Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

CACHOEIRODUTO - Câmara e Senado reúnem assinaturas para abertura de CPI

Comissão Parlamentar de Inquérito vai investigar operação de Carlinhos Cachoeira

Isabel Braga
Maria Lima


Parlamentares da oposição exibem assinatura para a abertura da CPI mista de Cachoeira
Ailton de Freitas / O Globo

BRASÍLIA – Certos de que a CPI mista de Carlinhos Cachoeira vai provocar estragos imprevisíveis no governo, no PT, em outros partidos, nos governos estaduais e podendo até chegar ao ex-presidente Lula, os líderes do PMDB seguraram até o último minuto o apoio do partido. No final, carimbaram a criação da comissão, considerada explosiva e incontrolável, como uma iniciativa exclusiva do PT. Numa cena inusitada na Secretaria Geral da Mesa da Câmara, expoentes do PT, ao lado de líderes de PSDB e DEM — principais partidos de oposição — comemoravam, por volta das 20h30m desta terça-feira, o sucesso na contagem de assinaturas coletadas: 272 deputados, 101 a mais do que o mínimo de 171.

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No Senado, o líder da bancada do PT, Walter Pinheiro (BA), também comemorou as 67 assinaturas de senadores, 40 a mais do que o mínimo necessário no requerimento de criação da CPI.

Ainda nesta terça-feira à noite, outros líderes na Câmara apresentaram novas assinaturas e o requerimento de criação da CPI já contava com apoio de mais de 340 deputados, estabelecendo uma situação inédita: a união de partidos governistas e de oposição em defesa de uma mesma CPI. As assinaturas podem ser retiradas até algumas horas antes da instalação da comissão, sem data ainda prevista.

A bancada de deputados do PT contribuiu com o maior número de assinaturas: 78 de um total de 85 deputados. Dois petistas, o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e o líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), alegaram impedimento por causa das funções que ocupam. Quatro estavam fora de Brasília e apenas um, presente na Câmara, não quis assinar, o paranaense André Vargas — mais tarde, disse que assinaria.

Foi diante desse cenário de empolgação dos petistas com a CPI do Cachoeira que o PMDB traçou sua estratégia de demarcar terreno nessa disputa, deixando claro que foi o PT quem quis criar a CPI. Para marcar ainda mais o distanciamento do partido com o assunto, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), comunicou que vai se licenciar por 15 dias, em função de doença, que o levou a ser internado em São Paulo para desobstrução de uma artéria.

Os líderes do PMDB contam que em reuniões alertaram o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), sobre os riscos de uma CPI. Ele, por sua vez, repetiu, que da, presidente Dilma Rousseff, ouviu que não haveria nenhuma orientação. Nesta terça-feira, antes de liberar a bancada, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), voltou a se reunir com Romero Jucá (PMDB-RR), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Braga, que manteve a posição do Planalto.

— Não botem no colo do PMDB uma responsabilidade que não é dele. O PMDB não é protagonista disso e não inventou essa CPI — disse Eunício.

— Na reunião com Sarney e os líderes, alertei que essa seria a CPI mais sangrenta da história do Congresso. Por que vamos puxar um problema que é da Justiça para o Congresso? — emendou o presidente do PMDB, senador Waldir Raupp (RO).

Até no PT tem engrossado o coro dos cautelosos, além de Jorge Viana(AC), Delcídio Amaral (MS) e Humberto Costa (PE), que têm se posicionado contra. Um deles lamentou que os líderes do partido estejam levando a ferro e fogo uma vontade do ex-presidente Lula, sem medir as consequências:

— Essa orientação de Lula, incendiando a CPI, foi um grande erro e pode ser uma grande tragédia para o governo e para o PT .

O objetivo da CPI é investigar as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. E segundo o líder petista no Senado, o requerimento de criação deve ser protocolado amanhã.

— Da nossa parte não tem recuo nenhum — afirmou Walter Pinheiro.

A oposição, por sua vez, decidiu mostrar que o grupo está determinado a levar adiante a CPI. Em ato no qual participaram deputados e senadores de PSDB, DEM e PPS, foi anunciado que a oposição assinaria, em peso, o requerimento.

— Vamos cobrar para que essa CPI não termine em pizza. Se depender da oposição, vamos apurar doa a quem doer. Somos minoria, mas tudo passa pela contundência dos fatos — disse o líder do DEM, ACM Neto (BA).

— Esperamos que não haja nenhum tipo de manobra para impedir a investigação — emendou o deputado Bruno Araújo (PE) , líder do PSDB.




Fonte O GLobo http://oglobo.globo.com/pais/camara-senado-reunem-assinaturas-para-abertura-de-cpi-4673668#ixzz1sOjio8PV

terça-feira, 17 de abril de 2012

CACHOEIRODUTO - Delta financiou fazenda do Cachoeira

Empresa de fachada do grupo de Cachoeira comprou terras no DF
Alberto & Pantoja Construções utilizou parte dos recursos para comprar fazenda em Brasília
Fabio Vasconcellos

No endereço onde funcionaria a Brava Construções e a Alberto & Pantoja Construções, na verdade, funciona há dois anos uma oficina de lanternagem
O Globo / Sergio Marques


RIO
- Financiada principalmente por repasses feitos pela Delta Construções que somam R$ 39 milhões, uma das três empresas de fachada controladas pelo grupo liderado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Alberto & Pantoja Construções, utilizou parte dos recursos para comprar uma fazenda de 4.093 hectares em Brasília. A fazenda Gama custou R$ 2 milhões e estava em situação irregular. O negócio, em dezembro de 2010, chamou a atenção porque, segundo a Polícia Federal, “tratava-se de contrato de risco, uma vez que não existia registro da área nos cartórios do Distrito Federal e a propriedade da área também era questionada pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap)”.




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A Alberto & Pantoja Construções e a Brava, outra empresa do grupo de Cachoeira citada no inquérito, têm o mesmo endereço em Brasília - onde funciona uma oficina mecânica. No relatório da Operação Monte Carlo, a PF diz que a Fazenda Gama foi paga pela empresa Alberto & Pantoja, que recebeu milhões da Delta entre 2010 e 2011. A Pantoja era controlada por Geovani Pereira da Silva, identificado como tesoureiro de Cachoeira. Com base nas intercepções telefônicas e na quebra de sigilo fiscal, a PF descobriu que Geovani fez diversos repasses para servidores públicos e empresários. Três empresas, ligadas a um único empresário, receberam R$ 483 mil como parte do pagamento na venda da Fazenda Gama. Cachoeira incluiu ainda um avião Cessna como parte da transação.

Como O GLOBO mostrou domingo, o relatório da PF afirma que Geovani Pereira fez 113 saques em dinheiro, totalizando R$ 11 milhões. O dinheiro saiu das contas das empresas ligadas a Cachoeira entre 13 de agosto de 2010 e 18 de abril de 2011, e da própria conta pessoal de Geovani.

Nesta segunda-feira, o desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, atendeu a pedido dos advogados de Cachoeira para transferi-lo do presídio de Mossoró (RN) para Brasília. Segundo a advogada do bicheiro, Dora Cavalcanti, a transferência deve ser nesta terça ou quarta-feira. Ele está preso desde 28 de fevereiro.

Pressão para legalizar a terra
A aquisição da Fazenda Gama foi feita por Cachoeira, Claudio Abreu - diretor da Delta na época - e Rossini Aires Guimarães. Após a aquisição, a PF identificou, em intercepções telefônicas, um esquema para registrar a fazenda no Incra, no Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e na Terracap, do Distrito Federal. O ex-funcionário da Terracap Rodrigo Mello conversou diversas vezes com Gleyb Ferreira, um dos integrantes do grupo de Cachoeira. Pelas investigações, a PF concluiu que Gleyb repassou R$ 25 mil a um servidor que teria ajudado na regularização da fazenda. Ao “Correio Braziliense”, Rodrigo negou ter recebido dinheiro de Gleyb.

Em outra gravação, Cachoeira reclama com Gleyb da demora do Ibram. Segundo a PF, não foi possível identificar o servidor, mas há citação do pagamento de R$ 40 mil. Com a demora dos documentos, Cachoeira cobra:

— Qual que é o prazo agora que eles (Ibram) pediram? — diz Cachoeira.

— Agora vai lá pra dentro, né ? Ele deve dar uma andada o mais rápido possível pra subir os trem (sic) aqui. Se lembra aquele dia, demorou quatro dias pra subir porque não tinha pasta dentro do órgão pra subir a documentação — responde Gleyb.

— Pois é, mas nós não estamos pagando o cara lá com esse trem, uai? O que, que demora é essa? — devolve Cachoeira.

— Tamo (sic) pagando para aprovação, o andar, o tramitar, é todo mundo lá, né? — retruca Gleyb.

Depois das revelações da Operação Monte Carlo, a Delta informou que o ex-diretor Claudio Abreu foi afastado. A Delta não respondeu sobre a compra da Fazenda Gama.



Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/empresa-de-fachada-do-grupo-de-cachoeira-comprou-terras-no-df-4664929#ixzz1sIWOIOh7

terça-feira, 10 de abril de 2012

CACHOEIRODUTO - Ex-Ministro da Justiça de Lula pede libertação de contraventor

Márcio Thomaz Bastos pede ao STJ libertação de Cachoeira
Ex-ministro da Justiça no governo Lula advogado protocolou um pedido de habeas corpus no STJ
Mariângela Galluci, de O Estado de S.Paulo
 
A defesa do empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pediu nesta segunda-feira, 9, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determine a sua libertação. Preso em fevereiro durante a operação Monte Carlo, Cachoeira está atualmente no presídio federal de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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Advogado do empresário, o ex-ministro da Justiça no governo Lula Márcio Thomaz Bastos protocolou um pedido de habeas corpus no STJ. Cachoeira é investigado por suspeita de comandar uma rede de jogos ilegais com máquinas caça-níqueis no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará.

A defesa do empresário já tentou outras vezes libertá-lo da prisão, mas até agora não obteve sucesso. Em março, o Tribunal Regional Federal (TRF) rejeitou um pedido de soltura de Cachoeira. O Ministério Público Federal posicionou-se contra o requerimento argumentando que a prisão era necessária para garantir a ordem pública.

O Ministério Público também alegou que a suposta exploração de jogos ilegais teria ocorrido de forma contínua ao longo de mais de uma década. Se não conseguirem convencer o STJ a soltar o empresário, os advogados poderão ainda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
 
No STF já tramita um inquérito para apurar o suposto envolvimento de parlamentares com Cachoeira. Um dos investigados é o senador Demóstenes Torres (GO). No final de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski determinou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes Torres. Ele também pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que remeta a relação de emendas ao Orçamento apresentadas pelo congressista. 

Fonte Estadao

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CACHOEIRODUTO - TODOS políticos importantes de Goiás tiveram relação com Cachoeira, diz Perillo

A operação Monte Carlo da Polícia Federal, que escancarou as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, mostrou também suas ligações com políticos de Goiás. Reportagens de ÉPOCA, como O legislador e o fora da lei e O alvo deles era Dilma, revelaram que as negociatas de Cachoeira envolviam muito dinheiro e tinham grandes ambições, como influenciar decisões da Presidência da República. Aos poucos, novas informações devem surgir e os políticos goianos, em particular, devem se tornar alvo. É possível inferir isso a partir de entrevista do governador de Goiás, Marconi Perillo, ele próprio envolvido na polêmica por conta das ligações de sua chefe de gabinete com Cachoeira.

Em entrevista ao Estadão, Perillo admitiu que “todos políticos importantes do Estado tem ligações com Cachoeira“. Perillo fez a declaração ao responder ao jornal se não percebeu a proximidade de Cachoeira com o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido).
Uma campanha como a que disputamos é tão difícil e corrida que mal dá para conversar. O Demóstenes sempre andava com um carro atrás do meu e fizemos poucos comícios. Sinceramente, não conversávamos sobre esses assuntos. Mas é importante dizer que numa hora como essa não dá para haver hipocrisia. Todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com o Carlos Ramos, como empresário. Ele é dono de indústria de medicamentos em Anápolis, que se relacionou muito tempo com várias personalidades da sociedade goiana.

De acordo com Perillo, ele e Cachoeira se conheceram por intermédio de Fernando Cunha, seu ex-secretário de governo, cujo filho era casado com uma irmã do Cachoeira. Segundo Perillo, ele teve encontros “esporádicos” com Cachoeira, nos quais o empresário pediu apoio do governo para a obtenção de incentivos fiscais para a ampliação de empresas e de empregos, uma área “em que todos os empresários têm direito. O governador de Goiás disse ainda estar “muito tranquilo” pois “assegura” que “jamais houve qualquer omissão do governo goiano em relação a ilícitos.”

Fonte Revista Época

terça-feira, 3 de abril de 2012

NADARAM NA CACHOEIRA - Polícia Federal afirma que INCRA recebeu propina

PF afirma que Cachoeira pagou propina para Incra regularizar fazenda

Escutas telefônicas apontaram que grupo do empresário teria pago R$ 200 mil para liberação de registro da propriedade

SÃO PAULO - Os grampos efetuados pela Polícia Federal e que estão servindo como provas contra o senador Demóstenes Torres (DEM) por ligações com o contraventor Carlos Cachoeira revelaram também que um grupo do empresário negociou propina no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para regularizar uma fazenda nos arredores de Brasília. A investigação mostra que haveria um repasse de R$ 200 mil para liberação do registro da propriedade, chamada Gama, segundo revelou nesta terça-feira, 3, o jornal Folha de S.Paulo.

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O relatório da operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado, descreve como "veementes os indícios da corrupção de servidores públicos em troca das liberações e assinaturas necessárias para regularização da área". O nome do superintendente do Incra, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, foi mencionado no relatório que o cita como envolvido com o grupo de Cachoeira.

As gravações mostram que Cachoeira e o empresário Cláudio Abreu, ex-diretor de empresa suspeita de integrar a quadrilha, compraram, em 2010, cerca de 35% da fazenda por R$ 2 milhões. A PF considerou o preço baixo do cobrado no mercado e atribuiu a baixa à irregularidade do terreno.

Ainda de acordo com a polícia, a finalidade da compra foi obter lucro com a revenda depois da regularização. "O motivo de negociar parte da área por valor tão baixo assenta-se no fato de 'quem' são as pessoas dos compradores e o que elas podem fazer para viabilizar a regularização da referida fazenda", revelou a PF.

Para a PF, a origem dos recursos é uma empresa usada pelo grupo de Cachoeira para lavagem de dinheiro. "O valor pago pelo grupo é irrisório acaso a área venha a ser registrada e regularizada", pontuou a polícia ao sublinhar o lucro potencial do negócio.

A regularização da área dependia de um registro do Incra chamado de georreferenciamento. Ele foi realizado 8 dias após as negociações com a participação do dirigente do Incra no DF. Em gravação telefônica, Gelyb Cruz, braço direito de Cachoeira, disse que tinha informado o empresário do compromisso que teria sido assumido pela superintendência do Incra. "A gente tá com uma pessoa que pode estar alinhada, de peso (..), que é o superintendente do Incra", afirmou Cruz durante a gravação.

Outro lado. O superintendente do Incra no DF, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, rechaçou qualquer relação com o grupo de Cachoeira e disse que abrirá sindicância no órgão para apurar o caso. "Eles nunca foram atendidos no meu gabinete", defendeu-se.

Rocha ratificou que registro foi concedido pelo Incra, mas disse que ele poderá ser cancelado. O Incra, antes, fará uma vistoria "in loco" na fazenda Gama para averiguar se a documentação da área teve despacho regular.


Fonte Estado

sexta-feira, 30 de março de 2012

SENADOR INVESTIGADO - STF autoriza quebra do sigilo bancário de Demóstenes Torres

Ministro pediu a Sarney que envie a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes Torres

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

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André Dusek/AE
Demóstenes será investigado por amizade com Carlinhos Cachoeira

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra do sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e de outros investigados por suspeita de envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por exploração de jogos ilegais em Goiás. Lewandowski abriu um inquérito no STF e autorizou uma série de diligências que tinham sido requeridas na terça-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Além da quebra de sigilo, Lewandowski determinou a expedição de um ofício ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que remeta a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes Torres. Ele também requereu a alguns órgãos (cujos nomes não foram divulgados) que encaminhem cópias de contratos celebrados com empresas mencionadas em conversas gravadas pela Polícia Federal.

terça-feira, 13 de março de 2012

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - Ex-prefeitos condenados a devolver R$ 707.399

Chefes do executivo de Teresópolis, Mário Tricano e Roberto Petto vão ter que ressarcir os cofres públicos por aumento indevido dos próprios salários em 71,43%


Rio - Condenados por improbidade administrativa em ação civil pública, iniciada em 2001, os ex-prefeitos de Teresópolis Mário Tricano e Roberto Petto terão que devolver à prefeitura da Região Serrana R$ 707,3 mil. A quantia refere-se à diferença dos valores recebidos a mais durante a vigência de uma lei de sua autoria, no ano de 2000, que aumentou o próprio salário e do seu vice em 71,43%.

Os dois terão 15 dias a partir da notificação para acertar as contas com os cofres públicos, sendo R$ 508,4 mil para Tricano (PP) e R$ 199 mil para Petto (PMDB), vice de Tricano à época. Em caso de descumprimento da decisão judicial terão que arcar com multa de 10% sobre o valor.

Na sentença, a desembargadora Maria Inês da Penha Gaspar da 17ª Câmara Cível. considerou a atitude antiética e afirmou que Tricano feriu o “princípio da moralidade administrativa”quando alegou falta de recursos para aumentar os salários dos servidores há seis anos sem reajuste, mas aceitou a correção dos seus vencimentos e do vice-prefeito, Petto, que depois se elegeu prefeito de Teresópolis. Não cabe mais recurso por decisão do Superior Tribunal de Justiça.

MÁFIA DO BICHO
Tricano também é acusado de envolvimento com a máfia do jogo do bicho. Ele foi apontado pela Corregedoria da Polícia Civil como chefe da contravenção em Teresópolis. No final do ano passado, dos 60 acusados de contravenção que tiveram a prisão preventiva decretada, Tricano foi o único capo detido, na operação Dedo de Deus. Preso em Bangu, Tricano beneficiado por um habeas corpus para responder o processo em liberdade. No mesmo processo foi concedida também liminar a Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho da Grande Rio, e ao presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David.


Fonte O Dia


domingo, 26 de fevereiro de 2012

OPERAÇÃO BLACK OPS - Atletas são denunciados à Justiça por contrabando. Ação criminal contra 90 é extinta

Para MPF, Diguinho e Emerson também poderão responder por lavagem de dinheiro

POR Gabriela Moreira

Rio - Os jogadores de futebol Diguinho, do Fluminense, e Emerson, do Corinthians, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por contrabando e lavagem de dinheiro, pela compra de uma BMW X6 branca importada ilegalmente dos EUA. A decisão, que será apreciada pela Justiça Federal, pode trazer problemas ao Tricolor das Laranjeiras e Alvinegro do Parque São Jorge (SP).

Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Caso se tornem réus no processo, os jogadores só poderão deixar o País com autorização judicial. Ou seja, terão de pedir permissão para jogarem as partidas no exterior pela Taça Libertadores, assim como caberá à Justiça a autorização para possíveis transferências para clubes estrangeiros.
Fora das quatro linhas, a vida dos atletas poderá ficar ainda pior. Em caso de condenação, a pena para ambos os crimes é de prisão, de no mínimo quatro anos, podendo chegar a 14 anos. A denúncia foi feita na semana em que o Fluminense se classificou para a final da Taça Guanabara, hoje.

Como O DIA publicou com exclusividade em dezembro, Emerson e Diguinho criaram uma ‘cadeia artificial de compra e venda’ do veículo, segundo o processo, chegando a emitir cinco notas fiscais entre eles e a loja que importou a BMW, a Euro Imported Cars, do bicheiro Haylton Scafura, foragido da Justiça.
Foto: Carlos Moraes e Rafael Neddermeyer / Agência O Dia
Foto: Carlos Moraes e Rafael Neddermeyer / Agência O Dia

CONTRADIÇÃO
Em depoimento, eles caíram em contradição. Emerson colocou a culpa pela compra do carro num vendedor de Vila Isabel e disse ter falado com Diguinho após o carro ter sido apreendido pela PF apenas por mensagem de texto. Já Diguinho declarou que falou por telefone com o colega do Corinthians e os dois se encontraram e conversaram sobre a apreensão.

As investigações mostraram ainda que Emerson fez um depósito diretamente na conta da empresa do israelense Jehuda Kazzab, morador de Miami, nos Estados Unidos, e que é réu no processo. De acordo com a denúncia, Jehuda, conhecido como Udi, teria se associado à quadrilha do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, e do filho dele, Haylton Escafura.

A BMW de Emerson e Diguinho teria sido trazida de forma ilegal para o País, pela máfia dos caça-níqueis, em associação com uma quadrilha israelense.

TRANSAÇÕES
No Brasil, a BMW X6, quando zero, é avaliada em cerca de R$ 300 mil, mas foi declarada por Emerson por R$ 200 mil. Após três meses com o carro, o atleta vendeu o bem para Diguinho, alegando à Justiça que não gostou da cor do estofado. Confira a transação que foi feita entre eles:

29/10/2010 — Emerson compra a BMW da Rio Bello por R$ 200 mil (Nota Fiscal 12).
20/12/2010 — Ele devolve o carro à loja e recebe a quantia de R$ 160 mil (Nota Fiscal 30). No mesmo dia, Diguinho compra a BMW por R$ 200 mil (Nota Fiscal 31).
10/01/2011 — Ele devolve o carro (Nota Fiscal 34). Horas depois, compra novamente (Nota Fiscal 35).

No processo, os advogados de Diguinho disseram que a BMW foi comprada em março passado, por R$ 315 mil. Segundo investigações, esta não foi a primeira compra irregular de Emerson. O corintiano ainda comprou um Camaro e um terceiro carro motor V8, modelo não identificado.

Ação criminal contra 90 é extinta
A BMW de Diguinho e Emerson foi apreendida na Operação Black Ops, da PF, com outros 102 carros, em outubro. Mas, semana passada, a 3ª Vara Criminal Federal extinguiu a ação penal contra 90 desses proprietários. Segundo a decisão, a extinção foi provocada pela ausência de denúncia contra eles, a maioria moradora de outros estados.

O MPF afirma que a competência da denúncia contra estes proprietários é da Justiça dos estados de origem. Além disso, o MPF aguarda o fim da ação administrativa da Receita Federal, contra os donos dos veículos. Os carros não serão liberados enquanto a Receita não finalizar a ação, que pode decretar a perda dos bens.

Fonte O Dia  
   

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FRAUDE - Escola de samba prestou contas com nota falsa

Documento, segundo inquérito do MP, é de empresa de Minas Gerais que na época já estava fechada
Chico Otávio
Aloy Jupiara
Carolina Heringer

RIO - Na prestação de contas do dinheiro recebido da prefeitura para o desfile do Grupo Especial em 2010, a escola de samba União da Ilha apresentou uma nota fiscal de R$ 285 mil que é falsa, segundo revela inquérito que apura irregularidades nos contratos de carnaval entre a Riotur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).

A nota, a de valor mais elevado entre as despesas declaradas pela agremiação, que totalizaram R$ 752 mil, foi emitida em 10 de maio de 2010 pela Brasil Company Indústria e Distribuidora de Embalagens, de Cambui (MG). Consultada pelo Ministério Público, a Secretaria de Fazenda de Minas Gerais informou que a empresa estava com o cadastro suspenso desde 30 de abril de 2010, “por motivo de desaparecimento do contribuinte”. A nota foi emitida dez dias depois de a empresa ter sido considerada oficialmente fechada.

O MP investiga ainda o porquê de a nota ser de data posterior ao carnaval de 2010, realizado em 14 e 15 de fevereiro. Além disso, informou o órgão, há “diferenças gritantes” entre as notas autorizadas pela Secretaria de Fazenda e a entregue pela União da Ilha na prestação exigida pela Riotur. A nota lista o fornecimento de nylon, cetim, organza, pluma, lantejoula e outros materiais à escola. Ela é um dos exemplos apontados por promotores de descontrole dos gastos no carnaval.

No período de 26 de julho a 6 de agosto de 2010, a Riotur esteve sob inspeção ordinária do Tribunal de Contas do Município (TCM). No relatório final dos fiscais, que levou ao arquivamento do processo com recomendações ao órgão municipal, não há qualquer referência à nota falsa nas prestações de contas das escolas de samba (cada agremiação recebeu R$ 750 mil da prefeitura para o carnaval).

Procurado, o TCM respondeu que “não vai mais se pronunciar sobre o assunto”. O tribunal está entre os órgãos que recebem camarotes no desfile do Grupo Especial, como prevê o termo de cessão do Sambódromo assinado entre a Liesa e a Riotur.

Presidente da Ilha não dá explicação
O presidente da União da Ilha, Ney Fillardis, não soube explicar o porquê de a nota apresentada pela agremiação ser de uma data em que a empresa emissora não estava mais legalmente funcionando. Além disso, Fillardis se eximiu de responsabilidade pelo documento falso.

-— Ninguém tem aquele cuidado de ir na origem para saber se a nota é boa ou não. Quando você compra, não procura saber a procedência. O problema da nota fiscal ser boa ou não é secundário. Nós só ficamos sabendo em casos como esse, que o MP descobriu. Quem compra, quem paga está sujeito a isso. Em sendo fria a nota fiscal, alguém cometeu crime. Mas garanto que nem eu nem ninguém da minha diretoria cometemos crime.

Diante de casos como o da Ilha, o MP perguntou se o TCM verificava a idoneidade das notas apresentadas. De acordo com o MP, o tribunal respondeu que apenas confere o valor total da verba com o das notas apresentadas, o que foi considerado insatisfatório pela promotoria.

Sobre a data da emissão do documento, quase três meses depois do carnaval, Ney Fillardis garantiu que sua escola não recebe notas após a compra da mercadoria. Perguntado sobre o fato de uma nota emitida em maio ter sido apresentada para justificar os gastos do carnaval, ele admitiu que “esse detalhe” pode ter passado sem que ninguém percebesse.

Representantes da Brasil Company não foram localizados pelo GLOBO para explicar a nota.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/escola-de-samba-prestou-contas-com-nota-falsa-3764715#ixzz1kYLWhOeg
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BICHEIROS - Dirigentes da Liesa se reúnem para discutir repressão a bicheiros

Ação policial provoca crise entre presidentes das escolas de samba
O Globo
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O bicheiro Anísio, da Beija Flor, no momento de sua prisão, na semana passada, em CopacabanaThiago Lontra / Extra / O Globo
RIO - A repressão ao jogo do bicho causou uma crise dentro da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), com alguns de seus principais líderes foragidos da Justiça desde a Operação Dedo de Deus, realizada em dezembro, e com o sigilo bancário e fiscal da própria entidade e de seis escolas de samba quebrado, por suspeita de lavagem de dinheiro. Em meio às denúncias, nesta segunda-feira dirigentes das 13 agremiações do Grupo Especial se reuniram, num encontro de emergência. E, embora oficialmente eles tenham afirmado que tratariam apenas de questões relacionadas ao regulamento dos desfiles, nos bastidores do carnaval se comentava que poderiam sair dali retaliações e protestos contra as prisões e investigações sobre os bicheiros ligados às agremiações.

Uma das hipóteses levantadas era que os desfiles do domingo e de segunda-feira de carnaval pudessem ser atrasados, em protesto contra as ações da polícia.

As investigações eram tema das conversas entre os dirigentes das escolas antes da reunião desta segunda-feira, na sede da Liesa, no Centro. Mas eles negavam que o assunto seria tratado no encontro.

— Vim falar de carnaval, não vou misturar as coisas — disse Jorge Castanheira, presidente da Liesa, que também saiu em defesa do bicheiro Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor, preso em Bangu 2. — É uma pessoa que faz falta, que vive pelo carnaval e por sua comunidade.

Na saída da reunião, que durou cerca de duas horas e meia, Castanheira voltou a rechaçar as denúncias e a defender a imagem de Anísio como gestor de carnaval. Negou mais uma vez ter tratado de assuntos policiais no encontro e disse que as contas da Liesa estão à disposição para investigação. Na pauta, garantiu o presidente da liga, estavam apenas temas ligados ao regulamento e aos jurados.

Nesta segunda-feira também, a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) divulgou fotos de Anísio. Ele foi preso, na última quarta-feira, por agentes da Corregedoria de Polícia na Rua Joaquim Nabuco, esquina com a Avenida Atlântica, em Copacabana. O bicheiro é um dos integrantes do conselho superior da Liesa, assim como Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense, que está foragido.

Outro foragido é Hélio de Oliveira, o Helinho, presidente da Acadêmicos do Grande Rio e vice-presidente do conselho deliberativo da Liesa. Sem o dirigente, a agremiação foi representada na reunião por seu diretor de carnaval, Milton Perácio. Os presidentes que compareceram negaram a possibilidade haver retaliações no carnaval



Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/dirigentes-da-liesa-se-reunem-para-discutir-repressao-bicheiros-3687959#ixzz1jicHTgmw
    

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

BICHEIROS NO RIO - Nove acusados por envolvimento com o jogo do bicho seguem foragidos

Por Adriana Cruz, Bruno Menezes, Maria Inez Magalhães e Vânia Cunha
Rio - O contraventor Aniz Abraão David, o Anísio, 75 anos, presidente de honra da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, foi preso nesta quarta-feira em Copacabana, Zona Sul. Ele e o policial civil que fazia sua escolta foram presos em flagrante por formação de quadrilha armada. Agentes da Corregedoria da Polícia Civil (Coinpol) prenderam Anísio com base em decisão do desembargador Paulo Rangel no processo que o bicheiro responde com outros 60 réus por contravenção e formação de quadrilha. Com os presos, a polícia apreendeu R$ 7 mil e 180 dólares.

>> FOTOGALERIA: Contraventor é capturado pela Polícia Civil

Anísio era escoltado por policial civil quando foi preso | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia

Rangel revogou os habeas corpus no recesso da Justiça. Só Anísio havia sido preso até a noite desta quarta-feira. Outros nove acusados, como Luiz Pacheco Drummond, o Luizinho, patrono da Imperatriz Leopoldinense; Helio de Oliveira, presidente da Grande Rio; Yuri Soares, filho do presidente de honra da Grande Rio, Jayder Soares; e o ex-prefeito de Teresópolis Mário Tricano continuavam foragidos. Para o desembargador, após as concessões de pedidos de liberdade, como a do Helinho da Grande Rio, a polícia apreendeu quase R$ 4 milhões, o que reforçaria o poderio financeiro do grupo.

O trabalho faz parte da operação Dedo de Deus, da Coinpol, realizada em dezembro que resultou no processo que os chefões respondem.

Quando foi preso nesta quarta-feira, Anísio disse que seguia para clínica onde seria submetido a exames. Ele foi interceptado pela polícia em um Renault Sandero preto em que estava com o policial civil Pedro Cardoso de Almeida, lotado na Delegacia de Roubos e Furtos, mas que estava de licença-prêmio e o funcionário aposentado do Ministério da Saúde Maurício de Oliveira.

Flagrante

Pedro é irmão de Paulo de Almeida, ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Segundo a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, com base na presença do policial, ele foi autuado em flagrante: “O policial estava armado e escoltava um procurado, com mandado de prisão. Isso configura a formação de bando armado”.

Imagem mostra o momento da prisão do bicheiro, que aparece de azul no carro | Foto: Agência O Dia

O advogado de Anísio, Ubitaran Guedes, criticou a prisão: “Anísio é o glacê do bolo que a polícia fez. A prisão é injusta e desnecessária. É um homem de 75 anos e, para estar foragido, só se for em clínica geriátrica”, disse.

Anísio ficará em hospital penitenciário de Gericinó
Anísio passou o dia na Corregedoria da Polícia Civil, onde foi diagnosticado com arritmia cardíaca por junta de peritos e diretoria do hospital da instituição. Devido ao problema, Anísio ficará preso no hospital penitenciário no Complexo de Gericinó como determinou o desembargador Paulo Rangel. “Queria saber que mal eu fiz à essa cidade”, reclamou Anísio.

Há informações de que o contraventor iria esse mês aos Estados Unidos para tratar o ouvido. A polícia apreendeu ficha do Air Resort Casino Las Vegas em nome do preso no valor de 2 mil dólares. A polícia esteve em Búzios, um dos 30 endereços de Helinho. Para evitar que saiam do País, a Polícia Federal foi acionada. Martha Rocha disse que as ações contra o bicho não são retaliações e que a prisão de um policial é sempre desagradável. “Mais desagradável é ver policial no crime sem ser preso”, completou.

Com Pedro foi apreendida uma pistola 9 milímetros da Polícia Civil, munição, carregadores, carteira de diretor da Beija-Flor em nome dele e celulares.

Habeas corpus durante recesso judicial
A decisão do desembargador Paulo Rangel colocou por terra os habeas corpus concedidos no recesso da Justiça pelo plantão. Helinho da Grande Rio, que estava foragido, ganhou a liberdade em decisão do desembargador Sidney Rosa. Já Mário Tricano, Anísio e Luizinho conseguiram o mesmo direito com o desembargador André Melentovytch.

Para Paulo Rangel, que havia negado habeas corpus antes do recesso, as decisões não poderiam ser tomadas no plantão. No caso de Anísio, o desembargador entendeu que ele não estava sendo constrangido pela polícia e rechaçou a tese de defesa que alega que o contraventor está doente para mantê-lo solto. “Quem está com a saúde prejudicada deve estar no hospital e não fugindo da polícia”, afirmou. Agora, a 3ª Câmara Criminal vai julgar se a decisão de Paulo Rangel vai seguir em vigor.

Condenado com a cúpula do jogo

O indiciamento por formação de quadrilha de acusados de envolvimento com o jogo do bicho não é novidade. Em decisão histórica, a juíza Denise Frossard condenou 14 integrantes da cúpula da contravenção, em 1993. No grupo que foi algemado e sentenciado à pena máxima de seis anos de prisão, estavam Anísio, Antônio Petrus Kalil, o Turcão, e Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães.

Ano passado, a Justiça condenou 24 acusados por formação de quadrilha armada, contrabando e corrupção, todos denunciados na Operação Alvará, em 2010. Entre os condenados está Wilson Vieira Alves, o Moisés, ex-presidente da Escola de Samba Vila Isabel.

Em dezembro, a Operação Dedo de Deus voltou a desbaratar esquema de jogo do bicho, quando agentes da Polícia Civil foram às ruas para tentar cumprir 60 mandados de prisão, inclusive, contra a cúpula da contravenção no estado.

sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/GUERRA DO BICHO - Atentado a bomba contra bicheiro Rogério Andrade na Barra provoca devassa na PM do Rio


Sérgio Ramalho - O Globo

A participação de cinco policiais militares na escolta do contraventor Rogério Andrade, de 47 anos, vai levar a Corregedoria Interna da corporação a deflagrar nos próximos dias uma ação para prender outros PMs envolvidos na segurança do bicheiro e de seu esquema de exploração de bingos e caça-níqueis, na Zona Oeste do Rio. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, "quem trabalha para criminoso, criminoso é". Alvo de um atentado a bomba que resultou na morte do filho, Diogo, de 17 anos, quinta-feira, na Barra da Tijuca, Rogério quer proteção do estado.
Nesta sexta-feira, a Polícia Civil solicitou por meio do Consulado dos EUA ajuda da Agência Americana para Álcool, Tabaco, Armas e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) para tentar identificar o tipo e a origem da substância usada no artefato detonado no Corolla blindado usado pelo contraventor.
(Vídeo mostra os momentos seguintes ao atentado) (Veículos ficaram totalmente destruído. Veja as imagens) A perícia preliminar já descartou a hipótese de a explosão ter sido causada pela deflagração de uma granada. Policiais envolvidos na investigação acreditam que a bomba tenha sido feita com explosivo plástico, supostamente C4, ou mesmo TNT, instalada sob o assoalho do lado do motorista e detonada por um timer ou por meio de um telefone celular:
- Certo, por enquanto, é que a bomba foi feita por um especialista, provavelmente com experiência militar - disse um dos policiais da Divisão de Homicídios (DH).
Policiais da unidade confirmaram que o Corolla de Rogério havia sido levado para revisão na semana passada, ficou três dias numa oficina até ser devolvido, dois dias antes da explosão. A versão foi confirmada ao GLOBO pelo advogado Luiz Carlos Silva Neto. Segundo ele, Rogério sempre dirigia o veículo. O que não aconteceu anteontem, quando o filho, que não possuía habilitação, estava ao volante e teve o corpo dilacerado na explosão.
A investigação confirmou que um dos PMs ligados à segurança do contraventor teria saído do serviço no momento em que Rogério estava na academia de ginástica. O sargento, que serve no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), foi substituído por um cabo. Momentos depois, aconteceu a explosão. Ouvido como testemunha, o sargento deve ter a prisão disciplinar determinada nas próximas horas.
Até a noite desta sexta-feira, cinco PMs - dois cabos e três soldados lotados nos batalhões BP-Choque, 3 (Méier), 17 (Ilha do Governador), 23 (Leblon) e Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) - envolvidos na segurança do bicheiros permaneciam presos.
Envolvido numa disputa pelo controle da máfia de bingos e caça-níqueis na Zona Oeste, Rogério Andrade mantinha como única rotina diária as idas à academia de ginástica localizada próxima de casa, no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com investigadores, ele costumava andar sozinho no Corolla, que tinha blindagem nível 4, capaz de conter tiros de fuzis. Os seguranças, todos PMs, seguiam o contraventor em dois veículos Vectra. Submetido a uma cirurgia no Hospital Barra D'Or, ele recebeu alta ontem à tarde, retornando à casa, escoltado por policiais civis.