Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador balcão de negócios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador balcão de negócios. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de setembro de 2011

IRREGULARIDADE - Mesmo suspensa, ONG recebe verba de Lupi

Ministério liberou R$ 1,5 milhão do FAT para Instituto Nacional América 23 dias depois de sanção da CGU ter sido publicada no 'Diário Oficial'

Marta Salomon e Iuri Dantas

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Punido pela CGU por conta de irregularidade na suspensão de novos contratos com a União, o Instituto Nacional América recebeu R$ 1,5 milhão do Ministério do Trabalho para treinar trabalhadores para a Copa do Mundo de 2014. O pagamento foi liberado 23 dias depois de a sanção ter sido publicada no Diário Oficial da União.

Veja também:
Ministro defende nomeações de filiados
Ministério vira balcão de negócios do PDT
PPS pede investigação


Paulo Liebert/AE - 29.09.2011
Carlos Lupi liberou recursos para entidades


O dinheiro vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, nos termos do convênio, servirá para qualificar profissionais na área de turismo: a ONG gaúcha se comprometeu a treinar 3.622 trabalhadores em Porto Alegre e 19 municípios da região metropolitana, a um custo total para a União de cerca de R$ 3 milhões, dos quais a metade já foi liberada depois da sanção.

Procurado nesta segunda-feira, 26, pelo Estado, o presidente da entidade, Carlos Ernani Ranheiri Filho, informou que não tinha conhecimento da punição, aplicada a partir de investigações feitas pela Controladoria-Geral da União (CGU). “Vamos ter de verificar isso aí”, disse. O instituto começou em julho cursos para organizador de eventos, agente de viagens e recepcionistas.

O diretor de estágios do instituto, Mário Adalberto Pereira, explicou depois que “não havia visto” uma das cláusulas da licitação ganha para selecionar estagiários para o Ministério da Educação e que preferiu ser punido com a suspensão da participação em novas licitações a pagar multa por não conseguir cumprir o contrato. “Fica difícil arrumar quem queira ganhar R$ 300 ou R$ 400 pelo estágio”, disse.

Fiscalização
 De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), em casos de sanção como essa fica a critério do gestor manter ou não um convênio assinado previamente – mas a CGU continua fazendo o acompanhamento do projeto. 

 A avaliação depende do prejuízo causado com a interrupção, quando o convênio é mais antigo. No caso do convênio do Ministério do Trabalho com o Instituto Nacional América, os cursos sequer haviam começado. A CGU mandou ontem verificar a regularidade do pagamento.

O responsável pelo convênio no Ministério do Trabalho é o secretário de Políticas Públicas e Emprego, Carlo Simi, um dos 10 nomes do ministério que estão na executiva nacional do PDT.

FOnte Estadao http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,mesmo-suspensa-ong-recebe-verba-de-lupi,777907,0.htm

terça-feira, 13 de setembro de 2011

159 PMs de UPP negociam em site seus postos em favelas e pedem transferência para batalhões. Coronel diz que é NORMAL

Foto: Pablo Jacob / Arquivo Extra
Guilherme Amado e Marcelo Gomes - Jornal Extra
Um total de 159 policiais de UPPs — efetivo maior que o da pacificadora do Santa Marta ou do Salgueiro — anunciam em uma espécie de balcão de negócios na internet seus postos de trabalho, pedindo para serem transferidos para outras unidades da Polícia Militar. Alguns desses soldados afirmam querer ir para batalhões perto de casa. Outros querem deixar a vitrine da segurança pública do Rio por qualquer outra unidade da PM. Há também policiais que decidiram pedir transferência por não concordar com supostas atitudes erradas de seus comandantes.
 
Hospedado pelo site Co$Fiel de Apoio ao Policial, criado por um major da Polícia Militar, o site se propõe a servir de banco de dados de vagas, formalizando uma prática antiga dentro da polícia. O anúncio de policiais lotados em UPPs — e os motivos por eles expostos para deixar as pacificadoras — revela, porém, outras faces sobre o processo de pacificação, que $conta com cerca de 3.100 policiais militares.

A gratificação de R$ 500 e a escala de trabalho — às vezes mais vantajosa do que a dos batalhões — não são vistas como benefícios de se atuar em UPPs. Embora todos anunciem as gratificações para atrair colegas para as vagas, os próprios admitem que não se importam tanto em perder o dinheiro. O soldado $Alves Tavares Ferreira, hoje lotado na UPP do Morro dos Macacos, não tem aguentado a distância.
— É longe da minha casa. Moro em Realengo, pegar a Avenida Brasil de manhã é difícil. Prefiro o conforto e abro mão dos R$ 500 em troca dos R$ 350 que ganho nos batalhões — explica Rodrigo, referindo-se ao bônus (incerto) pelo cumprimento de metas.

Alguns policiais, como o soldado João Patrício da Costa Silva, hoje no afirmam preferir o trabalho tradicional dos batalhões. Hoje já transferido, João tinha entre suas possibilidades um leque amplo de batalhões, das zonas Norte ou Oeste. Queria era deixar a UPP do Andaraí.
— Era vontade de ir trabalhar na rua. Eu gosto do trabalho de rua — afirmou.

Há também policiais que não se adaptaram ao comandante e às peculiaridades da favela em que atuam. Hoje transferido para a UPP do São João, o soldado Rodrigo Machado de Souza não gostava de trabalhar na Cidade de Deus. Discordava de atitudes do ex-comandante, capitão José Luiz de Medeiros.
— No antigo comando (de Medeiros), o baile era liberado. Havia uso de drogas e funk de apologia ao crime. As viaturas eram baseadas em locais sem ocorrências e, nos lugares onde avisávamos que tinha tráfico, ficava sem carro nenhum — afirma Rodrigo.

Coronel diz que permuta é normal
O Comando de Polícia Pacificadora (CPP) defendeu Medeiros.
"Os bailes eram autorizados com parâmetros pré-determinados. Quanto às viaturas, a ação baseava-se na mancha criminal, para reduzir a criminalidade", disse o CPP em nota.
Sobre o site de permutas citado na reportagem, o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, acha que a iniciativa retrata uma prática interna.
— A iniciativa só não é oficial porque o contato para permuta sempre foi informal.
— Há policiais que desejam ganhar a gratificação das UPPs, além de terem experiência de policiamento comunitário. Outros querem ficar perto de casa.

Uma pesquisa feita no fim de 2010 pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) com 359 policiais de UPPs revelou que 70% dos entrevistados preferiam ser transferidos para batalhões.
— Chama a atenção é que recebem uma gratificação para atuar em UPPs e mesmo assim querem sair — disse a socióloga Julita Lemgruber, coordenadora do Cesec.