Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

PROPINA NA UPP - Propina a policiais na Rocinha é investigada por inteligência. Valor seria de até R$ 200 mil mais Mensalinho de R$ 80 mil

Propina a policiais na Rocinha é investigada por inteligência
Segundo relatório de inteligência, pagamento seria de até R$ 200 mil

RIO
- A Secretaria estadual de Segurança confirmou, no domingo, que está investigando informações de que policiais militares responsáveis pelo patrulhamento na favela da Rocinha estariam recebendo dinheiro de traficantes para deixar de reprimir a venda de drogas em alguns becos e vielas da comunidade. De acordo com uma reportagem publicada pela revista "Veja" este fim de semana, um documento da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil, de 15 de fevereiro, dá conta de que a propina seria de R$ 200 mil de "entrada", além de um "mensalinho" de R$ 80 mil.  

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança informou que, a partir das conclusões do relatório de inteligência, "as denúncias poderão ser confirmadas e as punições, implementadas, ou pode ser comprovado que eram infundadas". Segundo a "Veja", o documento indica que o comércio de drogas pode ter sido transferido para pontos discretos dentro da Rocinha, enquanto os PMs limitariam o patrulhamento às vias principais da favela.

A Rocinha foi ocupada em novembro do ano passado, numa operação que mobilizou três mil homens, blindados da Marinha e do Bope, além de helicópteros. Na mesma época, as comunidades vizinhas do Vidigal e da Chácara do Céu também passaram pelo processo de ocupação. No dia 10 de novembro, três dias antes da operação, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que comandava o tráfico na Rocinha, foi preso por policiais militares do Batalhão do Choque quando tentava fugir dentro da mala de um carro. Ele tentou subornar os dois PMs que o detiveram, mas não teve sucesso.

Levado para a Polícia Federal, o traficante contou em depoimento informal que arrecadava cerca de R$ 1 milhão por mês com venda de drogas na Rocinha, mas que metade era usada para pagar policiais.
No dia da prisão de Nem, policiais federais prenderam três agentes da Polícia Civil e dois ex-PMs na Gávea auxiliando na fuga de cinco bandidos, entre eles Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, ex-chefe do tráfico no complexo de favelas de São Carlos, no Estácio.

Após a retomada, a Rocinha foi ocupada pelo Bope. Há dois meses, o Batalhão de Choque assumiu o patrulhamento. Semana passada, a favela ganhou um xerife, o major Edson Raimundo dos Santos, de 38 anos, ex-integrante do Bope, que comandará o policiamento.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/propina-policiais-na-rocinha-investigada-por-inteligencia-4471272#ixzz1qsKDVFQe

terça-feira, 27 de março de 2012

EXECUÇÃO NO RIO - Delegado diz que líder comunitário da Rocinha foi executado à tiros

'Execução está clara', diz delegado sobre morte de líder comunitário da Rocinha

POR Adriana Cruz
Ricardo Albuquerque

Rio
- O presidente de uma associação de moradores da Rocinha, Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, de 41 anos, foi assassinado ontem, por volta das 15h40, na Travessa Palmas, na Rocinha. Ele levou três dos cinco tiros disparados, pelas costas, no horário de grande movimento de pessoas na viela. A Divisão de Homicídios não descarta a hipótese de a guerra do tráfico ter uma ligação com a execução da vítima. O delegado Rivaldo Barbosa convocou 13 testemunhas para depor. “A execução está clara. Em breve, chegaremos ao autor do crime”, garantiu.

Feijão era presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos (Amabb) e tinha acabado de sair da sede da entidade, na Travessa Palmas, que interliga a Via Ápia e o Boiadeiro. Segundo testemunhas, a vítima subiu na moto Kawasaki 250, placa LPY-7716, fez a manobra e voltou em direção à Via Ápia. Em frente a uma loja de roupas, um homem a pé, de capacete, disparou à queima-roupa.

Duas empresas em nome de Feijão foram alvos de investigação | Foto: Reprodução

Antes do crime, o bandido entrou na sede da associação de capacete e perguntou à recepcionista se Feijão estava. Ao ouvir da funcionária que ele estava em reunião, o suspeito saiu. A advogada de Feijão, Jaqueline Costa, garantiu que a moto não era dele. Parentes estiveram no local, mas não deram declarações. Sua mulher, Aparecida Silva, foi amparada pela advogada. Ela é mãe do quarto filho da vítima, um bebê de 2 meses.

Uma das hipóteses investigadas pela a polícia é a de que Inácio de Castro Silva, o Canelão, esteja envolvido no crime. Desde a prisão de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, em novembro, ele teria tomado a parte alta. Canelão disputaria o território com Amaro Pereira da Silva, o Neto. Embora seja remanescente da quadrilha de Nem, ele deu um golpe para tomar o poder na parte baixa da favela. A polícia investiga ainda se ele tinha interesse na morte de Feijão.

Ajuda na rendição de bando
Criado na Rocinha, Feijão teria ligação com o tráfico de drogas. Em 2010, ele foi chamado para ajudar na rendição dos dez bandidos que mantinham sob a mira de armas 35 reféns dentro da cozinha do Hotel Intercontinental, em São Conrado. Ele foi flagrado ainda resgatando moto do bando. Feijão também faria compras para Danúbia, mulher de Antônio Bonfim Lopes, o Nem. No cartão de crédito dele, foram identificados gastos em loja de bebê na Barra da Tijuca no valor de R$ 5.893, que seriam para ela.

PROCESSOS NA JUSTIÇA
Feijão respondia a dois processos por crimes como formação de quadrilha e lavagem de dinheiro nas 29ª e 40ª Varas Criminais. Pesavam contra ele as acusações de envolvimento como ex-chefão do pó da Rocinha Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso.

Feijão teria empresas para ocultar os bens do tráfico. Ele, Nem e outros dois réus são acusados de movimentar R$ 1,2 milhão em investigação da Polícia Civil.

Entre compra de carros e rendimentos em empresas do grupo, foram contabilizados mais de R$ 2 milhões. Dia 3 de maio, Feijão teria que sentar no banco dos réus em audiência, às 10h, na 29ª Vara Criminal.


Fonte o Dia

sábado, 26 de novembro de 2011

TRÁFICO NO RIO - Danúbia, a Xerifa da Rocinha vai parar no Xilindró

Namorada de Nem é presa sob suspeita de associação ao tráfico
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Danúbia de Souza Rangel, 28, mulher do ex-chefe do tráfico de drogas na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, teve a prisão decretada sob suspeita de associação ao tráfico, na noite desta sexta-feira. De acordo com o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 15ª DP (Gávea), a prisão é em flagrante.
"Ela se beneficiava do tráfico de drogas. Tenho provas. Sei disso com base em relatórios que possuímos, depoimentos informais de moradores e reportagens de jornal", afirma Pinto.
Danúbia, que gostava de ser chamada de "xerifa da Rocinha", vai passar a noite na delegacia. Amanhã o delegado pretende pedir reforços e encaminhá-la para a Polinter, onde será definida para qual carceragem ela será levada.
A namorada de Nem respondeu a um inquérito da Polinter por lavagem de dinheiro. Em março, a 29ª Vara Criminal pediu a sua prisão, revogada em julho. Atualmente não havia nada contra ela.
Ontem o advogado de Danúbia esteve na Polinter para checar se havia algo contra a sua cliente. O delegado confirmou que a ficha dela estava limpa e hoje Danúbia resolveu visitar a filha na Rocinha.
Os policiais a encontraram às 16h40 em um salão de beleza com a irmã e a filha. A irmã, que acompanhou Danúbia à delegacia, deve ser ouvida pela polícia ainda hoje.
Antes da decisão do delegado, o advogado de Danúbia, que preferiu não se identificar, disse que não acreditava na prisão da cliente. "Se ela sair presa daqui vai ser uma arbitrariedade".
Segundo Pinto, a namorada de Nem era investigada em três inquéritos. Ele mesmo afirma ter uma investigação contra ela.
Há informações de que a chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, pediu a prisão de Danúbia assim que soube que ela foi encontrada na favela, posição negada pela própria delegada.
O mandado de prisão contra ela foi expedido em 22 de março e revogado em 29 de julho.
Danúbia namorava Nem desde 2006

         

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

BANDA PODRE : Prisão de Nem: Polícia Federal vai investigar policiais civis

 OAB suspende por 90 dias advogados que estavam com bandido

Gustavo Goulart
Elenilce Bottari
Marcelo Gomes


RIO - A Polícia Federal vai instaurar inquéritos para investigar a suposta prática de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro por parte dos policiais civis e advogados envolvidos na tumultuada prisão do traficante Nem, na semana passada. Serão investigados o delegado da 82ª DP (Maricá), Roberto Gomes Nunes, o inspetor Mussi, da mesma delegacia, e o inspetor Figueiredo, da Subchefia Operacional da Polícia Civil. Eles tentaram levar o bandido para a 15ª DP (Gávea), e não para a sede da PF, como queriam os PMs do Batalhão de Choque que prenderam o traficante.

O inquérito da PF vai correr paralelamente ao aberto pela Corregedoria da Polícia Civil para apurar o caso. Semana passada, o delegado Fernando Veloso, subchefe operacional da Polícia, afirmou que havia uma negociação com os advogados de Nem para que ele se entregasse.

Punição vai de advertência a expulsão
O Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ) suspendeu preventivamente na quinta-feira os três advogados flagrados levando o traficante. Os 60 integrantes do tribunal foram unânimes na decisão, que impede o exercício da profissão pelo prazo de 90 dias. Segundo o vice-presidente da OAB-RJ, Sérgio Fisher, os três estão sendo submetidos a um processo disciplinar pelo conselho pleno da entidade, que decidirá a punição a ser aplicada a eles. Ela vai de uma advertência até a expulsão dos quadros da entidade.

O conselho é formado por 80 pessoas que estão analisando cada caso. Fisher informou que se o processo administrativo não tiver sido concluído em 90 dias a suspensão é encerrada.

— Nenhum deles mandou representantes para o tribunal. Agora, eles têm direito a ampla defesa, que poderá ser feita durante o processo administrativo — explicou o vice-presidente da OAB-RJ.

Dos três, o único que está em liberdade é André Luís Soares Cruz, que se apresentou como cônsul honorário da República Democrática do Congo e foi autuado na Polícia Federal por favorecimento pessoal. Seu pai, Demóstenes Cruz e Luiz Carlos Cavalcante Azenha (advogado de Nem) estão presos em Bangu 8 por corrupção ativa.

O presidente do Conselho Nacional dos Peritos Judiciais, José Ricardo Rocha Bandeira, decidiu suspender André Cruz e Demóstenes Cruz dos cargos de diretor jurídico e auxiliar jurídico, respectivamente.

Traficante no Fórum atrai oficiais de Justiça
A passagem do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, pela 38 Vara Criminal na última quarta-feira, para ser citado num processo em que é acusado de associação para o crime e o tráfico, provocou uma correria entre oficiais de Justiça. Eles aproveitaram para intimar o bandido em outros seis processos.

Alguns dos dez processos que tramitam na Justiça contra o traficante estavam suspensos, como prevê a lei quando o réu está foragido. Em dois casos, os juízes marcaram audiência de instrução e julgamento ainda este mês.

Para juiz, conduta de Nem é "inaceitável e repugnante"
Em todos os processos, o traficante é apontado como o chefe do tráfico na Rocinha.

Na sentença em que condenou o bandido a oito anos e quatro meses de prisão por associação para o crime, o juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, da 33ª Vara Criminal, afirmou que a conduta social de Nem é "inaceitável e repugnante, com ampla repercussão negativa nas imprensas nacional e internacional, comprometendo a imagem da cidade e gerando a subversão do estado democrático de direito".

Nem também foi condenado em outro processo, que tramitou na 9ª Vara Criminal, pelo juiz Luciano Silva Barreto, a sete anos de reclusão, em julho de 2010. A sentença foi confirmada pelo Tribunal de Justiça

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prisao-de-nem-pf-vai-investigar-policiais-civis-3265135#ixzz1e3Dej6U9 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ROCINHA : Ligações do Disque-Denúncia (2253-1177) crescem 38 vezes

Com ajuda de informações passadas por moradores, polícia havia achado até ontem 73 fuzis e metralhadora que derruba até avião 

 ROBERTA PENNAFORT / RIO - O Estado de S.Paulo

Graças a denúncias de moradores, a polícia do Rio conseguiu apreender, em três dias de ocupação nos Morros da Rocinha, do Vidigal e Chácara do Céu, na zona sul, 129 armas que eram usadas por traficantes para enfrentá-la. Só de fuzis são 73. As informações chegam pelo Disque-Denúncia (2253-1177) , que registrou 38 vezes mais chamadas do que o normal, por bilhetes ou indicações diretas aos policiais. 
Essas denúncias levaram equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) ontem a duas casas da Rocinha que até domingo eram usadas pelos traficantes: em uma foram encontrados 16 fuzis e uma metralhadora .30, cujo disparo derruba até aeronave, além de espingardas, pistolas, granadas e carregadores para fuzil.

Eram armas novas, algumas com a inscrição ADA (Amigos dos Amigos) e o desenho de um coelho, sinal de que pertencia ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, preso há uma semana.

Também foram apreendidos coletes à prova de balas de uso das Forças Armadas e caixas de fogos de artifício, usados pelos bandidos para alertar para a chegada da polícia. A cocaína, apreendida em sacos pretos, ainda não havia sido pesada.

Na localidade Roupa Suja, na parte alta da Rocinha, foram encontrados dez fuzis, escondidos na laje de uma casa.

Colaboração. Os números do Disque-Denúncia (2253-1177)  revelam o espírito colaborativo da população: foram 308 ligações só no domingo e na segunda, quando o usual nesses dias da semana são quatro informes diários.
Nem todo mundo tem coragem de denunciar. Após décadas dominados pelo tráfico, os mais céticos não descartam uma reviravolta. "Moro aqui há 67 anos. (Os traficantes) Dênis, Naldo, todos passaram, mas eu fiquei", dizia uma cozinheira que prefere "não se meter com polícia".

Abusos. Moradores também temem abusos por parte dos policiais, como ocorreram em ocupações semelhantes em outras favelas cariocas. Para evitá-los, representantes das associações de moradores acompanham as revistas nas casas.
De manhã, quando um carro do Bope passava com parte do material apreendido pela movimentada Rua 2, pedestres fotografavam. "É para guardar de recordação. Dá uma sensação boa se ver livre dessas armas", justificou um comerciante de 39 anos que passou o dia na rua com a câmera na mão.

Policiais também pediam a moradores para fotografá-los empunhando fuzis dos bandidos. Em outro ponto da favela, crianças observavam o vaivém de veículos do Bope cantando a música-tema do filme Tropa de Elite, que trata do combate ao tráfico pelo batalhão.

Para o comandante do Bope, coronel René Alonso, a credibilidade da UPP como principal projeto da Secretaria da Segurança Pública faz com que moradores não enxerguem a operação policial como "mais uma". "Em nenhuma favela tivemos tanta cooperação da população quanto aqui. Não existe receita, cada comunidade é diferente."

Mas há quem acredite que a conduta da PM "só está boa porque a imprensa ainda está na favela". Era, por exemplo, o que bradava uma vendedora ontem. No domingo da ocupação, ela havia se irritado com um policial que desconfiou que o skate da filha era uma arma

Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,rocinha-ligacoes-ao-disque-denuncia-crescem-38-vezes-,798949,0.htm

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

BANDA PODRE - Beltrame diz que Nem pode ajudar a elucidar casos de corrupção policial #Rocinha

Traficante foi preso no dia 1º, às vésperas da Operação Choque de Paz.
Secretário não descarta oferecer medida judicial para obter informações.
 Do G1 RJ, com informações do Bom Dia Brasil

                    



O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse, na manhã desta segunda-feira (14), que o depoimento do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, pode ser uma "oportunidade importantíssima" para elucidar casos de corrupção envolvendo policiais civis e militares. Beltrame falou nesta manhã em entrevista ao Bom Dia Brasil e não descarta o oferecimento de alguma medida judicial para que Nem contribua com a Justiça e a polícia. O traficante é apontado como o chefe do tráfico na Rocinha e está preso desde o dia 1º de novembro em Bangu 1.
Para o secretário a Operação de Choque foi "um trabalho de inteligência e não de guerra".

Movimentação na Rocinha
Nesta manhã, a movimentação na Rocinha é normal. No Largo do Boiadeiro, é grande o número de pessoas que saem de casa para trabalhar. Policiais permanecem no local, distribuídos pelos principais acessos à comunidade. As escolas seguem fechadas e só devem reabrir na quarta-feira (16).
O trabalho de revista dos moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, que foi interrompido durante a noite, foi retomado nesta manhã. A polícia também faz a varredura nessas comunidades, à procura de traficantes, drogas e armas. Segundo Beltrame, por se tratar de uma área muito grande, ainda há muitos pontos a serem vasculhados. Mesmo após a prisão de Nem, a polícia acredita que cerca de 200 criminosos ainda podem estar escondidos na Rocinha.
"É no mínimo temerário dizer que não tem mais ninguém naquele lugar. E o objetivo da polícia estar num lugar desse de uma forma maciça é exatamente no sentido de identificar estas pessoas ou qualquer outro equipamento criminoso que eles, por ventura, eles possam ter”, disse Beltrame.
Durante o primeiro dia de ocupação nas três comunidades, a polícia prendeu quatro pessoas, apreendeu 20 pistolas, 15 fuzis, duas espingardas e uma submetralhadora, além de 20 rojões e três granadas, segundo balanço da operação Choque de Paz, que visa instalar a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região.
Um homem foi preso na noite deste domingo (13) suspeito de tentar subornar policiais civis durante uma revista em uma residência na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Ainda de acordo com a polícia, ao ser perguntado sobre celulares encontrados com mensagens de pedidos de entrega de drogas, o suspeito ofereceu R$ 3 mil para tentar subornar os policiais.
Armas e ossadas


Foram localizados também 112 kg de maconha, 80 tabletes de maconha, 60 quilos de pasta base de cocaína, 145 trouxinhas de maconha e 14 tabletes de cocaína, além de máquinas caça-níqueis, bombas artesanais, uma farda do Exército e uma camisa da Polícia Civil.
Parte do armamento encontrado estava enterrada em uma viela da Rocinha. Em dois dos fuzis, o desenho de um coelho, apelido do traficante preso dias antes tentando fugir da favela. Anderson Mendonça foi preso com outros quatro comparsas. Eles estavam sendo escoltados por policiais civis, um ex-policial militar e um PM reformado, que também foram capturados.
PMs e policiais federais acharam com a ajuda de cães farejadores ossadas enterradas no alto da favela do Vidigal. Eles receberam informações de moradores.

Favelas tomadas após 2 horas e sem disparos
A retomada das favelas pelas forças de segurança começou por volta de 4h. A ação durou 2 horas e não houve troca de tiros. A megaoperação reúniu 3 mil homens das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, além de 194 fuzileiros navais, 18 veículos blindados, 4 helicópteros da PM e 3 da Polícia Civil. Os helicópteros jogaram panfletos com números de telefones para denúncias.



O Batalhão de Operações Especiais (Bope) estudou durante vários dias os detalhes do terreno a ser reconquistado, numa estratégia para evitar vítimas e para agir a qualquer ação dos traficantes. O apareato reúnia três tipos de blindados da Marinha: o Clamf, o maior e mais pesado, com 23 toneladas; o M113, menor e mais ágil; e o Piranha, que anda sobre rodas. (Veja vídeo ao lado)
Cerca de 300 homens do Bope entraram na Rocinha por seis acessos importantes da comunidade: Via Ápia, Terreirão, Roupa Suja, Estrada da Gávea, Laboriaux e Um Nove Nove, além de dezenas de pontos na mata. As favelas do Vidigal e Chácara do Céu foram retomadas por 800 policiais do Batalhão de Choque. Depois, foi a vez das outras forças de segurança entrarem em ação.


Outros 1,3 mil homens se espalharam por toda a cidade. Foram montados bloqueios nas principais saídas do Rio. O comando da operação não permitiu que os policiais usassem mochilas no interior das favelas, em uma tentativa de impedir saques aos moradores como houve no Complexo do Alemão.
Na Rocinha, homens do Bope usaram um trator para recolher motos roubadas que tinham sido abandonadas na rua. No Vidigal, colchões queimados e óleo jogado na pista, além de lixo e uma televisão, foram alguns dos obstáculos usados por criminosos para tentar impedir a retomada do território (Veja vídeo acima).
Às 6h08, pouco mais de duas horas depois do início da operação, segundo a Secretaria de Segurança, o território de 840 mil m2 da Rocinha e os 70 mil moradores estavam livres do domínio dos traficantes.


No início da tarde, as bandeiras do Brasil e do estado do Rio de Janeiro eram hasteadas nas favelas do Vidigal e da Rocinha para oficializar a retomada do território. No Vidigal, a informação é de que 160 homens do Batalhão de Choque vão permanecer na comunidade até que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) seja implantada.
O secretário de Segurança disse que a partir de agora é o estado que controla uma área dominada ha décadas pelo crime organizado." O dia de hoje iniciamos a segunda fase de um trabalho que começou no inicio deste mês", disse. "Esse trabalho começou e não tem data para encerrar. É a libertação do jugo do fuzil", completou.
O governador Sérgio Cabral comemorou o resultado da operação. “Hoje é um dia histórico de mais um capítulo na paz do Rio de Janeiro”, disse. “Graças a unidade, a união das forças públicas que trabalharam por um bem comum", completou.
A polícia pede ainda que a população continue colaborando, dando informações sobre criminosos, armas e drogas escondidos nas favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu. "Denunciem e ajudem. A população pode ligar para o Disque-Denúncia (2253-1177) ou para o 190 para nos ajudar a localizar criminosos, armas e drogas. Permaneceremos nas comunidades por tempo indeterminado", frisou o chefe de Estado Maior Operacional da Polícia Militar.
Rocinha - dados - raio x - 13/11 (Foto: Editoria de arte/G1)

 
Fonte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/beltrame-diz-que-nem-pode-ajudar-elucidar-casos-de-corrupcao-policial.html

domingo, 13 de novembro de 2011

RIO - Tomada do morro do Vidigal foi dificultada por óleo e até TV na pista

'Havia barricadas, uma passarela de concreto e óleo na pista', diz sargento.
Policiais chegaram por volta de 4h ao topo da comunidade.
 
Do G1 RJ

A polícia subiu e tomou o morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, na madrugada deste domingo (13). "Havia muitas barricadas, uma passarela de concreto, carros virados e óleo na pista", contou o sargento Leonardo Brandão, do Batalhão do Choque.

Por volta das 4h os policiais chegaram ao topo da comunidade. Segundo Brandão, os policiais desceram do local quando a Marinha chegou.
Galões de óleo na subida do Vidigal. É possível ver muito óleo na pista da Avenida Presidente João Goulart, principal acesso ao alto do morro (Foto: Thamine Leta/G1)
Tanque da Marinha é visto descendo uma das ruas da comunidade (Foto: Thamine Leta/G1)


Até uma televisão foi usada como obstáculo para impedir a subida da policia (Foto: Thamine Leta/G1)
Por causa do óleo na pista, um carro não consegue fazer a curva na subida da comunidade. Policiais ajudaram a tirar o carro do local (Foto: Thamine Leta/G1)

 Fonte http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/tomada-do-morro-do-vidigal-foi-dificultada-por-oleo-e-ate-tv-na-pista.html

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ARREGO NO RIO - Traficante Nem diz que metade do seu faturamento ia para policiais

Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br)
 
traficante Nem na Penitenciária de Segurança Máxima Bangu I (Foto: Divulgação)   
RIO - Num longo depoimento na sede da Polícia Federal na madrugada de quinta-feira, acompanhado por um grupo restrito de policiais federais, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, preso na quarta-feira na Lagoa , afirmou que metade de tudo que faturava com a venda de drogas era entregue a policiais civis e militares da banda podre. A propina gorda seria entregue a numerosos agentes públicos. O traficante deu detalhes, inclusive datas, de casos de extorsão. Ainda no depoimento, o criminoso afirmou que, devido às constantes extorsões, em alguns períodos seu faturamento era zero. Segundo algumas estimativas da Polícia Civil, não confirmadas no depoimento, o bandido faturava mais de R$ 100 milhões por ano.
- Metade do dinheiro que eu ganhava era para o "arrego" (gíria para propina) - afirmou Nem.
                               
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em entrevista ao "RJ-TV", da TV Globo, que gostaria muito que Nem falasse mesmo o que sabe, por conhecer "a arquitetura do tráfico de drogas e como são os meandros da corrupção".
- Ele tem uma prestação de contas muito séria e importante a fazer à sociedade fluminense. Ele tem que prestar contas sobre a corrupção de agentes públicos. Eu acho que isso faria com que fosse dado um passo importante no combate à criminalidade - disse Beltrame, por telefone, de Berlim, onde está apresentando os projetos na área de segurança para a Copa e as Olimpíadas.
O bandido contou no depoimento que uma parte do seu lucro com a venda de drogas era gasta em assistencialismo na Rocinha, com pagamento de enterros, fornecimento de cestas básicas, compra de remédios e realização de obras.
- Quando me pediam, eu comprava tijolos e financiava a construção de casas na comunidade - disse.

PF diz que monitora outros traficantes
O delegado Victor Hugo Poubel, coordenador da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da PF, garantiu que as informações passadas pelo bandido serão investigadas em inquérito. Poubel afirmou também que outras prisões podem ocorrer nos próximos dias e que a PF tem acompanhado a movimentação dos bandidos do Rio, em especial os da Rocinha.
- Nossos policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estão monitorando a movimentação de bandidos que porventura tentem fugir da Favela da Rocinha. Estamos trabalhando intensamente, com apoio da Secretaria de Segurança, numa troca constante de dados de inteligência - afirmou Poubel.
Durante a operação de quarta-feira na Gávea , quando o traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico no São Carlos e sócio de Nem, e seu braço direito Sandro Luiz de Paula Amorim, o Lindinho ou Peixe, foram presos pela PF, os agentes apreenderam pelo menos dez celulares. No verso dos aparelhos havia a etiqueta "arrego". Coelho, no momento da prisão, estava sendo escoltado por três policiais civis, sendo dois da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (Carlos Renato Rodrigues Tenório e Wagner de Souza Neves) e um da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública (Carlos Daniel Ferreira Dias). O grupo também contava com dois ex-PMs: José Faustino Silva e Flávio Melo dos Santos.
Vida segue calma as vésperas da tomada da favela pela polícia (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo) - Parece que cada celular tinha uma função. Achamos curioso: no verso de pelo menos dez dos aparelhos havia essa referência ao "arrego". Supomos que os traficantes usavam os celulares só para receber ligações da banda pobre e providenciar a propina - afirmou o delegado Fábio Andrade, da DRE da PF.
Coelho era um dos bandidos mais importantes da estrutura atual da Favela da Rocinha. Ele teria instalado vários laboratórios para refinar cocaína, trazendo da Bolívia pasta-base da droga. Além de controlar parte do complexo de São Carlos, atualmente ocupado por uma Unidade de Polícia Pacificadora, o criminoso foi encarregado de assumir também o comando das favelas de Macaé, após a morte do traficante Roupinol, ocorrida em 2010. Desde 2005, policiais federais investigavam o pagamento de propina a policiais da banda podre no Rio.
Nem chegou ao Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, na tarde de quinta-feira. O comboio que levou o traficante e outros bandidos presos no entorno da favela da Rocinha, na noite de quarta-feira, passou pelas principais vias expressas da cidade. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, o traficante teve o cabelo cortado, seguindo o mesmo procedimento que aconteceu com Alexander Mendes da Silva, o Polegar da Mangueira, preso em setembro no Paraguai. Ele também passou a usar uniforme padrão: camisa verde, calça jeans e tênis azul.
Em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), Nem terá direito a apenas duas horas de banho de sol por dia. Nas outras 22 horas, deve ficar confinado numa cela individual. O Bangu 1 possui quatro galerias com 12 celas individuais. Há alguns anos, uma das galerias já era destinada a presos no RDD. Considerado o presídio mais seguro do Estado, Bangu 1 abrigava presos de alta periculosidade - líderes de facções de tráficos de drogas.
Policiais militares fazem a transferência do traficante Nem da sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, para Bangu I (Foto: Angelo Antonio Duarte / Agência O Globo) A possibilidade de ocupação da favela da Rocinha por forças policiais neste fim de semana ficou mais forte com um comunicado da Aeronáutica divulgado nesta quinta-feira. Segundo a Força Armada, o espaço aéreo sobre a comunidade será fechado entre as 2h do domingo e a tarde da próxima segunda-feira. Segundo o RJ-TV, da TV Globo, está prevista a utilização de helicópteros com sensores e câmeras na operação de tomada da favela pelas forças de pacificação da polícia. Também nesta quinta-feira, o governador Sérgio Cabral afirmou que a ocupação da Rocinha, na Zona Oeste do Rio, será concluída até domingo.
- É mais um passo importante na política de pacificação das comunidades para oferecer paz, dessa vez aos moradores da Rocinha e do Vidigal, que se somam às demais comunidades pacificadas. Até o final dessa semana, nós teremos concluído esse processo - disse ele ao site G1, da TV Globo.
Desde a semana passada, a polícia vem apertando o cerco no entorno da favela. No último dia 3, agentes da polícia civil fecharam uma clínica de aborto e uma fábrica, numa operação que envolveu cerca de 65 policiais das Delegacias de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), do Consumidor (DECON), de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), de Combate às Drogas (DCOD) e da Polinter. Também participam da operação agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), da Coordenadoria de Informações e Inteligência Policial (CINPOL), da 14ª DP (Leblon) e da 15ª DP (Gávea). Na ocasião, os policiais também encontraram 22 motos roubadas, que foram encaminhadas para o Pátio Legal da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), em Deodoro.

COLABOROU Elenilce Bottari

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

TRÁFICO DE DROGAS NO RIO - Enfim NEM foi pra JAULA

 PM diz que traficante e comparsas ofereceram R$ 1 milhão de suborno

Nem, apontado como chefe do tráfico na Rocinha, foi preso no Rio.
Traficante deve ser transferido nesta quinta (10) para o presídio de Bangu.
 

Thamine Leta Do G1 RJ
 

Soldado Heitor diz que comparsas chegaram a
oferecer R$ 1 milhão para Nem não ser preso
(Foto: Thamine Leta/G1)

Um dos policiais militares envolvidos na ação que resultou na prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, diz que os homens que ajudavam na fuga do criminoso chegaram a oferecer R$ 1 milhão de suborno para que eles fossem liberados. Nem foi preso na madrugada de quinta-feira (10). Ele é apontado como o chefe do tráfico de drogas da Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Primeiro, eles ofereceram R$ 20 mil, depois, R$ 1 milhão para liberarmos eles”, contou o soldado Heitor, um dos agentes do Batalhão de Choque que abordou o veículo usado na tentativa de fuga do traficante. Nem foi encontrado no porta-malas do carro de luxo e preso com apoio da Polícia Federal.

A prisão do traficante Nem é parte da movimentação de forças de segurança pública antes da instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Rocinha. A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13), mas de acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, os detalhes serão mantidos sob sigilo.

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Escondido no porta-malas Segundo o soldado Heitor, além do traficante, mais três homens estavam no carro usado na fuga de Nem da Rocinha. A primeira abordagem ao grupo foi na saída da Rocinha, na Gávea, na Zona Sul do Rio. Lá, os PMs pediram para revistar o veículo. Um dos homens do grupo se apresentou como funcionário do Consulado do Congo e outro, como advogado. Eles informaram aos policiais que não aceitariam ser revistados. De acordo com soldado Heitor, os agentes informaram, então, que escoltariam o carro até a sede da Polícia Federal.

Ainda de acordo com o soldado, pouco depois da meia-noite, quando cruzavam a região da Lagoa, também na Zona Sul, os homens pararam o carro, se aproximaram dos policiais e tentaram negociar o suborno. “O [homem que se apresentou como] cônsul ofereceu propina e nós não aceitamos. Chamamos a Polícia Federal, que é um procedimento normal por ele ser cônsul”, contou o soldado. Na manhã desta quinta, a identidade do detido que teria se apresentado como diplomata ainda era investigada pela polícia.



Segundo Heitor, após a PF chegar à Lagoa, o veículo foi revistado e Nem foi achado no porta-malas. “A PF identificou o Nem de imediato. E o Nem não disse nem uma palavra, não ofereceu resistência”, disse.

Nem e os outros suspeitos foram levados para a sede da PF, na Zona Portuária. O delegado Victor Poubel, da PF do Rio, Nem ligou para a mãe e comunicou que havia sido preso. "Ele mandou um recado para os filhos não faltarem às aulas", disse o delegado. Segundo Poubel, o traficante deve ser transferido ainda nesta quinta para o presídio de Bangu, na Zona Oeste.

PF infiltrada na Rocinha Policiais federais trabalharam infiltrados na Favela da Rocinha para ajudar na captura de Nem. Segundo Poubel, foram dez dias de trabalho, 24 horas por dia, monitorando a comunidade. A ação policial contou ainda com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. "Mas o trabalho da Polícia Federal não se restringe só a isso", esclarece Poubel.

Na quarta-feira (9), A PF já havia prendido outros traficantes e também policiais que escoltavam criminosos em fuga da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Entre os detidos, quatro são policiais e um é ex-policial. Um dos traficantes presos é conhecido pelo apelido de “Peixe” e o outro é o traficante “Coelho”, apontado como um dos principais comparsas de Nem.

Instalação de UPP Cerca de 80 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) permanecem nesta quinta nas favelas da Rocinha e do Vidigal, na Zona Sul do Rio. Segundo o tenente da PM Leonardo Novo, o cerco é por tempo indeterminado. Moradores e motoristas que passam pelo local são revistados.

O Ministério da Defesa vai mandar homens da Marinha e equipamentos militares para a ocupação do morro da Rocinha. Apesar do ministério não confirmar formalmente a participação na operação, o pedido de apoio logístico ao Ministério da Defesa foi feito há cerca de dez dias pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13). A Marinha usará na operação os mesmos blindados utilizados na tomada das comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, os chamados Clanfs (carros lagartas anfíbios). Os blindados serão operados por fuzileiros navais e também ajudarão no transporte dos policiais militares durante a entrada no morro



FOnte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/pm-diz-que-traficante-e-comparsas-ofereceram-r-1-milhao-de-suborno.html

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/PREFEITURA - Remoção imediata de moradores de comunidades


De Anna Luiza Santiago, Juliana Câmara e Ludmila Curi, de O Globo:

O prefeito Eduardo Paes anunciou a remoção imediata de famílias de pelo menos oito comunidades do Rio. Mais de quatro mil pessoas serão retiradas do Morro do Urubu (entre Tomás Coelho e Pilares); na comunidade dos Prazeres, no Morro do Fogueteiro, na comunidade São João Batista, no Cantinho do Céu e no Pantanal (todos em Santa Teresa); na comunidade Laboriaux, na Rocinha; e no Parque Columbia.
As famílias vão receber o aluguel social, que subiu de R$ 250 para R$ 400. Algumas casas já serão demolidas nesta segunda-feira.
Segundo Paes, para os moradores do Prazeres e do Fogueteiro, o governo estadual liberou a área do antigo presídio da rua Frei Caneca para a construção de cerca de 2.200 unidades habitacionais.
Já os moradores do Urubu receberão casas pelo programa "Minha casa, minha vida", do governo federal.
Quem sai do Cantinho do Céu e do Pantanal vai participar de um programa de aquisição assistida de imóveis, com o apoio da prefeitura.
Por fim, os que forem removidos do São João Batista serão indenizados no valor do imóvel, mais 40% do valor.
Leia mais em Prefeito Eduardo Paes anuncia remoção imediata de moradores de comunidades do Rio

 


 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/COTIDIANO - Cervejadas na mira da polícia

Compra de quase 100 mil engradados faz parte de investigação que apura lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Rocinha

POR LESLIE LEITÃO

Rio - A denúncia do Ministério Público (MP) — que resultou em 19 mandados de prisão expedidos contra integrantes da quadrilha que domina a Favela da Rocinha — foi baseada numa investigação da Polinter que revela um grande esquema de lavagem de dinheiro do tráfico por meio de empresas fantasmas e ‘laranjas’. Um dos alvos da investigação foi a compra de quase 100 mil engradados de cerveja entre agosto e dezembro do ano passado.

Foto: Reprodução
Em festas na Rocinha, traficantes circulam armados até com bazuca | Foto: Reprodução
O número, que chamou a atenção dos policiais civis, foi descoberto após uma ação realizada em um campo de futebol num clube nobre do Joá. Na ocasião, policiais cumpriram mandando de prisão de um foragido da Justiça, que participava de pelada de amigos, e detiveram Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, um dos denunciados pelo MP. Com ele, foram apreendidas faturas de pagamentos e notas fiscais de compras de cervejas.

As encomendas não haviam sido feitas por Feijão, mas por um assessor parlamentar lotado no gabinete do vereador Claudinho da Academia. O funcionário chegou a prestar depoimento e disse que tudo havia sido comprado para ‘festas promovidas na Academia R1’. Pela quantidade adquirida nesses meses, exatamente 94.104 cervejas, entre latas e garrafas, totalizando R$ 104.867,13, a polícia passou a desconfiar da versão apresentada.

ARMAS PESADAS EM FESTAS
Outro dado curioso: as entregas sempre foram feitas na garagem de ônibus localizada na Curva do S, na Estrada da Gávea. Distante da academia, o lugar é o principal ponto de festas e eventos promovidos pelo tráfico da Rocinha, onde bandidos circulam armados com fuzis, pistolas e até bazucas. Mas o responsável oficial pela compra ainda não foi indiciado. A promotora Ana Lúcia Melo, da 25ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), entretanto, incluiu seu nome entre os 15 que serão convocados a depor na 40ª Vara Criminal.
Já Vanderlan é apontado como um dos ‘laranjas’ do esquema encabeçado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Segundo as investigações, Feijão é tratado como tesoureiro do tráfico e, por meio de duas empresas, de gelo e de acessórios de veículos, lavava dinheiro da quadrilha.
Encomenda de R$ 12 mil com mesas e cadeiras
Apesar de o responsável pelas compras de cerveja ter afirmado que tudo iria para a Academia R1, os gastos na terceira semana de agosto de 2009 chamaram a atenção. No dia 19 daquele mês, foram emitidas duas notas fiscais. A primeira relativa a 30 mesas e 120 cadeiras, custando R$ 4.500; e outra de 50 mesas e 200 cadeiras, por R$ 7.500. No dia seguinte, foram adquiridas 1.200 garrafas de cerveja por R$ 1.957,80.

No dia 22, mais 10.032 cervejas, entre latas e garrafas, custaram R$ 10.543. Tudo foi entregue na garagem da Curva do S. O lugar é o mesmo onde, na noite seguinte, o grupo O Rappa fez a gravação de seu DVD com ingressos esgotados e milhares de pessoas do lado de fora.


 

 

sexta-feira, 26 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/TRÁFICO DE DROGAS - Moradores da Rocinha ganham R$ 40 para trabalhar no refino de cocaína


A Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro e se tornou a maior produtora de cocaína. Distribuía a droga para outras favelas da cidade.


Os policiais invadem a casa na Rocinha e vibram ao encontrarem a refinaria de cocaína no alto do morro. O cerco se fecha um pouco mais quando algum tempo depois os policiais encontram homens no hospital com queimaduras nos braços e nas pernas.

Policial - Como é que foi isso, cara?
Homem - Foi em um churrasco.
Policial - Em um churrasco? Mas como é que foi que você se queimou assim debaixo do braço?
Homem - Eu fui ajudar ele, quando eu vi pegando fogo nele, eu fui tirar ele, puxar, e tinha uma garrafa de álcool do lado.

Mas a policia já sabia que eles tinham se queimado em um acidente em outra refinaria. A polícia descobriu que a facção criminosa não estava mais apenas comprando a droga para revender, mas tinha passado a refinar a cocaína em laboratórios nos morros cariocas. Para isso, estava recrutando centenas de moradores das favelas para trabalhar no esquema.

Os moradores compravam os produtos químicos usados para processar a droga, como mostram as escutas telefônicas feitas pela polícia.

- Chega aí para pegar o dinheiro aqui em casa.
- Não, estou indo aí, estou indo aí. Eu vou arrumar os cinco (moradores) e vou aí pegar o dinheiro, valeu?
- Pega logo o dinheiro pô, depois tu arruma.

Para mapear o funcionamento da quadrilha, os investigadores monitoraram também o local onde eram comprados os produtos.

- Olha só, clorídrico e sulfúrico tem, não tem álcool.
- Então, não dá para comprar clorídrico e sulfúrico?
- Dá pô...

Um rapaz, saindo com uma sacola na mão, foi detido pelos policiais. Ele levava produtos químicos para a Rocinha.

Em um mês, foram identificadas 216 pessoas que faziam a compra para os bandidos. Cada uma recebia R$ 40 pelo serviço. Todas foram indiciadas por associação para o tráfico.

De acordo com a polícia, dois traficantes comandavam o esquema. Rogério Mosqueira, o Roupinol - morto em uma operação na terça-feira no Morro de São Carlos - e Antônio Bonfim Lopes, o Ném da Rocinha.

Juntos, eles eram responsáveis por uma produção gigantesca de cocaína. Nos últimos dois anos eles teriam comprado seis toneladas de pasta-base na Bolívia e triplicado essa quantidade beneficiando a pasta nas refinarias nos morros cariocas.

Na operação de terça-feira, a polícia apreendeu a contabilidade do tráfico, que confirma o trabalho dos investigadores. A quadrilha já produzia de 200 a 400 quilos de cocaína por semana.

“Um esquema muito grande, que envolve muitas pessoas. Começa desde o usuário até o chefe do tráfico”, aponta o diretor de Polícia da Capital Ronaldo Oliveira.


 


 

terça-feira, 23 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/SEGURANÇA PÚBLICA - Vágner Love nega envolvimento com traficantes


Esporte Interativo
Publicação: 23/03/2010 16:19



O atacante Vágner Love negou que tenha qualquer relação com os traficantes armados que aparecem lhe fazendo escolta em um vídeo gravado na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. O jogador do Flamengo foi convidado pelos investigadores da 15ª Delegacia de Polícia a prestar esclarecimentos nesta terça-feira como testemunha de um inquérito que apura tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas na comunidade.

Durante o depoimento, Vágner Love afirmou que não conhece os homens que aparecem no vídeo segurando fuzis e também disse que não recebeu proteção de traficantes em sua visita à Rocinha. Mas ele admitiu que a presença dele ao lado de criminosos "não é uma coisa positiva". "Não fico arrependido, mas, quando a gente põe a cabeça no lugar, percebe que não é uma coisa legal", revelou.

Depois da polêmica envolvendo o vídeo gravado no dia 27 de fevereiro, Vágner Love explicou que continuará organizando trabalhos sociais na Rocinha, mas prometeu que vai evitar as festas na comunidade.

 


 

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/SEGURANÇA PÚBLICA - Vagner Love presta depoimento à Polícia Civil sobre imagens na Rocinha



Atleta disse que não se arrepende de ter participado de um baile na Rocinha com homens armados, mas entende que isso não é bom para a imagem dele.
 

O atacante do Flamengo, Vagner Love, prestou depoimento na manhã desta terça-feira (23) na delegacia da Gávea.

O jogador chegou a 15ª DP por volta das 10h30, acompanhado do advogado particular. Ele foi convidado a depor como testemunha no inquérito policial por causa de imagens exibidas no Fantástico.

Nas imagens gravadas com uma câmera escondida, Vagner Love aparece chegando a uma festa no alto da Rocinha no mês passado, escoltado por homens armados. Uma das armas chamou a atenção da polícia: um lança rojão de fabricação sueca com capacidade de destruir até o carro blindado da PM, o caveirão. O atacante foi ao baile para comemorar a vitória do Flamengo de 4 a 1 sobre o Macaé, com dois gols feitos por ele. E justificou as imagens, na época (15/03).

“Sempre frequentei, sempre fui e não vejo problema nenhum. Eu costumo ir a alguns lugares, tenho alguns trabalhos sociais e por isso eu frequento. Tenho afilhados e amigos, nunca vou deixar de frequentar minhas origens e raízes”, disse o atleta.

Segundo os investigadores, um bandido que aparece nas imagens com uma camisa falsa da Polícia Federal, Marcelo Alves de Brito, é um dos homens que fazem a escolta do atacante do Flamengo, e foi morto durante um confronto com policiais no último dia 11.

Além de Marcelo Alves de Brito, morto, e do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, acusado de controlar a venda de drogas na Rocinha, a polícia disse que ainda não conseguiu identificar outros bandidos que aparecem armados nas imagens. O depoimento do Vagner Love durou quase uma hora. Ele foi ouvido pelo chefe da investigação na delegacia e pelo delegado assistente.

O inquérito foi aberto por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas. Segundo a polícia, a participação do Vagner Love nesse inquérito está encerrada.

Depois do depoimento ele conversou com os jornalistas e disse que não se arrepende de ter participado do baile na Rocinha, mas entende que isso não é bom para a imagem dele.

“Quando a gente põe um pouquinho a cabeça no lugar, a gente sabe que não é uma coisa legal estar indo lá pelas coisas que estão lá dentro. Mesmo eu tendo presenciado aquilo desde pequeno, eu acho que não é legal. Os bandidos da imagem não estavam fazendo minha escolta, acho que qualquer pessoa pública que chega lá, eles vão querer estar do lado. Nenhum deles é meu amigo”, declara Vagner Love.

De acordo com o comentarista de segurança do RJTV, Rodrigo Pimentel, o caso está esclarecido. Desde o início, a Polícia Civil disse que ele seria ouvido na condição de testemunha e ele não foi indiciado.