Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sexta-feira, 20 de abril de 2012

MENSALÃO DO PT - Ato anticorrupção vai cobrar julgamento do mensalão no STF

RODRIGO MESQUITA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Grupos organizados pela internet prometem realizar uma nova série de protestos pelo país no próximo sábado (21), Dia de Tiradentes, contra escândalos de corrupção no Brasil, como o mensalão e o caso Carlinhos Cachoeira.

Os atos repetem manifestações realizadas no ano passado, quando protestos anticorrupção reuniram pessoas nas ruas de algumas cidades.

De acordo com Carla Zambello, do movimento NasRuas, um dos grupos organizadores dos atos deste sábado, os movimentos pretendem coletar assinaturas para um abaixo-assinado que cobra mais agilidade no julgamento do escândalo do mensalão, no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em entrevista à Folha, o novo presidente do STF, Carlos Ayres Britto, disse que o julgamento poderia ser adiado para 2013 caso não entrasse na pauta do tribunal até junho --a partir daí, o período eleitoral poderia atrapalhar o julgamento, já que 6 dos 11 ministros do Supremo também estarão ocupados com o processo eleitoral, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O documento, que já conta com 11,2 mil assinaturas, será entregue no dia 25 de abril ao ministro Ricardo Lewandowski, revisor da ação. Os manifestantes também pretendem entregar ao ministro uma ampulheta.

Em São Paulo, o protesto terá início às 14h30, no vão livre do Masp, na avenida Paulista, enquanto no Rio de Janeiro, a ação será a partir das 11h, no Posto 9, em Ipanema. Também haverá protestos em cidades como Brasília, Curitiba, Manaus, Recife e Campinas.

De acordo com Zambello, os protestos terão duas bandeiras principais: a agilidade no julgamento do mensalão, que recebeu o apelido de "SOS STF", e o fim do voto secreto parlamentar.

Segundo ela, a estimativa é reunir até 10 mil pessoas na avenida Paulista. Nas últimas manifestações realizadas na cidade, porém, a adesão foi bem abaixo da expectativa. No feriado de 12 de Outubro, por exemplo, 700 pessoas participaram do ato, segundo estimativa da Polícia Militar.

"Se as 80 cidades confirmadas realizarem seus protestos, acredito que haverá o julgamento, assim como foi no caso da Lei da Ficha Limpa". Em fevereiro, o STF decidiu pela validade da lei, que vale para as eleições municipais, em outubro.

"Se, em maio, não houver novidades [sobre o julgamento do mensalão], pretendemos realizar ações mais fortes, como passeatas em Brasília", disse Zambello.

Entre as organizações que farão parte dos protestos, estão o movimento 31 de julho (criador do SOS STF), o MuCo (Museu da Corrupção) e o "Queremos Ética na Política", que sugeriu a ideia da ampulheta.

 Eduardo Anizelli - 07.set.2011/Folhapress

Em 2011, vários protestos contra a corrupção foram realizados simultaneamente no dia da Independência

quarta-feira, 18 de abril de 2012

MENSALÃO DO PT II - Ministro Lewandowski do @STF_Oficial receberá manifesto que pede #JulgamentoMensalãoJá . Mais de 10 mil pessoas aderiram à petição #EuAssinei

Lewandowski receberá manifesto que pede julgamento do mensalão
Dez mil pessoas aderiram à petição on-line. Evento recolherá mais assinaturas
Juliana Castro

RIO - Com o objetivo de pedir celeridade no julgamento do mensalão, será entregue no próximo dia 25 ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), um abaixo-assinado feito pela internet e presencialmente por representantes da Transparência Brasil e do grupo Queremos Ética na Política. Neste dia, eles terão uma audiência marcada com o ministro e, na ocasião, vão entregar a ele também uma ampulheta como símbolo de que o tempo para o julgamento do maior escândalo do governo Lula escoa a cada minuto.

Até a tarde de terça-feira, a petição on-line tinha mais de dez mil assinaturas, além de outras três mil presenciais, recolhidas em manifestações pelo Movimento 31 de Julho. No próximo sábado a partir das 11h, os membros do grupo estarão mais uma vez na rua - desta vez, no posto 9, em Ipanema, no Rio de Janeiro - para recolher mais assinaturas. Eventos como este já foram feitos também em outros bairros da cidade, como Copacabana, Lagoa e Leblon. Com a manifestação, o grupo espera que o número de assinaturas ultrapasse 15 mil.

Na manifestação, os integrantes do movimento colocarão no chão, em letras garrafais, o dizer “SOS STF”. Um avião, como aqueles que passam fazendo propaganda pela orla, passará pelas praias com uma faixa onde se lerá “SOS STF – Julgamento do Mensalão Já!”.

- Queremos fazer uma coisa leve. Vamos tocar músicas, para chamar a atenção de quem passa. Faremos apenas pequenas intervenções conclamando às pessoas - disse Marcelo Medeiros, criador do Movimento 31 de Julho.

O grupo espera a presença de alguns artistas como os cantores Fernanda Abreu, Frejat e Tico Santa Cruz, que já participaram de outros atos contra a corrupção, mas ainda não confirmaram a participação neste evento.

Em São Paulo, o Movimento Nas Ruas também fará uma manifestação no dia 21, que acontecerá a partir das 15h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Lá, também haverá recolhimento de assinaturas

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/lewandowski-recebera-manifesto-que-pede-julgamento-do-mensalao-4676150#ixzz1sOqgn7QN

sexta-feira, 30 de março de 2012

SENADOR INVESTIGADO - STF autoriza quebra do sigilo bancário de Demóstenes Torres

Ministro pediu a Sarney que envie a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes Torres

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

Veja também:
Gravações da PF ligam mais dinheiro de Cachoeira a Demóstenes
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PSOL pede cassação ao Conselho de Ética
Base cobra explicações de Demóstenes no plenário
Em meio a denúncias, Demóstenes deixa a liderança do DEM 
 

André Dusek/AE
Demóstenes será investigado por amizade com Carlinhos Cachoeira

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra do sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e de outros investigados por suspeita de envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por exploração de jogos ilegais em Goiás. Lewandowski abriu um inquérito no STF e autorizou uma série de diligências que tinham sido requeridas na terça-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Além da quebra de sigilo, Lewandowski determinou a expedição de um ofício ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que remeta a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes Torres. Ele também requereu a alguns órgãos (cujos nomes não foram divulgados) que encaminhem cópias de contratos celebrados com empresas mencionadas em conversas gravadas pela Polícia Federal.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ELEIÇÕES - Político deverá ter contas aprovadas para se candidatar, decide TSE

Segundo corregedora, 21 mil políticos têm contas reprovadas na Justiça.
Nas eleições passadas, candidato precisava apenas apresentar contas.
Débora Santos
Do G1, em Brasília
Plenário do TSE nesta quinta, quando ministros decidiram barrar candidatos com contas reprovadas em 2010 (Foto: Carlos Humberto./ASICS/TSE)
Plenário do TSE nesta quinta, quando ministros
decidiram barrar candidatos com contas reprovadas
em 2010

(Foto: Carlos Humberto./ASICS/TSE)

Por 4 votos a 3, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quinta-feira (1º) que não poderão concorrer às eleições municipais deste ano os políticos que tiveram a prestação de contas de campanha de 2010 rejeitada pela Justiça Eleitoral. Reprovações anteriores às eleições passadas serão analisadas caso a caso.
O TSE mudou a interpretação da lei eleitoral feita para as eleições de 2010, quando era exigido apenas que o político apresentasse as contas para ter liberado o registro de candidato.

Ao final de cada eleição, os políticos que participaram da disputa são obrigados a entregar à Justiça Eleitoral um relatório do que foi gasto e arrecadado pelo candidato, pelo partido e pelo comitê financeiro. A reprovaçao acontece quando são identificadas irregularidades nessa prestação de contas.
De acordo com a corregedora eleitoral, ministra Nancy Andrighi, 21 mil políticos fazem parte do cadastro de contas reprovadas da Justiça Eleitoral. Nem todos, porém, estarão automaticamente impedidos de concorrer, já que o cadastro inclui reprovações anteriores a 2010.

Com a decisão, o político que estiver em débito com a Justiça no momento do registro não poderá concorrer. Caso as contas sejam apresentadas e a Justiça Eleitoral demore para julgá-las, o candidato poderá concorrer.
Os ministros aprovaram nesta quinta a última resolução do conjunto de regras para a disputa eleitoral deste ano em relação à prestação de contas, arrecadação, gastos de campanha feitos por partidos, candidatos e comitês financeiros. Pela lei, o prazo para aprovar essas normas terminaria em 5 de março.
Esta não é a primeira vez que uma regra semelhante é aprovada pela Justiça Eleitoral. Em 2008, o TSE também considerava inelegíveis os políticos que tiveram contas de campanha reprovadas.
Votaram contra a modificação da regra os ministros Arnaldo Versiani, Marcelo Ribeiro e Gilson Dipp. Eles argumentaram que a Lei das Eleições só se refere à apresentação de contas de campanha e não fala em reprovação. "A lei me parece clara e onde não há espaço para interpretação extensiva o tribunal não pode fazê-lo", afirmou o ministro Marcelo Ribeiro.

Dúvidas
A validade da mudança provocou polêmica no plenário e os ministros chegaram a se reunir em volta do presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, para discutir, fora dos microfones, uma solução diante do impasse. A Justiça terá de analisar caso a caso se a nova regra vale para contas rejeitadas referentes à eleições anteriores a 2010. A maioria dos ministros entendeu que a intenção da Lei das Eleições foi também verificar o conteúdo das contas.
"Aquele que apresente contas, mas foram rejeitas não pode obter a certidão de quitação eleitoral. Devemos avançar, visando a correção de rumos, dando ao preceito uma interpretação integrativa e de concretude maior", afirmou o ministro Marco Aurélio.
"O candidato que foi negligente não pode ter o mesmo tratamento daquele zeloso, que cumpriu, com seus deveres. Assim, a provação das contas não pode ter a mesma consequência da desaprovação", afirmou a ministra Nancy Andrighi.
"Tratar igualmente os que têm contas aprovadas e desaprovadas feriria, a mais não mais poder, o princípio da isonomia", disse o presidente do TSE.

Fonte G1
   

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FOGO AMIGO II- Peluso recebeu R$ 700 mil de passivo trabalhista quando integrava o TJ-SP

Informação foi revelada pelo próprio Supremo Tribunal Federal; em nota, o presidente do STF defendeu o ministro Ricardo Lewandowski, que também foi contemplado com a verba

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) informou que o presidente da Corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, recebeu R$ 700 mil relativos a um passivo trabalhista da época em que ele integrava o Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Numa nota divulgada no início da tarde desta quarta-feira, 21, Peluso defendeu o colega de STF Ricardo Lewandowski, que também foi contemplado com a verba. Na segunda-feira, Lewandowski concedeu uma liminar suspendendo uma investigação da Corregedoria Nacional de Justiça, que faz parte do CNJ, para apurar suspeitas de pagamento irregular de valores a desembargadores do TJ paulista.

Veja também:
Peluso divulga nota em defesa de Lewandowski
Liminar do Supremo esvazia poder do CNJ
Decisão anti-CNJ ameaça 2.500 casos
Devassa em SP pode ter precipitado decisão
RELEMBRE: Corregedora abriu crise no Judiciário


Arquivo/AE
Para Peluso, investigação de ministros do STF pelo CNJ pode 'constituir flagrante abuso de poder'

 fonte estadao http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,peluso-recebeu-r-700-mil-de-passivo-trabalhista-quando-integrava-o-tj-sp,813932,0.htm


      

FOGO AMIGO - Ministro do Supremo beneficiou a si próprio ao paralisar inspeção

O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski está entre os magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo que receberam pagamentos que estavam sob investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), informa reportagem de Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quarta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Antes de ir para o STF, ele foi desembargador na corte paulista.
Anteontem, último dia antes do recesso, o ministro atendeu a pedido de associações de juízes e deu liminar sustando a inspeção.
Por meio de sua assessoria, Lewandowski disse que, apesar de ter recebido os recursos, não se sentiu impedido de julgar porque não é relator do processo e não examinou o mérito --apenas suspendeu a investigação até fevereiro.
A corregedoria do CNJ iniciou em novembro uma devassa no Tribunal de Justiça de São Paulo para investigar pagamentos que alguns magistrados teriam recebido indevidamente junto com seus salários e examinar a evolução patrimonial de alguns deles, que seria incompatível com sua renda.

   

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

MENSALÃO - Ministro Joaquim Barbosa conclui relatório

Ele enviou documentos para Lewandowski, revisor do caso. Julgamento deverá ser em maio
Carolina Brígido
 



O ministro do STF Joaquim Barbosa Ailton de Freitas / O Globo

BRASÍLIA - O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), terminou de examinar todo o processo do mensalão - o maior escândalo do governo Lula e da História do PT - e concluiu o relatório, um resumo da investigação em 122 páginas. O documento e todos os autos da ação penal foram enviados nesta segunda-feira ao ministro Ricardo Lewandowski, revisor do caso. Barbosa também concluiu boa parte do voto. Agora, o revisor vai elaborar seu próprio relatório e voto. Depois, caberá ao presidente do STF marcar a data do julgamento dos 38 réus no plenário.

Veja tambémConfira quem são os réus do processo do mensalão no STF
Relembre o escândalo do mensalão

No relatório, após resumir todo o processo, Barbosa lembrou que os réus declararam não ter cometido os crimes apontados pelo Ministério Público, mas destacou que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares admitiu delito eleitoral. "O réu Delúbio Soares admite a prática de caixa dois de campanha, conduta que preenche o tipo penal do art. 350 do Código Eleitoral, cuja pena é de até cinco anos de reclusão", diz o relatório.

A expectativa é que o julgamento ocorra em maio, quando a presidência do STF será transferida de Cezar Peluso para Carlos Ayres Britto. Nesta segunda-feira, Barbosa enviou a Peluso resposta ao ofício enviado pela presidência para os demais ministros, na última quinta-feira. Peluso determinou ao relator que enviasse aos colegas cópias de todo o processo para facilitar a elaboração dos votos e evitar que a tramitação do caso atrase "ainda mais". Em seu ofício, Barbosa chamou a providência do presidente de "lamentável equívoco".



Barbosa criticou insinuação de Peluso sobre demora
O relator lembrou que, em maio de 2006, quando o caso do mensalão ainda tramitava como inquérito, o plenário do STF aprovou a proposta de Barbosa de digitalizar todas as peças da investigação, para que os ministros e os advogados dos acusados pudessem consultar os autos, mediante uma senha fornecida pelo tribunal. "Os autos, há mais de quatro anos, estão integralmente digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal, cuja senha de acesso é fornecida diretamente pelo secretário de Tecnologia da Informação, autoridade subordinada ao presidente da Corte, mediante simples requerimento".

Barbosa reclamou da forma como Peluso referiu-se, veladamente, à demora da tramitação do processo. Ele citou o número de réus na ação e a força política e econômica deles. "Considero igualmente equivocada a insinuação de que a AP 470 esteja com a sua tramitação ‘atrasada’. (...) Estamos diante de uma ação de natureza penal de dimensões inéditas na História desta Corte", escreveu, completando:

"Com efeito, cuidava-se inicialmente de 40 acusados de alta qualificação sob o prisma social, econômico e político, defendidos pelos mais importantes criminalistas do país, alguns deles ostentando em seus currículos a condição de ex-ocupantes de cargos de altíssimo relevo na estrutura do Estado brasileiro, e com amplo acesso à alta direção dos meios de comunicação".

O relator ainda informou que, hoje, o processo contém 49.914 páginas, divididas em 233 volumes e 495 apensos. E que a instrução processual foi "complicadíssima", pois os réus indicaram cerca de 650 testemunhas de defesa, "espalhadas por mais de 40 municípios situados em 18 estados e também em Portugal".

Barbosa ressaltou que, durante o tempo em que esteve com o mensalão, não gozou de "qualquer privilégio ou tratamento especial quanto à distribuição de processos" - ou seja, continuou recebendo o mesmo número de ações dos demais ministros para julgar. Ele se vangloriou de ter concluído a instrução do processo em quatro anos, enquanto algumas ações penais do STF iniciadas na mesma época, com "dois ou três réus", ainda não foram concluídas. Ao fim, ele informou a Peluso que transferiu a ação penal a Lewandowski para a revisão.

O voto do relator está praticamente pronto. Assim como em 2007, quando foi aberta a ação penal, Barbosa dividirá seu voto em capítulos, de acordo com os núcleos que atuavam na suposta quadrilha. O processo investiga se o governo federal pagou propina a parlamentares em troca de apoio em votações importantes no Congresso. Estão no núcleo central o operador do esquema, Marcos Valério, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ex-deputado José Genoino (PT-SP). Há também um núcleo financeiro, composto por dirigentes do Banco Rural.

No relatório, o ministro informou que foram realizadas provas periciais sobre dados bancários, cheques, contratos, livros contábeis, documentos fiscais, relatórios e documentos de inspeção e fiscalização, discos rígidos e mídias digitais. E que, durante a instrução do processo, foram julgados no plenário 17 agravos regimentais, oito questões de ordem e quatro embargos. Barbosa também resumiu, no documento, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra os acusados e a defesa dos réus. "Saliento que todos eles pediram a absolvição, alegando não terem praticado os crimes narrados na denúncia e, também, a inexistência de provas que suportem a acusação", afirmou o ministro

Fonte o Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/ministro-joaquim-barbosa-conclui-relatorio-sobre-mensalao-3482026#ixzz1h43FfIdE 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MENSALÃO - Alguns crimes terão prescrição de penas por culpa da morosidade do STF

Mensalão terá prescrição de penas, diz Lewandowski

FÁBIO BRANDT
DE BRASÍLIA

Réus do mensalão terão algumas de suas penas prescritas antes do fim do julgamento, ainda sem data para terminar, afirmou nesta terça-feira (13), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Leia a transcrição da entrevista de Lewandowski
Veja galeira de fotos da gravação da entrevista

O processo do mensalão no STF tem 38 réus. O ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, ainda deve terminar seu relatório. Quando isso ocorrer, Lewandowski deverá revisar o processo. Só então poderá ser marcado o julgamento pelo plenário do STF.

"Terei que fazer um voto paralelo ao voto do ministro Joaquim. São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero. Tenho que ler volume por volume porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas", disse Lewandoski.

O ministro falou sobre o assunto no programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido no estúdio do Grupo Folha em Brasília pelo jornalista Fernando Rodrigues. O projeto é uma parceria da UOL e da Folha.

Questionado sobre as chances de o julgamento do mensalão acabar em 2012, Lewandoski disse: "Não tenho uma previsão clara". Ele também afirmou que "com relação a alguns crimes não há dúvida nenhuma que poderá ocorrer a prescrição".

Sobre a possibilidade de alguns réus não terem nenhuma punição, o ministro afirmou que "essa foi uma opção que o Supremo Tribunal Federal fez".

Segundo ele, se só os réus com foro privilegiado fossem julgados pelo STF "talvez esse problema da prescrição não existiria por conta de uma tramitação mais célere".

O tribunal, no entanto, decidiu incluir em seu julgamento até os réus que não têm cargo eletivo e poderiam ser julgados pela Justiça comum.

A seguir, vídeo com a íntegra da entrevista. A transcrição está disponível em texto.







Fonte Folha http://www1.folha.uol.com.br/poder/1020870-mensalao-tera-prescricao-de-penas-diz-lewandowski.shtml

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VOTAÇÃO NO PARÁ - Custos até agora somam R$ 19 milhões [NÃO PRECISAMOS DE CPMF]

Votação é histórica, diz presidente do TSE; custos até agora somam R$ 19 milhões
     
Sandra Rocha e Carlos Madeiro*      
Do UOL Notícias, em Belém    
      
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, que está acompanhando neste domingo (11) o plebiscito sobre a divisão do Pará, afirmou em entrevista coletiva em Belém que a votação é histórica e que o resultado deve ser conhecido ainda hoje, poucas horas depois do fechamento da última urna no Estado.
A votação custou até agora R$ 19 milhões, segundo Lewandowski, o que está abaixo da previsão inicial do TSE, de R$ 25 milhões. O presidente do TSE disse ainda que não há registro de ocorrências no Estado e que houve apenas a apreensão de material ilegal em Belém.
VEJA COMO SERIA A DIVISÃO
  • Arte UOL
"O plebiscito é um momento histórico, e prova que a democracia brasileira está amadurecida e consolidada", disse o ministro. Ele acrescentou que, a exemplo de 2010, quando os brasileiros foram às urnas de forma tranquila, o povo paraense voltou às urnas de maneira ordeira e pacífica, para responder à consulta plebiscitária.
O ministro chegou em Belém de manhã, participou de uma sessão simbólica do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), visitou uma escola e a central de informações do Exército, onde são monitoradas as tropas que foram para o interior do Estado fazer a segurança do pleito.
Por conta das dificuldades geografias, o Pará chega a ter seções eleitorais a 1.000 km de distância do centro do município ao qual está vinculada. Além disso, há dezenas de locais que só se chega de barco.
Segundo o juiz eleitoral Rubens Leão, o sistema de apuração vai contar com 257 pontos de transmissão móveis, instalados em todo o Estado. Logo após o encerramento da votação, os dados serão transmitidos simultaneamente para a central de apuração. Além disso, muitas urnas estão equipadas com sistema de transmissão via satélite, facilitando e agilizando a apuração. A previsão é que o resultado saia até às 22h.

A votação

O primeiro plebiscito na história do país que pode definir a divisão de um Estado começou às 9h (horário de Brasília). Os 4,8 milhões de eleitores vão decidir se aceitam que o Pará seja dividido em três partes, dando origem a Carajás e Tapajós. As seções eleitorais estarão abertas até as 18h (horário de Brasília). O voto é obrigatório para todos os eleitores com título registrado no Estado. Segundo o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), a eleição do Pará conta com 17.917 urnas.
De acordo com pesquisa do Datafolha, divulgada na sexta-feira (9), 65% dos eleitores não querem a criação do Carajás, e 64% são contra a separação do Tapajós.
Para o eleitor, a votação deste domingo é idêntica à de uma eleição normal: é preciso o título de eleitor e/ou um documento com foto. Quem não votar, terá que justificar o voto a partir da segunda-feira (12).
A única diferença pra quem vai às urnas é que, em vez de candidatos, o eleitor vai votar duas vezes para decidir sobre o desmembramento do Pará. Primeiro, ele dirá se é favor, ou não, da criação do Estado de Carajás. Em seguida, votará novamente se concorda com o Estado de Tapajós. Nos dois casos, para responder sim, o eleitor deverá digitar o número 77. Para responder não, o número é o 55.
Foto 117 de 150 - 11.dez.2011 - Paraenses fazem fila em Belém para votar no plebiscito que pode decidir sobre a divisão do Estado do Pará Mais Tarso Sarraf /AE
Em tese, é possível que a população aprove apenas a criação de um dos Estados. Mas a hipótese é pouco provável, já que as duas frentes –a favor de Carajás e a favor de Tapajós– fizeram campanhas unificadas, defendendo sempre a criação dos dois Estados.
Se o resultado do plebiscito for “não”, a questão está encerrada. Se for “sim”, a proposta de divisão deverá ser transformada em projeto de lei e precisará ser aprovada no Congresso Nacional e depois sancionada pela Presidência. Só depois disso, o país poderá de fato ganhar dois novos Estados.
Você é a favor da divisão do Pará?
  • Sim, sou a favor da criação dos dois Estados
  • Sou a favor da criação apenas de Carajás
  • Sou a favor da criação apenas de Tapajós
  • Não, sou contra qualquer divisão
  • Não sei/indiferente
Ver resultado

Os novos Estados

Se for dividido, o “novo Pará” ficará com 17% do território atual, mas concentrará 4,8 milhões dos 7,5 milhões de habitantes em seus 78 municípios remanescentes. A capital continuaria sendo Belém. Maior território e mais pobre em caso de divisão, o Tapajós –na região oeste do Pará– vai ficar com 59% das terras paraenses e 1,2 milhão de moradores em 27 municípios. A capital do Estado seria Santarém. Parte com maior PIB per capita, o Carajás teria 24% do território, correspondente à região sudeste paraense. Com 39 municípios, entre eles a possível capital, Marabá, o Estado teria 1,6 milhão de moradores.

Dados gerais

Tapajós seria o mais “verde” dos Estados resultantes da divisão do Pará, com grande parte do território protegido em unidades de conservação e terras indígenas. No entanto, herdaria a polêmica obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída nos limites do novo Estado. O novo Estado nasceria com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6,4 bilhões.
Já Carajás, pólo de exploração mineral de ferro e cobre, teria PIB de R$ 19,6 bilhões. Mas já nasceria com alguns dos piores indicadores sociais do país: a região de Carajás concentra os maiores índices de violência no campo e registros de trabalho escravo do Estado. Provável futura capital do novo Estado, Marabá está entre as cinco cidades mais violentas do país e é a campeã de homicídios em municípios com mais de 100 mil habitantes, de acordo com o Mapa da Violência, do Ministério da Justiça.
O Pará remanescente teria o maior PIB entre os três Estados atingindo: R$ 32,5 bilhões.
Além de mudar a configuração do mapa do Brasil, caso seja aprovada nas urnas, a divisão do Pará também vai alterar a composição do Congresso. Para que os parlamentares dos novos Estados tenham assentos na Câmara e no Senado, outros Estados perderiam vagas. No Senado, por exemplo, a bancada da região Norte ganharia seis senadores e passaria a ser o triplo da bancada da região Sul.

Confira a cobertura em vídeo sobre o plebiscíto do Pará - 9 vídeos

Nas ruas, separatistas do Pará criticam "egoísmo" de Belém
Vídeo mostra como foi a campanha de rua em Tapajós, Carajás e na região de Belém
      
Abstenção
Uma das apostas das frentes pró-divisão é a abstenção em Belém. Como a última quinta-feira (8) foi feriado na capital paraense, os separatistas acreditam que boa parte do eleitorado viajou e não irá comparecer às seções eleitorais por conta do feriadão. Para evitar a falta do eleitor, o TRE montou um plano de divulgação sobre a importância do voto e pedindo que os moradores não deixem de votar.
"Se falou muito em abstenção, em razão do feriado da quinta-feira, mas fizemos uma conclamação para que todos votem, saibam a importância nesse processo e que voltem em tempo de votar. Não acredito em grande abstenção. O eleitor sabe da importância. Essa é uma eleição singular na história do Estado. O eleitor precisa conhecer as propostas, com as vantagens e desvantagens de cada frente, e comparecer para decidir o futuro do Estado", afirmou o juiz do TRE, José Rubens Barreiros de Leão.
Foto 25 de 68 - SIM - O decorador Junio Souza (esq.), ativista gay e praticante de gaymada (queimada entre homossexuais) em Santarém, apoia a emancipação de Tapajós: "É bom para a gente se tornar um Estado, não temos nada a ver com Belém. Somos mais próximos de Manaus" Mais Rodrigo Bertolotto/UOL

Tropas federais

A preocupação com os ânimos acirrados da população e possíveis crimes eleitorais levou as autoridades do Pará a pedirem apoio de tropas federais para 16 municípios durante o plebiscito. O Ministério Público Eleitoral (MPE) afirma que a maior preocupação é com o acirramento dos ânimos no dia da votação.
“Nossa preocupação é justamente com essa etapa final, pois esperamos um acirramento maior dos ânimos. Na eleição de 2010, por exemplo, a compra de voto ocorreu basicamente no dia ou na véspera da cotação, e vamos estar de olho. E essa eleição envolve um aspecto bem mais perigoso. Enquanto a outra votação ocorre de dois em dois anos, essa é definitiva. Esse caráter irreversível pode trazer um acirramento”, afirmou.
O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Luiz Fernandes, disse que o plano de segurança para a votação conta com o uso de todo efetivo das polícias Civil e Militar, com o deslocamento de policiais de Belém para o interior. Para ele, a preocupação com o plebiscito “é grande”.

Campanha acirrada e "emocionada"

A divisão do Pará é um pleito antigo de regiões distantes da capital Belém, áreas com vocação econômica, composição populacional e cultural muito distintas. Para os defensores da criação dos novos Estados, a divisão só confirmaria diferenças que já existem. Segundo os separatistas, o atual tamanho do Pará, 1,24 milhão de quilômetros quadrados, dificulta a gestão e limita o desenvolvimento de regiões que estão longe da capital. Os críticos da separação, concentrados na região metropolitana de Belém, argumentam que a divisão criaria Estados deficitários.
Durante a campanha eleitoral, a emoção em busca do voto do cidadão de Belém deu a tônica da disputa. De choro de artistas a tapas na cara, a criatividade dominou o horário eleitoral de rádio e TV das frentes a favor e contra a criação de Tapajós e Carajás.

Campanhas publicitárias do "sim" e "não" sobre divisão do Pará - 16 vídeos

Ganso grava depoimento de TV contra divisão do Pará
O meia santista participa também da campanha contrária a emancipação dos Estados de Carajás e Tapajós a partir do território paraense.

Com maioria em suas regiões e de olho nos votos da região metropolitana da capital, os principais jingles e propagandas eleitorais das frentes pró-Carajás e pró-Tapajós esqueceram os argumentos favoráveis à divisão e apelaram à sensibilidade do eleitor. “Belém, Belém, Belém, não feche os olhos para esse povo não. Nossa esperança de mudar de vida, nossa terra prometida está em suas mãos”, dizia o refrão da principal música da campanha.
Em outro programa, os eleitores apareciam levando tapas na cara. A ideia dos separatistas era que a população do Pará remanescente estaria desprezando a vontade popular de Carajás e Tapajós, que buscam sua "libertação."
Já o uso da imagem de famosos paraenses também foi constante na campanha. Em uma das peças publicitárias, a atriz Dira Paes dizia que, com a divisão, o Pará “só perde, perde e perde”, citando as reservas minerais e o potencial hidrelétrico, que ficarão com os Estados de Carajás e Tapajós. Outra artista que também se posicionou foi a cantora Fafá de Belém. Emocionada, a cantora chora ao mostrar o documento de identidade com o sobrenome “Belém” e pede que a população vote “não e não”.
Os números conflitantes foram outra marca da campanha no Pará. “Hoje, o governo federal repassa, com o FPE [Fundo de Participação dos Estados] R$ 2,9 bilhões para o Pará. Com a divisão, esse valor passará para R$ 5,9 bilhões. O Pará remanescente receberá, nessa nova divisão, R$ 2,6 bilhões, mas teria uma redução drástica de despesas – já que o número de municípios e território administrado diminuiria. O Pará investiu R$ 1,5 bilhão com Carajás e Tapajós no ano passado. Ou seja, ele perderia R$ 300 mil, mas deixaria de gastar cinco vezes mais que a perda”, afirmou o presidente da Frente Pró-Criação de Carajás, deputado João Salame Neto (PPS).
A frente em Defesa do Pará retruca o argumento. “Esse cálculo é uma invenção. Não existe nada na lei que defina que um novo Estado vai ganhar mais recursos. Não há também qualquer critério que afirme que os novos Estados e o Pará remanescente vão ganhar mais. Os estudos apontam que, com a divisão, nascerão três Estados deficitários”, afirmou o presidente da frente “Em Defesa do Pará”, deputado estadual Celso Sabino (PR).
Sabia que em 1709 o Brasil era dividido em apenas sete Estados?
*Com informações de Guilherme Balza e Rodrigo Bertolotto, e da Agência BrasiL


FONTE uOL http://noticias.uol.com.br/politica/2011/12/11/votacao-e-historica-diz-presidente-do-tse-custos-ate-agora-somam-r-19-milhoes.jhtm

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CORRUPÇÃO - Defesa diz ser 'impossível' Maluf ter desviado US$ 1 bi de obra

DE SÃO PAULO 
Em nota divulgada nesta sexta-feira (30), a defesa do deputado Paulo Maluf (PP-SP) afirma ser "impossível" ele ter desviado US$ 1 bilhão da construção da avenida Água Espraiada, na zona sul de São Paulo, ao exterior, como mencionado ontem pelo ministro relator do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, durante julgamento sobre o caso.

"É inconsistente, e causa espécie, a menção feita pelo ministro relator do STF de que US$ 1 bilhão teriam sido desviados durante a construção da avenida Água Espraiada. É impossível, já que o mesmo ministro afirma que à referida obra teria custado à prefeitura cerca de R$ 700 milhões. Durante o processo a defesa de Paulo Maluf provará por meio de laudo pericial fidedigno a falsidade da imputação", diz o advogado de Maluf, José Roberto Leal de Carvalho.
Supremo aceita denúncia contra Maluf por lavagem de dinheiro
Ação diz que família Maluf teria enviado mais de US$ 1 bi ao exterior

Segundo Lewandowski, o relator afirmou ainda que foram encontrados recursos de Maluf e de seus familiares em diversos países. "Os indícios apontam para US$ 200 milhões apenas em Jersey. Estima-se que só na Suíça a família Maluf movimentou nada menos do que US$ 446 milhões. Na Inglaterra, há indícios de movimentação de US$ 145 milhões nas contas da família Maluf."

Outro fator que chamou a atenção do ministro na ação foi a presença de mais de uma dezena de empresas off shore no processo.

O STF aceitou ontem, por 7 votos a 1, a denúncia contra o deputado e sua família pelo crime de lavagem de dinheiro. A Corte, no entanto, rejeitou a denúncia pelo crime de formação de quadrilha.

Segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o dinheiro lavado foi desviado de obras públicas quando Maluf foi prefeito de São Paulo (1993-1996), remetido ilegalmente ao exterior por doleiros e, por fim, "lavado" em investimentos feitos na Eucatex, empresa da família.

Também foram denunciadas pela Procuradoria outras dez pessoas, entre elas a mulher de Maluf, Sylvia, os filhos Flávio, Lígia, Lina e Otavio e outros familiares.


Luiz Carlos Murauskas - 03.out.2010/Folhapress

Paulo Maluf e famíliares viraram réus em processo no Supremo Tribunal Federal pelo crime de lavagem de dinheiro 
Durante o julgamento, o procurador-geral afirmou que a maior parte do dinheiro foi desviada por meio da construção da avenida Água Espraiada, na zona sul de São Paulo. "Essa obra, concluída em 2000, teve o custo final extremamente absurdo de R$ 796 milhões, ou cerca de US$ 600 milhões", disse. "Essa foi a fonte primordial dos recursos utilizados na lavagem [de dinheiro]."

De acordo com Gurgel, o grupo foi denunciado por formação de quadrilha porque, pelo menos desde 1993, "associaram-se, de forma estável e permanente, com o propósito de cometer crimes de lavagem de ativos e efetivamente cometeram tais delitos consoante narrados minuciosamente na denúncia". Como Maluf tem mais de 70 anos, a maioria dos ministros reconheceu a prescrição e não aceitaram julgá-lo por este crime. O mesmo entendimento foi usado no caso de sua mulher.

Gurgel também rebateu o que classificou de "mais relevantes" argumentos dos acusados. Entre eles, está a alegação de que a Lei 9.613, de março de 1998, não poderia ser aplicada aos fatos objeto da acusação, que teriam ocorrido antes da entrada em vigor da norma.

"Na verdade, os acusados foram denunciados por fatos que ocorreram entre os anos de 1993 a 2002. Todos sabemos que a lavagem de dinheiro é definida como crime permanente, cuja consumação prolonga-se no tempo, enquanto os bens, valores e direitos estiverem dissimulados e ocultos", afirmou.

Ele destacou ainda que, ao contrário do que afirma a defesa, o Ministério Público nunca investigou o caso diretamente. "Repito, para afastar qualquer dúvida quanto a esse tema: as provas que instruem a acusação foram obtidas em inquérito policial e por intermédio de cooperação jurídica internacional autorizada judicialmente."

A denúncia foi oferecida à 2ª Vara Criminal de São Paulo e chegou ao Supremo em fevereiro de 2007, após a diplomação de Maluf como deputado federal

 Fonte Folha http://www1.folha.uol.com.br/poder/983666-defesa-diz-ser-impossivel-maluf-ter-desviado-us-1-bi-de-obra.shtml

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

STF rejeita recurso de advogado que queria impeachment do ministro Gilmar Mendes

Foto STF
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram hoje (15), por unanimidade, recurso de um advogado que pedia o impeachment de um dos membros da Corte, o ministro Gilmar Mendes. A decisão veio após um pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello, que interrompeu o julgamento em meados de agosto.

O advogado Alberto Piovesan entrou em maio com o pedido de impeachment no Senado Federal. Ele alegava que Gilmar Mendes mantinha relações ilegais com um escritório de advocacia. O pedido foi arquivado pela Mesa do Senado, o que motivou o recurso ao STF, já que o advogado queria que o caso fosse analisado pelo plenário da Casa.

O relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, votou pelo arquivamento do pedido. Marco Aurélio, no entanto, quis estudar melhor o caso e pediu vista. Hoje, ele trouxe seu voto no mesmo sentido do relator, entendendo que a Mesa do Senado tem competência para arquivar o pedido de impeachment, sobretudo quando o pedido se limita a anexar notícias de jornal.

Para justificar o pedido de vista, Marco Aurélio explicou que queria analisar o caso a partir de jurisprudência da Corte, para não dar a entender que o Tribunal estava arquivando o caso seguindo um espírito corporativista.



quarta-feira, 27 de abril de 2011

ELEIÇÕES 2010 - Malha fina eleitoral por Dora Kramer

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, recebeu ontem e encaminha hoje à Procuradoria-Geral da República e aos tribunais regionais eleitorais informações da Receita Federal sobre as doações de pessoas jurídicas e físicas às campanhas eleitorais de 2010.
Os dados mais relevantes dizem respeito às doações de pessoas jurídicas: de um universo de 20 mil doadores, quatro mil ultrapassaram o limite permitido por lei que é o de 2% do faturamento bruto da empresa no ano anterior à doação. No caso de pessoas físicas, o limite é de 10% do rendimento bruto do contribuinte.
O TSE não revela ainda quais os candidatos beneficiados, mas sabe-se que na malha fina estão campanhas federais e estaduais - de presidente a governadores, senadores e deputados.
Tanto doadores quanto receptores ficam, a partir do momento em que as informações chegarem ao Ministério Público, passíveis de processos. As empresas podem ser multadas no valor equivalente ao mínimo de cinco e ao máximo de 10 vezes a quantia excedente ao permitido por lei.
Além disso, podem perder o direito de participar de licitações e de fazer contratos com o poder público pelo prazo de cinco anos.
Os candidatos beneficiados pelas doações ilegais podem responder a processos por abuso de poder econômico, cuja pena máxima é a cassação do registro da candidatura e consequente perda de mandato com suspensão do direito de se candidatar por três anos.
Nos próximos dias, quando as informações já estiverem em poder da Procuradoria-Geral e dos TREs, será possível conhecer os detalhes do material encaminhado pela Receita ao TSE.
Os processos judiciais demoram, mas não custa lembrar que recentemente houve punições por abuso de poder econômico com a cassação do mandato de prefeitos, vereadores e governadores.
O trabalho conjunto da Receita Federal com a Justiça Eleitoral pode não solucionar definitivamente o problema de ilegalidades nas doações de campanha, mas de todo modo ao menos cria um espaço crítico para a dissolução do nefasto dogma segundo o qual nesse setor a infração é a mãe da necessidade, todos fazem e, por isso, a prática deve ser aceita.
Fogo fátuo. Assunto encerrado: a ideia de se promover uma fusão entre PSDB e DEM está fora de cogitação pelo menos até a eleição de 2012.
Depois que o senador Aécio Neves, inicialmente um defensor da fusão, declarou nesta semana que o melhor é preservar a aliança, mas conservar a independência das legendas, o plano foi abandonado e as especulações devidamente desautorizadas.
A fusão vinha encontrando pesadas resistências no PSDB, notadamente entre os políticos ligados ao ex-governador José Serra devido à rejeição a uma convivência sob o mesmo teto com o ex-presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, visto como um fator permanente de desestabilização da candidatura Serra durante a campanha presidencial.
Havia também problemas regionais que impossibilitariam a parceria de grupos antagônicos, como os dos deputados ACM Neto (DEM) e Jutahy Magalhães (PSDB) na Bahia, do governador Marconi Perillo (PSDB) e do deputado Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás e de Onyx Lorenzoni (DEM) e Yeda Crusius (PSDB) no Rio Grande do Sul. Nenhum deles entregaria nem se submeteria ao comando do adversário.
Isso, para citar só alguns casos, já levaria a nova formação a iniciar os trabalhos em ambiente de pesados atritos.
Nenhuma vantagem, portanto, principalmente para os tucanos cuja crise interna é grave, mas não tão periclitante quanto a situação do DEM.
Os democratas, por sua vez, perderiam o tempo de televisão a ser negociado das eleições e, mais importante, estariam abrindo mão do fundo partidário de R$ 12 milhões até 2010 e de R$ 20 milhões para este ano. Soma considerável para ser desprezada assim de uma hora para outra.
A desistência do projeto de fusão produz um momento de rara unidade no PSDB que enfrenta uma péssima fase em São Paulo fonte de sua principal força política há 16 anos.