Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

OPERAÇÃO BLACK OPS - PF descobre avanços tecnológicos na contravenção

Dois israelenses e um russo trariam chips com banda larga para controle do jogo do bicho
POR GABRIELA MOREIRA
Rio - Os negócios da máfia internacional do jogo do bicho vão além de contatos para importação de carros de luxo. De acordo com investigações da Polícia Federal, três israelenses e um russo mantiveram contato frequente com Haylton Escafura, para quem traziam peças e tecnologia da máfia dos caça-níqueis israelense. O plano do grupo era instalar chips com acesso à Internet banda larga em todas as máquinas de jogo do grupo de Escafura. Os quatro estrangeiros também tiveram as prisões decretadas pela Justiça.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Policiais federais vistoriaram carros de luxo importados e documentos na agência Euro Imported Car, de Haylton Escafura, filho de Piruinha | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
“Trocamos informações com a Inteligência israelense e descobrimos que eles são integrantes de um grupo criminoso que também explora o jogo no Leste Europeu”, explicou a delegada responsável pelas investigações, que pediu para não ser identificada.
Durante um ano, agentes da Polícia Federal monitoraram os encontros que os criminosos internacionais mantiveram com Escafura. Cada um esteve com o bicheiro, que está foragido, pelo menos duas vezes. O local de encontro era um bingo que o contraventor mantinha, na Abolição, e foi fechado pela Polícia Federal no sábado.
Segundo as investigações, a instalação da banda larga nas maquininhas serviria para facilitar o controle da movimentação financeira do bicho.
Outros dois israelenses foram investigados na mesma operação: Yoran El Al — acusado de ser o chefe do grupo — e Meir Zloff. Ambos foram presos na sexta-feira, durante a operação Black Ops.
Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão (11 já foram cumpridos), 119 mandados de busca e apreensão em 12 estados e no Distrito Federal. No total, 102 carros foram importados ilegalmente. Foram apreendidos R$ 380 mil em dinheiro, R$ 60 mil em cheque e 1,2 mil dólares.
Israelense também atuaria no mercado imobiliário
Considerado o chefe do esquema de lavagem de dinheiro para a máfia dos caça-níqueis, atuava no ramo imobiliário, segundo investigações. Monitorado, Yoram comprou e revendeu três casas em Porto Seguro (BA), Búzios e na Barra. Cada uma a R$ 2,5 milhões. Uma delas teria sido comprada pelo marido de uma atriz.
A polícia considera suspeita a relação dos cantores Belo e Latino com a revendedora de veículos Euro Imported Cars, do acusado Haylton Escafura. Eles não constam na lista de compradores, mas usariam carros emprestados da firma. O Ministério Público Federal pode pedir a abertura de inquérito contra eles. Os jogadores Diguinho e Emerson ainda não recuperaram seus carros, apreendidos pela Receita Federal.
O MPF pedirá o indiciamento por contrabando de alguns dos jogadores e artistas que compraram os carros apreendidos. “Em diversas transações, existem elementos fartos nos autos que levam a conclusão de que o comprador sabia da origem ilegal. Chamaremos para depor aqueles sobre os quais pairam dúvidas”, afirmou o procurador da República, Antônio Cabral.
PF investiga 5 policiais que agiriam como seguranças
Foto: Banco de Imagem / Agência O Dia
Piruinha: proibido de sair do País | Foto: Banco de Imagem / Agência O Dia
A PF investiga ainda quatro policiais militares e um inspetor da Polícia Civil, suspeitos de fazer a segurança do grupo de Haylton Escafura. Eles serão convocados para depor e podem ser acusados de participação na máfia dos caça-níqueis.
Três policiais militares já estão presos. Dois deles são aposentados, e um é lotado no Centro de Manutenção e Maquinário, da PM.
Pai de Escafura, o contraventor José Caruzzo Escafura, o Piruinha, de 83 anos, está proibido pela Justiça de sair do País. Em função da idade, ele não chegou a ter a prisão decretada, mas sua liberdade só será garantida caso pague fiança de R$ 100 mil. O prazo para o pagamento venceu ontem e até o fim do expediente judiciário ele ainda não havia efetuado o depósito. Assim como o filho, Piruinha teve todos os bens, adquiridos até 2006, sequestrados pela Justiça. Na lista há lanchas, carros, dezenas de imóveis, além de uma quantia aproximada de R$ 50 milhões em dinheiro.
Escafura ainda é procurado pela PF. Uma noite antes da operação, ele se hospedou num hotel, na Barra

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

OPERAÇÃO BLACK OPS - Mais de 500 carrões na mira da Receita Federal

Importados ilegalmente, serviriam para lavar dinheiro de caça-níqueis e jogo do bicho
POR MARIA INEZ MAGALHÃES
Rio - A Receita Federal calcula que a quadrilha internacional de israelenses, aliada à máfia dos caça-níqueis, trouxe ilegalmente para o Brasil entre 2009 e 2011 mais de 500 carros de luxo. O bando foi desarticulado sexta-feira pela Polícia Federal quando foram apreendidos em vários estados 102 carros e confiscados mais de R$ 50 milhões em bens e dinheiro em contas bancárias.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Polícia Federal apreendeu, na sexta-feira, 102 carros de luxo durante a operação ‘Black Ops’ contra máfia de caça-níqueis e jogo do bicho | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Jogadores, artistas e empresários são investigados e terão que explicar a compra dos carros de luxo. Entre eles, o jogador do Atlético Paranaense Kleberson, que teve o Jipe Hummer apreendido, e o jogador do Fluminense Diguinho, dono de uma BMW X-6 também apreendida. Modelos como esses custam mais de R$ 300 mil. Emerson, jogador do Corinthians, terá que entregar o carro em dois dias. Ele é investigado ainda por evasão de divisas. Jogadores do Flamengo e do Botafogo, também seriam investigados, de acordo com reportagem do Fantástico, da TV Globo.

Os carros eram comercializados pela quadrilha a preços abaixo de mercado. Os descontos poderiam chegar a R$ 150 mil. Segundo a polícia, os proprietários teriam se beneficiado do esquema para a compra. Os jogadores negam.

Três revendedoras de veículos de luxo estão sendo investigadas, uma delas a de Haylton Carlos Gomes Escafura, o filho do banqueiro do bicho José Caruzzo Escafura, o Piruinha. Mas a Receita Federal acredita que há outras envolvidas no esquema.

Israelense preso é procurado pela Interpol por tráfico

Na operação ‘Black Ops’ foram presas 13 pessoas, uma delas Yoram El Al, integrante da máfia israelense, procurado pela Interpol por tráfico de ecstasy. O criminoso é considerado um terrorista perigoso pelos americanos. Sua ficha também está no site do DEA, a agência americana antidrogas. Segundo as investigações, os membros do grupo integram uma grande organização conhecida como ‘Abergil Family’ (Clã Albergil), que está envolvida em esquemas ilícitos em diversos países, como agiotagem, prostituição, jogo ilegal e tráfico de droga

sábado, 8 de maio de 2010

MÁFIA CHINESA - Escuta da PF mostra Tuma Jr. tentando relaxar apreensão de US$ 160 mil

deu no Estadão - 08/05/2010
   
Andre Dusek/AE

Operação Wei Jin. A pedido do secretário, o policial Paulo Guilherme Mello, seu braço direito no Ministério da Justiça, tentou evitar, sem sucesso, o flagrante a familiares da deputada estadual Haifa Madi (PDT), que carregavam dólares na bagagem


Rodrigo Rangel - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA
Encarregado de coordenar as ações federais de combate à lavagem de dinheiro, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, foi gravado pela Polícia Federal tentando evitar um flagrante no aeroporto de Guarulhos que levou à detenção de sete pessoas e à apreensão de US$ 160 mil que estariam sendo levados ilegalmente para Dubai.

veja também:   som Diálogo entre Tuma Júnior Regiane    som Diálogo entre Paulo Guilherme Mello e Grego

As conversas, interceptadas com autorização da Justiça, revelam que Tuma Júnior foi acionado horas depois de agentes da PF lotados no aeroporto descobrirem, em 28 de junho do ano passado, os dólares na bagagem de familiares da deputada estadual Haifa Madi (PDT).
A tentativa de Tuma Júnior de evitar o flagrante apareceu na investigação graças à interceptação do telefone de seu braço direito no Ministério da Justiça, o policial Paulo Guilherme Mello. O assessor foi destacado pelo secretário para solucionar o problema. Num dos diálogos, é o próprio Tuma Júnior quem trata do assunto.
De acordo com relatório da PF a que o Estado teve acesso, Tuma Júnior e Mello foram acionados por um escritório de advocacia. Ao ser informado de que já não era mais possível evitar o flagrante, Tuma Júnior lamenta. "É, paciência, né", diz. Em seguida, diz a Mello: "O doutor lá era daquele esquema, entendeu? Entendeu? Fala hoje lá com aquela autorid... com aquela pessoa lá". "O cliente do doutor lá tava empepinando, entendeu?", completa o secretário.
Ao dar satisfação a Tuma Júnior, Mello usa uma figura de linguagem para dizer que já não havia mais tempo: "O corpo já perecia há mais de doze horas, mais de doze horas, quase dezoito horas quando me trouxeram a informação, entendeu? Os destinos já estavam consumados". "Já tá com via de... guia de encaminhamento", disse, referindo-se ao fato de que, naquele instante, o flagrante já havia sido lavrado. "É, o corpo já estava putrefato", lamenta Tuma Júnior.
O próprio secretário afirma, no diálogo, ter sido acionado tardiamente. O "pedido de socorro", de acordo com a PF, foi feito por Francisco Teocharis Papaiordanou Júnior, amigo de Tuma Júnior. Papaiordanou é conselheiro do Corinthians, clube do qual Tuma Júnior foi diretor de Futebol. Nos diálogos, o secretário se refere a Teocharis como "Grego". "Falei pra ele: "Muito tarde, mas vou chamar Guilherme". Eu chamei (você) no rádio, mas essa p... não atendia", diz Tuma Júnior.
Para atender o pedido de Tuma Júnior, Mello disparou uma série de telefonemas e acionou policiais federais em serviço no aeroporto. Mesmo não havendo mais possibilidade de evitar o flagrante, o assessor relata ao chefe Tuma Júnior ter tomado outras providências. Conta ter acionado um contato na delegacia da PF em Cumbica para ao menos minimizar o problema. Grego, àquela altura, já havia sido avisado da providência "Hoje, pelo menos tava o Relê tava lá no aeroporto, eu mandei... eu passei a informação pra ele (Grego) pra pessoa procurar o Relê lá pra obter algum privilégio, né, alguma coisa que... alguma...conforto pelo menos lá pro amigo dele, né", diz Mello a Tuma Júnior.
Lobby. Em relatório encaminhado à Justiça Federal, os investigadores da PF apontaram a necessidade de avançar em relação ao lobby do secretário.
No relatório, antes de defender novas diligências para apurar a atuação de Tuma Júnior e de seu assessor no caso, os policiais afirmam que os dados de inteligência permitem formar alguma convicções, como "conhecimento prévio de Romeu Tuma Júnior, de eventual prática ilícita, envolvendo crimes financeiros, por parte das pessoas envolvidas na apreensão de valores".
O documento realça o fato de Tuma ter entre suas atribuições o combate à lavagem de dinheiro. Diz que os diálogos evidenciam "eventual favorecimento de Romeu Tuma Júnior, na sua área de alçada, em crimes relacionados à evasão de divisas ou lavagem de dinheiro".
Coordenar as ações de combate à lavagem de dinheiro é uma das principais atribuições da Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), ocupada por Tuma Júnior desde 2007. É sob o guarda-chuva da secretaria que funciona o Departamento de Recuperação de Ativos, o DRCI, que tem por função promover a repatriação de recursos remetidos ilegalmente para fora do país. Outra atribuição da SNJ é cuidar de assuntos relativos à entrada de estrangeiros no País.
Na última quarta-feira, o Estado revelou as ligações de Tuma Júnior com Li Kwok Kwen, o Paulo Li, apontado pela PF como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. Documentos apreendidos durante seis meses de investigação revelaram que, de um lado, Li cobrava para legalizar a situação de chineses ilegais no País e, de outro, contava com a ajuda de Tuma para facilitar a tramitação dos documentos no Ministério da Justiça.
Com base nas ligações de Tuma Júnior com Li, os encarregados do caso defenderam a abertura de inquérito à parte para investigar o secretário. Até ontem, porém, o inquérito não havia sido aberto.

Ações sob suspeita
 O amigo da máfia
Telefonemas e e-mails interceptados Ligaram Tuma Jr. com Pauli Li, apontado como expoente da máfia chinesa
Passe livre
Com o Departamento de Estrangeiros sob seu comando, operou para dar vistos a chineses em situação irregular.
O pistolão
Inconformado com reprovação do futuro genro no concurso da Polícia Civil de SP, Tuma Jr. articulou para aprová-lo.
Mão amiga
Relatório da PF mostrou ação de Tuma Jr. para liberar mercadorias apreendidas de Fang Ze, do esquema de Paulo Li.

Diálogos interceptados
28 de junho de 2009
16h01min09s
Após o registro de um flagrante no aeroporto de Guarulhos, com prisão e apreensão de US$ 160 mil, Paulo Guilherme Mello, assessor de Romeu Tuma Jr., é procurado por Francisco Teocharis Jr, conhecido como Grego. Começa uma operação, com participação de Tuma Jr., para tentar reverter o flagrante
Grego: Deixa eu falar uma coisa! É... o negócio é o seguinte Guilherme! É... então aguarda um pouquinho que eu vou conversar com a pessoa que quem tá aqui falando aqui é o advogado dele que é amigo do homem que é advogado! E (inaudível) a serviço entendeu? Então eu quero saber... eu vou falar pra ele ver se ele quer que você vá até lá, entendeu? Se há necessidade de você sair de casa!
Mello: Tá bom! Eu vou tentar mais um pouco ver se o Tião atende, porque eu tô ligando daqui da casa da minha mãe e não pega o... direito! Eu não sei o que acontece com o telefone (inaudível).
Grego: Entendeu? Porque daí é o seguinte! Qualquer coisa cê... pra passar no posto lá!
Mello: Mas de qualquer forma o Grego... rolando a situação o cara não tá mais lá! Se foi cana, entendeu? Eu tô achando que tem mais coisa! Só por evasão de divisa não ia enfiar um flagrante nele! Acho que não! Não sei! Só se mudou a lei!
29 de junho de 2009
22h21min21s
Tuma Jr. fala com Mello sobre a apreensão dos dólares em Guarulhos. Mello fala para o chefe que, quando foi procurado por Grego, já não dava para fazer mais nada. Tuma lamenta e diz que o doutor, envolvido no caso, era ''aquele esquema''
Mello: Oh, Romeu, que m. é essa aí do negócio do Grego? Cê não... cê não me falou nada, cara. Agora, ele tava delirando, né, com a estória. Ele não entende como é que funciona.
Tuma Jr.: O cara lá era o...o doutor lá era aquele esquema, entendeu? Entendeu? Fala hoje lá com aquela autorid... com aquela pessoa lá e... pra ver se resolvia aquela parada, mas o Grego não sabe. O cliente do doutor lá tava empepinando, entendeu?
Mello: Não, isso eu sei Romeu, mas é...você é delegado. O negócio já...o corpo já perecia há mais de doze horas, mais de doze horas, quase dezoito horas quando me trouxeram a informação, entendeu? Os destinos já estavam consumados.
Tuma Jr.: É, paciência, né? Paciência. Fica frio que "campei" aqui em Brasília (...) Mas tive um resultado positivo. Mas falei pra ele: "Muito tarde, mas vou chamar Guilherme". Eu chamei no rádio, mas essa p. não atendia. Mas tudo bem, né?
(...)
Mello: Eu liguei pro Grego, quando me falou eu falei "Grego, primeiro que acho que tem boi na linha, segundo, pelo tempo que você... da ocorrência pra você tá me acionando agora, o negócio já... já tá consagrado. Mas aí eu fui atrás (...) e os caras falaram "esquece". Já tá e já tá com via de... guia de encaminhamento.
Tuma Jr.: É, o corpo já tava putrefato (...)
Mello: É, paciência, mas tudo bem. Hoje, pelo menos tava o Relê tava lá no aeroporto, eu mandei... eu passei a informação pra ele pra pessoa procurar o Relê lá pra obter algum privilégio, né, alguma coisa que... alguma... conforto pelo menos lá pro amigo dele, né.
30 de junho de 2009
09h14min21s
Mello liga para a PF em Guarulhos e conversa com a uma policial identificada como Regiane. Diz que Tuma Jr. queria informações sobre o flagrante.
Regiane: Então, e os seus amigos saíram ontem. Os seus não, quer dizer, as pessoas as quais você queria informação, né?
Mello: Foram pro hotel?
Regiane: Não, não foram pro hotel não, foram pra casa. Era uma família de sete pessoas, inclusive a filha do ex-prefeito do Guarujá, cuja mãe é deputada. (...) Eles tavam tentando ir pra Dubai com aproximadamente cento e sessenta mil dólares.
Mello: P., é turismo isso? (...) Na verdade eu quero que se f. a família, só... eu queria é dar informação pro meu chefe. Porque se tinha parlamentar no meio, alguém... alguém lá em Brasília consultou ele, né? Ele só queria informação, entendeu, pra dar notícia correta, porque fica aquele tumulto, né? (...)
Regiane: Pois é, meu bem, mas felizmente agora eu to conversando com você com mais tranquilidade porque ontem disse que o que ligou de colega, o que ligou de político, o que veio de gente querendo saber de informações, a gente não podia falar nada, né?
Mello: Não, mas tá ótimo. Eu acho que ontem o Romeu não... ligou só uma vez a respeito, de manhã, acho que depois ele obteve a informação de outra forma.
Regiane: É. Veio o Arnaldo Faria de Sá no final da tarde, né, veio ele. Mas tá tudo bem. E você, tá bem?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

MÁFIA CHINESA - Senador Romeu Tuma diz que filho sempre trabalhou com dignidade

Romeu Tuma
O senador Romeu Tuma (PTB-SP) defendeu nesta quinta-feira seu filho e secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, por conta de conversas telefônicas com um dos chefes da máfia chinesa no Brasil, gravadas pela Polícia Federal. Perguntado sobre a relação de amizade entre Tuma Júnior com o chinês Paulo Li, um dos investigados pela PF, o corregedor do Senado afirmou que qualquer pessoa tem "uma série de amigos".
Romeu Tuma acrescentou que, quando foi chefe de polícia de São Paulo e responsável pelo setor de estrangeiros, conheceu várias pessoas.
- Amizade nós temos até o momento em que se acha que a pessoa não cometeu qualquer ilícito. A partir do momento que (você) considera que ela tenha praticado, não pode ser solidário com a prática de ilícitos - ressaltou o senador.
Tuma disse também que seu filho "é uma pessoa digna" e construiu sua carreira ao longo do tempo dentro desse princípio. Ele destacou o fato de o secretário Nacional de Justiça não ter sido denunciado pelo Ministério Público e a Procuradoria-Geral de Justiça não encontrado indícios de envolvimento de Tuma Júnior com o caso investigado pela Polícia Federal.
Apesar dessas declarações, o senador evitou entrar em detalhes sobre a investigação da PF na qual seu filho acabou sendo envolvido.

veja tambem


Senador Romeu Tuma http://pt.wikipedia.org/wiki/Romeu_Tuma

MÁFIA CHINESA - Planalto cobra explicação convincente de Tuma Jr. para suspeitas da PF

   
Andre Dusek/AE
Tânia Monteiro e Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto considerou insuficientes as explicações do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, captado por escutas telefônicas legais da Polícia Federal em troca de favores com um dos chefes da máfia chinesa no Brasil, Li Kwok Kwen, o Paulo Li.
Na avaliação do governo, o silêncio de Tuma Júnior - que é delegado da Polícia Civil de São Paulo - somado ao desdobramento das investigações pode tornar a situação do secretário "insustentável". Paralelamente, articuladores do Planalto ainda tentam colocar "panos quentes" no caso.
Expoente da hierarquia do Ministério da Justiça, Tuma Júnior comanda áreas estratégicas como o Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI), que é responsável pelo rastreamento de dinheiro ilegal no exterior, e o Departamento de Estrangeiros.
Como o Estado revelou na edição de quarta-feira, 5, o secretário nacional de Justiça mantinha estreita ligação com Paulo Li, hoje um presidiário na capital paulista.
Li foi preso pela PF com mais 13 pessoas, sob acusação de comandar uma quadrilha especializada no contrabando de telefones celulares falsificados, procedentes da China, durante a Operação Wei Jin (trazer mercadoria proibida, em chinês), deflagrada em setembro de 2009.
Sob o impacto do noticiário, Tuma Júnior preferiu silenciar, dar declarações sucintas a imprensa e ofereceu explicações consideradas fracas para seu superior hierárquico, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
Entrevista
O secretário chegou a convocar a imprensa para uma entrevista coletiva. Prometeu que se defenderia publicamente, mas depois desistiu.
Em um movimento para não atrair para o Planalto o escândalo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a senha para Barreto exonerar o auxiliar.
Lula "despolitizou" Tuma Júnior, filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP), aliado do governo, afirmando que esse era um assunto do Ministério da Justiça. "Eu vi informações hoje (ontem) sobre o delegado Romeu Tuma. Primeiro tem de esperar a investigação. Todo mundo sabe que é um delegado muito experimentado na polícia brasileira. É um homem que tem uma folha de serviços prestados ao País", disse.
"Se há uma denúncia contra ele, a única coisa que temos de fazer, antes de precipitarmos decisão, é investigar da forma mais democrática possível", afirmou o presidente Lula, no Palácio do Itamaraty, onde recebeu as credenciais de novos embaixadores estrangeiros.
Enredo. Mas as idas e vindas do secretário e a escassez de respostas colocaram o Planalto no enredo. À tarde, Barreto foi chamado para uma reunião no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência da República.
Oficialmente, ele foi lá para tratar da Comissão da Verdade, prevista no decreto do Plano Nacional de Direitos Humanos. Barreto teria sido orientado a exigir explicações que sufocassem a crise ou a abreviasse, com a exoneração do secretário nacional de Justiça.
Depois do encontro com o presidente Lula e outros ministros, Barreto saiu sem falar com a imprensa.
Sob pressão
Ao chegar para trabalhar pela manhã, Tuma Júnior reuniu-se com seus principais assessores para analisar sua defesa. Foi então chamado para uma reunião às pressas com o ministro na hora do almoço. O encontro não estava agendado. Tuma Júnior defendeu-se e afirmou ao ministro que não havia praticado nada de irregular.
Antes desse encontro, a reportagem do Estado o abordou nos corredores do ministério. O secretário tentou demonstrar tranquilidade e afirmou que não era dono do cargo que ocupa no governo. "Eu não sou do cargo", declarou Tuma Júnior.
Logo depois, minimizou as acusações: "Eu não fiz nada". Indagado sobre as relações com o chinês Paulo Li, o secretário partiu para a ironia: "Eu não sou racista".
No início da tarde, após a reunião com o ministro, foi questionado pelo Estado sobre sua permanência no governo. Ele desconversou: "Primeiro o serviço, depois a fofoca".
A assessoria do Ministério da Justiça avisou os jornalistas que, para comentar as acusações, ele daria uma entrevista coletiva após a reunião que teria sobre Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), com a participação de secretários estaduais de Justiça, representantes do Ministério Público, da Advocacia Geral de União (AGU) e do Poder Judiciário.
Destino. Ele, aliás, comandou essa reunião da Enasp, que contou com a presença do ministro Barreto por alguns minutos. Tuma Júnior, no entanto, ausentou-se da sala por cerca de 40 minutos. Seu destino foi incerto. Depois da reunião, ele informou que não daria mais a prometida entrevista, alegando que não teve acesso à investigação.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MÁFIA CHINESA - PF liga Tuma Júnior, secretário nacional de Justiça, a chefe da máfia chinesa


   
Créditos: Globo.com

O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, tomou posse, nesta

Interceptação de gravações telefônicas e mensagens eletrônicas aponta contato frequente com Li Kwok Kwen, também conhecido como Paulo Li


Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo
Gravações telefônicas e e-mails interceptados pela Polícia Federal (PF) durante investigação sobre contrabando ligam o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, ao principal alvo da operação,Li Kwok Kwe n, apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo.

Veja também
Li mandava lista de processos a Tuma Júnior
Ministério nega que Tuma Júnior seja investigado
Chinês é apontado como chefe do contrabando de celulares
Leia trechos das conversas interceptadas pela PF

A relação de Tuma Júnior com Kwen, também conhecido como Paulo Li, foi mapeada ao longo dos seis meses da investigação que deu origem à Operação Wei Jin, deflagrada em setembro de 2009.
Paulo Li foi preso com mais 13 pessoas, sob a acusação de comandar uma quadrilha especializada no contrabando de telefones celulares falsificados, importados ilegalmente da China.
Ao ser preso, Paulo Li telefonou para Tuma Júnior na frente dos agentes federais que cumpriam o mandado. Dias após a prisão, ao saber que seu nome poderia ter aparecido no inquérito, Tuma Júnior telefonou para a Superintendência da PF em São Paulo, onde corria a investigação, e pediu para ser ouvido. O depoimento foi tomado num sábado, para evitar exposição. Tuma declarou que não sabia de atividades ilegais de Li. O surgimento do nome Tuma Júnior no inquérito seguia em segredo até agora.
O esquema, estimou a PF à época, girava R$ 1,2 milhão por mês. Os aparelhos eram vendidos no comércio paralelo de São Paulo e no Nordeste. Denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de formação de quadrilha e descaminho, Li seguia preso até ontem.
Além de ocupar um dos postos mais importantes da estrutura do Ministério da Justiça, Tuma Júnior preside, desde o último dia 23 de abril, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria.
Foi investigando Paulo Li - a quem a PF se refere nos relatórios como comandante de "uma das maiores organizações criminosas de São Paulo e do Brasil" - que os policiais descobriram seus laços com Tuma Júnior. Entre os telefonemas gravados com autorização judicial, são frequentes as conversas de Li com o secretário nacional de Justiça.
Li, que de acordo com as investigações também ganhava dinheiro intermediando a emissão de vistos permanentes para chineses em situação ilegal no País, tinha livre trânsito na secretaria.
Vistos. De acordo com o inquérito, Li conseguia agilizar processos em tramitação no Departamento de Estrangeiros, órgão subordinado diretamente ao secretário. Os telefonemas também revelam o secretário como cliente assíduo do esquema: sem hesitar, ele fazia encomendas por telefone de aparelhos celulares, computador e até videogame.
As gravações mostram Li especialmente interessado nos bastidores da aprovação da lei que deu anistia a estrangeiros em situação irregular no País. Assim que a lei foi sancionada, em julho passado, o chinês logo passou a intermediar a aprovação de processos de anistia.
As demandas de Paulo Li eram transmitidas abertamente a Tuma Júnior - muitas delas, por telefone. Nos contatos, o secretário se mostrava diligente, de acordo com a PF. Num deles, em 1º de agosto de 2009, ele convida Li para uma conversa em Brasília ou em Ribeirão Preto, onde daria palestra dias depois. "Eu tenho um monte de respostas daqueles negócios. Se você quiser vir...", disse.
Tuma demonstra ter proximidade com Li, a ponto de convidá-lo para dividir o quarto de hotel caso quisesse encontrá-lo durante seu compromisso oficial em Ribeirão Preto. "Mesmo que você tenha que dormir lá, você dorme comigo no quarto. Não tem problema. E você não paga hospedagem", afirmou.
Busca e apreensão. Durante busca e apreensão no escritório de Li, os policiais federais apreenderam cartões de visita, com brasão da República e tudo, em que o chinês se apresentava como "assessor especial" da Secretaria Nacional de Justiça, comandada por Tuma Júnior.
Nos contatos com o secretário, Li se mostrava ansioso pela aprovação da anistia. "Está todo mundo esperando a anistia, hein, caramba!", disse, em 29 de maio. "Eu sei, eu vou ver esta semana", respondeu Tuma.
Assim que a lei foi aprovada no Congresso, semanas depois, Tuma se encarregou de dar a notícia ao amigo chinês. "Já aprovou, viu?", anunciou. "Ih, caramba! Coisa boa!", festejou Li. "Só que mantiveram a data de primeiro de fevereiro", ressalvou o secretário, referindo-se ao fato de a lei beneficiar imigrantes que ingressar no Brasil até 1º de fevereiro de 2009.
"Agora vai pro presidente, ele vai marcar uma data pra assinar", diz Tuma. O chinês pede: "Me avisa, hein". Tuma não só avisou mas colocou Li, à época já investigado pela PF, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia em que a lei foi sancionada, em 2 de julho.

domingo, 11 de abril de 2010

MÁFIA DAS AMBULÂNCIAS - Em blog, ex-deputado confessa envolvimento com 'sanguessugas' (leia a carta)





Belo Horizonte - O vereador de Belo Horizonte e ex-deputado federal Cabo Júlio (PMDB), que em agosto de 2009 foi condenado em primeira instância por envolvimento com os Sanguessugas da Máfia das Ambulâncias, em 2002, escreveu uma carta de desabafo em seu blog pessoal na qual confessa envolvimento com o esquema e questiona por que até hoje foi o único dos 84 parlamentares indiciados a ser punido.

No texto, Júlio pede perdão à família, a Deus, aos amigos e também aos companheiros de trabalho pelos atos de corrupção em 2002, quando uma quadrilha teria superfaturado o preço de ambulâncias que eram repassadas a prefeituras do interior do País. Por conta do escândalo, o parlamentar, que havia cumprido dois mandatos como deputado federal, não conseguiu se reeleger em 2006. Em 2008 ele foi eleito vereador em BH.

Recentemente Cabo Júlio esteve internado no Hospital Santa Rita, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, para onde foi levado por policiais militares depois de ser encontrado desacordado no meio da rua. Ele havia acabado de passar mal ao volante e bater o carro num poste. Durante outras duas vezes, pelo menos, o parlamentar passou mal e teve que ser socorrido após tomar, segundo ele, medicamentos para fortes dores abdominais.

"Eu jamais esperaria que aquelas pessoas que me ajudaram na campanha de 2002 viessem a ser presos e acusados de tanta coisas erradas. Mas,quem com porco se mistura, farelo come. Eu não fui e não sou inocente. Deus sabe que não sou. Mas também não errei o tanto que me acusaram de errar", escreveu.

Ao final da carta, que está abaixo na íntegra, Cabo Júlio pede aos assessores de gabinete que o documento seja publicado na íntegra, de acordo com a vontade dele.

"EU PENSEI QUE FOSSE MORRER DE TANTA DOR" São 23:03 hs do dia 07/04/10, é a primeira vez que entro em meu blog desde a sexta feira passada quando cheguei ao Hospital Santa Rita pela penúltima vez.

Eu fiquei aproximadamente uma semana internado no Hospital Santa Rita, depois HPM e por último fazendo exames no Hospital Vila da Serra.

Quando a gente passa por momentos como este, vê que a vida vale tão pouco. Nos fazem refletir sobre tanta coisa, sobre tantos erros e acertos.

Na sexta-feira eu senti tanta dor no abdômen que acabei desmaiando no volante. O carro bateu em um poste e fui para o Hospital Santa Rita ser medicado.

Era a segunda vez. Na primeira desmaiei na via do minério. Nossa, a globo me filmou em pleno domingo no barreiro.

Infelizmente,a gente tem colegas que bateram muito pesado. ( talvez eu já tenha feito muito isso e esteja colhendo o que semeei). Alguns comentários no globo.com diziam: bem feito, tomara que morra, ta drogado, bêbado, é a depressão por causa da máfia dos sanguessugas. Mas muitos também foram de solidariedade.

As vezes não sabemos diferenciar vida pessoal, de vida profissional, de vida política. As vezes misturamos adversários a inimigos.

Voltando a esta semana, no outro dia pela manhã, resolvi sair a esquina para comprar umas fitas e passar o fim de semana em casa descansando da noite anterior no Pronto Socorro do Hospital.

Na Avenida Sinfrônio Brochado, próximo do Comercial as dores foram tão forte, tão intensas que eu tentei chegar no Corpo de Bombeiros e não consegui. A sorte foi que um colega policial desceu do ônibus e eu pedi que corresse no PA dos Bombeiros e pedisse ajuda.

Naquele momento eu pensei que fosse morrer ali na rua, eu suava e tinha diarréia de tanta dor. Logo, uma viatura da PM ( infelizmente não sei sequer quem eram os policiais para agradecer) apareceu e me socorreu mais uma vez. Meu primeiro agradecimento a esta guarnição que me socorreu. Que Deus abençoe vocês.

Depois de uma tarde de atendimento no Santa Rita começaram os exames após a internação: ultrasonografia abdominal, sangue, urina, fezes, raio x, e infelizmente não descobriram a causa da dor.

A dor era tanta que buscopan na veia não amenizava as dores. O médico decidiu então aplicar morfina para aliviar a dor. Naquela hora, aos gritos de dor, eu pedi socorro a todo mundo que eu conhecia. Eu preferia a morte a sentir tamanha dor.

Liguei para um ex-chefe da época em que fui transferido para a antiga DST (em 97) que acabará de reformar no HPM e ele me ajudou a ser removido as pressas para o Hospital Militar.

Meu segundo agradecimento é ao Ten Cel Ezequiel que atendeu a ligação telefônica desesperada da minha mãe e me ajudou a ser transferido de um hospital ao outro. Deus abençoe ao Senhor e sua família.

Chegando no HPM, o próximo exame foi uma tomografia computadorizada do abdômem. Mais uma vez nada foi detectado. O que mais me angustia não é propriamente a dor, mas não descobrir sua causa.

A cada noite eu continuava, apesar do medicamentos, a urrar de dor. Ao meu lado na enfermaria 227, o SD Bruno de Itatiauçu, que havia sofrido um acidente automobilístico e iria passar por uma cirurgia no fêmur, e o Sgt Aldair de Caratinga que passou por uma cirurgia no pulso. A eles,o meu agradecimento pelo consolo nas noites de dor, e de tristeza. Tristeza por estar a quase seis meses sofrendo de uma dor em que apesar de tantos exames e tantos remédios, internações e desmaios, ninguém conseguir descobrir a causa da dor.

Nessas horas a gente pensa em cada dia vivido. Em cada pessoa que deixamos de valorizar, a cada pessoa que nos decepcionou,ou que decepcionei. A cada erro, a cada acerto.

Eu prometi a Deus que se ele me permitisse não morrer no meio daquelas dores terríveis que iria tentar ser melhor (ou menos pior), iria tentar ser diferente.

Pensei na minha mãe, ali desesperada no telefone ligando para um e para outro tentando conseguir uma vaga para me transferir. Sabe, quando a gente tem um mandato de vereador ou de Deputado a gente acha que é tanta coisa, mas nessa hora vê que não é nada.

A gente vê que os amigos de verdade são poucos. Muitos são amigos do que você é, e não de quem você é. Confesso que na hora que cheguei a esta conclusão, tive vontade de pedir a Deus para me deixar morrer. Tudo perde a graça, tudo perde a motivação.

A PIOR SOLIDÃO É AQUELA EM QUE A GENTE OLHA PARA O LADO E VÊ TANTA GENTE, MAS SE SENTE SOZINHO. O PIOR MOMENTO DA VIDA É QUANDO NO MEIO DE TANTOS SONHOS A GENTE TEM VONTADE DE DESISTIR DE TUDO. MEU DEUS, COMO EU GRITEI PEDINDO PARA MORRER, PARA NAO SENTIR MAIS DOR. COMO EU RECLAMEI DA VIDA.

Aos oficiais e praças do HPM e aos médicos civis que me atenderam, meu muito obrigado. Deus abençoe a vocês.

Um agradecimento especial também ao Major Clenis, Diretor Clinico do HPM, que foi quem me recebeu no primeiro dia e ficou procurando uma vaga para me alojar. Me perdoe pelas injustiças cometidas contra o Hospital Militar. Internado ali eu vi como é difícil socorrer todo mundo que precisa. Me desculpe.

Sabe gente, a vida vale tão pouco quando a gente sente que a está perdendo. Como seria bom se pudéssemos voltar no tempo e fazer as coisas tão diferentes, tão certas. Como seria bom se pudéssemos apertar a tecla de REW e deixar de magoar as pessoas que amamos. Deixar de desapontar as pessoas que confiaram em nós.

A política foi bom pra minha vida (nunca fui hipócrita), mas é um preço tão alto. Foi muita responsabilidade para um jovem de 29 anos de idade chegar no Congresso Nacional e representar uma classe tão abandonada, tão sofrida.

Fiz como Davi, amei quem me feriu e feri quem me amou. Sei que essa carta será um "prato cheio" para os meus adversários. Dirão: Eu nao disse, eu nao falei, etc. Mas não to nem aí, quero aliviar o peso da minha alma. Tem uma coisa que muita gente nao entenderá, que é uma coisa que meu pai dizia: "quando o fardo estiver pesado, volte ao primeiro amor". Nossa, como é dificil.

Aos meus colegas, meu pedido de perdão.

A pior tristeza de um homem é quando ele não sabe se vai durar mais 100 anos, ou apenas mais 100 minutos. Dá vontade de fazer em 100 minutos, o que não conseguimos fazer em 100 anos. Mas, o tempo não permite. Uma das piores dores é a dor da frustração.

Não to nem aí se essa carta vai ser bem entendida ou não,se vai me trazer prejuízo ou não,é um desabafo de quem acabou de sair de um hospital. São 23:40 hs agora.

Não preciso de sensacionalismo. Fui eleito e, 1998. Depois quando deixe a candidatura de prefeito de Belo Horizonte, todo mundo dizia que eu estava acabado politicamente e tive quase 120 mil votos em 2002. Em 2006 depois de 10 meses de pancada todo dia tive quase 60 mil votos. Em 2008 me elegi vereador em BH, quebrando mais um tabu. Nunca tivemos um praça eleito em BH. É a eleição mais difícil de todas a de vereador.

Pelo amor de Deus, não é isso. Isso não traz lucro, traz reflexão. Talvez alivie a alma.

Ao Deputado Sargento Rodrigues. Lembrei naquele leito, as vezes que nos reunimos na sua ou na minha casa juntando moedinhas para pagar a nossa conta de luz depois da exclusão. Da sua esposa fazendo um mexidão para as pessoas que estavam ao nosso lado em uma campanha até então impossível.

Das vezes em que a gente viajava, e chegava nas cidades e não tinha dinheiro para comer, para dormir, para abastecer o carro emprestado. A gente vivia de rifas.

Como as coisas tomaram outros rumos depois da eleição. Talvez pela nossa vontade de, separadamente ,mostrar a nossa classe quem era o mais grato,o mais desejoso de mostrar serviço, o mais competente, ou talvez o menos incompetente.

A você, Rodrigues o meu pedido maior ainda de perdão, por ter permitido que a nossa amizade, forjada na dor, fosse embora.

Continue, você é competente e importante para a nossa classe.

Sabe gente, quando a gente chega lá, a gente chega cheio de vontade de mudar o mundo, de fazer e acontecer. Mas a realidade é dura. É difícil mudar culturas, mudar coisas moldadas ( certas ou erradas ) com o tempo.

A máfia das ambulâncias, foi um dos piores momentos da minha vida política; um momento de muita crueldade com a minha família. Não culpo ninguém, a culpa foi exclusivamente minha. Mas me negaram o direito de mostrar o meu lado da história.

EU ERREI, EU PERMITI QUE A CORRUPÇÃO E O ERRO INVADISSE MINHA ALMA.

Eu jamais esperaria que aquelas pessoas que me ajudaram na campanha de 2002 viessem a ser presos e acusados de tanta coisas erradas. Mas,quem com porco se mistura, farelo come.

Eu não fui e não sou inocente. Deus sabe que não sou. Mas também não errei o tanto que me acusaram de errar.

Perdão aos meus filhos, a minha mãe, a meu irmão. Aos meu colegas, que confiaram em mim. São tantos que é dificil pedir perdão e nomear a todos. A Noeme de Juiz de Fora, ao Araujo de Teofilo Otoni, ao Zé de Uberaba ( meu paizão), ao Alair de Bom Despacho, a Adriana de Pouso Alegre, ao Laubi de TO, ao Cb Prates de Moc, ao Sgt Barbosa de BH, ao Melo de Neves, ao Lucio de Leopoldina, ao Abi-Ali de Valadares, ao Cb Fernando de Contagem, ao Cel Mendonça, ao meu herói na area juridica, o Dr. Cabo Ricardo de BH, ao Sgt Mendes guerreiro de 97, aos anistiados, enfim, é tanta gente que o sono me trai. Me desculpe quem eu esqueci.

Aos meus fiéis mosqueteiros, Lobão, Jacinto ( e a marlene) e maurição. Vocês são a minha família. Obrigado por nunca terem me abandonado. Amo vocês.

A Renata da Aspra que pediu oração pra mim eu seu blog. Brigadão. A nossa renatinha e a Dra Liliane, obrigado pela força.

Paguei e continuarei pagando um preço muito caro pelo meu erro imperdoável. Mesmo tendo 84 deputados investigados, fui o único a ser condenado em primeira instancia. Apesar de recorrer, será que eu sou pior do que todos os outros 83? Eu colhi o que plantei. Deixei de confiar em Deus na hora do aperto. Esqueci que o mesmo Deus que me tirou da barraca de camelo, que se eu fosse fiel, ele me permitiria continuar. Mas a ambição falou mais alto que a fé.

A depressão é uma doença da alma. A alma segundo a psicologia são os sentimentos, as emoções. Segundo a teologia,é o que nos aflige e nos distancia de Deus. É o que dói, o que faz os problemas pequenos se tornarem grandes. O que faz os problemas grandes se tornarem impossíveis aos olhos humanos.

Sabe, são tantas pessoas que magoei, que decepcionei, que essa carta se tornaria imensa.

Ao Coronel Renato, meu pedido de perdão também. È fácil demais fazer a política da critica, do quanto pior melhor. Mas fazer,é tão difícil.

Vou lembrar um fato que talvez você não se lembre. Em 1997, no auge da crise, você me chamou no gabinete do sub-comando e me disse: vai em frente. Confesso que não entendi até hoje esta frase. Mas eu fui em frente.

A mão que aplaude cada critica,é a mesma mão que desdenha.

Creio que tem muita coisa ruim que existe ainda na PM, muitas injustiças. Colegas trabalhando como burro de carga, injustiças. Mas as criticas não são de todo justas.

Desejo sucesso no seu comando. Olhe com mais sensibilidade aqueles que sofrem.

São 23:58, nem sei como terminar. Afinal são quase 10 anos,em que sai do anonimato de uma viatura Rotam e uma barraca de camelo e passei a ter tantas responsabilidades que hoje vejo que não estava preparado.

É um mundo cão. Onde o mais forte engole o mais fraco.

Ao Cabo Alexandre, Presidente da ASCOBOM. Obrigado pelo conforto, pelo socorro, por acreditar em mim em momentos em que muitos me viraram as costas. Sua ousadia manteve o Projeto Restaurando Vidas de pé quando todos achavam que o sonho se acabaria.Na luta eu tive um colega, na dor eu ganhei um irmão. Você foi um dos poucos ombros que eu tive para chorar. Obrigado Alexandre.

Enfim, essa carta é um desabafo.

Ao apostolo Freitas, que um dia me disse: a igreja é lutar de restauração. Estamos juntos até o ultimo minuto. Obrigado.

Não sei o que eu tenho, se é grave, ou apenas uma bobeira emocional. Mas eu peço a Deus que me perdoe e não em deixe passar mais tanta dor como aquela que senti naquele hospital.

Eu tô com medo. Deus sabe que estou falando a verdade. To me sentindo meio impotente diante da possibilidade de ter pouco tempo para fazer tanta coisa que sonhei.

Prefiro que Deus me leve, a sentir tamanha dor. Dói no corpo e dói muito mais na alma quando a gente se sente inútil diante da impossibilidade de lutar contra ela.

Obrigado a todos. São 02:25.

(AOS MEUS ASSESSORES QUE CONTROLAM ESTE BLOG, POR FAVOR, RESPEITEM A MINHA VONTADE E DEIXEM ESTA MENSAGEM NA INTEGRA COMO POSTEI)


 


 

sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/GUERRA DO BICHO - Atentado a bomba contra bicheiro Rogério Andrade na Barra provoca devassa na PM do Rio


Sérgio Ramalho - O Globo

A participação de cinco policiais militares na escolta do contraventor Rogério Andrade, de 47 anos, vai levar a Corregedoria Interna da corporação a deflagrar nos próximos dias uma ação para prender outros PMs envolvidos na segurança do bicheiro e de seu esquema de exploração de bingos e caça-níqueis, na Zona Oeste do Rio. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, "quem trabalha para criminoso, criminoso é". Alvo de um atentado a bomba que resultou na morte do filho, Diogo, de 17 anos, quinta-feira, na Barra da Tijuca, Rogério quer proteção do estado.
Nesta sexta-feira, a Polícia Civil solicitou por meio do Consulado dos EUA ajuda da Agência Americana para Álcool, Tabaco, Armas e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) para tentar identificar o tipo e a origem da substância usada no artefato detonado no Corolla blindado usado pelo contraventor.
(Vídeo mostra os momentos seguintes ao atentado) (Veículos ficaram totalmente destruído. Veja as imagens) A perícia preliminar já descartou a hipótese de a explosão ter sido causada pela deflagração de uma granada. Policiais envolvidos na investigação acreditam que a bomba tenha sido feita com explosivo plástico, supostamente C4, ou mesmo TNT, instalada sob o assoalho do lado do motorista e detonada por um timer ou por meio de um telefone celular:
- Certo, por enquanto, é que a bomba foi feita por um especialista, provavelmente com experiência militar - disse um dos policiais da Divisão de Homicídios (DH).
Policiais da unidade confirmaram que o Corolla de Rogério havia sido levado para revisão na semana passada, ficou três dias numa oficina até ser devolvido, dois dias antes da explosão. A versão foi confirmada ao GLOBO pelo advogado Luiz Carlos Silva Neto. Segundo ele, Rogério sempre dirigia o veículo. O que não aconteceu anteontem, quando o filho, que não possuía habilitação, estava ao volante e teve o corpo dilacerado na explosão.
A investigação confirmou que um dos PMs ligados à segurança do contraventor teria saído do serviço no momento em que Rogério estava na academia de ginástica. O sargento, que serve no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), foi substituído por um cabo. Momentos depois, aconteceu a explosão. Ouvido como testemunha, o sargento deve ter a prisão disciplinar determinada nas próximas horas.
Até a noite desta sexta-feira, cinco PMs - dois cabos e três soldados lotados nos batalhões BP-Choque, 3 (Méier), 17 (Ilha do Governador), 23 (Leblon) e Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) - envolvidos na segurança do bicheiros permaneciam presos.
Envolvido numa disputa pelo controle da máfia de bingos e caça-níqueis na Zona Oeste, Rogério Andrade mantinha como única rotina diária as idas à academia de ginástica localizada próxima de casa, no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com investigadores, ele costumava andar sozinho no Corolla, que tinha blindagem nível 4, capaz de conter tiros de fuzis. Os seguranças, todos PMs, seguiam o contraventor em dois veículos Vectra. Submetido a uma cirurgia no Hospital Barra D'Or, ele recebeu alta ontem à tarde, retornando à casa, escoltado por policiais civis.



 


 

quinta-feira, 25 de março de 2010

JUSTIÇA - Ex-ministro da Saúde Humberto Costa é inocentado


O secretário de Cidades de Pernambuco, Humberto Costa, foi inocentado, hoje, pelo Tribunal Regional da 5ª Região da acusação de ter participado da Máfia dos Vampiros.
Costa havia sido indiciado pelo Ministério Público por participação no esquema enquanto ministro da Saúde, entre 2003 e 2005.
O mesmo Ministério Público divulgou parecer onde reconhecia não haver provas do envolvimento de Costa na operação.

 


 

sábado, 13 de março de 2010

EUROPA/MÁFIA - Líder da Camorra é detido perto de Nápoles

Um líder da Camorra napolitana, Sebastiano Tutti, foi detido neste sábado em um apartamento do centro de Torre del Greco, no sul de Nápoles, anunciou a polícia napolitana.
Tutti era procurado desde 2007 e, segundo os investigadores, tinha mudado de endereço várias vezes nos últimos três anos. Ele ainda dormia quando a polícia invadiu sua casa e não resistiu à prisão.
Segundo os investigadores, o chefe mafioso teria matado, em maio de 2009, um rival, Gaetano Di Gioia, deixando o filho deste gravemente ferido. Ele também é acusado de extorsão e roubo.
AFP