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domingo, 22 de abril de 2012

DELTA NO PAC - Delta será alvo de investigação na CGU

Maior empreiteira do PAC, Delta será alvo de investigação na CGU
Empreiteira poderá ser proibida de celebrar novos contratos com a União
André de Souza

BRASÍLIA - Empresa suspeita de ter ligações com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a construtora Delta será alvo de um processo administrativo da Controladoria Geral da União (CGU). A decisão foi tomada na sexta-feira pelo órgão e pela Casa Civil da Presidência da República. A portaria determinando a investigação será publicada na segunda-feira. Ao final do processo, se considerada inidônea, a Delta será proibida de firmar novos contratos com a administração pública.
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Na última sexta-feira, foi divulgado que a Delta Construções vai sair do Consórcio Maracanã Rio 2014, responsável pela reforma do estádio. Neste sábado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que a saída da empreiteira do consórcio não vai afetar o cronograma das obras.

No caso dos contratos antigos, haverá uma análise caso a caso. Uma obra que esteja perto de ser concluída, por exemplo, poderá ser mantida. Segundo a CGU, nesses casos a interrupção da obra pode representar mais custos do que a sua conclusão.

A CGU tem conhecimento de irregularidades envolvendo a Delta pelo menos desde 2010, quando a Polícia Federal, em conjunto com a própria CGU, deflagrou a Operação Mão Dupla. "Segundo as investigações, que se iniciaram no primeiro semestre de 2009, constatou-se a existência de esquema criminoso voltado à prática de fraude em procedimentos licitatórios, superfaturamento, desvio de verbas e pagamentos indevidos em obras de infraestrutura rodoviária realizadas pelo Departamento Nacional de InfraEstrutura de Transportes no Estado do Ceará - DNIT/CE", diz a CGU em seu site a respeito da Operação Mão Dupla.

Segundo a CGU, o processo vai ser aberto apenas agora devido aos acontecimentos desta semana, quando surgiram várias notícias apontando as suspeitas de irregularidades que envolvem a Delta. A CGU diz que até então não havia elementos que mostrassem que os desvios mais graves iam além do Ceará.

— Enquanto aquilo era uma questão restrita, limitada à superintendência do Ceará, eu não havia decidido a instauração de processo para declaração de inidoneidade da empresa, porque isso atinge a administração do Brasil inteiro. Agora, entretanto, depois que surgiram as gravações da Operação Monte Carlo (que resultou na prisão de Cachoeira), constata-se que não se trata de uma questão restrita ao Dnit do Ceará, mas é uma questão mais ampla — afirmou o ministro da CGU Jorge Hage.

Além do caso do Ceará, a CGU já tinha constatado, entre 2007 e 2010, irregularidades em pelos menos 60 contratos celebrados entre o Dnit e a Delta em 17 estados. Ao todo, esses contratos somam R$ 632,3 milhões, mas não há um valor exato de quanto desse dinheiro pode ter sido desviado. Apesar disso, a CGU diz que as irregularidades detectadas nesses casos não eram tão graves como as apontadas pelas operações Monte Carlo e Mão Dupla.

— Nos outros contratos que nós fiscalizamos, mais de 60 contratos, não havia indício de coisas dessa gravidade. Havia as irregularidades correntes que nós comumente encontramos com frequência e que não leva à declaração de inidoneidade de uma empress - disse Hage.

Questionado sobre os resultados concretos dessas investigações entre 2007 e 2010, o ministro respondeu:

— De concreto nós produzimos esses relatórios e encaminhamos ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, a todos os órgãos onde normalmente nós destinamos o relatório de nossa auditoria para que eles avaliem as providêncais cabíveis. Do ponto de vista nosso, interno, nós encaminhamos ao próprio Dnit, ao Ministério dos Transportes para tomar providências corretivas. E no âmbito externo, o Ministério Público, para eventualmente ingressar com ações se ele julgar que ali tem questões de maior gravidade.

A Delta é empreiteira número um do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tendo recebido, no ano passado, R$ 884,4 milhões da União. O volume de recursos do governo federal para a Delta Construções cresceu 1.417%, de 2003 até 2011 em valores corrigidos pelo IPCA.


Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/maior-empreiteira-do-pac-delta-sera-alvo-de-investigacao-na-cgu-4705340#ixzz1slY1Jj5K

sábado, 21 de abril de 2012

MENSALÃO DO PT - Delúbio está de volta aos holofotes

Por Vera Magalhães
Folha de São Paulo



Nova investigação da Polícia Federal envolve o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, personagem de proa do mensalão. Na denúncia da Operação Lee Oswald, deflagrada no Espírito Santo, o empresário investigado Jurandy Nogueira Júnior pede ajuda a Delúbio para expandir negócios que tinha em Presidente Kennedy (ES) para outros municípios do Estado e de Goiás.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

MAUS-TRATOS A ANIMAIS - falta estrutura para polícia investigar casos

Jornal da Tarde

A investigação da morte de 37 animais que foram encontrados em 13 de janeiro na casa de Dalva Lima da Silva, de 42 anos, na Vila Mariana, zona sul da capital, expõe a falta de estrutura para apurar crimes contra animais.

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As necropsias, por exemplo, só foram feitas depois que protetores arrecadaram dinheiro na internet para pagar os exames, capazes de determinar a causa da morte. Mas esse não é o único problema enfrentado pelos policiais.

Em outras ocorrências, eles reclamam de não ter à disposição veterinários que possam atestar que um bicho está sofrendo maus-tratos. Quando conseguem provar o crime, não encontram lugar para deixar o animal agredido.

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura afirma que envia veterinários para apurar denúncias feitas à polícia e reclamações recebidas pelo telefone 156. O órgão diz que só faz necropsias em casos excepcionais.

O CCZ não pode exceder sua lotação máxima, o que poderia configurar maus-tratos. Então, muitas vezes, animais apreendidos são encaminhados para organizações não governamentais ou casas de protetores de animais.

Desde janeiro, a Divisão de Crimes contra o Meio Ambiente do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) recebeu 214 denúncias de maus-tratos a animais. Todas são apuradas, segundo o delegado Wilson Correia Silva. Parte delas é motivada por vizinhos descontentes com barulho e não configuram crime.

O inquérito a respeito dos 37 gatos mortos ainda não foi encerrado. A promotora Vânia Tuglio diz que apura se houve formação de quadrilha, o que aumentaria a pena de Dalva. A promotora pretende estipular pena de pouco mais de dois anos a Dalva. Seu advogado, Martim Lopes, diz que ela aplicou eutanásia em seis gatos porque eles já iriam morrer.


    

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CNJ - Desembargadores são alvos de 1% das investigações nos tribunais de Justiça

Dos 1.333 processos abertos contra magistrados, apenas 14 apuram condutas daqueles que ocupam os cargos mais altos nas cortes estaduais
 Lucas de Abreu Maia, de O Estado de S.Paulo


Investigações em andamento contra magistrados dos tribunais de Justiça envolvem pouco mais de 1% dos desembargadores. Levantamento feito pelo Estado no banco de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que, dos 1.333 processos que investigam a toga nos TJs de todo o País, só 14 tem desembargadores (o mais alto cargo nas cortes estaduais) como foco. Outras 20 denúncias contra estes magistrados foram arquivadas desde que os dados começaram a ser colocados no site da presidência do CNJ, em outubro.

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Ed Ferreira/AE-15/5/2009
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A relutância dos tribunais de Justiça em investigar desembargadores é um dos principais argumentos da corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon, para manter os poderes de investigação do conselho, que têm sido questionados por entidades de juízes desde meados do ano passado e devem ser alvo de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana.

O argumento da corregedora é que como os processos contra desembargadores tramitam no pleno dos TJs - e não nas corregedorias, como no caso das denúncias contra juízes de primeiro grau -, as cúpulas dos tribunais não têm isenção para julgar e punir um de seus membros.

Os dados revelam que nenhum dos desembargadores de 20 dos 27 TJs responde a qualquer processo. O Estado com mais desembargadores denunciados - e que mais arquivou representações - é o Ceará: 19 processos; 18 engavetados.

No Tribunal de Justiça paulista, em que 129 magistrados são investigados, apenas um processo em andamento refere-se a um desembargador, acusado pelo pleno de "em tese" cometer "infração administrativa". Outra representação foi arquivada.

As denúncias contra os membros das cúpulas dos tribunais estaduais vão desde morosidade na tramitação de processos até acusações de conduta criminosa, como no processo referente a um desembargador mineiro. Algumas são vagas, como "alegação de faltas graves", no caso de um magistrado de Mato Grosso. O portal do CNJ não revela o nome do desembargador investigado nem detalhes do processo.

O levantamento do Estado incluiu investigações em curso em todas as instâncias. Não foram levados em consideração os processos que envolvem magistrados dos tribunais trabalhistas ou federais - não disponíveis no banco de dados do CNJ.


Fonte Estadao         

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FRAUDE NO MINISTÉRIO DAS CIDADES II - MPF vai investigar fraude no Ministério das Cidades

Pasta teria fraudado projeto da Copa com aval do ministro Mário Negromonte

Por Isabel Braga


Mário Negromonte teria dado aval para a fraude no documento Ministério das Cidades / Rodrigo Nunes

BRASÍLIA – O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) instaurou investigação nesta quinta-feira para apurar suposta fraude em nota técnica do Ministério das Cidades O documento teria sido alterado para aprovar mudança no projeto de mobilidade urbana para Copa em Cuiabá (MT), em parecer que vetava a alteração. Segundo o MPF-DF, o objetivo é apurar possível prática de improbidade administrativa por gestores do ministério.
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A alteração na nota técnica teria respaldo político. O documento, segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, foi forjado por Cristina Maria Soja, gerente de Projetos do Ministério das Cidades, e Luiza Gomide de Faria Vianna, diretora de Mobilidade Urbana do órgão, para demonstrar posicionamento favorável da área técnica.

A Procuradoria da República em Mato Grosso, que já vinha fazendo esse acompanhamento em procedimento investigatório prévio às denúncias divulgadas nesta quinta-feira, irá analisar o impacto causado com a mudança no projeto.

Oposição quer que TCU investigue fraudes
O PPS protocolou nesta quinta-feira na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara um pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure a denúncia de que o Ministério das Cidades aprovou, com o aval do ministro Mário Negromonte, um documento forjado para mudar um projeto de transporte para a Copa do Mundo de 2014, em Cuiabá, no Mato Grosso.

- Somente nesse caso já vemos indícios de irregularidades que envolvem R$ 1,2 bilhão. Queremos uma apuração rigorosa para que não se repita o que aconteceu nos jogos Pan-Americanos, quando o próprio TCU apontou um festival de superfaturamentos e desvios de dinheiro público - afirmou o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR).

O pedido do PPS precisa ser aprovado pela comissão da Câmara para que o TCU inicie a apuração do caso.No papel de líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) minimizou a denúncia e pediu que se cheque a veracidade das informações. Vaccarezza disse que sequer tinha lido a notícia e argumentou que muitas das denúncias feitas nos últimos meses, contra outros ministros, nem todas eram verdadeiras.

- Não vamos tomar nenhuma medida para impedir a investigação deste novo fato, mas vamos exigir também cuidado para que não seja apenas uma ação política. Não vamos admitir nenhum malfeito, mas também não vamos admitir linchamento.

Confrontado com a informação que existe um documento que comprova a fraude para respaldar um acordo político, Vaccarezza também preferiu questionar a existência do documento publicado nesta quinta-feira na imprensa.

- É preciso ver se tem o documento - indagou Vaccarezza.

Para ele, o fato de ter sido publicado na imprensa é insuficiente e é preciso que o documento seja analisado pelos órgão de fiscalização. Ele lembrou que muitas vezes a denúncia não se comprova.

O líder disse que não vê ainda uma reação contrária da sociedade ao governo de Dilma Rousseff devido a inúmeras denúncias envolvendo ministro do governo.

- Tenho contato permanente com a sociedade, por dever de oficio, e também tem as pesquisas. Vejo a sociedade apoiar o governo, o país andar bem. As investigações estão em andamento, os órgãos funcionando de forma consistente. Vejo a sociedade satisfeita pelos elementos que eu tenho

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mpf-vai-investigar-fraude-no-ministerio-das-cidades-3315163#ixzz1eeyIDfCJ
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PMs suspeitos de matar juíza no #Rio serão transferidos, diz polícia

Eles ficarão em unidades prisionais diferentes a pedido do MP.
Câmeras mostram últimos passos de Patrícia Acioli na noite do crime.

Do G1, com informações do Fantástico
Os três policiais militares suspeitos de matar a juíza Patrícia Acioli, no dia 11 de agosto, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, serão transferidos da Unidade Prisional da PM em Benfica, na Zona Norte, para unidades diferentes, a pedido do Ministério Público. As informações foram confirmadas pela assessoria da Polícia Militar na noite desta segunda-feira (19).

A polícia utilizou imagens de câmeras de segurança para refazer os últimos passos da juíza. As imagens mostram que ela foi seguida por cerca de 40 minutos, durante todo o trajeto entre o Fórum de São Gonçalo e sua casa, em Niterói.

Segundo a investigação, Patrícia Acioli deixou o fórum por volta das 23h e saiu da garagem em seu carro às 23h13. Câmeras de segurança registram que uma moto ocupada por dois homens, com o farol apagado em alguns trechos, acompanha o deslocamento do veículo da juíza ao longo da estrada para Niterói.

Às 23h48, a quatro quilômetros de distância da casa de Patrícia, os suspeitos ultrapassam o carro da juíza e seguem na frente para preparar a emboscada. Às 23h53 eles entram no condomínio da vítima, e logo em seguida ela chega, como mostra a última imagem registrada antes do crime.

A investigação policial também mostra que o carro de Patrícia foi alvejado ainda em movimento e que os tiros continuaram depois que o veículo parou. Foram 21 tiros, e as cápsulas recolhidas são de três calibres: 38, 40, de uso padrão da polícia, e 45, de uso restrito. Os assassinos deixaram o condomínio às 23h58.

Investigação
A polícia remontou detalhes do crime analisando imagens de câmeras de segurança somadas às perícias do carro, do local e do corpo da juíza. Ainda foram utilizados dados de mais de 3 milhões de celulares que passaram pela área entre o fórum e a casa de Patrícia Acioli até um mês antes de sua morte. Com isso, os investigadores provar que o crime foi planejado e teve envolvimento de policiais militares.

A investigação aponta para três suspeitos: o tenente Daniel Benitez e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda. As fotos deles são exibidas pela primeira vez nesta reportagem. Segundo o delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Ettore, eles estão entre os oito envolvidos na morte de Diego de Souza Beliene, de 18 anos, em São Gonçalo.

“Eles sabiam que seriam presos em poucos dias, que estava sendo expedida a ordem de prisão por processo anterior, e aí não teriam mais tempo para a execução da vitima”, conta o delegado, referindo-se ao assassinato da juíza.
Na investigação da morte de Diego, a polícia vigiava os movimentos dos três. E no dia do assassinato da juíza, antenas de empresas de telefonia captaram os sinais dos celulares de Daniel Lopes e Sérgio Costa Júnior no fórum de São Gonçalo. Só que antes das 23h, os celulares dos policiais foram desligados. E só foram religados quase uma hora depois de a juíza ter sido executada. A partir daí, a polícia começou a rastrear dados dos celulares do PMs nos dias anteriores ao crime.

Ação planejada
No dia 11 de julho, exatamente um mês antes do crime, os registros mostram que os três acusados se encontraram na Rua dos Corais, em Piratininga, Niterói, endereço da juíza. Segundo a polícia, eles ficaram 26 minutos, das 19h43 às 20h09, juntos na pequena rua onde, um mês depois, a juíza foi morta na emboscada.

No dia em que foi assassinada, Patrícia tinha acabado de assinar o pedido de prisão preventiva, por envolvimento na morte de Diego, dos três homens agora acusados também pela morte dela. “Está provado que eles são os autores do homicídio. Isso não há dúvida para a polícia que esses três participaram efetivamente da execução da juíza Patrícia Acioli”, afirma o delegado.

Em depoimento, Daniel e Jeferson negam a acusação. Sergio se recusou a falar. “O desfecho da investigação não é só para provar as pessoas que estavam na moto, mas para verificar se de fato há outras pessoas envolvidas”, completa o delegado.

Veja a reportagem no site do Fantástico

Fonte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/09/pms-suspeitos-de-matar-juiza-no-rio-serao-transferidos-diz-policia.html

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TCU - Investiga possível SUPERFATURAMENTO na TRANSPETRO

O Globo

Bruno Villas Bôas

RIO - O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu na semana passada um processo para investigar denúncias de superfaturamento nos contratos de compra de materiais da Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, mostra reportagem publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO. Um dossiê elaborado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Aquaviários e Aéreos (Conttmaf) mostra que a companhia pode ter superfaturado pagamentos de itens para navios em mais de R$ 1 milhão. O processo corre na 9ª Secretaria de Controle Externo (Secex-9) do Tribunal, que tem um grupo especializado em avaliar contas e contratos de estatais de energia e petróleo.

Levantamento do GLOBO nas compras de materiais da Transpetro mostra que a estatal fechou pelo menos 16 contratos milionários sem realizar licitação apenas no ano passado. Um deles, no valor de R$ 16,463 milhões, foi com a fabricante de mangueiras marítimas Flexomarine, de São Paulo. O contrato foi acertado em novembro e classificado como "dispensa" de licitação.

A Flexomarine é atualmente investigada pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça como maior beneficiária no Brasil de um cartel internacional de venda de mangueiras marítimas.

Presidida pelo ex-senador Sérgio Machado, indicado ao cargo na cota do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a Transpetro é responsável pelo transporte e armazenamento de petróleo e derivados, álcool, biocombustíveis e gás natural do Sistema Petrobras.

Ao todo, os contratos de materiais assinados pela Transpetro sem concorrência pública no ano passado somaram R$ 219,2 milhões. O valor representa 40% dos R$ 559,6 milhões em produtos e equipamentos comprados pela companhia, segundo dados compilados pelo GLOBO com base em informações prestadas pela empresa ao governo federal. O número desconta pagamentos a concessionárias públicas de saneamento, energia e telefonia, mercados naturalmente concentradores.

- Esse é um problema crônico na administração federal, que compra mais sem licitar do que com licitações - afirma Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da ONG Contas Abertas. - No caso das estatais, a situação é ainda mais delicada porque elas são uma grande caixa-preta. Só fornecem informações quando são obrigadas.

Procurada pelo GLOBO, a Transpetro disse que cometeu erros na hora de informar seus contratos ao governo em 2010. Segundo a estatal, ela teria, na verdade, comprado R$ 81 milhões sem licitação, pelos dados corrigidos. Isso representa 22% das compras totais de materiais da companhia, que seriam de R$ 364 milhões.

terça-feira, 16 de março de 2010

SÃO PAULO/JUSTIÇA - Justiça vai atrás de bens de Mansur

Juiz responsável pelo processo de falência do Mappin nomeia um síndico com a missão de rastrear os movimentos do empresário

David Friedlander, de O Estado de S. Paulo 



SÃO PAULO - Na tentativa de rastrear dinheiro supostamente escondido fora do País, a Justiça de São Paulo mandou investigar os movimentos do empresário Ricardo Mansur – ex-dono das falidas Mappin e Mesbla e do banco Crefisul. Na sexta-feira, 12, o juiz Luiz Beethoven Ferreira, responsável pelo processo de falência do Mappin, nomeou um síndico exclusivo para trabalhar na "obtenção de ativos eventualmente desviados, ou malversados", por parte de Mansur, segundo o despacho do juiz.

As empresas de Mansur faliram há dez anos. Mesmo deixando uma dívida estimada anos atrás entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, e com os bens indisponíveis, o empresário vive hoje numa fartura financeira. Leva uma vida de luxo em Ribeirão Preto (SP) e, em menos de um ano, comprou duas usinas de açúcar e álcool na região de Ribeirão e uma faculdade no Espírito Santo. As dívidas do tempo em que era chamado de "rei do varejo brasileiro", no entanto, continuam penduradas na Justiça.

"Como ele pode ter feito tudo isso, se o que ele tinha a gente tomou para pagar parte das dívidas trabalhistas? Isso não pode passar despercebido pelo poder público. É acintoso", afirma o juiz Beethoven Ferreira.

O síndico responsável pela massa falida do Mappin há cerca de dez anos, Alexandre Carmona, continua onde está. Para rastrear eventuais contas ou propriedades que Mansur possa ter ocultado da Justiça, o juiz Beethoven Ferreira nomeou outro profissional – o advogado Afonso Henrique Alves Braga. "É uma outra linha de atuação. O dr. Alves Braga vai perseguir os supostos ativos do falido (Mansur). Ele é especialista nesse tipo de trabalho", afirma o magistrado.

Até o começo da noite desta segunda, o despacho do juiz nomeando o novo síndico ainda não havia chegado à Promotoria de Falências do Ministério Público de São Paulo, que também acompanha o caso. "É uma medida salutar ter mais uma pessoa para procurar esse suposto dinheiro", afirma o promotor de falências Marco Antonio Marcondes Pereira. "Só é preciso tomar alguns cuidados, para não transformar isso numa atividade de risco. Mas o juiz saberá definir por quanto tempo o novo síndico vai fazer o rastreamento e quanto essa operação vai custar." Procurada pela reportagem, Kátia Mansur Murad, irmã e advogada do empresário, não deu retorno.

Padrão de Vida

A suspeita de que Ricardo Mansur possa ter dinheiro fora do País, longe do alcance das autoridades, é antiga entre seus credores. Passou a ser compartilhada pela Justiça em razão dos sinais exteriores de riqueza que o empresário apresenta desde que se mudou para Ribeirão Preto, no ano passado.

Mesmo formalmente falido e cheio de dívidas, o empresário não baixou seu padrão de vida. Ele e a segunda mulher, Roberta, vivem numa casa alugada no condomínio mais caro da cidade (o aluguel seria de R$ 25 mil por mês) e tornaram-se sócios dos dois clubes mais exclusivos de Ribeirão Preto. Ele continua viajando pelo mundo com todo conforto. No ano passado, quando esteve em Paris e em Nova York, hospedou-se em dois dos hotéis mais luxuosos das cidades. Ele e a mulher passaram as festa de fim de ano em Miami.

Como a lei não permite que empresários falidos façam negócios até que suas dívidas sejam liquidadas, o nome do empresário não aparece oficialmente nas operações atribuídas a ele. De acordo com investigações particulares contratadas por alguns de seus credores, Mansur teria empresas em nome de laranjas.

É o que estaria acontecendo agora, com suas últimas aquisições. A Usina Galo Bravo, de Ribeirão Preto, e a Destilaria Pignata, de Sertãozinho, adquiridas por ele de agosto para cá, não estão em nome do empresário. Mas é ele quem negocia com os credores, quem pagou salários atrasados e, no caso da Galo Bravo, apresentou-se à prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (DEM), como novo proprietário da empresa.

No caso da Faculdade Batista de Vitória (Fabavi), comprada no fim do ano passado, a própria faculdade informou em nota que "o senhor Ricardo Mansur tem vindo semanalmente ao Espírito Santo para acompanhar as realizações e complementar os investimentos no Estado". A Fabavi teria custado cerca de R$ 40 milhões. O preço das usinas nunca foi esclarecido.
Como Mansur pagou? É o que o juiz Beethoven Ferreira diz que pretende descobrir.

 

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Kroll Inc.

Kroll é uma empresa global de consultoria de riscos, sediada em Nova Iorque. Desde quando foi fundada, em 1972, por Jules B.Kroll, expandiu suas atividades para além da investigação privada e dos serviços de segurança, passando a atuar em todas as áreas relacionadas com a mitigação de riscos empresariais, incluindo verificação de antecedentes criminais, business intelligence, market intelligence, electronic discovery, perícia contábil, recuperação de dados perdidos ou apagados propositalmente, entre outras.

A empresa tem mais de 4.500 funcionários em 26 países e é uma subsidiária do grupo Marsh & McLennan Companies (MMC), com faturamento anual em torno de US$13 bilhões.

Tornou-se conhecida por elucidar questões delicadas dentro das organizações, tais como desvios ilegais de ativos e fraudes internas. Teve também um papel importante após a famosa falência da Enron, nos Estados Unidos, conseguindo rastrear e identificar cerca de 35% dos ativos da empresa e seu valor de mercado.

No Brasil, tem, entre seus clientes, o Santander, o Citibank e o governo brasileiro – com empresas como Petrobras e Banco do Brasil. Teve papel importante no episódio da construtora Encol, em 1999, o maior caso de falência não-bancária da América do Sul, que envolveu aproximadamente R$2,5 bilhões de perdas para cerca de 40 mil famílias - lesadas na compra de imóveis que jamais foram entregues. Contratada pela massa falida da Encol, a Kroll, depois de mais de dois anos de investigação, conseguiu localizar parte do dinheiro desviado pela construtora.

Em 2004, a Kroll foi envolvida na Operação Chacal, da Polícia Federal, que investigava atos de espionagem por parte do Banco Opportunity, de Daniel Dantas, atingindo executivos da Telecom Italia e da cúpula do governo brasileiro. Atualmente, dirigentes da filial brasileira da empresa estão sendo processados no âmbito da Justiça Federal, por transporte, compra e difusão de dados obtidos por meio de escuta telefônica não autorizada pela Justiça.