Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 24 de abril de 2012

DELTA EM MG I - Obra em Minas têm suspeita de SUPERFATURAMENTO

MARCELO PORTELA - Agência Estado

Auditoria técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Minas apontou indícios de superfaturamento em uma obra da Prefeitura de Belo Horizonte realizada pela Delta Construções, que ainda participa de outra licitação na capital mineira, já suspensa pelo tribunal também por indícios de irregularidades. A Delta é investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, além de possíveis irregularidades em contratos com os governos de Goiás, Distrito Federal e Tocantins. 

Na capital mineira, a empresa venceu, junto com a Cowan, a licitação para a realização de intervenções nas Avenidas Dom Pedro I e Antônio Carlos, inclusive a instalação do sistema de trânsito rápido de ônibus, algumas das principais obras de mobilidade na cidade para a Copa do Mundo de 2014. Relatório técnico do TCE apontou indício de superfaturamento de R$ 6 milhões na obra, cujo orçamento é de R$ 154 milhões, com sobrepreço de quase 350% em alguns itens em relação aos valores de mercado.

Conforme o documento, apenas no caso de blocos de concreto para calçamento e sustentação de estruturas o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 2,4 milhões.

Notificação
Na sexta-feira, a conselheira responsável pelo processo, Adriene Andrade, mulher do senador Clésio Andrade (PMDB-MG), notificou a prefeitura e a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) para que se pronunciem, em 30 dias, sobre o caso. A assessoria da Sudecap respondeu que nega irregularidades na obra e afirma que o relatório está sob análise de técnicos devido à grande quantidade de questionamentos. Ainda conforme a Sudecap, o sobrepreço deve-se ao fato de o tribunal ter baseado o parecer em tabelas diferentes da usada pela Sudecap, que usa uma relação própria "feita com base em pesquisa de mercado e atualizada e enviada ao TCE periodicamente". 

A Delta também está interessada em outros projetos na capital mineira. Ela é uma das que disputam a licitação para a realização de intervenções na Avenida Cristiano Machado. No mês passado, porém, o TCE encontrou "vícios" no processo, também suspenso por apresentar sobrepreço; falta de informações no edital publicado pela prefeitura; desobediência a prazos legais e restrições no certame que, para a corte, poderiam direcionar o processo de seleção. A Sudecap também nega irregularidades na licitação, orçada em R$ 44,3 milhões. O Estado procurou a assessoria da Delta, mas não teve resposta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

DELTA NO RIO - Investigada pela PF, Delta tem mais de R$ 1 bilhão em contratos

Construção de trecho da Transcarioca é um de seus 4 grandes contratos.
Ao contrário do estado, prefeitura diz que não será feita nova inspeção.
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Do G1 RJ
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A construtora campeã de contratos com o governo do estado, investigada pela Polícia Federal por envolvimento com a contravenção, a Delta Construções trabalha também para a prefeitura do Rio de Janeiro. E tem mais de R$ 1 bilhão em contratos com o município, segundo levantamento feito pelo RJTV.

A empresa, que já abandonou a reforma do Maracanã, é responsável por um dos maiores investimentos da cidade para as Olimpíadas de 2016.

A Delta tem quatro grandes contratos com a prefeitura do Rio, incluindo estradas, viadutos, melhorias em favela, corredor de ônibus. O valor é de R$ 1.027.640.154. A construtora trabalha na urbanização da comunidade Chico Mendes, na Pavuna, no subúrbio do Rio. Na criação do Parque Madureira e em um conjunto de obras na Zona Oeste.

A Delta também faz parte do consórcio responsável por uma das obras mais importantes e caras da cidade: a Transcarioca, corredor expresso de ônibus que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, passando pela Penha, na Zona Norte. São quase R$ 798,4 milhões.
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Em parceria com a construtora Andrade Gutierrez, a Delta constrói o trecho que vai da Penha até a Barra da Tijuca. São 26 km dos 39 km de extensão do corredor. As obras começaram em março do ano passado e devem terminar em dezembro de 2013.

A prefeitura informou que até agora a Delta não deu sinais de que vá deixar o consórcio. E garantiu: mesmo que isso ocorra, não haverá prejuízo para a cidade. Por contrato, a Andrade Gutierrez tem que assumir sozinha a construção.

A Delta já saiu do consórcio da reforma do Maracanã, obra de responsabilidade do governo do estado. A decisão foi tomada depois de uma sequência de denúncias sobre o suposto envolvimento da construtora com esquemas de contravenção e pagamento de propina a políticos.

Por causa disso, o estado começou uma auditoria em todos os contratos com a Delta.

A prefeitura, ao contrário do governo do estado, decidiu não fazer nenhuma inspeção nova. Em nota, informou que já existe uma fiscalização permanente dos órgãos municipais de controle e se for identificada qualquer irregularidade o contrato poderá ser rompido.   

DELTA NO PAC - CGU abrirá processo administrativo para investigar a Delta

DIMMI AMORA
MÁRCIO FALCÃO
Folha de São Paulo

BRASÍLIA - A CGU (Controladoria-Geral da República) deve publicar nesta terça-feira (24) portaria abrindo processo administrativo disciplinar para investigar a construtora Delta, que teve integrantes de sua cúpula citados em conversas do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira --preso na Operação Monte Carlo--, interceptadas pela Polícia Federal.

A CGU vai apurar irregularidades da construtora em obras em nove Estados. São falhas como pagamento de serviços fora do segmento contratado, pagamento de serviços inexistentes, deficiências nos projetos aprovados, entre outros.

O processo vai avaliar se a construtora será declarada inidônea e proibida de firmar contratos com o governo. A investigação pode levar até dois meses. A empresa terá direito de se defender das irregularidades apontadas.

De acordo com a CGU, caso o processo administrativo conclua que a Delta é inidônea, os órgãos que têm contratos com ela terão a opção de rescindir os compromissos já assinados.

A interrupção significará que o governo terá que chamar a segunda colocada na licitação ou fazer uma nova concorrência pública.

Atualmente, as segundas colocadas não costumam aceitar porque as licitações são feitas com preços antigos, que estão defasados. E, em caso de nova licitação, os orçamentos para a administração, em geral, ficam maiores.

A Delta afirma que as eventuais relações da construtora com Cachoeira se referem apenas ao ex-diretor da empresa para a região Centro-Oeste, Claudio Abreu, já afastado, e não à sua cúpula.

A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007 e deve ser investigada na CPI do Cachoeira, a ser instalada amanhã no Congresso.

CORRUPÇÃO - Mesmo acusada de corrupção, DELTA continua a frente de várias obras

Delta participa de quatro grandes obras para a Copa de 2014
Contratos de 5 obras do PAC somam R$ 1,3 bilhão; maior presença é na Ferrovia Oeste-Leste
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Mônica Tavares
Paulo Celso Pereira
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Obras da Ferrovia Oeste Leste, também são feitas pelas Delta
Agência O Globo
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Além da construção do Maracanã, a construtora Delta participa de três outras obras fundamentais dentro dos preparativos para a Copa do Mundo, com contratos que somam R$ 1,198 bilhão. São obras de mobilidade urbana no Rio, Belo Horizonte e Fortaleza.

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A construtora também está presente em cinco grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em contratos que somam R$ 1,363 bilhão.

No Rio, a empreiteira é responsável pela implantação da Transcarioca, que ligará o Aeroporto Internacional Tom Jobim à Barra da Tijuca passando pela Penha. Feito em consórcio com a Andrade Gutierrez, o contrato soma R$ 798 milhões. Apesar dos crescentes rumores de que abandonaria a obra, a Delta não confirma a informação. Em nota divulgada ontem, a prefeitura do Rio deixou claro que o contrato prevê uma alternativa:

“O contrato assinado com o município estabelece que, se uma das empresas decidir sair, a outra — neste caso, a Andrade Gutierrez — assume todas as responsabilidades pela obra, sem causar qualquer prejuízo à cidade.” A prefeitura ressalta, no entanto, não ter sido informada de qualquer decisão da Delta sobre abandonar a obra.

Em Belo Horizonte, uma das obras importantes para os jogos de 2014 está sendo executada pela Delta. Trata-se da ligação do aeroporto de Confins à região hoteleira e ao centro da capital, com a implantação do BRT (Trânsito Rápido de Ônibus). Em consórcio com a Construtora Cowan, a empreiteira foi contratada pela prefeitura do município para realizar a parte principal da obra. O contrato, no valor de R$ 170 milhões, começou a vigorar em março de 2011 e vai até abril do próximo ano.

Enquanto as obras no Rio e em Belo Horizonte já andam a pleno vapor, as de Fortaleza sequer começaram. Prevista para ter início em duas semanas, a construção da Via Expressa em Fortaleza, com túneis e viadutos, deve render R$ 145 milhões à Delta.

Além das obras da Copa, a Delta está presente em grandes obras do PAC. Entre essas, a maior participação é na Ferrovia Oeste-Leste dentro do Consórcio com a SPA Engenharia e Convap, com contrato de R$ 574 milhões. A ferrovia terá 1.527 km de extensão e fará uma conexão com a Ferrovia Norte-Sul.

A segunda maior participação é na obra de Transposição do Rio São Francisco — em consórcio com a EIT e Getec — valor de R$ 265 milhões. A transposição é uma obra bastante polêmica, que começou em 2007 e desvia as águas do rio São Francisco em Pernambuco para a Bahia, Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará.

Além disso, a Delta tem participação na duplicação da rodovia BR-060, em Goiás e em dois lotes da BR-101 em Sergipe, que tem 204 km de extensão. A BR-101 é a segunda maior rodovia do país, com quase 4.200 km cortando todo o litoral.

A empresa também tem contratos de manutenção e e conservação de rodovias em todo o país. Somente em janeiro e fevereiro deste ano foram assinados três novos contratos, sendo dois para trabalhos no Ceará, nas BR-116 e BR-437 e outro no Paraná na BR-158, no total de R$ 7,8 milhões.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que aguarda a decisão da CGU sobre a idoneidade da construtora para posicionar-se a respeito da participação da construtora nessas obras.

A Delta informou ontem que vai tentar manter-se nas obras do PAC. Em nota, afirma que “tem feito um enorme esforço para seguir com todos os projetos que toca, honrar todos os compromissos, manter todos os postos de trabalho de seus mais de 25.000 colaboradores, cumprir todos os prazos de entrega das obras contratadas, ao mesmo tempo em que se defende na Justiça, na mídia e no Parlamento”.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/delta-participa-de-quatro-grandes-obras-para-copa-de-2014-4712056#ixzz1srLQrbem

CACHOEIRODUTO - Receita liga bens que somam R$ 30 mi a esquema comandado por Cachoeira

Auditores identificam imóveis, um avião e automóveis de luxo em nome de pessoas próximas do contraventor, como a ex-mulher, o irmão e o contador do grupo 
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Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo  .
Relatório produzido pela Receita Federal durante as investigações da Operação Monte Carlo revela que, além dos indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, a organização criminosa de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acumulou um patrimônio de cerca de R$ 30 milhões. Cachoeira é um dos alvos da CPI criada pelo Congresso, cuja instalação está prevista para quarta-feira.

Para a Receita, os valores são incompatíveis com a renda dos integrantes do esquema que, segundo a Polícia Federal, explorava caça-níqueis e contratos públicos em parceria com a Delta Construções. O relatório apresenta a quebra de sigilo bancário, incluindo a análise das contas bancárias e das declarações de imposto de renda.

Os auditores identificaram movimentações atípicas e ações fiscais anteriores às investigações da PF. Segundo a Receita, Carlinhos deixava todos os seus bens em nome da ex-mulher Andréia Aprigio de Sousa ou do ex-cunhado Adriano Aprigio. “Observa-se que os valores que circulam pelas contas bancárias de Andréia não dão indícios de omissão de rendimentos” , dizem os auditores. “Pelo contrário, como em determinados anos eles ficam aquém do total declarado, a única justificativa plausível seria de que parte dos rendimentos seriam recebidos em espécie ou por outro meio que evitasse a circulação nas próprias contas bancarias."

A ex-mulher de Cachoeira declarou um patrimônio de R$ 9,8 milhões. Entre os bens há uma casa em Miami, uma fazenda de 165 hectares, um avião Cessna, salas comerciais e apartamentos em Goiânia e no Rio. Andréia tem registro de assalariada no laboratório Vitapan, que a PF diz pertencer, de fato, a Cachoeira. O salário em 2010 era de R$ 12 mil.

Casas em Miami eram um dos investimentos preferidos de Cachoeira. Escutas telefônicas mostram o contraventor negociando a compra de imóveis na Florida. Ele negociava em dólares e em euros.

Cofre. A análise da Receita mostra que Carlinhos declara ser dirigente, presidente e diretor de uma empresa industrial. Seus rendimentos variavam entre R$ 60 mil e R$ 70 mil. Já seu patrimônio chegava a R$ 4,3 milhões. O contraventor informou ainda ter R$ 1,2 milhão em espécie no cofre de sua casa.

“Não há indicação da origem de tais recursos. O contribuinte possui baixa movimentação financeira, mas gastos relevantes com cartão de crédito. Se houver pagamento das faturas é possível que seja com conta no exterior”, destaca a Receita. Segundo o relatório, uma das faturas de Andréia chegou a R$ 51 mil.

Já o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva - que está foragido -, apresentou movimentação financeira incompatível com o patrimônio. Em 2010, foram mais de R$ 4,3 milhões. Seus rendimentos, porém, não passaram de R$ 21,3 mil.

O irmão de Cachoeira, Sebastião Ramos, também recebeu dinheiro que não circulou nas suas contas bancárias. Em 2009, por exemplo, foram declarados rendimentos de R$ 1,3 milhão, mas sua movimentação financeira naquele ano foi de R$ 170 mil.

Bens. Até pouco tempo, o engenheiro Cláudio Dias Abreu era apenas o diretor regional de uma grande construtora - a Delta. A Operação Monte Carlo, no entanto, trouxe à tona um operador dos mais diversos negócios.

Abreu mantinha um patrimônio incompatível com seus rendimentos. Em 2008, ele declarou ter recebido R$ 320,9 mil. Naquele mesmo ano, o ex-diretor regional da Delta começou a construção de uma casa no condomínio Alphaville, em Goiânia, e pediu um empréstimo para Rossine Aires Guimarães, outro citado nas investigações, para finalizar a obra. O valor foi de R$ 950 mil. “O patrimônio de Cláudio cresce acima dos rendimentos e passa de R$1,3 milhão para R$ 2,1 milhões”, destacou a Receita.

Dentre os itens que determinaram o patrimônio descoberto estão a aquisição de três salas comerciais em Palmas (TO), um apartamento em Caldas Novas (GO), um veículo Mercedes ao custo de R$ 188 mil e outros sete imóveis residenciais e comerciais, indicam os auditores. Abreu teria ainda quitado o empréstimo com Rossine e obtido um novo crédito, de R$ 1,1 milhão. Os rendimentos tributáveis recebidos por Abreu são todos da Delta.

Construções. No auto de prisão, ele afirmou receber R$ 100 mil por mês, sendo R$ 35 mil da construtora.

A PF pediu o sequestro dos bens e o bloqueio das contas dos envolvidos.

Advogado de Cachoeira, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos não quis se pronunciar sobre o relatório da Receita. “Não estamos falando sobre questões pontuais. A investigação é sigilosa, as menções são descontextualizadas e não tivemos acesso à integralidade dos autos.”

domingo, 22 de abril de 2012

PERSONAGENS DA CPI DO CACHOEIRA - Afinal, quem é Fernando Cavendish, dono da Delta?

O ‘garotão’ que levou a Delta à esfera nacional

Simpático, informal e bonachão, Fernando Cavendish aproximou-se de políticos, como o governador do Rio e amigo, Sérgio Cabral
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Wilson Tosta e Alfredo Junqueira / RIO - O Estado de S.Paulo
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Jeito de garotão, simpatia de carioca e leve sotaque que denuncia o nascimento em Pernambuco. O empresário Fernando Cavendish mistura comportamento informal nos contatos pessoais com agressividade peculiar nos negócios. O estilo do dono da Delta Construções, brindado com muitas das obras do governo do Rio e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), confunde-se com a ascensão da empresa que, de modesta visibilidade em Pernambuco, em 15 anos galgou posto de destaque no País.

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Marco Antonio Cavalcanti/Agência O Globo-22/6/2011
Fernando Cavendish aproximou-se do PAC

O bom relacionamento com sucessivos governos fluminenses - Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006) e Sérgio Cabral Filho (a partir de 2007) - foi importante na trajetória, agora sob investigação da Polícia Federal e da CPI do Cachoeira.

Até os anos 1990, porém, a Delta e Cavendish viveram trajetórias distintas. A empresa foi fundada em Recife, em 1961, por seu pai, Inaldo Soares. O jovem Cavendish vivia no Rio, onde, de 1986 a 1990, estudou engenharia civil nas Faculdades Integradas (hoje Universidade) Veiga de Almeida. Festeiro e boa-pinta, aproveitou a juventude na noite carioca, mas, após formado, assumiu, aos 27 anos, o Conselho de Administração da Delta, em 1.º de dezembro de 1990. Em 1995, transferiu a matriz para o Rio - sempre que pode, demonstra a paixão pelo Estado. "Gosto de praia", diz o empresário, que esbanja informalidade e sorrisos. Ele completará 49 anos em 17 de junho.

Garotinho. Uma cartada de Cavendish decisiva para turbinar a Delta foi a aproximação, no fim dos anos 1990, de Garotinho, então uma novidade. Em parceria com outra empreiteira, a Oriente Construção Civil, a Delta ganhou a concessão da estrada RJ-116, de Itaboraí a Macuco, no interior. Foi o Edital 001/99 do Departamento de Estradas de Rodagem do governo que começava. A via tem quatro postos de pedágio a preços que atualmente vão de R$ 3,90 a R$ 15,60, dependendo do tamanho do veículo, e é explorada desde então pelas duas empreiteiras.

A aproximação Cavendish-gestão Garotinho logo no início do governo ajudou o dono da Delta na disputa com empreiteiras maiores, que passaram a ver com reservas a impetuosidade do jovem. Por vezes, o empreiteiro fixou preços supostamente abaixo do mercado, irritando concorrentes. Mais adiante, a empresa tocou obras grandes da Prefeitura do Rio sob o comando de Cesar Maia (DEM), adversário de Garotinho. "Os concorrentes reclamavam que a Delta entrava com preços inviáveis. Mas a empresa sempre entregou as obras a tempo e com o preço contratado", diz Maia.

Durante a gestão de Maia, de 2002 a 2008, o município contratou, em valores não corrigidos, R$ 331.059.602,42 em obras e serviços da Delta. Hoje, porém, Cavendish já não é mais visto, entre as grandes empreiteiras, como forasteiro. E no governo do sucessor de Maia, Eduardo Paes (PMDB), em valores não corrigidos, fechou contratos de R$ 325.534.422,51.

A primeira eleição de Cabral para governador, em 2006, ocorreu com apoio de Garotinho e de sua mulher e sucessora Rosinha. Cabral foi reeleito em 2010, mas rompido com o casal desde 2007. O fato não afetou a posição da Delta, que ganhou no peemedebista um aliado que facilitou seu acesso ao governo federal. A proximidade com o vice-governador (e ex-secretário de Rosinha), Luiz Fernando Pezão, também foi um fator que ajudou a cacifá-la. Com o crescimento do PAC, a empresa expandiu-se nacionalmente. De 2007 até hoje, as obras contratadas com a Delta pelo Estado do Rio somaram R$ 1,49 bilhão. Entre os trabalhos de maior visibilidade, estão a nova pista do Aeroporto de Cabo Frio e a reurbanização do Complexo do Alemão. Sobre a reforma do Maracanã, que a Delta em consórcio com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, a empresa decidiu anteontem que deixará a obra após deixar de fazer dois repasses financeiros ao consórcio - já como consequência das denúncias de envolvimento com Cachoeira.

Festas e amizade. O lado extrovertido do empresário ficou evidente em 12 de novembro de 2009, em seu casamento com Jordana Kfuri, o segundo de sua vida. A festa foi na casa do empresário em Itaipava, em Petrópolis. Cerca de 700 convidados assistiram a uma celebração nos jardins, com uma passarela protegida por toldos transparentes e iluminada por velas e decorada com castiçais de prata, "gotas" de cristal e rosas brancas.

O casamento, que gerou filhas gêmeas, foi tragicamente encerrado em 17 de junho de 2011, quando Jordana e mais seis pessoas morreram em acidente de helicóptero na Bahia, a caminho da festa de aniversário de Cavendish. Cabral já tinha chegado, mas, como o empresário, não embarcou no aparelho, que estava lotado. A amizade entre o dono da Delta e Cabral começara por intermédio da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e Gabriela Carvalho, primeira esposa do empreiteiro.

Aliados de Cabral confirmam que a ligação de ambos é forte. São parecidos: simpáticos, extrovertidos, carismáticos, vaidosos, metidos a galanteadores, bonachões. Mais do que os negócios entre a Delta e o Estado, a relação de amizade se baseia em empatia, descrevem. Um aliado do governador diz que eles se encontram para "beber e falar besteira". A revelação de que a Delta estaria fazendo negócios com o Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porém, teria incomodado Cabral.

Outro interlocutor do governador conta que o peemedebista tem se lamentado e dito que Cavendish teria passado dos limites. O mesmo amigo de Cabral, contudo, afirma que a postura pode ser uma tentativa do político de se afastar do empreiteiro "para tentar não se queimar".

Na quinta-feira, porém, Pezão disse que os contratos com a Delta "obedeceram a todos os editais" e afirmou que a empresa é "agressiva, por isso tem mais contratos". O governador e o empresário têm casas de veraneio no mesmo condomínio em Mangaratiba, no sul fluminense. Até o acidente de helicóptero no litoral baiano, tornando pública a proximidade dos dois, eles costumavam passar fins de semana juntos com suas famílias. Cavendish, Cabral e suas mulheres já tinham dividido o jatinho Legacy emprestado por Eike Batista para pelo menos mais uma viagem: uma semana em Nassau, capital das Bahamas.

O Ministério Público Estadual investigou a relação do governador com os empresários e considerou não haver irregularidades: o procurador-geral de Justiça do Rio, Claudio Lopes, arquivou o procedimento.
VÁRIAS AMIZADES
No Rio, as boas relações de Cavendish não se limitam ao governador. Ele também é amigo de deputados federais, como Eduardo Cunha e Washington Reis, ambos do PMDB, e tem bom trânsito no Tribunal de Justiça, do qual recebeu R$ 154 milhões por obras. Além disso, a Delta está presente em construções e serviços de coleta de lixo na região metropolitana do Rio.


  

DELTA NA TRANSCARIOCA - Prefeitura teme que Delta abandone a obra

Por Fernando Molica
Jornal O Dia

A Andrade Gutierrez se comprometeu com a Prefeitura do Rio: assumirá toda a construção da Transcarioca caso a Delta abandone a obra. A via expressa está sendo feita por um consórcio formado pelas duas empreiteiras.

As conversas entre a prefeitura e a Andrade Gutierrez sobre os problemas da Delta se intensificaram nos últimos dias. Os dois lados concordam que a decisão da construtora de deixar a reforma do Maracanã piora sua situação junto a bancos e fornecedores. A saída da Transcarioca seria, portanto, uma consequência natural.

Lote ameaçado
Envolvida no caso Carlinhos Cachoeira, a Delta também integra o consórcio que constrói trecho do Arco Metropolitano. O governo estadual teme que, com a provável saída da empreiteira, sua sócia, a Oriente, não consiga tocar a obra.

Segunda colocada

Gente graúda do governo fala em chamar a segunda colocada na licitação, caso a Oriente não assuma a tarefa. No último dia 17, o Informe adiantou que a Delta deveria abandonar as obras do Maracanã, Transcarioca e Arco Rodoviário.






DELTA NO PAC - Delta será alvo de investigação na CGU

Maior empreiteira do PAC, Delta será alvo de investigação na CGU
Empreiteira poderá ser proibida de celebrar novos contratos com a União
André de Souza

BRASÍLIA - Empresa suspeita de ter ligações com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a construtora Delta será alvo de um processo administrativo da Controladoria Geral da União (CGU). A decisão foi tomada na sexta-feira pelo órgão e pela Casa Civil da Presidência da República. A portaria determinando a investigação será publicada na segunda-feira. Ao final do processo, se considerada inidônea, a Delta será proibida de firmar novos contratos com a administração pública.
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Na última sexta-feira, foi divulgado que a Delta Construções vai sair do Consórcio Maracanã Rio 2014, responsável pela reforma do estádio. Neste sábado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que a saída da empreiteira do consórcio não vai afetar o cronograma das obras.

No caso dos contratos antigos, haverá uma análise caso a caso. Uma obra que esteja perto de ser concluída, por exemplo, poderá ser mantida. Segundo a CGU, nesses casos a interrupção da obra pode representar mais custos do que a sua conclusão.

A CGU tem conhecimento de irregularidades envolvendo a Delta pelo menos desde 2010, quando a Polícia Federal, em conjunto com a própria CGU, deflagrou a Operação Mão Dupla. "Segundo as investigações, que se iniciaram no primeiro semestre de 2009, constatou-se a existência de esquema criminoso voltado à prática de fraude em procedimentos licitatórios, superfaturamento, desvio de verbas e pagamentos indevidos em obras de infraestrutura rodoviária realizadas pelo Departamento Nacional de InfraEstrutura de Transportes no Estado do Ceará - DNIT/CE", diz a CGU em seu site a respeito da Operação Mão Dupla.

Segundo a CGU, o processo vai ser aberto apenas agora devido aos acontecimentos desta semana, quando surgiram várias notícias apontando as suspeitas de irregularidades que envolvem a Delta. A CGU diz que até então não havia elementos que mostrassem que os desvios mais graves iam além do Ceará.

— Enquanto aquilo era uma questão restrita, limitada à superintendência do Ceará, eu não havia decidido a instauração de processo para declaração de inidoneidade da empresa, porque isso atinge a administração do Brasil inteiro. Agora, entretanto, depois que surgiram as gravações da Operação Monte Carlo (que resultou na prisão de Cachoeira), constata-se que não se trata de uma questão restrita ao Dnit do Ceará, mas é uma questão mais ampla — afirmou o ministro da CGU Jorge Hage.

Além do caso do Ceará, a CGU já tinha constatado, entre 2007 e 2010, irregularidades em pelos menos 60 contratos celebrados entre o Dnit e a Delta em 17 estados. Ao todo, esses contratos somam R$ 632,3 milhões, mas não há um valor exato de quanto desse dinheiro pode ter sido desviado. Apesar disso, a CGU diz que as irregularidades detectadas nesses casos não eram tão graves como as apontadas pelas operações Monte Carlo e Mão Dupla.

— Nos outros contratos que nós fiscalizamos, mais de 60 contratos, não havia indício de coisas dessa gravidade. Havia as irregularidades correntes que nós comumente encontramos com frequência e que não leva à declaração de inidoneidade de uma empress - disse Hage.

Questionado sobre os resultados concretos dessas investigações entre 2007 e 2010, o ministro respondeu:

— De concreto nós produzimos esses relatórios e encaminhamos ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, a todos os órgãos onde normalmente nós destinamos o relatório de nossa auditoria para que eles avaliem as providêncais cabíveis. Do ponto de vista nosso, interno, nós encaminhamos ao próprio Dnit, ao Ministério dos Transportes para tomar providências corretivas. E no âmbito externo, o Ministério Público, para eventualmente ingressar com ações se ele julgar que ali tem questões de maior gravidade.

A Delta é empreiteira número um do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tendo recebido, no ano passado, R$ 884,4 milhões da União. O volume de recursos do governo federal para a Delta Construções cresceu 1.417%, de 2003 até 2011 em valores corrigidos pelo IPCA.


Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/maior-empreiteira-do-pac-delta-sera-alvo-de-investigacao-na-cgu-4705340#ixzz1slY1Jj5K

DELTA NO DNIT - 57% dos contratos da Delta com o Dnit tiveram aditivos

Folha de São Paulo

BRASÍLIA - Cerca de 57% dos 282 contratos ativos, concluídos ou suspensos da construtora Delta com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) receberam aditivos em seus valores.

Os contratos com o órgão federal somam R$ 4,6 bilhões. Os aditivos, presentes em 160 das contratações, representam menos de 10% desse total --R$ 436 milhões.
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Dos 282 contratos, ao menos 260 foram assinados a partir de 2003, quando o PT chegou à Presidência, e se concentram em especial nas duas gestões do ex-presidente Lula.

Apenas 23 foram assinados no governo Dilma Rousseff, dos quais 1 recebeu aditivo.

Os dados podem ser acessados a partir da capa do site do órgão (www.dnit.gov.br ) desde a noite de sexta (20). Eles já constavam em outros portais da administração federal, mas foram disponibilizados de forma organizada devido as recentes suspeitas sobre as relações entre a empreiteira e o empresário Carlinhos Cachoeira, preso acusado de contravenção e corrupção de servidores públicos.

Segundo investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, ele era uma espécie de sócio oculto da construtora, atuando para facilitar negócios da empresa com o poder público.

A empreiteira deve ser um dos alvos da CPI, a ser instalada no Congresso na terça-feira, para investigar Cachoeira e suas relações com políticos e empresas.

Diante das suspeitas, o governo abriu processo administrativo para decidir se torna a Delta inidônea, o que a impediria de voltar a contratar com a União.

A Delta já afirmou que todos seus contratos são legais e nega relação com Cachoeira

CACHOEIRODUTO - Verba indenizatória é gasta em posto de gasolina ligado a Cachoeira

Estabelecimento recebeu recursos de empresa de fachada do bicheiro, segundo PF

Maiá Menezes
Thiago Herdy
Cassio Bruno
Juliana Castro

RIO e SÃO PAULO - Um posto de gasolina, em Goiânia, que financiou a campanha do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), depois de receber indiretamente recursos da Delta Construções via empresas de fachada, também foi usado pelo senador e por dois deputados para justificar altos gastos com combustíveis.

O Posto T-10 foi acusado pela Polícia Federal de receber recursos das empresas de fachada Brava Construções e Alberto & Pantoja, ligadas a Carlinhos Cachoeira. As duas, por sua vez, receberam repasses da Delta Construções. O estabelecimento fez doações para campanhas eleitorais ao mesmo tempo em que forneceu a parlamentares notas fiscais para reembolso do Congresso, a título de verba indenizatória, que totalizam R$ 381,5 mil. O valor é referente a pagamentos dos últimos três anos.

Do total, R$ 133 mil foram apresentados pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Os gastos do senador goiano tornaram o posto um dos 20 maiores prestadores de serviço do Senado Federal desde abril de 2009, mês em que começou a ser divulgado o inteiro teor das notas fiscais entregues pelos senadores.

Nas eleições de 2010, Demóstenes recebeu doação de R$ 32,6 mil do posto, dinheiro que teria como origem a Construtora Delta, no entendimento da Polícia Federal. As relações de Demóstenes com o posto vão além da doação e dos gastos com a verba indenizatória. Em 2010, o senador também apresentou notas fiscais do posto para prestar contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de R$ 165,3 mil que teriam sido gastos na sua campanha.

Na Câmara dos Deputados, dois parlamentares apresentaram as maiores notas com grandes valores do posto desde 2009, ano em que a Câmara também começou a detalhar em seu portal a destinação da verba extra para o exercício do cargo: Jovair Arantes (PTB-GO) apresentou notas do Posto T-10 que totalizam R$ 140,4 mil e Sandro Mabel (PMDB-GO) apresentou notas que somam R$ 103,8 mil.

Outros cinco deputados federais também informaram à Câmara ter gastado no posto no período, um total de apenas R$ 4,2 mil.

Se considerada a distância média percorrida por um veículo com um tanque de gasolina (cerca de 400 quilômetros), o dinheiro gasto pelos três parlamentares no Posto T-10 nos últimos três anos daria para cada um deles percorrer todos os meses pelo menos 2,5 vezes o trajeto do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS), pontos extremos do Brasil.

A verba indenizatória é prevista por lei e permite que cada senador ou deputado federal receba de volta até R$ 180 mil por ano em gastos com gasolina, alimentação, aluguel de imóvel ou veículo, hospedagem, consultoria e comunicação.

— Não vejo qualquer problema nos pagamentos feitos ao posto, era onde os abastecimentos eram realizados — justificou o advogado de Demóstenes Torres, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

O advogado informou que não comentaria as relações, denunciadas pela Polícia Federal, entre a Construtora Delta, empresas de fachada de Carlos Cachoeira, o posto e Demóstenes, por entender que se trata de informação vazada de inquérito sigiloso.

— Não podemos falar sobre algo que consideramos inconstitucional — disse Kakay.

Perguntado sobre os valores e as circunstâncias em que ocorreram as suas despesas no posto, o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) alegou que as notas se referem a gastos efetuados por assessores do seu mandato em Goiânia. O parlamentar informou que eles abastecem há muitos anos ali e que nunca colocou gasolina em seu carro no local.

— Não tem nada suspeito nos nossos abastecimentos, o posto está localizado a poucas quadras do meu escritório político. Há uns oito anos o dono apareceu lá e pediu para a gente abastecer no posto dele. Não tem nada errado nisso — disse o deputado.

A assessoria do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) informou que não era possível localizá-lo na sexta-feira passada para comentar os gastos no posto citado porque ele estaria em viagem pelo interior de Goiás.

Um dos sócios do Posto T-10, José Eustáquio Barbosa, negou haver irregularidade envolvendo o abastecimento de veículos dos parlamentares.

— Não há nada ilegal, irregular. Não transferi dinheiro para ninguém. Eu vendo gasolina. Nunca vi o Carlinhos Cachoeira — disse Barbosa.

Ele, no entanto, admitiu ser amigo pessoal de Demóstenes desde a década de 1980 e ter feito doação para a sua campanha, em 2010.

— Os parlamentares abastecem aqui porque o posto tem uma localização estratégica. E mais: a minha doação ao Demóstenes foi informada à Justiça Eleitoral — afirmou.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/verba-indenizatoria-gasta-em-posto-de-gasolina-ligado-cachoeira-4706246#ixzz1slRkVBpA

sábado, 21 de abril de 2012

DELTA NA PF - PF investiga ligação de empresário com Delta Construções

Hélder Zebral é apontado por Cachoeira como sócio de Perillo num avião
O Globo

BRASÍLIA - O surgimento do nome do empresário brasiliense Hélder Zebral na Operação Monte Carlo, apontado por Carlinhos Cachoeira como sócio do governador Marconi Perillo e do empresário Rossine Guimarães em um avião pode iniciar uma nova linha de investigação. O motivo é outra informação que consta no inquérito. A Polícia Federal descobriu que a mãe de Zebral, Tereza Rodrigues Zebral, recebeu R$ 116 mil da empresa Alberto e Pantoja, que, para a PF, é uma empresa de fachada da construtora Delta.

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 O empresário nega qualquer relação com a construtora, mas confirma a existência do depósito. Segundo ele, trata-se do pagamento por uma compra de gado de Rossine, o suposto sócio no avião. Em diálogo revelado nesta sexta-feira pela “Folha de S.Paulo”, Cachoeira reclama de Zebral com um assessor.
— Rapaz, esse cara tá com parceria com todo mundo. Nós ‘tamo’ levando bola nas costas em tudo, viu? — diz o bicheiro, que, em outro momento, cita o avião — o Hélder, esse cara, ele é sócio do Marconi num avião aí com o Rossine viu... Ele é um Cessna, 2010, pagou R$ 4 milhões, um trem assim. E Marconi tem 50%, o Rossi 25% e esse Hélder, do Porcão, tem 25%. Tá voando com eles aí.

Amigo do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Zebral foi protagonista de um dos primeiros escândalos do governo Lula. Então dono da churrascaria Porcão de Brasília, o empresário promoveu um show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano na churrascaria para arrecadar fundos para o PT. Só que quem acabou pagando o espetáculo foi o Banco do Brasil.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/pf-investiga-ligacao-de-empresario-com-delta-construcoes-4702224#ixzz1sg1KPZ8M

DELTA NO PAC - Dnit firmou 284 contratos e pagou R$ 3,2 bilhões à Delta

DIMMI AMORA
Folha de São Paulo


BRASÍLIA - O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) divulgou nesta sexta-feira todos os contratos que possui com a construtora Delta, suspeita de ligação com o empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Segundo o órgão, foram pagos à empresa R$ 3,2 bilhões em 284 contratos para obras ou manutenção de rodovias desde 2002. Os valores não estão atualizados.
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Dos 284 contratos, 99 ainda estão ativos, sendo 8 para obras e 91 para manutenção. Estes contratos ativos têm valor original de R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,4 bilhão já foram pagos.

O órgão de estradas paralisou 19 contratos com a Delta. Eles somam R$ 234,7 milhões e deles foram pagos R$ 182 milhões. O motivo da paralisação não foi divulgado.

Em relação aos contratos encerrados, que somam 166, o órgão pagou à Delta R$ 1,6 bilhão.

A soma de todos os 284 contratos da Delta dá um valor R$ 5 bilhões, sendo que desse valor, R$ 406 milhões foram obtidos através de aditivos, ou seja, valores adicionados após a assinatura.

A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007.

Em entrevista à Folha publicada na quinta-feira (19), o dono da construtora, Fernando Cavendish, disse que a empresa vai quebrar por conta das suspeitas.

A empresa é acusada de abastecer empresas do esquema de Carlos Cachoeira.

#COPA2014 - DELTA deixa consórcio responsável pela reforma do Maracanã

Construtora é investigada pela PF por supostas relação com bicheiro preso.
Empresa argumentou que não tem condições financeiras para continuar.


Do G1

A construtora Delta decidiu deixar o consórcio Maracanâ 2014, responsável pela reforma, para a Copa do Mundo, do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

A empresa é investigada pela Polícia Federal por supostos vínculos com o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro na Operação Monte Carlo, da PF. Ele é apontado como chefe de uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás.

A empresa alegou falta de condições financeiras para continuar integrando o consórcio responsável pela obra do Maracanã, orçada em R$ 859 milhões.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

DELTA EM GO - Marconi Perillo anuncia auditoria em contratos com a Delta


'Deltaduto' faz Perillo anunciar auditoria em contratos
O governador prometeu apresentar o relatório com a conclusão dos trabalhos em 30 dias. Ele negou qualquer irregularidade



O governador Marconi Perillo (PSDB-GO) é suspeito de receber dinheiro de empresas ligadas a Carlinhos Cachoeira (Geraldo Magela/Agência Senado)

Beneficiado pelo "deltaduto" operado por Carlinhos Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou nesta quinta-feira uma auditoria nas licitações e contratos celebrados entre o estado e a Delta Construções. A campanha de Perillo, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, foi irrigada pelo circuito financeiro de empresas de fachada que serviam para redirecionar para políticos e laranjas, conforme aponta a Polícia Federal, recursos da Delta.

Segundo Perillo, o governo vai apresentar o relatório com a conclusão dos trabalhos em 30 dias. Caso sejam identificadas irregularidades, a Delta terá 15 dias para apresentar sua defesa. O governador negou ainda qualquer relação entre as doações de sua campanha e as empresas citadas nas investigações. "As doações feitas foram todas oficiais e legais", garantiu.

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Na lista de beneficiários das empresas investigadas pela PF consta ainda a Produtos Alimentícios Orlândia S/A, que doou 13 000 reais para o deputado federal Rubens Otoni (PT). O parlamentar aparece num vídeo conversando com Cachoeira sobre doações de campanha.

O "deltaduto" serviu de ambiente de transações financeiras que envolveram outros empresários locais, vários com negócios com o governo de Goiás. Um mês depois da eleição, o tucano recebeu 400 000 reais de Valterci de Melo, diretor do Laboratório Teuto. Com sede em Anápolis (GO), terra de Cachoeira, a indústria farmacêutica é uma das maiores empresas do estado.

Melo abasteceu a conta da Brava Construções e Terraplanagem, ligada à organização criminosa, com 55 600 reais, ao lado da Delta e da Alberto e Pantoja, outra empresa de fachada. Segundo a PF, a Delta foi responsável por 98% dos créditos da Brava, que movimentou 13,2 milhões de reais entre 2010 e 2011. Cadastrada num endereço no Núcleo Bandeirantes, no Entorno do DF, a Brava nunca funcionou no local.

Perillo também recebeu 450 000 reais da Belcar Veículos. A doação foi feita dez dias depois de o governador ganhar as eleições. Segundo o Portal da Transparência do governo de Goiás, a Belcar recebeu 1,4 milhão de reais em 2011. Em 2010, a concessionária de carros recebeu apenas 1 100 reais.

A Belcar aparece numa das planilhas da PF como destinatária de 16 500 reais da Mapa Construtora, do irmão de Carlinhos Cachoeira, Paulo Roberto de Almeida Ramos, e irrigada com recursos da Pantoja. Segundo a PF, a empresa de Paulo Roberto movimentou 1,6 milhão de reais em 2010 e 2011. A Mapa também transferiu dinheiro para a Kasa Motors (80 000 reais). A empresa doou 40 000 para o candidato ao governo Vanderlan Vieira Cardoso (PR).

A Belcar negou qualquer relação entre a doação para Perillo e a transação financeira com a Mapa. Segundo a diretora administrativa da empresa, Shirlei Leal, os 16 500 reais pagos à Belcar pela Mapa são referentes à compra de um veículo pela empresa em 2010. "Não tem qualquer relação com a doação. Ajudamos ele porque o tio dele pediu", justificou Shirlei. Procurados, o Laboratório Teuto e Valterci de Melo não responderam à reportagem.

(Com Agência Estado)



DELTA NO RIO I - Cabral desconhece número de contratos com a Delta

Governo do Rio de Janeiro desconhece número de contratos com a Delta

Agência Estado
Redação Folha Vitória

Rio
- O secretário da Casa Civil do Rio, Régis Fichtner, reconheceu nesta quinta não saber quantos são os contratos celebrados entre o Estado e a Delta Construções, acusada de envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e investigada pela Polícia Federal. "Devem ser muitos", afirmou Fichtner, que preside a comissão que vai examinar as licitações que resultaram na contratação da empreiteira, beneficiada, só no Rio de Janeiro, com obras avaliadas em R$ 1,49 bilhão desde o início do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB). Um decreto de Cabral, publicado nesta quinta no Diário Oficial, incluiu a empresa como objeto de investigação de uma comissão criada há semanas para apurar relações da administração pública com fornecedores flagrados pelo programa Fantástico em gravações , combinando superfaturamento, no hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Não vamos fazer auditoria em cada contrato (com a Delta)", explicou Fichtner. "Vamos ver se há algum indício de irregularidade e, onde houver, vamos aprofundar (a investigação)." O secretário afirmou não saber se a Delta é a empresa com mais contratos com o Rio e reconheceu que a Auditoria-Geral do Estado já está com seus técnicos empenhados nas investigações das denúncias contra as empresas que atuavam na UFRJ e mantêm contratos com o Estado, o que pode sobrecarregar ainda mais a equipe. Além de Fichtner, formam a comissão o subprocurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola; o subsecretário-geral de Planejamento e Gestão, Francisco Caldas; e o auditor-geral do Estado, Eugênio Machado. A comissão não tem prazo para encerrar seu trabalho.

Fichtner explicou que, primeiro, notificará a Delta para que se manifeste sobre a gravação exibida no Jornal Nacional, da Rede Globo, na qual seu controlador, Fernando Cavendish, falou em compra de políticos. Depois, os processos licitatórios que resultaram na contratação da empreiteira pelo Estado serão examinados pela comissão, com apoio dos auditores do Estado. Por fim, se forem encontradas irregularidades, a Delta poderá ter sua inidoneidade declarada pelo Estado, e serão abertas sindicâncias para apurar as irregularidades. "Uma das posições (do governo) poderá ser impedir, desde já, contratações futuras da Delta pelo Estado", declarou. Segundo o secretário, o tempo das apurações dependerá do número de contratos a ser examinado.

Para Fichtner, não há "nenhum" constrangimento em investigar uma empresa como a Delta, controlada por um amigo de Cabral - a amizade do governador com Cavendish é pública no Rio de Janeiro. Em junho de 201, o governador estava na Bahia para o aniversário do empresário, quando um acidente de helicóptero matou sete pessoas, inclusive a mulher de Cavendish, Jordana. "A investigação foi uma determinação do governador", disse. "A administração do Estado não tem nada a ver com as relações pessoais de A, B ou C. Se houver algum problema, as providências serão tomadas, independentemente de quem quer que seja."

DELTA NO RJ II - Prefeitura do Rio tem negócios com a empresa de Cavendish desde 2002

Agência Estado
Redação Folha Vitória

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) afirmou nesta quinta que a Delta entrou nas licitações durante seu governo (oito anos anteriores à atual gestão, de Eduardo Paes, do PMDB) oferecendo preços que os concorrentes consideravam inviáveis, por serem muito abaixo do mercado. "Mas sempre entregou as obras a tempo e com o preço contratado", afirmou. Levantamento feito pela assessoria da vereadora Andreia Gouvêa Vieira (PSDB) apurou que, de 2002 a 2008, a prefeitura carioca contratou, em valores nominais, R$ 331.059.602,42 em obras e serviços da Delta. De 2009 a 2011, já na gestão Paes, a empreiteira ganhou contratos avaliados (cifras não atualizadas pela inflação) em R$ 325.534.422,51.

"Segundo o mercado (os preços oferecidos pela Delta) estavam abaixo (do que seria viável comercialmente)", afirmou Maia. "Mas quem ganhava com isso era a cidade que tinha mais dinheiro para investir."

O ex-prefeito afirmou que não conhece, nem nunca conversou, com Cavendish, e lembrou um problema em que a Delta se envolveu, durante seu governo. "Houve a um conflito com a empresa no Engenhão, onde teve que ceder uma parte da cobertura a OAS e Odebretch por questionamento técnico. Ela reagiu e saiu reclamando, mas a questão era de uma tecnologia que não dominava segundo os técnicos", afirmou.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

DELTA NA CACHOEIRA - Cavendish disse que com escândalo empresa irá 'quebrar'

Por Monica Bergamo
Folha de São Paulo

O empresário Fernando Cavendish, presidente da Delta Construção, negou em entrevista exclusiva à Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quinta-feira, que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) seja sócio oculto da empresa.

A empreiteira está no centro do escândalo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cavendish também diz que não conhece os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF).

O Ministério Público faz a acusação da "sociedade oculta" com base em grampos e relatórios que mostram Demóstenes negociando verbas para obra em Anápolis (GO) e condicionando a liberação à contratação da Delta.

Na entrevista, Cavendish ainda diz que, com o escândalo, a Delta vai "quebrar". A empreiteira é a empresa que mais recebe recursos do governo federal desde 2007.

Eduardo Knapp/Folhapress

Fernando Cavendish, dono da Delta, durante entrevista à Folha

quarta-feira, 18 de abril de 2012

DELTA NO RJ III - @MP_RJ pode reabrir a investigação Cabral x Cavendish x Eike Batista

Cabral e Cavendish: MP pode rever arquivamento
por Antonio Werneck

Não é definitiva a decisão do procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, que arquivou a investigação do Ministério Público estadual sobre supostas irregularidades na relação de amizade entre o governador Sérgio Cabral e os empresários Fernando Cavendish e Eike Batista, conforme antecipou na semana passada Ancelmo Gois, na sua coluna no GLOBO.
O pedido de arquivamento do procurador ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Superior do MP, que tem poder para anulá-lo. A relatora do processo no conselho foi escolhida esta semana: será a procuradora Dirce Ribeiro de Abreu. O Conselho Superior — com poder de rever todos os casos de arquivamento pedidos pelo procurador-geral — é formado pelo corregedor-geral do MP e por oito procuradores de Justiça. O presidente do conselho é o próprio procurador-geral.
Após o voto da relatora — que não tem prazo regimental e pode durar mais de três meses —, o conselho se reúne para deliberar podendo ou não concordar com o arquivamento. Por meio de sua assessoria, Cláudio Lopes informou que não vota no conselho e é impedido de participar da reunião.
A investigação do MP arquivada pelo procurador-geral teve origem no dia 17 de junho do ano passado, após um acidente com um helicóptero em Porto Seguro, na Bahia, em que morreram sete pessoas. Naquela época, Cabral admitiu ter usado o jatinho de Eike Batista para ir do Rio até o Sul da Bahia, onde participaria do aniversário de Cavendish, dono da Delta.
   

DELTA NO RJ ii - Delta concentrou 17% de 28 contratos sem licitação na Região Serrana

TCU e MPF investigam se houve irregularidades nos repasses de verbas

Em Teresópolis, a situação continuava a mesma em dezembro de 2011, quase um ano depois das chuvas que devastaram a Região Serrana em janeiro do mesmo ano
Guilherme Leporace / O Globo

RIO
- O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal no Rio investigam se houve irregularidades do governo estadual ao destinar R$ 27,4 milhões a um grupo de empresas que atuaram na recuperação da Região Serrana, após as chuvas de 2011. Desse total, cerca de 17% foram repassados para a Delta Construções. Em 28 contratos analisados, a Delta foi a maior beneficiada. Os contratos foram celebrados em caráter de emergência, sem licitação, logo nos primeiros dias da tragédia. Os recursos enviados ao Rio saíram da conta do Ministério da Integração Nacional.

A Delta ficou com a maior parcela do pacote: R$ 4,7 milhões, seguida da Carioca Christian com repasses de R$ 3,8 milhões. As tempestades castigaram a região em janeiro de 2011, matando 918 pessoas e deixando desaparecidos e um rastro de destruição em sete municípios.

Valores foram repassados sem assinatura de contratos

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Como revelou O GLOBO numa série de reportagens no ano passado, o governador Sérgio Cabral mantinha relações pessoais com Fernando Cavendish, controlador da Delta Construções. A empreiteira recebeu R$ 1,49 bilhão do governo Cabral. A empresa também foi citada nos grampos da Operação Monte Carlo, que revelou os métodos de ação do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ela também é a empreiteira número um do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No no ano passado, a Delta recebeu R$ 884,4 milhões da União.

Os contratos firmados pelo governo estadual estão passando por fiscalização do TCU desde de maio do ano passado e também são investigados em inquérito civil pelo Ministério Público Federal. O TCU confirmou ontem que seus técnicos encontraram irregularidades e investigam o caso. Segundo o tribunal, os recursos teriam sido repassados para as empresas antes de os contratos serem formalizados. O estado nega qualquer irregularidade e já encaminhou documentos aos órgãos.

O TCU sustenta, em documentos obtidos pelo GLOBO, que o procedimento do estado foi ilegal e feriu a Lei de Licitações. Segundo técnicos, mesmo em situações de emergência, quando há dispensa de licitação, contratos precisam ser formalizados. Além da Delta, foram beneficiadas grandes empresas como a Carioca Christian-Nielsen, a Andrade Gutierrez, Camargo Correa e a Construtora Queiroz Galvão. Outras 19 receberam recursos do estado.

O primeiro lote de recursos foi repassado pelo Ministério da Integração Nacional para contas do governo estadual e de sete municípios da Região Serrana atingidos. Foram R$ 70 milhões para o estado e R$ 30 milhões diretamente para os municípios: Friburgo (R$10 milhões); Teresópolis e Petrópolis (R$ 7 milhões cada); e Sumidouro, Areal, Bom Jardim e São José do Vale do Rio Preto (R$1,5 milhão cada). Investigações do MP e da Controladoria Geral da União (CGU) identificaram desvios dos recursos por parte das prefeituras. Em Teresópolis e Nova Friburgo, os prefeitos foram afastados e o assunto virou tema de duas CPIs municipais e uma estadual.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/delta-concentrou-17-de-28-contratos-sem-licitacao-na-serra-4674888#ixzz1sOUlC3oM

DELTA NO RJ - Empresa, de amigo do governador Cabral, recebeu R$ 358 milhões do estado em 2011

Sérgio Cabral vai auditar contratos com a Delta Construções

Cássio Bruno
 

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral O Globo / Domingos Peixoto

RIO
- O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), resolveu investigar a empresa de um de seus principais amigos, a Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish. Cabral determinou nesta terça-feira que uma comissão de sindicância faça auditorias, a partir desta quarta-feira, para analisar os contratos firmados entre o governo e a construtora.

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 Como O GLOBO mostrou domingo, os relatórios da Polícia Federal, na Operação Monte Carlo, afirmam que a Delta repassou R$ 39 milhões a empresas de fachada ligadas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

De acordo com o chefe da Casa Civil do Rio, Régis Fichtner, um dos integrantes da comissão, as licitações realizadas envolvendo a Delta e o governo passarão por auditorias. Caso sejam encontradas irregularidades, esses contratos serão cancelados.

— Também vamos ouvir a Delta para que ela se defenda sobre a sua idoneidade — afirmou Fichtner.

Com cerca de 300 contratos no setor de construções em 23 estados do país e no Distrito Federal, a Delta cresceu 533% no governo Cabral, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem). Em 2007, a empresa teve empenhos de R$ 67,2 milhões, e em 2010, ano em que Cabral foi reeleito, o montante chegou a R$ 554,8 milhões, sendo R$ 127,3 milhões (22%) sem licitação.

Em 2011, a Delta recebeu do governo Cabral R$ 358,5 milhões, dos quais R$ 72,7 milhões (20%) sem passar por concorrência pública. Este ano, já são R$ 138,4 milhões empenhados. Em junho do ano passado, Cabral viajou para a Bahia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Fernando Cavendish, para comemorar o aniversário do dono da Delta num resort.

Em nota, a Delta afirma que “contestações podem ser feitas pelos órgãos de controle e, sempre que detectadas, são corrigidas”. Segundo a construtora, “esse é o procedimento normal e corriqueiro na relação mantida entre o poder público e seus fornecedores de serviços”.

O ministro-chefe da Controladoria Geral da União, (CGU), Jorge Hage, disse nesta terça-feira que a sua pasta auditou cerca de 60 contratos, no valor de R$ 632 milhões, entre a Delta e o governo federal, de 2007 a 2010. Hage afirmou que os relatórios de auditoria em cada contrato contêm recomendações sobre o próximo passo da investigação.

— Suspender o contrato em si nem sempre é a solução mais adequada — disse Hage, em entrevista após a abertura da 1 Conferência Anual da Parceria para Governo Aberto, que reúne representantes de mais de 50 países.



Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/pais/sergio-cabral-vai-auditar-contratos-com-delta-construcoes-4674582#ixzz1sNsRdT2S