Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 18 de abril de 2010

ELEIÇÕES 2010 - TSE e Polícia Federal no rastro do caixa dois


Na tentativa de combater o caixa dois e outros tipos de financiamentos ilegais de campanhas eleitorais, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal vão fazer monitoramento sobre a movimentação financeira de segmentos suspeitos de despejar ou lavar dinheiro no patrocínio de candidatos nas eleições deste ano, conta a reportagem de Jailton de Carvalho, na edição deste domigo do GLOBO .
A polícia planeja investigar especialmente as articulações da máfia dos caça-níqueis e dos bingos, nas eleições no Rio de Janeiro e em São Paulo. Autoridades federais estão preocupadas também com a crescente desenvoltura no processo eleitoral de grupos supostamente ligados ao narcotráfico.
As investigações deverão começar formalmente nas próximas semanas. Mas os fiscais já estão sendo abastecidos com dados sobre a movimentação de alguns setores.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a discreta, porém efetiva, articulação da máfia de caça-níqueis em busca de aliados políticos. O movimento em favor dos jogos de azar ressurgiu com força nos últimos meses. Em geral, candidatos não declaram recebimento de grupos de jogos.
- Ficamos sabendo que (as máfias de caça-níqueis) estariam oferecendo dinheiro para quem se dispuser a ajudar na legalização do jogo. A movimentação que ocorreu recentemente no Congresso para legalizar os caça-níqueis não foi uma coisa à toa - disse uma autoridade encarregada de acompanhar o processo eleitoral.
Leia mais em No rastro do caixa dois: TSE e PF mapeiam atuação do tráfico de drogas e da máfia de caça-níqueis na política

 


 

sábado, 3 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/SEGURANÇA PÚBLICA - Traficantes utilizam empresas para lavagem de dinheiro no RJ

A investigação da Polinter sobre a quadrilha da Rocinha, que resultou na decretação da prisão de 19 bandidos após denúncia do Ministério Público (MP), descobriu que os criminosos utilizam duas empresas para legalizar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Denunciado pelo MP e foragido da Justiça, o dono das firmas é Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, apontado como 'tesoureiro' do bando chefiado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem.
Uma das empresas, a WC Comércio de Gelo Ltda, adquiriu em julho uma máquina de gelo avaliada em R$ 100 mil, investimento considerado alto para os padrões de uma comunidade carente. Suspeitando da transação, a polícia apreendeu o equipamento no caminho entre Minas Gerais e Rio. A nota fiscal da peça, no entanto, indicava um valor inferior: R$ 80 mil.
Na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, o capital social da WC Comércio de Gelo é de R$ 300 mil. Além de Vanderlan, consta como sócio-administrador Victor Felipe Evangelista da Silva, o Cacau. Também funcionário de Feijão num lava-jato na Rocinha, Cacau tinha contra si um mandado de prisão expedido pela Justiça.
A polícia descobriu que Feijão também é dono da V. Barros de Oliveira Comércio e Acessórios para Veículos Ltda. Segundo denúncia da promotora Ana Lúcia Melo, da 25ª Promotoria de Investigação Penal, ele "usava contas correntes bancárias das empresas com a finalidade de quitar débitos da referida facção criminosa (Amigos dos Amigos), bem como pessoais do acusado Nem".
Entre as 'contas pessoais' descritas na denúncia do MP está a compra de parte do enxoval da filha recém-nascida do bandido com Danúbia de Souza Rangel. Às 14h17 do dia 8 de dezembro, a mulher que se considera 'xerifa' da Rocinha entrou numa loja do Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, e gastou R$ 5.893,80 comprando armário, berço, cômoda, bicama, mesa-baú e colchões para o quarto de Y., que nasceu há duas semanas. A entrega ficou marcada para 8 de fevereiro.
A empresa V. Barros de Oliveira, segundo a promotoria, "possui diversos depósitos com altas quantias em dinheiro, sendo cristalinamente incompatível com a atividade empresarial exercida pela mesma (peças de veículos) em localidade extremamente pobre".
Além de Vanderlan, outro bandido de apelido Feijão, seu irmão Fábio Barros de Oliveira, espécie de office boy de Nem, também teve a prisão decretada. Entre os 19 mandados de prisão expedidos pela Justiça, constam os nomes de outros 'laranjas' do esquema de lavagem de dinheiro: Cacau, Cristiano dos Santos Peçanha, o Papel, e Antônio Alessandro Alves da Silva, o Magrinho.
A polícia descobriu também que era por meio dessas empresas que Nem usava o dinheiro sujo do crime para tentar conquistar a simpatia da comunidade. Em 12 de outubro, Dia das Crianças, a empresa de Vanderlan pagou R$ 12.668 pelo aluguel de touros mecânicos, mesas de pingue-pongue, futsal, pula-pula, videogames, camas elásticas, entre outros. Já perto do Natal, no dia 21 de dezembro, foi feita a festa de Papai Noel. A quadrilha gastou R$ 21.192 alugando mais brinquedos.
O Dia


 


 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/COTIDIANO - Cervejadas na mira da polícia

Compra de quase 100 mil engradados faz parte de investigação que apura lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Rocinha

POR LESLIE LEITÃO

Rio - A denúncia do Ministério Público (MP) — que resultou em 19 mandados de prisão expedidos contra integrantes da quadrilha que domina a Favela da Rocinha — foi baseada numa investigação da Polinter que revela um grande esquema de lavagem de dinheiro do tráfico por meio de empresas fantasmas e ‘laranjas’. Um dos alvos da investigação foi a compra de quase 100 mil engradados de cerveja entre agosto e dezembro do ano passado.

Foto: Reprodução
Em festas na Rocinha, traficantes circulam armados até com bazuca | Foto: Reprodução
O número, que chamou a atenção dos policiais civis, foi descoberto após uma ação realizada em um campo de futebol num clube nobre do Joá. Na ocasião, policiais cumpriram mandando de prisão de um foragido da Justiça, que participava de pelada de amigos, e detiveram Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, um dos denunciados pelo MP. Com ele, foram apreendidas faturas de pagamentos e notas fiscais de compras de cervejas.

As encomendas não haviam sido feitas por Feijão, mas por um assessor parlamentar lotado no gabinete do vereador Claudinho da Academia. O funcionário chegou a prestar depoimento e disse que tudo havia sido comprado para ‘festas promovidas na Academia R1’. Pela quantidade adquirida nesses meses, exatamente 94.104 cervejas, entre latas e garrafas, totalizando R$ 104.867,13, a polícia passou a desconfiar da versão apresentada.

ARMAS PESADAS EM FESTAS
Outro dado curioso: as entregas sempre foram feitas na garagem de ônibus localizada na Curva do S, na Estrada da Gávea. Distante da academia, o lugar é o principal ponto de festas e eventos promovidos pelo tráfico da Rocinha, onde bandidos circulam armados com fuzis, pistolas e até bazucas. Mas o responsável oficial pela compra ainda não foi indiciado. A promotora Ana Lúcia Melo, da 25ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), entretanto, incluiu seu nome entre os 15 que serão convocados a depor na 40ª Vara Criminal.
Já Vanderlan é apontado como um dos ‘laranjas’ do esquema encabeçado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Segundo as investigações, Feijão é tratado como tesoureiro do tráfico e, por meio de duas empresas, de gelo e de acessórios de veículos, lavava dinheiro da quadrilha.
Encomenda de R$ 12 mil com mesas e cadeiras
Apesar de o responsável pelas compras de cerveja ter afirmado que tudo iria para a Academia R1, os gastos na terceira semana de agosto de 2009 chamaram a atenção. No dia 19 daquele mês, foram emitidas duas notas fiscais. A primeira relativa a 30 mesas e 120 cadeiras, custando R$ 4.500; e outra de 50 mesas e 200 cadeiras, por R$ 7.500. No dia seguinte, foram adquiridas 1.200 garrafas de cerveja por R$ 1.957,80.

No dia 22, mais 10.032 cervejas, entre latas e garrafas, custaram R$ 10.543. Tudo foi entregue na garagem da Curva do S. O lugar é o mesmo onde, na noite seguinte, o grupo O Rappa fez a gravação de seu DVD com ingressos esgotados e milhares de pessoas do lado de fora.