Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sábado, 10 de março de 2012

MÁFIA DA MERENDA PAULISTA - Promotoria denuncia 35 acusados de envolvimento

Entre os acusados, estão empresários e o secretário de Saúde de SP, Januário Montone

Marcelo Godoy e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou nesta sexta-feira, 9, 35 acusados de envolvimento na chamada máfia da merenda, como é conhecido o grupo de empresas que teria formado um cartel e uma quadrilha para fraudar licitações para o fornecimento de merenda escolar. O grupo ainda é acusado de corromper políticos e funcionários públicos, além de lavar o dinheiro da organização criminosa.



Jonne Roriz/AE
Secretário de Saúde de SP é acusado de receber R$ 600 mil de propina

Entre os acusados estão os empresários Eloízo Afonso Gomes Durães e Geraldo João Coan e o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Januário Montone. Todos negam as acusações. Incluído entre os acusados por causa de sua atuação quando era secretário de Gestão (governos Serra e Kassab), Montone é acusado de receber R$ 600 mil de propina do cartel da merenda.
Durante as investigações, ele teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça depois da apreensão de memorandos internos da empresa SP Alimentação - a maior do ramo, de propriedade de Durães. Neles, segundo os promotores do Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), havia a indicação de dois pagamentos em agosto de 2007 de R$ 50 mil a Montone. Só em 2007, ele teria recebido R$ 600 mil.

Os supostos pagamentos de propinas para a Prefeitura de São Paulo efetuados pela máfia da merenda teriam começado em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy (PT). De agosto de 2003 a fevereiro de 2004, documentos apreendidos pelo Gedec mostram que foram pagos R$ 1,2 milhão de propinas para corruptos que trabalhavam na Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo. Na primeira quinzena de 2004, foram pagos R$ 242 mil em propinas.

Fraudes. O esquema, segundo a denúncia, começou a ser articulado pelas empresas do setor, que formaram um cartel para impedir a concorrência no mercado. Por meio de lobistas, convenciam candidatos a prefeito e prefeitos a terceirizar o fornecimento de merenda escolar para as escolas. Em vez de garantir eficiência e um custo menor, a medida significava um aumento médio de 30% dos valores gastos pelos municípios com a merenda, pois o cartel impedia a concorrência.

O aumento dos gastos não se devia, de acordo com a acusação, a uma melhoria na qualidade dos alimentos. Pelo contrário: uma das formas de a máfia da merenda ganhar dinheiro era justamente o fornecimento de alimentos de péssima qualidade para as crianças. As empresa ainda superfaturavam o número de refeições fornecidas ou deixavam de entregar o que era devido para aumentar seus lucros. Era por meio dessas fraudes que os acusados arrumariam o dinheiro para pagar as propinas em 57 cidades de 9 Estados. Além de São Paulo, os promotores citam na denúncia pagamentos de propina para outros 22 municípios do Estado.

O dinheiro saía das empresas da merenda por meio da compra de notas fiscais frias de empresas fantasmas. Parte dele era depositado em contas bancárias de laranjas e das empresas fantasmas - no endereço de uma delas funcionava uma igreja evangélica em Indaiatuba (SP).
Fonte Estadao

    

quinta-feira, 1 de março de 2012

QUEM ACREDITA ??? - Serra diz que, se eleito, cumprirá os quatro anos de mandato

Por DANIELA LIMA
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Em sua primeira entrevista após entrar na corrida eleitoral de São Paulo, o ex-governador José Serra afirmou que não disputará as eleições de 2014 e que cumprirá "o mandato de prefeito por quanto tempo o mandato durar, ou seja, até 2016".
Questionado se prometeria não abandonar o cargo, disse: "Vou cumprir os quatro anos, isso é mais que uma promessa".

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Eleito em 2004 para a Prefeitura de São Paulo, o tucano renunciou ao cargo dois anos depois para disputar o governo de São Paulo. Na época, chegou a assinar um documento [em cartório] em que se comprometia a cumprir os quatro anos do mandato.
O ex-governador, que oficializou sua intenção de concorrer nas prévias do PSDB nesta terça-feira (28), justificou a entrada na disputa eleitoral dizendo ser fruto de uma necessidade e "gosto". "Necessidade por conta do quadro político e gosto por que gosto de ser prefeito. Conheço a cidade e sua gente".
Ele, no entanto, não descartou voltar a disputar à Presidência no futuro. Disse que um sonho pode permanecer adormecido por muito tempo. "Estou no auge da minha energia."
Questionado se falava sobre a disputa eleitoral pela Presidência em 2018, disse preferir não fazer conjecturas.

Fabio Braga/Folhapress
José Serra durante entrevista no diretório estadual do PSDB em que falou sobre sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo
José Serra durante entrevista no diretório estadual do PSDB em que falou sobre sua pré-candidatura em São Paulo
PRÉVIAS
Em reunião tensa na noite de ontem, a Executiva municipal de São Paulo decidiu adiar para 25 de março a prévia que vai definir o candidato tucano na cidade. A consulta interna estava marcada anteriormente para acontecer no próximo domingo, dia 4.
Andrea Matarazzo e Bruno Covas, que estavam na disputa, abriram mão em favor de Serra. Continuam como pré-candidatos o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli.

Fonte Folha
   

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PRIVATARIA TUCANA III - Protógenes diz ter 173 assinaturas para CPI da 'Privataria'

 O deputado Delegado Protógenes (PC do B-SP) afirmou nesta quinta-feira ter conseguido 173 assinaturas para abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) com a intenção de investigar as acusações feitas pelo livro "A Privataria Tucana".

O livro, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., acusa o ex-governador José Serra de receber propinas de empresários que participaram das privatizações conduzidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

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Em livro, jornalista acusa tucanos de receber propina
Serra diz que livro é 'coleção de calúnias'; outros não comentam

  "A perspectiva é chegar a mais de 250 assinaturas", disse Protógenes, que vai protocolar o pedido de abertura de CPI na próxima terça-feira.

Para abrir uma comissão na Câmara dos Deputados são necessárias 171 assinaturas.

Segundo o deputado, assinaram o requerimento deputados governistas --entre eles a "metade da bancada do PT"-- e da oposição --PSDB, DEM e PPS.

"Eles pediram para não divulgar o nome. E quem já colocou a assinatura recebeu pressão para tirar, mas não vai tirar", afirmou Protógenes.

De acordo com ele, a CPI não pretende fazer uma revisão das privatizações feitas no governo FHC. "Ela vai fazer uma investigação dos possíveis ilícitos e irregularidades cometidos na década de 90."

O deputado pedirá ainda uma audiência pública com o jornalista na próxima semana.

"Tem investigações policiais que possivelmente vão ser desarquivadas", afirmou o delegado licenciado da Polícia Federal, em referência à Operação Satiagraha.

O deputado disse ainda considerar "sensata" a decisão do líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), de não assinarem o pedido.

LIVRO

Publicado pela Geração Editorial, "A Privataria Tucana" foi escrito por Amaury Ribeiro Jr., que no ano passado foi acusado de participar da montagem de uma central de espionagem no comitê da campanha da presidente Dilma Rousseff.

O livro sustenta que amigos e parentes de Serra mantiveram empresas em paraísos fiscais e as usaram para movimentar milhões de dólares entre 1993 e 2003, mas não oferece nenhuma prova de que esse dinheiro tenha relação com as privatizações.

Algumas informações do livro circularam na campanha eleitoral do ano passado e boa parte do material foi publicada antes por jornais e revistas, entre eles a Folha.


Editoria de Arte/Folhapress

Fonte folha http://www1.folha.uol.com.br/poder/1022081-protogenes-diz-ter-173-assinaturas-para-cpi-da-privataria.shtml

PRIVATARIA TUCANA II - Para PSDB, PT está por trás de livro que denuncia fraudes nas privatizações

Em nota, partido repudiou 'A Privataria Tucana', que associa Serra a suposto esquema no governo FHC; ex-presidente classificou livro como 'infâmia'

estadão.com.br



Os tucanos começaram a reagir ao livro "A Privataria Tucana", de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr.. Lançado na semana passada, o livro associa o ex-governador de São Paulo, José Serra, a um suposto esquema de cobrança de propinas durante o processo das privatizações, no governo Fernando Henrique Cardodo, do qual Serra foi ministro. Depois do próprio Serra definir o livro como "lixo" e do senador Aécio Neves classificá-la como "literatura menor", o partido e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgaram notas.

Veja também:
Serra chama de 'lixo' livro sobre privatizações do governo FHC
Livro relaciona Serra a escândalo nas privatizações do governo FHC


A nota do PSDB, assinada pelo presidente da legenda, Sérgio Guerra, acusa diretamente o PT de estar por trás do livro. "A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil", afirma a nota. Ainda segundo o texto, a participação de petistas tem sido constante na "fabricação de falsos dossiês".

Para o PSDB, a obra como "uma eviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas". A nota diz ainda que nenhum órgão de controle constatou qualquer irregularidade em todo o processo.

'Infâmia' 

A nota publicada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no site Observador Político não faz ataques diretos, a não ser aoo próprio autor do livro. Ele definiu a obra como "infâmia" e lembrou o caso do "Dossiê Cayman", em que ele mesmo foi acusado de possuir uma conta milionária na ilha. ""Quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia", conclui.

 Fonte Estadao http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,para%C2%A0psdb-pt-esta-por-tras-de-livro-que-denuncia-fraudes-nas-privatizacoes,811470,0.htm

    

A Privataria Tucana I - Amaury Ribeiro Jr., indiciado pela PF, mostra documento inédito sobre suposta evasão de divisas

Livro usa papéis da CPI do Banestado contra tucanos

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo


Veja também
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PSDB acusa PT de estar por trás do livro; FHC vê 'infâmia'
Serra chama de 'lixo' livro sobre privatizações do governo FHC
Livro relaciona Serra a escândalo nas privatizações do governo FHC
Com 15 mil exemplares vendidos em menos de uma semana, segundo a editora Geração Editoria, o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., revela documentos inéditos da antiga CPI do Banestado que apontam supostas movimentações irregulares de recursos por pessoas próximas ao ex-governador José Serra (PSDB).

Segundo os papéis da CPI – que investigou, entre 2003 e 2004, um esquema de evasão de divisas do Brasil –, o empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, utilizou-se de uma conta operada por doleiros em Nova York para enviar US$ 1,2 milhão para a empresa Franton Interprises, que seria ligada ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira.

Indicado por Serra para o Banco do Brasil no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio é apontado na obra como suposto articulador da formação de consórcios que participaram do processo de privatização, graças a sua influência na Previ, fundo de pensão dos funcionários do banco estatal.

O autor do livro foi indiciado no ano passado pela Polícia Federal por supostamente participar da violação do sigilo bancário de parentes e pessoas próximas a Serra, então candidato à Presidência. O objetivo seria a montagem de um dossiê contra tucanos. Ribeiro Jr. nega e acusa o deputado Rui Falcão (PT), então coordenador da campanha de Dilma Rousseff, de ter furtado dados sobre Serra de seu computador.

O jornalista diz, no livro, que Ricardo Sérgio controlava empresas em paraísos fiscais que teriam recebido supostas propinas de beneficiados pelo processo de privatização, entre eles o próprio Preciado, representante da espanhola Iberdrola na época em que a empresa comprou três estatais de energia no Brasil.

O elo entre a Franton Interprises e Ricardo Sérgio, segundo o autor, é uma “doação” de R$ 131 mil feita à empresa pelo ex-diretor do BB, em 1998. A operação é citada em documento da CPI do Banestado reproduzido no livro

Fonte Estadao http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,livro-usa-papeis-da-cpi-do-banestado-contra-tucanos,811523,0.htm

domingo, 20 de novembro de 2011

EMENDAS PAULISTAS - Tucanos ficam com um terço das emendas

SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO
A bancada de deputados estaduais do PSDB, partido que administra o Estado de São Paulo há 16 anos, apadrinhou quase um terço (30%) de todo o montante liberado pelo governo paulista em emendas parlamentares ao Orçamento desde 2007.

No total, os tucanos conseguiram R$ 181 milhões dos R$ 615 milhões liberados pelo governo, segundo dados divulgados pela Secretaria de Fazenda do Estado.

Confira mapa das emendas em São Paulo

O período envolve as gestões dos tucanos José Serra, Alberto Goldman e do atual governador Geraldo Alckmin. A liberação das verbas é feita pela Casa Civil do Estado.

Esse montante é similar ao total obtido pelas outras duas bancadas mais bem posicionadas no ranking juntas, a do PT (R$ 105 milhões) e do DEM (R$ 76 milhões).

PSDB e PT têm as maiores bancadas na Assembleia Legislativa nos últimos anos. Os tucanos somam hoje 22 cadeiras, ante 24 do PT. Em 2006, o PSDB elegeu 24, e o PT, 20.
Do total obtido pelo PT,

R$ 12 milhões correspondem a emendas apresentadas em bloco, em nome da bancada, numa manobra para tentar driblar a resistência política do Palácio dos Bandeirantes.

BALANÇO 
A Folha.com oferecerá a partir de hoje, para livre consulta, um banco de dados com todas as emendas liberadas pelo governo paulista desde 2007.

O serviço, que organiza de forma simplificada e com fácil acesso os dados brutos divulgados pelo governo, traz os nomes dos deputados responsáveis pelas indicações, seus partidos, os municípios contemplados e quem foram os beneficiados pelas verbas.

Cada um dos 94 deputados estaduais tem um teto informal de R$ 2 milhões ao ano. 
O balanço dos repasses anuais mostra, entretanto, que o pagamento das emendas tem aumentado progressivamente desde 2007, atingindo seu auge no ano eleitoral de 2010, com R$ 256 milhões.

Tradicionalmente, deputados indicam os recursos a pedido dos prefeitos aliados, para obras, custeio de entidades ou compra de equipamentos em seus redutos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

MENSALÃO PAULISTA - Deputado diz que foi alertado sobre 'liberação de recursos' da Assembleia de SP

Adriano Diogo (PT) conta que em 2005 o então secretário de Saúde lhe disse para tomar cuidado com 'desvio de finalidade'

12 de outubro de 2011 | 23h 00
 
Fausto Macedo / SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

Veja também:
Alckmin promete transparência absoluta a emendas e defende Bruno Covas
Sob pressão, Alckmin diz que vai abrir mais dados de emendas
OUÇA: Bruno Covas admite ter recebido proposta de suborno
Em carta, Bruno Covas diz que ‘narrou exemplos como fatos’
Para saber mais: Passo a passo do emendoduto


Em meio à tensão dos debates do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo, na terça-feira, 11, o deputado Adriano Diogo (PT) revelou a seus pares: “Quando eu cheguei aqui na Assembleia o dr. Barradas me ligou e disse para eu me preocupar com as emendas. Ele disse: ‘Adriano, você está chegando, toma cuidado com a liberação de emendas para que não haja desvio de finalidade, de recursos.’ Foi um conselho de amigo”.

Luiz Roberto Barradas Barata foi secretário estadual de Saúde por sete anos, nos governos Geraldo Alckmin e José Serra – desde 2003 até julho de 2010, quando morreu, vítima de infarto.

O telefonema de Barradas para o deputado foi em 2005, lembra Diogo, respeitado por seu destemor na resistência ao arbítrio, nos idos de 60. Nos primeiros dois anos de seu mandato (2003/2004) como deputado, ele licenciou-se para o cargo de secretário do Meio Ambiente (gestão Marta Suplicy).

“Fui para a Assembleia só em 2005”, assinala Diogo. “Eu tinha uma dificuldade muito grande de entender o sistema de emendas. A orientação que eu tinha do governo era transferir emendas para a saúde. Para liberação teria que ir para a saúde.”

Para o deputado Campos Machado, líder do PTB, as declarações de Diogo reforçam a suspeita de que desde aquela época já havia problemas com as emendas e que tal situação era de conhecimento do governo. “A revelação (de Diogo) confirma o que o Roquinho denunciou”, avalia Campos, referindo-se ao deputado Roque Barbiere, de seu partido, que deflagrou o escândalo do mercado de emendas parlamentares na Casa. “Infelizmente não posso arrolar como testemunha o Barradas, só se for pelo Supremo Tribunal Celestial.”

“Não abri um processo acusatório, mas disse com a maior sinceridade”, ressalta Diogo. “O dr. Barradas tinha preocupação, ele é que tinha a caneta na mão e todos os instrumentos de controle para liberar ou não as indicações. Eu tinha amizade pessoal com o dr. Barradas. Ele tinha uma preocupação enorme com as emendas, por isso sugeriu que eu fosse criterioso. Desde então o grande dreno que eu tenho é mandar para saúde, de preferência para a própria secretaria. Segui sua orientação rigorosamente.”

 Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,deputado-diz-que-foi-alertado-sobre-liberacao-de-recursos-da-assembleia-de-sp,784590,0.htm

MÁFIA DAS MULTAS - Arrecadação com multas de trânsito em SP mais que duplica nos últimos 4 anos

Entre as explicações para o aumento de 115% esperado até o fim da gestão Kassab estão aperto na fiscalização e aumento das restrições
12 de outubro de 2011 | 23h 50

Bruno Ribeiro e Rodrigo Burgarelli de O Estado de SP

Se as previsões da Prefeitura de São Paulo se concretizarem, a cidade vai quebrar uma marca simbólica no fim da atual gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). No intervalo de quatro anos de seu mandato, a quantia arrecadada em multas de trânsito deverá mais do que dobrar, passando de R$ 386,1 milhões em 2008 para R$ 832,4 milhões em 2012. É como se cada dono de veículo registrado na capital fosse pagar R$ 117 em multas no ano que vem.

Números provam que as ruas e avenidas da capital nunca estiveram sob vigilância tão rígida quanto agora. Desde 2008, quando a Prefeitura voltou a investir em fiscalização, a capital ganhou 354 novos radares eletrônicos, 250 novos marronzinhos, 800 novos policiais de trânsito depois da reativação do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e 112 câmeras que multam quem não respeita faixas de pedestres.

Por isso, o contraste com o período anterior é gritante. Na gestão 2005-2008, de José Serra (PSDB) e Kassab, a arrecadação com multas cresceu em um ritmo 38 vezes menor que na atual administração.

Outro fator que explica o grande aumento de multas de trânsito nesse período é o crescimento sem precedentes da frota de veículos. A capital ganhou cerca de 1,2 milhão de veículos desde janeiro de 2008, entre motos, carros, ônibus e caminhões. Ao mesmo tempo, Kassab apertou o cerco contra os maus pagadores - desde abril deste ano, a Prefeitura vem colocando cerca de 697 mil devedores de multas na lista de “nomes sujos” do Cadastro Informativo Municipal (Cadin), medida que diminuiu o número de inadimplentes.

Debate. A discussão sobre os efeitos dessa fiscalização na cidade divide especialistas e motoristas. Quem dirige reclama da existência de uma “indústria da multa” - isto é, um sistema punitivo que serviria mais para encher os cofres municipais do que para melhorar a educação de trânsito. A maioria dos estudiosos do tema, porém, defende o aumento da fiscalização como ferramenta de redução de acidentes, mas critica certos aspectos da atuação municipal no combate às infrações.

“O motorista que corre e reclama de ser multado é como o aluno que tira nota baixa na escola”, diz o engenheiro de trânsito Luiz Célio Bottura, que atualmente é ombudsman da Campanha de Proteção ao Pedestre da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Ele diz que, dada a quantidade de infrações cometidas em São Paulo, o número de multas deveria ser até maior.

O também engenheiro Flamínio Fichmann afirma que a CET erra o foco da fiscalização. “Não há um empenho para aplicação de multas de outros delitos, como dirigir sob efeito de álcool e drogas, avançar o semáforo vermelho e o excesso de velocidade. São essas as infrações que, se fossem mais bem fiscalizadas, resultariam em redução dos acidentes”, afirma o especialista.

Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,arrecadacao-com-multas-de-transito-mais-que-duplica-nos-ultimos-4-anos,784595,0.htm

terça-feira, 5 de abril de 2011

MÁFIA DA MEREDA - agiu em 57 prefeituras e dois governos


Segundo pivô do esquema, empresário Genivaldo Marques dos Santos, pagamentos irregulares para obter contratos teriam ocorrido em cidades administradas por diferentes partidos; citados negam denúncias, feitas mediante acordo de delação premiada

Marcelo Godoy e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

O empresário Genivaldo Marques dos Santos, pivô da chamada "máfia da merenda", relatou ao Ministério Público Estadual (MPE) supostos pagamentos de propinas e doações ilegais para campanhas eleitorais em pelo menos 57 cidades e dois governos estaduais.

Entre elas estão quatro capitais, além de municípios administrados por diversos partidos. O empresário fornece informações a promotores desde 2006 em troca da redução da pena (delação premiada).

O Estado publicou no sábado reportagem revelando depoimentos do empresário ao Ministério Público com detalhes do funcionamento do suposto esquema na capital, envolvendo três gestões - de Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab.
    A "máfia da merenda" atuaria também em Recife e Diadema, São Luís (MA) e Carapicuíba, Taubaté, Marília, entre outras. Há ainda pelo menos um deputado federal entre os citados: Abelardo Camarinha (PSB-SP). Todos os citados alegam inocência e negam as acusações feitas pelo empresário por meio de acordo de delação premiada.

    O Estado teve acesso a sete dos depoimentos prestados pelo empresário desde 26 de março de 2006. Logo no primeiro deles, Santos contou detalhes sobre o suposto esquema de propinas em troca da terceirização da merenda em sete cidades.

    Além de São Paulo, afirmou que a propina era paga diretamente para Fuad Gabriel Chucre (PSDB), então prefeito de Carapicuíba, e para Mário Bulgareli (PDT) e seu antecessor na prefeitura de Marília, o deputado Camarinha.


    domingo, 9 de maio de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Debates entre os presidenciáveis


       
    Deu no Correio Braziliense

    Debates entre os presidenciáveis

    De Luiz Carlos Azevedo:
    A Band abre a rodada de confrontos entre José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) em 5 de agosto. Em caso de segundo turno, outro debate será realizado em 10 de outubro. Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, a novidade será a participação dos internautas.
    Na Rede TV!, o debate será em 12 de setembro, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar, com repeteco em 17 de outubro se houver segundo turno. A rodada da Rede Globo ocorre em 28 de setembro. Em caso de segundo turno, um debate será marcado para 28 de outubro.

    sábado, 8 de maio de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Lançamento de pré-candidatura de Alckmin vira ato de apoio a Serra e críticas ao PT


       
    da Reportagem Local


    O PSDB de São Paulo lançou neste sábado a pré-candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin ao governo do Estado. O evento virou um ato de apoio à pré-candidatura do tucano José Serra à Presidência e de críticas à gestão petista no governo federal.
    Serra disse que não faria como o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou tudo para o último ano. "Vamos fazer as coisas desde o primeiro dia, não deixar tudo para o último ano, planejando e fazendo as coisas", afirmou ele.
    O presidenciável relembrou o episódio dos dossiês encomendados para incriminar tucanos e disse que o PSDB governa para todos os partidos. "Nós não demonizamos a oposição, que são nossos adversários, não nossos inimigos. Nós não produzimos dossiês. [A oposição é uma força política que tem sua legitimidade", disse. "A nossa luta não é para fortalecer um partido, é pra fortalecer o Brasil."
    Tucanos e aliados presentes fizeram elogios a Serra. O próprio Alckmin, que deveria ser a estrela do dia, deu crédito a Serra pelos avanços ocorridos em São Paulo. "Podemos nos orgulhar do que cada governo tucano fez até agora. Covas ajustou as finanças do Estado. Assumi um Estado sadio e avançamos. O Serra avançou ainda mais, com sua competência, trabalho e dedicação à causa pública."
    O ex-secretário da Casa Civil de São Paulo Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), pré-candidato ao Senado, rendeu elogios a Serra e Alckmin. "Vamos eleger Serra. Vamos ajudar o Geraldo Alckmin a voltar ao Palácio dos Bandeirantes!", disse o ex-secretário.
    O ex-governador Orestes Quércia (PMDB), pré-candidato ao Senado na chapa de Alckmin, também pediu votos para Serra e alfinetou a ex-ministra petista Dilma Rousseff, que nunca disputou uma eleição majoritária. "Não se pode colocar na Presidência da República uma pessoa que pode até ser boa, mas que não tem experiência, não passou por nenhuma eleição", disse ele.
    Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de dizer que o PSDB não tem nada para esconder. "Nossa história é a do Brasil. Nós damos passos firmes para o futuro. E não um passo para frente e outro para trás."
    Serra disse que Alckmin dará seguimento ao seu estilo de governar em São Paulo. "Nós não governamos para um ou outro partido, nós governamos para todos, para o povo; não demonizamos a oposição, nós vemos a oposição como força política, como adversários. É esse nosso estilo. É esse estilo que o Alckmin vai aprofundar em São Paulo
    Aloysio alfinetou os petistas, que dizem que o país regredirá se Serra for eleito. "Enquanto outros se esquivaram, nós trabalhamos pela redemocratização, na frente que derrotou a ditadura."

    domingo, 2 de maio de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Ao fugir de festas do 1º de Maio, Serra pede oração a evangélicos em SC


       
    GRACILIANO ROCHA
    da Agência Folha


    O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez um discurso repleto de referências bíblicas diante de uma plateia de missionários evangélicos e foi saudado como "futuro presidente" por pastores da Assembleia de Deus, hoje à noite em Camboriú (SC).
    "Orem, rezem a Deus, por mim no sentido de eu ter mais sabedoria para enfrentar as batalhas e as lutas que nós temos daqui por diante", discursou, aludindo a uma passagem do Velho Testamento em que o rei Salomão pede a Deus sabedoria para governar.
    Na discurso, o católico Serra vinculou passagens da Bíblia à sua atuação como ministro da Saúde e governador. Citando trecho do Evangelho de João, sobre Cristo ter vindo à Terra para dar "vida abundante", o tucano lembrou que propôs legislação restritiva ao cigarro em São Paulo para dar "qualidade de vida" à população.
    Serra falou para um auditório lotado com cerca de 10 mil pessoas, segundo pastores da Assembleia de Deus.
    Líderes da igreja pentecostal afirmaram que o discurso foi ouvido por 160 mil pessoas que participaram do encontro 28º Encontro Internacional de Missões dos Gideões Missionários, espalhados em um parque de Camboriú. A Polícia Militar não fez estimativa de público.
    O palanque evangélico de Serra foi articulado pelo pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC (Partido Social Cristão), sigla aliada de Lula no Congresso e que deverá apoiar o tucano na eleição. A Assembleia de Deus é a igreja da pré-candidata Marina Silva (PV).
    Pastores trataram Serra várias vezes como "futuro presidente". Durante sua oração, o pastor Cezino Cavalcante pediu que os fieis rezassem para que o presidenciável se elegesse e conclamou o ex-governador a voltar ao encontro em 2011 como presidente. O pré-candidato disse "amém".
    O pastor Reuel Bernardino incentivou a ovação a Serra: "Esse povo não só ora como vota, haverá um rebuliço no país".
    Após ganhar uma Bíblia de Cezino, Serra concedeu uma rápida entrevista em que defendeu o trabalho missionário das igrejas e negou ter ido a Santa Catarina apenas em busca do voto evangélico.
    Ao sair do ginásio, diante de uma multidão que gritava seu nome, Serra fez o V de vitória.

    sexta-feira, 30 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Em baixa no NE, Serra percorrerá interior


    Pré-candidato fará caravana de cinco dias de carro pela região, a única em que fica atrás de Dilma nas pesquisas eleitorais
    Roteiro final ainda não foi definido, mas deve incluir PI, CE, PB e PE; ideia é ir a locais que possam ser focos de desenvolvimento no futuro

    De Breno Costa:

    Em mais um capítulo da tentativa de conquistar o eleitorado do Nordeste, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prepara uma caravana pela região em maio -única na qual ele fica atrás da adversária Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto.
    O plano da coordenação da campanha tucana, segundo a senadora Marisa Serrano (MS), designada pelo PSDB para cuidar da agenda de Serra, é que ele passe cinco dias seguidos na região, viajando de carro pelo interior. A maratona deve ocorrer dentro de duas semanas.
    O roteiro será definido até o início da semana que vem. Ontem, a senadora se reuniu com o colega Tasso Jereissati (PSDB-CE) para tratar do assunto. Um pré-roteiro já inclui visitas a Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco, nessa ordem. Os municípios, contudo, ainda estão sendo discutidos.
    "Será uma viagem na qual o candidato possa se aproximar de realidades do Nordeste em geral, percorrendo a região. A ideia é ele ficar a semana toda no Nordeste, com endereço lá", diz o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB e coordenador nacional da campanha de Serra. Assinante do jornal leia mais em: Em baixa no NE, Serra percorrerá interior

       

    quinta-feira, 29 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Maria e eu #eleicoes2010


       

    Maria da 
Conceição Tavares


    Maria e eu

    José Serra

    Artigo publicado em O Globo, em 24/04/2010

    Conheci Maria da Conceição Tavares em 1966, no Chile.

    Estava exilado e começando, tardiamente, a estudar economia. No Brasil, eu havia cursado quatro anos de engenharia.

    Fiquei assombrado com ela. Eu a conhecia pelos relatos dos economistas cariocas Cláudio Salm e Francisco Biato, com quem dividia o apartamento na capital chilena. Falavam-me dela o Carlos Lessa, que estava na CepalIlpes, e o Aníbal Pinto, considerado seu mestre por ela — e meu também.

    Como chefe do escritório da Cepal no Brasil, dom Aníbal, grande economista chileno, deu à Conceição a ideia e, por que não dizer, a orientação para um estudo que se tornou um clássico: “Auge e declínio do processo de substituição de importações no Brasil”. Um trabalho que eu já lera e virara pelo avesso. Aliás, nosso mestre foi também o inspirador de outro estudo clássico, “Quinze anos de política econômica no Brasil”, do Lessa.

    Por que o assombro? Porque ela parecia um vulcão que expelia inteligência, criatividade, veemência, gritos.

    Opinava sobre todos os temas e massacrava eventuais contestadores do que dizia, às vezes até com ameaças de beliscões. Massacres? Que nada, era só estilo.

    Ela se mudou com seus dois filhos para o Chile, em 1968, e ficou até 1972, trabalhando na Cepal. Descobri logo que prestava muita atenção e sempre levava em conta, do seu jeito, aquilo que os outros diziam. Não era dogmática e mudava de ideia segundo a qualidade dos argumentos alheios ou as mudanças das realidades. Respeitava e elogiava quem lhe ensinara coisas, como era o caso, entre vários, do ex-ministro Otávio Bulhões. E era de uma generosidade insuperável no trabalho intelectual, doando ideias para amigos aproveitarem em seus trabalhos e jamais reclamando os créditos. Marca registrada, também, do Aníbal Pinto.

    Quando eu estava na Cepal, no final de 1970, escrevemos juntos um artigo sobre a economia brasileira, que acabou virando um texto importante na época: “Além da estagnação: uma discussão sobre o estilo de desenvolvimento recente do Brasil”, título sugerido por Aníbal Pinto. Lembro que passei uns dias com ele na sua casa de praia, revisando linha por linha. O Cláudio Salm escreveu recentemente uma longa e interessante análise sobre esse trabalho.

    Uma coisa pouco ou nada sabida: durante alguns meses, em 1972, a Conceição assessorou o governo chileno, para contribuir nas tentativas de dar algum estabilidade à economia, assolada pelo galope da superinflação e do desabastecimento, que levava ao mercado negro. Interrompeu esse trabalho quando voltou ao Brasil, e sugeriu-me substituí-la, coisa que fiz, não por achar que, àquela altura, as coisas iriam terminar bem, mas para tentar alargar os limites do possível. Cheguei até a elaborar o esboço de um plano de estabilização e arrumação econômica, bancado pelo ministro da Fazenda, mas que virou pó diante do acirramento dos conflitos e da crise.

    Oito momentos inesquecíveis com a Conceição:
    • eu, de cama durante semanas, com febre tifoide grave e reincidente, entupido de antibióticos enjoativos, ouvindo dela a notícia da assinatura do AI-5;
    • vendo, em sua casa, o Neil Armstrong pisar na lua e falar com um Nixon eufórico;
    • depois de um jantar, na casa do Aníbal Pinto, minha mulher, Mônica, chilena, sorridente mas abismada, contemplando um grupo de pessoas — a Conceição, eu, o Aníbal e a Malucha, sua mulher e bailarina, como a Mônica — cantando e dançando samba puladinho, que ela nunca tinha visto na vida. Conceição tinha o samba no pé e, confesso, foi com ela que aprendi de verdade a deixar o ritmo comandar as pernas;
    • de madrugada, na maternidade, na mesma sala onde a Mônica sofria as dores do parto de nossa filha, discutindo política e economia com a Conceição, sempre enfática, embora mais doce do que de costume, dadas as circunstâncias;
    • na Cepal, de manhã, ela entrando na sala do dom Aníbal, com quem eu trabalhava, e ele dizendo: “A ver, Doña Emergencia, cuál es el problema grave y urgente en el mundo hoy día? A ver!”
    • por incrível que pareça, de novo na maternidade, nas mesmas circunstâncias, quando meu filho nasceu, em junho de 1973 — ela estava de passagem por Santiago e passamos a noite prevendo o golpe que iria derrubar Allende pouco mais de dois meses depois;
    • no Rio, em meados de 1977, quando voltei do exílio, então nos Estados Unidos, por um mês e meio apenas — depois de prescrita uma condenação que tivera —, e me hospedei no apartamento dela, na Praia do Flamengo. Um calor daqueles, sem ar refrigerado, e conversa durante toda a madrugada, ela controlando o volume da voz para não acordar os filhos. Lembro muito bem que Conceição e o Lessa, entre outros, tiveram grande influência para que eu fosse convidado a ser professor da Unicamp, ao voltar definitivamente para o Brasil, em 1978. Lá, fomos colegas e continuamos a conviver;
    • em São Paulo, na casa dos professores João Manoel Cardoso de Mello e Liana Aureliano, em 1980, ela fazendo 50 anos de idade e ouvindo o ”Parabéns pra você“.

    Conceição sempre teve hábitos austeros, noves fora a modéstia dos seus rendimentos face aos encargos familiares.

    Eu implicava com sua geladeira, invariavelmente semivazia… Ela poderia ter ganhado muito dinheiro, na iniciativa privada, porque possuía uma boa formação em matemática, além do seu conhecimento de economia, dois requisitos importantes para faturar no mercado financeiro. Manteve-se, no entanto, sempre professora e pesquisadora, sua grande vocação. Na política, fora próxima do PCB, nos anos 50, mas não parecia ter paciência para uma militância organizada. Por isso, me surpreendi quando ingressou no PT e se elegeu deputada, talvez na campanha mais barata já feita no Rio de Janeiro. Desistiu, porém, de concorrer a outro mandato e retomou sua vida de sempre.

    Ao longo dos anos 80, com meu afastamento gradual da atividade acadêmica, nossos encontros foram se tornando mais raros. Mas carrego sempre comigo o afeto e a admiração por esta amiga tão inteligente, austera, excêntrica, doce e generosa.


    Maria da Conceição Tavares http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_Tavares


    terça-feira, 27 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Serra promete fortalecer Zona Franca de Manaus se for eleito


       
    GABRIELA GUERREIRO
    da Sucursal de Brasília


    O tucano José Serra (PSDB) prometeu tornar permanente a Zona Franca de Manaus (AM) se for eleito presidente da República nas eleições deste ano. Em entrevista à TV Rede Amazônica, gravada na última sexta-feira, Serra disse que sua proposta é fortalecer a região, com indústrias que possam impulsionar a produção local.
    "No governo, se eu chegar como espero, eu vou mais longe, tornando a Zona Franca perene. Não é preciso ficar renovando constantemente seu período de duração. Ela já está consolidada e já tem uma certa divisão de trabalho com o resto do Brasil. Portanto, eu tiraria essa coisa de que seu tempo vale até tanto. Tem a Zona Franca na Constituição, ou seja, tornaria a Zona Franca permanente", afirmou.
    A íntegra da entrevista de Serra foi divulgada nesta terça-feira pela emissora. Na opinião do presidenciável, a Zona Franca ajuda a preservar a floresta Amazônica. "Você já imaginou se toda essa gente que trabalha lá não tivesse essa opção? Iria pra onde? Iria para a floresta. Então quando se analisa a Zona Franca, é preciso pensar em um patrimônio que está sendo preservado e que vale muito."
    Além de defender a Zona Franca, o tucano também se mostrou favorável à construção de um novo porto em Manaus por ser um "fanático" pelos transportes hidroviários.
    Apesar das críticas da oposição ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com ameaças de extinguí-lo, Serra prometeu finalizar programas do PAC 2 na região Norte --em especial a BR-319, ligando Manaus a Porto Velho, com ênfase no licenciamento ambiental.
    O tucano disse que se sente "mais preparado" para assumir a Presidência da República hoje do que em 2002, quando disputou o cargo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porque administrou a cidade e o governo de São Paulo. Na opinião de Serra, o clima político atual é diferente porque em 2002 o Brasil "queria reeleger o Lula".
    "Fizemos um único debate no segundo turno, que eu queria ter tido, mas tudo com nível, com altura, mas o Brasil decidiu a sua escolha. A derrota de 2002 também é uma experiência importante, porque na democracia a gente ganha e a gente perde também. Temos que ser altivos na derrota e humildes na vitória. Isso eu acredito que fiz."
    Serra voltou a lembrar sua infância humilde em São Paulo, sua época de militante estudantil e o período do exílio durante a ditadura militar (1964-1985).
    Belo Monte
    Na entrevista, Serra defendeu a produção de energia elétrica com a construção da usina de Belo Monte (AM), mas disse que o governo precisa discutir melhor o assunto antes de colocá-lo em prática. "É uma obra que custa de R$ 19 a 30 bilhões. Dezenove é o que aparece, mas você ouve aí gente especializada dizendo que pode custar até 30. Não tem aquele rendimento que se imaginava, em quilowatts", afirmou.
    O tucano disse que, se o assunto Belo Monte nascer "de uma maneira encrencada, encrenca no caminho e fica tudo se arrastando".

    segunda-feira, 26 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Serra: "dirigir o Palmeiras é mais difícil do que ser presidente"

    Belluzzo disse que Muricy aceitou doar sua imagem sem custos ao 
Palmeiras para a viabilização do patrocínio Foto: Gazeta Esportiva José Serra é amigo pessoal do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo
    Foto: Gazeta Esportiva

    Pré-candidato à Presidência da República, José Serra deu uma declaração curiosa neste domingo. Ao comentar a final do Campeonato Paulista entre Santo André e Santos pela Rádio Transamérica, o ex-governador de São Paulo saiu em defesa de Luiz Gonzaga Belluzzo, atual presidente do Palmeiras, seu clube do coração.
    "Acho que é mais difícil ser presidente do Palmeiras do que do próprio Brasil", afirmou Serra. "Um presidente de time de futebol não consegue fazer tudo o que quer".
    José Serra costuma ter participação ativa na vida do Palmeiras. Sempre que possível, ele acompanha os jogos do time no estádio do Palestra Itália.
    Durante a passagem do técnico Luiz Felipe Scolari, Serra viveu sua principal polêmica no futebol. Ele chegou a dar palpites na escalação palmeirense. Na época Ministro da Saúde, o político recebeu uma resposta dura. "Precisamos nos preocupar com os hospitais", bradou o ex-treinador alviverde, atualmente no futebol do Uzbequistão.

       

    domingo, 25 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - 'Não quero acabar com o Mercosul', diz Serra


       
    CLAUDIA ANTUNES
    da Sucursal do Rio


    O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse que não quer acabar com o Mercosul, mas flexibilizá-lo de forma "negociada com nossos parceiros" e revelou que, se eleito, pretende dar funções "mais executivas" à Camex (Câmara de Comércio Exterior). Abaixo, a íntegra da entrevista, feita por e-mail.
    Folha - O senhor tem falado numa política comercial mais agressiva. Por quê?
    José Serra - As exportações brasileiras cresceram muito nos últimos anos até 2008, como consequência do aumento de preços e da demanda por nossas commodities. Conquistamos imensos superavits comerciais. Mas agora estamos em outra fase. Os superavits encolheram e o deficit em conta corrente está crescendo com grande velocidade, até porque as importações dispararam, junto com as remessas das empresa estrangeiras ao exterior, devido ao dólar barato. Nosso deficit em matéria de produtos industriais tornou-se gigantesco: nesse item, exportamos proporcionalmente menos e importamos proporcionalmente muito mais. Minha preocupação é livrar o Brasil de um estrangulamento externo futuro e sustentar o crescimento do emprego.
    Folha - Se eleito, pretende mudar a estrutura do comércio externo?
    Serra - Creio que é indispensável fortalecer e agilizar a Camex, dando-lhe funções mais executivas e mais agilidade nas decisões de comércio exterior. O presidente da Camex, subordinado ao presidente da República, deve pilotar as delegações do comércio exterior. A Camex foi criada no governo FH, em 1995, por sugestão minha. Reúne representantes de quatro ministérios, além do Banco Central, que interferem no comércio exterior. Desde então teve um papel positivo, mas muito aquém do que hoje se necessita.
    Folha - Há outras mudanças a fazer?
    Serra - A área de Defesa Comercial do Brasil ainda é pouco atuante e mal equipada, face às necessidades. Tal situação não vem só do governo do Lula. A abertura comercial do começo dos anos noventa exigia a organização e o fortalecimento dessa área, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, na Coreia, na China.. Mas isso não foi feito na medida exigida. Há grande demora no exame dos pedidos em casos de defesa comercial. O governo é falho no apoio ás empresas. Os processos de antidumping contra a China demoram muito mais do que em outros países que não a reconhecem como economia de mercado. Há pouco tempo, verificou-se que a China registrava exportações têxteis ao Brasil equivalentes a mais ou menos o dobro do que as importações brasileiras de têxteis chineses. Por quê? Porque entra muita importação têxtil sem registro, a fim de não pagar impostos. E compete com a produção brasileira, que paga. Os produtores brasileiros, que são tão ou mais eficientes que os chineses, sofrem com o câmbio e com a frágil defesa comercial do país.
    Folha - O senhor disse que o Mercosul atrapalha a busca brasileira por novos mercados. O que propõe mudar no bloco?
    Serra - O Mercosul deve ser flexibilizado, de modo a evitar que seja um obstáculo para políticas mais agressivas de acordos internacionais. Não se trata de acabar com o Mercosul, pelo contrário. Há duas instâncias de integração econômica. A primeira é o livre comércio entre os países que se associam - uma zona de livre comércio, a ser gradualmente implantada. A segunda, alcançada somente depois de décadas pela União Europeia, é a adoção de uma política comercial comum, ou seja, os países integrantes renunciam à sua soberania comercial, e fixam tarifas comuns de importações. Além do mais, só podem fazer acordos comerciais com terceiros se todos os membros concordarem. Tudo tem de ser feito em bloco.
    Eu sempre achei irrealista fazer-se tudo isso em quatro anos, a partir de 1995 [quando começou a vigorar a tarifa externa comum]. Na época, o ministro de relações exteriores era o mesmo Celso Amorim, no governo do Itamar Franco. Ele sabe que eu divergia do acordo, por achá-lo irrealista. Defendia que, primeiro, o Mercosul se fortalecesse como zona de livre comércio, o que tomaria tempo. Só aí se deveria partir para a união alfandegária.
    Nesse atropelo, o livre comércio não se consolidou e a união alfandegária nem se materializou totalmente, cheia de "perfurações" de tarifas. O Mercosul acabou sendo uma obra inconclusa, com todos os custos que isso envolve.
    Folha - A reação argentina a sua declaração não foi positiva.
    Serra - O que defendo é flexibilização do bloco, a fim de que nos concentremos mais no livre comércio. Claro que essa não seria uma decisão unilateral do Brasil. Teria de ser bem negociada com nossos parceiros do Mercosul.
    Folha - Mas, mesmo negociando sozinho com outros, o Brasil terá que fazer concessões.
    Serra - Há um dado que citei no meu discurso em Brasília: nos últimos oito anos foram feitos cem tratados de livre comércio entre diferentes países. O Brasil fez apenas um, assinado pelo Mercosul com Israel. É óbvio que o maior acesso a determinados mercados envolve concessões recíprocas. Sempre é assim. Por isso, cada caso é um caso e só devemos assinar tratados que nos tragam vantagens líquidas.
    Outra questão importante é a da infraestrutura, que, hoje, aumenta os custos das nossas exportações. O transporte da soja de Mato Grosso ao porto de Paranaguá custa algo parecido ao transporte desse porto até a China. Faltam estradas melhores, trens, investimentos em armazéns, portos e aeroportos.

    sexta-feira, 23 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Serra intensifica agenda no Nordeste

    Para melhorar a imagem na região, tucano vai ao Rio Grande do Norte e ressalta ações quando era ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso e critica o governo federal

    Alana Rizzo
    Erta Souza
     
    Publicação: 23/04/2010 07:00
     

    Natal — Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) tentou ontem mais uma vez quebrar o mito “anti-Nordeste”, frequentemente imposto pelos adversários. Durante a passagem relâmpago pelo Rio Grande do Norte, o tucano manteve a estratégia adotada em outras viagens à região: destacar, ponto a ponto, seus feitos pelos estados da região, especialmente na época em que era ministro da Saúde. Em Natal, Serra disse que ampliou equipes do Programa Saúde da Família e realizou mutirões de catarata.

    “A saúde desacelerou nos últimos anos. Vamos ampliar o acesso aos genéricos e aos medicamentos mais caros.” Essa não foi a única crítica ao governo federal. Indiretamente, o ex-governador também questionou a ampliação da máquina.

    O PSDB quer intensificar a agenda do pré-candidato no Nordeste, já que a última pesquisa Ibope aponta que essa é a única região em que o tucano perde para a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. “Sou a favor da totalidade do país e não na defesa de interesses entre as regiões.” Serra rodou a capital ao lado da senadora e pré-candidata ao governo do Estado, Rosalba Ciarlini (DEM), e do senador Agripino Maia (DEM).

    Numa nova tentativa de atrair o eleitorado nordestino, o ex-governador paulista lembrou que incluiu emenda que destinaria recursos ao desenvolvimento da Região Nordeste durante discussão da Constituição Federal de 1988. Serra garantiu também que manterá o programa Bolsa Família, mas afirmou que é importante que o governo ofereça condições dignas para a população trabalhar.

    Durante palestra para empresários, destacou o potencial turístico do estado, a economia baseada no petróleo, sal, fruticultura, além de projetos que poderão ser desenvolvidos caso seja vitorioso nas eleições de outubro deste ano.

    Sobre a escolha do candidato a vice-presidente em sua chapa, o ex-governador José Serra disse que não está tratando diretamente sobre o assunto, mas que seu companheiro de chapa deverá reunir os mesmos valores e princípios para que a união seja fortalecida. “O meu partido (PSDB) está trabalhando nisso, eu não estou lidando diretamente nesse assunto, mas acredito que até o mês de junho esse nome já deve ter sido escolhido”, acredita.

    Judiciário
    Serra desembarcou na capital federal no fim da tarde de ontem e seguiu direto para a posse do ministro Ricardo Lewandowsky na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele chegou meia hora atrasado e não quis falar com a imprensa. Durante a cerimônia, ficou sentado ao lado do senador Demostenes Torres (DEM-GO). Serra cumprimentou o novo presidente e em seguida deixou o prédio pela garagem. Hoje, ele participa da posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso.

       

    quinta-feira, 22 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Serra defende mandato de 5 anos e relembra JK


    AE - Agência Estado
    O pré-candidato a presidente José Serra (PSDB) defendeu hoje um mandato de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. "Analisando o Brasil como um todo, a reeleição não deu muito certo", afirmou. Serra afirmou que há tempo suficiente para se governar no período de cinco anos. Ele citou como exemplo o Plano de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que teve como objetivo fazer o Brasil "crescer 50 anos em 5".
    Serra deu entrevista ao telejornal "SBT Brasil", apresentado pelos jornalistas Carlos Nascimento e Karyn Bravo. O pré-candidato do PSDB a presidente disse também que quer fazer a "batalha eleitoral" junto com o pré-candidato a senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Ele em Minas e eu como candidato a presidente, vamos trabalhar juntos", disse, sem responder se há a possibilidade de Aécio ser o candidato a vice-presidente na chapa.
    Sobre o Bolsa-Família, Serra prometeu reforçar, se for eleito, o projeto e procurar ligá-lo a questões como emprego para jovens, educação e saúde. "Acho que a gente tem de avançar e dar a ele um conteúdo que um dia permita que as pessoas tenham sua renda, mas este é um bom programa para ajudar famílias necessitadas", declarou.

    Propostas
    Dentro das propostas econômicas, o pré-candidato do PSDB disse ainda que continuará, caso vença as eleições, com as metas de inflação, o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal. Serra afirmou que, se vencer, quebrará um "círculo vicioso" que é a excessiva carga tributária, além de investir em infraestrutura de estradas, armazéns, portos e aeroportos. O pré-candidato criticou os "juros excessivamente elevados". "Não se resolve (a questão dos juros) de uma hora para outra, mas tem de ter isso na cabeça."
    Serra afirmou que a saúde no País precisa melhorar. "Acho que, nos últimos anos, a saúde não foi para a frente", julgou. Quanto à educação, criticou a recente greve dos professores de São Paulo, onde foi governador. "A greve não mobilizou quase nada e teve caráter político-eleitoral", prosseguiu.
    O pré-candidato disse ainda que o governo deve entrar como "coordenador e grande autoridade da segurança pública, porque a base do crime organizado é o contrabando de armas e o tráfico de drogas, que são combatidos pela administração federal". "Tem de entrar de corpo e alma (na segurança) porque é grave." Serra lembrou o episódio em que traficantes derrubaram um helicóptero no Rio. "Aquela arma (usada para a derrubada) era contrabandeada, então tem de ter uma reação muito mais poderosa e forte", acrescentou.

    Críticas
    Serra criticou também o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O pré-candidato tucano advertiu que o MST é um movimento com finalidades políticas, que "não tem muito apreço pela democracia representativa".
    Serra respondeu também às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à política externa "vira-latas" de governos anteriores. O ex-governador de São Paulo citou a quebra de patentes da indústria farmacêutica na época em que foi ministro da Saúde como "a maior vitória diplomática dentro de um conflito que o Brasil já teve". "A questão não é assim, branca e preta", ressaltou.
     


     

    terça-feira, 20 de abril de 2010

    ELEIÇÕES 2010 - Média das pesquisas dá 4,4 pontos de frente para Serra


    Do blog de Jose Roberto de Toledo:

    Com as pesquisas dos vários institutos cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a mais recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior a diferença era de 4,1 pontos.
    A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.
    Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.
    Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.
    Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.
    Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo na medida que gostaria.
    O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV), os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o percentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

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