Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

FAVELA IN RIO - Prefeitura removerá Favela Vila Autódromo para Rock in Rio 2013

Minuta de edital prevê remoção de favela Vila Autódromo até 2013 para obras do Parque Olímpico

Publicada em 04/10/2011 às 00h26m
Luiz Ernesto Magalhães (luiz.magalhães@oglobo.com.br)
   A Vila Autódromo, às margens da Lagoa de Jacarepaguá: objetivo é reassentar moradores numa área a 1km de distância (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)

RIO - Situada numa área valorizada da Barra, no coração dos Jogos Olímpicos de 2016 e vizinha à Cidade do Rock, a Vila Autódromo - uma antiga colônia de pescadores que virou favela na década de 70 - será removida até 2013. O fim da comunidade está previsto na minuta do edital da parceria público-privada (PPP) que a prefeitura lançou para consulta pública. O município busca investidores para arcar com parte dos custos, estimados em R$ 1,3 bilhão, da construção do futuro Parque Olímpico, na área ocupada hoje pelo Autódromo Nelson Piquet. O destino dos moradores está sendo traçado pela Secretaria de Habitação, que pretende reassentar as famílias comprovadamente de baixa renda num conjunto do programa Minha Casa, Minha Vida, batizado de Residencial Parque Carioca, a ser erguido em 2012 na Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá. O terreno, comprado pela prefeitura por R$ 19,9 milhões em agosto, fica a um quilômetro da favela.


A decisão de acabar com a comunidade promete causar polêmica nos movimentos sociais que elegeram a Vila Autódromo como uma espécie de símbolo da resistência a remoções necessárias às obras para a Copa e das Olimpíadas. Somente na região, quatro favelas do Recreio foram removidas total ou parcialmente para permitir a conclusão da duplicação da Avenida das Américas e implantar o BRT Transoeste (corredor expresso para ônibus articulados ligando a Barra a Campo Grande e Santa Cruz).

Tentativas de remoção desde 93
Desde 1993, ainda no governo Cesar Maia, a prefeitura move ação na Justiça para tentar remover a Vila Autódromo. Em fevereiro deste ano, a Justiça autorizou a retirada parcial da favela. A sentença, em primeira instância, vale só para casas a uma distância de até 25 metros da Lagoa de Jacarepaguá. Moradores entraram com recursos, que, no entanto, não têm o poder de alterar a sentença.
Arte O Globo
Na comunidade, não há unanimidade sobre como agir. O presidente da associação comunitária, Altair Guimarães, é contra a mudança. Ele lembrou que a proposta vencedora do concurso para o plano de ocupação do Parque Olímpico previa a manutenção da favela. As regras, porém, têm uma brecha: um artigo do concurso permite adaptação no projeto final.
- A comunidade não tem interesse de sair apenas para atender à especulação imobiliária, porque a área se valorizou ainda mais com as Olimpíadas. Aqui é o nosso lar - disse Altair.
O vigia Lourival da Silva, de 51 anos, que há 20 vive na Vila Autódromo, tem outra opinião. Ele mora num lote de 300 metros quadrados onde foram construídas quatro casas e vivem nove pessoas. Segundo ele, todas concordam em se mudar:
- Devido à briga com a prefeitura, a comunidade nunca recebeu investimentos em infraestrutura. Com a possibilidade de remoção, nos sentimos inseguros, não sabemos se devemos reformar as casas.
Conforme a minuta do edital, a Vila Autódromo tem 236 famílias e 939 moradores. A associação afirma que são quase mil casas. O secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, informou que fará um novo cadastro. Para convencer os moradores a se mudarem, Bittar convidará a comunidade a conhecer, no domingo, o terreno escolhido para o reassentamento. A área mede 85,3 mil metros quadrados, e as futuras residências terão vista para o Morro Dois Irmãos - não o do Leblon, mas o de Curicica. O projeto prevê ampla arborização das vias de acesso. No Parque Carioca, será possível construir até 920 apartamentos em prédios de cinco andares. As famílias que não concordarem com a mudança serão indenizadas com base em laudos de avaliação das casas.
- A resistência à remoção na Vila Autódromo é histórica, porque provavelmente no passado a metodologia adotada para reassentamentos era outra. Estamos oferecendo um projeto de qualidade. E ninguém terá que deixar sua casa e viver de aluguel social. A remoção só ocorrerá após a conclusão do Parque Carioca - disse o secretário.
De acordo com Bittar, os apartamentos terão dois ou três quartos, com área mínima de 40 metros quadrados. A Caixa Econômica arcará integralmente com os custos das unidades de dois quartos (R$ 64 mil). A concessionária que vencer a PPP arcará com a diferença entre os R$ 64 mil e o custo do imóvel de três quartos. Os moradores receberão as novas casas gratuitamente, mas todos terão que se comprometer a não vendê-las nos próximos nove anos.

No lugar, hotéis e condomínios
A arquiteta Raquel Rolnik, relatora especial da ONU para a moradia adequada, disse que está acompanhado o caso da Vila Autódromo e outros decorrentes de obras para a Copa e as Olimpíadas. Para ela, não há motivos técnicos para a remoção:
- Todo reassentamento é traumático. Ali me parece mais uma questão econômica, de não se querer uma favela em área valorizada.
A minuta prevê que a empresa vencedora será a que prever o menor gasto público para a implantação do Parque Olímpico e propor a melhor solução técnica. Em troca das obras e também por arcar com os custos de manutenção por 15 anos, a prefeitura vai transferir para os investidores a propriedade das áreas que, após o evento, não forem aproveitadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, que implantará um centro de treinamento no local. Da área total do Autódromo, 1,2 milhão de metros quadrados (75%) poderão ser usados pela iniciativa privada para erguer condomínios residenciais, comerciais e hotéis.
Ao todo, o Parque Olímpico receberá 15 modalidades esportivas. As instalações poderão ser permanentes ou temporárias. Na lista de construções definitivas que ficarão para o COB, estão quatro ginásios poliesportivos, uma pista de atletismo, um laboratório de medicina esportiva e um alojamento de atletas. Na relação de instalações provisórias estão um parque aquático e um centro de tênis.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

MILÍCIAS NO RIO - Mudanças na cúpula


   

Mais do que um simples troca-troca, a destituição dos líderes em Rio das Pedras envolve uma disputa pelos negócios do maior e mais antigo grupo paramilitar do Rio de Janeiro, que lucra em torno de R$ 700 mil por mês

POR JOÃO ANTÔNIO BARROS


Rio - Rei preso, rei deposto. Desde que a Justiça determinou a prisão da cúpula da milícia de Rio das Pedras, um golpe de estado lento e silencioso agita os bastidores do maior e mais antigo grupo paramilitar do Rio de Janeiro. Um a um, os líderes foram substituídos na estrutura da milícia e alguns perderam inclusive o direito à famosa e polpuda mesada.
Os negócios geridos da milícia incluem o transporte alternativo, o serviço ilegal de Internet e TV por assinatura | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Mais do que um simples troca-troca, a destituição dos ex-capos é uma disputa por negócios que movimentam mais de R$ 60 milhões por ano e dão lucro em torno de R$ 700 mil por mês com o transporte alternativo, a venda de gás, o serviço ilegal de TV por assinatura e Internet, a rede segurança, comércios e casas e com as comissões sobre a venda e o aluguel de imóveis.
E quem estaria no comando da ‘virada de mesa’ em Rio das Pedras é o sargento reformado da PM e vereador de São Gonçalo Geiso Pereira Turques. E a nova fase da milícia pode ser notada nos cartazes e faixas espalhados pela comunidade, que atribuem a Geiso e à associação de moradores a autoria das benfeitorias promovidas na favela. Geiso foi indiciado por envolvimento com as milícias na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa e pela Polícia Federal, por lavagem de dinheiro e por extorsão.

Exibir mapa ampliado


Aliás, a associação de moradores, que segundo a apuração da CPI das Milícias sempre funcionou como o braço social do grupo paramilitar, foi um dos setores a sofrer a intervenção. Logo após deixar a cadeia, no mês passado, o então presidente Jorge Alberto Moreto, o Beto Bomba, foi informado de que seu lugar agora pertencia a Jorge Pararão. A destituição e nomeação não teve sequer eleição.
Nem mesmo os irmãos Dalmir e Dulcimer Pereira Barbosa escaparam da degola. Apontados na investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) como os ‘xerifes’ de Rio das Pedras, eles perderam o trono. Foragidos desde que tiveram a prisão decretada pela Justiça na Operação Rolling Stones, além da queda do poder, eles viram murchar as gordas retiradas. Agora, os irmãos recebem apenas um percentual das taxas ilegais cobradas dos motoristas da cooperativa de vans e arrecadadas por duas pessoas, identificadas como Denise e Coutinho.


A venda de gás — um monopólio da milícia — também trocou de mãos: Jorge Macedo foi substituído por um policial civil, lotado numa delegacia especializada. A revenda de gás, junto com o transporte alternativo e a venda ilegal de sinal de TV, são responsáveis pela maior fatia dos lucros da milícia na comunidade: em torno R$ 500 mil por mês. A equipe de segurança, antes sob o comando de Paulo Eduardo Azevedo, o Paulo Barraco, tem agora dois homens à frente da cobrança junto aos comércios e residências. Eles são identificados como Arlindo e Cristiano.

sexta-feira, 26 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/TRÁFICO DE DROGAS - Moradores da Rocinha ganham R$ 40 para trabalhar no refino de cocaína


A Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro e se tornou a maior produtora de cocaína. Distribuía a droga para outras favelas da cidade.


Os policiais invadem a casa na Rocinha e vibram ao encontrarem a refinaria de cocaína no alto do morro. O cerco se fecha um pouco mais quando algum tempo depois os policiais encontram homens no hospital com queimaduras nos braços e nas pernas.

Policial - Como é que foi isso, cara?
Homem - Foi em um churrasco.
Policial - Em um churrasco? Mas como é que foi que você se queimou assim debaixo do braço?
Homem - Eu fui ajudar ele, quando eu vi pegando fogo nele, eu fui tirar ele, puxar, e tinha uma garrafa de álcool do lado.

Mas a policia já sabia que eles tinham se queimado em um acidente em outra refinaria. A polícia descobriu que a facção criminosa não estava mais apenas comprando a droga para revender, mas tinha passado a refinar a cocaína em laboratórios nos morros cariocas. Para isso, estava recrutando centenas de moradores das favelas para trabalhar no esquema.

Os moradores compravam os produtos químicos usados para processar a droga, como mostram as escutas telefônicas feitas pela polícia.

- Chega aí para pegar o dinheiro aqui em casa.
- Não, estou indo aí, estou indo aí. Eu vou arrumar os cinco (moradores) e vou aí pegar o dinheiro, valeu?
- Pega logo o dinheiro pô, depois tu arruma.

Para mapear o funcionamento da quadrilha, os investigadores monitoraram também o local onde eram comprados os produtos.

- Olha só, clorídrico e sulfúrico tem, não tem álcool.
- Então, não dá para comprar clorídrico e sulfúrico?
- Dá pô...

Um rapaz, saindo com uma sacola na mão, foi detido pelos policiais. Ele levava produtos químicos para a Rocinha.

Em um mês, foram identificadas 216 pessoas que faziam a compra para os bandidos. Cada uma recebia R$ 40 pelo serviço. Todas foram indiciadas por associação para o tráfico.

De acordo com a polícia, dois traficantes comandavam o esquema. Rogério Mosqueira, o Roupinol - morto em uma operação na terça-feira no Morro de São Carlos - e Antônio Bonfim Lopes, o Ném da Rocinha.

Juntos, eles eram responsáveis por uma produção gigantesca de cocaína. Nos últimos dois anos eles teriam comprado seis toneladas de pasta-base na Bolívia e triplicado essa quantidade beneficiando a pasta nas refinarias nos morros cariocas.

Na operação de terça-feira, a polícia apreendeu a contabilidade do tráfico, que confirma o trabalho dos investigadores. A quadrilha já produzia de 200 a 400 quilos de cocaína por semana.

“Um esquema muito grande, que envolve muitas pessoas. Começa desde o usuário até o chefe do tráfico”, aponta o diretor de Polícia da Capital Ronaldo Oliveira.


 


 

quarta-feira, 24 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/SEGURANÇA PÚBLICA - Polícia Civil recupera carga de cerveja roubada no bairro Turiaçu


POR PAULA SARAPU
Rio - Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) conseguiram recuperar, nesta quarta-feira, uma carga roubada de cerveja, no bairro Turiaçu, Zona Norte da cidade. Após denúncia, os agentes localizaram o caminhão de uma cervejaria em um dos acessos à Favela Congonha, na Rua Buriti.
Houve troca de tiros e um dos bandidos, que tentou fugir, acabou se ferindo com garrafas quebradas. Ele foi preso e levado para o hospital. Os comparsas fugiram. Os assaltantes levavam para dentro da comunidade o motorista e um auxiliar do caminhão, que foram liberados.


 


 

terça-feira, 23 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/SEGURANÇA PÚBLICA - Vágner Love nega envolvimento com traficantes


Esporte Interativo
Publicação: 23/03/2010 16:19



O atacante Vágner Love negou que tenha qualquer relação com os traficantes armados que aparecem lhe fazendo escolta em um vídeo gravado na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. O jogador do Flamengo foi convidado pelos investigadores da 15ª Delegacia de Polícia a prestar esclarecimentos nesta terça-feira como testemunha de um inquérito que apura tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas na comunidade.

Durante o depoimento, Vágner Love afirmou que não conhece os homens que aparecem no vídeo segurando fuzis e também disse que não recebeu proteção de traficantes em sua visita à Rocinha. Mas ele admitiu que a presença dele ao lado de criminosos "não é uma coisa positiva". "Não fico arrependido, mas, quando a gente põe a cabeça no lugar, percebe que não é uma coisa legal", revelou.

Depois da polêmica envolvendo o vídeo gravado no dia 27 de fevereiro, Vágner Love explicou que continuará organizando trabalhos sociais na Rocinha, mas prometeu que vai evitar as festas na comunidade.