Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

LUTO FORÇADO NO RIO - Tráfico continua mandando no Rio mesmo com UPP


Tráfico ordena fechamento do comércio em comunidades com UPP

POR Bruno Menezes
Maria Inez Magalhaes

Rio
- Comércio fechado e ruas vazias. Os moradores e comerciantes da Cidade de Deus e Mangueira vivem, desde segunda-feira, a rotina de comunidades dominadas pelo tráfico, apesar da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

A ordem para os lojistas baixarem as portas foi dada por bandidos após a morte de dois de seus comparsas e levou o Comando de Polícia Pacificadora a investigar de onde partiram as ameaças e a reforçar o policiamento nas duas áreas, patrulhadas por 750 PMs — 350 na Cidade de Deus e 400 na Mangueira.

Cidade de Deus tem seu comércio fechado | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

As regiões eram dominadas pelo Comando Vermelho e ações criminosas indicam que o tráfico não saiu com a chegada das UPPs. Homens em motos e bicicletas circularam nas comunidades ordenando o luto forçado. Com medo, moradores evitaram comentários. Na Mangueira, por volta das 20h de segunda-feira, traficantes souberam da morte de Wagner da Silva Assunção, o WG, no Jacarezinho.

Até no Largo do Pedregulho, em São Cristóvão, comerciantes que fecham mais tarde encerraram o trabalho. As ruas ficaram desertas e uma escola não funcionou. Ontem, só por volta das 17h, alguns estabelecimentos voltaram a funcionar e moradores a circular nas ruas e vielas.

“São resquícios do tráfico que mandou na comunidade por 50 anos. Estamos na Mangueira há cinco meses. Não considero uma afronta à UPP”, minimizou o comandante da UPP da Mangueira, capitão Leonardo Nogueira.

Na Cidade de Deus, o comércio foi fechado ontem às 14h. As ruas ficaram vazias. A ordem do tráfico foi passada segunda-feira, após a morte de Paulinho da Bazuca, em ação da PM no Morro do Juramento, Vicente de Carvalho.

Mangueira também tem suas lojas fechadas | Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia

Segundo o comandante da UPP das Quadras, na Cidade de Deus, major Felipe Romeu, houve empate entre a polícia e o tráfico. “Empatamos, foi meio a meio. De manhã, tudo funcionou. Na parte da tarde, nem todas as lojas permaneceram abertas, principalmente após a repercussão do fechamento do comércio na Mangueira, onde bandidos também ordenaram o fechamento das lojas”, afirmou.

Um depósito de gás, na Estrada Miguel Sallazar, foi assaltado às 8h30. À noite, uma funcionária registrou o roubo na 32ª DP. Bandidos levaram mais R$ 10 mil. À tarde, três pessoas foram presas na Cidade de Deus e três na Mangueira.

Mensalão, ataques e invasões
Problemas com o tráfico em áreas pacificadas têm sido um desafio para a Segurança Pública do estado. O episódio mais recente aconteceu na Mangueira. Traficantes teriam invadido a quadra da escola de samba durante o processo de eleição para presidente. A ação teria acontecido sem reação de PMs da UPP.

Em fevereiro, o ex-comandante da UPP do Morro de São Carlos, capitão Adjaldo Luiz Piedade, e um ex-soldado foram presos pela Polícia Federal acusados de receberem propina do traficante Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe, preso pouco antes da ocupação da Favela da Rocinha.

Em setembro, O DIA denunciou esquema de ‘mensalão’ na UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro. Comandante e subcomandante foram afastados e 28 agentes são investigados. No local,soldado Alexander de Oliveira perdeu perna atingido por granada em emboscada. Ano passado, favelas da Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Catumbi e Copacabana registraram homicídios. Três PMs da Cidade de Deus foram presos por homicídio.

‘Movimento muito menor’
Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a ordem dos traficantes foi um ‘movimento menor’. “As UPPs garantem a abertura do comércio. Alguns grupos ditadores se achavam no direito de mandar isso acontecer, e isso não tem acontecido mais. É um movimento muito menor. Essas coisas não vão deixar de acontecer num piscar de olhos”.

Ex-secretário Nacional de Segurança Pública, o coronel José Vicente da Silva Filho analisou que as UPPs não são solução para todos os problemas das favelas. Segundo o especialista, o Estado não entra nas comunidades na mesma velocidade que a polícia para oferecer ações sociais. “O tráfico continua compensando a falta de atenção do estado. Só deixou de fazer pressão ostensiva, mas mantém terror psicológico e domínio de moradores”. 


    
Fonte O Dia

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CORRUPÇÃO NA UPP DO RIO - Ex-Comandante enviava peixe para presentear traficante

Na bagagem, peixe para presentear traficante

Ex-comandante da UPP São Carlos diz por torpedos que trouxe pirarucu da Amazônia para chefe do tráfico de quem receberia propina e sugere morte de tenente. Está preso

POR Gabriela Moreira
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Rio - Preso há 13 dias pela Polícia Federal, o capitão PM Adjaldo Luiz Piedade Júnior, ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do São Carlos, tinha relação tão próxima com o tráfico local que, após viajar com a família para o Norte do País, em outubro, trouxe na bagagem peixe típico da Amazônia para o traficante Sandro Luis de Paula Amorim, curiosamente conhecido como Peixe. Piedade também é suspeito de tramar a morte de um tenente da Polícia Militar.
Essas informações constam em processo contra o capitão na Justiça Estadual. O presente ao traficante é mais um traço de como o comandante se misturou aos bandidos. Dias antes de o oficial ser exonerado do cargo, em outubro, Piedade trocou mensagens de texto através de telefone celular com um homem não identificado.
Foto: Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
O capitão Piedade também é acusado de planejar a morte de um tenente da PM, de acordo com investigações remetidas à Justiça | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

“Vamos ‘passar’ (matar) o tenente. Ele vai ficar igual a Eliza Samudio”, escreveu o homem ao então comandante da UPP, no dia 26 de outubro, fazendo alusão à modelo e ex-amante do goleiro Bruno de Souza, assassinada e cujo corpo jamais apareceu.
As investigações não chegaram a apontar se o tenente fora assassinado, nem qual seria o nome correto dele. Mas, de acordo com as informações remetidas à Justiça, pelo menos um policial militar teria irritado o comandante. Identificado pelas investigações como Pimentel, o PM teria provocado a ira de Piedade por ter contado ao traficante que o capitão havia perdido o cargo na UPP.
“Aquele bucha do Pimentel falou pro amigo que eu vou sair, aquele filho da (...)”, disse o comandante para um subordinado, sobre Pimentel, que também era da UPP.
Foto: Arte: O Dia
O termo ‘amigo’, segundo as investigações, era como Piedade se referia ao traficante.
Peixe e Piedade foram presos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal. O capitão, dias antes do Carnaval, teve mandado de prisão expedido pela 11ª Vara Criminal, em decorrência da operação Boca Aberta. Um total de 19 mandados de prisão foi expedido, sendo 11 deles cumpridos até agora. Entre os presos, está outro policial militar que foi lotado no São Carlos, o soldado Alexandre Duarte César de Oliveira. Já Peixe foi preso em novembro, também pela DRE, quando tentava fugir da Rocinha, às vésperas da ocupação para instalar a UPP.

‘Bacalhau da Amazônia’ após viagem à terra natal
O pirarucu, também conhecido como bacalhau da Amazônia, que o capitão Piedade comprou para o traficante Peixe foi trazido como presente de aniversário, como mostra conversa do PM com o bandido.
“E aí, meu velho, parabéns por mais um ano de vida. O amigo tem um bom cozinheiro aí? Trouxe lá da Amazônia, Pirarucu, um peixe seco, se o amigo quiser, mando pra você experimentar”, disse o capitão ao traficante, através de mensagem de texto, após desembarcar no Rio, em 3 de novembro, dois dias após Peixe completar 36 anos.
Iguaria amazonense, o pirarucu é um dos maiores peixes da Bacia Amazônica, podendo atingir até 3 metros de comprimento. A viagem do comandante à sua terra natal ocorreu entre a última semana de outubro e a primeira de novembro. Foi neste período que o capitão perdeu o cargo, por suspeitas de corrupção.
Além de Peixe, o relacionamento do capitão Piedade e do soldado Duarte com o tráfico local se dava através do traficante Iranildo Domingos, o Nildo, foragido.
De acordo com a denúncia, Nildo monitorava as ações da PM no local e repassava informações para Peixe. Era Nildo que costumava verificar se o acordo com o capitão era cumprido.

Tentativa de ‘driblar’ bandido para ganhar última propina
O presente de Piedade para Peixe chegou numa hora em que o capitão tentava esconder do bandido que havia perdido o comando da UPP. De acordo com as investigações, o oficial temia não receber a propina daquela semana.
Sandro Luís, o Peixe; o PM Alexandre Duarte; e Iranildo Domingos | Foto: Divulgação
Sandro Luís, o Peixe; o PM Alexandre Duarte; e Iranildo Domingos | Foto: Divulgação
"Essa informação não pode vazar até segunda-feira, não antes da gente pegar a ‘prata’ (dinheiro), pelo menos de segunda quanto ao fim de semana”, ordenou o comandante a alguém de sua confiança.
Segundo as investigações, Piedade recebia R$ 15 mil por semana de traficantes para não reprimir a venda de drogas na comunidade do Estácio.
Em outra conversa sobre sua exoneração, o comandante chega a mentir para o traficante, negando que tivesse saído da UPP.
“Aquele cara disse que você pediu licença, porque está saindo de lá (da UPP)”, questionou Peixe ao comandante.
Na sequência, o oficial nega que tenha saído e diz que as informações sobre sua exoneração não passam de boatos. Procurado, o advogado do capitão não foi encontrado.

Unidades de elite reforçam o policiamento na região
Desde segunda-feira, a Polícia Militar vem reforçando o policiamento no São Carlos, que conta com UPP desde maio. Cerca de 200 homens do Bope e do Batalhão de Choque fazem incursões no complexo e em outras seis favelas vizinhas na busca de traficantes que ainda estejam escondidos no local.
Investigações mostram que traficantes originários da favela e fugiram para a Favela da Rocinha, em São Conrado, quando a UPP foi instalada no morro do Estácio, regressaram para o São Carlos, após a pacificação da favela na Zona Sul. Entre os procurados estão Thiago de Souza Cherú, o Dorei, e Edmilson Torres Martins, o Rei do Fumo.
No Carnaval, a favela voltou a sofrer com a violência, quando o traficante Marcílio Cherú de Oliveira, o Menor Cherú, foi preso. Na ação, adolescente foi morto.
Matéria exclusiva publicada por O DIA, em outubro, mostrou que outra UPP da região, a do Fallet e Fogueteiro, também sofria com maus policiais a serviço do tráfico. Segundo investigações, traficantes da favela pagavam até R$ 53 mil de propina para que policiais não reprimissem a venda de drogas no local. Na ocasião, o comandante da UPP também foi exonerado.

Fonte O Dia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ASSASSINATO À JORNALISTA - Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, 51, foi morto em Ponta Porã (MS)

Dupla que matou jornalista em Ponta Porã (MS) fez 12 disparos e não roubou nada
Celso Bejarano
Do UOL, em Campo Grande
    Leo Veras/Mercosulnews
  • O jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, 51, foi morto em Ponta Porã (MS) O jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, 51, foi morto em Ponta Porã (MS)
Até o início da noite desta segunda-feira (13) a polícia ainda não tinha pista das duas pessoas que ocupavam uma motocicleta e mataram o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, 51, em frente ao hotel Frontier, área central de Ponta Porã (MS), na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A vítima foi morta com nove tiros –e não cinco, como divulgado antes pela polícia– enquanto dirigia seu carro, um Fiat Idea, e nada de valor foi levado pelos criminosos.
Rocaro era editor-chefe do “Jornal da Praça” e dono do site de notícias Mercosulnews. Ele tinha uma coluna sobre política e também escrevia sobre tráfico de drogas.
A mulher dele, Nilda Cardoso, 49, seguia de carro a poucos metros do marido. Segundo o delegado que investiga o caso, Clemir Vieira Júnior, ela teria ouvido os estampidos, parado o veículo e corrido até o marido com quem trocou algumas palavras. Rocaro foi socorrido, mas morreu cinco horas após ter sido baleado.
Os atiradores teriam encostado a motocicleta ao lado do carro do jornalista que, em movimento, foi atingido por nove dos 12 tiros deflagrados. Para o delegado, os homens, que usavam capuzes e fugiram para o Paraguai, seriam pistoleiros profissionais.
Apenas uma rua separa Ponta Porã de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O delegado disse que já teve acesso às câmeras do hotel onde ocorreu o crime, mas os equipamentos captam somente imagens da calçada, não da rua.
Rocaro, que era pai de dois filhos, fundou o Partido dos Trabalhadores no município e era membro da Academia de Letras de Ponta Porã.
Ontem, o jornalista e a mulher passaram o dia na casa do ex-prefeito da cidade, Vagner Piantoni, também petista. Piantoni disse a UOL que o jornalista foi até a sua casa na hora do almoço, e lá ficou até por volta das 23h. “Por duas ocasiões ele saiu, uma para comprar cigarros e outra para pegar um jornal. Demorou uma hora em cada saída”, disse o ex-prefeito, amigo do jornalista por 25 anos.
Piantoni afirmou não ter ideia de quem poderia ter matado o jornalista. “Tudo o que ele escrevia era objetivo, sem entrelinhas. Não sei, pode ser uma pequena coisa, ou não.”
Para o delegado que cuida do caso, nenhuma hipótese está descartada. O corpo do jornalista será enterrado amanhã pela manhã.
Este é o segundo crime contra jornalistas registrado na última semana. Mário Randolfo Marques Lopes e sua namorada, Maria Aparecida Guimarães, foram mortos a tiros na madrugada da última quinta-feira (9) em Barra do Piraí (RJ).
Lopes era editor do site "Vassouras na NET", no qual denunciava juízes, policiais e políticos. Entidades internacionais pedem uma investigação profunda para o caso

Fonte Uol
   

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

QUE BELEZA !!! - DESEMBARGADOR PAULO RANGEL, do TJ-RJ concede liberdade para comandante do 7º BPM

Coronel Djalma Beltrami foi preso suspeito de receber propina.
Segundo a polícia, ele recebia dinheiro para não reprimir o tráfico de drogas.

Do G1 RJ





O plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJ-RJ) concedeu o habeas corpus do comandante do 7º BPM (São Gonçalo), coronel Djalma Beltrami, na madrugada desta quarta-feira (21). A decisão foi do desembargador Paulo Rangel. As informações são do plantão judiciário, que afirma ainda que o coronel já está em liberdade. Ele deixou o Quartel General da Polícia Militar, no Centro do Rio, durante a madrugada.

Beltrami foi preso na segunda-feira (19), sob suspeita de receber propina para não reprimir o tráfico de drogas em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

Na terça-feira (20), dois ex-comandantes-gerais da Polícia Militar saíram em defesa do coronel. Os oficiais dizem que acreditam na inocência de Beltrami e alegam que a prisão foi arbitrária e sem provas.

Os ex-comandantes gerais da Polícia Militar Ubiratan Ângelo e Mário Sérgio Duarte, além do coronel Fernando Belo da Associação de Oficiais visitaram Beltrami, acusado de corrupção e tráfico de drogas.

Os ex-oficiais protestaram e alegaram que as gravações apresentadas pela Polícia Civil não são suficientes para incriminar Beltrami, que era comandante do 7º BPM (São Gonçalo).

"Nunca foi uma pessoa de ostentar luxo. Nunca foi uma pessoa que nós tivéssemos qualquer ruído ou suspeita sobre a sua conduta", argumentou o coronel Ubiratan Ângelo.

"Nós ficamos bastante indignados com essa prisão. Não havia motivo algum para que o coronel fosse preso. Minha vinda aqui é para prestar solidariedade e dizer que acredito na inocência do coronel Beltrami", comentou o ex-comandante-geral Mário Sérgio Duarte.

"Se tem prova, que apresente. Se não tem, que venha com toda dignidade dizer - errei. O erro é crasso. O erro é doloso sobretudo", falou o coronel Belo, da Associação de Oficiais da PM.

Escutas telefônicas
O ex-comandante Beltrami, preso na segunda-feira (19) dentro do batalhão, foi levado para o Quartel General da Polícia Militar, no Centro do Rio, por decisão da Justiça. Ele não está em uma cela, mas em uma sala do quartel. Em princípio, a prisão do coronel é temporária pelo prazo de 30 dias.

As gravações foram divulgadas pela Polícia Civil e mostrariam conversas entre traficantes e PMs do quartel de São Gonçalo. Nas conversas há referências ao pagamento de propina ao 01, que segundo o delegado Alan Luxardo, que comandou as investigações, seria o coronel Djalma Beltrami.

"Nós temos provas de que esse esquema funcionaria após a gestão dele, então isso está comprovado tanto por interceptações telefônicas e outros meios de prova, e em relação a isso, não há o que se discutir", falou o delegado Alan Luxardo.

O atual comandante-geral da Polícia MIlitar, Erir da Costa Filho, ainda não se pronunciou sobre a prisão de Djalma Beltrami. A defesa do coronel informou que vai pedir a revogação da prisão, por considerar que não há indícios de envolvimento de seu cliente. Segundo o advogado, o pedido só não foi feito porque ele ainda não teve acesso às investigações da polícia

Onze PMs presos
Na segunda-feira (19), onze policiais militares foram presos durante a operação "Dezembro Negro", comandanda pela Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Eles são acusados de corrupção e associação para o tráfico de drogas. Outros dois PMs ainda são procurados pela polícia.

No mesmo dia, outras sete pessoas foram presas suspeitas de participarem do tráfico de drogas do Morro da Coruja, em São Gonçalo. Neste grupo, segundo o delegado Alan Luxardo, há três menores. O delegado afirmou, ainda, que alguns traficantes que atuam na comunidade fugiram do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, após ocupação em 2010.

Na operação também foram apreendidos cinco quilos de maconha, sacolés de cocaína, um radiotransmissor e um revóler calibre 38.

Escuta
Os dois interlocutores da escuta telefônica fazem referência a uma pessoa conhecida como "zero um" que, segundo a investigação, seria o comandante Djalma Beltrami. As patrulhas da PM são tratadas de "gêmeas”. No entanto, o comandante Beltrami não aparece em nenhuma conversa gravada pela polícia. Veja o diálogo:

Policial: “Só que também vai ter que levantar, aumentar aquele negócio, porque tem gente, rapaziada mais alta chegando, vai ser tudo, tudo com a gente, entendeu? Vai ser tudo com este telefone que você tá falando aí, tudo com o 'zero um', entendeu?”

Traficante: “Olha só, eu quero perder pra vocês, entendeu. E perder pro cara que assumiu agora, eu tenho condições de dar 10 pra ele por semana, entendeu?”

Policial: “10 pra, pra... Tem que ser pra cada "gêmea", por final de semana”

Traficante: “Como é que vou dar 10 pra 'tú'? E depois tem que dar tanto pras outras "gêmeas"?
Tá louco, aí eu morro, fico na 'bola', a boca não é minha, não, cara”.

Além das escutas, a investigação também teve por base imagens de circuito interno de um posto de gasolina, e do GPS de duas viaturas do GAT. “Cruzando-se a informação dos investigadores, que deslocados visualizaram a negociação, com as imagens do posto de gasolina e com os dados dos GPS, chegou-se à conclusão de que os militares que integravam aquelas guarnições negociaram e receberam o dinheiro sujo”, disse o promotor Tulio Caiban.

Comandante é ex-juiz de futebol
Beltrami comandou equipes em momentos de grande repercussão, como o massacre da escola de Realengo, na Zona Oeste, em abril, quando 12 crianças foram mortas. Mas o comandante ganhou fama numa carreira paralela a de policial, nos gramados: durante 22 anos ele foi juiz de futebol.

De acordo com o Globoesporte.com, Beltrami, paulista de 45 anos, fez parte do quadro de árbitros da Ferj de 1989 a 2011, quando se aposentou por idade em maio. Também era dos quadros da CBF (1995 a 2010) e da Fifa (2006 a 2008).

Durante investigações de assassinatos relacionados ao tráfico de drogas, agentes descobriram a corrupção policial. Os PMs receberiam propina de R$ 160 mil por mês.

Investigações começaram há 7 meses
As investigações, que começaram há sete meses, apuravam o tráfico de drogas na Região dos Lagos. Segundo a Polícia Civil, as drogas saíam de favelas como Parque União, Manguinhos e Nova Holanda, no subúrbio, e seguiam para o Morro da Coruja, em São Gonçalo. PMs recebiam propina para não reprimir a chegada dos entorpecentes à comunidade. De lá, as drogas eram levadas para São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos.

De acordo com a Polícia Civil, agentes visavam cumprir também 11 mandados de prisão contra suspeitos de tráfico no Morro da Coruja, em Neves, além de outros nove de busca e apreensão, expedidos pela Justiça. Na chegada à comunidade, houve troca de tiros e um suspeito morreu.

Djalma Beltrami assumiu o 7º BPM após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, acusado de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli. Patrícia foi executada com 21 tiros ao chegar em casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, em agosto. Ao todo, 11 PMs foram denunciados pelo Ministério Público como participantes da morte da magistrada. O tenente-coronel e um tenente foram transferidos na semana passada para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS)


fonte g1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/12/tj-rj-concede-liberdade-para-comandante-do-7-bpm.html

sábado, 26 de novembro de 2011

TRÁFICO NO RIO - Danúbia, a Xerifa da Rocinha vai parar no Xilindró

Namorada de Nem é presa sob suspeita de associação ao tráfico
MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO
Danúbia de Souza Rangel, 28, mulher do ex-chefe do tráfico de drogas na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, teve a prisão decretada sob suspeita de associação ao tráfico, na noite desta sexta-feira. De acordo com o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 15ª DP (Gávea), a prisão é em flagrante.
"Ela se beneficiava do tráfico de drogas. Tenho provas. Sei disso com base em relatórios que possuímos, depoimentos informais de moradores e reportagens de jornal", afirma Pinto.
Danúbia, que gostava de ser chamada de "xerifa da Rocinha", vai passar a noite na delegacia. Amanhã o delegado pretende pedir reforços e encaminhá-la para a Polinter, onde será definida para qual carceragem ela será levada.
A namorada de Nem respondeu a um inquérito da Polinter por lavagem de dinheiro. Em março, a 29ª Vara Criminal pediu a sua prisão, revogada em julho. Atualmente não havia nada contra ela.
Ontem o advogado de Danúbia esteve na Polinter para checar se havia algo contra a sua cliente. O delegado confirmou que a ficha dela estava limpa e hoje Danúbia resolveu visitar a filha na Rocinha.
Os policiais a encontraram às 16h40 em um salão de beleza com a irmã e a filha. A irmã, que acompanhou Danúbia à delegacia, deve ser ouvida pela polícia ainda hoje.
Antes da decisão do delegado, o advogado de Danúbia, que preferiu não se identificar, disse que não acreditava na prisão da cliente. "Se ela sair presa daqui vai ser uma arbitrariedade".
Segundo Pinto, a namorada de Nem era investigada em três inquéritos. Ele mesmo afirma ter uma investigação contra ela.
Há informações de que a chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, pediu a prisão de Danúbia assim que soube que ela foi encontrada na favela, posição negada pela própria delegada.
O mandado de prisão contra ela foi expedido em 22 de março e revogado em 29 de julho.
Danúbia namorava Nem desde 2006

         

terça-feira, 8 de novembro de 2011

InSEGURANÇA NO RIO - Chefão do tráfico, Nem vai parar na UPA e foge nas barbas do #Cabral e Beltrame

A Rocinha (foto) e o Vidigal serão ocupados para a implantação de uma UPP Foto: Fábio Rossi / 03.12.2010
Marcelo Gomes e Paulo Carvalho  
 
A polícia está apurando informação de que o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi vítima de um disparo acidental de arma de fogo ou sofreu overdose de ecstasy, durante um evento que estava sendo realizado na comunidade, na madrugada de ontem. O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 15ª DP (Gávea), confirmou que o traficante recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rocinha.
Ele informou, porém, que há mais de uma versão para o atendimento:
— Ainda é prematuro dizer qualquer coisa, mas estamos investigando.
De acordo com informações de moradores, Nem teria dado entrada na UPA da Rocinha no começo da manhã, acompanhado de seus seguranças armados.
Enquanto recebia atendimento, traficantes com fuzis davam cobertura do lado de fora. O bandido foi embora da UPA ainda com uma bolsa de soro no braço. Procurada pelo EXTRA, a Secretaria municipal de Saúde não retornou a solicitação para confirmar ou negar o fato.
Nem foi visto transtornado, na noite de domingo, durante o evento que acontece todo domingo no Palco Cultural, na Rua Nova. Com shows de rock e pagode, a festa durou das 21h às 6h de ontem. O traficante foi visto subindo no palco chorando, e afirmando que resistiria à ocupação policial, programada para o próximo domingo.
A expectativa sobre a ocupação da Rocinha e do Vidigal — que será feita pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque — tem deixado os moradores apreensivos. A polícia ainda não sabe qual vai ser a reação de Nem: se ele vai resistir ou sair.
Disque-Denúncia oferece R$ 5 mil por informações que levem à prisão de Nem
Disque-Denúncia oferece R$ 5 mil por informações que levem à prisão de Nem Foto: Divulgação / Disque-Denúncia
Há informações de que o traficante já teria pedido aos moradores para que evitem sair de suas casas a noite a partir de quinta-feira, estabelecendo um toque de recolher. Ele teria ordenado também que o comércio feche suas portas a partir das 22h. A polícia quer escobrir se essa seria uma estratégia para que o bandido deixe o local, ou apenas um meio de evitar feridos por balas perdidas.
Eleição antecipada na associação
Supostamente por ordens de Nem, a eleição para presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR), a maior associação de moradores da favela, foi antecipada para o último dia 30. Inicialmente, a votação estava prevista para dezembro.
O objetivo do traficante seria fazer com que a eleição fosse realizada antes do próximo dia 13, data marcada para a ocupação da Rocinha e primeiro passo para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Desta forma, Nem acreditaria ser mais fácil que alguém de sua confiança ficasse à frente da associação, mesmo com a favela ocupada.
O vencedor da votação foi Leonardo Rodrigues Lima, eleito com 3.900 votos. Ele já estava como presidente interino, após Antônio Ferreira, o Xaolin, deixar o cargo. Procurado pelo EXTRA ontem à noite, Leonardo não foi localizado. Ninguém atendeu as ligações para a sede da UPMMR.
— Estranhamente, a eleição para presidente da associação foi antecipada em um mês, e ninguém sabe dizer por quê — diz a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), que tem uma de suas bases eleitorais na favela.

Várias denúncias sobre bandido
O Disque-Denúncia (2253-1177) recebeu, este ano, 205 informações relacionadas ao traficante Nem da Rocinha. Somente no mês de novembro chegaram 18 denúncias sobre o bandido. O órgão oferece R$ 5 mil de recompensa para quem der notícias sobre o seu paradeiro.
As assessorias de imprensa da Marinha e do Exército informaram ontem que, até o momento, não receberam nenhuma solicitação de apoio à ocupação programada para o próximo dia 13. Os órgãos de imprensa disseram, entretanto, que as forças já estão preparadas para qualquer tipo de chamado.
Ontem, a Secretaria estadual de Segurança preferiu manter sigilo sobre as medidas que serão adotadas durante a operação

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

OPERAÇÃO BLACK OPS - Mais de 500 carrões na mira da Receita Federal

Importados ilegalmente, serviriam para lavar dinheiro de caça-níqueis e jogo do bicho
POR MARIA INEZ MAGALHÃES
Rio - A Receita Federal calcula que a quadrilha internacional de israelenses, aliada à máfia dos caça-níqueis, trouxe ilegalmente para o Brasil entre 2009 e 2011 mais de 500 carros de luxo. O bando foi desarticulado sexta-feira pela Polícia Federal quando foram apreendidos em vários estados 102 carros e confiscados mais de R$ 50 milhões em bens e dinheiro em contas bancárias.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Polícia Federal apreendeu, na sexta-feira, 102 carros de luxo durante a operação ‘Black Ops’ contra máfia de caça-níqueis e jogo do bicho | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Jogadores, artistas e empresários são investigados e terão que explicar a compra dos carros de luxo. Entre eles, o jogador do Atlético Paranaense Kleberson, que teve o Jipe Hummer apreendido, e o jogador do Fluminense Diguinho, dono de uma BMW X-6 também apreendida. Modelos como esses custam mais de R$ 300 mil. Emerson, jogador do Corinthians, terá que entregar o carro em dois dias. Ele é investigado ainda por evasão de divisas. Jogadores do Flamengo e do Botafogo, também seriam investigados, de acordo com reportagem do Fantástico, da TV Globo.

Os carros eram comercializados pela quadrilha a preços abaixo de mercado. Os descontos poderiam chegar a R$ 150 mil. Segundo a polícia, os proprietários teriam se beneficiado do esquema para a compra. Os jogadores negam.

Três revendedoras de veículos de luxo estão sendo investigadas, uma delas a de Haylton Carlos Gomes Escafura, o filho do banqueiro do bicho José Caruzzo Escafura, o Piruinha. Mas a Receita Federal acredita que há outras envolvidas no esquema.

Israelense preso é procurado pela Interpol por tráfico

Na operação ‘Black Ops’ foram presas 13 pessoas, uma delas Yoram El Al, integrante da máfia israelense, procurado pela Interpol por tráfico de ecstasy. O criminoso é considerado um terrorista perigoso pelos americanos. Sua ficha também está no site do DEA, a agência americana antidrogas. Segundo as investigações, os membros do grupo integram uma grande organização conhecida como ‘Abergil Family’ (Clã Albergil), que está envolvida em esquemas ilícitos em diversos países, como agiotagem, prostituição, jogo ilegal e tráfico de droga

sábado, 8 de outubro de 2011

OPERAÇÃO BLACK OPS - Ação da PF contra fraude também investiga jogadores e artistas (E vai ter mais)

DE SÃO PAULO
DO RIO

Jogadores de futebol, artistas e empresários são investigados pela PF (Polícia Federal) por suspeita de usar um esquema de lavagem de dinheiro para comprar carros. Nesta sexta-feira, uma megaoperação resultou na prisão de ao menos 13 pessoas, entre elas três PMs e um israelense procurado pela Justiça americana sob acusação de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
De acordo com as investigações que levaram à operação Black Ops, a quadrilha importava carros usados ilegalmente e vendia como novos, para lavar dinheiro obtido com a exploração do caça-níquel. Os veículos vinham dos Estados Unidos e eram importados ilegalmente.
Divulgação/PF
Dois carros foram apreendidos em um depósito da quadrilha na zona norte do Rio
Dois carros foram apreendidos em um depósito da quadrilha na zona norte do Rio
Segundo a polícia, o esquema era comandado do Rio, mas atingia outros Estados. A operação da PF desta sexta, em conjunto com a Receita Federal, foi realizada em 13 Estados e no Distrito Federal.
De acordo com a Receita Federal, os veículos eram vendidos por valores que variavam de R$ 100 mil a R$ 1,5 milhão.
Conforme informações da TV Globo, também foram apreendidos veículos que já haviam saído das lojas, como o Hummer, avaliado em R$ 300 mil, dos jogadores de futebol Kleberson, do Atlético-PR e pentacampeão com a seleção em 2002 e  Emerson Sheik, do Corinthians; Diguinho, do Fluminense e os cantores Latino e Belo.
Para a PF, os compradores teriam conhecimento das irregularidades. A maior parte dos pagamentos era feita em dinheiro.
Além de carros, durante a ação também foram apreendidos valores em dinheiro e joias.
A Justiça Federal expediu 22 mandados de prisão --nove pessoas ainda estão foragidas. A Polícia Federal informa que o valor de imóveis e veículos a ser apreendido é de cerca de R$ 50 milhões.
INTERIOR DE SP


A investigação da operação Black Ops contou com o apoio de agências de inteligência de Israel, da Inglaterra e dos Estados Unidos. A ação contra o grupo foi feita em 13 Estados e no Distrito Federal.
Divulgação/PF
Polícia apreende dinheiro na casa de um dos presos, no Rio
Polícia apreende dinheiro na casa de um dos presos, no Rio
No interior de São Paulo, os policiais apreenderam três carros de luxo durante ações ligadas à operação.
Em Ribeirão Preto (313 km de SP), de acordo com a PF, foram apreendidos um Lamborghini e um Ford Mustang 500. Já em Barretos (423 km de SP), o alvo da apreensão foi um Ford Mustang 300. Dez policiais federais de Ribeirão Preto participaram da ação.
Os veículos foram encaminhados à Receita Federal e ficarão à disposição da Justiça Federal do Rio.
INVESTIGAÇÃO
Cerca de 150 servidores da Receita Federal e 500 policiais federais foram deslocados para cumprir 22 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão. Além disso, será realizado bloqueio bens estimados no valor de R$ 50 milhões.
Os mandados, expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Estado do Rio de Janeiro, abrangem escritórios das empresas relacionadas ao esquema, revendedoras de veículos, comissárias de despacho aduaneiro e residências das pessoas supostamente envolvidas, além da apreensão de veículos importados identificados como contrabandeados pelo grupo.
Entre outros crimes, o grupo atua na importação de veículos de luxo usados de várias marcas e modelos.
A importação desses carros, segundo a Receita Federal, não é autorizada, com exceção daqueles com mais de trinta anos de fabricação e os recebidos por herança, por exemplo.
Em diversos processos de importação, não houve o fechamento de câmbio da operação, apontando que o pagamento ao exportador estrangeiro teria se dado por outro meio.
Os membros da máfia israelense integram uma organização conhecida como "Abergil Family" (Clã Albergil), que está envolvida em esquemas ilícitos em diversos países, como agiotagem, prostituição, jogo ilegal e tráfico de drogas, afirma a Polícia Federal.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

RIO - Cracolândia cerca canteiro de obras do PAC em Manguinhos #Rio

Traficantes e viciados transformam área próximo à linha do trem em território sem lei

POR MAHOMED SAIGG
Rio - Numa das regiões mais perigosas do Rio de Janeiro, conhecida como ‘Faixa de Gaza’, em Manguinhos, Zona Norte, o canteiro de obras do PAC está cercado pelo crack. Viciados na ‘droga da morte’, homens, mulheres e até crianças passam o dia se drogando e perambulando pelo local.
Encurralados, operários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), projeto do governo federal, ainda são obrigados a conviver com o vaivém de traficantes armados, que circulam exibindo fuzis e pistolas. A facilidade de se conseguir a droga, que pode ser comprada por apenas R$ 2, também já levou trabalhadores da obra a experimentar o crack.
Arte: O Dia
Arte: O Dia
Durante três semanas, equipe de O DIA acompanhou a rotina no canteiro de obras onde está sendo construído elevado para passar uma linha de trem, entre as estações de Manguinhos e Bonsucesso. Com uma microcâmera, foi possível caminhar pelo local, alvo de operação da Polícia Militar na sexta-feira. Os trabalhos no canteiro tiveram que ser interrompidos por causa do intenso tiroteio.
Conforto na 'boca'
Seguindo os passos dos viciados, no ‘quintal’ da obra do PAC ainda foi possível descobrir uma boca de fumo, instalada a poucos metros da estação de trem de Manguinhos. No local, como prova da ousadia dos criminosos, eles colocaram até um sofá para garantir a comodidade dos ‘vapores’ que trabalham na boca.
Jogados na linha férrea, sob o efeito devastador do crack, os viciados desafiam a morte. Sem se dar conta do risco de serem atropelados pelos trens da SuperVia, alguns chegam a sentar nos trilhos para consumir a droga
Nem a aproximação das composições intimida os dependentes. Diante do aviso desesperado dos maquinistas dos trens através de buzinas, eles se limitam a mover-se apenas alguns centímetros, enquanto aguardam a passagem das composições. Em seguida, voltam ao lugar e continuam a se drogar com naturalidade. A presença de estranhos também não intimida viciados.
Barraco improvisado os mais assíduos
Frequentadores assíduos do local, alguns usuários do crack improvisam até barracos de madeira, montados às margens da linha férrea. Em outro ponto da cracolândia de Manguinhos, viciados dormem em colchões e até jogados no chão, em meio ao lixo, ratos e insetos.
Foto: Reprodução de vídeo
Apenas uma tela separa a cracolândia das obras do PAC, de onde é possível sentir até o cheiro da droga | Foto: Reprodução de vídeo
Especialista no tratamento de dependentes químicos, a psiquiatra Maria Thereza Aquino destacou a necessidade de se acabar com os atalhos que levam às bocas de fumo.
“A facilidade de acesso à droga é um poderoso estímulo para que a pessoa comece a fazer uso dela. No caso do crack, o baixo custo e os efeitos alucinógenos provocados acabam escravizando os usuários em pouco tempo”, ressalta a especialista, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio (Uerj).
Procurada por O DIA para comentar a situação nas proximidades da obra do PAC, a Secretaria de Segurança Pública do Rio enviou apenas declarações do comandante do 22º BPM (Maré), coronel Cláudio Oliveira. No texto, ele destaca as recentes operações policiais realizadas na favela de Manguinhos, e promete intensificar os trabalhos de combate ao tráfico de drogas na região.


sábado, 3 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/SEGURANÇA PÚBLICA - Traficantes utilizam empresas para lavagem de dinheiro no RJ

A investigação da Polinter sobre a quadrilha da Rocinha, que resultou na decretação da prisão de 19 bandidos após denúncia do Ministério Público (MP), descobriu que os criminosos utilizam duas empresas para legalizar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Denunciado pelo MP e foragido da Justiça, o dono das firmas é Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, apontado como 'tesoureiro' do bando chefiado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem.
Uma das empresas, a WC Comércio de Gelo Ltda, adquiriu em julho uma máquina de gelo avaliada em R$ 100 mil, investimento considerado alto para os padrões de uma comunidade carente. Suspeitando da transação, a polícia apreendeu o equipamento no caminho entre Minas Gerais e Rio. A nota fiscal da peça, no entanto, indicava um valor inferior: R$ 80 mil.
Na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, o capital social da WC Comércio de Gelo é de R$ 300 mil. Além de Vanderlan, consta como sócio-administrador Victor Felipe Evangelista da Silva, o Cacau. Também funcionário de Feijão num lava-jato na Rocinha, Cacau tinha contra si um mandado de prisão expedido pela Justiça.
A polícia descobriu que Feijão também é dono da V. Barros de Oliveira Comércio e Acessórios para Veículos Ltda. Segundo denúncia da promotora Ana Lúcia Melo, da 25ª Promotoria de Investigação Penal, ele "usava contas correntes bancárias das empresas com a finalidade de quitar débitos da referida facção criminosa (Amigos dos Amigos), bem como pessoais do acusado Nem".
Entre as 'contas pessoais' descritas na denúncia do MP está a compra de parte do enxoval da filha recém-nascida do bandido com Danúbia de Souza Rangel. Às 14h17 do dia 8 de dezembro, a mulher que se considera 'xerifa' da Rocinha entrou numa loja do Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, e gastou R$ 5.893,80 comprando armário, berço, cômoda, bicama, mesa-baú e colchões para o quarto de Y., que nasceu há duas semanas. A entrega ficou marcada para 8 de fevereiro.
A empresa V. Barros de Oliveira, segundo a promotoria, "possui diversos depósitos com altas quantias em dinheiro, sendo cristalinamente incompatível com a atividade empresarial exercida pela mesma (peças de veículos) em localidade extremamente pobre".
Além de Vanderlan, outro bandido de apelido Feijão, seu irmão Fábio Barros de Oliveira, espécie de office boy de Nem, também teve a prisão decretada. Entre os 19 mandados de prisão expedidos pela Justiça, constam os nomes de outros 'laranjas' do esquema de lavagem de dinheiro: Cacau, Cristiano dos Santos Peçanha, o Papel, e Antônio Alessandro Alves da Silva, o Magrinho.
A polícia descobriu também que era por meio dessas empresas que Nem usava o dinheiro sujo do crime para tentar conquistar a simpatia da comunidade. Em 12 de outubro, Dia das Crianças, a empresa de Vanderlan pagou R$ 12.668 pelo aluguel de touros mecânicos, mesas de pingue-pongue, futsal, pula-pula, videogames, camas elásticas, entre outros. Já perto do Natal, no dia 21 de dezembro, foi feita a festa de Papai Noel. A quadrilha gastou R$ 21.192 alugando mais brinquedos.
O Dia


 


 

sexta-feira, 26 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/TRÁFICO DE DROGAS - Moradores da Rocinha ganham R$ 40 para trabalhar no refino de cocaína


A Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro e se tornou a maior produtora de cocaína. Distribuía a droga para outras favelas da cidade.


Os policiais invadem a casa na Rocinha e vibram ao encontrarem a refinaria de cocaína no alto do morro. O cerco se fecha um pouco mais quando algum tempo depois os policiais encontram homens no hospital com queimaduras nos braços e nas pernas.

Policial - Como é que foi isso, cara?
Homem - Foi em um churrasco.
Policial - Em um churrasco? Mas como é que foi que você se queimou assim debaixo do braço?
Homem - Eu fui ajudar ele, quando eu vi pegando fogo nele, eu fui tirar ele, puxar, e tinha uma garrafa de álcool do lado.

Mas a policia já sabia que eles tinham se queimado em um acidente em outra refinaria. A polícia descobriu que a facção criminosa não estava mais apenas comprando a droga para revender, mas tinha passado a refinar a cocaína em laboratórios nos morros cariocas. Para isso, estava recrutando centenas de moradores das favelas para trabalhar no esquema.

Os moradores compravam os produtos químicos usados para processar a droga, como mostram as escutas telefônicas feitas pela polícia.

- Chega aí para pegar o dinheiro aqui em casa.
- Não, estou indo aí, estou indo aí. Eu vou arrumar os cinco (moradores) e vou aí pegar o dinheiro, valeu?
- Pega logo o dinheiro pô, depois tu arruma.

Para mapear o funcionamento da quadrilha, os investigadores monitoraram também o local onde eram comprados os produtos.

- Olha só, clorídrico e sulfúrico tem, não tem álcool.
- Então, não dá para comprar clorídrico e sulfúrico?
- Dá pô...

Um rapaz, saindo com uma sacola na mão, foi detido pelos policiais. Ele levava produtos químicos para a Rocinha.

Em um mês, foram identificadas 216 pessoas que faziam a compra para os bandidos. Cada uma recebia R$ 40 pelo serviço. Todas foram indiciadas por associação para o tráfico.

De acordo com a polícia, dois traficantes comandavam o esquema. Rogério Mosqueira, o Roupinol - morto em uma operação na terça-feira no Morro de São Carlos - e Antônio Bonfim Lopes, o Ném da Rocinha.

Juntos, eles eram responsáveis por uma produção gigantesca de cocaína. Nos últimos dois anos eles teriam comprado seis toneladas de pasta-base na Bolívia e triplicado essa quantidade beneficiando a pasta nas refinarias nos morros cariocas.

Na operação de terça-feira, a polícia apreendeu a contabilidade do tráfico, que confirma o trabalho dos investigadores. A quadrilha já produzia de 200 a 400 quilos de cocaína por semana.

“Um esquema muito grande, que envolve muitas pessoas. Começa desde o usuário até o chefe do tráfico”, aponta o diretor de Polícia da Capital Ronaldo Oliveira.


 


 

quinta-feira, 25 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/SEGURANÇA PÚBLICA - Jogador Adriano comparace à delegacia para depor sobre moto

A polícia quer saber por que Adriano comprou uma moto de R$ 35 mil e que foi registrada em nome da mãe do chefe do tráfico da Vila Cruzeiro, Paulo Rogério de Souza Paes, o Mica.



O jogador Adriano compareceu nessa manhã à delegacia para dar esclarecimentos sobre uma moto que ele comprou e está em nome da mãe de um traficante.

O depoimento foi antecipado para as 10h, estava marcado para as 13h. O atacante chegou pouco antes das 12h acompanhado de dois advogados. Na entrada da delegacia, ele foi abordado por muitas crianças.

A polícia quer saber por que Adriano comprou uma moto avaliada em R$ 35 mil e que foi registrada em nome da mãe do chefe do tráfico da Vila Cruzeiro, Paulo Rogério de Souza Paes, o Mica. A mãe do traficante, Marlene Pereira de Souza, prestou depoimento na quarta-feira (24) e disse aos policiais que nunca viu a moto comprada pelo jogador. Marlene contou ainda que é analfabeta e por isso não teria condições de assinar nenhum documento de compra e venda de moto.

O dono da loja, onde as motos foram vendidas também prestou depoimento na quarta-feira (24). Ele afirmou que a compra foi efetuada com o cartão de crédito do jogador, por um amigo de Adriano e que o atacante assinou a fatura em casa, na Barra da Tijuca.

O amigo de Adriano contou, em depoimento na quarta-feira (24), que a moto em nome de Marlene foi entregue a um homem desconhecido por ordem de Adriano. A mãe do traficante Mica disse que o filho é amigo de infância de Adriano e que os dois estudaram juntos.

Na porta da delegacia, era grande a concentração de fãs e curiosos que aguardavam a saída do jogador no início da tarde. 


 


 

terça-feira, 23 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/SEGURANÇA PÚBLICA - Um dia após a ocupação, Bope apreende armas e drogas na Providência

Rio - Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizaram, nesta terça-feria, a primeira apreensão no Morro da Providência após o início da ocupação iniciada na segunda-feira. Durante a ação, foi recolhida grande quantidade de munição para diversos calibres - fuzil, escopeta, pistola e até ponto 50 (metralhadora antiaérea) -, duas granadas, uma bomba caseira, uma pistola e material para embalar e pesar drogas. Ninguém foi preso.

A ocupação
Foto: Paulo Araujo / Agência O
 Dia
Policiais do Bope fazem a contagem da munição apreendida na favela | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Na segunda-feira, a polícia começou a ocupar a favela, a primeira da cidade, que começou a se formar no fim do século 19. O Morro da Providência, no Centro, abrigará a sétima Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). De acordo com a Secretaria de Segurança, a escolha da localidade se deveu à localização da Providência: encravada numa região por onde circulam 600 mil pessoas por dia e vizinha da Zona Portuária, vitrine dos governos municipal, estadual e federal. A operação causou surpresa.
Por volta das 8h30, 335 homens dos batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) da Providência tomaram as ruas e becos da comunidade, sem disparar nenhum tiro. O horário foi escolhido para evitar confronto na entrada ou saída de estudantes nas escolas.

A ocupação trouxe alívio para os moradores. Para quem esperou por 50 anos o fim do domínio do tráfico de drogas, a subida da polícia foi comemorada. “Até que enfim chegou a nossa vez. Sei que tudo está às mil maravilhas nas comunidades onde colocaram estas UPPs. Poderemos andar nas ruas e dormir sem ouvir tiros. Acho que agora vou ser feliz”, disse a costureira R., 70 anos.
>> FOTOGALERIA: Veja as imagens da UPP no Morro da Providência