Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sábado, 24 de abril de 2010

DENÚNCIA - Deputado denuncia ao MP degradação de prédio recém-construído do IML


   
Agência Brasil


RIO - O deputado estadual Alessandro Molon (PT) denunciou ao Ministério Público (MP) as más condições do novo prédio do Instituto Médico Legal (IML) do Rio, inaugurado em outubro do ano passado, na zona portuária. O parlamentar inspecionou o imóvel na semana passada e constatou a degradação da estrutura.
“É uma situação inaceitável, um prédio que custou R$ 32 milhões, entregue há pouco mais de seis meses, já com uma série de problemas de infiltrações, paredes rachadas, luminárias caindo, uma vergonha”, disse Molon.
Ele entrou com pedido no MP para abertura de investigação sobre as razões da degradação do imóvel. “Por que razão um prédio que custou tão caro já está caindo aos pedaços? Provavelmente, o material usado na obra foi de péssima qualidade, o que resultou nos prejuízos sofridos pelos cofres públicos”, apontou o deputado.
As denúncias foram confirmadas pelo presidente da Associação de Medicina Legal do Rio de Janeiro, Abrão Lincoln de Oliveira. “O novo prédio possui falhas na estrutura, com infiltrações e descolamento do teto. Os problemas se acentuaram com essas últimas chuvas”, relatou. Segundo ele, faltam reagentes químicos e aparelho de raio-X para exames balísticos, o que compromete o trabalho de perícia. “Isso é o mais grave, porque prejudica a elucidação dos crimes. Não se consegue chegar a um diagnóstico final e vão se acumulando os casos sem solução”, criticou Lincoln.
A Polícia Civil foi procurada, por telefone e e-mail, mas a assessoria de imprensa disse não ter encontrado ninguém para falar sobre o assunto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

RIO DE JANEIRO/VANDALISMO - SuperVia vai registrar queixa contra responsáveis por vandalismo



O quebra-quebra aconteceu às 7h de ontem (25), depois que dois trens enguiçaram e a plataforma ficou lotada. Segundo a SuperVia, cerca de duas mil pessoas estavam na estação.

 


 

Todos os ramais de trens funcionam normalmente na manhã desta sexta-feira (26). No de Saracuruna, onde houve confusão ontem, o intervalo é de 30 minutos e, no ramal de Gramacho, o intervalo é de dez minutos, por volta das 6h30.

A SuperVia informou que vai registrar queixa na delegacia, hoje, contra os passageiros que participaram de atos de vandalismo ontem na estação de Saracuruna. Veja em vídeo os depoimentos de passageiros.

Passageiros chegaram a colocar fogo em um dos vagões, como mostram imagens feitas pela câmera de um telefone celular. A estação ficou com muita fumaça. A bilheteria foi invadida e teve o teto destruído. No meio da confusão, um homem levou um ventilador. O cenário era de destruição. Placas de sinalização derrubadas, janelas e lâmpadas arrancadas, cadeiras nos trilhos, documentos da SuperVia espalhados por toda parte.

À tarde, representantes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) fizeram uma vistoria na estação. “Nós entendemos que, se a manutenção fosse bem feita, não poderia ter acontecido o que aconteceu hoje na estação”, disse o vice-presidente do Crea, Luiz Antônio Cosenza.

“Nós temos uma pontualidade de 90%, transportando 500 mil passageiros por dia. Então, existem sim atrasos, a gente pede desculpas aos passageiros, um pouco mais de passageiros. A frota está em processo de renovação. Já foram adquiridos 30 novos trens que vão começar a chegar a partir 2011. A gente está melhorando gradativamente. Esses 90% ainda não é o edial que a gente gostaria, mas é o malhor índice que a ferrovia já atingiu”, disse o diretor de marketing da SuperVia, José Carlos Leitão.

Segundo a Polícia Militar, um homem foi preso durante o tumulto, quando tentava roubar dinheiro da bilheteria. A SuperVia informou que ainda está avaliando o tamanho do prejuízo.

O deputado estadual Alessandro Molon, autor do relatório da CPI da SuperVia, participou da vistoria e disse que uma das composições estava fora do nível da plataforma. Segundo Molon, as pessoas reclamaram de superlotação, intervalos irregulares e atrasos. Ele deve entregar um relatório, hoje de manhã, ao Ministério Público estadual e quer a cobrança imediata de uma multa de R$ 100 mil por dia, pela má qualidade do serviço da SuperVia.

O Bom Dia ouviu um dos diretores da SuperVia na reportagem. Mas as críticas do deputado Alessandro Molon à SuperVia foram feitas depois. Mesmo assim, o jornal tentou falar novamente com um representante da empresa para falar sobre o assunto, mas ele não foi encontrado. 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A CPI do PT do Rio perdeu o ônibus - Elio Gaspari

O DEPUTADO Alessandro Molon (PT-RJ) está coletando assinaturas para instalar uma CPI destinada a abrir a caixa-preta da Agetransp, a agência reguladora dos serviços do Metrô, dos trens da SuperVia e das barcas do Rio de Janeiro. Grande ideia, mas ficou faltando interesse pela mãe de todas as caixas, a das companhias de ônibus municipais. Em geral, as CPIs dão em nada, quando não resultam em coisa pior, mas nem isso a bancada do governador Sérgio Cabral aceita. Seu anjo de guarda, o deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, anuncia que vetará a iniciativa.
O Metrô do Rio tem transportecas arrogantes que mexem nos ramais sem se preocupar com o suplício que impõem aos clientes. A SuperVia tem trem que sai por aí sem maquinista e seguranças que chicoteiam os passageiros. As companhias de ônibus têm mais: cultivam um política extorsiva de tarifas e, com a cumplicidade dos prefeitos, bloqueiam a implantação do Bilhete Único, prometido por Cabral em 2007 e pelo seu prefeito, Eduardo Paes, em 2008, quando pedia votos.
Governadores, prefeitos, amigo$ e caixa$ de campanhas colocaram o Rio numa situação socialmente humilhante. Até 2004, quando a prefeita Marta Suplicy instituiu o Bilhete Único em São Paulo, as duas cidades estavam num mesmo patamar de desgraça no transporte público. Hoje, 50% dos paulistanos avaliam que os serviços de ônibus e de trens estão entre bom e ótimo. O Metrô vai a 82%. No Rio, esse índice de satisfação talvez não seja atingido nem entre os diretores das concessionárias.
O vexame não é consequência da herança escravocrata, do patrimonialismo ibérico ou da mudança da capital para Brasília. É obra de governos demófobos. Quem fez a diferença em São Paulo foram administradores petistas e tucanos que decidiram tirar o transporte público da vala.
Basta comparar a situação nas duas cidades.
O paulistano paga R$ 2,70 pelo seu Bilhete Único, tem direito a quatro viagens de ônibus num intervalo de três horas. O novo bilhete intermunicipal do Rio custa R$ 4,40, com direito a duas viagens de ônibus, trem ou metrô, por duas horas.
O Bilhete Único de São Paulo atende a todo o município e é usado em 12 milhões de viagens/dia. No Rio essa tarifa só existe para percursos intermunicipais. Estima-se que venha a atender 1,5 milhão de viagens/dia.
Desde ontem, com a nova tarifa municipal de R$ 2,35, um trabalhador que toma dois ônibus para chegar ao trabalho, mais outros dois na volta para casa (ao longo de 25 dias), gasta R$ 235. O de São Paulo gasta R$ 135. Com a diferença de R$ 100, tem direito a sete refeições de R$ 13,75 no carro-chefe do Mc Donald's (BigMac, batatas fritas na porção média, e um refrigerante médio). Para ele, almoço grátis existe.
(Na comparação com o bilhete intermunicipal do Rio, a diferença cai para seis refeições.)
O sistema de transportes públicos do Rio fez uma opção preferencial pela tunga dos passageiros dos ônibus. Antes da criação do bilhete intermunicipal de R$ 4,40, o cidadão que fazia duas viagens sobre trilhos pagava, e continuará pagando, R$ 3,80. Noutra modalidade de integração, passageiros de quatro cidades da Baixada Fluminense pagam R$ 4,00 pelo percurso ônibus-metrô. Os dois sistemas, privados e lucrativos, atendem cerca de 20 mil passageiros/dia.
A política de tarifas dos ônibus, do Metrô e dos trens do Rio é paleolítica. Nenhum concessionário dá desconto de fidelidade aos usuários. Em São Paulo a passagem de Metrô custa R$ 2,65. Se o cliente compra 50, fica por R$ 2,33. (Sobram R$ 16 para o McDonald's.) O Metrô do Rio prometeu esse tipo de desconto e quem acreditou fez papel de paspalho (inclusive o signatário). A Fetranspor carioca, que administra os altos interesses das empresas de ônibus, criou um RioCard, prometeu o programa de descontos e bobo foi quem acreditou (inclusive, de novo, o signatário).

FOLHA DE SÃO PAULO - ELIO GASPARI