Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

POLÍTICA - Dilma posa de faxineira, mas foi quem nomeou o lixo

Setembro de 2010. Véspera do primeiro turno da eleição presidencial. Num debate televisivo, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) investiu contra Dilma Rousseff (PT).

Plínio esfregou na face de Dilma o escândalo Erenice Guerra. “A corrupção bateu na sala ao lado”, fustigou. “De duas, uma: ou você é conivente ou é incompetente.”

O presidenciável do PSOL foi à jugular: “Você vai ter que escolher muita gente. Tem competência para escolher ou vai escolher outras Erenices?”

Decorridos dez meses e meio, o governo de Dilma Rousseff revelou-se uma usina de Erenices. Foram ao olho da rua seis ministros. Cinco por suspeita de corrupção.

Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Orlando Silva, Pedro Novais... A sexta encrenca, Carlos Lupi, agoniza nas manchetes à espera da guilhotina.

Dilma crispa o cenho. Faz boca de nojo. Chama os trambiqueiros ao gabinete. Arma um banzé-de-cuia que arranca aplausos da classe média incauta.

A história do Brasil ensina: ninguém paga pelo que foi, fez e falou. O pedaço da imprensa que alisa Dilma, apelidando-a de faxineira, segue a tradição.

Dilma não é inocente, eis o que se deseja realçar. Foi ela quem nomeou o lixo. Com uma agravante: sabia o que estava fazendo.

Excetuando-se o octagenário Pedro Novais, um velho problema novo, todos os demais ministros pilhados no contrapé vieram da gestão Lula.

Cabe perguntar: o que fazia Dilma no governo de seu patrono? Era a chefona da Casa Civil, a gerentona geral, a coordenadora de tudo, a toda-poderosa.

Pela mesa da ministra faz-tudo de Lula passavam todas as iniciativas e programas de governo com alguma relevância. Coordenava, reunia, espinafrava, fazia e acontecia.

Pois bem. Por que diabos Dilma permitiu que o lixo conhecido deslizasse tão suavemente para dentro da gestão dela? Por que não reciclou o continuísmo?

A frase do Plínio-2010, por premonitória, ainda ecoa: “De duas, uma: ou você é conivente ou é incompetente.”

O petismo gosta de reclamar da mídia. Deveria agradecer de joelhos. Se a imprensa não fosse tão compreensiva, perguntaria diariamente: cumplicidade ou inépcia?

Parafraseando Plínio: ou Dilma estava deliberadamente enganando o país quando nomeou o lixo ou estava sendo enganada.

Em qualquer hipótese, o caso seria gravíssimo. Não no Brasil, claro.

No embate televisivo com Plínio, Dilma realçou que o importante era investigar os desvios e punir os responsáveis.

Referindo-se ao caso de Erenice, a ex-braço direito que virou ministra por sua indicação, Dilma dissera o seguinte:

“Eu queria te assegurar, Plínio, sem sombra de dúvidas: se eu for eleita, assumir a Presidência da República, e o governo não concluir, eu irei investigá-lo até o fim.”

Faltam 45 dias para o aniversário de um ano da gestão Dilma. O caso Erenice sobrevive como caso inconcluso. E Dilma não moveu uma palha.

Ah, que país maravilhoso seria o Brasil se o brasileiro perdesse a mania de deixar tudo pra lá e passasse cobrar os atos praticados e as posições defendidas!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

POLÍTICA - PanAmericano usou franquia para fazer doação ao PT em 2010

O banco PanAmericano doou R$ 300 mil para o diretório nacional do PT em maio do ano passado, poucos meses antes do início da campanha que levou a presidente Dilma Rousseff ao Planalto, informa reportagem de Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Tôni Sciarretta, publicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Veja Tambem
A contribuição foi contabilizada regularmente pelo partido, mas foi feita de maneira dissimulada pelo banco, que usou empresa com a qual tinha relações comerciais para fazer o repasse e disfarçar a origem do dinheiro.
A doação foi feita poucas semanas depois do início das investigações do Banco Central que apontaram fraudes nas operações do PanAmericano e mais tarde revelaram um rombo de R$ 4,3 bilhões na sua contabilidade.
Na mesma época em que a contribuição foi feita, o banco discutia com a cúpula do PT a contratação de uma de suas empresas para viabilizar o uso de cartões de crédito para captar doações eleitorais na internet.
OUTRO LADO
Procurado pela reportagem, o Diretório Nacional do PT não respondeu sobre a doação feita pelo Banco PanAmericano no ano passado até o fechamento desta edição.
A Folha fez contato por e-mail e por telefone com a assessoria do partido, que informou não ter localizado, ontem, João Vaccari Neto, secretário de finanças e de planejamento do PT.
Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

domingo, 23 de maio de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Marina critica alteração em projeto e diz que PV não aceitará "ficha suja" na eleição


   
CÍNTIA KELLY
colaboração para a Agência Folha, em Salvador
Em sua primeira visita a Salvador (BA) como pré-candidata à Presidência, a senadora Marina Silva (PV) disse que seu partido não permitirá, já nas eleições de outubro deste ano, a candidatura de pessoas que já tenham sido condenados em segunda instância na Justiça.
Anteontem, o Senado aprovou o "ficha limpa", um projeto de lei que barra as candidatura de políticos que tiveram condenações na Justiça dadas por um colegiado. Pelo texto aprovado, a medida passa a valer apenas para condenações futuras.
Partido nanico pede à Justiça para participar de debate entre Dilma, Serra e Marina
Após queixa de Serra, TV Brasil cria manual para cobertura das eleições
Ministério Público pede a TSE nova multa a Lula e Dilma por propaganda antecipada
A pré-candidata criticou a alteração do projeto feita pelo Senado. "Essa mudança [alteração no texto] foi um verdadeiro gatilho para a incoerência do projeto. Tanto é que as próprias pessoas que participaram do movimento pela aprovação não tinham conhecimento dessa mudança", afirmou Marina, em entrevista coletiva no hotel Othon, em Salvador.
Em relação ao Partido Livre --dissidência do PV que irá apoiar a pré-candidatura de Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais--, Marina disse não temer o esvaziamento da legenda. Ela diz não guardar mágoas das pessoas que deixaram o partido e compara a situação com sua própria saída do PT. "Faz parte da democracia", disse ela.
No sábado, Marina participa do lançamento das candidaturas de Luiz Bassuma ao governo do Sstado e de Edson Duarte ao Senado, ambos do PV-BA.

Arte/Folha
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ELEIÇÕES 2010 - Propaganda de pré-candidatos se vale de disfarces

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 
Políticos de ao menos sete Estados estão fazendo propaganda disfarçada, mesmo com as proibições impostas pela legislação eleitoral.
Os disfarces mais comuns são outdoors com mensagens simpáticas, adesivos com os nomes dos políticos e até faixas de parabéns pelo Dia das Mães. Os pré-candidatos negam que fazem propaganda antecipada.
A propaganda, só permitida depois de 5 de julho, é considerada crime eleitoral se feita antes do tempo e pode render multa de R$ 5.000 a R$ 25 mil, o que já ocorreu em Alagoas e no Acre.
Veja galeria de fotos sobre propaganda antecipada
Em Palmas (TO), o deputado estadual Ângelo Agnolin (PDT), pré-candidato à Câmara dos Deputados, disse que distribuiu dez faixas em rotatórias celebrando o Dia das Mães.
Por meio de assessoria, ele afirmou ainda que as faixas também foram colocadas em cidades do interior.
Em Cascavel (PR), o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB) espalhou outdoors com divulgação das atividades de um instituto social que leva o seu nome.
A promotora Simone Lorenz vê propaganda antecipada na divulgação, porque o instituto tem o mesmo nome do candidato.
Em Fortaleza, o deputado estadual Sarto Nogueira (PSB), pré-candidato à reeleição, distribuiu uma tabela de jogos da Copa do Mundo com seu nome estampado.
Sergipe é um exemplo de como a legislação eleitoral gera controvérsias.
Lá, a Folha viu adesivos com sites de oito pré-candidatos a deputado colados em carros, mas o procurador regional eleitoral Ruy Mello não vê ilegalidade no caso.
Em Alagoas, a Procuradoria Regional Eleitoral entrou com representações contra 31 pré-candidatos por campanha eleitoral antecipada.
A reportagem também encontrou propaganda disfarçada em Mato Grosso do Sul.
Para o juiz federal Raimundo Alves de Campos Júnior, o "baixo" valor das multas serve de incentivo para o descumprimento da lei.
Políticos dizem que não fazem propaganda
Os políticos citados na reportagem negam que estejam fazendo propaganda antecipada e dizem até que as mensagens não influenciam na decisão do voto do eleitor.
Renato Lima, assessor jurídico do deputado Sarto Nogueira (PSB-CE), disse que a tabela da Copa não configura propaganda eleitoral.
"Como é que existe campanha antecipada quando não se sabe se a pessoa é candidata?", questionou.
O advogado disse que a tabela possui caráter institucional da entidade privada da qual o deputado é diretor clínico _o impresso veicula o nome de um hospital.
Já o deputado estadual Ângelo Agnolin (PDT-TO), que distribuiu faixas sobre o Dia das Mães, afirmou que não há por que a Justiça Eleitoral questionar sua iniciativa.
O deputado afirmou que a mensagem é uma tradição familiar e que faz isso todos os anos. "Na verdade, seria uma falta com as mães tocantinenses deixar de cumprimentá-las no seu dia."
O deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) disse que a divulgação do instituto que leva seu nome não pode ser caracterizada como campanha.
Segundo ele, periodicamente a entidade divulga suas ações. "Casualmente podem achar que seja campanha extemporânea, mas o instituto é uma organização de responsabilidade social que com frequência divulga seus atos."

   

domingo, 9 de maio de 2010

MENSAGEM DE MARINA SILVA - Fui mãe no Dia das Mães !!!


   
Postado em 07/05/2010 por Equipe Marina | Categoria(s): Geral

ELEIÇÕES 2010 - Debates entre os presidenciáveis


   
Deu no Correio Braziliense

Debates entre os presidenciáveis

De Luiz Carlos Azevedo:
A Band abre a rodada de confrontos entre José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) em 5 de agosto. Em caso de segundo turno, outro debate será realizado em 10 de outubro. Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, a novidade será a participação dos internautas.
Na Rede TV!, o debate será em 12 de setembro, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar, com repeteco em 17 de outubro se houver segundo turno. A rodada da Rede Globo ocorre em 28 de setembro. Em caso de segundo turno, um debate será marcado para 28 de outubro.

sábado, 8 de maio de 2010

ELEIÇÕES 2010 - O QUE PODE E O QUE NÃO PODE


Confira um resumo com as normas da campanha

    Ainda estamos no período de pré-campanha, na qual são permitidas apenas prévias e reuniões nas sedes dos partidos, sem qualquer tipo de publicidade externa. A multa por propaganda vai de R$ 5 mil a R$ 35 mil. A campanha começa no dia 6 de julho e será assim:

PODE
Participar de entrevistas em veículos de comunicação, mas sem pedir votos
Distribuição de santinhos com nome, número e partido do candidato
Placas, cavaletes e bonecos móveis nas calçadas, das 6 às 22h. Estes objetos devem ter, no máximo, quatro metros quadrados e não podem obstruir a passagem dos pedestres
Faixas em residências, desde que não haja pagamento para receber a permissão do proprietário
Comício, das 20h à meia-noite
Carro de som, das 6h às 22h
Divulgação livre nos sites do candidato e do partido
Envio de e-mails meditante cadastro gratuito, nos sites oficiais do candidato e do partido
Citação em blogs particulares, desde que não seja paga

NÃO PODE
Pintura em muros, particulares ou públicos (ordem para apagar a propaganda. Se ação for repetida, a multa será estipulada por cada caso)
Faixas e galhardetes em postes e árvores (multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil)
Outdoor, showmício e faixas em residências mediante pagamento (multa de R$ 5 mil a R$ 15 mil)
Distribuição de brindes, ou seja, qualquer objeto que tenha utilidade para o eleitor: pente, chaveiro, batom, cortador de unha, bolsa (multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil)
Carro de som fora do horário (apreensão do veículo, sem multa)
Propaganda paga em blogs e outros sites particulares (multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil)
Propaganda em sites de governos, sindicatos e empresas privadas (multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil)
Pagar site de busca — Google, Yahoo, Altavista — para ser encontrado primeiro, quando o internauta estiver procurando palavras genéricas, como eleições ou voto (multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil)

O TRE do Rio de Janeiro recebe denúncias de irregularidades pelos telefones (21) 2533-9955, 2533-9797 e 3513-8204 e pelos e-mails capital@tre-rj.gov.br e interior@tre-rj.gov.br.

ELEIÇÕES 2010 - Fiscais do TRE gravam vídeos com discursos de políticos


   

Fiscais do TRE passaram a filmar 
discursos de políticos, em eventos públicos / Foto de Fabiano Rocha

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) está de olho na classe política. As equipes de fiscalização vêm filmando, com câmeras digitais portáteis, os discursos de governantes e pré-candidatos, em compromissos públicos. Quem cometer irregularidades vai para o paredão e, se for reprovado no confessionário, pode receber multa de até R$ 35 mil.

Segundo o coordenador de propaganda do TRE, juiz Luiz Márcio Pereira, as imagens são usadas para comprovar o que os agentes descrevem nos relatórios, evitando que o político escape alegando que a ilegalidade deve-se às interpretações do fiscal.

— As defesas dizem que o candidato não tinha conhecimento disso ou daquilo. Afirmam que o fiscal foi rigoroso demais e outras justificativas sem fundamento. Com os vídeos, acabamos com isso. O papel oficializa e filmagem atesta — explicou.

Luiz Márcio Pereira disse que vídeos 
reforçam certidões de fiscalização / Foto de Fabiano Rocha

Nos últimos 60 dias, os políticos foram gravados em quatro eventos: Família Diante da Cruz; Contra a Covardia, em Defesa do Rio; Dia D Contra a Dengue; e reinauguração do Piscinão de São Gonçalo.

— A campanha já está na rua, de maneira implícita. Não há como negar essa realidade, mas estamos atentos — afirmou Luiz Márcio Pereira.


Exibir mapa ampliado

ELEIÇÕES 2010 - Plínio Arruda Sampaio diz que Lula está `surfando´ em investimentos


   

Da Redação

brasil@eband.com.br

“O governo atual desindustrializou o país e o presidente Lula está “surfando” no excesso de investimento que está vindo para o Brasil”, disse o pré-candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio.

O promotor público aposentado concedeu entrevista à Band News TV nesta sexta-feira. Segundo ele, o PSOL é a composição das esperanças que criaram o PT e negou que seu partido cogitou uma coligação com o PV.

"Marina Silva defende que não se pode mexer no capitalismo em benefício do meio-ambiente”. Segundo Sampaio, não é possível deixar os dois intactos, sem que um seja modificado em prol do outro.

O promotor público aposentado disse que, se for eleito, fará uma grande reforma agrária, estabelecendo um limite de 1 mil hectares para as propriedades rurais. Além disso, promete auditar a dívida pública e decretar o fim do pagamento dos juros.

Na política externa, Plínio quer reforçar a integração entre os países latino-americanos e a relação econômica do Brasil com o Mercosul.

Plínio de Arruda Sampaio inaugurou nesta sexta-feira a nova sede nacional do PSOL, na Vila Mariana, em São Paulo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Serra defende mandato de 5 anos e relembra JK


AE - Agência Estado
O pré-candidato a presidente José Serra (PSDB) defendeu hoje um mandato de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. "Analisando o Brasil como um todo, a reeleição não deu muito certo", afirmou. Serra afirmou que há tempo suficiente para se governar no período de cinco anos. Ele citou como exemplo o Plano de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que teve como objetivo fazer o Brasil "crescer 50 anos em 5".
Serra deu entrevista ao telejornal "SBT Brasil", apresentado pelos jornalistas Carlos Nascimento e Karyn Bravo. O pré-candidato do PSDB a presidente disse também que quer fazer a "batalha eleitoral" junto com o pré-candidato a senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Ele em Minas e eu como candidato a presidente, vamos trabalhar juntos", disse, sem responder se há a possibilidade de Aécio ser o candidato a vice-presidente na chapa.
Sobre o Bolsa-Família, Serra prometeu reforçar, se for eleito, o projeto e procurar ligá-lo a questões como emprego para jovens, educação e saúde. "Acho que a gente tem de avançar e dar a ele um conteúdo que um dia permita que as pessoas tenham sua renda, mas este é um bom programa para ajudar famílias necessitadas", declarou.

Propostas
Dentro das propostas econômicas, o pré-candidato do PSDB disse ainda que continuará, caso vença as eleições, com as metas de inflação, o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal. Serra afirmou que, se vencer, quebrará um "círculo vicioso" que é a excessiva carga tributária, além de investir em infraestrutura de estradas, armazéns, portos e aeroportos. O pré-candidato criticou os "juros excessivamente elevados". "Não se resolve (a questão dos juros) de uma hora para outra, mas tem de ter isso na cabeça."
Serra afirmou que a saúde no País precisa melhorar. "Acho que, nos últimos anos, a saúde não foi para a frente", julgou. Quanto à educação, criticou a recente greve dos professores de São Paulo, onde foi governador. "A greve não mobilizou quase nada e teve caráter político-eleitoral", prosseguiu.
O pré-candidato disse ainda que o governo deve entrar como "coordenador e grande autoridade da segurança pública, porque a base do crime organizado é o contrabando de armas e o tráfico de drogas, que são combatidos pela administração federal". "Tem de entrar de corpo e alma (na segurança) porque é grave." Serra lembrou o episódio em que traficantes derrubaram um helicóptero no Rio. "Aquela arma (usada para a derrubada) era contrabandeada, então tem de ter uma reação muito mais poderosa e forte", acrescentou.

Críticas
Serra criticou também o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O pré-candidato tucano advertiu que o MST é um movimento com finalidades políticas, que "não tem muito apreço pela democracia representativa".
Serra respondeu também às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à política externa "vira-latas" de governos anteriores. O ex-governador de São Paulo citou a quebra de patentes da indústria farmacêutica na época em que foi ministro da Saúde como "a maior vitória diplomática dentro de um conflito que o Brasil já teve". "A questão não é assim, branca e preta", ressaltou.
 


 

quinta-feira, 25 de março de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Continuidade e mudança

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi:
Depois que concedeu sua entrevista-revelação, o governador José Serra entrou em campo. Deixemos de lado a discussão de por que resolveu fazê-lo de forma tão estranha, creditando sua escolha ao pendor que demonstra ter pelo inusitado. Das muitas coisas extraordinárias que fez nesta campanha — e das muitas que, provavelmente, fará até a eleição —, foi apenas mais uma.
Com ela — salvo algo ainda mais esquisito —, só resta uma dúvida a respeito do cardápio que o sistema político vai apresentar aos eleitores em 3 de outubro. Terá Ciro Gomes gás para manter sua candidatura?
Conseguirá atrair apoios fora do PSB para aumentar seu tempo de televisão? As chances não são grandes, considerando o realismo com que se movimentam as siglas ainda não comprometidas.
O mais provável é que acabem por preferir um dos polos principais.
Se ele e Marina ficarem no páreo, a hipótese de uma decisão no primeiro turno se reduz muito. Mesmo com pouca televisão, a soma de seus votos deverá ficar, no mínimo, em torno de 15% (pelo que dizem as pesquisas atuais), aos quais se deve acrescentar algo perto de 3% , que é uma estimativa razoável do que farão os vários nanicos que se animam a concorrer.
Nem Dilma nem Serra, mesmo nos sonhos mais otimistas, imaginam que terão vantagem tão grande, maior que 20 pontos percentuais, sobre o outro.
Sem Ciro, a possibilidade aumenta. É bom lembrar que o deputado é a primeira opção de quem só conhece dois candidatos, ele e o governador de São Paulo. Muitos de seus eleitores poderão, portanto, se interessar por outras possibilidades, à medida que as conhecerem na campanha.
Dilma, principalmente, mas também Marina, vão receber parte expressiva do voto que ficará órfão se ele não garantir a candidatura. Hoje, esse voto tende a ir quase todo para Serra.
Não importa tanto, porém, se o desfecho se dará no começo ou no fim de outubro. Passa-se o tempo e o que permanece é quem ganhou, independentemente de ter sido em uma consagradora vitória no primeiro turno ou em uma disputa apertada no segundo.
Para o que Lula é hoje, faz alguma diferença ele ter tido que enfrentar Alckmin duas vezes em 2006? Seria ele maior se tivesse vencido de uma vez?
O fato é que será nossa primeira eleição presidencial com um ingrediente que, na democracia, é inteiramente habitual: uma candidatura que se apresenta com a bandeira da continuidade, que promete que vai manter tudo o que faz o governo.
Isso, no Brasil, já é normal nos estados e nos municípios, mas ainda não aconteceu em uma eleição de presidente da República — excluídos os casos de reeleição, que são bem diferentes).
E não é por acaso, pois é a primeira vez que um governo chega ao fim melhor do que começou, com um nível de aprovação popular que é mais que o dobro das expectativas positivas que reunia quando era apenas uma promessa, lá em 2002.
Na política, como em outras coisas da vida, quem ocupa uma posição limita as possibilidades de quem vem a seguir. Dilma encarna a continuidade com naturalidade (pois fez e faz parte do governo) e legitimidade, que lhe é assegurada pela única pessoa em condição de fazê-lo: Lula.
Se o governo é dele, cabe a ele (e só a ele) dizer quem o simboliza na eleição. Ninguém pode se apresentar como continuidade sem seu endosso.
Só resta aos outros concorrentes um lugar igualmente nítido: o da descontinuidade, ou seja, da mudança. Ainda que nenhum candidato (fora Dilma) queira, a eleição vai se tornar, mais cedo ou mais tarde, um confronto entre continuidade e mudança.
Pelo que afirmam Serra, Ciro e Marina, nenhum deles, ganhando, mudaria “as coisas que dão certo”, o que não quer dizer nada para o eleitor.
Segundo as pesquisas, o que a maioria deseja não é uma promessa tão óbvia, mas algo mais concreto: a continuidade mesmo, a que querem as pessoas que se encontram satisfeitas com a situação que vivem.
Quando estão insatisfeitos, os eleitores querem mudança e a procuram nas diversas formas que pode assumir, no centro, na direita ou na esquerda, de acordo com suas convicções. A mudança tem vários rostos.
A continuidade, ao contrário, é uma só. Para os que a preferem, basta saber quem a representa.

 

 

quarta-feira, 24 de março de 2010

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - PT monta pré-campanha milionária para Dilma


De Maria Lima;
A uma semana de deixar o palanque oficial do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fechou na noite desta terça-feira, com o comando do PT, detalhes da megaestrutura que está sendo montada pelo partido para os três primeiros meses da pré-campanha à Presidência. Nessa primeira fase, antes do início da campanha oficial em julho, Dilma terá todas as despesas custeadas pelo PT, que ainda paga por mês cerca de R$ 700 mil da dívida de R$ 35 milhões, remanescente da campanha de 2006, renegociada recentemente. A receita do PT é formada por recursos do Fundo Partidário e pagamento da contribuição de filiados, além de doações para campanhas eleitorais.
As despesas com a pré-campanha incluem o aluguel de uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 12 mil mensais, contrato com empresa de jatos executivos para deslocamento por todo o país, aluguel de carros e pagamento de seguranças, além de salários para a candidata e pelo menos mais cinco assessores que ela levará da Casa Civil para a campanha. Só com esses salários e o aluguel da casa, as despesas chegarão a mais de R$ 250 mil entre abril e final de junho.
O salário da pré-candidata ultrapassará os pagos aos dirigentes petistas, porque, além dos R$ 12.500 que ela recebe como ministra, o partido deverá incorporar mais R$ 5.300 que Dilma recebia como integrante do Conselho de Administração da Petrobras.
 


 

ELEIÇÕES 2010 - FHC recebe Roriz e irrita líderes do PSDB


Tucanos dizem que ex-presidente não pode negociar apoios para campanha de Serra; ele afirma que não tratou disso

De Adriana Vasconcelos, Maria Lima e Adauri Antunes Barbosa:

O encontro anteontem entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC), que ofereceu apoio à candidatura do tucano José Serra à Presidência, provocou constrangimentos e irritação à cúpula do PSDB.
Embora lidere as pesquisas sobre a sucessão no DF, Roriz está na mira do Ministério Público, que apura denúncias de que o esquema do mensalão do DEM, que derrubou o governador José Roberto Arruda, teria começado em sua administração.
O encontro, articulado por Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência e atual vice-presidente executivo do PSDB, foi considerado desastroso.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou a reunião e antecipou ser contra qualquer aliança com Roriz. Para ele, Serra pode sobreviver sem palanque no DF. Além disso, acrescentou, Fernando Henrique não é a pessoa credenciada para fazer ou desfazer acordos.
— O caminho para selar ou não um acordo não é ali (Fernando Henrique). FH vai ser um militante de peso, mas não é seu papel selar acordos — afirmou Virgílio, acrescentando:
— Não vejo porque temos que nos nivelar por baixo. Eu não concordo e não precipitaria um palanque com Roriz em Brasília. Serra pode ir ali na rodoviária que todo mundo o conhece. O DF não precisa de um cacique para mandar o eleitor votar no Serra. Essa é uma estratégia vovó, antiga, de fazer palanque por região. Ele pode perder no DF, mas ganhar em outros estados. O que quero saber é a procedência desses palanques.
(Comentário meu: Subir no palanque de Roriz em Brasília produziria na candidatura Serra o mesmo estrago que o apoio de Garotinho no Rio produziu na candidatura de Geraldo Alckmin no segundo turno da eleição presidencial de 2006.)
Leia mais em O Globo

 


 

domingo, 21 de março de 2010

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - 'Isso é para o futuro', diz Serra sobre eleições

Um dia após falar sobre candidatura à Presidência, governador de São Paulo voltou a adotar tom cauteloso sobre o tema

José Maria Tomazela - O Estado de S.paulo
Um dia depois de ter falado sobre sua candidatura à Presidência da República, o governador José Serra (PSDB) voltou a adotar um tom cauteloso sobre o tema. Neste sábado, 20, em Bauru, diante da insistência dos repórteres, deixou claro que não falaria sobre eleição enquanto fosse governador. "Vim aqui numa ação do Governo do Estado, portanto não vou falar de eleição presidencial, nem estadual, nada. Isso é para o futuro."
Veja também:
http://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gifEm visita a Santa Catarina, Dilma alfineta Serra
Questionado sobre as declarações dadas durante entrevista a José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, quando confirmou que deixaria o governo estadual no início de abril, ele não negou o que disse, mas fez uma ressalva: "Não foi durante um ato de governo e eu não disse nada novo."
Durante a entrevista, Serra preferiu abordar questões regionais, destacando os investimentos realizados na cidade. Respondeu, porém, a uma pergunta sobre a divisão dos recursos do pré-sal, dando razão ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que se queixa da perda de receita. "A discussão deve incluir benefícios para o Brasil, mas sem matar os Estados que já recebem. Tirar R$ 7 bilhões do Rio da noite para o dia, o Rio de Janeiro fecha." Ele acrescentou que a questão deve ser discutida com calma. "Tem de encontrar uma solução boa para o Brasil, não uma solução que divida o País."
Serra chegou na cidade acompanhado do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, do PMDB, e de vários secretários municipais, entre eles o pré-candidato à sua sucessão, Geraldo Alckmin, atual secretário de Desenvolvimento. Ele inaugurou o prédio da Faculdade de Tecnologia (Fatec), construído pelo governo, com investimento de R$ 8 milhões. "Este é o ensino que vira emprego e ao mesmo tempo alavanca o Estado de São Paulo."
Serra inaugurou também, as obras de duplicação da rodovia que liga Bauru a Marília, que estavam paradas e nas quais seu governo investiu R$ 360 milhões. "O mérito maior é que vai poupar vidas." Diante de 21 prefeitos, enumerou obras e recursos liberados para a região e pediu que não "ficassem com ciúmes" do prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), já que a cidade recebera muitas verbas. Ele foi presenteado com uma camiseta do Noroeste, time da cidade - de cor vermelho intenso.
Protesto
Na chegada e na saída do local do evento, o governador enfrentou os protestos de cerca de 50 professores, entre eles integrantes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru. Os manifestantes, com faixas e um carro de som, foram mantidos do lado de fora do prédio da Fatec, a uma distância de 80 metros do palco. Serra entrou por um portão lateral, mas na saída, o veículo teve de passar ao lado dos professores, contidos por uma barreira da Polícia Militar. O barulho era ouvido enquanto o governador discursava, mas ele não reagiu.
"Na verdade, eles não reivindicam salários, mas outras coisas. Negócio de aumento é para fazer crer para a opinião pública que eles estão fazendo um movimento normal, e não é. Se é político, vocês avaliem." Para o governador, a greve não pegou. "É uma minoria que procura criar fatos como interromper o trânsito devido à fraqueza do movimento."


 

 

sexta-feira, 19 de março de 2010

ELEIÇÕES 2010 - MARINA SILVA propõe que taxista use carro elétrico

Equipe que detalha programa de governo do PV estuda isenções fiscais para que toda a frota de táxis do país seja substituída
Grupo também sugere que empresas de comunicação tenham benefício tributário do governo para que abram seu conteúdo na internet

Colaboradores e especialistas envolvidos na elaboração do programa de governo da pré-candidata do PV, senadora Marina Silva (AC), decidiram incluir na proposta duas ideias novas no debate político brasileiro: a substituição de toda a frota de táxis do país por carros elétricos e a abertura de conteúdos de empresas de comunicação na internet em troca de incentivos fiscais do Estado.
Os conceitos, combinando isenção tributária, sustentabilidade e liberdade de informação, serão detalhados por tributaristas e economistas ambientais. Entre os acadêmicos que participam das discussões estão os economistas Jacques Ribemboim e Clovis Cavalcanti, ambos de Pernambuco.
"É papel do Estado auxiliar no acesso à livre informação na internet. A ideia é que as empresas disponibilizem seus conteúdos na rede e, em troca, recebam incentivos. Seria facultativo", disse Sérgio Xavier, um dos coordenadores da pré-campanha e candidato do PV ao governo de Pernambuco.
Em relação à substituição de carros movidos a combustíveis fósseis por carros elétricos, a sugestão é que também haja um programa de incentivo fiscal, associado à redução do preço do transporte. A bandeirada ficaria mais barata pois, segundo especialistas, o custo da manutenção do veículo é menor.
 

 

ELEIÇÕES 2010 - Serra amplia programa social


deu em O GLOBO
Ação é adotada às vésperas de decisão de tucano sobre candidatura ao Planalto

De Flávio Freire:
Perto do prazo para anunciar se disputará a Presidência este ano, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decidiu ampliar o número de pessoas beneficiadas pelo programa Renda Cidadã, que destina R$ 60 a cada família carente cadastrada.
A medida, que deve fazer com que o programa alcance 162 mil famílias (hoje atende 117 mil), acontece semanas após a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, afirmar que a oposição acabará com os programas sociais, se assumir o governo federal.
Para aumentar o universo dos beneficiados, o governo paulista ampliou de R$ 100 para R$ 200 o teto da renda familiar per capita.
O aumento foi adotado, segundo o governo estadual, porque boa parte dos municípios paulistas tinha dificuldade para localizar as famílias com renda de até R$ 100. As prefeituras são responsáveis por cadastrar beneficiários.
Serra autorizou ainda a elevação, de dois para três anos, da duração máxima da concessão do Renda Cidadã:
— Esse novo valor é mais adequado à realidade econômica do país — afirmou a secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Rita Passos.
Em 2009, o governo paulista investiu R$ 98,8 milhões para atender as 117 mil famílias de 644 municípios. Para 2010, o repasse deve ser de R$ 116,8 milhões.
O Renda Cidadã foi instituído em setembro de 2001. No ano seguinte, atendia pouco mais de 53 mil famílias, e o investimento era de R$ 38,1 milhões.

 


 

ELEIÇÕES 2010 - Fernando Henrique Cardoso diz no Rio que é hora de começar campanha


Ele defendeu que partido não espere candidato para fazer propaganda.
Ex-presidente disse que discussão sobre royalties é 'patética'.

Patrícia Kappen Do G1, no Rio
 
  • Aspas Houve uma precipitação do presidente da República ao fazer campanha abertamente, então deu a impressão de que os outros estão atrasados. Mas na verdade a época apropriada é agora"
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta quinta-feira (18) que está na hora de o PSDB começar a fazer campanha política. O ex-presidente participou da abertura do ciclo de palestras sobre Joaquim Nabuco, na Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio.

“As coisas têm o seu momento, eu acho que agora é o momento, tem que atuar, tem que crescentemente falar. Nós temos que dizer ao que estamos vindo”, afirmou o presidente para jornalistas após a palestra, depois de declarar: “Houve uma precipitação do presidente da República ao fazer campanha abertamente, então deu a impressão de que os outros estão atrasados. Mas na verdade a época apropriada é agora.”

Para FH, Dilma não vai dizer programa do PT
Fernando Henrique destacou também que o partido poderia fazer campanha antes mesmo do anúncio de um candidato. “Uma coisa é o candidato, outra coisa é a campanha. Eu não sei por que o partido tem que esperar que alguém diga que é candidato para fazer propaganda. Deve fazer o quanto antes, isso não é uma questão do candidato. O partido tem que ter autonomia, até que eles se declarem candidatos. É preciso difundir mais”. Mas destacou que o papel do candidato, numa democracia de massa, é fundamental na escolha do voto da população.


Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Foto: Patrícia Kappen/G1)

“Claro que a palavra que conta é a palavra dos candidatos. A política brasileira não é diferente da americana, depende muito da mensagem de quem é candidato. A palavra do candidato é que define efetivamente, não é o programa do partido. Acabou de ser publicado o programa do PT. Se a candidata disser o que o programa diz, ela vai perder a eleição. Ela vai falar outra coisa. Ela sabe disso e vai falar outra coisa. O que vale mais é o programa do PT ou a palavra da candidata? É a palavra da candidata.” O sociólogo afirmou que quando o candidato do PSDB, o governador de São Paulo José Serra, começar a falar, será mais fácil “mobilizar o país”.

E comentou também a multa de R$ 5 mil que um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou ao presidente Lula por fazer campanha política: “Vamos ajudá-lo a pagar, vamos fazer uma vaquinha para pagar. Não quero fazer críticas à Justiça. Eu acho que a questão não é dinheiro, é mais moral.”

Em relação à última pesquisa eleitoral, que apontou a candidata do PT, Dilma Rousseff, cinco pontos percentuais atrás de Serra, quando em dezembro a diferença era de 21 pontos, Fernando Henrique tem uma explicação: “Não vamos negar os fatos: o presidente Lula tem muita popularidade. Tudo o que está sendo atribuído agora à candidata dele é em função dele. O que ela vai agregar, vamos ver quando ela começar a se dirigir ao país como candidata, como líder. Por enquanto ela não é líder. Ele é o líder.”

Discutir royalties é 'patético'
Fernando Henrique entrou também na polêmica da distribuição dos royalties do petróleo. Uma emenda aprovada pela Câmara dos Deputados reparte os recursos da exploração do petróleo no mar, inclusive fora da camada do pré-sal, entre todos os estados e municípios de acordo com os critérios dos fundos de participação. Com isto, segundo estudo feito pela assessoria do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), o Rio de Janeiro, por exemplo, perderia cerca de R$ 5 bilhões de arrecadação. O Espírito Santo perderia anualmente R$ 400 milhões.

“Essa discussão é sexo dos anjos. Você está disputando distribuir royalties que não existem, eu acho patético. Nos tínhamos que estar discutindo qual a melhor maneira de distribuir o petróleo. É a partilha mesmo, essa nova proposta da criação de uma ‘petrosal’ é boa, até que ponto? Tem que discutir o modelo. Eu vejo com certa preocupação o fato de o congresso ter se dedicado à discussão da distribuição dos royalties.”

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domingo, 14 de março de 2010

BRASIL/ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - Serra em campanha (05) - Serra corre contra o tempo para entregar obras

O governador José Serra (PSDB-SP) está numa corrida contra o tempo. Enquanto seu partido o pressiona para lançar a pré-candidatura à Presidência o mais rapidamente possível, sua agenda é tomada por inaugurações e lançamentos de projetos, que devem ser feitos até o prazo da desincompatibilização do cargo, em 2 de abril, relatam Tatiana Farah e Flávio Freire em reportagem publicada pelo GLOBO neste domingo.
Mas o tucano ainda esbarra em contratempos. Um deles é a Linha 4 do Metrô: a previsão era inaugurar quatro estações, mas só duas devem ficar prontas. Para o presidente da Comissão de Obras da Assembleia Legislativa, o deputado petista Simão Pedro, a pressa causa prejuízo para o estado.
- É um prejuízo social grande e também financeiro, para o qual ainda não há cálculo. Desde o ano passado há um apressamento no cronograma de obras. Tudo deve ser feito até março, como se o governo não continuasse a existir em abril - queixa-se o petista.
A Linha 4 é a mesma que foi palco de uma tragédia em 2007, com o desabamento das obras da estação de Pinheiros e a morte de sete pessoas. Leia mais em: Serra corre contra o tempo para entregar obras

 

 

BRASIL/ELEIÇÕES 2010 - Na campanha, doação oculta é maior que verba partidária

As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restringem as chamadas doações ocultas nas eleições deste ano vão afetar um mecanismo de financiamento que, nos últimos dois pleitos (2006 e 2008), garantiu R$ 319.973.819 para campanhas eleitorais em todo o país, conta Fábio Fabrini em reportagem publicada no GLOBO deste domingo.
Só na eleição de 2008, quando estavam em disputa cargos de prefeito e vereador, as chamadas doações ocultas somaram R$ 251,4 milhões, ou 8,9% da soma de todas as receitas registradas pelos partidos (R$ 2,8 bilhões). Esses montantes correspondem ao que os partidos receberam de pessoas físicas e jurídicas, e repassaram posteriormente a seus candidatos sem declarar a fonte.
Amplamente adotada para que o eleitor não saiba quem patrocinou os nomes em disputa e os interesses privados em jogo, a controversa estratégia gerou para os candidatos cinco vezes mais dinheiro que o fundo partidário, fonte pública de recursos para os partidos políticos.
Nos anos das duas últimas eleições, o fundo rendeu R$ 312,7 milhões às legendas, mas, desse total, elas transferiram para as campanhas de seus candidatos R$ 64,2 milhões - ou seja, um quinto dos quase R$ 320 milhões das doações que ficaram ocultas na prestação de contas dos candidatos.
O levantamento dos dados foi feito pelo TSE, a pedido do GLOBO, e ajuda a explicar a reação dos líderes partidários, que se articulam para anular no Congresso a exigência do tribunal de que todas as doações sejam identificadas a partir deste ano. A maioria das siglas recorreu às doações ocultas e teme que o estrago na contabilidade eleitoral seja grande agora.
Em 2006, ano de eleições gerais, os candidatos receberam R$ 68,4 milhões, ou 4,8% do total arrecadado oficialmente, e declarado, naquele ano. Valor quatro vezes maior que o montante do fundo partidário repassado pelas legendas, no mesmo ano, às campanhas de seus candidatos, cerca de R$ 17 milhões.

 

 

BRASIL/ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - PT vai ''carimbar'' Dilma como solução

Ainda meio desconhecida do eleitorado, ministra terá roteiro de despedida, ao lado de Lula, que vai de Paraisópolis a Porto Alegre e BH


Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo
A despedida de Dilma Rousseff no comando da Casa Civil, no fim deste mês, indicará o tom que o governo quer imprimir à temporada inicial da campanha de sua candidata ao Palácio do Planalto. A equipe do PT tentará a todo custo popularizar a imagem da ministra - ainda desconhecida de metade do eleitorado - e, ao mesmo tempo, carimbá-la como a mulher com capacidade de resolver problemas e apontar soluções.
O roteiro que Dilma cumprirá, nos últimos dez dias de governo, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reflete com todas as letras a estratégia traçada pelo comando petista. A maratona de viagens inclui visita à favela de Paraisópolis - a segunda maior de São Paulo -, no próximo dia 25, para uma cerimônia de licenciamento de rádios comunitárias e inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Encravada no Morumbi, Paraisópolis tem cerca de 80 mil moradores e só perde em tamanho para a favela de Heliópolis, também na zona sul. A urbanização, ali, é obra do PAC, carro-chefe da campanha de Dilma, e teve parceria entre governo federal, Prefeitura e Estado, comandado por José Serra - pré-candidato do PSDB à sucessão de Lula.
Do palanque popular na maior cidade do País, Dilma irá para o sul da Bahia, onde vestirá novamente o figurino da mulher capaz de cuidar de temas intrincados, como energia elétrica. Vinte e quatro horas após receber na favela "a mesma força do povo" conferida a Lula - como diz um de seus jingles, copiando refrão da música que embalou a reeleição do presidente, em 2006 -, a ministra participará da cerimônia de inauguração de um gasoduto em Itabuna (BA).
O lançamento da segunda edição do PAC, previsto para o dia 29, embalará o discurso de Dilma até a eleição de outubro. Ao encarnar o pós-Lula, a chefe da Casa Civil vai pregar um novo projeto nacional de desenvolvimento, com Estado forte, e bater na tecla de que é necessário transformar crescimento em prosperidade. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente dizem, porém, que o Brasil não pode crescer mais do que 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para não haver repique inflacionário.
Grandes cidades. "As políticas sociais serão temas essenciais nesta campanha", afirma o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha. "Vamos dar prioridade à qualidade da educação, à saúde e aos problemas das grandes cidades." Para Marco Aurélio Garcia, assessor de Assuntos Internacionais da Presidência e coordenador da plataforma de Dilma, quem está sofrendo não quer saber se o sofrimento é da alçada "municipal, estadual ou federal".
Feito sob medida para ser anunciado como último ato sob a coordenação de Dilma no governo, o PAC 2 terá investimentos na casa de R$ 600 bilhões e forte ingrediente eleitoral. Na tentativa de conquistar o voto feminino, a ministra incluiu no programa a construção de 6 mil creches - 1,5 mil por ano - no período de 2011 a 2014.
"Se nós quisermos, de fato, enfrentar a desigualdade na raiz, temos de tratar da questão da creche no primeiro ano de vida das nossas crianças", insiste ela, de olho no apoio das mulheres.
Sempre acompanhada por Lula, Dilma encerrará o périplo na condição de chefe da Casa Civil no dia 31, quando visitará Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG). As cidades não foram escolhidas por acaso: a ministra, que nasceu na capital de Minas, construiu carreira no Rio Grande do Sul após cumprir pena de três anos como presa política.
A origem mineira da candidata será destacada na campanha. Após passar o bastão da Casa Civil para Erenice Guerra, atual secretária executiva, Dilma fará roteiro afetivo pela região das Alterosas, reencontrando a família e locais onde viveu e estudou, como o Estadual Central, de grande efervescência política nos anos 60. Ela já capricha no sotaque. "Eu, hein, Rosa?", brincou há três dias, na abertura da Conferência de Cultura, usando expressão comum em Minas.
Ponto fraco. Na prática, a equipe de Dilma trabalha para neutralizar sua desvantagem em São Paulo e Minas - os dois maiores colégios eleitorais, hoje administrados pelo PSDB. Embora pesquisas indiquem que a ministra está quase encostando em Serra, a região Sudeste é o ponto fraco.
"A Dilma vai entrar numa fase boa agora, ao deixar o governo", disse Lula ao Estado. "A tendência é crescer porque vai virar candidata e correr o Brasil. Eu estarei espiritualmente com ela."
A aparente tranquilidade de Lula vai na contramão do estado de espírito de dirigentes do PT. "Serra e Alckmin estão circulando São Paulo inteiro", constata o presidente do PT paulista, Edinho Silva, preocupado com a movimentação do governador e do secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, provável candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes. "O nosso jogo é para definir logo quem vai aglutinar forças em torno do palanque da Dilma em São Paulo."
A costura política, no entanto, tem dado dor de cabeça ao PT. Lula quer tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) do caminho ao Planalto e pedirá a ele que entre na corrida pela cadeira de Serra. Mas, apesar de ter transferido o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, Ciro jura que quer mesmo disputar a Presidência.
"Prefiro ser cabeça de lagartixa, que escolhe onde vai, a rabo de jacaré, que vai atrás dos outros", provoca o deputado. Ao saber da comparação, Lula apenas sorriu. "Ai, meu Deus do céu!", exclamou. "O Ciro é assim mesmo." E não disse mais palavra.