Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador UPP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador UPP. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

LUTO FORÇADO NO RIO - Tráfico continua mandando no Rio mesmo com UPP


Tráfico ordena fechamento do comércio em comunidades com UPP

POR Bruno Menezes
Maria Inez Magalhaes

Rio
- Comércio fechado e ruas vazias. Os moradores e comerciantes da Cidade de Deus e Mangueira vivem, desde segunda-feira, a rotina de comunidades dominadas pelo tráfico, apesar da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

A ordem para os lojistas baixarem as portas foi dada por bandidos após a morte de dois de seus comparsas e levou o Comando de Polícia Pacificadora a investigar de onde partiram as ameaças e a reforçar o policiamento nas duas áreas, patrulhadas por 750 PMs — 350 na Cidade de Deus e 400 na Mangueira.

Cidade de Deus tem seu comércio fechado | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

As regiões eram dominadas pelo Comando Vermelho e ações criminosas indicam que o tráfico não saiu com a chegada das UPPs. Homens em motos e bicicletas circularam nas comunidades ordenando o luto forçado. Com medo, moradores evitaram comentários. Na Mangueira, por volta das 20h de segunda-feira, traficantes souberam da morte de Wagner da Silva Assunção, o WG, no Jacarezinho.

Até no Largo do Pedregulho, em São Cristóvão, comerciantes que fecham mais tarde encerraram o trabalho. As ruas ficaram desertas e uma escola não funcionou. Ontem, só por volta das 17h, alguns estabelecimentos voltaram a funcionar e moradores a circular nas ruas e vielas.

“São resquícios do tráfico que mandou na comunidade por 50 anos. Estamos na Mangueira há cinco meses. Não considero uma afronta à UPP”, minimizou o comandante da UPP da Mangueira, capitão Leonardo Nogueira.

Na Cidade de Deus, o comércio foi fechado ontem às 14h. As ruas ficaram vazias. A ordem do tráfico foi passada segunda-feira, após a morte de Paulinho da Bazuca, em ação da PM no Morro do Juramento, Vicente de Carvalho.

Mangueira também tem suas lojas fechadas | Foto: Marcelo Regua / Agência O Dia

Segundo o comandante da UPP das Quadras, na Cidade de Deus, major Felipe Romeu, houve empate entre a polícia e o tráfico. “Empatamos, foi meio a meio. De manhã, tudo funcionou. Na parte da tarde, nem todas as lojas permaneceram abertas, principalmente após a repercussão do fechamento do comércio na Mangueira, onde bandidos também ordenaram o fechamento das lojas”, afirmou.

Um depósito de gás, na Estrada Miguel Sallazar, foi assaltado às 8h30. À noite, uma funcionária registrou o roubo na 32ª DP. Bandidos levaram mais R$ 10 mil. À tarde, três pessoas foram presas na Cidade de Deus e três na Mangueira.

Mensalão, ataques e invasões
Problemas com o tráfico em áreas pacificadas têm sido um desafio para a Segurança Pública do estado. O episódio mais recente aconteceu na Mangueira. Traficantes teriam invadido a quadra da escola de samba durante o processo de eleição para presidente. A ação teria acontecido sem reação de PMs da UPP.

Em fevereiro, o ex-comandante da UPP do Morro de São Carlos, capitão Adjaldo Luiz Piedade, e um ex-soldado foram presos pela Polícia Federal acusados de receberem propina do traficante Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe, preso pouco antes da ocupação da Favela da Rocinha.

Em setembro, O DIA denunciou esquema de ‘mensalão’ na UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro. Comandante e subcomandante foram afastados e 28 agentes são investigados. No local,soldado Alexander de Oliveira perdeu perna atingido por granada em emboscada. Ano passado, favelas da Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Catumbi e Copacabana registraram homicídios. Três PMs da Cidade de Deus foram presos por homicídio.

‘Movimento muito menor’
Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a ordem dos traficantes foi um ‘movimento menor’. “As UPPs garantem a abertura do comércio. Alguns grupos ditadores se achavam no direito de mandar isso acontecer, e isso não tem acontecido mais. É um movimento muito menor. Essas coisas não vão deixar de acontecer num piscar de olhos”.

Ex-secretário Nacional de Segurança Pública, o coronel José Vicente da Silva Filho analisou que as UPPs não são solução para todos os problemas das favelas. Segundo o especialista, o Estado não entra nas comunidades na mesma velocidade que a polícia para oferecer ações sociais. “O tráfico continua compensando a falta de atenção do estado. Só deixou de fazer pressão ostensiva, mas mantém terror psicológico e domínio de moradores”. 


    
Fonte O Dia

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PROPINA NA UPP - Propina a policiais na Rocinha é investigada por inteligência. Valor seria de até R$ 200 mil mais Mensalinho de R$ 80 mil

Propina a policiais na Rocinha é investigada por inteligência
Segundo relatório de inteligência, pagamento seria de até R$ 200 mil

RIO
- A Secretaria estadual de Segurança confirmou, no domingo, que está investigando informações de que policiais militares responsáveis pelo patrulhamento na favela da Rocinha estariam recebendo dinheiro de traficantes para deixar de reprimir a venda de drogas em alguns becos e vielas da comunidade. De acordo com uma reportagem publicada pela revista "Veja" este fim de semana, um documento da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil, de 15 de fevereiro, dá conta de que a propina seria de R$ 200 mil de "entrada", além de um "mensalinho" de R$ 80 mil.  

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança informou que, a partir das conclusões do relatório de inteligência, "as denúncias poderão ser confirmadas e as punições, implementadas, ou pode ser comprovado que eram infundadas". Segundo a "Veja", o documento indica que o comércio de drogas pode ter sido transferido para pontos discretos dentro da Rocinha, enquanto os PMs limitariam o patrulhamento às vias principais da favela.

A Rocinha foi ocupada em novembro do ano passado, numa operação que mobilizou três mil homens, blindados da Marinha e do Bope, além de helicópteros. Na mesma época, as comunidades vizinhas do Vidigal e da Chácara do Céu também passaram pelo processo de ocupação. No dia 10 de novembro, três dias antes da operação, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que comandava o tráfico na Rocinha, foi preso por policiais militares do Batalhão do Choque quando tentava fugir dentro da mala de um carro. Ele tentou subornar os dois PMs que o detiveram, mas não teve sucesso.

Levado para a Polícia Federal, o traficante contou em depoimento informal que arrecadava cerca de R$ 1 milhão por mês com venda de drogas na Rocinha, mas que metade era usada para pagar policiais.
No dia da prisão de Nem, policiais federais prenderam três agentes da Polícia Civil e dois ex-PMs na Gávea auxiliando na fuga de cinco bandidos, entre eles Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, ex-chefe do tráfico no complexo de favelas de São Carlos, no Estácio.

Após a retomada, a Rocinha foi ocupada pelo Bope. Há dois meses, o Batalhão de Choque assumiu o patrulhamento. Semana passada, a favela ganhou um xerife, o major Edson Raimundo dos Santos, de 38 anos, ex-integrante do Bope, que comandará o policiamento.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/propina-policiais-na-rocinha-investigada-por-inteligencia-4471272#ixzz1qsKDVFQe

quinta-feira, 15 de março de 2012

TORTURA NO RIO - Jovem torturado na Vila Cruzeiro diz ter sido intimidado por militares da Força de Pacificação

Por Herculano Barreto Filho

ãoO rapaz de 22 anos acusa de militares de tê-lo agredido Foto: Nina Lima / 11.3.2012

O jovem de 22 anos, que disse ter sido torturado por militares da Força de Pacificação do Exército na madrugada do último sábado, na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, disse que foi intimidado na noite desta terça por um grupo de cerca de dez militares. O rapaz chegava à Vila Cruzeiro, onde mora, quando um grupo de militares teria perguntado a ele qual é a origem do dinheiro que ele carregava:

“De quem é esse dinheiro? Você não trabalha, só estuda”, teria dito um militar da Força de Pacificação ao jovem.

Ele respondeu que havia ganho o dinheiro do pai.

Outro militar, então, ironizou:

“Tá famoso, hein. Cuidado na hora de reconhecer as pessoas. Não vai reconhecer ninguém errado...”.

O diálogo foi revelado pelo rapaz na tarde desta terça-feira, logo após ele deixar a 22ª DP (Penha). Ele estava acompanhado de advogados da ONG Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, e foi para casa. A polícia ainda estuda a possibilidade de incluí-lo num programa de proteção à testemunha.


Fonte Jornal Extra Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/jovem-torturado-na-vila-cruzeiro-diz-ter-sido-intimidado-por-militares-da-forca-de-pacificacao-4308527.html#ixzz1pBD2Bk1d 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CORRUPÇÃO NA UPP DO RIO - Ex-Comandante enviava peixe para presentear traficante

Na bagagem, peixe para presentear traficante

Ex-comandante da UPP São Carlos diz por torpedos que trouxe pirarucu da Amazônia para chefe do tráfico de quem receberia propina e sugere morte de tenente. Está preso

POR Gabriela Moreira
.
Rio - Preso há 13 dias pela Polícia Federal, o capitão PM Adjaldo Luiz Piedade Júnior, ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do São Carlos, tinha relação tão próxima com o tráfico local que, após viajar com a família para o Norte do País, em outubro, trouxe na bagagem peixe típico da Amazônia para o traficante Sandro Luis de Paula Amorim, curiosamente conhecido como Peixe. Piedade também é suspeito de tramar a morte de um tenente da Polícia Militar.
Essas informações constam em processo contra o capitão na Justiça Estadual. O presente ao traficante é mais um traço de como o comandante se misturou aos bandidos. Dias antes de o oficial ser exonerado do cargo, em outubro, Piedade trocou mensagens de texto através de telefone celular com um homem não identificado.
Foto: Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
O capitão Piedade também é acusado de planejar a morte de um tenente da PM, de acordo com investigações remetidas à Justiça | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

“Vamos ‘passar’ (matar) o tenente. Ele vai ficar igual a Eliza Samudio”, escreveu o homem ao então comandante da UPP, no dia 26 de outubro, fazendo alusão à modelo e ex-amante do goleiro Bruno de Souza, assassinada e cujo corpo jamais apareceu.
As investigações não chegaram a apontar se o tenente fora assassinado, nem qual seria o nome correto dele. Mas, de acordo com as informações remetidas à Justiça, pelo menos um policial militar teria irritado o comandante. Identificado pelas investigações como Pimentel, o PM teria provocado a ira de Piedade por ter contado ao traficante que o capitão havia perdido o cargo na UPP.
“Aquele bucha do Pimentel falou pro amigo que eu vou sair, aquele filho da (...)”, disse o comandante para um subordinado, sobre Pimentel, que também era da UPP.
Foto: Arte: O Dia
O termo ‘amigo’, segundo as investigações, era como Piedade se referia ao traficante.
Peixe e Piedade foram presos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal. O capitão, dias antes do Carnaval, teve mandado de prisão expedido pela 11ª Vara Criminal, em decorrência da operação Boca Aberta. Um total de 19 mandados de prisão foi expedido, sendo 11 deles cumpridos até agora. Entre os presos, está outro policial militar que foi lotado no São Carlos, o soldado Alexandre Duarte César de Oliveira. Já Peixe foi preso em novembro, também pela DRE, quando tentava fugir da Rocinha, às vésperas da ocupação para instalar a UPP.

‘Bacalhau da Amazônia’ após viagem à terra natal
O pirarucu, também conhecido como bacalhau da Amazônia, que o capitão Piedade comprou para o traficante Peixe foi trazido como presente de aniversário, como mostra conversa do PM com o bandido.
“E aí, meu velho, parabéns por mais um ano de vida. O amigo tem um bom cozinheiro aí? Trouxe lá da Amazônia, Pirarucu, um peixe seco, se o amigo quiser, mando pra você experimentar”, disse o capitão ao traficante, através de mensagem de texto, após desembarcar no Rio, em 3 de novembro, dois dias após Peixe completar 36 anos.
Iguaria amazonense, o pirarucu é um dos maiores peixes da Bacia Amazônica, podendo atingir até 3 metros de comprimento. A viagem do comandante à sua terra natal ocorreu entre a última semana de outubro e a primeira de novembro. Foi neste período que o capitão perdeu o cargo, por suspeitas de corrupção.
Além de Peixe, o relacionamento do capitão Piedade e do soldado Duarte com o tráfico local se dava através do traficante Iranildo Domingos, o Nildo, foragido.
De acordo com a denúncia, Nildo monitorava as ações da PM no local e repassava informações para Peixe. Era Nildo que costumava verificar se o acordo com o capitão era cumprido.

Tentativa de ‘driblar’ bandido para ganhar última propina
O presente de Piedade para Peixe chegou numa hora em que o capitão tentava esconder do bandido que havia perdido o comando da UPP. De acordo com as investigações, o oficial temia não receber a propina daquela semana.
Sandro Luís, o Peixe; o PM Alexandre Duarte; e Iranildo Domingos | Foto: Divulgação
Sandro Luís, o Peixe; o PM Alexandre Duarte; e Iranildo Domingos | Foto: Divulgação
"Essa informação não pode vazar até segunda-feira, não antes da gente pegar a ‘prata’ (dinheiro), pelo menos de segunda quanto ao fim de semana”, ordenou o comandante a alguém de sua confiança.
Segundo as investigações, Piedade recebia R$ 15 mil por semana de traficantes para não reprimir a venda de drogas na comunidade do Estácio.
Em outra conversa sobre sua exoneração, o comandante chega a mentir para o traficante, negando que tivesse saído da UPP.
“Aquele cara disse que você pediu licença, porque está saindo de lá (da UPP)”, questionou Peixe ao comandante.
Na sequência, o oficial nega que tenha saído e diz que as informações sobre sua exoneração não passam de boatos. Procurado, o advogado do capitão não foi encontrado.

Unidades de elite reforçam o policiamento na região
Desde segunda-feira, a Polícia Militar vem reforçando o policiamento no São Carlos, que conta com UPP desde maio. Cerca de 200 homens do Bope e do Batalhão de Choque fazem incursões no complexo e em outras seis favelas vizinhas na busca de traficantes que ainda estejam escondidos no local.
Investigações mostram que traficantes originários da favela e fugiram para a Favela da Rocinha, em São Conrado, quando a UPP foi instalada no morro do Estácio, regressaram para o São Carlos, após a pacificação da favela na Zona Sul. Entre os procurados estão Thiago de Souza Cherú, o Dorei, e Edmilson Torres Martins, o Rei do Fumo.
No Carnaval, a favela voltou a sofrer com a violência, quando o traficante Marcílio Cherú de Oliveira, o Menor Cherú, foi preso. Na ação, adolescente foi morto.
Matéria exclusiva publicada por O DIA, em outubro, mostrou que outra UPP da região, a do Fallet e Fogueteiro, também sofria com maus policiais a serviço do tráfico. Segundo investigações, traficantes da favela pagavam até R$ 53 mil de propina para que policiais não reprimissem a venda de drogas no local. Na ocasião, o comandante da UPP também foi exonerado.

Fonte O Dia

sábado, 25 de fevereiro de 2012

SEGURANÇA NO RIO - Polícia tenta encontrar imagens de assalto sofrido pelo coordenador das UPPs


Coronel Rogério Seabra fala em palestra na PM
Foto: Guilherme Pinto
Por Herculano Barreto Filho
Policiais da 24ª DP (Piedade) tentam localizar câmeras nas proximidades das ruas José Domingues e Silvana, em Piedade, onde o coordenador de Polícia Pacificadora, coronel Rogério Seabra, foi assaltado, na tarde desta quinta-feira. Os agentes esperam que a ação tenha sido gravada e, assim, os bandidos possam ser reconhecidos.

Segundo o registro de ocorrência feito na delegacia, por volta das 17h30m, o coronel e seu motorista, o também PM Anderson Sancler de Figueiredo e Silva foram rendidos por quatro homens armados, que saltaram de um Astra branco. Cartões bancários e documentos dos dois policiais foram levados pelos bandidos, que não perceberam que as vítimas eram PMs.

Do coronel foram roubados também mil reais e dois telefones celulares. No carro havia também duas pistolas e carregadores das armas. Os criminosos fugiram no carro da PM, uma picape Nissan Sentra, placa LQC 7616, que circulava descaracterizada.

A PM divulgou nota sobre o assalto sofrido pelo coronel Seabra na tarde desta sexta-feira. Eis a íntegra do informe:

"O Coordenador de Polícia Pacificadora (CPP), coronel Rogério Seabra, foi assaltado no fim da tarde de ontem (dia 23) quando trafegava pela Rua José Domingues esquina com Rua Silvana, em Piedade, Zona Norte do Rio. Quatro bandidos armados com pistolas abordaram a viatura descaracterizada (Nissan Sentra - Placa LQC 7616) onde estava o coronel Seabra e seu motorista, que é cabo da Policia Militar. No veículo estavam duas pistolas e pertences pessoais do coronel e do motorista. A ocorrência foi registrada na 24ªDP (Piedade)."



Fonte Extra  http://extra.globo.com/casos-de-policia/policia-tenta-encontrar-imagens-de-assalto-sofrido-pelo-coordenador-das-upps-4056860.html#ixzz1nNjNpOJX


    

sábado, 10 de dezembro de 2011

SUMIÇO NO RIO - Justiça decreta prisão de três PMs da UPP da Cidade de Deus

Eles são suspeitos de participação no desaparecimento de homem na última terça-feira


Vera Araújo

O Globo

RIO - A Juíza da Auditoria Militar do Rio, Ana Paula Monte, decretou nesta sexta-feira, a pedido do Ministério Público estadual, a prisão de três policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus: os soldados Wllisses Resende Nascimento e Maiko Menezes de Azevedo e o recruta Rafael Guimarães Santos. Os três são suspeitos do desaparecimento, na madrugada de terça-feira passada, de Gilmar da Silva Barreto, de 36 anos, dono de um ferro-velho na Cidade de Deus.

Testemunhas contaram que viram Gilmar sendo abordado pelos PMs, na localidade conhecida como Karatê. O homem, segundo a PM, estaria dirigindo com sinais de embriaguez, sem a carteira de habilitação nem os documentos do veículo. Ele foi, então, levado até a casa de parentes, onde teria chegado com ferimentos. Lá, o irmão do motorista foi informado pelos policiais de que Gilmar seria levado para a delegacia. Onde, no entanto, ele nunca chegou.

Na noite de quarta-feira, a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos retirou a família de Gilmar da comunidade, a fim de dar total proteção e garantias de vida aos parentes. De acordo com a promotora do MP Isabella Lucas, autora do pedido de prisão dos três, eles são acusados de agressão e extorsão mediante sequestro. No pedido, é requerido ainda que o recruta fique em local separado dos demais PMs, que serão levados para o Batalhão Prisional (BEP).

A polícia investiga se o desaparecimento de Gilmar pode ter algum tipo de ligação com um suposto pedido de propina feito pelos policiais. O irmão da vítima procurou a UPP, onde relatou o fato ao comandante da unidade, capitão Felipe de Carvalho. Ele teria reconhecido um policial por foto e também passado a placa de uma viatura que teria sido usada durante a abordagem. Segundo o capitão Carvalho, os policiais foram chamados e prestaram depoimento. Eles declararam que teriam liberado Gilmar após dar um tiro para o alto, na tentativa de assustá-lo, e que não o viram mais.

O caso foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, que já tinha decidido pela prisão administrativa dos dois soldados, por um período de 72 horas. Após tomar os depoimentos das testemunhas e dos policiais acusados, a Corregedoria da PM instaurou um Inquérito Policial-Militar (IPM) e realizou perícias no carro, nas armas usadas pelos policiais e no local

FONTE O GLOBO Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/justica-decreta-prisao-de-tres-pms-da-upp-da-cidade-de-deus-3421959#ixzz1g8CTbJp6
 

domingo, 4 de dezembro de 2011

InDIGNIDADE NO RIO - PM ferido depende de vaquinha para ter cadeira de rodas



Luta por dignidade: PM ferido depende de vaquinha para ter cadeira de rodas

O PM Fávaro quando ainda estava em atividade: elogios Foto: pablo jacob
Herculano Barreto Filho

O soldado Alexsandro Fávaro, de 31 anos, era tido como policial exemplar. Um apaixonado no combate ao crime, como os colegas de farda costumam dizer. Há três meses, o combate mudou de terreno. Atingido no pescoço num tiroteio entre policiais da UPP Fallet/Fogueteiro e traficantes no Morro do Fogueteiro, no Rio Comprido, ele faz sessões de fisioterapia no Hospital da Polícia Militar (HPM) para recuperar os movimentos dos membros. E conta com a luta de outros policiais militares.

Como o major Hélio, que lançou uma campanha no site cfappmerj.org para pedir colaborações de R$ 1, que ajudem na aquisição de uma cadeira de rodas de R$ 2.500, específica para tetraplégicos. “A esposa continua assistindo e apoiando o marido e está impossibilitada de trabalhar, pois o caso dele ainda inspira cuidados”, diz um dos trechos do texto. Segundo o comunicado, a PM não possui a cadeira de rodas e a aquisição pode levar até seis meses. O problema é que o soldado Fávaro terá alta em breve.

O major Hélio não é o único que busca mobilização para ajudar no caso. De acordo com o capitão Felipe Magalhães, comandante da UPP Fallet/Fogueteiro, o grupo de policiais que se formou com Fávaro também faz contribuições para ajudá-lo. Amigo do soldado, o capitão foi instrutor no seu curso de formação. E comandante no período em que Fávaro atuou na UPP.

— Ele era um excelente policial. Adorado por todos, porque era um profissional que sabia a hora de combater, mas também sabia o momento certo para prestar serviço aos moradores.

Na corporação há apenas três anos, Fávaro colecionava prisões e apreensões num caderno recheado por recortes de ocorrências e reportagens policiais. Em março de 2009, quando trabalhava no 12 BPM, em Niterói, e ainda não estava habilitado para usar arma, recebeu um certificado de honra ao mérito por ter “se destacado no combate à criminalidade” por prender um suspeito só com o cassetete.

Outro drama
Em novembro do ano passado, o sargento Heliomar Ribeiro dos Santos Silva, de 36 anos, viu a morte de perto no cruzamento da Avenida dos Democráticos com a Dom Hélder Câmara, no Jacarezinho. Ele estava numa carro do 22 BPM (Maré) quando cruzou por um bonde de 20 homens, com fuzis em carros e motos. O veículo foi fuzilado e o soldado caiu no chão, baleado. Só saiu de lá com vida porque foi tirado do asfalto por um taxista, que o socorreu no momento em que um ônibus parou na sua frente, impedindo o acesso dos bandidos.

Um ano depois, Heliomar ainda luta para se recuperar das sequelas provocadas pelos tiros, que acertaram a sua nuca, de raspão, o braço e o pé esquerdos. Três vezes por semana, faz fisioterapia para recuperar os movimentos do braço. Perdeu o dedão e caminha com dificuldades, já que não encosta a sola do pé no chão, porque um nervo foi atingido.

A situação financeira da família também não é das melhores, já que Heliomar fazia “bicos” para completar a renda familiar quando estava na ativa. Como não pode dirigir, vendeu o carro, um Fiat Uno antigo.

Morador de Itaboraí, ele desistiu das sessões de fisioterapia mantidas pela PM, em Olaria, no Rio, porque não teria como pagar o deslocamento semanal. Optou pelo tratamento num hospital público, perto de casa. Apesar das dificuldades, ainda acredita que um dia poderá voltar a vestir a farda da Polícia Militar.

— Ele não se conforma, porque estava acostumado a estar na ativa — conta a mulher, a dona de casa Cristiane Santos Silva, de 37 anos.

Mas nada causa revolta em Cristiane. Porque o marido vai poder ver a filha, de 3 anos e 9 meses, crescer. E, de tempos em tempos, ela telefona para o taxista que salvou o seu marido.

— Ligo pra agradecer. Depois de Deus, ele é o meu anjo da guarda, porque salvou o meu marido. Vou agradecer pelo resto da minha vida

Extra Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/luta-por-dignidade-pm-ferido-depende-de-vaquinha-para-ter-cadeira-de-rodas-3375583.html#ixzz1far29d7l

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ROCINHA : Ligações do Disque-Denúncia (2253-1177) crescem 38 vezes

Com ajuda de informações passadas por moradores, polícia havia achado até ontem 73 fuzis e metralhadora que derruba até avião 

 ROBERTA PENNAFORT / RIO - O Estado de S.Paulo

Graças a denúncias de moradores, a polícia do Rio conseguiu apreender, em três dias de ocupação nos Morros da Rocinha, do Vidigal e Chácara do Céu, na zona sul, 129 armas que eram usadas por traficantes para enfrentá-la. Só de fuzis são 73. As informações chegam pelo Disque-Denúncia (2253-1177) , que registrou 38 vezes mais chamadas do que o normal, por bilhetes ou indicações diretas aos policiais. 
Essas denúncias levaram equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) ontem a duas casas da Rocinha que até domingo eram usadas pelos traficantes: em uma foram encontrados 16 fuzis e uma metralhadora .30, cujo disparo derruba até aeronave, além de espingardas, pistolas, granadas e carregadores para fuzil.

Eram armas novas, algumas com a inscrição ADA (Amigos dos Amigos) e o desenho de um coelho, sinal de que pertencia ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, preso há uma semana.

Também foram apreendidos coletes à prova de balas de uso das Forças Armadas e caixas de fogos de artifício, usados pelos bandidos para alertar para a chegada da polícia. A cocaína, apreendida em sacos pretos, ainda não havia sido pesada.

Na localidade Roupa Suja, na parte alta da Rocinha, foram encontrados dez fuzis, escondidos na laje de uma casa.

Colaboração. Os números do Disque-Denúncia (2253-1177)  revelam o espírito colaborativo da população: foram 308 ligações só no domingo e na segunda, quando o usual nesses dias da semana são quatro informes diários.
Nem todo mundo tem coragem de denunciar. Após décadas dominados pelo tráfico, os mais céticos não descartam uma reviravolta. "Moro aqui há 67 anos. (Os traficantes) Dênis, Naldo, todos passaram, mas eu fiquei", dizia uma cozinheira que prefere "não se meter com polícia".

Abusos. Moradores também temem abusos por parte dos policiais, como ocorreram em ocupações semelhantes em outras favelas cariocas. Para evitá-los, representantes das associações de moradores acompanham as revistas nas casas.
De manhã, quando um carro do Bope passava com parte do material apreendido pela movimentada Rua 2, pedestres fotografavam. "É para guardar de recordação. Dá uma sensação boa se ver livre dessas armas", justificou um comerciante de 39 anos que passou o dia na rua com a câmera na mão.

Policiais também pediam a moradores para fotografá-los empunhando fuzis dos bandidos. Em outro ponto da favela, crianças observavam o vaivém de veículos do Bope cantando a música-tema do filme Tropa de Elite, que trata do combate ao tráfico pelo batalhão.

Para o comandante do Bope, coronel René Alonso, a credibilidade da UPP como principal projeto da Secretaria da Segurança Pública faz com que moradores não enxerguem a operação policial como "mais uma". "Em nenhuma favela tivemos tanta cooperação da população quanto aqui. Não existe receita, cada comunidade é diferente."

Mas há quem acredite que a conduta da PM "só está boa porque a imprensa ainda está na favela". Era, por exemplo, o que bradava uma vendedora ontem. No domingo da ocupação, ela havia se irritado com um policial que desconfiou que o skate da filha era uma arma

Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,rocinha-ligacoes-ao-disque-denuncia-crescem-38-vezes-,798949,0.htm

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

BANDA PODRE - Beltrame diz que Nem pode ajudar a elucidar casos de corrupção policial #Rocinha

Traficante foi preso no dia 1º, às vésperas da Operação Choque de Paz.
Secretário não descarta oferecer medida judicial para obter informações.
 Do G1 RJ, com informações do Bom Dia Brasil

                    



O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse, na manhã desta segunda-feira (14), que o depoimento do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, pode ser uma "oportunidade importantíssima" para elucidar casos de corrupção envolvendo policiais civis e militares. Beltrame falou nesta manhã em entrevista ao Bom Dia Brasil e não descarta o oferecimento de alguma medida judicial para que Nem contribua com a Justiça e a polícia. O traficante é apontado como o chefe do tráfico na Rocinha e está preso desde o dia 1º de novembro em Bangu 1.
Para o secretário a Operação de Choque foi "um trabalho de inteligência e não de guerra".

Movimentação na Rocinha
Nesta manhã, a movimentação na Rocinha é normal. No Largo do Boiadeiro, é grande o número de pessoas que saem de casa para trabalhar. Policiais permanecem no local, distribuídos pelos principais acessos à comunidade. As escolas seguem fechadas e só devem reabrir na quarta-feira (16).
O trabalho de revista dos moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, que foi interrompido durante a noite, foi retomado nesta manhã. A polícia também faz a varredura nessas comunidades, à procura de traficantes, drogas e armas. Segundo Beltrame, por se tratar de uma área muito grande, ainda há muitos pontos a serem vasculhados. Mesmo após a prisão de Nem, a polícia acredita que cerca de 200 criminosos ainda podem estar escondidos na Rocinha.
"É no mínimo temerário dizer que não tem mais ninguém naquele lugar. E o objetivo da polícia estar num lugar desse de uma forma maciça é exatamente no sentido de identificar estas pessoas ou qualquer outro equipamento criminoso que eles, por ventura, eles possam ter”, disse Beltrame.
Durante o primeiro dia de ocupação nas três comunidades, a polícia prendeu quatro pessoas, apreendeu 20 pistolas, 15 fuzis, duas espingardas e uma submetralhadora, além de 20 rojões e três granadas, segundo balanço da operação Choque de Paz, que visa instalar a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região.
Um homem foi preso na noite deste domingo (13) suspeito de tentar subornar policiais civis durante uma revista em uma residência na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Ainda de acordo com a polícia, ao ser perguntado sobre celulares encontrados com mensagens de pedidos de entrega de drogas, o suspeito ofereceu R$ 3 mil para tentar subornar os policiais.
Armas e ossadas


Foram localizados também 112 kg de maconha, 80 tabletes de maconha, 60 quilos de pasta base de cocaína, 145 trouxinhas de maconha e 14 tabletes de cocaína, além de máquinas caça-níqueis, bombas artesanais, uma farda do Exército e uma camisa da Polícia Civil.
Parte do armamento encontrado estava enterrada em uma viela da Rocinha. Em dois dos fuzis, o desenho de um coelho, apelido do traficante preso dias antes tentando fugir da favela. Anderson Mendonça foi preso com outros quatro comparsas. Eles estavam sendo escoltados por policiais civis, um ex-policial militar e um PM reformado, que também foram capturados.
PMs e policiais federais acharam com a ajuda de cães farejadores ossadas enterradas no alto da favela do Vidigal. Eles receberam informações de moradores.

Favelas tomadas após 2 horas e sem disparos
A retomada das favelas pelas forças de segurança começou por volta de 4h. A ação durou 2 horas e não houve troca de tiros. A megaoperação reúniu 3 mil homens das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, além de 194 fuzileiros navais, 18 veículos blindados, 4 helicópteros da PM e 3 da Polícia Civil. Os helicópteros jogaram panfletos com números de telefones para denúncias.



O Batalhão de Operações Especiais (Bope) estudou durante vários dias os detalhes do terreno a ser reconquistado, numa estratégia para evitar vítimas e para agir a qualquer ação dos traficantes. O apareato reúnia três tipos de blindados da Marinha: o Clamf, o maior e mais pesado, com 23 toneladas; o M113, menor e mais ágil; e o Piranha, que anda sobre rodas. (Veja vídeo ao lado)
Cerca de 300 homens do Bope entraram na Rocinha por seis acessos importantes da comunidade: Via Ápia, Terreirão, Roupa Suja, Estrada da Gávea, Laboriaux e Um Nove Nove, além de dezenas de pontos na mata. As favelas do Vidigal e Chácara do Céu foram retomadas por 800 policiais do Batalhão de Choque. Depois, foi a vez das outras forças de segurança entrarem em ação.


Outros 1,3 mil homens se espalharam por toda a cidade. Foram montados bloqueios nas principais saídas do Rio. O comando da operação não permitiu que os policiais usassem mochilas no interior das favelas, em uma tentativa de impedir saques aos moradores como houve no Complexo do Alemão.
Na Rocinha, homens do Bope usaram um trator para recolher motos roubadas que tinham sido abandonadas na rua. No Vidigal, colchões queimados e óleo jogado na pista, além de lixo e uma televisão, foram alguns dos obstáculos usados por criminosos para tentar impedir a retomada do território (Veja vídeo acima).
Às 6h08, pouco mais de duas horas depois do início da operação, segundo a Secretaria de Segurança, o território de 840 mil m2 da Rocinha e os 70 mil moradores estavam livres do domínio dos traficantes.


No início da tarde, as bandeiras do Brasil e do estado do Rio de Janeiro eram hasteadas nas favelas do Vidigal e da Rocinha para oficializar a retomada do território. No Vidigal, a informação é de que 160 homens do Batalhão de Choque vão permanecer na comunidade até que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) seja implantada.
O secretário de Segurança disse que a partir de agora é o estado que controla uma área dominada ha décadas pelo crime organizado." O dia de hoje iniciamos a segunda fase de um trabalho que começou no inicio deste mês", disse. "Esse trabalho começou e não tem data para encerrar. É a libertação do jugo do fuzil", completou.
O governador Sérgio Cabral comemorou o resultado da operação. “Hoje é um dia histórico de mais um capítulo na paz do Rio de Janeiro”, disse. “Graças a unidade, a união das forças públicas que trabalharam por um bem comum", completou.
A polícia pede ainda que a população continue colaborando, dando informações sobre criminosos, armas e drogas escondidos nas favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu. "Denunciem e ajudem. A população pode ligar para o Disque-Denúncia (2253-1177) ou para o 190 para nos ajudar a localizar criminosos, armas e drogas. Permaneceremos nas comunidades por tempo indeterminado", frisou o chefe de Estado Maior Operacional da Polícia Militar.
Rocinha - dados - raio x - 13/11 (Foto: Editoria de arte/G1)

 
Fonte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/beltrame-diz-que-nem-pode-ajudar-elucidar-casos-de-corrupcao-policial.html

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

TRÁFICO DE DROGAS NO RIO - Enfim NEM foi pra JAULA

 PM diz que traficante e comparsas ofereceram R$ 1 milhão de suborno

Nem, apontado como chefe do tráfico na Rocinha, foi preso no Rio.
Traficante deve ser transferido nesta quinta (10) para o presídio de Bangu.
 

Thamine Leta Do G1 RJ
 

Soldado Heitor diz que comparsas chegaram a
oferecer R$ 1 milhão para Nem não ser preso
(Foto: Thamine Leta/G1)

Um dos policiais militares envolvidos na ação que resultou na prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, diz que os homens que ajudavam na fuga do criminoso chegaram a oferecer R$ 1 milhão de suborno para que eles fossem liberados. Nem foi preso na madrugada de quinta-feira (10). Ele é apontado como o chefe do tráfico de drogas da Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Primeiro, eles ofereceram R$ 20 mil, depois, R$ 1 milhão para liberarmos eles”, contou o soldado Heitor, um dos agentes do Batalhão de Choque que abordou o veículo usado na tentativa de fuga do traficante. Nem foi encontrado no porta-malas do carro de luxo e preso com apoio da Polícia Federal.

A prisão do traficante Nem é parte da movimentação de forças de segurança pública antes da instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Rocinha. A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13), mas de acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, os detalhes serão mantidos sob sigilo.

saiba mais
Foi uma vitória para todos, diz coronel da PM após prisão de traficante
Após prisão, Beltrame comemora 'quebra do muro imposto por armas'
PF prende policiais que escoltavam traficantes da Rocinha, no Rio
Imagens mostram prisão de policiais que escoltavam traficantes no Rio
Mistura de álcool e drogas levou Nem à UPA da Rocinha, diz delegado

Escondido no porta-malas Segundo o soldado Heitor, além do traficante, mais três homens estavam no carro usado na fuga de Nem da Rocinha. A primeira abordagem ao grupo foi na saída da Rocinha, na Gávea, na Zona Sul do Rio. Lá, os PMs pediram para revistar o veículo. Um dos homens do grupo se apresentou como funcionário do Consulado do Congo e outro, como advogado. Eles informaram aos policiais que não aceitariam ser revistados. De acordo com soldado Heitor, os agentes informaram, então, que escoltariam o carro até a sede da Polícia Federal.

Ainda de acordo com o soldado, pouco depois da meia-noite, quando cruzavam a região da Lagoa, também na Zona Sul, os homens pararam o carro, se aproximaram dos policiais e tentaram negociar o suborno. “O [homem que se apresentou como] cônsul ofereceu propina e nós não aceitamos. Chamamos a Polícia Federal, que é um procedimento normal por ele ser cônsul”, contou o soldado. Na manhã desta quinta, a identidade do detido que teria se apresentado como diplomata ainda era investigada pela polícia.



Segundo Heitor, após a PF chegar à Lagoa, o veículo foi revistado e Nem foi achado no porta-malas. “A PF identificou o Nem de imediato. E o Nem não disse nem uma palavra, não ofereceu resistência”, disse.

Nem e os outros suspeitos foram levados para a sede da PF, na Zona Portuária. O delegado Victor Poubel, da PF do Rio, Nem ligou para a mãe e comunicou que havia sido preso. "Ele mandou um recado para os filhos não faltarem às aulas", disse o delegado. Segundo Poubel, o traficante deve ser transferido ainda nesta quinta para o presídio de Bangu, na Zona Oeste.

PF infiltrada na Rocinha Policiais federais trabalharam infiltrados na Favela da Rocinha para ajudar na captura de Nem. Segundo Poubel, foram dez dias de trabalho, 24 horas por dia, monitorando a comunidade. A ação policial contou ainda com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. "Mas o trabalho da Polícia Federal não se restringe só a isso", esclarece Poubel.

Na quarta-feira (9), A PF já havia prendido outros traficantes e também policiais que escoltavam criminosos em fuga da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Entre os detidos, quatro são policiais e um é ex-policial. Um dos traficantes presos é conhecido pelo apelido de “Peixe” e o outro é o traficante “Coelho”, apontado como um dos principais comparsas de Nem.

Instalação de UPP Cerca de 80 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) permanecem nesta quinta nas favelas da Rocinha e do Vidigal, na Zona Sul do Rio. Segundo o tenente da PM Leonardo Novo, o cerco é por tempo indeterminado. Moradores e motoristas que passam pelo local são revistados.

O Ministério da Defesa vai mandar homens da Marinha e equipamentos militares para a ocupação do morro da Rocinha. Apesar do ministério não confirmar formalmente a participação na operação, o pedido de apoio logístico ao Ministério da Defesa foi feito há cerca de dez dias pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13). A Marinha usará na operação os mesmos blindados utilizados na tomada das comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, os chamados Clanfs (carros lagartas anfíbios). Os blindados serão operados por fuzileiros navais e também ajudarão no transporte dos policiais militares durante a entrada no morro



FOnte G1 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/11/pm-diz-que-traficante-e-comparsas-ofereceram-r-1-milhao-de-suborno.html

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

InSEGURANÇA NO RIO - Sede da UPP do Fallet é atacada pelo tráfico

 Emanuel Alencar (emanuel.alencar@oglobo.com.br)



RIO - A UPP dos morros da Coroa, do Fallet e do Fogueteiro, em Santa Teresa, foi alvo de um ataque na noite de quinta-feira, depois da prisão de dois traficantes do local. A dupla, que seguia de moto na Rua Eliseu Visconti, foi flagrada por policiais da unidade com um carregamento de drogas, a cerca de 300 metros da base da UPP, no Morro do Fallet. Os presos foram identificados como Fábio Fernandes, de 29 anos, e Rafael da Cunha Eliezer, de 18. Com eles, foram apreendidos 184 papelotes de cocaína, 111 trouxinhas de maconha, sete sacos de ecstasy e 142 pedras de crack.

Segundo a polícia, depois da prisão, por volta das 22h40m, cerca de dez traficantes começaram a atirar do alto de uma laje em direção à base da UPP, onde estavam seis PMs, que revidaram o ataque. Foram efetuados pelo menos 30 disparos de fuzil calibre 762. Alguns criminosos também teriam atirado com pistolas. O tiroteio durou pelo menos dez minutos. Niguém ficou ferido.

O coordenador de Polícia Pacificadora, coronel Rogério Seabra, informou que, após o ataque, o policiamento foi reforçado na comunidade, com cerca de 60 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque. Ele disse que nenhum projétil atingiu o contêiner que serve de base aos policiais.

- Entendemos que houve prejuízo aos traficantes do local e, por isso, a reação. Não vamos nos intimidar - disse Seabra.

Um policial da UPP contou que, logo depois da prisão dos dois traficantes, foi ouvido um apitaço no Morro do Fallet, o que seria um aviso para iniciar um ataque.

Mensalão do tráfico em setembro
Em setembro, a UPP dos morros da Coroa, do Fallet e do Fogueteiro virou notícia devido a um esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão do tráfico e culminou no afastamento do comandante da unidade, o capitão Elton Costa, e também do subcomandante, o tenente Rafael Medeiros.

O esquema, segundo as investigações, distribuía propina a cerca de 30 policiais da unidade pacificadora para que não reprimissem a venda de drogas nas comunidades. O mensalão pago pelos traficantes chegaria a R$ 53 mil. Um sargento e dois cabos da UPP foram presos em flagrante com R$13.400 num carro estacionado em frente ao Batalhão de Choque. Os três foram afastados da unidade, mas acabaram sendo lotados como sentinelas no Quartel-General da PM.

Também no mês de setembro, o policial Alexsandro Coutinho, de 30 anos, que fazia uma ronda de rotina na região da UPP com outro PM, entrou em confronto com um grupo de dez homens armados e foi baleado na garganta. Ele ficou tetraplégico. Em junho, três PMs ficaram feridos numa explosão de granada - um deles perdeu uma perna - durante uma emboscada no Morro do Fallet.

A UPP dos morros da Coroa, do Fallet e do Fogueteiro foi inaugurada em 25 de fevereiro deste ano como a 15 unidade do tipo na cidade

Fonte O Globo  http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/11/04/sede-da-upp-do-fallet-atacada-pelo-trafico-925735738.asp#ixzz1cjfBWtMH 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RIO - Nú com a Mão no Bolso

Sem royalties, falta dinheiro para obras, UPPs e servidores
O governador Sérgio Cabral, ao lado do vice, Luiz Fernando Pezão: protestos contra redistribuição
Foto: Arquivo

Ana Paula Viana e Mario Campagnani 
Os investimentos do estado em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e em infraestrutura, principalmente obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, serão comprometidos, caso vire lei a nova proposta de redistribuição dos ganhos da produção de petróleo — os chamados royalties — entre todos os estados e municípios do país. A redução dos recursos recebidos pelo Rio afetará até o pagamento de inativos do estado, segundo o vice-governador, Luiz Fernando Pezão.

— O impacto maior será em obras de expansão do metrô e de saneamento, além de infraestrutura para a Copa e as Olimpíadas. Se o Rio perder sua participação nos royalties, elas vão parar. O governo não teria como arcar com a folha de pagamento dos aposentados, que hoje é bancada pelos royalties. Se tivermos que desviar dinheiro para pagar essa folha, paralisamos todas as nossas despesas — disse.O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, alertou para os problemas.

— Os serviços públicos vão piorar sem os recursos dos royalties. Saúde, segurança e educação terão menos verbas. A infraestrutura não vai funcionar. Vamos voltar ao cenário que tínhamos há alguns anos — disse Gouvêa Vieira.

O substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que redivide as receitas da exploração de petróleo, foi aprovado, anteontem, no Senado. Um estudo da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, divulgado ontem, mostra que as perdas do Estado do Rio e dos municípios fluminenses, somente em 2012, deverão chegar a R$ 3,1 bilhões.

Votação em 30 dias
O novo texto deverá ser votado em até 30 dias, na Câmara dos Deputados. Apesar da primeira aprovação, Cabral disse acreditar que a presidente Dilma Rousseff vetará a ideia.

— Ficaram comprometidas as finanças do estado completamente. Tem duas características muito graves. Não só (afeta) Copa e Olímpiadas. Fica também comprometido o pagamento aos aposentados e o pagamento (de dívidas) à União — afirmou

Fonte Extra http://extra.globo.com/noticias/economia/sem-royalties-falta-dinheiro-para-obras-upps-servidores-2854316.html#ixzz1bPq6VyUe

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CORRUPÇÃO - Promotora pede mais apuração sobre área de UPP

Rio - O Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o mensalão pago pelo tráfico a policiais da UPP dos morros da Coroa, Falllet e Fogueteiro, em Santa Teresa, vai retornar à PM. A promotora Isabela Pena Lucas, da 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, pede apuração de mais detalhes do esquema de corrupção envolvendo 30 policiais militares.

Isabela quer a conta reversa dos telefones usados pelos policiais envolvidos no esquema de corrupção, para saber como eles negociavam ao telefone. Como O DIA antecipou ontem, as conversas gravadas, com autorização da Justiça, revelam que os policiais falavam com traficantes e atendiam pedidos para transferências e troca de escalas dos agentes que não colaboravam com o esquema montado pelo tráfico.

O IPM segue hoje para o Comando de Polícia Pacificadora (CPP) com os novos pedidos da promotora. Isabela vai requerer também a localização dos policiais nos dias em que era feita a distribuição da caixinha do tráfico. Ela quer saber se todos se comunicavam entre eles naquele dia e se reuniam em algum ponto.

Segundo investigações, os criminosos criaram área de exclusões de PMs, que ficaria sem patrulhas de quinta a domingo. O dia certo para pagamento seria no início da noite de segunda-feira. Por mês, segundo as investigações, o tráfico desembolsava R$ 53 mil para pagar propinas. Este mês, o comando da UPP dos três morros foi trocado, 30 PMs foram afastados e outros três, presos.

FOnte O Dia http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/9/promotora_pede_mais_apuracao_sobre_area_de_upp_194827.html

domingo, 25 de setembro de 2011

SEGURANÇA NO RIO - Área de UPP era território comandado pelo tráfico

Escuta mostra que bando mudava até escala de PMs na Coroa, Fallet e Fogueteiro
POR JOÃO ANTÔNIO BARROS

Rio - A zona franca das drogas. Investigações da Polícia Militar que flagraram o mensalão do tráfico pago a policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Coroa, Fallet e Fogueteiro revelam que o crime organizado comandava o patrulhamento nos morros de Santa Teresa, como O DIA publicou com exclusividade no dia 11. Por quatro meses, traficantes delimitaram locais por onde policiais deveriam circular, alteraram escala de trabalho dos agentes e exigiram a transferência de quem desobedecia suas regras.

Os criminosos criaram até áreas de exclusões de PMs, onde não haveria patrulhas de quinta-feira até domingo, e o dia certo para o pagamento das propinas: segunda-feira, no começo da noite. As quantias variavam entre R$ 100 e R$ 500 — por mês, o tráfico desembolsava R$ 53 mil para as propinas.

As ordens do tráfico de drogas eram repassadas por um homem identificado no Inquérito Policial Militar apenas como Alan. É ele quem aparece falando com o sargento Rinaldo do Desterro Santos nas conversas telefônicas interceptadas pela PM e entregues à Auditoria de Justiça Militar.

Em alguns trechos, o suposto traficante reclama ao militar da presença de dois policiais que atrapalham a venda de drogas. Rinaldo liga para o tenente Rafael Medeiros, subcomandante da UPP, e avisa sobre o inconveniente. Os dois soldados são transferidos de escala.

Em outra gravação, o suposto traficante liga para o sargento e cobra explicações: mesmo acertados com o comando, há invasão de PMs nas áreas do crime e atirando contra bandidos. E avisa: vai revidar se não trocar os policiais. A dupla não aborreceu mais.

Quem também é transferido por interferência do traficante é um sargento, responsável pelo policiamento no Morro da Coroa. Suas ações, reclama o bandido, estão ‘atrapalhando o movimento’. Na hora o tenente Medeiros transferiu o militar das ruas para o serviço interno da UPP.

Caixinha a mais para sargento dispensar soldados

Além de faturar com a caixinha do tráfico, o IPM mostra que o sargento Rinaldo Santos faturava mais para liberar os soldados do trabalho. Foram 17 conversas gravadas em que o militar cobra R$ 100 para livrar o policial da escala de serviço.

Ele também usou de suas amizades com o tráfico para livrar dois policiais, que de folga foram à boca de fumo tentar ‘a sorte grande’. Dominados, viraram reféns dos traficantes. Foi então que um deles ligou para o militar e relatou a ação dos PMs. O sargento negociou e conseguiu a liberação dos colegas.

Pelo que os investigadores detectaram nas gravações, o esquema de corrupção funcionaria muito bem em dois dos quatro plantões. Detectaram, também, que alguns PMs se recusaram a receber as propinas do tráfico.

Após a denúncia de O DIA, 30 PMs suspeitos foram afastados e três estão presos. O comando da UPP local foi substituído.

Policiais registraram movimentação suspeita de soldado em seu dia de folga

A arrecadação e distribuição das propinas do tráfico foram acompanhadas de perto por quem investigou a corrupção na UPP da Coroa, Fallet e Fogueteiro. Com filmadoras e máquinas fotográficas, os policiais conseguiram registrar o soldado Alexandre Pinela dos Santos, de folga, entrando e saindo da comunidade. Na sequência, ele se encontra com o sargento Rinaldo Santos e, logo depois, os dois são presos com R$ 13,4 mil.

Segundo o relatório do IPM, sempre que saíam do morro, os PMs se reuniam perto do Batalhão de Choque, no Centro, onde supostamente era distribuída a propina. Um a um os agentes envolvidos no esquema apareciam e pegavam a ‘mesada’ com os dois policiais. No dia 6 de setembro, eles foram presos justamente neste ponto.

Os agentes também filmaram o sargento entrando no apartamento do tenente Medeiros, em Copacabana. Os dois, por telefone, combinam o encontro e falam sobre a entrega do ‘convite’. Para os investigadores, este seria o código para dinheiro (junto com ‘ingresso’).

Em outra conversa do sargento interceptada, ele fala com o capitão Elton Costa Gomes, então comandante da UPP. O oficial combina e fala que vai passar no bingo para pegar o ‘negócio’. Os agentes que cuidaram do IPM não conseguiram identificar o que seria o bingo


Fonte O Dia http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/9/area_de_upp_era_territorio_comandado_pelo_trafico_194695.html

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

UPPs não conseguem pôr fim ao ágio no botijão de gás #Rio

Extra
Guilherme Amado e Marcelo Gomes

Quase três anos após a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o programa ainda não conseguiu fazer com que moradores de favelas pacificadas paguem o mesmo preço cobrado no asfalto por botijões de gás. Herdado da época em que esse e outros serviços eram controlados por traficantes e milicianos, o ágio no bujão continua vigorando em 16 das 17 comunidades pacificadas visitadas na semana passada pelo EXTRA. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) investiga denúncias envolvendo a cobrança de ágio no gás nessas favelas do Rio.

O maior preço encontrado foi no Morro do Fallet, no Rio Comprido. Três bares visitados pelo EXTRA cobravam R$ 45 pelo botijão de 13 kg. O valor é 23,35% mais alto que o preço médio na cidade do Rio (R$ 36,48), de acordo com a pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em distribuidores em todo o Brasil.

— O preço a mais é o que ganhamos para levar o bujão até o alto do morro, que é bastante íngreme — alegou um comerciante.

A segunda posição no "ranking" é dos morros do Borel, na Tijuca, e da Providência, no Centro. Lá, o depósito Diamante Azul, distribuidor da Ultragaz localizado atrás do Terminal Américo Fontenelle, cobra R$ 44 pelo botijão de 13kg, segundo os moradores. Ou seja, 20,61% mais caro que o preço médio no Rio. O EXTRA esteve no depósito, mas o dono não foi encontrado.
— Esse é o único depósito que eu conheço por aqui. E também eles entregam o botijão em qualquer lugar do morro — disse uma moradora.



O preço médio do bujão nas 17 favelas visitadas (R$ 40,75) também é superior ao calculado pela ANP — um sobrepreço de 11,7%.

A comunidade com o botijão mais em conta é o Morro do São João, no Engenho Novo. O depósito da Copagaz na Rua Visconde de Santa Cruz cobra R$ 35 pelo gás. Numa mercearia na esquina das ruas São João e Conselheiro Jobim, o bujão custa R$ 36.

Nos morros do Macacos e do Andaraí, o preço é R$ 40.

— Antes da UPP, o gás custava R$ 46. Depois baixou para R$ 36, e, há dois meses, custava R$ 38. Como as empresas que distribuem aqui dentro têm o mesmo preço, todas aumentaram para R$ 40 ao mesmo tempo — contou um comerciante.

Sérgio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) disse que o consumidor deve pesquisar para conseguir bons preços:

— O botijão, diferentemente da água e de luz, não tem preço tabelado. Pode-se encontrar diferença de mais de R$ 5 no mesmo bairro — disse Mello, acrescentando: — Para conseguir bom preço, deve-se pesquisar antes de comprar. Em vários locais o custo é afetado, principalmente, pela logística de entrega na porta do cliente. Dificuldades de acesso podem encarecer o botijão de gás — afirmou Mello

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MENSALÃO DA UPP - chefes de UPP receberiam propina até em casa

Sérgio Ramalho (sergio.ramalho@oglobo.com.br)
Mais tensão no Morro Fallet: corpo de homem esfaqueado é achado (Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo) RIO - A investigação sobre o esquema de corrupção envolvendo policiais da UPP dos morros da Coroa, do Fallet e do Fogueteiro, em Santa Teresa, obteve indícios de que integrantes do comando da unidade estariam recebendo em suas casas o "mensalão" do tráfico. No Inquérito Policial Militar (IPM), concluído na sexta-feira e que foi na tarde de terça-feira para a Auditoria de Justiça Militar do Ministério Público estadual, está o conteúdo de um mês de interceptações telefônicas do grupo suspeito. Nas escutas, o sargento Rinaldo do Desterro Santos, apontado como o articulador do pagamento da propina de traficantes a policiais, mantém conversas frequentes com o capitão Elton Costa Gomes e o tenente Rafael Medeiros, respectivamente, comandante e subcomandante da UPP que foram afastados.



De acordo com a promotora Isabella Pena Lucas, da Auditoria Militar, a investigação teve início há cerca de dois meses, a partir de informações do Serviço de Inteligência da PM sobre pagamentos feitos pelo tráfico para que PMs lotados na unidade não reprimissem a venda de drogas na região. Os valores chegariam a R$ 70 mil mensais.
Em 29 de julho, a pedido da Corregedoria da PM, a Justiça autorizou a interceptação de 11 telefones de PMs da UPP, entre eles, o do capitão Elton Gomes e o do tenente Rafael Menezes. Passados 15 dias, apenas três aparelhos do primeiro pedido de grampo continuaram a ser monitorados. Outros números de telefone foram incluídos nas investigações. A promotora disse que há indícios de que um emissário era encarregado de levar dinheiro da propina para os comandantes da UPP.


A conclusão do IPM mostra que o acerto com os traficantes previa mudanças na rotina do patrulhamento nas três comunidades. Para não atrapalhar a venda de drogas, os policiais que integravam o esquema ficavam em bases fixas, sem circular pelas comunidades, ou eram deslocados para pontos distantes das áreas de atuação dos traficantes, principalmente nas noites de sexta-feira, sábado e domingo. Essa articulação seria feita pelo sargento Rinaldo. Ele foi preso no último dia 6 deste mês, na companhia dos soldados Alexandre Pinela dos Santos e Gilmar de Freitas Macário, todos lotados à época na UPP.
O trio estava num veículo estacionado em frente ao Batalhão de Choque, no Estácio. No carro foram achados R$ 13,4 mil. Parte do valor, cerca de R$ 8 mil, estava numa bolsa de mercado embaixo do banco do carona. O restante do dinheiro, em envelopes, com nomes, que podem ser de policiais, e quantias que variavam de R$ 400 a R$ 2 mil.
É para ele ficar quieto, paradinho, na base
"Ingressos" e "convites", códigos da "caixinha"
Numa das interceptações telefônicas, o sargento Rinaldo avisa a um dos PMs:
- É para ele ficar quieto, paradinho, na base.
Nas escutas telefônicas do IPM, os policiais envolvidos no esquema usavam códigos para se referir à propina. Num diálogo, o sargento Rinaldo avisa a um interlocutor que está com os "ingressos" nas mãos. Há trechos em que os PMs falam em buscar "camisas" ou "convites".
Por meio da assessoria da PM, o comandante e o subcomandante afastados da UPP foram procurados, mas não retornaram as ligações do jornal.
Pontos vulneráveis estão na mira da polícia
O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do estado, coronel Robson Rodrigues da Silva, esteve na terça-feira no Fallet para ver como está a situação na localidade que, juntamente com os morros da Coroa e do Fogueteiro, está ocupada pelos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) por tempo indeterminado .
- Estou aqui para verificar os pontos de vulnerabilidade do local. A intenção é criar novos postos de segurança - explicou o comandante.

De acordo com o coronel, a UPP - que abrange os três morros de Santa Teresa - conta com um efetivo de 206 policiais. Desse total, 37 foram substituídos, mas o Comando das Unidades de Polícia Pacificadora afirma que a mudança como um todo não tem relação com as denúncias de corrução investigadas pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Ministério Público. Há substituições que visam melhorar a escala de trabalho dos policiais do interior que estão lotados no Rio

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/13/mensalao-do-trafico-chefes-de-upp-receberiam-propina-ate-em-casa-925352719.asp#ixzz1XvkuGfyR
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CORRUPÇÃO - Comandante e PMs de unidade são afastados #rio

Batalhão de Choque e Bope vão ficar por tempo indeterminado em três favelas de Santa Teresa; comandante e PMs de unidade são afastados

Publicada em 11/09/2011 às 23h33m
Pablo Rebello (pablo.rebello.personale@oglobo.com.br)
  
      Um carro do Batalhão de Choque no acesso ao Morro do Fogueteiro:  sábado passado, um policial foi ferido ao cruzar com dez bandidos armados no local  (Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo)

RIO - Pela primeira vez, a polícia intervém em favelas já pacificadas com suas tropas de elite, os batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque - que deverão ficar nas comunidades por tempo indeterminado - e afasta comandante, subcomandante e PMs de uma Unidade de Polícia Pacificadora. O alvo dessas medidas é a UPP inaugurada há apenas seis meses nos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa. O anúncio das mudanças foi feito no domingo pelo comandante-geral da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, e pelo chefe do Comando de Polícia Pacificadora, coronel Robson Rodrigues. A PM evitou usar a palavra "intervenção" e, por meio de sua assessoria, afirmou que as ações são "ajustes" e não representam um retrocesso no projeto de pacificação. O comandante e o subcomandante da UPP sob investigação são, respectivamente, o capitão Elton Costa e o tenente Rafael Medeiros.
A decisão foi tomada após ter vindo à tona uma investigação sobre o pagamento de propinas a 30 policiais da UPP, revelada pelo jornal "O Dia", para facilitar o tráfico de drogas na região. O esquema funcionaria como um mensalão estimado em cerca de R$ 53 mil mensais. Os traficantes fariam pagamentos fixos aos PMs de R$ 400 a R$ 2 mil. A Corregedoria de Inteligência da Polícia Militar, que investiga os policiais da unidade de Santa Teresa, teria informações de que os PMs que se recusavam a participar sofriam retaliação dos bandidos. Em junho, três PMs ficaram feridos numa explosão de granada - um deles perdeu uma perna - durante uma emboscada no Morro do Fallet.
Um outro incidente investigado foi a prisão de três PMs da UPP local com R$ 13 mil - em envelopes com nomes de policiais e valores entre R$ 100 e R$ 500 - na segunda-feira da semana passada, quando estavam de folga. A quantia foi achada por agentes da Corregedoria da Polícia Militar escondida no interior do veículo usado pelos PMs, num dos acessos ao Morro da Coroa. Um inquérito já havia sido instaurado na ocasião porque os PMs não explicaram a procedência do dinheiro. Agora, acredita-se que um sargento, que fazia parte do grupo, pode ser o operador da "caixinha" do tráfico. Escutas o teriam flagrado negociando valores para a retirada do policiamento de áreas onde há venda de drogas.
Policiais poderão ser expulsos
Segundo a reportagem, as investigações indicam que os valores da propina eram definidos de acordo com a patente de cada policial e sua influência na estruturação do policiamento. O levantamento do setor de inteligência da PM teria constatado que a repressão ao tráfico era afrouxada nos plantões dos policiais investigados. A estimativa é que 14,5% do efetivo de 206 policiais da UPP de Santa Teresa possam estar envolvidos no mensalão.
Em entrevista coletiva, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, e o chefe do Comando de Polícia Pacificadora, coronel Robson Rodrigues, não disseram se o comandante e o subcomandante da UPP também são suspeitos no caso de corrupção .
- Mesmo que não estejam envolvidos diretamente no esquema, é da conveniência que troquemos o comando daquela unidade - disse o coronel Robson.
Para o comandante Mário Sérgio Duarte é fundamental manter o sigilo das investigações neste momento:
- Precisamos manter o sigilo das investigações para que todos os policiais envolvidos sejam alcançados e levados a julgamento.
Precisamos manter o sigilo das investigações para que todos os policiais envolvidos sejam alcançados e levados a julgamento
O inquérito da PM que apura o caso deve ser concluído até o final desta semana. O comandante da PM afirmou que pretende adotar todas as medidas cabíveis para punir severamente os policiais corruptos, inclusive com a expulsão. Mas ele não revelou o número total de PMs que serão afastados. Os policiais suspeitos serão substituídos por outros trazidos do interior.
- Não nos interessa ter na corporação soldados que tomaram outro caminho. Essas pessoas devem ser afastadas para que sirvam de exemplo a outras - disse Mário Sérgio.
No sábado à noite, num confronto no Morro do Fogueteiro, um policial foi ferido no pescoço e no abdômen depois de cruzar, juntamente com outro PM, com um grupo de dez bandidos, todos armados, numa ronda de rotina . No domingo, a Secretaria de Segurança informou que o soldado Alexsandro Fávaro Rocha Coutinho, de 30 anos, poderá ficar tetraplégico. Formado na turma de 2009 com nota 8,6, ele estava nas ruas há apenas dois anos e meio. Apesar da gravidade da situação, o comandante Mário Sérgio afirmou que se trata de um caso isolado, que nada tem a ver com a realidade de outras 16 UPPs da cidade.
O clima era tenso no domingo nos morros da região, com cerca de 13 mil moradores. Pela manhã, o policiamento era reforçado com homens do Batalhão de Choque e do 4º BPM (São Cristóvão).
- Não há nada pacificado. Está tudo dominado ainda. A diferença é que os traficantes não usam mais fuzis, só pistolas. A gente continua com medo de andar nas ruas - disse uma moradora, que pediu para não ser identificada.

COLABORARAM: Andréa Machado e Paolla Serra.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UPP - Seguro de carro mais barato

UPPs fazem preços médios das apólices dos veículos caírem 15% após a virada do ano

POR AURÉLIO GIMENEZ
Rio - O preço médio dos seguros de automóveis no Estado do Rio ficou até 15,7% mais barato em janeiro deste ano. Segundo o Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio, algumas das regiões que observaram maiores quedas foram Madureira (-20,5%) e Copacabana (-13,5%), onde foram instaladas duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Nova Iguaçu e Niterói também apresentaram redução, em torno de 12%, no valor das apólices.
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Proprietário de um Peugeot, o arquiteto Francisco de Assis afirma que há “gordura” nos preços dos seguros | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
A queda, de acordo com o Clube dos Corretores do Rio, levou em conta o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que registrou no ano passado baixa de 12,57%, se comparado com 2009, para o item seguro de veículos em todo País. Em Nova Iguaçu, por exemplo, o preço médio de seguros de carros populares como Palio, Celta e Fiesta caiu de R$ 1.400, em 2009, para R$ 1.200, em dezembro de 2010, uma redução de 14%.

Um dos fatores para a diminuição no valor das apólices no Rio tem relação com quedas nos índices de roubos de veículos nessas regiões. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que a incidência desse crime caiu 16,3% na comparação entre novembro de 2010 e o mesmo período de 2009, no estado.

“A presença das UPPs tem sido importante para a redução dos crimes e isso se reflete na queda dos índices das apólices”, afirma o presidente do Clube dos Corretores, Amilcar Vianna.

'Valor pode cair mais', diz arquiteto

O arquiteto Francisco de Assis, 72 anos, comemora a redução nos índices das apólices de seguros. Proprietário de um modelo Peugeot 2005, ele diz que os preços poderiam baixar mais, já que a economia do País está aquecida.

“Há muita gordura nesse segmento, e a concorrência é grande. Então, é natural haver redução de preço, que poderia ser menor ainda”, comenta o arquiteto.

Já o comerciante Elder Augusto do Vale Maio, 47, diz não ver muita diferença nos preços, ano após ano. Segundo ele, há cinco anos que seu veículo circula pela cidade sem proteção. “Moro em Vila Isabel, bairro considerado perigoso pelas seguradoras, o que eleva o preço dos seguros. Acho os valores altos e, por isso, prefiro não pagar”, conta o comerciante. 

Perfil do motorista influi no preço

Presidente do Clube dos Corretores do Rio de Janeiro, Amilcar Vianna diz que vários fatores determinam o valor de seguro de automóveis: “Se a UPP está num bairro, e os bandidos fogem para outro, onde começa haver muitos assaltos, certamente quem mora nessa região pagará um preço maior pelo seguro”.

Idade do proprietário, sexo, estado civil, ano do veículo, local de residência e se tem ou não garagem também são itens que contribuem na formação do preço da apólice. 

“Nos Estados Unidos, há quem cobre por quilômetro rodado. Aqui, já fizeram estudos nesse sentido. Quem sabe, um dia, será mais barato deixar o carro em casa”, brinca Vianna.