Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

CORRUPÇÃO - Advogada liga Toffoli e Gilberto Carvalho a máfia do DF

Em oito horas de gravações em áudio e vídeo, Christiane Araújo de Oliveira revela que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República e que o governo federal usou de sua proximidade com a quadrilha de Durval Barbosa para conseguir material contra adversários políticos



(Fernando Cavalcante)

Nascida em Maceió, em uma família humilde, Christiane Araújo de Oliveira mudou-se para Brasília há pouco mais de dez anos com o objetivo de se formar em Direito. Em 2007, aceitou o convite para trabalhar no governo do Distrito Federal de um certo Durval Barbosa, delegado aposentado e corrupto contumaz que ficaria famoso, pouco depois, ao dar publicidade às cenas degradantes de recebimento de propina que levaram à cadeia o governador José Roberto Arruda e arrasaram com seu círculo de apoiadores. Sob as ordens de Durval, Christiane se transformou num instrumento de traficâncias políticas. No ano passado, depois de VEJA mostrar a relação promíscua entre o petismo e o delegado, Christiane foi orientada a sumir da capital federal. Relatos detalhados de suas aventuras com poderosos, no entanto, já estava em poder do Ministério Público e da Polícia Federal. Na edição que chega às bancas neste sábado, VEJA revela o teor de dois depoimentos feitos pela jovem advogada no final de 2010.




Durval Barbosa

Em oito horas de gravações em áudio e vídeo, Christiane revelou que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República. Ela participava de festas e embalo, viajava em aviões oficiais, aproveitava-se dos amigos e amantes influentes para obter favores em benefício da quadrilha chefiada por Durval, que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos.. Ela também contou como o governo federal usou de sua proximidade com essa máfia para conseguir material que incriminaria adversários políticos.



Christiane em imagem de vídeo do depoimento colhido pela PF
A advogada relatou que manteve um relacionamento com o hoje ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli, quando ele ocupava cargo de advogado-geral da União no governo Lula. Os encontros, segundo ela, ocorriam em um apartamento onde Durval armazenava caixas de dinheiro usado para comprar políticos – e onde ele eventualmente registrava imagens dessas (e de outras) transações.

Christiane afirma que em um dos encontros entregou a Toffoli gravações do acervo de Durval Barbosa. A amostra, que Durval queria fazer chegar ao governo do PT, era uma forma de demonstrar sua capacidade de deflagrar um escândalo capaz de varrer a oposição em Brasília nas eleições de 2010. Ela também teria voado a bordo de um jato oficial do governo, por cortesia do atual ministro do STF, que na época era chefe da Advocacia Geral da União.

Por escrito, Dias Toffoli negou todas as acusações. “Nunca recebi da Dra. Christiane Araújo fitas gravadas relativas ao escândalo ocorrido no governo do Distrito Federal.” O ministro disse ainda que nunca frequentou o apartamento citado por ela ou solicitou avião oficial para servi-la. Como chefe da AGU, só a teria recebido uma única vez em seu gabinete, em audiência formal.



Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência

Nas gravações, Christiane relatou ainda que tem uma amizade íntima com Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. No governo passado, quando Carvalho ocupava o cargo de chefe de gabinete de Lula, ela pediu a interferência do ministro para nomear o procurador Leonardo Bandarra como chefe do Ministério Público do Distrito Federal. O pedido foi atendido. Bandarra, descobriu-se depois, era também um ativo membro da máfia brasiliense – e hoje responde a cinco ações na Justiça, depois de ter sido exonerado.
Gilberto Carvalho também teria tentado obter do grupo de Durval material para alvejar os adversários políticos do PT. Ele nega todas as acusações, e disse a VEJA: “Eu não estava nesse circuito do submundo. Estou impressionado com a criatividade dessa moça.”



Dilma Rousseff na bancada de evangélicos com Christiane Araújo de Oliveira

Há uma terceira ligação de Christiane com o petismo. Ela trabalhou no comitê central da campanha de Dilma Rousseff. Foi encarregada da relação com as igrejas evangélicas – porque é, ela mesma, evangélica e filha de Elói Freire de Oliveira, fundador da igreja Tabernáculo do Deus Vivo e figura que circula com desenvoltura entre os políticos de Brasília, sendo chamado de “profeta”. Com Dilma eleita, a advogada foi nomeada para integrar a equipe de transição. Mas foi exonerada quando veio à tona que ela teve participação na Máfia das Sanguessugas.

Segundo o procurador que tomou um dos depoimentos de Christiane, o material que ele coletou foi enviado à Polícia Federal para ser anexado aos autos da Operação Caixa de Pandora. Um segundo depoimento foi tomado pela própria PF. Mas nenhuma das revelações da advogada faz parte oficial dos autos da investigação. A reportagem de VEJA, que reproduz imagens das gravações em vídeo, conclui com uma indagação: “Por que será?” 
Fonte Veja

    

terça-feira, 4 de outubro de 2011

CAIXA DE PANDORA - Justiça bloqueia bens de Arruda e Roriz

Justiça bloqueia bens de seis envolvidos na Caixa de Pandora
Entre os envolvidos estão os ex-governadores Arruda e Roriz.
Medida impede movimentação financeira de R$ 1 milhão dos acusados.
Do G1 DF com informações do DFTV
                 
A Justiça do Distrito Federal bloqueou os bens de seis envolvidos no suposto esquema de corrupção revelado pela Operação Caixa de Pandora. Entre eles estão os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Joaquim Roriz e o delator do esquema, Durval Barbosa. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na sexta-feira (30).
As seis pessoas estão impossibilitadas de movimentar bens como carros, imóveis e empresas que, juntos, somam cerca de R$ 1 milhão. Cinco deles aparecem nos vídeos que deflagraram a operação Caixa de Pandora.
saiba mais

Em sua decisão, o juiz Álvaro Ciarlini diz que há provas suficientes de participação dos réus no esquema, como pagamento e recebimento de grandes quantias de dinheiro.
A assessoria de Joaquim Roriz informou que ainda não foi notificada da decisão. Os advogados de Arruda adiantaram que ele deve recorrer, pois não era governador na época das gravações. Já a advogada de Durval Barbosa afirmou que os bens deles já estavam bloqueados.
Os outros envolvidos, Omézio Pontes, ex-assessor de imprensa de Arruda. e Marcelo Toledo, policial civil aposentado, aguardam notificação da Justiça. Domingos Lamoglia foi procurado, mas não foi localizado. Ele era conselheiro do Tribunal de Contas do DF.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Após decisão do STJ, provas de quatro operações da PF estão sob forte ameaça

Defesa de personagens como os ex-governadores José Roberto Arruda (DF) e Pedro Paulo Dias (AP) recorre à Justiça e aponta similaridade com interceptações da Boi Barrica, anuladas pela corte

19 de setembro de 2011
22h 20
Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - Quatro grandes operações da Polícia Federal estão em risco no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão da corte de anular as provas da Operação Boi Barrica fez crescer a mobilização de importantes bancas de advocacia do eixo Rio-São Paulo-Brasília em favor dos réus apanhados nas operações Voucher, Navalha, Mãos Limpas e Caixa de Pandora. Em todos esses casos, já há no STJ recursos nos mesmos moldes do que obteve sucesso e anulou a Boi Barrica.

Entre os personagens acusados de corrupção e desvio de dinheiro público que esperam fulminar as provas obtidas pela Polícia Federal estão os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), preso na Operação Caixa de Pandora, e do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), apanhado pela Operação Mãos Limpas, além dos envolvidos na Operação Voucher, que derrubou a cúpula do Ministério do Turismo.

"Pedi a anulação de todo o inquérito. A maior prova da inocência do meu cliente (José Roberto Arruda) é que até hoje o Ministério Público não o denunciou", afirmou o criminalista Nélio Machado. Ele alega vícios no processo, entre os quais grampos ilegais e espera que a jurisprudência do STJ contribua para o descarte das provas. "Toda decisão que reconhece ilegalidade e abuso na coleta de provas gera jurisprudência nova", enfatizou.

Segundo Machado, Arruda sofreu devassa completa em sua vida, a partir dos grampos ilegais de um criminoso - o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema conhecido como "mensalão do DEM". "As demais interceptações estão fora de contexto e derivam de uma prova inicial viciada", acrescentou. A seu ver, embora não possa fazer analogia com o caso de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cuja decisão não conhece integralmente, ele disse que "foram violadas as garantias constitucionais" do ex-governador Arruda.

Boi Barrica. No caso da Boi Barrica, os ministros da 6.ª Turma do tribunal consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações, o que no entender do STJ contamina as provas contra os réus, entre os quais Fernando Sarney, acusado de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Aguardam ansiosos na fila os réus da Operação Voucher, que pôs na cadeia, em agosto, a cúpula do Ministério do Turismo. "A Justiça e a polícia não podem passar por cima da lei e sair ampliando o tempo e o leque de interceptações como se fossem filhotes", criticou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, que atuou na defesa do ex-secretário executivo do Turismo Frederico Silva da Costa, o Fred, preso e apontado como cabeça do esquema.

O advogado aponta "fraude na interpretação do áudios" de conversa telefônica em que Fred ensina o empresário Fábio de Mello a montar um instituto para receber recursos públicos e ressalta que "o importante é a fachada"

sábado, 26 de março de 2011

MENSALÃO DO DEM - Secretário do DF é acusado de receber propinas




Delator do mensalão do DEM diz que R$ 90 mil eram repassados a político. Secretário da Justiça já ocupava pasta na gestão Arruda; Alírio nega as acusações e diz que elas têm motivação política



Fernanda Odilla, Folha de S. Paulo


O atual secretário de Justiça do governo do petista Agnelo Queiroz, no Distrito Federal, é acusado de receber propina do mensalão do DEM, de acordo com depoimentos até agora inéditos do delator do esquema de corrupção na capital do país.

Durval Barbosa, denunciante do escândalo, revelou à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 90 mil mensais a Alírio Neto(foto) (PPS), quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda.

Segundo Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania.

Alírio Neto nega as acusações e diz que elas têm motivação política.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ARRUDAGATE - Durval Barbosa liga Rodrigo Maia a esquema de Arruda


   ORIGEM ESTADÃO - 28/05/2010

Delator do 'mensalão do DEM' também diz que o deputado Filippelli, presidente do diretório do PMDB no DF, recebia R$ 1 milhão por mês

Rodrigo Rangel, Leandro Colon - O Estado de S.Paulo
 
Acompanhado. Barbosa esteve em evento com sua mulher Kelly    

BRASÍLIA
O delator do "mensalão do DEM" do Distrito Federal, Durval Barbosa, afirmou ao Estado que o presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), era um dos beneficiários do esquema montado pelo governador cassado José Roberto Arruda.
"O acerto do Rodrigo era direto com o Arruda", disse Barbosa. Autor dos vídeos que levaram à queda de Arruda, de quem foi secretário de Relações Institucionais, Barbosa afirmou que a participação do presidente nacional do DEM é uma das vertentes da nova fase das investigações, com as quais colabora por meio de um acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal.
"O Ministério Público vai pegar", afirmou, referindo-se à suposta participação de Rodrigo Maia no desvio de dinheiro do governo do Distrito Federal. O ex-secretário também acusou o PMDB de receber pagamentos mensais do esquema de Arruda.
Barbosa conversou com o Estado na quarta-feira à noite, quando participava de uma festa para mais de 500 pessoas numa das casas de eventos mais badaladas de Brasília. Era a abertura de uma feira de noivas.
Fama. Acompanhado da mulher, Kelly, Durval circulou com desenvoltura entre os convidados. Depois de passar meses fora de Brasília sob proteção da Polícia Federal, o ex-secretário, agora com pose de celebridade, tenta voltar às rodas sociais da capital federal.
Camiseta Versace sob o blazer bem cortado e ostentando no pescoço um vistoso pingente de ouro com o nome da mulher, o ex-secretário de Arruda passou pouco mais de duas horas na festa, sempre sob o olhar atento de dois seguranças armados.
A fama adquirida após tornar-se homem-bomba do escândalo que defenestrou Arruda do governo tem feito com que muitos o evitem: no período em que permaneceu no evento, Barbosa conversou com menos de dez pessoas.
Na mesma festa, estava o presidente do DEM no Distrito Federal, senador Adelmir Santana. Razão para constrangimento? Para Barbosa, não. "O constrangimento é de quem roubou", disse.
A metralhadora do delator do mensalão candango segue ativa. Além de disparar contra o presidente nacional do DEM, Barbosa afirmou que dirigentes do PMDB se beneficiavam do esquema de corrupção montado no governo Arruda.
Cota mensal. O dinheiro, segundo ele, era entregue ao presidente do diretório do partido no DF, o deputado federal Tadeu Filippelli. "Filippelli recebia R$ 1 milhão por mês para o PMDB", afirmou Barbosa. "Inclusive tem um áudio sobre isso", emendou.
O ex-secretário se recusou a dar detalhes sobre os supostos pagamentos ao DEM e ao PMDB sob o argumento de que o acordo de delação premiada o impede de falar a respeito de assuntos sob investigação. Ele indicou, porém, que está contando o que sabe ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Indagado sobre o que tem acrescentado às investigações da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela PF em novembro passado, primeiro ele fez mistério. "Vem muito mais por aí", declarou. Depois, fez mais uma de suas profecias: "Mais uns 60 vão ser presos."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ARRUDAGATE - Durval diz ter desviado R$ 160 milhões para suposto esquema de Arruda


   

Desvios começaram no governo Joaquim Roriz (PSC), segundo delator.
Ex-secretário depôs à Comissão de Ética da Câmara Legislativa do DF.

Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília
O ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa afirma ter participado do desvio de um montante de R$ 160 milhões em um suposto esquema comandado pelo ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). O valor foi mencionado pelo delator do escândalo conhecido como "mensalão do DEM" em depoimento à Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal nessa quinta-feira (29/04). O G1 teve acesso neste domingo (2) às notas taquigráficas do depoimento. O G1 tentou contato com o advogado de Arruda, Nélio Machado, mas as ligações não foram atendidas.
O depoimento faz parte do processo contra a deputada Eurides Brito (PMDB), que foi líder do governo Arruda e aparece em vídeo gravado por Durval colocando dinheiro na bolsa. Por exigência do delator, somente a relatora do caso, Érika Kokay (PT), tomou seu depoimento em local escolhido pela Polícia Federal, uma vez que Durval está sob guarda do programa de proteção a testemunhas. O depoimento durou quase duas horas.
Durval conta no depoimento que o suposto esquema começou em novembro de 2002, ainda na administração do ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Segundo o delator, Roriz "entregou" para Arruda a Codeplan, que era responsável por contratos na área de informática. Durval era o presidente da empresa e, desde então, teria começado a desviar recursos para Arruda e seus aliados. O G1 entrou em contato com a assessoria de Roriz, mas ele só vai se pronunciar após ter acesso à íntegra do depoimento.
"Em 2002, final de 2002, após o Roriz ser vencedor da campanha, eu fui procurado pelo Arruda, que pediu autorização, na minha frente, ligou para o Roriz e pediu autorização para falar comigo. Ele (Roriz) falou: pode falar. Em 2002, final de 2002, novembro, e a partir dali nós começamos a estreitar uma relação aonde ele (Arruda) começou a comandar, mesmo, da forma que foi", diz Durval.
O delator do escândalo de corrupção no DF conta que era o operador dos pagamentos dentro do suposto esquema comandado por Arruda quando este ainda não era governador. Entre 2003 e 2006, Durval diz que fazia uma prestação de contas semanal a Arruda. "Ele (Arruda) controlava tudo e eu fazia prestação. De 2003 a 2006 eu fazia prestação para ele toda semana, prestação de conta. E era na casa dele". O recurso vinha de propina paga por empresas que atuavam na área de informática no governo do Distrito Federal.
Em janeiro de 2007, quando Arruda assumiu o cargo de governador, Durval diz ter deixado de fazer diretamente os pagamentos. Segundo ele, o dinheiro que recebia de propina era repassado para que outras pessoas fizessem o pagamento. Somando os dois períodos, Durval diz que o esquema desviou R$ 160 milhões.
"Os documentos estão todos dentro dos autos. Havia uma prestação de contas deste tamanho. A prestação de contas de, entre 2003 e 2006, 60 milhões destinados pelo Arruda. Está aí meu depoimento. Eu falei: vamos acabar com a hipocrisia. Passou pela minha mão, de tanto tempo, tanto tempo, R$ 60 milhões. Nada menos. De 2007 a novembro de 2009, R$ 100 milhões", afirmou o delator.
O delator chegou a se dizer surpreendido com o que chamou de "banalização" do desvio dos recursos e afirmou que Arruda centralizava o esquema. "Então tem coisas que surpreendem a gente. (...) A banalização do próprio crime. É porque o crime, ele é sistemático, ele é organizado setorialmente e ele é concentrado aqui numa só pessoa, que era o Arruda, que não deixava nada passar".
Arruda "empresário"
No depoimento, o delator afirma ainda que Arruda é um dos sócios de um grande empreendimento no Distrito Federal. Durval afirma que junto com o ex-vice-governador Paulo Octávio e o empresário José Celso Gontijo, Arruda participa da construção de um empreendimento na cidade de Taguatinga para a construção de 17 torres com 29 andares.
A menção é feita quando o delator fala do pagamento de propina para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT). "Ali tinha inclusão de algumas áreas, tinha a junção de alguns terrenos e mudanças de gabarito, tudo ao mesmo tempo. Inclusive, tem um empreendimento do Arruda, Paulo Octávio e que o Zé Gontijo é um dos sócios, ali naquela descida do Pistão Sul de Taguatinga. São 17 torres de 29 andares".
O delator afirma que a expectativa dos aliados de Arruda era receber R$ 60 milhões em propina de empresários interessados em alterações no PDOT. Durval conta, no entanto, que o esquema não conseguiu o sucesso esperado e teria arrecadado "20 e poucos milhões".
O G1 tentou contato com a assessoria de Paulo Octávio, mas as ligações não foram atendidas. De acordo com a assessoria de imprensa da JC Gontijo, empresa da qual José Celso Gontijo é um dos sócios, a empresa não tem nenhum tipo de empreendimento com Arruda. A empresa informou ainda que vai acionar judicialmente Durval pelas declarações.
Eurides Brito
O delator afirma no depoimento que Eurides Brito (PMDB) recebeu pagamentos mensais do esquema entre 2003 e 2006, quando ele operava. A deputada aparece em um vídeo gravado por Durval no segundo semestre de 2006 colocando dinheiro na bolsa. Em sua defesa, a parlamentar afirmou que o dinheiro era para encontros que fez com eleitores e que pegou a quantia com Durval a mando de Roriz. O ex-governador classificou esta versão de Eurides como "fantasiosa".
No depoimento prestado à comissão de ética, Durval ataca a ex-líder de Arruda. Ele ironiza a justificativa dada pela deputada para o dinheiro recebido. "Se a Eurides vai ter que arrumar festa, ela vai ter que arrumar muita festa, porque, na realidade, era aquilo todo mês."
O delator afirma que entre 2003 e 2006 a parlamentar recebia R$ 30 mil mensais. Em alguns casos, ainda havia pagamentos extras para festas que ela promovia. Durval diz que saiu do esquema até dinheiro para pagar uma perícia usada por Eurides em sua defesa em outra investigação feita pela Câmara Legislativa. Durval afirma que a deputada tinha conhecimento de que a origem do dinheiro era de corrupção.
O G1 tentou contato com a deputada em seu telefone pessoal e por meio de sua assessoria, mas as ligações não foram atendidas.
Outros envolvidos
Durval avança no depoimento trazendo novos nomes para o escândalo. Ele cita os deputados distritais Doutor Charles (PTB) e Batista das Cooperativas (PRP) entre os que recebiam dinheiro.
Sobre Doutor Charles, o delator afirma que ele tinha "tratamento diferenciado", assim como Rôney Nemer (PMDB). Enquanto os colegas recebiam R$ 30 mil por mês, estes dois ficavam entre R$ 80 e R$ 100 mil. "O Doutor Charles recebia 80 mil, 100 mil. O Rôney também recebia uns 80. Não sei porque a diferença, mas eles recebiam diferenciado".
Nemer nega que tenha recebido dinheiro do suposto esquema. Ele destacou que votou contra várias matérias de interesse do governo durante a administração de Arruda.
Doutor Charles classificou a acusação como "hilária". Ele negou ter recebido recursos do suposto esquema e afirmou que Durval deveria estar dando explicações sobre os recursos que desviou enquanto atuou no governo do Distrito Federal.
Em relação a Batista, que relatou processos de impeachment contra Arruda, Durval diz que ele recebia dinheiro do esquema. "Agora, você vai dizer que, com aquela qualificação do Batista das Cooperativas, você acha que ele não estava dentro? Um camarada venal igual àquele?", questiona o delator. Durval afirma que Batista é "beneficiário de muitas coisas".
O deputado Batista classificou como “revanchismo” a acusação de Durval. Ele lembrou que atacou Durval no depoimento do delatar na CPI da Corrupção em 30 de março. Na ocasião, o deputado criticou o delator por este ficar calado na comissão. “Não acho que o senhor prestou um serviço para o Distrito Federal. Seu papel foi nefasto”, afirmou Batista. Na resposta, Durval afirmou que não gostaria de ser “herói” e falou que o “rolo compressor” estava por vir.
Batista afirmou que a acusação de Durval contra ele é “mentira de um bandido” e disse possuir uma certidão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmando que ele não é investigado no caso.

sábado, 1 de maio de 2010

ARRUDAGATE - EURIDES E BRUNELLI TÊM BENS BLOQUEADOS


    Justiça ordena o bloqueio do patrimônio de Brunelli e Eurides. Junto com Prudente, eles podem ter de devolver R$ 16 milhões ao contribuinte


  • Ana Maria Campos



  • Carlos Moura/CB/D.A Press - 14/4/10
    Eurides Brito foi filmada por Durval Barbosa recebendo dinheiro e o colocando na bolsa em 2006

    Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press - 2/10/09
    O ex-distrital Júnior Brunelli aparece nas imagens, também guardando recursos que seriam mesada
     

    O juiz Álvaro Ciarlini, da 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, determinou o bloqueio dos bens da deputada Eurides Brito (PMDB) e do ex-distrital Júnior Brunelli (PSC). A decisão é a mesma tomada na semana passada em relação ao ex-presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido), que também está impedido de dispor de seus imóveis, carros e ações de empresas como medida preventiva para garantir a reposição de prejuízos aos cofres públicos e como indenização à população do Distrito Federal. Juntos, os três políticos têm de devolver R$ 16.215.572 ao contribuinte, segundo cálculos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

    O pedido de bloqueio dos bens dos três parlamentares filmados por Durval Barbosa recebendo dinheiro em 2006 foi protocolado pelo Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do MPDFT junto com ações de improbidade administrativa, em que os promotores de Justiça pedem não só a devolução de recursos, como também pagamento de multa, pena de inelegibilidade, perda do cargo e impossibilidade de firmar contratos com o Poder Público. Todos os processos tramitam na 2ª Vara de Fazenda Pública do DF. No caso de Prudente, Ciarlini já encaminhou ofício à Receita Federal e ao Departamento de Trânsito (Detran-DF), com pedido de informações sobre os bens do ex-deputado.

    Cálculos
    De acordo com a ação do MP, Prudente teria de tirar do bolso R$ 6.354.080. Parte do dinheiro leva em conta depoimento de Durval, segundo o qual o ex-presidente da Câmara recebia mesada de R$ 50 mil para apoiar o governo de José Roberto Arruda. Para calcular uma indenização que Prudente deverá, segundo a ação, pagar à população do DF, pelo constrangimento causado pelas cenas explícitas de corrupção, o MP pede que ele desembolse o equivalente a despesas com assessores na Câmara e com a atividade parlamentar nos 40 meses entre a data em que o distrital foi filmado guardando dinheiro na meia até a deflagração da Operação Caixa de Pandora (veja arte). Prudente nega que tenha recebido propina ou mensalão. Afirma que o dinheiro depositado na meia era uma ajuda para a campanha de 2006.

    Brunelli — que também foi filmado recebendo dinheiro e rezando por Durval — teria uma dívida de R$ 5.554.080, segundo o MP. O valor é mais baixo porque, segundo Durval, a mesada de Brunelli seria de R$ 30 mil. A devolução calculada para Eurides, de R$ 4.304.412, leva em consideração que ela só assumiu o mandato de distrital em agosto de 2007, já que ficou na primeira suplência e só teve a chance de voltar à Câmara Legislativa com a renúncia de Pedro Passos (PMDB). Eurides disse ao Correio que não cometeu nenhum ato ilícito. Segundo a deputada, a imagem dela foi escolhida porque, como líder do governo, estava próxima ao ex-governador José Roberto Arruda. A peemedebista responde a processo por quebra de decoro parlamentar(1) na Câmara.

    1 - Delator do esquema
    A relatora do processo contra Eurides Brito, a deputada distrital Érika Kokay (PT), colheu na última quinta-feira o depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa, como testemunha das denúncias contra a peemedebista. Ele reafirmou as informações já prestadas anteriormente ao Ministério Público do DF e à Polícia Federal relacionadas à suposta mesada que Eurides recebia em troca de apoio a José Roberto Arruda no governo e no PMDB.

    quinta-feira, 15 de abril de 2010

    ARRUDAGATE - Solto, agora Arruda tenta sair de Brasília


    Deu em O Globo

    Solto, agora Arruda tenta sair de Brasília

    No sábado, Câmara fará eleição indireta para novo governador

    De Jailton de Carvalho:

    Numa tentativa de aliviar o desgaste de passar dois meses na prisão, o ex-governador José Roberto Arruda está planejando fazer uma longa viagem para fora de Brasília.
    O ex-governador estaria procurando um refúgio em que pudesse descansar sem ser reconhecido pela população. Uma missão quase impossível: Arruda fez fama nacional como o suposto chefe do mensalão do DEM. Num dos vídeos do escândalo, o ex-governador aparece recebendo R$ 50 mil do ex-secretário Durval Barbosa, o operador do mensalão.
    — Ele quer ficar num lugar que ninguém o conheça, ninguém saiba quem ele é. Vocês (jornalistas) têm que esquecê-lo. Ele não quer mais nada. Só quer paz — disse Alberto Fraga, ex-secretário de Transporte e amigo de Arruda.
    Segundo Fraga, o ex-governador e a mulher, Flávia, já decidiram que não vão viajar para o exterior, mas ainda não decidiram o local onde gostariam de ficar.
    Para deixar o país, Arruda entende que precisaria de autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde responde a inquérito sobre o mensalão do DEM. Arruda também ainda é peça-chave na eleição indireta para a escolha de seu sucessor.
    Leia mais em O Globo

     


     

    quinta-feira, 1 de abril de 2010

    ARRUDAGATE - E-mails complicam Paulo Octávio

    Do blog de Paola Lima:
    Uma troca de emails entre o ex-secretário Durval Barbosa e o jornalista Edson Sombra, a que o blog teve acesso, pode complicar ainda mais a vida do ex-vice-governador Paulo Octávio.
    Na conversa, Sombra e Durval falam de uma visita que PO teria feito à casa do jornalista, no dia 6 de dezembro.
    No encontro, presenciado pelo advogado Eri Varella, Sombra teria cobrado de Paulo Octávio a confirmação de que o dinheiro entregue por Durval ao ex-assessor de PO, Marcelo Carvalho, seria mesmo para o então vice-governador. Paulo Octávio acabaria assumindo que parte seria para ele.
    “Meu amigo Sombra, estive pensando…”, começa Durval no email. “Reflitamos sobre a conversa que manteve com Paulo Octávio em sua casa, com o testemunho do advogado Eri Varela. Naquela oportunidade, Paulo Octávio assumiu que aquele dinheiro carregado em malas por Marcelo Carvalho, recebidas de mim, era realmente para ele”, lembra Durval. “Hoje, Paulo Octávio está negando ter recebido dinheiro de corrupção. O que é mentira. Ele devia ter a dignidade de dizer a verdade”, acusa.
    “Relembro bem o dia que ocorreu a conversa a que você se refere. Era madrugada do dia 05 para o dia 06 de dezembro de 2009″, responde Somba. “O Sr. Paulo Octávio depois de questionado por mim, afirmou que os conteúdos das pastas que aparecem nos vídeos do Sr. Marcelo Carvalho eram destinados a ele, Paulo Octávio. Conteúdos estes que tive a certeza de ser dinheiro quando ele afirmou que não seria todo para ele. Uma parte, segundo ele, seria para o Sr. Governador José Roberto Arruda. Novamente questionado, pois não acreditei na afirmação de que parte seria para Arruda, ele assumiu que seria todo dele”, diz Sombra no email. “Não temo o uso do poder econômico e muito menos, as ameaças, sejam elas de quaisquer tipo que venham a ocorrer em função de nossa posição”, completa o jornalista.
    A conversa entre os dois foi provocada pela declaração do advogado de Paulo Octávio, Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, na terça-feira (30) de que o ex-vice iria processar Durval por calúnia e difamação. “Me assustou muito, ao ouvir ontem, as afirmações atribuidas a Paulo Octávio de que iria processar você por calúnia e difamação. Neste momento, me ponho à disposição para em qualquer instância que chamado for, prestar os esclarecimentos ou testemunho necessários ao pronto restabelecimento da verdade”, encerra Sombra.
    Sobre estas novas acusações, Kakay foi ainda mais enfático: “Ninguém nesta cidade acredita mais no que esses dois falam. Eles estão desacreditados. Nem temos que dar atenção a essas declarações”.
    Confira os emails na íntegra:
     am. Eles estão desacreditados. Nem temos que dar atenção a essas declarações”.
    Confira os emails na íntegra:

    terça-feira, 30 de março de 2010

    ARRUDAGATE - Durval Barbosa presta depoimento à CPI


    O delator do esquema de mensalão do Democratas de Brasília disse que um rolo compressor vem por aí.


    O homem que denunciou o mensalão do Democratas de Brasília falou nesta terça-feira, pela primeira vez, desde que o escândalo estourou e fez ameaças: disse que um rolo compressor vem por aí.

    O delator do esquema chegou à CPI com um habeas corpus, que lhe garantiu o direito ao silêncio. Foi o primeiro depoimento à comissão. A sessão durou meia hora, o suficiente para Durval deixar recados.

    “Eu já prestei mais de 40 depoimentos, e prestei a entidades em quem eu confio”, disse o ex-secretário Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa.

    O ex-secretário do governo de José Roberto Arruda responde a 37 processos na Justiça. Graças às denúncias que fez, conseguiu a delação premiada e está no programa de proteção a testemunhas. Disse que estava sendo pressionado pelo então governador e seu vice, Paulo Octávio.

    “Não estava aguentando mais os achaques do Seu Arruda, os achaques do Paulo Octavio, os achaques de quem tinha alguma coisa a ver”.

    Alguns deputados criticaram o silêncio de Durval. “Repudio a sua presença de ficar calado e, se tivesse poder para tal, não aceitava a decisão judicial”, declarou o deputado distrital Batista das cooperativas (PRP).

    Durval mandou o último recado. “O rolo compressor vem aí. Nem começou. Eu queria dizer ao senhor que nem começou. Vem o rolo compressor. E quem tiver sua culpa, que assuma”.

    Os detalhes desse rolo compressor foram revelados em depoimentos à Polícia Federal e estão sob segredo de Justiça. Durval teria incluído nomes na lista do mensalão, quase toda a Câmara Legislativa, com exceção de dois ou três deputados.

    Durval também teria dito que, apesar das denúncias, o esquema de propina continua por meio de contratos superfaturados, que já estão sendo investigados.

    O advogado do ex-governador José Roberto Arruda disse que as acusações de Durval não têm credibilidade e que ele vai ser desmascarado em juízo. O advogado do ex-vice-governador Paulo Octávio disse que entrará com processo contra Durval por calúnia e difamação.

     


     

    quinta-feira, 25 de março de 2010

    ARRUDAGATE - Denúncia semelhante atinge Roriz

    Do G1:
    Uma denúncia do Ministério Público Federal de 2003, a que a Globo News teve acesso, indica que um esquema muito semelhante ao do mensalão do Democratas já acontecia no Distrito Federal no governo de Joaquim Roriz.
    No documento, aparecem práticas e personagens que ficaram bem conhecidos nos últimos meses.
    Entre os personagens citados está Durval Barbosa, o homem que detonou o escândalo envolvendo o governador afastado, José Roberto Arruda, em troca da delação premiada. A diferença é que os processos envolvendo Roriz não foram para frente. E estão parados na Justiça até hoje.
    A denúncia - a qual a Globo News teve acesso com exclusividade - foi feita pelo Ministério Público em 2003, revela que o ex-governador Joaquim Roriz usava de forma "reiterada, sistemática e permanente" recursos públicos na campanha eleitoral. E aponta indícios de que ele teria desviado R$ 13 milhões.
    Na lista de denunciados aparece também Durval Barbosa que detonou o escândalo do Democratas de Brasília em troca do benefício da delação premiada.
    Segundo o Ministério Público, o esquema funcionava assim: o governo Roriz contratava empresas e repassava recursos para os pagamentos de serviços que nunca seriam feitos.
    Para justificar o pagamento, as empresas emitiam notas fiscais frias. Depois, essas empresas assumiam os gastos do comitê de campanha do então governador - que concorria à reeleição.
    O dinheiro pagou até a construção de um estúdio de tevê onde foram gravados os programas da campanha de Roriz. E duas empresas suspeitas de participação no mensalão do DEM são mencionadas no processo contra o governo anterior, a Adler e a Linknet, prestadoras de serviço do governo.

     

     

    quinta-feira, 18 de março de 2010

    MENSALÃO DO DEM - Arruda chega a hospital em Brasília para cateterismo

    O governador cassado do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) chegou na manhã desta quinta-feira ao Hospital das Forças Armadas, em Brasília, para fazer um cateterismo, de acordo com o Bom Dia Brasil. Segundo o médico de Arruda, Brasil Caiado, uma tomografia realizada na quarta-feira mostrou uma placa de gordura em uma artéria.
    Segundo o médico, O cateterismo servirá para avaliar a gravidade da situação, de acordo com o médico. O cateterismo não foi realizado hoje por "questões logísticas", segundo o advogado de Arruda.
    Entenda o caso
    O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
    O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
    As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

     

     

    quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

    CPI da Codeplan deve pedir cópia de inquérito que investiga suposto esquema de corrupção no GDF

    Luísa Medeiros -  Correio Braziliense
    Publicação: 10/02/2010 08:46 Atualização: 10/02/2010 08:52
     
    Os integrantes da CPI da Codeplan devem se reunir hoje com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro César Rocha, para pedir cópia integral do Inquérito nº 650, que investiga as denúncias de suposto esquema de corrupção e pagamento de propina envolvendo o GDF, empresas e deputados distritais. Os deputados querem ter acesso aos trechos mantidos sob segredo de Justiça.

    Na reunião de ontem, os distritais não definiram a presidência nem a indicação do quinto integrante da CPI, mas aprovaram o cronograma de trabalho. Os empresários citados no suposto
    esquema serão os primeiros a ser ouvidos. Durval Barbosa, o autor das denúncias, e o jornalista Edson Sombra ficarão por último.

    sábado, 6 de fevereiro de 2010

    Inquérito mostra que Durval manipulou gravações, diz advogado de Arruda

    Denúncias são 'factóides para criar atmosfera irrespirável', afirmou.
    Ao G1, PF negou que tenha havido manipulação nas gravações.

    Eduardo Bresciani e Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

    O advogado José Gerardo Grossi afirmou nesta sexta-feira (5) que a Polícia Federal teria admitido no inquérito da Operação Caixa de Pandora que o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa manipulou um equipamento usado para escuta ambiental em seu gabinete. Segundo Grossi, ele ligava e desligava o aparelho quando desejava. Grossi é advogado do governador José Roberto Arruda (sem partido).

    "A escuta ambiental, com autorização judicial, foi montada no gabinete dele. O que aconteceu com este aparelho de escuta ambiental? O senhor Durval fez tanta molecagem ligando e desligando a seu bel prazer que a Polícia Federal pediu para retirar porque ele estava manipulando todo o material da escuta ambiental", disse Grossi.

    Segundo o advogado, as provas gravadas por esse sistema de escuta teriam sido desconsideradas posteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    Procurada pelo G1, a Polícia Federal negou que Durval tenha manipulado as gravações. “De acordo com a perícia realizada, não houve, nos trechos apresentados à Polícia Federal, qualquer tipo de manipulação”, informou a PF, por meio de suas assessoria. As investigações do órgão na Operação Caixa de Pandora resultou em inquérito que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ)


    Também advogado de Arruda, Nélio Machado* procurou enfatizar os processo que Durval responde na Justiça para desqualificá-lo. Para ele, as denúncias não passam de um "factóide".

    "Não podemos aceitar essa perseguição política a partir de factóides criados para criar atmosfera irrespirável para o governador. Não se pode ter sentença condenatória com base em acusações de um cidadão useiro e vezeiro em frequentar o banco dos réus da Justiça brasileira", disse Machado.


    Nota do blogueiro : Nélio Machado, também é advogado de Daniel Dantas

    sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

    Dinheiro para suborno foi obtido com sobrinho de Arruda

    Mensalão do DEM
    (Atualizada às 21h20)
    Em depoimento, esta tarde, na Polícia Federal, Antonio Bento, funcionário aposentado da Companhia de Energia de Brasília, disse que recebeu de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário-particular do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, os R$ 200 mil que entregou hoje pela manhã em um restaurante da cidade ao jornalista Edson Sombra, uma das testemunhas-chaves do caso do Mensalão do DEM.
    Bento foi preso por agentes federais logo depois do ato de entrega do dinheiro. Sombra havia contado com antecedência à polícia que estava em curso uma tentativa de suborná-lo comandada diretamente por Arruda.
    Em meados de janeiro último, Sombra fora visitado no seu apartamento, na Asa Norte, pelo deputado distrital Geraldo Naves (DEM), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa.
    Segundo Sombra contou à polícia, Naves lhe deu um bilhete escrito por Arruda e adiantou qual era a oferta dele. Em troca de R$ 3 milhões, Sombra deveria dizer que haviam sido manipulados os vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo, onde aparecem Arruda e deputados que o apóiam embolsando dinheiro.
    Foi Sombra que convenceu Durval a denunciar o mensalão do DEM.
    No bilhete, já de posse da polícia, Arruda escreveu frases soltas. Algumas delas:
    * "Gosto dele". (Sombra entendeu que ele se referia a Durval.)
    * "Sei que tentou evitar". (Sombra entendeu que Arruda quis dizer que ele, Sombra, tentara impedir Durval de detonar o escândalo.)
    * "Preciso de ajuda. Sou grato".
    No bilhete, Arruda escreveu uma sigla - GDF. E ao lado dela, assinalou: "OK ". GDF é Governo do Distrito Federal. Sombra entendeu que Arruda sugeria que ele não teria dificuldades no âmbito do governo.
    Então decidiu procurar o jornalista Wellington Moraes, assessor de comunicação social de Arruda. Os dois se reuniram em uma sala do oitavo andar do edifício Liberty Mall.
    - Diz pro Arruda que não dá para negociar com um intermediário tão amador como é esse Geraldo Naves.
    Como prova do amadorismo de Naves, deu a Welligton o original do bilhete que Arruda lhe enviara. Guardou uma cópia.
    Em seguida, pediu emprestado o celular de Wellington e telefonou para Arruda na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador do Distrito Federal.
    O diálogo com Arruda foi curto. Sombra encerrou-o dizendo:
    - O que já fizemos juntos no passado dispensa agora o uso de intermediários.
    Os dois foram amigos. Mas naquele momento o que Sombra pretendia era dar esperança a Arruda de que aceitaria a proposta de suborno feita por intermédio do deputado Naves.
    - Tratei do assunto várias vezes com Wellington e depois com Antonio Bento. Isso durou quase três semanas - revelou Sombra a este blog.
    Bento havia trabalhado de graça na campanha de Arruda para governador. Esperava depois ser nomeado para um cargo em comissão.
    Arruda ofereceu-lhe um cargo cujo salário era de R$ 2 mil mensais. Bento preferiu aceitar a oferta de Sombra, que é dono do jornal quinzenal O Distrital, e o empregou como "gerente comercial para o mercado privado".
    Foi Bento, que esteve três ou quatro vezes com Arruda da semana passada para cá, quem escreveu em papéis colecionados por Sombra as siglas BRB e CEB.
    BRB é Banco Regional de Brasília. Ali, adiantou Bento, a Arte Produção, empresa de Sombra, ganharia uma conta garantida de R$ 450 mil, prometera Arruda. CEB quer dizer Companhia de Eletricidade de Brasília.
    À CEB, Sombra deve mais de R$ 500 mil da época em que arrendou uma emissora de rádio que pertenceu ao ex-senador Luiz Estevão de Oliveira. A dívida seria perdoada ou renegociada, dissera-lhe Bento a pedido de Arruda.
    O que Bento não sabia, e só ficou sabendo hoje na Polícia Federal, é que Sombra gravou em vídeo várias conversas que teve com ele e Wellington.
    - Gravei cinco ou seis encontros que tive com Bento na minha casa.  E dos cinco encontros que tive com Wellington, gravei um. As fitas estão com a Polícia Federal. No total, somam mais de 12 horas - revela Sombra.

    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

    PF prende ex-funcionário do GDF sob a acusação de tentar subornar testemunha

    origem: correio brasiliense - Publicação: 04/02/2010 12:01 Atualização: 04/02/2010 15:28
     
    Um ex-funcionário do Governo do Distrito Federal foi preso na manhã desta quinta-feira (4/2) pela Polícia Federal. Antônio Bento é acusado de tentar subornar um envolvido no escândalo do mensalão do Democratas – como ficou conhecido o suposto pagamento de propina ao alto escalão do governo.
    As suspeitas são de que Bento estaria com dinheiro para subornar Edson Sombra, jornalista ligado ao ex-secretrário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que denunciou o suposto esquema de corrupção no Distrito Federal. Sombra teria posse de todos os vídeos gravados por Durval, que desencadearam a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
    Antônio Bento é gerente comercial do jornal O Distrital, do qual Edson Sombra é jornalista responsável. Ele integra o conselho fiscal do Metrô-DF e é ex-funcionário da Companhia Energética de Brasília (CEB), aposentado há oito anos. De acordo com o governo, não há nenhuma relação entre Bento e o GDF.
    A prisão
    De acordo com a Polícia Federal, Antônio Bento foi preso por volta das 9h em um restaurante do Sudoeste. O dinheiro apreendido estava em uma sacola parda. Por volta das 13h, a PF ainda não tinha a confirmação do valor que ele levava. No início da tarde, o acusado prestava depoimento ao delegado Alfredo Junqueira, responsável pelas investigações do escândalo que veio à tona com a Operação Caixa de Pandora.

    sábado, 30 de janeiro de 2010

    Dinheiro de Durval ajudou campanha de Roriz e Abadia

    Deu no Correio Braziliense
     
    Secretário de Planejamento na gestão anterior recebia valores para pagar os custos das disputas dos ex-governadores ao Senado e ao Buriti. Em um mês, a quantia chegou a R$ 40 mi


    Vídeo mostra Durval Barbosa entregando maços de dinheiro a Luiz Naves


    Um dos personagens da Operação Caixa de Pandora, deflagrada em novembro pela Polícia Federal, José Luiz Naves, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), revelou que o destino do dinheiro repassado a ele por Durval Barbosa em 2006 era a campanha do ex-governador Joaquim Roriz ao Senado e de Maria de Lourdes Abadia ao governo do DF. À época, Naves era secretário de Planejamento do governo Abadia.
    Em entrevista ao Correio, Naves afirmou desconhecer a origem do dinheiro. “Nunca procurei saber a origem desse dinheiro, só ia buscá-lo com o Durval para pagar os gastos da campanha. O valor era variável, acho que o maior montante foi R$ 40 mil em um mês”, disse.
    Naves também negou as denúncias, feitas por Durval à PF, de que ele teria trabalhado para facilitar a assinatura de contratos entre o GDF e empresas doadoras de recursos à campanha do então candidato José Roberto Arruda.
    Naves apresentou sua defesa à Corregedoria do DF e se colocou à disposição do Ministério Público do DF e Territórios e dos deputados distritais para uma eventual acareação com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa.
    Ele afirmou ainda que, durante sua participação no governo Arruda, como presidente da Codhab, nunca ouviu falar do suposto pagamento de propina a políticos da base aliada para que votassem de acordo com os interesses do governo.
    José Luiz Naves classifica o depoimento de Durval Barbosa como uma “atitude insana e inescrupulosa” e desmente a denúncia de que teria trabalhado para arrecadar recursos para a eleição de Arruda ao Buriti.
    “Eu jamais faria esse jogo duplo. A primeira vez que eu conversei com o Arruda foi depois das eleições”, garante.
    Quando Arruda assumiu o governo, convidou Naves para ficar à frente da Administração Regional de Samambaia. Logo depois, ele assumiu a presidência da Codhab, onde comandou projetos de grande apelo eleitoral, como a distribuição de lotes para pessoas carentes e para policiais militares e professores.

    terça-feira, 26 de janeiro de 2010

    O berço do esquema do panetone

    Carta de um ex-deputado ao governador Arruda lança suspeitas sobre o governo de Joaquim Roriz
    Andrei Meireles e Marcelo Rocha

    Época - 22/01/2040 - 22:28 - Atualizado em 22/01/2010 - 22:22

    Sergio Lima
    COBRANÇA
    Pedro Passos, mesmo sem mandato, pediu a Arruda uma mesada de R$ 100 mil
    Sergio Lima
    PAGAMENTO
    O ex-governador Joaquim Roriz. Ele nega ter pagado propina em sua gestão
    A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, revelou ao país cenas estarrecedoras sobre um esquema de caixa dois e pagamentos de propinas a políticos de Brasília. Primeiro, surgiram os vídeos de políticos escondendo dinheiro em sacolas, meias e até na cueca. Em seguida, a insólita declaração, às vésperas do Natal, de que o dinheiro nas mãos do governador de Brasília, José Roberto Arruda, se destinava à compra de panetones. Agora, a PF investiga documentos e anotações apreendidos nas casas e nos gabinetes dos principais assessores de Arruda. Na casa de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda, os policiais encontraram duas cartas que têm potencial para ganhar lugar de destaque no acervo das peças sobre corrupção no país. Investigadores afirmam que o autor das cartas é Pedro Passos, um empresário que ganhou fama na capital ao ter sido acusado de grilar terras públicas, depois vendidas como lotes urbanos. Passos tornou-se político apoiado pelo ex-governador Joaquim Roriz. Em 2002, foi eleito deputado distrital. Reeleito quatro anos depois, acabou renunciando em agosto de 2007, após ser acusado pela PF de receber propina em outro escândalo de corrupção.
    Nas duas correspondências não datadas apreendidas pela PF o autor relata a Arruda suas dificuldades financeiras, causadas, escreve ele, por estar há 18 meses sem receber propina. Em seguida, pede dinheiro ao governador. Numa das cartas, endereçada a Arruda, ele diz que, para aliviar o aperto em suas finanças, precisa de “R$ 1.500 agora, o mais rápido possível, urgente” e “R$ 100 por mês, por mais ou menos um ano”. Segundo os investigadores, os valores seriam, na realidade, R$ 1,5 milhão e R$ 100 mil. Numa tentativa de sensibilizar o governador, o autor das cartas descreve como funcionava seu fluxo de caixa no governo Roriz e o espaço político que ele ocupava. Diz o documento:
    “Reprise da minha situação anterior:
    1º - Detran: + ou - 150 mês.
    2º - Valério: 50 mês.
    3º - Estrutura da CLDF.
    4º - Maior espaço no GDF.
    5º - Diversos outros negócios decorrentes do mandato.”
    De acordo com os investigadores, o “Valério” da carta seria Valério Neves, ex-chefe de gabinete de Roriz no governo de Brasília e no Senado e, há muitos anos, assessor de confiança do ex-governador. ÉPOCA ouviu ex-secretários e assessores que tiveram forte influência nas administrações de Roriz. Sob a condição de não ser identificados, eles disseram que havia uma mensalidade paga a deputados distritais e até a conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Esses ex-colaboradores afirmam que Valério era o responsável pela operação. Os valores mensais, de acordo com eles, variavam de R$ 30 mil a R$ 70 mil, de acordo com a importância do político. Por esse critério, Pedro Passos, com seus R$ 50 mil, estaria cotado numa posição intermediária. Roriz negou a ÉPOCA ter pagado qualquer propina.
    Entre as anotações com registros de nomes e valores apreendidas na casa de Lamoglia, aparece a inscrição “PP – 30”. Os investigadores suspeitam que seria a contabilidade de um pagamento de R$ 30 mil para Passos. Passos nega que tenha recebido mesada de Valério ou propina por contratos com o Detran. “Que eu tivesse conhecimento, isso não existiu no governo Roriz. Eu nunca mexi com isso, nem com deputados nem com conselheiros”, afirmou.
    ÉPOCA também ouviu Passos sobre os pedidos feitos a Arruda. Ele confirmou que, após deixar a Câmara, mandou recados ao governador para cobrar compromissos políticos – inclusive ajuda financeira – assumidos durante as eleições. “Parte das coisas que estão aqui (nas cartas) são cobranças que eu fiz mesmo”, diz. Apesar de todas as evidências, Passos afirma que não foi o redator das cartas. “Se foi o Domingos (Lamoglia) , não sei”, diz. Passos diz que, apesar das várias cobranças, não recebeu dinheiro de Arruda.
    Alguns dos mais influentes assessores de Arruda nestes três anos de governo afirmaram a ÉPOCA que, em janeiro de 2007, ao chegar ao Palácio do Buriti, Arruda mandou suspender o pagamento de propina a deputados. O resultado, segundo eles, teria sido ruim para o governo. Projetos importantes teriam sido engavetados e dificuldades de todo tipo teriam sido criadas por políticos da base governista. Arruda, então, teria começado a fazer acertos individuais, com pagamentos pontuais para cada projeto que conseguia aprovar. Seis meses depois, Arruda teria concluído que esse tipo de negociação saía mais caro que o método atribuído a Roriz. Dessa forma, ele teria restabelecido o pagamento das mensalidades.
    Em uma das cartas a Arruda, Passos pede “R$ 1.500 agora,
    o mais rápido possível, urgente”
    Nos dois governos, de acordo com as suspeitas, a principal fonte do dinheiro seria a cobrança de propina de empresas com contratos de prestação de serviços de informática ao governo. O esquema teria vigorado desde 1999, operado durante todos esses anos pelo delegado de polícia Durval Barbosa, o delator do escândalo do panetone.
    Em depoimento ao Ministério Público, Durval afirmou que, há dez anos, recebeu orientação do então secretário do governo, Benjamin Roriz, primo do ex-governador, para criar um mecanismo capaz de burlar licitações e arrecadar dinheiro para campanhas eleitorais. Segundo Durval, parte desse dinheiro financiou as campanhas de Roriz, em 2002, e de Arruda, em 2006.
    As fraudes operadas por Durval foram descobertas pelo MP, que apresentou à Justiça dezenas de ações contra ele. Em duas delas, Roriz também foi denunciado. Num dos vídeos divulgados por Durval, aparece o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal José Luiz Vieira Naves recebendo dinheiro de Durval. A gravação é de 2006. Ao MP, Durval disse que fez pagamentos a Naves porque ele ajudou a captar recursos para a campanha de Arruda. A versão de Naves é diferente. Em depoimento prestado à Corregedoria do governo de Brasília, ele diz que os maços de dinheiro eram parte de um acerto de Durval com Roriz. Segundo Naves, Durval lhe entregava R$ 40 mil por mês, pagos em duas parcelas quinzenais, para coordenar, na periferia de Brasília, as campanhas de Roriz ao Senado e da tucana Maria de Lourdes Abadia – adversária de Arruda – ao governo do Distrito Federal. “Como secretário do meu governo, Naves participou da campanha conjunta que fiz com Roriz”, diz Abadia.
    Na segunda-feira, época.com.br divulgou um laudo do perito Ricardo Molina, professor da Universidade de Campinas, que atestou que os registros numa agenda sobre pagamentos encontrada na casa de Lamoglia foram feitos pelo próprio Arruda. Dias antes, em nota encaminhada a ÉPOCA, a assessoria de Arruda disse que o governador não faria comentários sobre “papéis” e “anotações” de terceiros.
    Em seus depoimentos à PF e ao MP, Durval tem esmiuçado suas denúncias de corrupção no governo Arruda. Até agora, pouco falou sobre as irregularidades nas gestões de Roriz. Os investigadores esperam que, numa segunda etapa, ele faça revelações sobre o governo anterior. A cada dia, as novas revelações mostram como a PF foi feliz ao batizar a operação de Caixa de Pandora.
    Fernando Bizerra A PROVA
    A carta apreendida pela Polícia Federal, com detalhes sobre como teria funcionado o pagamento de propina no governo Roriz
    (clique na imagem para ampliar)






    Mensalão do DEM - Ameaçado, Durval recuou


    Com uma série de ameaças nos bastidores, os aliados do governador José Roberto Arruda (ex-DEM) conseguiram adiar a ida do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa à CPI da Câmara Legislativa que investiga o mensalão do DEM no DF.
    Intimidado, o homem-bomba do escândalo enviou ofício pedindo que seu depoimento, que estava previsto para hoje, seja marcado em "data futura". A manobra irritou a oposição, que esperava novas denúncias contra o grupo de Arruda.
    Em recados enviados a Durval nos últimos dias, os governistas prometeram contra-atacar com dossiês sobre sua atuação como presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) no governo de Joaquim Roriz, hoje no PSC.
    O ex-delegado responde a mais de 30 ações por supostos desvios no período. As denúncias contra Durval viraram munição para os aliados de Arruda, que se disseram prontos para botá-lo contra a parede na CPI.
    Nos próximos dias, Durval Barbosa deve tentar um acordo para que os governistas não citem, durante seu depoimento à CPI, as denúncias da época do governo Roriz.
    Em troca, os aliados de Arruda teriam a garantia de um depoimento sem novidades, no qual o ex-secretário se limitaria a confirmar o que já disse no inquérito sobre o caso no Superior Tribunal de Justiça.
    Leia mais em O Globo






    domingo, 24 de janeiro de 2010

    Mensalão do DEM - Mais um pede para ficar calado

    De O Globo:
    O proprietário da empresa CTIS, Avaldir da Silva Oliveira, entrou nesta sexta-feira com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de garantir o direito de ficar em silêncio durante o depoimento que prestará à Polícia Federal, no dia 27 de janeiro, às 10h.
    Oliveira, um dos suspeitos de participar do suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, pede ainda para não dar declarações todas as vezes em que for chamado para tratar do inquérito, que seja concedida a liminar para não ser compelido a assinar termo de compromisso, além de poder exercer o direito de não se incriminar, ser assistido por seus advogados e comunicar-se livremente com eles.
    A empresa de Oliveira foi citada pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa como uma das que participava do suposto esquema.
    De acordo com o pedido, o empresário está sendo tratado como suspeito nas investigações do inquérito, já que em dezembro do ano passado foi aberto o sigilo bancário e fiscal de sua empresa.
    Os advogados fizeram o pedido, afirmando estarem pautados no entendimento da Suprema Corte. O STF assegura ao investigado o direito de não se incriminar, podendo, inclusive, permanecer calado durante o inquérito e toda a instrução criminal.
    O habeas corpus informa que no dia 14 de janeiro a defesa requereu vistas do inquérito e, até o momento, não foi possível ter acesso integral dos autos.