Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sábado, 24 de abril de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Em Washington, Marina critica aproximação do Brasil com o Irã


   
ANDREA MURTA
de Washington

Em visita de três dias a Washington, a pré-candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, criticou a aproximação do Brasil com Irã e Cuba.
"Causa estranhamento a posição do governo brasileiro de receber [o presidente iraniano, Mahmoud] Ahmadinejad. O Irã tem preso politico, desrespeito os direitos humanos. Nem China nem Rússia andam recebendo o Irã tão bem."
Ela também afirmou que Irã e Cuba passaram a ser motivo de preocupação pela condescendência de Lula com seus regimes. "Não acho que Cuba só tem problemas, mas se somos amigos é preciso ver que defendemos a democracia".
A senadora disse ainda que o Brasil deveria assinar o protocolo adicional do tratado de não proliferação nuclear, que o governo Lula vem se recusando sistematicamente a fazer.

sábado, 3 de abril de 2010

INTERNACIONAL/IRÃ - Empresa iraniana comprou peças para enriquecer urânio, diz "Washington Post"


Colaboração para a Folha Online


Uma empresa iraniana ligada ao programa nuclear do país comprou equipamentos especiais para o enriquecimento de urânio, apesar de sanções que proíbem companhias e países de realizar transações deste tipo com o Irã, informa o jornal americano "The Washington Post" neste sábado.
A empresa comprou válvulas especiais e medidores de vácuo fabricados pela francesa KD Valves-Descote, que até dezembro pertencia ao conglomerado industrial americano Tyco International, diz o jornal.
O presidente da KD Valves, Jean-Pierre Richer, disse ao jornal que sua empresa não tem negócios com a China devido à natureza dos produtos que vende, enquanto um porta-voz da Tyco afirmou que a companhia revisou seus arquivos desde 2006 e não encontrou nenhuma venda para a Zheijiang ou para Talwar.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e agências de inteligências ocidentais estão investigando como essas peças chegaram até Teerã, segundo um diplomata em Viena, diz o "Washington Post".
Um e-mail de 14 de janeiro, que originou a investigação da AIEA, afirma que as válvulas chegaram ao Irã por meio de um intermediário representando uma companhia chinesa, diz o jornal.
No e-mail, o intermediário aparece como Vikas Kumar Talwar, que seria funcionário da empresa chinesa Zheijiang Ouhai Trade Corp., subsidiária do grupo Jinzhou, com sede em Wenzhou.
Pouco se sabe da empresa iraniana que supostamente obteve as válvulas, a Javedan Mehr Toos.
Integrantes de governos ocidentais afirmam que a empresa iraniana compra desde 2009 materiais nucleares para a Kalaye Electric Company, outra empresa do país envolvida na pesquisa e no desenvolvimento de centrífugas da Organização de Energia Atômica do Irã.
Aparentemente, a Javedan Mehr Toos tentou comprar ímãs de centrífugas, segundo as fontes.
A Kalaye Electric Company e a Organização de Energia Atômica do Irã foram sancionadas em dezembro de 2006 pela ONU por suas supostas atividades nucleares.
Uma fonte conhecedora da investigação da AIEA explicou que o Irã tentou por dez vezes nos dois últimos anos adquirir válvulas usadas no processo de enriquecimento de urânio. 'Alguns dos pedidos chegaram a seu destino, outros não', disse.
Investigadores americanos disseram que peças chegam com relativa frequência ao Irã por meio dos Emirados Árabes Unidos, China, Cingapura e Malásia.
Com Efe

 


 

quarta-feira, 31 de março de 2010

GOVERNO LULA - Cerco aos negócios com o Irã


EUA pedem respeito do Brasil se ONU aprovar sanções; Petrobras poderia ser retaliada
De Marília Martins:
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, reforçou ontem a disposição dos Estados Unidos de fechar ainda mais o cerco a empresas que tenham negócios diretos no Irã — ou mesmo que tenham recebido financiamento de bancos americanos.
Aumentando as pressões para garantir que o Conselho de Segurança da ONU aprove um novo pacote de sanções econômicas contra o governo de Teerã, Crowley afirmou que o governo Obama quer uma "conversa mais ampla" sobre a atuação empresarial no Irã.
Segundo Crowley, a Casa Branca está trabalhando em duas frentes: uma internacional, junto à ONU, e outra nacional, com congressistas americanos que debatem uma nova legislação para reforçar as sanções internas americanas a empresas que tenham negócios no Irã, sobretudo relacionados à Guarda Revolucionária:
— Queremos que as sanções sejam efetivas e focadas em instituições envolvidas com o programa nuclear iraniano, especialmente a Guarda Revolucionária.
O porta-voz disse ter tomado conhecimento da lista de empresas investigadas por congressistas americanos sob suspeita de terem negócios com o Irã e que, mesmo assim, obtiveram financiamento de bancos americanos.
Desta lista, segundo o jornal "The New York Times", faz parte a Petrobras, que teria recebido um montante de US$ 2,2 bilhões do Eximbank dos EUA e que, apesar de manter um escritório em Teerã, nega ter negócios com empresas locais.
— Não quero comentar a lista nominalmente. O assunto foi tema da visita da secretária Hillary Clinton ao Brasil, com o presidente Lula e o ministro (Celso) Amorim. Digo apenas duas coisas: estamos nos movendo para aprovar sanções na ONU e esperamos que o Brasil cumpra a resolução, caso aprovada — disse ele ao GLOBO.
Um dos maiores temores dos EUA é que, caso aprovadas as novas restrições, empresas de países como o Brasil possam driblá-las e manter transações comerciais com o país islâmico — que apesar de ser grande produtor de petróleo, não tem capacidade de refiná-lo, necessitando importar combustíveis para alimentar pelo menos 40% de seu consumo próprio.
Leia mais em O Globo

 


 

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lula diz que não é prudente "encostar o Irã na parede"

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que não é prudente "encostar o Irã na parede", mas sim investir no diálogo para resolver o impasse sobre o programa nuclear de Teerã.
As declarações foram feitas pouco antes de um encontro de Lula com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que busca o apoio do Brasil, que ocupa uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU, para impor sanções ao Irã por seu programa nuclear.
"O Brasil mantém sua posição. O Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã. O Brasil entende que é possível construir outro rumo. Eu já disse que para [o presidente americano Barack] Obama, [o líder francês Nicolas] Sarkozy, não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações", disse Lula a jornalistas.
"Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar", acrescentou o presidente.
Lula disse ainda que, por querer "uma conversa franca com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, é importante que "todos saibam" o teor da conversa que terão com o Irã. "Se há um país que pode dar lição ao mundo sobre comportamento de paz é o Brasil", afirmou.
O presidente voltou a defender o uso de energia nuclear para fins pacíficos. "Se o Irã tiver concordância com isso, o Irã terá o apoio do Brasil", afirmou Lula.
Sobre um possível pedido de apoio da secretária dos EUA em relação ao Irã, Lula disse que a questão deve ser tratada com o chanceler Celso Amorim.
"Primeiro, ela não deve pedir a mim, ela deve pedir ao Celso Amorim. Eu estou recebendo a secretária Hillary a pedido do companheiro Celso Amorim, mas as negociações que ela tem que fazer e os assuntos que ela tem que tratar são com o ministro Celso Amorim", disse.
Visita
Hoje no Congresso, Hillary pediu aos presidentes da Câmara e do Senado, Michel Temer (PMDB-SP) e José Sarney (PMDB-AP), ajuda do Brasil para evitar a proliferação mundial de armas nucleares. Na conversa, Temer defendeu o diálogo para a solução de conflitos internacionais em meio à disposição do governo norte-americano em convencer países latino-americanos a endurecer sanções contra o Irã.
A secretária vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para endurecer o tom com o Irã. Segundo Sarney, a secretária expressou o desejo de convencer países aliados a lutarem contra as armas nucleares.
O presidente da Câmara disse que transmitiu à secretária de Estado a "vocação" pacífica do povo brasileiro. "Ela registrou que era vocação do povo americano. Falou do Irã, mas saiu daqui com a convicção de que o Brasil tem essa capacidade de dialogar internacionalmente e ajudar na solução dos conflitos", afirmou.
Hillary defende que o governo brasileiro apoie o endurecimento das sanções contra o Irã, para tentar forçá-lo a manter o programa nuclear nos limite do uso pacífico. Na conversa com os parlamentares, segundo Sarney, a secretária disse que o governo iraniano tem como objetivo conquistar hegemonia em todo o Oriente Médio com o seu poder bélico.
com Reuters

segunda-feira, 1 de março de 2010

O que leva Lula a se aproximar do Irã

De Andrés Oppenheimer:

O importante apoio diplomático do Brasil ao regime cada vez mais isolado do Irã deixa atônita a comunidade internacional. Há várias teorias sobre o comportamento do Brasil, algumas bastante perturbadoras.
Nos últimos dias, quando a tradicionalmente cautelosa Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU finalmente concluiu que o Irã provavelmente vai desenvolver uma arma nuclear, e até a Rússia começou a se distanciar do Irã, o o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá seus planos de visitar o Irã em 15 de maio.
O Brasil, uma das potências ascendentes do mundo, dará, assim, uma legitimidade a um regime que, além de burlar as normas internacionais sobre energia nuclear, é considerado por boa parte do mundo um dos principais patrocinadores do terrorismo.
O Irã é conhecido também por ajudar grupos terroristas islâmicos como o Hezbollah, e promete publicamente varrer Israel da face da Terra.
Até o governo populista argentino, que normalmente se alinha com o Brasil em questões de política externa, diz que o Irã esteve por trás dos atentados terroristas do Hezbollah em Buenos Aires nos anos 90.
No fim do ano passado, Lula surpreendeu o mundo ao receber com tapete vermelho em Brasília o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O Brasil tornou-se, assim, um dos primeiros países não radicais a dar sua bênção a Ahmadinejad após as controvertidas eleições de 12 de junho de 2009.
Por que o Brasil está colocando em risco sua reputação de bom cidadão internacional fazendo isso? Entre as teorias mais disseminadas:
Presunção. Segundo essa escola de pensamento, o sucesso econômico do Brasil e a sabedoria convencional de que ele forma com a China e a Índia as potências emergentes do mundo, subiram à cabeça de Lula.
O brasileiro, que recentemente previu que o Brasil será a quinta maior economia mundial em dez anos, quer enviar uma mensagem de que seu país é um novo ator global que terá de ser levado a sério. E a teoria prossegue: o que poderia ser melhor para atrair a atenção mundial que ter um papel no conflito internacional do momento?
Devaneio diplomático. Lula, encorajado pelo status de celebridade em seu país e no exterior, pode estar levando a sério suas reiteradas ofertas de mediar a crise no Oriente Médio. Lula tem programada uma visita a Israel, aos territórios palestinos e à Jordânia dia 15.
Embora seja difícil de acreditar que Lula possa resolver alguma coisa no Oriente Médio - durante uma visita recente aos Emirados Árabes Unidos e a Israel, não encontrei uma única pessoa que me dissesse que Lula tem alguma chance de obter sucesso onde poderosos mediadores americanos, franceses e russos fracassaram - o presidente brasileiro pode honestamente pensar que conseguirá fazer história.
Ambições nucleares secretas. Lula está sendo cordial com o Irã porque o Brasil quer desenvolver armas nucleares, ou ao menos deixar essa opção em aberto após a vizinha Venezuela ter assinado vários acordos de cooperação nuclear com o Irã.
Com isso em mente, o Brasil pode querer que um outro país - neste caso o Irã - alargue os limites dos acordos nucleares mundiais existentes e crie um precedente.
Política doméstica. Lula está tentando apaziguar seus apoiadores esquerdistas do Partido dos Trabalhadores, a maioria dos quais é ferozmente antiamericana, projetando-se como um estadista vigorosamente independente, enquanto persegue suas políticas favoráveis à economia empresarial.
Minha opinião: é uma combinação da primeira teoria, presunção, com a segunda, devaneio diplomático. Mas não posso deixar de me perguntar se a presunção não conduzirá, mais cedo ou mais tarde, a mais ambições nucleares.
Por enquanto, as aberturas do governo brasileiro a Ahmadinejad estão sabotando esforços internacionais para pressionar o Irã a cumprir acordos da ONU e encorajando um regime repressivo nesse país.

Andrés Oppenheimer é analista político e colunista

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Irã diz que Brasil pode enriquecer seu urânio

deu no EStadão

Declaração de autoridade do programa nuclear iraniano surpreende Itamaraty, que atribui versão a 'distorção'


Gustavo Chacra, Nova York, Denise Chrispim, Brasília
"CONQUISTAS" - Ahmadinejad apresenta o sistema de propulsão Simorq para foguetes e satélites: Irã envia cápsula com animais para o espaço
O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu ontem o Brasil entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre seu possível uso militar, conforme proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU.

Salehi disse que a preferência para enriquecer o urânio iraniano seria por um país da Ásia (possivelmente o Japão), mas citou a França e o Brasil como opções. "Estamos negociando com esse países", disse Salehi à agência oficial Ilna.

A afirmação de Salehi causou surpresa em Brasília. "Em nenhuma das conversas mantidas pelo governo brasileiro com o Irã foi tratada a possibilidade de enriquecimento do minério iraniano no País", afirmou o chanceler Celso Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa. O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, também rejeitou a possibilidade de um convênio nesse sentindo, lembrando que a produção atual da INB ainda não é capaz de atender nem sequer a demanda brasileira (leia nesta página).

As declarações do chefe do programa nuclear iraniano ocorreram um dia depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, admitir pela primeira vez a possibilidade de enviar urânio com baixo nível de enriquecimento (a 3,5%) para ser enriquecido a 20% em outro país - uma das exigências da AIEA para aceitar o programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ter fins civis.

No Itamaraty, a versão de que o País poderia se envolver nesse esquema, como forma de permitir um acordo entre Teerã e o Ocidente, originou-se de distorções das declarações de Salehi.

De acordo com um diplomata que acompanha o tema, o governo brasileiro está disposto a atuar em outra frente - a da recuperação da confiança entre o Irã e o Ocidente. Com o objetivo de resgate da credibilidade, autoridades brasileiras puseram-se em estreito contato com os governos francês e americano e com outros países. Ontem, Amorim conversou por telefone com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Manouchehr Mottaki. Antes, havia telefonado ao chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Na terça-feira, Amorim havia afirmado, em Paris, que o Ocidente deveria insistir na discussão do acordo de troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com o Irã. No mesmo dia, Ahmadinejad mostrou-se disposto a aderir à proposta da AIEA.

O anúncio de Ahmadinejad, porém, foi recebido com ceticismo pelo sexteto - o grupo dos cinco países integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha. O motivo para a cautela é a constante mudança de posições do regime de Teerã. Inicialmente, em outubro, o Irã havia concordado com os termos da proposta do sexteto, feita em setembro, no que chegou a ser descrito como a primeira vitória diplomática do presidente dos EUA, Barack Obama. Mais tarde, em janeiro, os iranianos voltaram atrás.

Com Efe e Reuters