que pelo menos a metade terá que ser reassentada com a realização da obra. No sábado passado, o prefeito Eduardo Paes esteve na favela e disse que o projeto ainda não foi detalhado.
A favela Belém-Belém: algumas casas da comunidade serão removidas porque estão no caminho da nova via de acesso ao Engenhão (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo) Argemiro admite a existência de novas construções. Mas afirma desconhecer de quem teria partido a iniciativa:

- A comunidade não cresceu muito nos últimos anos porque eu sempre tive a preocupação de esclarecer aos moradores que a expansão desordenada não seria boa para nós. Não sei quem fez essas casas - disse Argemiro.
O secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, explicou que, ao contrário do que acontecerá com a Vila Autódromo, a Belém-Belém não será integralmente removida.
- A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade.
Bittar acrescentou que, também por conta das Olimpíadas, a prefeitura estuda reassentar parte da favela Barreira do Vasco. O secretário também prevê para dezembro o fim da remoção das casas da Favela do Metrô vizinha do estádio do Maracanã, para imóveis do Minha Casa Minha Vida, na Mangueira. O reassentamento faz parte de uma estratégia de priorizar a urbanização de comunidades no entorno de áreas da Copa de 2014 e das Olimpíadas. No caso da Barreira do Vasco, o objetivo é melhorar os acessos ao estádio de São Januário, que durante as Oimpíadas receberá as partidas de rúgbi. O número de casas a ser retiradas depende da conclusão de estudo da CET-Rio
 

segunda-feira, 10 de maio de 2010

MILÍCIAS NO RIO - Mudanças na cúpula


   

Mais do que um simples troca-troca, a destituição dos líderes em Rio das Pedras envolve uma disputa pelos negócios do maior e mais antigo grupo paramilitar do Rio de Janeiro, que lucra em torno de R$ 700 mil por mês

POR JOÃO ANTÔNIO BARROS


Rio - Rei preso, rei deposto. Desde que a Justiça determinou a prisão da cúpula da milícia de Rio das Pedras, um golpe de estado lento e silencioso agita os bastidores do maior e mais antigo grupo paramilitar do Rio de Janeiro. Um a um, os líderes foram substituídos na estrutura da milícia e alguns perderam inclusive o direito à famosa e polpuda mesada.
Os negócios geridos da milícia incluem o transporte alternativo, o serviço ilegal de Internet e TV por assinatura | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Mais do que um simples troca-troca, a destituição dos ex-capos é uma disputa por negócios que movimentam mais de R$ 60 milhões por ano e dão lucro em torno de R$ 700 mil por mês com o transporte alternativo, a venda de gás, o serviço ilegal de TV por assinatura e Internet, a rede segurança, comércios e casas e com as comissões sobre a venda e o aluguel de imóveis.
E quem estaria no comando da ‘virada de mesa’ em Rio das Pedras é o sargento reformado da PM e vereador de São Gonçalo Geiso Pereira Turques. E a nova fase da milícia pode ser notada nos cartazes e faixas espalhados pela comunidade, que atribuem a Geiso e à associação de moradores a autoria das benfeitorias promovidas na favela. Geiso foi indiciado por envolvimento com as milícias na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa e pela Polícia Federal, por lavagem de dinheiro e por extorsão.

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Aliás, a associação de moradores, que segundo a apuração da CPI das Milícias sempre funcionou como o braço social do grupo paramilitar, foi um dos setores a sofrer a intervenção. Logo após deixar a cadeia, no mês passado, o então presidente Jorge Alberto Moreto, o Beto Bomba, foi informado de que seu lugar agora pertencia a Jorge Pararão. A destituição e nomeação não teve sequer eleição.
Nem mesmo os irmãos Dalmir e Dulcimer Pereira Barbosa escaparam da degola. Apontados na investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) como os ‘xerifes’ de Rio das Pedras, eles perderam o trono. Foragidos desde que tiveram a prisão decretada pela Justiça na Operação Rolling Stones, além da queda do poder, eles viram murchar as gordas retiradas. Agora, os irmãos recebem apenas um percentual das taxas ilegais cobradas dos motoristas da cooperativa de vans e arrecadadas por duas pessoas, identificadas como Denise e Coutinho.


A venda de gás — um monopólio da milícia — também trocou de mãos: Jorge Macedo foi substituído por um policial civil, lotado numa delegacia especializada. A revenda de gás, junto com o transporte alternativo e a venda ilegal de sinal de TV, são responsáveis pela maior fatia dos lucros da milícia na comunidade: em torno R$ 500 mil por mês. A equipe de segurança, antes sob o comando de Paulo Eduardo Azevedo, o Paulo Barraco, tem agora dois homens à frente da cobrança junto aos comércios e residências. Eles são identificados como Arlindo e Cristiano.

sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/SEGURANÇA PÚBLICA - Milícia: o exército de reserva na guerra do bicho


Cúpula da contravenção recruta nas comunidades dominadas por paramilitares pistoleiros usados nas ações contra rivais, como assassinatos e ataques a pontos dos concorrentes

POR JOÃO ANTÔNIO BARROS

Rio - Mão de obra ‘made in milícia’ a serviço do bicho. As investigações da Polícia Civil realizadas sobre os grupos paramilitares, nos dois últimos anos, mostram que os negócios entre a cúpula do jogo do bicho e policiais ligados às milícias vão bem além da simples amizade. É das comunidades controladas pelos paramilitares que partem os pistoleiros recrutados pelo bicho para matar seus adversários ou ajudar no quebra-quebra dos pontos dos concorrentes. É de lá que têm saído boa parte do exército para a guerra entre os contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio de Miranda.
Foto: Alexandre Vieira / 
Agência O Dia
Atentado ao contraventor Rogério Andrade, na Zona Oeste do Rio, matou seu filho de 17 anos | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Um dos crimes com a assinatura da milícia foi a execução do bicheiro Valdemir Paes Garcia, o Maninho, no dia 28 de setembro de 2004. O contraventor saía da academia Body Planet, em Jacarepaguá, quando foi morto com tiros de fuzil e pistola. Como ocorreu quinta-feira com Rogério Andrade, Maninho estava acompanhado do filho Waldomiro Paes Garcia Júnior, 15 anos, no momento do crime. O rapaz foi ferido, mas sobreviveu.

As investigações da subsecretaria de Inteligência de Segurança apontaram para o envolvimento no assassinato de um policial miliciano, ligado a uma comunidade de Jacarepaguá. Ele teria agido a mando de um chefão do bicho, motivado pela invasão de Maninho e seus caça-níqueis a bares e restaurantes da Barra da Tijuca.

Outro exemplo de como a contravenção recruta seus homens é o cabo reformado da Marinha Marcos Paulo Moreira da Silva, o Marquinhos Sem Cérebro. Ligado a milícias que controlam as vans na Zona Oeste, ele foi o principal responsável pelo ataque às máquinas de caça-níquel de Rogério Andrade, durante a guerra de 2004. Seu trabalho, apuraram os detetives da Delegacia de Homicídios, era remunerado pelo bicheiro Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade e inimigo de Rogério.

>> Leia mais: Legado de sangue dos filhos de Eurídice
Outro agente com atuação em duas frentes era o inspetor Marcos Antônio Bretas, o Marcão. As escutas da Operação Furacão, da Polícia Federal, mostram em ação o policial civil ‘trabalhando’ tanto para as milícias que dominam as vans na Zona Oeste como na distribuição de propinas da cúpula da contravenção a policiais de delegacias e batalhões.

Aliança para lucrar com as máquinas

A milícia também atua em parceria com o jogo do bicho na administração de máquinas de caça-níqueis em áreas carentes. Lucram com uma parcela das apostas e repassam a maior parte para os bicheiros. Outra forma de colaboração é na segurança das máquinas instaladas em bares e padarias.

Mas há casos de rebeldia. O miliciano Fabrício Fernandes Mirra foi flagrado em conversa com policiais ligados a contraventores da Zona Norte mandando recados aos donos das máquinas instaladas em sua ‘área’. Exige participação nos lucros e ameaça retirar os caça-níqueis. No fim, é convencido de que embolsaria um pequeno percentual em transações futuras.

“Em algumas áreas, onde máquinas eram exploradas pelo tráfico, a milícia expulsa o bandido e chama os bicheiros para uma nova parceria”, diz o delegado Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.