Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador lixo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lixo. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de abril de 2012

LIXO NO RIO - Pedestres lutam por espaço com lixo e automóveis em via do Centro

Comlurb faz pilhas de lixo na calçada da Rua André Cavalcanti em horário de saída de creches

Leonardo Gorges, com a leitora Denise Martins de Brito


Pedestres não têm espaço para se deslocar em calçada tomada por pilhas feitas pela Comlurb
Foto da leitora Denise Martins de Brito / Eu-Repórter


RIO
- A vida não está fácil para os pedestres na Rua André Cavalcanti, no Centro do Rio. Tendo de dividir espaço com lixo, cadeiras de vendedores ambulantes e carros estacionados em lugar proibido, mães de alunos de três creches e estudantes de uma faculdade localizada no endereço precisam caminhar no asfalto.

O problema, relatado pela leitora Denise Martins de Brito, parece não ter solução. Pelo menos é o que diz a Comlurb. Segundo o órgão, o empilhamento de lixo é comum e feito pelos próprios garis.

“O lixo encontrado na Rua André Cavalcanti é fruto da limpeza das ruas próximas feita pela equipe da Comlurb. É realizada uma puxada do material das ruas próximas onde o caminhão não sobe, ele é colocado ali e depois é totalmente recolhido”, afirma a assessoria da companhia de limpeza.

Denise lembra que os problemas da rua não estão restritos ao lixo na calçada:

“Esta rua é um mar de irregularidades. Há carros estacionados do dois lados da rua, carros abandonados e lixo espalhado pela calçada na hora de entrada e saída das crianças”, relata.

Uma das maiores reclamações é sobre o horário de recolhimento de lixo - às segundas, quartas e sextas, próximo ao meio-dia. Nesta hora, muitos alunos e mães estão no local e precisam disputar espaço com as pilhas de lixo na calçada. A Comlurb, por sua vez, informa que “a equipe pode tentar chegar mais cedo, mas depende do tempo gasto nas ruas anteriores.”

Flagrante de estacionamento irregular
Outra questão que incomoda os pedestres da Rua André Cavalcanti é o estacionamento irregular. Em foto enviada ao Eu-Repórter, a leitora Denise capta o momento em que os carros estacionam do lado proibido da via. Além disso, no lado onde seria permitido estacionar, um caminhão para em cima da calçada.

A Guarda Municipal disse que tem 121 multas registradas em seu sistema aplicadas entre janeiro e março na via. O número, no entanto, pode ser bem maior, já que os guardas utilizam, além dos palmtops que fazem o registro eletrônico, o talonário para aplicar multas. Estas últimas não aparecem na estatística.

As denúncias deste tipo de irregularidades são muito importantes, afirma a Guarda Municipal. As solicitações e denúncias devem ser encaminhadas pela central de Teleatendimento da Prefeitura do Rio, por meio do telefone 1746, que funciona 24h.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/eu-reporter/pedestres-lutam-por-espaco-com-lixo-automoveis-em-via-do-centro-4638123#ixzz1s6i7mKRS

quinta-feira, 12 de abril de 2012

MEIO-AMBIENTE - Mais de 40% do lixo coletado não tem destinação adequada

Mais de 40% do lixo coletado não tem destinação adequada, mostra relatório
Os estados e os municípios brasileiros têm até agosto de 2012 para entregar ao Ministério do Meio Ambiente um plano que dê destino correto ao lixo sólido.



Os estados e os municípios brasileiros têm até agosto de 2012 para entregar ao Ministério do Meio Ambiente um plano que dê destino correto ao lixo sólido. O objetivo dessa exigência é acabar com os lixões no nosso país. Nessa semana, o Jornal Nacional teve acesso com exclusividade a um estudo que mostra como o lixo é descartado atualmente no Brasil.

Economia crescendo, brasileiro comprando mais e produzindo mais lixo: esse ciclo levou à geração de quase 62 milhões de toneladas de lixo em 2011, 1,8% a mais do que em 2010.

Em média, cada brasileiro produziu um quilo e 223 gramas de lixo por dia em 2011. De todo o lixo produzido, 10% não foram coletados; 6,4 milhões de toneladas.

As informações foram levantadas com os municípios pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

O relatório mostra que quase 42% do lixo coletado não tem destinação adequada. Praticamente o mesmo percentual de 2010. Esse lixo vai parar em lixões ou aterros controlados.

“Não tem praticamente nenhuma diferença do lixão. Lixão é a pior forma de destinação, em que o lixo é abandonado sobre um terreno sem nenhum cuidado. O aterro controlado tem algum cuidado só para dar uma disfarçada”, diz Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.

As regiões Sudeste e Nordeste são as que mais produzem lixo no Brasil. O Sudeste é o que dá melhor destinação aos resíduos. O Centro-Oeste, a pior destinação.

“Se compararmos os dados hoje disponibilizados no Brasil com a realidade de outros países, de outras cidades, mesmo que do mesmo porte, percebemos que o Brasil está bem distante de investir os volumes de recursos adequados ou necessários para avançar nessa questão”, avalia Carlos Silva Filho.

Fonte JN
    

quarta-feira, 4 de abril de 2012

RECICLE-SE - Dobradura substitui sacolas plásticas que se encaixa nas lixeiras de casa. REPASSE A IDÉIA



Dobradura substitui sacolas plásticas

Aprenda a fazer o saquinho de jornal que encaixa direitinho nas lixeiras que você tem em casa. E repasse essa ideia sustentável!

Beatriz Levischi
Ana Maria - 23/03/2012

Agora que os supermercados de São Paulo suspenderam o fornecimento de sacolinhas plásticas (e a moda pode pegar no resto do Brasil), nosso lixo sobrará desembrulhado?

Se depender de Juliana Valentini, dona do blog De Verde Casa, de jeito nenhum!

Ela inventou um saquinho de jornal que cabe na maioria dos cestos de pia e banheiro existentes por aí. Uma vez por semana, então, basta despejar o conteúdo deles em um saco grande e colocar na rua. O lixo de escritório, que é limpo, pode ser colocado direto na lixeira.

Confira no infográfico o passo a passo a seguir. Inspirado no origami do copo, o saquinho de jornal leva 20 segundos para tomar forma. E, quanto mais folhas você usar, mais resistente ele ficará.



MEIO-AMBIENTE - Dados sobre o lixo produzido no Brasil


Lixo brasileiro: baixo tratamento e reaproveitamento

Dados sobre o lixo produzido no Brasil 

No Brasil são produzidas, diariamente, cerca de 250 mil toneladas de lixo. Sendo que a cidade de São Paulo é a que mais produz lixo no país, com cerca de 19 mil toneladas por dia.


 Composição do lixo brasileiro: 
- lixo orgânico (52%)
- papel e papelão (26%)
- plástico (3%)
- metais como, por exemplo, ferro, alumínio, aço, etc. (2%)
- vidro (2%)
- outros (15%) 

 Destino do lixo brasileiro: 
- aterros sanitários (53%)
- aterros controlados (23%)
- lixões (20%)
- compostagem e reciclagem (2%)
- outros destinos (2%)

Alguns dados importantes sobre a reciclagem do lixo brasileiro:

- O Brasil recicla cerca de 97% das latinhas de alumínio que são descartadas;
- Apenas 55% das garrafas PET são recicladas. 


domingo, 18 de março de 2012

DESLEIXO AMBIENTAL - Rio só reaproveita 3% das 8,4 mil toneladas de lixo geradas por dia

Comlurb separa apenas 0,27% desse total. O resto fica a cargo de catadores
.
.

Aterro Jardim Gramacho, considerado o maior aterro da america latina.
Foto: Pedro Kirilos / O Globo
Aterro Jardim Gramacho, considerado o maior aterro da america latina.
Pedro Kirilos / O Globo
RIO - Cidade que vai sediar a Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, em junho, recicla apenas 3% de seu lixo (252 toneladas das 8.403 geradas diariamente). A Comlurb tem participação mínima nesse percentual já diminuto: só separa 22,68 toneladas, ou 0,27%. Os outros 2,73% ficam a cargo de catadores autônomos ou de cooperativas. Com isso, o Rio — que há 20 anos foi anfitrião do maior encontro sobre meio ambiente da História — joga fora uma oportunidade de se equiparar a metrópoles como Berlim (Alemanha) e Tóquio (Japão), famosas por não desperdiçarem seus recursos naturais. Capitais europeias recuperam, em média, 40% de seus resíduos. Na série de reportagens “Desleixo insustentável”, que se inicia neste domingo, O GLOBO mostra por que os cariocas ainda não têm seu lixo reciclado.

Veja também
Os motivos são muitos, a começar pela incipiente coleta seletiva. Desde a sua implantação, em 2002, o serviço não deslancha. Poucos cariocas têm o privilégio de receber um caminhão de reciclagem da Comlurb em suas portas. Dos 160 bairros da cidade, apenas 41 são atendidos semanalmente, e, mesmo assim, de forma parcial — por falta de investimentos, a coleta só ocorre em algumas ruas. Hoje, ela apresenta um desequilíbrio entre as áreas do Rio. Está mais presente nas zonas Sul (40%) e Oeste (42%) e bem menos na Norte (18%). Segundo a Comlurb, não existe coleta seletiva em favelas, o que exclui da conta um contingente de cerca de um milhão de pessoas.
— A Comlurb nunca promoveu uma campanha para que a população faça a separação de seu lixo — diz Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável do município.

Parceria de R$ 50 milhões
A maior esperança da prefeitura, por enquanto, está relacionada a um projeto que parece incapaz de resolver o problema. Assinado no ano passado, um acordo entre o município e o BNDES prevê a aplicação de R$ 50 milhões para a construção de seis galpões de triagem de materiais recicláveis. Em contrapartida, a prefeitura promete colocar mais 15 caminhões em circulação, expandindo o serviço dos atuais 41 para 120 bairros. Todos esses esforços, se bem-sucedidos, devem ampliar a coleta seletiva em apenas 2%, elevando para 5% o percentual de reciclagem na capital.
Para a presidente da Comlurb, Angela Fonti, a prefeitura precisa atacar as causas que levam aos baixos índices de reciclagem. Ela dá razão a Besserman, admitindo que a Comlurb nunca fez uma campanha de incentivo à coleta seletiva de lixo.
— A primeira causa é a própria falta de uma campanha maciça em prol da reciclagem, algo que faremos com recursos do BNDES. A nossa coleta precisa ser bem mais abrangente também. A maioria das pessoas quer reciclar seu lixo, mas nossos caminhões não passam em boa parte das ruas. E precisamos tornar o mercado legal. Às vezes, moradores de um prédio separam seu lixo e, quando o nosso caminhão passa para pegá-lo, o lixo reciclável já foi roubado. Os atravessadores ilegais precisam ser eliminados — diz Angela. — E há uma corresponsabilidade nessa história. As empresas, por exemplo, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, precisam se engajar nesse processo.
Envolvimento este que, na avaliação de Angela Fonti, pode ser reforçado por medidas mais simples:
— Nosso cronograma inclui pegar o lixo orgânico e reciclável dentro das casas e dos prédios. Os galpões vão melhorar as condições de trabalho e dar um fim aos atravessadores, que diminuem o ganho dos catadores.
Hoje, o reaproveitamento do lixo acaba dependendo fundamentalmente da figura do catador. Muitos trabalham em condições precárias, inclusive na Comlurb — repórteres do GLOBO flagraram trabalhadores sem luvas dentro da usina do Caju.
Situações como essa levaram o governo federal a cobrar uma ação concreta dos municípios, exigindo que apresentem, até agosto, uma proposta de adequação à lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010. A cidade que não se enquadrar deixará de receber investimentos da União.
— À semelhança de São Paulo e Brasília, o Rio precisa dar uma resposta à questão da reciclagem, porque ela terá um grande poder multiplicador no país. No caso do Rio, essa necessidade aumenta por causa dos grandes eventos que vêm por aí: a Rio+20, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A prefeitura tem até agosto para estabelecer metas concretas de reciclagem — afirma Nabil Bonduki, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.
O prefeito Eduardo Paes concorda que o Rio tem de dar o exemplo, mas admite que o caminho é longo:
— Tivemos que sair do abaixo de zero na questão dos resíduos. Antes, tínhamos um aterro (de Gramacho) que poluía a Baía de Guanabara. Inauguramos o de Seropédica e implementamos outras ações importantes, como o decreto que exige reaproveitamento dos resíduos de todas as obras. Só agora poderemos começar a cobrar uma postura mais participativa dos cidadãos.
O envolvimento da população europeia com o tema inspirou a nova legislação nacional de resíduos. A lei determina que os municípios brasileiros joguem em aterros somente o lixo orgânico, ou seja, não reciclável. A meta deve ser atingida até 2014. O engenheiro químico José Carlos Pinto, professor da Coppe/UFRJ, diz que a lei 12.305 traz avanços em termos de conscientização. Mas defende que é preciso ir além:
— O Rio, por exemplo, é um dos grandes produtores de plástico do país. Mas as empresas daqui, ao contrário do que ocorre na Europa, não se responsabilizam pelo destino final desse material.
Para ele, sem um compromisso das empresas, é impossível fazer uma reciclagem à altura dos atuais desafios de sustentabilidade.
— Hoje, esse mercado existe por iniciativas individuais, em que o serviço do catador é feito longe das condições ideais. Mercado cuja base é sustentada por uma relação de trabalho ligada à exploração — diz José Carlos. — Em países como Japão, Canadá e Alemanha, existe a figura do catador, mas a logística da coleta é tão melhor, que o catador, com boas condições de trabalho, tem um peso muito menor na cadeia. Sem as grandes empresas envolvidas nesse processo, não há como implementar um sistema eficiente.

‘O caminhão desapareceu’
A falta de eficiência, na avaliação do chefe da Diretoria Técnica e Industrial da Comlurb, José Henrique Penido, é explicada pela ausência de investimentos maciços dos três níveis de governo.
— Em 1994, chegamos a ter 20 cooperativas de catadores nos bairros. Não restou nenhuma. Reciclagem só dá algum dinheiro para catador de rua. E ferro-velho só sobrevive porque tem gato de água e de luz. O preço do produto reciclado acaba saindo mais caro do que a matéria prima virgem. Sem pesados subsídios do governo, o sistema não vai funcionar — afirma Penido. — Não há mágica. A Alemanha gasta cinco bilhões de euros por ano para implementar um sistema eficiente. O povo alemão está muito satisfeito. E quanto ao Brasil? O país está disposto a investir?
A advogada Leonor Amaral não percebe esta disposição por parte do poder público. Ela lembra que a Comlurb chegou a fazer um “excelente serviço” de coleta seletiva em sua rua, na Praça Seca, em Jacarepaguá:
— Há quatro anos, o caminhão chegava à nossa rua, e os vizinhos, ao verem esse serviço, também se animaram. Começou a faltar e passou a vir só de vez em quando, até desaparecer por completo em dezembro do ano passado. Liguei para a Comlurb, e me informaram que estavam à espera de recursos para reimplantar o serviço em algumas ruas e expandi-lo. Mas o próprio funcionário da ouvidoria me disse que a coleta seletiva é o patinho feio.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CASO DO ROTWEILLER DE PIRACICABA - O nome do LIXO HUMANO é Claudio Cesar Messias

Rottweiler foi arrastado pelo dono

    
Na tarde da última quarta-feira (2/11), um cão da raça rottweiler, de 7 anos, foi amarrado em uma pick-up Ford Courier pelo dono e arrastado por vários metros na cidade de Piracicaba, que fica a 170 km de São Paulo. Segundo testemunhas, o motorista teria sido avisado por pessoas que estavam no local sobre o que estava acontecendo e obrigado a libertar o cão.
A polícia foi chamada, mas o proprietário já havia deixado o lugar. O animal foi encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses de Piracicaba para receber os primeiros cuidados e sobreviveu. O rottweiler passou por uma cirurgia delicada, na tarde de ontem, em uma clínica particular, na tentativa de salvar uma das pata. Ele teve lesões graves e corre o risco de perder o membro, já que o atrito com o asfalto causou desgastes na pele e tendões, chegando atingir o osso da pata dianteira. Ele também teve escoriações na barriga.
O caso foi registrado no 1º DP de Piracicaba, o distrito de plantão, mas o B.O. foi encaminhado ao 2º DP para investigar o caso. Ontem, o motorista – que é o proprietário do animal – foi identificado como Claudio Cesar Messias e prestou depoimento sobre o que havia ocorrido. Ele disse que tudo não passou de um acidente, já que tinha o hábito de passear com o animal amarrado dentro da caçamba. A atitude é uma infração grave e fere o artigo 235 do Código Brasileiro de Trânsito, que proíbe levar animais e pessoas nessa condição.
Questionado pelo delegado porque havia abandonado o local, o motorista disse que entrou em pânico. “Segundo ele, o cão era o seu companheiro há muitos anos e quando o viu todo ensangüentado pensou que estava morto e entrou em choque. Estamos convidando agora as testemunhas para vir e relatar o que viram. Isso será apurado”, afirma dr. Wilson Sabino da Silva, delegado do 2º DP.
O caso tomou dimensão depois que uma jovem de 16 anos, A. L. G. S., que pediu para não ser identificada por medo de ser ameaçada, divulgou no Facebook um texto sobre o que havia ocorrido e uma foto do cão ferido, tirada na rua antes de o bicho receber socorro.
Rottweiler logo após ter sido arrastado – Crédito: Reprodução Facebook/ A. L. G. S.
 O animal está sob os cuidados da Clínica Frasson e depois será encaminhado à ONG Vira Lata Vira Vida (http://www.viralataviravida.org.br), onde deverá receber os cuidados até a sua recuperação total. Para Miriam Miranda, presidente da ONG, o fato foi lamentável e espera que a polícia apure o que ocorreu: “Testemunhas afirmaram que ele disse que só iria parar quando o animal estivesse morto. Várias entidades estão se mobilizando para entrar com uma representação contra o dono”. Caso seja concluído que houve mesmo a intenção de machucar o animal ou de matá-lo, o agressor poderá responder por maus-tratos. A reportagem tentou falar com o proprietário, mas ele não atendeu o telefone

   

terça-feira, 25 de outubro de 2011

MEIO AMBIENTE - Menos da metade do lixo do Rio de Janeiro é tratado

Informações da secretaria estadual do Ambiente mostram que somente 38,5% dos resíduos são despejados em aterros sanitários


Cecília Ritto




Imagem do Lixão de Gramacho, na Baixada Fluminense: cinco toneladas de lixo da cidade do Rio vão para lá (Divulgação) 
  O governo do Rio de Janeiro terá que dobrar a quantidade de lixo destinada a aterros sanitários até o final de 2012, para viabilizar a meta de chegar a 2014 sem nenhum lixão funcionando no estado. A meta é ousada. Em números absolutos, isso significa passar a destinar aos aterros sanitários 13.891 toneladas de lixo, contra as 6.235 toneladas atuais. De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira pela secretaria estadual do Ambiente,apenas 38,5% dos resíduos fluminenses têm como destino os aterros sanitários. Todo o resto é despejado em lixões. A cidade do Rio, por exemplo, passou, somente este ano, a levar parte do seu lixo para o aterro de Seropédica, na Baixada Fluminense. Ainda assim, das oito toneladas produzidas pelos cariocas, cinco toneladas vão para o lixão de Gramacho, em Duque de Caxias.

Em 2011, 16 lixões foram fechados no estado. A proposta do governo é de que até o fim de 2012 mais 28 desses lugares de despejo de lixo sejam desativados. O objetivo não é simples. Entre os vazadouros a céu aberto ainda em funcionamento, o mais emblemático, o de Gramacho, só terá suas atividades encerradas em junho de 2012. Cenário do documentário Lixo Extraordinário, 1200 catadores vivem dos resíduos de Gramacho. Quanto a isso, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse já ter realizado reuniões para definir o destino dessas pessoas. Uma das propostas é oferecer cursos profissionalizantes gratuitos, para que eles aprendam outros ofícios.

Nesta segunda-feira, Minc e a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, apresentaram o Contador Regressivo dos Lixões do estado. O estudo mostra um mapeamento dos lixões e dos aterros sanitários em funcionamento. Segundo Minc, é a primeira vez que o estado se preocupou em fazer um levantamento detalhado do lixo do Rio de Janeiro. “Agora temos uma ideia clara da situação”, diz o secretário.

Segundo informações da secretaria do Ambiente, até 2007, ano inicial da gestão de Sérgio Cabral, mais de 90% do lixo fluminense iam direto para vazadouros a céu aberto. “O estado dizia que era questão dos municípios, nunca trouxe a questão para o seu colo”, afirma Minc, ex-ministro do Meio Ambiente. Era comum os municípios serem multados por manter os lixões, mas, sem alternativas, a prática continuava. Uma das medidas do estado para implantar aterros sanitários é a ajuda financeira às prefeituras. O governo paga 20 reais por tonelada de lixo despejada no aterro- que custa em média 45 reais-, e tem como contrapartida das cidades a coleta seletiva.

Atualmente, 43 das 92 cidades do Rio de Janeiro despejam o seu lixo em aterros sanitários. A meta é, em 2012, ter 71 municípios nessa situação. Para o ano que vem, a secretaria espera que 85,7% dos resíduos estadual sejam tratados. É um grande salto se comparado com 2010: apenas 11,9% do lixo iam para aterros sanitários.

Existem no Rio de Janeiro 19 aterros sanitários. Cerca de 15 deles foram instalados a partir de 2007. A vida útil deles é de 20 anos, que podem ser prorrogados conforme seja implementada a coleta seletiva. O Rio de Janeiro, no entanto, ainda engatinha quando o assunto é a seleção do lixo. Apenas 1,5% dos resíduos são separados.

Atlas de saneamento 2011- O estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o problema do lixo não é restrito ao Rio de Janeiro. A maioria das cidades brasileiras dispõe do serviço de coleta de lixo, mas 50,8% desses resíduos têm como fim os lixões.

O estudo traz a seguinte conclusão sobre o deposito de resíduos em vazadouros a céu aberto: “Trata-se de um grande desafio a ser enfrentado, pois a disposição inadequada do lixo pode causar poluição das águas e do solo, bem como problemas de saúde, sobretudo para catadores de lixo”, conta no Atlas de saneamento 2011. O IBGE aponta a coleta de lixo como uma das soluções para a redução do volume de lixo

Fonte Veja

sábado, 24 de setembro de 2011

Nasa confirma queda do satélite de 5,5 toneladas na Terra

Efe
REDAÇÃO CENTRAL - O Satélite de Pesquisa da Alta Atmosfera (Uars, na sigla em inglês) entrou na atmosfera e caiu na Terra, confirmou a Nasa neste sábado, 24.
Satélite científico Uars - Reuters/Nasa
Reuters/Nasa
Satélite científico Uars
Através de sua conta no Twitter, a agência espacial americana assegura que seus restos caíram na Terra entre 0h23 e 2h09 de Brasília, mas não detalha o local do impacto.
"O satélite estava passando sobre Canadá e África, assim como sobre vastas zonas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico", explica a Nasa.
A agência espacial acrescenta que o momento preciso da entrada na atmosfera e o local do impacto não são conhecidos com certeza.
Segundo mensagens divulgadas do Twitter, mas ainda não confirmadas, algumas partes do satélite teriam caído na cidade canadense de Okotoks, no sul de Calgary.
O Uars tem o tamanho de um ônibus e pesa mais de 5,5 toneladas, mas a Nasa voltou a insistir na sexta-feira, 23, que o risco para a segurança das pessoas é muito remoto.
A agência garante que desde o começo da era espacial não foi registrado nenhum caso de pessoa ferida por um objeto espacial, que desta vez tinha chance de um em 3.200 de atingir alguém.
Os cientistas haviam calculado que o satélite se despedaçaria ao entrar na atmosfera e que pelo menos 26 grandes pedaços suportariam as altas temperaturas do reingresso e cairiam sobre a Terra.


domingo, 9 de maio de 2010

MEIO-AMBIENTE - São Paulo só recicla 1% de lixo por mês, diz jornal


   

Em 20 anos o sistema de coleta seletiva de lixo da cidade de São Paulo recicla apenas 280 g por mês por habitante. Reportagem publicada pelo Estadão mostra que o paulistano envia a cada seis dias para a reciclagem o peso equivalente a uma garrafa Pet. O que representaria 1% do total de lixo produzido na cidade.
A cidade de Porto Alegre, segundo o Estadão, recicla quase cinco vezes o índice de São Paulo. Em Estocolmo, na Suécia, 25% do lixo é reciclado, 44 vezes mais em relação à capital paulista. O problema já começa, segundo a reportagem, na coleta seletiva nas ruas. Dos 292 caminhões contratados para recolher o lixo na capital, só 20 são destinados aos reciclados (7%). A cidade de São Paulo produz mensalmente 293,9 mil toneladas de lixo, coletadas pelos consórcios Ecourbis e Loga Ambiental. Só 3.135 toneladas são recicladas - menos de 1% do lixo da capital. Um dos grandes problemas do setor, segundo a reportagem do jornal, seria a falta de incentivos. Nos últimos três anos, os investimentos em coleta seletiva se mantiveram proporcionalmente estagnados. Em seu primeiro ano como prefeito, em 2006, Gilberto Kassab (DEM) aplicou 1,21% da verba empenhada para a coleta do lixo em reciclagem; em 2009 esse índice foi de 1,14%.

SÉRIE SOBRE LIXO (4) - Barcelona usa sistema subterrâneo para descartar lixo


   

O sistema acaba com a sujeira nas ruas, com as latas de lixo e, principalmente, com a coleta - método que custa caro e polui o meio ambiente.

Marcos Losekann Barcelona, Espanha
O Jornal Nacional está apresentando desde segunda-feira uma série de reportagens especiais sobre as soluções encontradas por muitas cidades para reaproveitar o lixo. Na última reportagem sobre o assunto, o correspondente Marcos Losekann mostra como alguns lugares da Europa revolucionaram a maneira de transportar o que é jogado nas lixeiras.
Lixo amontoado, jogado no chão e espalhado pelas ruas. Não, essa não é a realidade de pelo menos 50 cidades européias que já descobriram um jeito de varrer o lixo para debaixo da terra - tudo de forma ecologicamente correta. Em vez de latas, que dependem de coleta periódica, bocas de lixo. Através das escotilhas, os cidadãos jogam os sacos. A partir daí, começa um show de tecnologia.
Todas as bocas de lixo são conectadas a um gigantesco sistema de tubulação enterrado a, pelo menos, cinco metros da superfície. Trata-se de um grande sugador, que aspira o lixo de hora em hora, dia e noite, o ano inteiro.
Os sacos chegam a ''viajar'' a 70 quilômetros por hora embaixo da terra. O destino final é um centro de coleta, geralmente instalado na periferia da cidade. O lixo entra diretamente em um container, que depois de cheio é transportado para uma usina de triagem, ainda mais afastada da cidade. Plásticos, latas e papel são reciclados. O lixo orgânico vira combustível para mover turbinas que produzem eletricidade.
A ideia nasceu na Vila Olímpica de Barcelona, construída especialmente para os Jogos de 1992. Parecia impossível unir lixo com limpeza e higiene. Mas deu tão certo que virou exemplo para a cidade inteira. O sistema acaba com a sujeira nas ruas, com as latas de lixo e, principalmente, com a coleta - um método que geralmente custa caro e polui o meio ambiente. Pelo menos 160 caminhões de lixo deixaram de circular diariamente pelas ruas da cidade.
Um barbeiro, que sempre viveu em Barcelona, é um dos maiores defensores do sistema.
“Não tem mau cheiro, não tem o barulho insuportável dos caminhões de lixo, é tudo limpinho”, ele observa. “É uma questão de inteligência e conscientização”.
Nos últimos 18 anos, a prefeitura de Barcelona vem investindo sistematicamente na instalação dos tubos.
“É como o fornecimento de água, gás ou energia elétrica. A tubulação é enterrada embaixo do pavimento das ruas”, explica o representante da companhia que criou o sistema. E o custo com o tempo se dilui e acaba sendo igual ou até menor do que o método tradicional de coleta.
Em Barcelona, os prédios de apartamentos construídos nas últimas duas décadas já têm o sistema instalado internamente. Os moradores nem precisam mais descer com os sacos até a rua: 70% do lixo na capital da Catalunha já são recolhidos assim. E, em cinco anos, Barcelona inteira não terá mais nenhum caminhão de coleta de lixo circulando pela cidade. Solução subterrânea que ninguém vê, mas com vantagens que, com certeza, todo mundo sente.
 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SÉRIE SOBRE LIXO (3) - Empresas e cidadãos investem no aumento de material reciclado no Brasil

   

Com os programas de incentivo, só numa rede de supermercados, quase 140 milhões de embalagens plásticas deixaram de ser usadas em um ano. Os consumidores engajados vão às compras com bolsas ecológicas.

Esta semana, o Jornal Nacional está apresentando uma série de reportagens sobre a ameaça ambiental que não depende de acidentes para provocar estragos: a produção descontrolada de lixo.
Nesta quinta, o repórter José Roberto Burnier mostra iniciativas de empresas e de cidadãos para aumentar o volume de material reciclado no Brasil.
Ele bem que tentou, mas não conseguiu mudar o comportamento dos clientes. A ideia era: no lugar da sacolinha de plástico, que é um problema para o meio ambiente, uma de pano, para usar sempre.
“Ele compra a sacola ou ganha a sacola, leva e depois não traz de volta”, disse Wagner Ferreira, dono da padaria.
“A gente não se dá conta, na hora de pegar ainda não estamos conscientizados disso”, reconheceu a pedagoga Rose França.
Uns não estão, mas outros já dão exemplo. O pacote de cereais passa pelo caixa. A compradora abre, tira o que interessa e deixa a embalagem ali mesmo. Com a pasta de dentes e o sabonete faz o mesmo. É assim que começa a preciclagem, a separação de produtos que vão ser reaproveitados.
A vendedora Elaine Muehringer Folco só faz compras no mesmo supermercado. O prédio é todo ecológico. O teto é solar. O ar-condicionado e refrigeradores são abastecidos com gás que não agride o meio ambiente. As gôndolas e os carrinhos são feitos de material reciclado. E várias embalagens de produtos também.
E o interessante é que com isso vão surgindo novas e criativas maneiras de se embalar ecologicamente um produto. Veja o caso de um fabricante de papel higiênico. Ele apertou os rolinhos de papel higiênico. Com isso, a embalagem fica menor. Embalagem menor, menos plástico. Menos plástico, menos problemas ambientais. Detalhe: tanto o plástico quanto o produto são recicláveis. E ainda, pra você não ter que sair do supermercado com uma sacolinha plástica, eles fizeram um alça para levar pra casa.
Num supermercado, o cliente que não usar a sacola plástica tem desconto. Uma mulher economizou 18 centavos. Uma economia pequena, mas que um dia o filhinho dela vai agradecer.
Por enquanto, no Brasil, estamos deixando 240 mil toneladas de lixo por dia. Quase tudo vai para aterros sanitários.
É onde uma sacolinha de plástico demora pelo menos cem anos para se decompor. Se for reciclada, vira outro tipo de embalagem.
N uma rede de supermercados, quase 140 milhões dessas embalagens deixaram de ser usadas em um ano.
“A gente acha que isso é um processo de aprendizado. Pro consumidor, pro consumo consciente”, disse Chisthianne Uriosthe, diretora do supermercado.
Outra rede de supermercados está coletando 600 toneladas de lixo que estão sendo separadas pela população em casa.
“Acho que todo mundo devia fazer isso e falo isso pra todo mundo também fazer”, disse a consultora Isis Liberato.
O material vai para cooperativas de catadores e depois para a reciclagem em indústrias. “Quando você fala de uma mudança de comportamento por parte do consumidor, uma mudança de operações por parte do varejista, uma mudança de produção por parte da indústria, é um caminho sem volta”, declarou Paulo Pompílio, diretor de supermercado.
Um dos maiores especialistas em reciclagem do Brasil, o consultor da ONU Sabetai Calderoni, comemora esse envolvimento maior da sociedade com a preservação. Mas alerta que, dos três erres da política ambiental - reduzir, reutilizar e reciclar - esse último ainda sofre com a falta de estrutura.
“São as autoridades municipais que deveriam estar preocupadas com a implantação de centrais de reciclagem integral de resíduos de modo a dar escoamento a esses materiais que a população agora com tanta vontade consegue separar e levar aos supermercados”.
Consumidor engajado faz a sua parte. Débora sempre anda com várias sacolas ecológicas e personalizadas.
“A gente que costurou as sacolinhas. Uma tia que trabalha em confecção, e a gente pegou os restos”, contou a educadora Debora Oyma.
“A gente tem que se preocupar com o que a gente vai deixar pro futuro. Daqui a 30 anos, o que a gente estará produzindo de lixo, deixando de herança para quem está nascendo agora”, disse a dentista Tatiana Fusco Hares.
 

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SÉRIE SOBRE LIXO (2) - De cada 100 toneladas de lixo produzidas nos EUA, só 11 são recicladas


   

Na segunda reportagem da série especial sobre os problemas do lixo, o correspondente Flávio Fachel mostra os desafios na pequena e tranquila ilha de Nantucket, um paraíso turístico na costa de Massachussets.

O Jornal Nacional está exibindo esta semana uma série de reportagens especiais sobre outra ameaça ao meio ambiente, que não depende de nenhum acidente: o lixo. Nesta terça, o correspondente Flávio Fachel mostra como uma ilha dos Estados Unidos foi obrigada a procurar saídas.
De cada 100 toneladas de lixo produzidas nos Estados Unidos, só 11 são recicladas. O resto é um dos maiores problemas do país. Durante décadas, a principal solução foi empurrar a sujeira pra baixo do tapete. Ou melhor: pro vizinho.
Estados e cidades, sempre que podem, vendem seu lixo uns pros outros. Uma tentativa de aliviar os já sobrecarregados aterros sanitários espalhados pelo país.
Na pequena e tranquila ilha de Nantucket, um paraíso turístico na costa de Massachussets, 100 anos de lixo acumulado viraram um morro. E como a terra na ilha é cara, a comunidade decidiu que era hora de acabar com o desperdício.
Hoje, no aterro municipal, os carros entram e saem sem parar carregados de lixo, trazidos pelos próprios moradores. Duas vezes por semana, depois da escola, o pai traz a filha pra ajudar a despejar tudo no lugar certo.
Ele diz: "Precisamos reciclar. Moramos numa ilha e não temos espaço. Vir aqui é uma boa lição para as crianças".
Latas, papelão, plástico: 98% do lixo produzido na cidade são reaproveitados. E é tudo separado e processado na hora.
No dia seguinte, a carga segue de barco para indústrias de reciclagem em Boston. Mas nem tudo tem esse destino. Muita coisa vai parar mesmo é numa casinha, que fica dentro do depósito de lixo. As pessoas podem deixar o que não usam mais ou então levar pra casa o que estão precisando, e tudo isso de graça, sem pagar nada.
Numa mesa, tem eletrodomésticos. tem um grill e um massageador de pés. E adiante tem material de informática: um monitor e um leitor de CDs novinho. E ainda tem uma esteira de ginástica.
Tudo isso, tem gente que acha que é lixo, mas na ilha, vai continuar sendo usado por muito tempo.

Portas, janelas, armários. A TV de plasma é de março de 2008. E, lá dentro, é como se fosse uma pequena loja: roupas, livros, brinquedos. Clima de liquidação!
"Isso é algo maravilhoso. Porque ajuda as pessoas que não tem muito dinheiro”, diz uma senhora.
O administrador de imóveis traz uma prancha e diz: "Isso não é lixo. Eu apenas não preciso mais". Já Susan sabe exatamente o que fazer com ela: "Vai pra minha filha. Eu adorei!".
Ela conta que, quando se mudou pra ilha, montou toda a casa com móveis recolhidos. Hoje, ela e o marido ainda acham muitas coisas boas: peças de decoração, o piso inteiro de um dos quartos e o tapete da sala. Quase novo.
O antigo morro de lixo está agora sendo desmanchado e transformado em composto orgânico, usado de graça nas fazendas e jardins da cidade. Em 14 anos, ele vai sumir.
Susan diz que a comunidade de Nantucket está mandando uma mensagem para o resto do país: "Nós precisamos cuidar do que temos, porque ninguém vai fazer isso por nós. E isso é possível".
Pelo menos os moradores da pequena ilha já decidiram o que querem pro futuro.

SÉRIE SOBRE LIXO (1) - Japão ganha com reciclagem de celulares


   

Na primeira reportagem da série sobre lixo, o correspondente Roberto Kovalick mostra a reciclagem de celulares velhos e o aproveitamento dos metais que resultam desse processo.

Nesta semana, o Jornal Nacional vai tratar de uma ameaça ambiental que não depende de acidente nenhum. Ao contrário: ela cresce no mundo todo dentro da mais absoluta normalidade. A ameaça do lixo.
Numa série de reportagens especiais, a gente vai ver como esse problema tem provocado preocupação e tentativas de solução.
Nesta segunda, o correspondente Roberto Kovalick vai mostrar o destino dos celulares velhos num país que é sinônimo de tecnologia.
Um bairro em Tóquio é o paraíso dos apaixonados por eletrônica, dos maníacos por videogame, que jogam na calçada mesmo para aproveitar que a loja ao lado oferece conexão com internet de graça. O nome é Akihabara. O apelido: a cidade elétrica.
As últimas novidades tecnológicas costumam chegar ao bairro antes de desembarcarem no resto do planeta. E os japoneses gostam de ter o último modelo. Seria natural imaginar que produzam muito lixo eletrônico e que haja desperdício.
Não é o que acontece, como descobriu um brasileiro. O telefone da namorada do estudante Hendrik Lindelauf caiu no chão e quebrou. Como fazem os japoneses, ele devolveu o telefone para a loja da operadora. “A gente descobriu a loja é foi uma boa contribuição pra ecologia”.
O aparelho é perfurado para inutilizar a memória e assim impedir o roubo dos dados do usuário.
O que é impressionante é que, para devolver os telefones, os japoneses não recebem nem um centavo, nem desconto na compra de um modelo novo. Fazem isso porque aprendem desde pequenos a reciclar.
Os telefones são levados para empresas como uma, no oeste do Japão, que pertence a uma das maiores mineradoras do país. Duas vezes por semana, a companhia recebe um caminhão lotado de caixas, enviadas pelas lojas. Lá dentro, milhares de telefones. Tudo é reaproveitado: baterias, carregadores, CDs de instalação de programas e até o papelão das caixas usadas no transporte. Também são reciclados outros equipamentos, como copiadoras.
Num único celular há uma pequena quantidade de metais, que quase não tem valor. Mas num número tão grande de aparelhos, aí já é diferente. Num dia, chegaram 50 mil celulares à empresa, uma mina de ouro e de outros metais como prata, cobre e platina.
Esses metais servem para pagar o custo da reciclagem. É um processo demorado. Primeiro, os sacos cheios de celulares são colocados numa espécie de panela de pressão gigante. Eles vão, praticamente, cozinhar a uma temperatura de 500ºC.
Doze horas depois, o que resta é um entulho negro, que vagamente lembra que foi feito a partir de telefones. O plástico é transformado num óleo combustível, usado para fazer funcionar as máquinas da fábrica.

O engenheiro explica que os metais precisam ser reciclados porque o Japão é um país pobre em recursos naturais. Metais como ouro e cobre são importados. "Quanto mais reciclarmos, menos vamos comprar de outros países", diz ele.
Aí vem a fase final. Aquele entulho negro é levado para a separação, de onde saem os tão valiosos metais.
O resultado a gente encontra em lojas de Tóquio. Tudo que é vendido é feito, em parte, com metais retirados do lixo eletrônico, como um cordão de prata com pingente folhado a ouro. Mas a prova mais valiosa de que vale a pena reciclar está numa barra com 10 quilos de ouro.
A barra vale cerca de R$ 700 mil. O diretor da mineradora explica que uma parte é feita de material reciclado. O resto saiu de minas ao redor do mundo. No ano passado, 24% do ouro produzido pela empresa vieram de aparelhos eletrônicos ou objetos folhados com metal.

A gerente da loja conta que ninguém até agora apareceu para comprar essa barra. Mas muita gente leva as menores, que custam menos. É uma forma de poupança.
As empresas de produtos eletrônicos também são clientes importantes. Usam o metal para produzir equipamentos novinhos em folha, que - daqui a algum tempo - vão seguir o mesmo caminho da reciclagem.