Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quinta-feira, 29 de março de 2012

PROPINAS NO RIO - TCU investiga 17 empresas suspeitas de fraudes em licitações com hospitais públicos

Por Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– A partir das quatro empresas flagradas negociando propina para prestar serviços a um hospital pediátrico público, o Tribunal de Contas União (TCU) decidiu ampliar o leque de investigação para 17 empresas, que também estariam envolvidas em supostas fraudes em licitações.

No último dia 18, reportagem do programa de variedades Fantástico, da TV Globo, denunciou a tentativa de suborno por empresas prestadoras de serviços para ganhar licitações de emergência do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As quatro empresas denunciadas são Toesa Service, Locanty Soluções, Bella Vista Refeições Industriais e Rufollo Serviços Técnicos e Construções.

Depois da denúncia, o TCU identificou 159 empresas que supostamente teriam participado de fraudes em licitações em conluio ou que pertencem a parentes dos donos das empresas citadas na reportagem, de acordo com comunicado assinado pelo presidente do tribunal, Benjamin Zymler.

Os técnicos optaram por fiscalizar as que tenham recebido, no mínimo, R$ 500 mil por serviços prestados à administração federal. O pente-fino chegou a 17 empresas. Cada uma ganhou meio milhão de reais entre 2007 e 2012 em contratos.

“No decorrer de sua realização, o trabalho será ajustado de forma a incluir ou excluir entes fiscalizados, dependendo da necessidade e dos fatos apurados”, diz o comunicado.

Na semana passada, o TCU havia anunciado uma devassa em contratos de prestação de serviço de hospitais universitários do país. Em cada estado e no Distrito Federal, pelo menos um hospital passará por auditoria.
 

Fonte Agencia Brasil
    

quarta-feira, 28 de março de 2012

PROPINA NO RIO I - Locanty financiou R$ 1,3 milhão, foi destinado à direção estadual do PMDB-RJ de Sérgio Cabral.

Locanty financiou diversos partidos políticos nas eleições de 2010
Dyelle Menezes
Do Contas Abertas

A Locanty Comércio e Serviços Ltda, uma das empresas denunciadas no esquema de propina que envolve licitações de contratos públicos no Rio de Janeiro, doou R$ 3,3 milhões para diversos partidos políticos em 2010, quando ocorreram as eleições para deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente da República. A empresa é a única entre as denunciadas pelo Fantástico no último domingo (18) que realizou doações à partidos políticos.

As agremiações agraciadas foram o Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Social Cristão (PSC), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido dos Trabalhadores (PT). (veja tabela)


O maior favorecido foi o PMDB com R$ 1,7 milhão recebidos para as eleições de 2010. Do total, R$ 400 mil foram, via transferência eletrônica, para o Comitê Financeiro Único do partido. O restante, R$ 1,3 milhão, foi destinado à direção estadual do PMDB no Rio de Janeiro, estado cujo governador é o pemedebista Sérgio Cabral.

Para os outros partidos beneficiados pela Locanty, os montantes doados não passaram da cifra de R$ 800 mil, caso do Comitê Financeiro Único do PT, o segundo maior favorecido. Completam a cifra total os R$ 350 mil para o PSB, R$ 250 mil para o PSC, R$ 120 mil para o PC do B e R$ 50 mil para o PPS e mesmo valor para o PSDB.

A empresa também fez doações diretamente para candidatos às eleições. Na época, os então candidatos Alcebíades Sabino dos Santos (PSC-RJ) e José Roberto Gama de Oliveira (PDT-RJ), o Bebeto, receberam R$ 50 mil cada. (veja tabela)

A reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostrou a tentativa de suborno por empresas prestadoras de serviços para ganhar licitações de emergência do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Conforme o Contas Abertas publicou na última terça-feira (20), a Locanty recebeu R$ 70,1 milhões da administração federal direta entre 2010 e 16 de março de 2012. As empresas Rufolo (limpeza e vigilância) e a Toesa Service (locadores de veículos), receberam R$ 73,1 milhões e R$ 9,1 milhões, respectivamente. A empresa Bella Vista Refeições Industriais, também envolvida nas denúncias, não celebrou contratos a nível federal.

Segundo auditoria da Controladoria-Geral da União, que começou em abril de 2011, os problemas com contratos de obras e serviços em redes de hospitais no Rio de Janeiro chegaram a R$ 124 milhões. A auditoria, pedida pelo Ministério da Saúde, já rastreou R$ 883 milhões em negócios com empresas privadas.

Na última terça-feira (20), o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) entrou com requerimento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a criação de CPI para investigar as denúncias de irregularidades em licitações no estado.

"A Assembleia Legislativa têm a obrigação de apurar um escândalo de tamanha relevância. Não adianta os deputados cruzarem os braços e deixarem apenas órgãos como o Tribunal de Contas e o Ministério Público investigarem. Uma CPI tem muito mais força. O próprio governo, se não tiver nada a esconder, deveria apoiar a criação dessa CPI", disse Paulo Ramos, ao Jornal do Brasil.

Em 2010, o deputado também tentou abrir CPI, só que para investigar os contratos da Secretaria de Saúde. Porém, teve o pedido barrado pela bancada do governo. "Espero que não cometam o mesmo erro dessa vez", completou o deputado.


Fonte Contas Abertas    

quinta-feira, 22 de março de 2012

MÁFIA DA PROPINA NO RIO IV - Agora, TCU aprova devassa em contratos de hospitais universitários

Auditoria foi solicitada após denúncia do Fantástico. Investigação ocorrerá em todo o país
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Roberto Maltchik
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Renata Cavas, representante da Rufolo, oferece propina na moeda que o gestor quiser receber: ela sugere real, dólar, euro e até iene
Reprodução TV Globo.
BRASÍLIA - O plenário do Tribunal de Contas da União aprovou na tarde desta quarta-feira pedido de auditoria nos hospitais universitários de todo o Brasil. A fiscalização deve ocorrer em pelo menos uma instituição federal de cada estado, além de fazer um pente fino nos contratos das unidades no Rio de Janeiro. Será feita uma devassa nas licitações no Instituto de Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ, onde a tentativa de fraude foi flagrada. A apuração alcançará parte dos 44 hospitais universitários federais, com enfoque no controle administrativo de licitações e contratos.

A decisão do plenário foi unânime e ocorre após a divulgação, no último domingo, de reportagem do “Fantástico”, da Rede Globo, na qual representantes de quatro prestadores de serviço - Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista - foram flagrados negociando propina em troca de contratos com o poder público.

A investigação será conduzida pelos técnicos do gabinete no ministro José Jorge, relator do processo. De acordo com o acórdão, lido em plenário, o critério da auditoria será analisar as contas em pelo menos uma unidade em cada estado e no Distrito Federal.

- Trata-se de fiscalização tendo em vista a matéria do “Fantástico”, no domingo último. Diversos fornecedores fizeram uma espécie de treinamento sobre como vai se pagar propina em órgãos públicos. Vamos apurar a existência de irregularidades em licitações de contratos, especialmente no Hospital Pediátrico - afirmou o ministro José Jorge.

Na abertura da sessão, o presidente do TCU, Benjamim Zymler, fez um pronunciamento sobre o caso. Disse que a investigação vai extrapolar as empresas citadas na reportagem, chegando a outras empresas em nomes de sócios e de parentes dos proprietários das empresas mencionadas. O presidente informou que está sendo apurada ainda a existência de indícios de conluios dessas empresas em processos licitatórios. O resultado da investigação dará margem para novos representações, pontuais, onde houver indício de irregularidade.

- A auditoria terá que investigar as empresas citadas na reportagem e empresas dos mesmos sócios e dos parentes próximos. Será uma varredura na administração pública federal - afirmou Zymler.

Polícia Federal já começou a ouvir envolvidos nas denúncias
Nesta quarta-feira, a Polícia Federal começou a ouvir as pessoas ligadas às quatro empresas denunciadas por corrupção na reportagem. Foram colhidos três depoimentos referentes à empresa Bella Vista. A partir das informações colhidas pela PF, mais três pessoas serão intimadas a prestar esclarecimentos. Outros dois depoimentos também estavam agendados para esta quarta-feira, mas as duas pessoas faltaram e serão intimadas novamente. Para a quinta-feira, estão agendados mais sete depoimentos relacionados às empresas Locanty e Rufolo. Já na sexta, serão mais cinco pessoas prestando esclarecimentos, desta vez referentes à empresa Toesa.

A Locanty também presta serviços para a Superintendência da Polícia Federal do Rio, responsável por investigar a denúncia. Os contratos ultrapassaram o valor de R$ 1,2 milhão em dois anos. Desse total, R$ 629.200 em 2010 e R$ 590 mil em 2009. Os valores se referem à contratação de mão de obra para serviços de copa e cozinha e à limpeza interna e externa. Este ano, a empresa já recebeu quase R$ 150 mil pela prestação de serviços à PF do Rio. As informações foram obtidas pelo GLOBO numa consulta a notas de empenho no Portal da Transparência mantido pelo governo federal. A Polícia Federal, no entanto, emitiu nota no início da noite desta quarta-feira informando que não possui contratos com a empresa.

A empresa recebeu dos cofres federais R$ 39,4 milhões em 2011, sendo R$ 33,1 milhões apenas para a contratação de mão de obra. Foi fornecedora, por exemplo, dos V Jogos Mundiais Militares, que reuniu atletas de 120 países no Rio. O maior cliente entre repartições federais em 2011 foi o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi): R$ 9 milhões.

A Locanty doou mais de R$ 1,4 milhão para quatro campanhas eleitorais de 2010. Entre elas, três foram para políticos do Rio: o PMDB (R$ 1,3 milhão) e os deputados estaduais Alcebíades Sabino (PSC) e Bebeto (PDT), que receberam R$ 50 mil cada. O candidato à presidência José Serra (PSDB) também recebeu contribuição de R$ 50 mil. Apesar de o site Transparência Brasil informar que a doação ao PMDB foi para a campanha de reeleição de Sérgio Cabral, a assessoria do governador informou que esses recursos foram doados ao partido, a quem cabe explicar o destino do repasse. No estado, a Locanty já recebeu mais de R$ 7 milhões em 2012 das secretarias de Segurança, Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Transportes, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/tcu-aprova-devassa-em-contratos-de-hospitais-universitarios-4375442#ixzz1pqCMU0z4
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quinta-feira, 8 de março de 2012

EDUCAÇÃO NO RIO - Alunos da UFRJ estão sem aulas por falta de cadeiras

Demora na entrega de mobiliário no campus da Praia Vermelha atrasa início do ano letivo

Rodrigo Gomes

RIO - As aulas no campus da Praia Vermelha da UFRJ começaram na última segunda-feira (5), mas os alunos de diversos cursos, como Administração e Ciências Contábeis, Economia, Psicologia e Serviço Social ainda estão de “férias”. O motivo? Algumas salas estão sem o mobiliário adequado. Faltam carteiras para muitos estudantes.

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Por conta das obras do Palácio Universitário, que pegou fogo em março do ano passado, boa parte dos estudantes estão sendo remanejados das salas para contêineres provisórios, já instalados no campus da Praia Vermelha. Os 17 contêineres foram montados no campo de futebol da Praia Vermelha e no espaço ao lado do Centro de Produção Multimídia (CPM), mas ainda faltam cerca de 600 carteiras necessárias para acomodar todos os alunos. Além disso, há aproximadamente 12 salas de aulas sendo reformadas.

- Só nos informaram que não haveria aulas por conta da falta de cadeiras. Disseram que as aulas iriam começar na próxima segunda-feira. Isso pode atrasar o cronograma de algumas matérias. A gente se sente negligenciado com tudo isso - desabafa Fernanda Araripe, estudante de Relações Internacionais.

Segundo a assessoria de comunicação da universidade, as carteiras foram compradas no ano passado, mas houve atraso na entrega do mobiliário. A universidade adquiriu 3.600 carteiras novas, que custaram mais de R$ 2 milhões. Dessas, 570 serão para o campus da Praia Vermelha. De acordo com o órgão, na terça-feira, foram entregues 50 carteiras; nesta quarta, mais 150; e, nesta quinta, está prevista a entrega das 400 restantes. De acordo com a assessoria, os alunos já podem ter aulas a partir de amanhã.

Alunos não poderão usar o estacionamento

Neste ano letivo de 2012, os estudantes não terão acesso às vagas do estacionamento do campus da Praia Vermelha. O transtorno também se deve às obras no Palácio Universitário, que interditou parte das vagas próximas à edificação, por determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além disso, o aumento da força de trabalho no campus e o trânsito de ambulâncias que atende às unidades hospitalares na Praia Vermelha inviabiliza a destinação de vagas ao corpo discente.

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/alunos-da-ufrj-estao-sem-aulas-por-falta-de-cadeiras-4249556#ixzz1oWOtBPLm

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

INSEGURANÇA NO RIO - Sequestros-relâmpago apavoram professores de medicina no Fundão

Sequestros-relâmpago apavoram professores de medicina no Fundão
Bandidos agem pela manhã; desde outubro já houve cinco registros

Simone Candida



Aumentou o número de assaltos no estacionamento do Hospital do FundãoMarcelo Piu / O Globo

RIO - O medo da violência ronda o campus da UFRJ, na Ilha do Fundão. Uma série de sequestros-relâmpago de professores — quase sempre de manhã — vem ocorrendo na Faculdade de Medicina, onde mestres vêm sendo rendidos e assaltados por homens armados no estacionamento do Hospital Universitário, como informou na quinta-feira Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Entre outubro de 2011 e janeiro de 2012, foram cinco casos registrados, o mais recente de um médico que há 15 dias teve o carro roubado, foi obrigado a fazer saques em caixas eletrônicos e depois abandonado na Linha Vermelha, na altura de Caxias. Segundo a prefeitura do campus, em 2011 houve 17 casos de sequestro-relâmpago no Fundão.

Com medo de vingança, as vítimas fizeram registro na 37ª DP (Ilha), mas preferem não se identificar. O médico que foi roubado este mês estava chegando para trabalhar, por volta das 7h30m, e foi rendido por três homens que já o aguardavam dentro de um carro parado no estacionamento do hospital. Um dos bandidos, armado, levou seu automóvel, e os outros dois o obrigaram a entrar no outro veículo.

— Os ladrões ficaram horas rodando com a vítima pela Baixada e o obrigaram a fornecer as senhas dos cartões dos bancos. Ele perdeu R$ 4 mil, cartões, joias e o automóvel. E ficou traumatizado — contou um amigo do médico.

Segundo um outro médico do hospital, os bandidos já atacaram nos últimos quatro meses cinco colegas que chegavam cedo para atender pacientes internados. De acordo com a assessoria da prefeitura da Cidade Universitária, os estacionamentos do campus são controlados por diversas empresas.

— Estamos chocados e com medo, pois os bandidos continuam agindo. Os piores meses são sempre os de férias — diz um professor, que pede para não ser identificado.

Um outro médico conta que a abordagem dos bandidos é sempre a mesma. Eles atacam as vítimas quando estão chegando ao trabalho, pela manhã, colocam uma venda ou capuz e obrigam a pessoa a fornecer as senhas dos cartões.

A prefeitura da Cidade Universitária diz que já acionou a polícia e tem tomado providências para evitar os assaltos e sequestros-relâmpago. Mas, segundo o prefeito do campus, Ivan Ferreira Carmo, os agentes de segurança da UFRJ não têm poder de polícia. Eles atuam de forma ostensiva e, de acordo com Carmo, orientam e dão assistências às vítimas, além de chamar a Polícia Militar quando acontece algum crime no Fundão.

Número de câmeras vai aumentar

Além dos 17 sequestros-relâmpago, em 2011 foram registrados 60 furtos no Fundão: 30 de veículos; 12 em veículos e 18 de pedestres. Juscelino Ribeiro, coordenador operacional de Segurança da UFRJ, diz que a violência diminuiu desde que foram intensificadas as rondas:

— Estamos fazendo nosso trabalho: procuramos a delegacia, que vem investigando as quadrilhas, e estamos intensificando as rondas. Mas só fazemos o que é possível, pois precisaríamos de mais homens.

Segundo ele, a UFRJ conta com 14 seguranças e dez carros para percorrer estacionamentos e vias da universidade, quando seriam necessários no mínimo cem. O último concurso público para a função ocorreu há 22 anos. A assessoria de imprensa da prefeitura da UFRJ informou que alguma medidas já estão sendo tomadas: o número de câmeras que monitoram as vias vai aumentar de 16 para 56 e as quatro cabines blindadas serão reposicionadas para os pontos onde têm sido registrados os crimes, como a área entre o Centro de Ciências da Saúde (CCS) e a Escola de Educação Física



Fonte O GLobo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/sequestros-relampago-apavoram-professores-de-medicina-no-fundao-3719891#ixzz1jzgKa1T8

domingo, 27 de novembro de 2011

CUIDADOS - Máquinas de refrigerante com alta contaminação (VEJA COMO PRECAVER-SE)

Análise da UFRJ revelou presença de fungos e bactérias em todas as saídas de latinhas

POR GISLANDIA GOVERNO


 Rio - A praticidade de recorrer a máquinas de refrigerantes para matar a sede ao simples apertar de um botão pode custar caro à saúde. Estudo do Laboratório de Microbiologia da UFRJ revela alto grau de contaminação por micro-organismos nos reservatórios em que as latinhas são despejadas. A concentração de bactérias chegou a 720.000 por cm², muito acima do limite de 50 por cm² determinado pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). São fungos e bactérias e coliformes fecais, que representam risco invisível.


Arte: O Dia

As amostras foram coletadas em sete máquinas de auto-atendimento no campus da universidade no Fundão. Todas apresentaram contaminação e 87% tinham carga elevada de micro-organismos. “As máquinas analisadas são semelhantes às de metrô, bares, colégios e hospitais”, explica a pesquisadora Ana Favilla, aluna da UFRJ.

Foram feitas três análises de cada aparelho, com intervalo de 30 dias. Em todas foi detectada alta contagem de bactérias. Havia coliformes em 43% delas, e em 57,1%, fungos em contagens elevadas. Entre os riscos estão infecções gastrointestinais, como salmonelose e rotavirose (diarreia e vômitos são sintomas), e focais (no contato com mucosas, feridas na pele, olhos e boca, podendo causar micoses) e até hepatite A.

“A higiene dessas máquinas, cujo reservatório é aberto, é inadequada. A poeira acumulada é aparente. Por não disponibilizarem canudos ou copos, não fica outra opção a não ser colar a boca diretamente na latinha”, critica o professor de Microbiologia Marco Antônio Lemos Miguel, que coordenou o estudo.

Ele destaca que o objetivo da pesquisa é alertar o consumidor para os riscos de contaminação por sujeira e para a necessidade de os pontos de venda disponibilizarem canudos, copos ou pré-embalagem nos produtos que são levados à boca.



Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Fabricante de bebida contesta os resultados
Estima-se que o Brasil tenha 45 mil ‘vending machines’, segundo a Associação Brasileira de Vendas Automáticas. Boa parte delas é personalizada por marcas como Coca-Cola e Pepsi.

A Rio de Janeiro Refrescos, fabricante regional da Coca-Cola, que opera os aparelhos com a marca do refrigerante, contesta o estudo e esclarece que “as vending machines são sujeitas à observância de rigorosos processos de instalação, manutenção preventiva e sanitização. Em função do projeto destes equipamentos, a lata cai deitada. A tampa não mantém contato direto com a superfície do compartimento externo, só a sua superfície lateral. Desta forma, seriam imprescindíveis testes microbiológicos na tampa das latas”. A Ambev, responsável pela Pepsi, diz que higienização das máquinas é responsabilidade das empresas que as administram.

‘Compartimentos deveriam ser, no mínimo, fechados’, diz professor

Para o professor Marco Miguel, a sujeira aparente nos reservatórios das máquinas de auto-atendimento é um sério risco. “A sujeira vem do chão, o compartimento é aberto, e a poeira entra por todos os lados. É um ambiente quente que pode até acolher animais, como um gato, que procura lugar quente, pombo, rato, fora os insetos. Ao pisar, as pessoas carregam germes de esgoto no sapato. Essa poeira pode ser carregada para aquele compartimento, que deveria ser, no mínimo, fechado”, comenta.

Consumidores surpresos
Consumidor fiel dos refrigerantes das ‘vending machines’, o estudante Guilherme Lourenço, 27 anos, ficou supreso ao saber do resultado da análise da UFRJ.

“Às vezes acontece de eu pegar uma latinha na máquina com um pouco de poeira. Mas é uma coisa em que a gente nem se liga no dia a dia: esfrega um guardanapo e acha que está tudo bem. O jeito é confiar na defesa do nosso organismo”, comenta.

A vendedora Cláudia Ribeiro, 24, acha que deveria haver canudos nas máquinas: “Não tem como lavar a lata se ela estiver suja. Mas na hora em que a sede aperta, a gente nem pensa nos riscos”.

CUIDADOS

HIGIENE O ideal é lavar a parte da tampa da latinha com água e sabão ou detergente. Se não for possível, utilize canudo ou copo plástico.

CANUDOS Eles devem estar protegidos por plástico.

PASSAR PAPEL A pesquisadora Ana Favilla destaca que não adianta limpar a sujeira da lata esfregando guardanapo ou pano: “Só espalha a contaminação”.

LÍQUIDO
Se a lata estiver com sujeira e, ao utilizar um canudo, ela cair no líquido, não há riscos. “A bebida tem acidez, que acaba matando os germes”, explica o professor Marco Miguel


Fonte O dia http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2011/11/maquinas_de_refrigerante_com_alta_contaminacao_208789.html

segunda-feira, 10 de maio de 2010

RIO DE JANEIRO / ABANDONO DE ANIMAIS - Matilhas que atacam estudantes põem campus da UFRJ em alerta


   

Abandonar cães é crime, advertirá placas da prefeitura do campus.
Alunos relatam ataques de grupo de cachorros agressivos.

Carolina Lauriano Do G1 RJ

Depois de muitas reclamações e pelo menos cinco alunos feridos, o prefeito do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helio Mattos, decidiu espalhar oito placas educativas com alerta sobre o crime de abandono de cães no local. A Ilha do Fundão, no subúrbio, virou um verdadeiro depósito de cachorros e agora está cercada por matilhas.
De acordo com Mattos, somente em 2010, os bombeiros teriam retirado mais de 50 cães da universidade. “Nossa vigilância procura autuar, mas é um trabalho difícil porque o campus é muito grande. A nossa campanha é mais educativa. As pessoas não querem mais o animal em casa e descartam o animal aqui como se fosse lixo, é um absurdo. Elas aproveitam o fato de ser um terreno grande, são 4.650.000 m². É um problema muito sério, eles são agressivos”, disse ele.
De acordo com a Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, da prefeitura do Rio, a Lei nº 4731 afirma que é crime o abandono de animais em vias públicas ou residências fechadas ou inabitadas. A multa é de R$ 2 mil.
‘Quando olhei vieram 10 cães ao mesmo tempo’
A estudante de dança Márcia Paulino, de 35 anos, que mora no alojamento do campus, foi atacada no dia 23 de março. “Eram 20h15 quando eu decidi sair a pé. Veio um cachorro, começou a latir, ele estava bem raivoso. Eu mandei beijo, falei ‘calma, calma’, mas quando olhei vieram dez cães ao mesmo tempo. Um me mordeu, eu comecei a correr e a pedir socorro”, contou.
Cão UFRJCães abandonados no campus geram polêmica.
(Foto: Carolina Lauriano / G1)
Segundo ela, um motorista de ônibus que passava no local foi quem espantou a matilha. O ferimento de Márcia foi na parte posterior da coxa. Ela foi levada para o Hospital Universitário e atendida na emergência. “Lá eu encontrei uma menina que tinha ido pelo mesmo motivo”, contou a estudante.
Instantes depois, uma outra estudante entrou na emergência com mordidas dos cães. Elas tomaram a vacina antitetânica, foram medicadas, mas precisaram ir ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, para conseguir a vacina antirrábica.
“Fiquei muito traumatizada, tive sonhos, não conseguia dormir”, disse Márcia, que revelou que outros dois alunos, além delas três, também foram atacados nesse período. Márcia teve um gasto total de R$ 250 com remédios e materiais para curativo. Ela agora tenta ser ressarcida pela universidade.
Matilhas diversas
Bombeiros do quartel do Fundão, onde há outra matilha, afirmaram que a maior dificuldade do trabalho é fiscalizar o abandono dos animais no local. “São várias matilhas, a gente tira e vem sempre mais. Anteontem tiramos um pit bull e outro dia retiramos um da raça rottweiler”, disse Cabo Gomes.
Cão bravo UFRJSegundo bombeiros, há diversas matilhas na região
(Foto: Carolina Lauriano / G1)
Os cães que agrediram Márcia não foram os mesmo do grupo que vive no alojamento da universidade. Estes últimos, segundo ela, não são violentos com os alunos e alguns estudantes até cuidam dos animais.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), de acordo com a Secretaria municipal de Saúde, esteve no local duas vezes e fez a remoção de cinco cães. Outra dificuldade, segundo a Secretaria, os bombeiros e também a estudante Márcia, é que alguns alunos se apegam aos animais e até já foram à Suipa (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais) buscá-los de volta.
“Teve um menino aqui do alojamento que colou um cartaz com a frase ‘levaram nosso cãozinho’. Esses cães não são agressivos, mas causam alguns problemas porque tem aluno que não gosta, tem aluno que é alérgico. Para mim é difícil porque gosto muito de animais, morro de pena, mas acho que deveriam retirar”, contou.
O CCZ informou que os animais removidos por eles foram vacinados e tratados. Neste mês de maio, mais duas visitas ao local estão previstas e, enquanto houver problemas de ataque de cães, o órgão afirmou que ficará em alerta.
Quem quiser solicitar a retirada de animais de rua pode ligar para o número 3395-1525.  A notícia da invasão dos cães foi dada inicialmente pela coluna do Ancelmo em O Globo.