Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 3 de abril de 2012

OPERAÇÃO TELHADO DE VIDRO - MPF consegue liminar que suspende liberação de bens suspeitos em Campos

MPF consegue liminar que suspende liberação dos bens de acusados da operação Telhado de Vidro . TRF entendeu que desbloqueio de bens prejudicaria o ressarcimento dos cofres públicos

Após recurso do Ministério Público Federal (MPF) em Campos (RJ), o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª região concedeu liminar suspendendo a decisão da 1ª Vara Federal de liberar os bens de alguns dos réus envolvidos na operação Telhado de Vidro, realizada em 2008. A desembargadora Nizete Antônia Lobato Rodrigues Carmo acolheu os argumentos do MPF de que a liberação de diversos bens de alto valor e fácil disposição – como veículos, joias e dinheiro – tornaria remota a possibilidade de sua recuperação e do ressarcimento dos cofres públicos. 

A operação Telhado de Vidro desmantelou um esquema criminoso no primeiro escalão da prefeitura de Campos, no qual cerca de R$ 240 milhões em verbas públicas foram desviados por meio de contratos superfaturados. O bloqueio dos bens de 21 pessoas envolvidas no esquema foi deferido pela justiça em medida cautelar preparatória da ação de improbidade administrativa. 

Em sua decisão de manter o bloqueio dos bens, o TRF 2ª região entendeu que o juiz da 1ª Vara Federal de Campos - ao declinar competência para processar e julgar o caso em favor da Justiça Estadual - não poderia ter deliberado sobre a restituição dos bens apreendidos, devendo ainda ter ouvido o MPF. Para o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, constam nos autos elementos suficientes para afirmar a legitimidade do MPF na ação. 

"A decisão do TRF salvaguarda uma operação que, além de bem sucedida, significou um marco na luta contra a corrupção" - disse o procurador. 

Entenda o caso: Em 2008, o MPF pediu a prisão temporária de 21 pessoas investigadas por operarem um esquema de desvio de verbas do Ministério da Saúde repassadas ao município de Campos de Goytacazes. Empresários ligados à administração pública do município utilizavam “laranjas” para disputar licitações viciadas e assim firmarem contratos milionários.

O MPF conseguira à época o afastamento do prefeito Alexandre Marcos Mocaiber Cardoso, do secretário geral de obras, José Luis Maciel Púglia, do secretário de desenvolvimento Edilson de Oliveira Quintanilha, do secretário de fazenda Carlos Edmundo Ribeiro Oliveira, e do procurador-geral do município, Alex Pereira Campos. O afastamento dos agentes públicos, bem como o bloqueio dos bens das 21 pessoas envolvidas e a busca e apreensão na prefeitura e na residência do prefeito foram deferidas pela 1ª Vara Federal de Campos. 

Fonte MPF

sábado, 10 de março de 2012

MÁFIA DA MERENDA PAULISTA - Promotoria denuncia 35 acusados de envolvimento

Entre os acusados, estão empresários e o secretário de Saúde de SP, Januário Montone

Marcelo Godoy e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou nesta sexta-feira, 9, 35 acusados de envolvimento na chamada máfia da merenda, como é conhecido o grupo de empresas que teria formado um cartel e uma quadrilha para fraudar licitações para o fornecimento de merenda escolar. O grupo ainda é acusado de corromper políticos e funcionários públicos, além de lavar o dinheiro da organização criminosa.



Jonne Roriz/AE
Secretário de Saúde de SP é acusado de receber R$ 600 mil de propina

Entre os acusados estão os empresários Eloízo Afonso Gomes Durães e Geraldo João Coan e o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Januário Montone. Todos negam as acusações. Incluído entre os acusados por causa de sua atuação quando era secretário de Gestão (governos Serra e Kassab), Montone é acusado de receber R$ 600 mil de propina do cartel da merenda.
Durante as investigações, ele teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça depois da apreensão de memorandos internos da empresa SP Alimentação - a maior do ramo, de propriedade de Durães. Neles, segundo os promotores do Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), havia a indicação de dois pagamentos em agosto de 2007 de R$ 50 mil a Montone. Só em 2007, ele teria recebido R$ 600 mil.

Os supostos pagamentos de propinas para a Prefeitura de São Paulo efetuados pela máfia da merenda teriam começado em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy (PT). De agosto de 2003 a fevereiro de 2004, documentos apreendidos pelo Gedec mostram que foram pagos R$ 1,2 milhão de propinas para corruptos que trabalhavam na Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo. Na primeira quinzena de 2004, foram pagos R$ 242 mil em propinas.

Fraudes. O esquema, segundo a denúncia, começou a ser articulado pelas empresas do setor, que formaram um cartel para impedir a concorrência no mercado. Por meio de lobistas, convenciam candidatos a prefeito e prefeitos a terceirizar o fornecimento de merenda escolar para as escolas. Em vez de garantir eficiência e um custo menor, a medida significava um aumento médio de 30% dos valores gastos pelos municípios com a merenda, pois o cartel impedia a concorrência.

O aumento dos gastos não se devia, de acordo com a acusação, a uma melhoria na qualidade dos alimentos. Pelo contrário: uma das formas de a máfia da merenda ganhar dinheiro era justamente o fornecimento de alimentos de péssima qualidade para as crianças. As empresa ainda superfaturavam o número de refeições fornecidas ou deixavam de entregar o que era devido para aumentar seus lucros. Era por meio dessas fraudes que os acusados arrumariam o dinheiro para pagar as propinas em 57 cidades de 9 Estados. Além de São Paulo, os promotores citam na denúncia pagamentos de propina para outros 22 municípios do Estado.

O dinheiro saía das empresas da merenda por meio da compra de notas fiscais frias de empresas fantasmas. Parte dele era depositado em contas bancárias de laranjas e das empresas fantasmas - no endereço de uma delas funcionava uma igreja evangélica em Indaiatuba (SP).
Fonte Estadao

    

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

NOVO MINISTRO - Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o Aguinaldinho, tem rádios em nome de laranjas

Por BRENO COSTA

O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem posse marcada para hoje como novo ministro das Cidades, é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba registradas em nome de seu ex-contador e de um assessor pessoal.
Eles são titulares da empresa AE Comunicações, que controla a emissora e tem sede no escritório de Ribeiro.

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Na sexta-feira, após a confirmação de seu nome como novo ministro, a rádio dedicou duas horas de homenagem a "Aguinaldinho", como era chamado pelos locutores. "Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!", afirmou o apresentador.

A Folha já havia revelado ontem que o ministro omitiu ser dono de quatro empresas em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2010, quando se elegeu deputado federal.
O OUTRO LADOProcurado, o novo ministro não respondeu às ligações da reportagem

Fonte Folha

sábado, 21 de janeiro de 2012

VENDA DE EMENDAS - Ministério Público diz que foram usados laranjas

Ex-vereador Fabrício Marcolino foi apontado pelas apurações como pivô da fraude denunciada pelo deputado Roque Barbieri na Assembleia Legislativa de São Paulo
Chico Siqueira, especial para O Estado de S.Paulo
ARAÇATUBA - Apontado como operador de um suposto esquema de vendas de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo, o ex-vereador de Nhandeara e ex-presidente do PTN de São José do Rio Preto, Fabrício Menezes Marcolino, usou três empresas para fraudar licitações e receber verbas provenientes de indicações parlamentares, concluiu o Ministério Público Estadual. Marcolino foi acusado de atuar como lobista de emendas entre o ex-deputado José Antônio Bruno (DEM), o Zé Bruno, e prefeitos do interior.
Promotoria investigou fraudes em emendas do ex-deputado José Bruno - Divulgação
Divulgação
Promotoria investigou fraudes em emendas do ex-deputado José Bruno
Segundo as investigações, pelo menos três obras - nos municípios de Floreal, Nhandeara e Nova Aliança -, realizadas nos anos de 2009 e 2010 por empresas ligadas ao ex-vereador, foram bancadas com recursos de emendas parlamentares.
Em Floreal e Nhandeara, o MP constatou a existência de fraudes. Em depoimento, diretores da ONG Sociedade de Proteção da Criança e do Adolescente (Soprocan) disseram que Marcolino se ofereceu para conseguir a liberação de verbas para obras de um ginásio construído em Nhandeara.
"A reforma do piso foi feita pela empresa Mário Morales Navarro Construtora, por R$ 100 mil; e a cobertura, pela FMM Construtora, também por R$ 100 mil", disse o promotor Evandro Ornelas Leal.
De acordo com o MP, a FMM está em nome de um filho de Marcolino, de apenas dois anos de idade, e tem como endereço a residência do engenheiro José Luís Andreossi, sócio do ex-vereador na Andreossi Construções e Empreendimentos Ltda.
Segundo as investigações do Minístério Público, outra construtora foi registrada no nome de um funcionário de Andreossi, o lavrador Mário Morales Navarro. A obra da FMM foi bancada por recursos de emenda apresentada por Zé Bruno em 2010. A outra, por verbas repassadas diretamente pelo governo do Estado de São Paulo.
Em 2009, a Navarro Construtora foi responsável pela obra de construção de um galpão em Nova Aliança, que também foi realizada com recursos de uma emenda de Zé Bruno, essa no valor de R$ 140 mil. 


        

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

TRÁFICO NO PAC - Ao menos 12 imóveis foram tomados por bandidos

Delegacia de Combate às Drogas fará ações de inteligência para identificar ‘laranjas’ usados por criminosos. Unidade de Bonsucesso vem ouvindo moradores há dois meses


POR PÂMELA OLIVEIRA

Rio - A Delegacia de Combate às Drogas (Decod) está dando prioridade à investigação sobre a atuação de traficantes de drogas em apartamento do PAC em Manguinhos. Conforme O DIA mostrou com exclusividade domingo, pelo menos 12 imóveis daquela comunidade foram tomados por bandidos, que expulsaram os moradores. A especializada quer identificar quem são os moradores de bem e quem são os ‘laranjas’ dos criminosos.
“Essa investigação é uma prioridade. O PAC é um programa que recupera a cidadania, a dignidade da população mais pobre que recebe um dos bens mais preciosos de que uma família precisa: uma moradia. Não se pode tomar com normalidade a convivência com o tráfico”, afirmou a delegada titular da Decod, Valéria de Aragão Sádio.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Alemão: ministro das Cidades, Mário Negromonte, Cabral e o vice, Pezão (de terno), em um dos novos imóveis | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Como mostrou O DIA, traficantes do bando do traficante Marcelo Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, chegaram a ganhar imóveis após ameaçar recenseadores para serem incluídos na lista de beneficiários do PAC. Em alguns blocos, os criminosos instalaram grades nos corredores, segundo moradores para impedir acesso de desconhecidos.
Valéria afirma que as ações da especializada são de inteligência. “Temos que saber quem é o morador, quem são os que estão envolvidos com o tráfico e quem se submete por medo, pelo fato de o estado ainda não estar presente com a pacificação. A gente tem que agir com muita cautela porque há muitos inocentes ali. Você pode prender o maior traficante, mas se morre uma pessoa na operação, é um fracasso”.
O delegado titular da 21ª DP (Bonsucesso), Aguinaldo Ribeiro da Silva, investiga a atuação de traficantes nos apartamentos do PAC de Manguinhos há dois meses. Moradores já foram ouvidos.

Outro programa é alvo do crime
Os apartamentos do PAC não são os únicos imóveis que estão na mira de traficantes. Os bandidos já orientam famílias a ocupar terreno onde serão erguidos 700 apartamentos do ‘Minha Casa, Minha Vida’, segundo o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar.
Em maio do ano passado, policiais militares e federais desocuparam 143 apartamentos do mesmo programa em Cosmos e Campo Grande. De acordo com o secretário, as unidades ocupadas irregularmente eram controladas pela milícia, que teria cobrado dos moradores para poderem ficar com os apartamentos

   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SUCO DE LARANJA SUSPENSO - EUA suspendem importação de suco de laranja

Americanos alegam presença de fungicida proibido no suco de laranja brasileiro
 
O Estado de S. Paulo
 
NOVA YORK - O governo dos Estados Unidos suspendeu ontem as importações de suco de laranja do Brasil e outros países por conta da presença de um fungicida na bebida que é proibido no mercado americano. A suspensão foi decidida pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), segundo informações da agência de notícias ‘Bloomberg’.
O governo brasileiro foi pego de surpresa pela notícia, mas o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, prometeu que vai mostrar que a situação do suco exportado é regular. "O que os Estados Unidos dizem da laranja, os russos dizem da carne", argumentou. Ao embargarem a compra de carnes brasileiras em junho do ano passado, os russos alegaram que o produto brasileiro não apresentava todas as especificações necessárias para entrar naquele país.
Além de vetar a entrada do suco, o órgão americano planeja destruir ou proibir a comercialização do produto que já foi importado se testes encontrarem qualquer nível do fungicida carbendazim, que é usado em pomares brasileiros e europeus, mas proibido nos Estados Unidos. Os resultados dos testes feitos em cargas que já se encontram em portos americanos devem sair ainda nesta semana.
Risco. Traços do fungicida, que estudos relacionam ao aumento do risco de tumores no fígado em animais, foram encontrados em suco de laranja produzido no Brasil e exportado aos EUA. Os americanos compram 15% de todo o suco brasileiro, maior produtor mundial da bebida. Em termos de valor, os EUA absorvem US$ 300 milhões dos US$ 2 bilhões que o Brasil exporta anualmente da bebida.
De acordo com a Bloomberg, o governo dos EUA também vai testar o suco que já foi colocado à venda. Isso porque o produto comercializado no mercado americano contém, geralmente, uma mistura de suco importado com o produzido domesticamente, explicou Siobhan DeLancey, porta-voz da FDA.
Se traços do fungicida forem encontrados, a agência vai informar o público e "tomará as medidas necessárias para assegurar que o produto seja removido do mercado", garantiu a porta-voz.
Sem aviso. Até o início da noite de ontem, o governo brasileiro não havia sido notificado oficialmente por Washington sobre a suspensão das importações. O Ministério da Agricultura fez questão de esclarecer, em nota divulgada à imprensa, que o carbendazim é registrado para uso em lavouras de citros - laranja, limão, lima, tangeria, entre outros - há 21 anos.
O fungicida, utilizado em várias culturas agrícolas, é usado na citricultura para combater a "pinta-preta", um tipo de fungo comum em pomares de laranja.
A quantidade de fungicida autorizada pelo Ministério da Agricultura para produtos destinados à exportação segue o limite estabelecido pelo Codex Alimentarius, programa conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que normatiza regras que garantem a segurança dos alimentos em todo o mundo. O Codex estabelece o limite de 1 miligrama de fungicida por quilo de citros, o que equivale a mil partes por bilhão.
Indústria. A indústria do suco de laranja brasileira também não havia sido informada sobre a decisão. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) foi procurada pela reportagem do Estado, mas não se pronunciou. Anteontem, o presidente da associação, Christian Lohbauer, já havia admitido a possibilidade dos EUA vetarem a entrada do suco brasileiro.

COLABORARAM CÉLIA FROUFE, DE BRASÍLIA, E GUSTAVO PORTO, DE RIBEIRÃO PRETO 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

TESTA DE FERRO - Rádio de PHC, filho de FHC vai ser investigada

Ministério das Comunicações suspeita que a Rádio Disney tenha mais de 30% de participação de capital estrangeiro, uma irregularidade segundo a legislação brasileira.
O filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso(foto no ano 2000), Paulo Henrique Cardoso, o PHC, seria testa de ferro do grupo americano Walt Disney Company para burlar a legislação brasileira de meios de comunicação, segundo reportagem da revista IstoÉ. 

O cientista social, que abandonou a área e se transformou em empresário, aparece perante às autoridades reguladoras do setor como dono da Rádio Holding Participações Ltda, empresa que controla 71% da Rádio Itapeva FM, ou Rádio Disney (91,3 Mhz). O restante das  ações (29%) pertence a The Walt Disney Company (Brasil) Ltda. 

A proporção está dentro da lei que permite a empresas estrangeiras controlar apenas 30% do capital de veículos de comunicação no Brasil. O Ministério das Comunicações abriu, contudo, um processo administrativo para averiguar se a Itapema cumpre de fato a regra e a Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica pediu investigação ao Ministério Público Federal.

A IstoÉ aponta que documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) de 17 de novembro trazem como sócio majoritário da Rádio Holding a ABC Venture Corp e não PHC. A empresa, registrada na Califórnia, EUA, é subsidiária de um dos braços da Walt Disney Company, e, neste caso, controladora de ambas as rádios.

Pelos documentos, a WDC detinha 98,6% da Rádio Holding e PHC menos de 2% das ações. Porém, na ficha cadastral simplificada da Junta, solicitada online por CartaCapital nesta segunda-feira 21 de novembro, a porcentagem majoritária citada acima pertence ao filho do ex-presidente.

As partes citadas na reportagem negam as irregularidades e disponibilizaram à revista documentos de fevereiro de 2010, com PHC como sócio majoritário. Os sócios também informam que a compra foi autorizada pela portaria 100, de 11 de março de 2010 pelo Ministério da Comunicação e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 16 de março do mesmo ano.

No entanto, a ABC Venture e PHC concederam procurações a dois executivos estrangeiros da WDC, que os permite depositar e sacar fundos, emitir e endossar cheques e solicitar créditos em conta corrente, por exemplo. Uma tática supostamente para a empresa estrangeira comandar a emissora dentro da legislação.


Fonte Correio do Brasil / Carta Capital http://correiodobrasil.com.br/radio-de-filho-de-fhc-vai-ser-investigada/331250/

domingo, 27 de março de 2011

CONCESSÕES - Donos usam laranjas em licitações de rádios e TVs

Levantamento feito pela repórter especial da Folha no Rio Elvira Lobato mostra que empresas abertas em nomes de outras pessoas (laranjas) são frequentemente usadas por especuladores, igrejas e políticos para comprar concessões de rádio e TV em licitações do governo federal.

Entre os "proprietários" há funcionários públicos, donas de casa e enfermeiro, pessoas com renda incompatível com os negócios. A reportagem analisou casos de 91 empresas; 44 não funcionam nos endereços registrados. De 1997 a 2010, o Ministério das Comunicações ofereceu 1.872 concessões de rádio e 109 de TV.

O Ministério das Counicações diz não ter como identificar se os nomes nos contratos são de laranjas. Afirma também que não pode contestar a veracidade de documentos emitidos por cartórios e juntas comerciais.

sábado, 20 de março de 2010

DENÚNCIA - Empresa com histórico de golpes contra o Estado foi contratada pelo Ministério do Trabalho

CGU a proibiu de prestar serviços ao governo

Alana Rizzo
Thiago Herdy


Publicação: 21/03/2010 07:00



O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contratou para o atendimento no call center uma empresa que aplicava diversos golpes contra a administração pública. Recentemente, a Higiterc — Higienização e Terceirização Ltda. foi declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU). Um processo administrativo apurou o envolvimento de laranjas (1) nos contratos de mão de obra terceirizada. A sanção foi publicada no fim de fevereiro deste ano. A empresa está proibida de prestar serviços para o governo federal nos próximos cinco anos. Em 1º de março, o MTE firmou um contrato emergencial com a Apecê até que uma nova licitação seja realizada.

O contrato nº 36/2009, no valor de R$ 1,89 milhão, foi celebrado em 6 de novembro para a “prestação de serviços de atendimento receptivo” e deveria durar até 5 de novembro deste ano. A empresa, no entanto, pediu a rescisão amigável depois que uma decisão da Justiça do Trabalho penhorou capital e recebimentos da empresa. Na sentença, o juiz considerou a Higiterc sucessora de outra empresa. Uma liminar determinou que os valores sejam usados pelo ministério para o pagamento dos funcionários terceirizados. Os empregados denunciam, entre outras coisas, que estão com salários atrasados e ainda não receberam os acertos referentes à rescisão contratual.

Sem rastro
A Higiterc Higienização e Terceirização Ltda. funcionava em três salas de um prédio comercial na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Entretanto, segundo o porteiro, há cerca de 20 dias os responsáveis desocuparam os imóveis, sem deixar qualquer rastro, como novo endereço ou telefone para contato. A orientação dada pelos antigos inquilinos ao porteiro é não aceitar correspondências levadas por funcionários dos Correios e informar que a empresa não existe mais.

A Higiterc tem cadastro ativo como fornecedora do governo de Minas Gerais válido até setembro deste ano. O site da empresa, informado no cadastro, não existe. O nome citado como responsável pelas informações repassadas ao setor de compras do governo de Minas é de Ricardo Silva Franco de Albuquerque, de 31 anos. Ele também é mencionado como um dos representantes legais da empresa. Até meados do ano passado, vivia em uma casa simples, de tijolo e teto de amianto, construída nos fundos de um terreno em um bairro de classe média baixa de Belo Horizonte. Segundo a família, ele mudou-se e não informou o novo endereço ou telefone.

1 - No lugar de outra
O termo laranja costumeiramente designa uma pessoa que assume ou é forçada a assumir a culpa no lugar da verdadeira responsável pela ação. No jargão policial, simboliza quem acoberta crimes como tráfico, homicídio, violência sexual, roubo e outros. No universo político, refere-se a pessoas ou a empresas que cumprem o papel de “fachada” para que outras cometam irregularidades e ilicitudes.

Como um órgão fiscalizador contrata uma empresa enrolada como essa, que já tinha tido problemas com outros órgãos da administração pública?”
Lula Torres, diretor do Sinttel

Sempre viajando

“O Ricardo passa a maior parte do tempo viajando, seja para Brasília ou para cidades do interior de Minas Gerais. Ele não fala nada do que se refere ao trabalho dele com a gente”, afirmou uma mulher que se apresentou como irmã mais velha de Ricardo Silva, mas que não quis dizer o nome. Segundo ela, desde quando se mudou, o irmão aparece de vez em quando na casa, apenas para visitar a mãe e os amigos mais próximos. Os outros responsáveis legais da empresa, Marta Pereira dos Santos e Elias Gomes de Araújo, não foram localizados pela reportagem. Os dois são sócios de uma outra empresa: a Megassíndico Profissionais.

O Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Telecomunicações (Sinttel) critica a seleção da empresa pelo Ministério do Trabalho. “Como é que um órgão fiscalizador contrata uma empresa sabidamente enrolada como essa, que já tinha tido problemas com outros órgãos da administração pública?”, questiona o diretor do Sinttel, Lula Torres. Segundo ele, a empresa participou de um pregão eletrônico oferecendo um preço vantajoso, já que reduziu significativamente os salários dos atendentes. “Passou de R$ 900 para R$ 600 com a Higiterc”, denuncia. (AR)