Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador angra dos Reis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador angra dos Reis. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de abril de 2012

USINAS NUCLEARES, NÃO !!! - Ambientalistas querem banir a energia nuclear

Com a segurança das usinas em xeque no mundo, ambientalistas querem banir a energia nuclear

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Brasília
– A organização não governamental (ONG) ambientalista Greenpeace continua a acreditar que a fonte nuclear para geração de energia elétrica pode ser descartada no Brasil. Hoje, "as usinas Angra 1 e 2 atendem só a 2% da geração elétrica brasileira”, argumenta o coordenador da Campanha de Clima e Energia da ONG, Pedro Henrique Torres.

Para ele, com um programa de eficiência energética, que inclua a instalação de placas solares nas casas, ou ampliação dos parques eólicos (que geram energia usando a força dos ventos), o país conseguiria produzir com facilidade esses mesmos 2% de energia. Torres destacou que os acidentes ocorridos em todo o mundo, como no Japão, no ano passado, e na Ucrânia, em 1986, reforçam a tese que não vale o risco de se investir na geração de energia nuclear. “É muito caro, é arriscado e o lixo atômico demora milhares de anos para se decompor”, alega.

O ambientalista refuta a tese de que a energia nuclear é uma fonte limpa, que não emite gases poluentes. “No caso do Brasil, como o urânio não é enriquecido no nosso território, isso não é uma verdade”. Segundo Torres, o percurso pelo qual o urânio, minério usado para a geração de energia que abastece as usinas Angra, passa para ser levado ao enriquecimento, representa uma “grande queima de gás carbônico”. No Brasil, a fonte de urânio fica em Caetité, na Bahia. O minério sai de lá e percorre um longo caminho até seguir para o exterior, onde é enriquecido. Em estado puro, o urânio não serve como combustível para a produção de energia.

A avaliação é compartilhada pela Coalizão Brasileira contra Usinas Nucleares. O movimento, liderado pelo ativista social e ambientalista Chico Whitaker, está com uma campanha nas ruas coletando assinaturas para sensibilizar os legisladores do país no sentido de suspender as obras da Usina Angra 3 e descomissionar, ou seja, desligar e desmontar, as usinas em funcionamento hoje.

“Já está em tempo de a população e, principalmente, as autoridades, chegarem à conclusão de que não vale a pena construir a terceira usina”, disse Whitaker à Agência Brasil. Ele relembra que, mesmo em um país de alta tecnologia, como o Japão, o episódio de Fukushima mostrou que os reatores nucleares não estão livres de representar um problema.
Whitaker quer levar à Câmara dos Deputados proposta de emenda à Constituição, baseada em uma iniciativa popular, semelhante à proposta que resultou na Lei da Ficha Limpa, pedindo a paralisação da construção de usinas no Brasil e o desmantelamento das unidades existentes. A proposta será encaminhada quando o abaixo-assinado completar, pelo menos, 1,5 milhão de assinaturas. “Estamos começando esse processo”.

Para as comunidades do entorno da central nuclear brasileira, no município fluminense de Angra dos Reis (litoral sul do estado), a presença das usinas representa benefícios e desvantagens. Um dos ganhos mais visíveis se reflete na geração de empregos. De acordo com Evandro Vieira, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Frade (bairro próximo da central nuclear), boa parte dos moradores da comunidade trabalha nas usinas.

Os vizinhos das usinas, no entanto, não se sentem seguros. A condições de segurança das usinas e o plano de evacuação em caso de acidente nuclear são pontos que preocupam os moradores. Segundo Vieira, caso haja a real necessidade de evacuação, o plano não é suficiente. “Infelizmente, a BR-101 [Rodovia Rio-Santos, que passa em frente às instalações nucleares de Angra] é muito precária. É a única saída para a população. Pelo mar, não tem como embarcar. Porque não existe um cais decente para atender à necessidade, no caso de evacuação”.


Fonte Agencia Brasil

sábado, 17 de dezembro de 2011

VAZAMENTO DA MODEC - Empresa em R$ 10 mi por vazamento de óleo no mar

A secretaria estadual do Ambiente do Rio informou neste sábado que a empresa Modec será multada em R$ 10 milhões pelo vazamento de óleo ocorrido próximo à Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ).
Veja tambem
Segundo o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), foram despejados 10 mil litros de óleo no mar durante manobra do navio plataforma Cidade de São Paulo, que é operado pela Modec. A embarcação estava sendo encaminhada para o estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, onde passaria por reparos.
O vazamento, de acordo com o órgão, já foi controlado após operação que envolveu nove embarcações. Ainda são feitos trabalhos de dispersão mecânica por meio de jatos d'água, para reduzir ao máximo o que restou da mancha de óleo.
O acidente é quase um décimo do ocorrido no mês passado, em campo de exploração da empresa Chevron, no qual vazaram ao menos 380 mil litros de óleo


Fonte Folha z'http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1022917-rio-multa-empresa-em-r-10-mi-por-vazamento-de-oleo-no-mar.shtml

   

domingo, 27 de março de 2011

ANGRA 3 - Financiamento em perigo

Governo alemão pode rever os empréstimos destinados à usina e comprometer o andamento da obra.

O governo brasileiro fez a opção por ignorar a decisão da Alemanha de suspender o funcionamento de usinas nucleares construídas antes da década de 1980, apesar das semelhanças entre os empreendimentos do tipo nos dois países e do acordo bilateral existente desde 1975 - que prevê o suporte financeiro dos alemães na construção da usina Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Agora, duas semanas após a tragédia nuclear no Japão e a suspensão por três meses das operações em sete reatores nucleares no país europeu, o Ministério da Economia germânico decidiu reavaliar as garantias aos financiamentos previstos para Angra 3.

O montante envolvido é de 1,3 bilhão de euros (mais de R$ 3 bilhões), dinheiro que seria utilizado na aquisição de tecnologia, produtos e serviços para a usina brasileira. O financiamento da Alemanha equivale a um terço do dinheiro previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para Angra 3, cuja retomada da construção começou no ano passado. Se a Alemanha decidir pela suspensão do financiamento, a terceira usina nuclear brasileira poderá não sair do papel.

O governo da chanceler Angela Merkel decidiu suspender as operações nos reatores nucleares mais antigos do país depois do acidente em Fukushima, no Japão, em decorrência de um terremoto seguido por um tsunami. As três usinas brasileiras - Angra 1, 2 e 3 - têm projetos anteriores à década de 1980. Angra 2 e Angra 3 são citadas no acordo bilateral de 1975 e têm a mesma tecnologia dos reatores alemães. Mesmo assim, as estatais brasileiras responsáveis pelo funcionamento das usinas e os ministérios que definem o programa nuclear do país não enxergaram qualquer razão para mudanças nos procedimentos de segurança, ou mesmo para a suspensão das atividades. O máximo que será feito é uma verificação desses procedimentos.

Em comunicado divulgado na última quarta-feira, o Ministério da Economia da Alemanha informou que cobrará do governo brasileiro informações sobre ´procedimentos` e ´padrões` queserão adotados em Angra 3. Como a usina é um projeto da década de 1970 - inclusive com equipamentos adquiridos naquele período -, a pasta germânica quer saber o que foi feito para tornar Angra 3 uma usina nuclear segura. Essa é uma condicionante para a manutenção do bilionário suporte financeiro ao projeto.

Oito novas usinas
A franco-alemã Areva, conglomerado com participação direta no fornecimento de tecnologia à usina Angra 3, também participará da concorrência para a construção dos novos reatores nucleares no Brasil, segundo previsão da Eletrobras Eletronuclear. Se o governo germânico confirmar a intenção de frear os financiamentos ao programa nuclear brasileiro, as novas usinas dependerão de outras fontes de recursos. A intenção de construir oito usinas - previstos para até 2030, sendo o primeiro no Nordeste -, além de Angra 1 e 2, existe há 37 anos.

"Esse país tem muito urânio. Não podemos nos dar ao luxo de não usar essa fonte de energia` Othon Luiz Pinheiro, presidente da Eletronuclear 


Diário de Pernambuco

quarta-feira, 23 de março de 2011

Moradores de Angra, no RJ, pedem paralisação das usinas nucleares #UsinaNuclearNAO #NoNuclearPlant

23/03/2011 07h51 - Atualizado em 23/03/2011 07h51

Eles fizeram ato em solidariedade às vítimas da tragédia no Japão.

Eletronuclear afirma que Angra 1 e 2 operam com alto grau de segurança.

Do Bom Dia Rio
Um grupo de moradores de Angra dos Reis, no Litoral Sul Fluminense, pede pela paralisação das usinas nucleares do município. Eles fizeram um protesto nesta terça-feira (22). O ato também foi em solidariedade às vítimas do Japão, onde um terremoto e uma tsunami devastaram o país no último dia 11.
Os ambientalistas acreditam que esse é o momento para questionar o sistema de segurança de Angra 1 e Angra 2. “O que nós queremos e estamos chamando a atenção com a tragédia no Japão é da necessidade de se fazer uma revisão profunda do plano de emergência e que se paralise o programa nuclear enquanto não se oferecer condições reais de segurança à população”, explicou o ambientalista Rafael Ribeiro.
Os manifestantes seguiram usando máscaras e capa. Eles carregaram velas, coroa de flores e um caixão. Segundo eles, a população não está preparada para reagir no caso de um acidente nuclear.
Empresa afirma que usinas operam com segurança
A Eletronuclear, empresa que administra a energia nuclear no país, afirmou que as usinas de Angra operam com alto grau de segurança e são projetadas pra resistir até a terremotos. Além disso, também segundo a Eletronuclear, existe uma barreira anti-tsunami que protege todo o complexo nuclear.

A empresa disse ainda que tem um plano de emergência de evacuação da área e também quantidade suficiente de pastilhas de iodo em estoque, pra atender a população do entorno da usina. De acordo com a Eletronuclear, esse material ainda não foi distribuído porque falta autorização do Ministério da Saúde, que deve concedê-la em breve.

domingo, 20 de março de 2011

ELETRONUCLEAR presta informações sobre plano de Emergência

Os eventos acontecidos nas usinas nucleares do Japão após a ocorrência de um terremoto seguido de tsunami tornaram necessária a execução do plano de emergência das centrais atingidas, incluindo medidas como a evacuação dos habitantes vizinhos a estas unidades, de forma preventiva. Este fato pode causar dúvidas ou questionamentos em relação ao plano de emergência da central nuclear de Angra. Para esclarecer esta questão, a Eletronuclear emitiu nota com informações sobre o assunto, na forma de perguntas e respostas:

P - Existe um plano de emergência? É feito algum tipo de treinamento com a população local?

R - Usinas como Angra 1 e Angra 2 foram projetadas e construídas com barreiras de proteção sucessivas e preparadas para resistir a um acidente mais sério. No entanto, como é comum e recomendável nos locais onde existem instalações industriais, um plano de emergência foi elaborado para orientar a população que mora nas proximidades da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA).

No PEE/RJ constam ações específicas a serem implementadas nas Zonas de Planejamento de Emergência, que são áreas vizinhas à CNAAA, delimitadas por círculos, com raios, respectivamente, de 3 km, 5 km, 10 km e 15 km, centrados no edifício do reator de Angra 1.

P - No âmbito do Plano de Emergência, como são classificados os eventos e a partir de que nível devem preocupar a população?

R - Existe um modelo internacional de classificação e comunicação de emergências ao órgão regulador e às demais autoridades, que prevê ações sempre preventivas e antecipatórias. O modelo pressupõe quatro etapas possíveis de evolução dos eventos em função do possível grau de impacto. Vão desde as mais simples, sem nenhum reflexo sobre a saúde e a segurança da população, até as mais sérias, que podem ter como consequência a liberação de material radioativo para o meio ambiente.

O PEE/RJ da CNAAA é acionado gradativamente, conforme as etapas descritas a seguir: 
1) Evento Não Usual (ENU) - é uma condição anormal na usina sem nenhuma possibilidade de liberação de material radioativo para o meio ambiente.

2) Alerta - indicação de real ou provável degradação nos níveis de segurança. São ativados os centros de emergência internos das usinas e os externos em Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Brasília, sem a necessidade de ações de evacuação dos trabalhadores nem da população. Em casos de Alerta e ENU não está prevista qualquer ação junto à população.

3) Emergência de Área - indicação de real ou possível falha nas funções de segurança; não há indicação de falha iminente do núcleo do reator. Os trabalhadores não envolvidos com a emergência são retirados das usinas, conforme estabelece o Plano de Emergência Local (PEL).

4) Emergência Geral - indicação de real ou possível liberação de material radioativo; indicação de degradação iminente ou real do núcleo do reator. A população da ZPE-3 será evacuada para a ZPE-5 e, no caso de um agravamento, a população da ZPE-5 será removida para a ZPE-10. A população será orientada pela Defesa Civil, que tem destacamentos a leste e oeste da CNAAA, através das 8 sirenes instaladas nas ZPEs 3 e 5.

O Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ) estabelece a remoção da população terrestre que não possui meios próprios, por meio de ônibus da Eletronuclear e das empresas concessionárias de transporte da região. Os abrigos serão escolas municipais e estaduais predefinidas no plano. Os ilhéus serão removidos pelo 1º Distrito Naval e serão abrigados no Colégio Naval de Angra dos Reis.

A cada dois anos são realizados exercícios simulados com a participação voluntária de parte da população e de todos os órgãos envolvidos na resposta a uma situação de emergência na CNAAA.

P - Como funciona o Plano de Emergência Externo?

R - O planejamento prevê ações em uma área de até 5 km em torno da central nuclear de Angra, que conta com um sistema de som capaz de transmitir alertas e informações. As estações locais de rádio e TV também fazem parte do plano e estão preparadas para divulgar instruções em caso de necessidade.

Campanhas de esclarecimento também são realizadas, incluindo a distribuição anual de 40 mil calendários, de casa em casa, com instruções sobre como os moradores devem agir em situações de emergência. O calendário chama a atenção, também, para o teste mensal do sistema de som nas localidades próximas às usinas. O teste acontece todo dia 10, às 10 horas da manhã, para não confundir os moradores.

As ações especificadas nesse plano, coordenadas pela Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, sob a supervisão geral do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), que é o órgão central do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), e a supervisão técnica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), envolvem, também, a participação das seguintes organizações: Exército, Marinha, Aeronáutica, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Defesa Civil de Angra dos Reis, Defesa Civil de Paraty, empresas de eletricidade, de telefonia, de abastecimento de água e empresas de transporte urbano da região, além de outras secretarias estaduais e municipais.

Visando a manter esse plano sempre em condições de acionamento, são realizados, anualmente, nos anos pares, os Exercícios de Emergência - Parcial, quando são testadas, entre outras ações previstas no PEE/RJ, a eficácia da cadeia de comunicações e a eficiência da ativação dos centros de emergência, e, nos anos ímpares, os Exercícios de Emergência - Geral, quando são postas em prática e testadas todas as ações revistas no plano, inclusive a capacidade de mobilização de meios em pessoal e material; a disseminação de informações ao público e à imprensa; a ativação de alguns abrigos e até mesmo a simulação de evacuação de voluntários residentes na ZPE-3 e na ZPE-5, embora a possibilidade de remoção da população circunvizinha à Central Nuclear seja uma hipótese muito pouco provável.

P - Como funciona o Plano de Emergência Local?

R - O Plano de Emergência Local - PEL tem como objetivo proteger a saúde e garantir a segurança dos trabalhadores das usinas e do público em geral presente na Área de Propriedade da Eletronuclear em qualquer situação de emergência radiológica em Angra 1 e/ou Angra 2. O PEL abrange toda a área da CNAAA, a Vila Residencial de Praia Brava e a região de Piraquara de Fora. Esse Plano contempla, ainda, o apoio a ser prestado à Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro e à Cnen na ZPE-3 e na ZPE-5.

Para testar e aprimorar a eficiência das equipes que, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, respondem pela atuação inicial nas usinas dos Grupos e das Equipes de Emergência, previstas no PEL, a Eletronuclear realiza dez exercícios anuais, sendo cinco por usina. Além desses exercícios simulados, os Grupos e as Equipes de Emergência participam, ainda, dos Exercícios de Emergência - Parcial e dos Exercícios de Emergência - Geral em conjunto com os diversos órgãos dos diferentes níveis de governo diretamente envolvidos no PEE/RJ.

P - Em caso de um acidente grave, que área poderia ser atingida?

R - Com base nos critérios estabelecidos pela Cnen, as ações para a proteção da população, em situações de emergência na central nuclear de Angra, são esquematizadas segundo as Zonas de Planejamento de Emergência - ZPEs, com graus de planejamento de resposta que variam de acordo com a distância da central nuclear. A ZPE-3 está compreendida num raio de 3 km ao redor de Angra 1, a ZPE-5 num raio de 5 km e as ZPEs 10 e 15 em raios de 10 km e 15 km, respectivamente.

O Plano de Emergência Externo prevê as ações preventivas e urgentes de remoção da população num raio de 3 km e, em caso de agravamento do acidente, também num raio de 5 km. Nessas zonas é que estão instaladas as sirenes para notificação da população. As ZPEs 10 e 15 são consideradas zonas de controle ambiental, onde não são previstas medidas de proteção urgentes e preventivas e sim medidas baseadas numa monitoração do meio ambiente.

P - Quantas pessoas, aproximadamente, há nas ZPEs 3 e 5?

R - A Defesa Civil Municipal de Angra trabalha, na ZPE-3, com uma estimativa de 360 pessoas e, na ZPE-5, com 16.836 pessoas.

 Igor Abreu- Diário do Vale

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Decreto de Cabral favoreceu Luciano Hulk em Angra

Decreto de Cabral favoreceu cliente de sua mulher em Angra

Escritório defende Luciano Huck, que teve obra embargada no município
Alfredo Junqueira, Felipe Werneck (ESTADÃO)

RIO
Alvo de ação civil pública movida pelo município de Angra dos Reis em outubro de 2007 por supostos danos ambientais e construções irregulares em sua casa de veraneio, o apresentador de TV Luciano Huck é representado pelo escritório de direito do qual é sócia a primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo Cabral. Seu marido, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), editou, em junho do ano passado, o Decreto 41.921, que alterava a legislação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, na Baía de Ilha Grande. A medida, cuja constitucionalidade é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, beneficiaria proprietários de residências consideradas irregulares na região ? caso de Huck e sua casa na Ilha das Palmeiras.

Ambientalistas contrários às mudanças determinadas por Cabral se referem ao decreto como "Lei Luciano Huck". Na Ação 2007.003.020046-8, que tramita na 2ª Vara Cível de Angra, o apresentador é representado por dois integrantes do escritório Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados. O município obteve liminar, em maio de 2008, que obrigou Huck a paralisar as obras em sua casa, que incluíam a construção de bangalôs, decks, garagem de barcos e muro para criação de praia artificial, "o que pode ocasionar danos ambientais irreversíveis, assim como agravar os já existentes" ? conforme despacho do juiz Ivan Pereira Mirancos Junior.

Desde domingo, o Estado vem mostrando a atuação da primeira-dama e de seu escritório de advocacia em ações judiciais, como a defesa do Metrô Rio e do grupo Facility, um dos maiores fornecedores do governo Cabral.

Procurado, o governo do Estado indicou Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para comentar o caso. Cabral e Adriana estão em Londres, na Inglaterra, e não foram localizados. Em nota, o Inea informou que a licença ambiental para a casa de Luciano Huck foi concedida em junho de 2004 e o Estado "desconhece a existência de ação do município de Angra contra o apresentador e os motivos que fizeram com que o município movesse a ação citada". Segundo o Inea, Huck nunca fez pedido ao Estado com base no decreto.

O polêmico Decreto 41.921 teria sido originalmente elaborado na Secretaria da Casa Civil, e não por órgãos ambientais do Estado do Rio ? segundo servidores que atuam no setor. Segundo o Inea, a informação não é verdadeira. "O decreto foi elaborado pela Secretaria do Ambiente e encaminhado à Casa Civil unicamente para a assinatura do governador e publicação."

Segundo o coordenador-geral da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), o decreto não beneficia apenas o apresentador. "Em termos gerais, o decreto beneficiaria não só o Luciano Huck, mas grandes empreendimentos que não são regularizáveis pela legislação atual", afirmou.

Segundo o procurador-geral de Angra, André Gomes Pereira, todo processo de regularização que menciona o decreto é suspenso. "A gente tem uma resposta padrão informando que não haveria decisão enquanto não houvesse decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade em tramitação no STF", explicou Pereira.

Por sua assessoria, Luciano Huck informou que o escritório da primeira-dama "atua há vários anos como correspondente de Lilla, Huck, Otranto, Camargo Advogados", seus advogados em São Paulo, desde antes da gestão Cabral. "Não tínhamos conhecimento, até o momento, de que a primeira-dama do Rio de Janeiro era sócia desse escritório", informou a assessoria. O advogado Sérgio Coelho não quis comentar o caso e informou apenas que representa Huck e seus sócios desde 2002.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Por que não construir Angra

Origem 29/06/2007 - 22:50 Época - Edição nº 476 - Quem paga a conta de Angra-1 e Angra-2
por Ana Paula Galli - Epoca 2007
Energia

A opção por uma nova usina nuclear pode até ser mais limpa que a por termelétricas — só que é mais cara

ERA ATÔMICA
O Brasil decidiu apostar novamente na aventura nuclear sem divulgar exatamente quanto isso vai custar. Na semana passada, o governo autorizou a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3, no litoral do Rio de Janeiro. O empreendimento foi aprovado na segunda-feira pelo Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE). Segundo o governo, Angra 3 custará R$ 7,2 bilhões. Técnicos do governo vêm afirmando que o plano federal inclui a construção de oito novas usinas a serem inauguradas até 2030. A empreitada esconde vários subsídios. Eles podem multiplicar o investimento para valores que a sociedade ainda desconhece. Os valores envolvidos e as incertezas despertam dúvidas sobre as razões da decisão. A aprovação de Angra 3 levanta uma questão: será a via nuclear realmente uma escolha energética apropriada para o Brasil?

Após o acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, os países desenvolvidos cancelaram seus planos para a construção de novas usinas. A indústria nuclear passou duas décadas no ostracismo. A opção nuclear voltou à cena nos últimos anos como uma alternativa energética para enfrentar as mudanças climáticas. A vantagem dos reatores é que não emitem gás carbônico, o principal causador do aquecimento global. No Brasil, porém, não está claro se essa é uma opção eficaz. Se a idéia é reduzir as emissões de gás carbônico, pesquisadores afirmam que o caminho poderia ser outro. “A prioridade é reduzir o desmatamento da Amazônia, nossa principal fonte de emissão de gases de efeito estufa”, diz José Goldemberg, do Instituto de Energia da Universidade de São Paulo. Seu argumento é que as usinas nucleares podem ter outros impactos, ainda maiores, para o meio ambiente.

A primeira preocupação em torno da energia nuclear é sua segurança. Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a França, o Japão e a Alemanha, produzem há décadas energia de algumas dúzias de usinas nucleares, sem grandes incidentes com vítimas. Mas há indícios de que o cenário nuclear brasileiro não segue os critérios ideais. Um estudo realizado no ano passado pela Câmara Federal em parceria com especialistas constatou que o país não tem a estrutura adequada nem para fiscalizar o setor nuclear nem para garantir a segurança da população. Para começar, há um problema estrutural: o conflito de atribuições do Conselho Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Ele é responsável tanto pela promoção quanto pela fiscalização do setor nuclear no país. Mas a Convenção Internacional de Segurança Nuclear, da qual o Brasil é signatário, proíbe que as duas atividades sejam exercidas pelo mesmo órgão.

O resultado disso pode ser verificado na forma como foi executado o plano de emergência de Angra. A região tem cerca de 119 mil habitantes. Suas belas praias atraem até 1 milhão de turistas por ano. Poucos moradores já foram informados sobre o que fazer no caso de um acidente nuclear. Edson Jorge, chefe do serviço de emergência nuclear da Defesa Civil Municipal, afirma que já foi feita uma campanha de esclarecimento, com a distribuição de panfletos e calendários com instruções de fuga. Mas diz que não se lembra quando. Sobre os turistas, Jorge informa que não há orientação. “Não há esse direcionamento de informar ao turista. Não diretamente”, diz Jorge. E se houver uma emergência? “Na hora a gente indica o caminho que eles têm de seguir.” Analistas de segurança temem que a única estrada pavimentada, normalmente congestionada nos fins de semana de sol, não dê vazão para a população em fuga.

95% é quanto a energia nuclear custa a mais que a gerada por termelétricas a gás, segundo o MIT
Além da segurança, outra questão não resolvida em relação à energia nuclear é sua viabilidade econômica. De acordo com os cálculos da Agência Internacional de Energia, referência mundial no tema, construir usinas nucleares é mais caro que optar por usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão ou gás. Outro levantamento, do Departamento de Energia e Comércio, da Inglaterra, também aponta a energia nuclear como mais cara que as outras. Há ainda uma comparação feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA: a eletricidade dos reatores é 95% mais cara que a das termelétricas a gás.

Um dos raros estudos que colocam a energia nuclear como mais competitiva foi feito justamente pelo Ministério de Minas e Energia brasileiro. Segundo o levantamento, divulgado em maio deste ano, a eletricidade nuclear só perderia para a gerada pelas hidrelétricas. “O custo divulgado é de um otimismo notável”, afirma Goldemberg. “É um exercício de economista para mostrar que ela é competitiva, quando na realidade não é.” Para Francisco de Carvalho, mestre em Energia Nuclear e ex-diretor da Nuclen (atual Eletronuclear), “o valor só é baixo porque é subsidiado pelo governo”.

Boa parte do custo nuclear é paga pelo governo de forma obscura. Um exemplo é o custo de destinação dos rejeitos radioativos. Nenhum país do mundo encontrou uma solução definitiva para estocar esse material. Os EUA estão construindo um depósito nas montanhas de Nevada, ao custo de US$ 5 bilhões. No Brasil, isso não foi nem orçado. A Eletronuclear, empresa estatal responsável pelo setor, não divulga o valor gasto com o armazenamento de rejeitos nucleares de Angra 1 e 2, provisoriamente guardados no interior das próprias usinas, em piscinas de contenção. Dentro de alguns anos, os rejeitos terão de ser remanejados para um local mais seguro. O presidente da Eletronuclear, s Othon Pinheiro da Silva, não tem informações exatas sobre como isso será feito. “Os depósitos de longa duração estão sendo trabalhados. Só teremos de pensar nisso daqui a uns 20 anos”, afirma.

O país não tem um bom histórico na previsão de gastos nucleares. O governo diz que a conclusão de Angra 3 vai custar R$ 7,2 bilhões, equivalentes a US$ 3,6 bilhões. Em 2003, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciava que a obra sairia por US$ 1,8 bilhão. As projeções do MIT sugerem que uma usina com a mesma potência de Angra 3 custa, no mercado internacional, 40% abaixo do que o governo diz que pretende gastar. Mudanças de previsão de gastos são comuns na história nuclear do país. A construção de Angra 2, orçada inicialmente em US$ 2 bilhões, terminou custando o quíntuplo.


Operários vistoriam os equipamentos já comprados para Angra 3. Será que vale a pena tirar o material das caixas?
Parte do subsídio oficial para a energia nuclear está embutida no seguro para acidentes. Isso é uma prática internacional. Nos EUA, o Congresso limita o valor segurado para o caso de acidentes a US$ 9 bilhões. “É uma fração do que custaria um acidente como o de Chernobyl”, diz o engenheiro Vijay Vaitheswaran, especialista em energia da revista inglesa The Economist. No Brasil, não é diferente. De acordo com a Eletronuclear, o pagamento do seguro em caso de acidente envolvendo Angra 1 e 2 é de US$ 500 milhões, para cada uma das usinas. Esse valor, porém, não paga nem uma parcela da construção das usinas nem indenizações a terceiros. O resto do prejuízo seria custeado pelo governo. Tal privilégio pode ajudar na competitividade aparente da energia nuclear. Outras indústrias, como a do petróleo, precisam embutir o preço dos possíveis acidentes em suas operações. Pergunte à Petrobras. Em 2001, a empresa perdeu sua maior plataforma, a P-36. O prejuízo de US$ 356 milhões foi plenamente pago pela seguradora responsável.

Na Inglaterra, durante a década de 1980, a então primeira-ministra, Margaret Thatcher, terceirizou todo o sistema público de geração de energia, menos a parte nuclear, exatamente porque o setor privado não vê vantagens no setor. Os empresários brasileiros também pensam assim. “Existem várias energias economicamente mais viáveis, especialmente no Brasil, com enorme potencial hidrelétrico”, diz Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende, que representa os investidores da área energética no Brasil.

Em abril de 2005, a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, declarou que “não é hora de fazer Angra 3, porque você tem outras alternativas renováveis mais baratas”. Essa era a posição do governo quanto à política energética naquele momento. Como então explicar, dois anos depois, uma mudança tão radical na opinião do Planalto? O motivo parece ser a disputa entre o Ministério de Minas e Energia e a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, que não autoriza a construção de novas usinas hidrelétricas. “Estou sentindo um certo escapismo com o problema. O governo precisa ter coragem de enfrentar a batalha das hidrelétricas”, diz o engenheiro Luiz Pinguelli Rosa, da Coordenadoria de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ (Coppe). Ou então o contribuinte poderá ter de pagar uma conta – não necessariamente em dinheiro.

A herança radioativa
O Brasil sofreu um dos três piores acidentes nucleares da História. O maior deles, em Chernobyl, interrompeu a construção de novas usinas no mundo
GOIÂNIA, Brasil
Em 1987, catadores de sucata pegaram cápsulas radioativas de césio de um equipamento médico descartado sem cuidados. Quatro pessoas morreram e 800 foram contaminadas
CHERNOBYL, Ucrânia
Um reator explodiu em 1987 na então república soviética, espalhando uma nuvem radioativa pela Europa. Na ocasião, 56 pessoas morreram e até hoje milhares têm risco elevado de câncer
THREE MILES ISLAND, EUA
Em 1979, por falhas técnicas, o reator saiu de controle, com risco de explosão. Levou cinco dias para ser controlado. Uma explosão – que não ocorreu – teria contaminado uma área com milhões de habitantes

Angra 3 - Por que construir?

por Eletronuclear


O Brasil tem grandes reservas de urânio

Com apenas 30% do seu território prospectado, o Brasil abriga atualmente a sexta maior reserva de urânio do mundo, estimada em 309 mil toneladas. Trata-se de uma quantidade suficiente para alimentar 32 usinas nucleares como Angra 3 durante toda sua vida útil, de acordo com estimativas da INB - Indústrias Nucleares do Brasil, única empresa responsável pelo beneficiamento do minério e pela fabricação do combustível nuclear no País. As maiores ocorrências do mineral estão localizadas na Bahia e no Ceará, apresentando ainda importantes jazidas em Minas Gerais e no Paraná.

De todas as fontes térmicas comerciais atualmente disponíveis para a geração de energia elétrica em grande escala, o urânio se destaca por possuir o maior conteúdo energético específico (60.000kWh / Kg), considerando-se as usinas equipadas com reator do tipo PWR (à base de água leve pressurizada) como é o caso de Angra 1 e 2 e, no futuro, de Angra 3.

No Brasil, a grande disponibilidade de urânio como combustível é um dos principais fatores a favor da construção da usina de Angra 3, possibilitando a geração confiável de um tipo de energia ambientalmente limpa, que não libera CO2 ou quaisquer outros efluentes para a atmosfera.

Localização estratégica da Central Nuclear

Outra grande vantagem é a localização estratégica da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, no município de Angra dos Reis, próxima aos grandes centros consumidores: a 220km de São Paulo, 130km do Rio de Janeiro e 350km de Belo Horizonte. Esta característica das usinas nucleares, que podem ser instaladas em regiões circunvizinhas a grandes pólos consumidores. Assim evitam a construção de extensas linhas de transmissão entres os centros de geração e consumo, minimizando a perda de energia na transmissão a longas distâncias.

Custo da tarifa é competitivo

Além de contribuir com as necessidades do Sistema Elétrico Nacional para atender ao aumento da demanda, a energia gerada pelas usinas da Central Nuclear de Angra dos Reis possibilita ao Brasil diversificar as fontes de sua matriz energética - estratégia governamental e tendência verificada em todo o mundo -, com maior nível de segurança no fornecimento.

Outro aspecto relevante no tocanteà geração nuclear é a competitividade que esta apresenta quando comparada com outras fontes térmicas. No caso de Angra 3, a tarifa balizadora projetada pelo MME – Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2008, era de cerca de R$ 148,00/MWh, valor próximo dos R$ 146,00/MWh apresentados pelas usinas térmicas vencedoras do leilão de “energia nova”, realizado pelo governo em setembro de 2008.

Segurança no abastecimento.

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017, traçado pelo MME prevê Angra 3, a terceira usina da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, similar à Angra 2.

A unidade terá uma potência bruta de 1.405 MWe, sendo capaz de gerar cerca de 10,9 milhões de MWh por ano - o equivalente a um terço do consumo do Estado do Rio de Janeiro.

Para atender ao aumento da demanda por energia elétrica, estudos da Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica, o País requer um incremento de geração entre 3.000 MW e 4.000 MW, em média, por ano, até 2015. Angra 3 apresenta plenas condições de começar a operar efetivamente em 6 anos, atendendo às necessidades do Sistema Elétrico Nacional.

Empreendimento

Angra 3 será a terceira usina da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizado na praia de Itaorna, município de Angra dos Reis (RJ).

A nova usina terá uma potência bruta elétrica de 1.405 MWe, podendo gerar cerca de 10,9 milões de MWh por ano - energia equivalente a um terço do consumo do Estado do Rio de Janeiro – e será similar a Angra 2, em operação há cerca de 9 anos.

Por conta dessa semelhança, grande.parte do projeto de engenharia a ser utilizado na nova usina está pronta. Além disso, a experiência com a construção e montagem de Angra 2 demonstrou a significativa capacidade técnica das empresas nacionais em atuar nesse segmento. Uma parcela considerável dos equipamentos importados já foi adquirida, notadamente os componentes mecãnicos de grande porte.

Uma vez retomada a obra, o prazo estimado para a conclusão de Angra 3 é de 5,5 anos, com início na concretagem das fundações do edifício do reator Além das obras civis, sua implantação inclui a montagem eletromecânica, o comissionamento de equipamentos e sistemas e os testes operacionais.

O empreendimento Angra 3 apresenta, hoje, um progresso físico de cerca de 30%. Serão necessários investimentos adicionais de R$ 8,56 bilhôes (base dezembro de 2008), sendo que 70% dos gastos serã realizados no mercado nacional e apenas 30% no exterior.

O local definido para a implantação de Angra tem sido monitorado desde a década de 70 por meio de diversos estudos e programas ambientais, seguindo as principais normas e diretrizes estabelecidas pelos órgãos reguladores e fiscalizadores competentes.

Audiência Pública das licitações para contratação dos serviços de Angra 3

A Eletronuclear realizou no dia 21 de agosto de 2009, às 14h, no Centro de Convenções Sul América (Av. Paulo de Frontin, 1 - Cidade Nova – Rio de Janeiro), audiência pública referente às licitações para contratação de serviços de engenharia de projeto, montagem e gerenciamento para a implantação da Usina Angra 3.

Essa Audiência Pública, realizada em obediência aos preceitos estabelecidos na Lei no. 8666, apresentou as premissas adotadas pela Eletronuclear na definição dos escopos e requisitos associados a cada pacote com vista a dar uma percepção transparente ao mercado e buscar incentivar e consolidar a capacitação desse setor.

A audiência transcorreu num clima de tranqüilidade, com a presença significativa das empresas interessadas do setor.

As perguntas enunciadas foram objetivas e prontamente esclarecidas pela mesa diretora da audiência.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

LICENCIAMENTO NUCLEAR
Em 13 de junho de 1975, o Presidente da República autoriza, através do Decreto nº 75.870, FURNAS – Centrais Elétricas S. A. a ampliar a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), mediante a construção de uma terceira unidade - Angra 3.

Aprovação do Local

Ccom o Ofício CNEN DexI nº 19/80, de 14.04.80, a CNEN considera como licenciáveis os dois locais alternativos para Angra 3 – Ponta Grande e Itaorna .

Através da Resolução CNEN nº 011/02, de 19.09.2002, a CNEN reconhece que a ELETRONUCLEAR está em condições de requerer a Licença de Construção da Usina Angra 3.

Licença de Construção

Com a carta P-070/03, de 02.04.2003, a Eletronuclear requer à CNEN a Licença de Construção da Unidade 3 da CNAAA.

Através da carta P-329/08, de 07.07.2008, a Eletronuclear solicita à CNEN a liberação dos serviços de concretagem complementar para a região das estruturas classes 1 e 2 e dos serviços de impermeabilização dos edifícios do Reator.

Com base no Relatório Preliminar de Análise de Segurança (RPAS) e, levando em conta o atendimento às respectivas condicionantes, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) concedeu à Eletronuclear, em 9 de março de 2009, uma Licença Parcial de Construção para Angra 3, para reconstituição (concretagem complementar) da área destinada à construção das edificações de segurança nuclear da instalação e para impermeabilização na região do Edifício do Reatos e do Edifício Auxiliar do Reator.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL
De acordo com a legislação ambiental estabelecida em 1986 pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizem recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, ou ainda, capazes de causar degradação ambiental, dependem de licenciamento ambiental, que possui três fases distintas:

•Licença Prévia (LP);

•Licença de Instalação (LI);

•Licença de Operação (LO).


Tais licenças são emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA , que é o órgão do Governo Federal responsável pelo licenciamento ambiental de empreendimentos industriais de grande porte.

O licenciamento ambiental de um empreendimento tem por base um amplo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto no Meio Ambiente (RIMA). Os dois documentos identificam os possíveis impactos ambientais, socioculturais e econômicos que possam resultar da instalação do empreendimento e propõem medidas mitigadoras, bem como compensatórias.

O Estudo de Impacto Ambiental – EIA e o Relatório de Impacto no Meio Ambiente – RIMA da Usina Angra 3 foram submetidos ao IBAMA em maio de 2005. Cópias dos dois documentos foram disponibilizadas para consulta em diversas localidades, nos municípios onde iriam ocorrer as audiências públicas, e para outras organizações, conforme lista abaixo.


Audiências Públicas

Após análise do EIA/RIMA, o Ibama promoveu Audiências Públicas sobre o empreendimento Angra 3, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro, cidades dentro da área de influência do empreendimento, nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2007, respectivamente, e, em complementação às anteriores, convocou uma quarta Audiência Pública, na cidade do Rio de Janeiro, realizada no dia 26 de novembro de 2007 no Centro de Convenções da Prefeitura, que contou com a participação de mais de 700 pessoas, entre autoridades municipais, estaduais e federais, bem como representantes da sociedade civil organizada.

O empreendimento de Angra 3 foi também discutido em 17 reuniões prévias, realizadas pela Eletronuclear, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Rio de Janeiro. Aproximadamente três mil pessoas participaram das reuniões e das audiências.

Paralelamente, atendendo a convite da Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - que acompanha a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado -, a Eletronuclear participou de uma audiência pública no prédio anexo ao Palácio Tiradentes, para discutir os investimentos para a construção da Usina Angra 3.

Novas Audiências Públicas em Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro

No dia 25/01/2008 foi publicado no Diário Oficial da União (D.O.U.) edital do Ibama informando que, em atendimento à legislação vigente e à decisão liminar do Juízo da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, iria promover novas audiências públicas relativas ao licenciamento ambiental da Usina Angra 3, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro.

Entenda o porquê da realização de novas audiências: - o processo de licenciamento da Usina Nuclear Angra 3 foi paralisado por uma decisão liminar da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis (RJ) à ação civil pública promovida pelo Ministério Público Federal. A ação pediu a nulidade das audiências públicas ocorridas nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2007, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro.

Na ação, alegava-se que não houve observância a todas as formalidades legais na condução das audiências, como, por exemplo, o descumprimento do prazo regulamentar para a realização do evento, ferindo os princípios legais de publicidade. A Eletronuclear recorreu da decisão por entender que foi atingido o objetivo de dar publicidade e conhecimento das audiências ao público, pela distribuição de 27 cópias do EIA, 46 do RIMA e pela realização de uma ampla campanha de divulgação por ocasião das mesmas. A empresa teve ainda a iniciativa de realizar reuniões prévias com as comunidades de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro.

Entretanto, a Justiça determinou que o Ibama e a Eletronuclear interrompessem quaisquer atos administrativos referentes ao licenciamento ambiental do empreendimento, até que fossem realizadas as novas audiências públicas, precedidas da fase de comentários ao Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).

Convocação de Audiência Pública Suplementar em Ubatuba Em atendimento à solicitação do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de S. Paulo - Consema, o Ibama marcou, para o dia 28 de março de 2008, em Ubatuba (SP), uma audiência pública adicional relativa ao licenciamento ambiental da Usina Angra 3, convocada por edital do Ibama publicado em 01/02/2008 no Diário Oficial da União (D.O.U.).

Antecedendo a audiência, no dia 5 de março de 2008 a Eletronuclear participou de um fórum de discussões sobre a Usina Nuclear Angra 3, na Câmara de Vereadores de Ubatuba (SP). Na ocasião, representantes da empresa apresentaram os detalhes do empreendimento e discutiram sua viabilidade ambiental e comercial.

Divulgação das Audiências Públicas

A Eletronuclear promoveu uma ampla divulgação das audiências públicas, utilizando jornais regionais (Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro, Volta Redonda etc.), do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas Gerais e Brasília, além de rádios e televisões das regiões afetadas. Para motivar a participação popular nas audiências, notas jornalísticas também foram distribuídas para que a informação atingisse um público o mais amplo possível.

Realização das novas Audiências Públicas

A Eletronuclear, atendendo à convocação do Ibama, participou, nos dias 25 a 28 de março de 2008, destas quatro novas audiências públicas, que transcorreram em clima democrático, com manifestações contra e a favor do empreendimento. As quatro audiências públicas foram consideradas válidas pelo Ibama e delas tomaram parte cerca de 1.200 pessoas.

Licenças concedidas pelo Ibama para a Usina Angra 3

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) concedeu no dia 23 de julho de 2008, a Licença Prévia - LP da Usina Angra 3, com 60 (sessenta) condicionantes específicas a serem cumpridas pela Eletronuclear. Após o encaminhamento de relatórios, procedimentos e outros documentos solicitados e, ainda, de terem sido tomadas as ações indicadas pelo IBAMA, este órgão entendeu que a maioria das condicionantes da LP havia sido atendida e expediu, em 5 de março de 2009, a Licença de Instalação – LI No 591/2009, válida pelo prazo de 6 (seis) anos e constando de de 45 condicionantes, parte das quais referente aos itens não cumpridos da Licença Prévia, cujo atendimento está sendo realizado pela Eletronuclear dentro dos prazos estabelecidos.

O Conselho Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Angra dos Reis (Cmuma) aprovou por unanimidade, no dia 18 de junho de 2009, o projeto de instalação da usina Angra 3. O Cmuma é formado por representantes distritais de associações de moradores, governo municipal, entidades de classe e ambientais, sindicatos e outros segmentos do município. O projeto foi levado para apreciação e votação dos conselheiros do Cmuma seguindo o fluxo de exigências legais para a liberação da Licença de Uso do Solo.

Licença de Construção da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis
Após cumpridos estes trâmites legais, em 24 de junho a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e desenvolvimento Urbano, da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis (PMAR) concedeu o Alvará de Licença para Construção da Unidade 3 da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA).


OS EQUIPAMENTOS
Parcela considerável dos equipamentos importados a serem instalados em Angra 3 já foi adquirida. O acervo inclui os principais componentes mecânicos de grande porte da chamada “ilha nuclear”, tais como: vaso de pressão do reator, geradores de vapor, pressurizador, bombas principais de refrigeração e suportes de componentes do circuito primário. Além desses, há ainda alguns dos principais componentes do circuito secundário, por exemplo: gerador elétrico, turbina, bombas principais de água de alimentação e de condensado, e outros equipamentos de processo, como por exemplo: válvulas, trocadores de calor, vasos de pressão etc.

Todos esses equipamentos encontram-se em condições adequadas para uma operação confiável e segura da usina. Desde que chegaram à central nuclear, eles têm sido mantidos sob um rigoroso regime de preservação, sendo guardados nos almoxarifados construídos dentro da própria unidade, e nas instalações da Nuclep, localizada no município de Itaguaí (RJ).

A guarda dos equipamentos adquiridos para a construção de Angra 3, assim como ocorreu com os de Angra 2, obedece a um criterioso plano de preservação, que inclui a proteção dos equipamentos, com o uso de embalagens de folha de alumínio, seladas a vácuo, para controlar o grau de umidade; preservação com gás inerte de tanques e vasos de pressão; e revestimento com película protetora para materiais estocados há algum tempo. Tais medidas atendem ao Programa de Manutenção e Preservação, que ainda prevê inspeções periódicas para garantir que todos os materiais estocados tenham sido devidamente verificados a cada 24 meses.

A construção de Angra 3 ainda exigirá a compra de uma extensa gama de equipamentos. No mercado internacional deverão ser adquiridas a máquina de recarga de combustível, as barras de controle para o reator (do tipo PWR, à base de água leve pressurizada), material de tubulação e tanques para o grupo turbo-gerador, equipamentos de processo e, o principal, o novo sistema de instrumentação e controle digital. Já no mercado doméstico, serão adquiridos componentes mecânicos, tais como vasos, tanques, trocadores de calor, equipamentos de processo e rotativos, pontes rolantes, pórticos, guindastes, suportes e revestimentos especiais, bombas e válvulas, tubos, isolamento térmico, sistemas de ventilação e de proteção contra incêndio, além de componentes elétricos em geral.


Cronograma de Implantação
O cronograma para a implantação de Angra 3 prevê um total de 66 meses (ou 5,5 anos), período que engloba as atividades de construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento dos equipamentos e sistemas e testes operacionais. O prazo se inicia com os trabalhos de concretagem das fundações do edifício reator sobre uma sólida estrutura de rocha, terminando com a conclusão dos testes operacionais e de potência.


Antes do início da concretagem da laje de fundo do Edifício do Reator está previsto um período de 5 meses para a realização de atividades preliminares, como a execução de serviços preparatórios de engenharia, a instalação da infra-estrutura do canteiro de obras e a execução do concreto de regularização da cava de fundações e para impermeabilizar as fundações dos edifícios do reator e auxiliar do reator.

Como Angra 3 será uma usina similar à Angra 2, grande parte do seu projeto de engenharia será utilizado no empreendimento, propiciando um aproveitamento dos documentos técnicos já elaborados.

As diferenças entre as duas usinas referem-se, principalmente, à necessidade de determinadas adequações, decoorrentes das diferenças entre as duas plantas, como por exemplo: o terreno (Angra 2 foi construída sobre estacas e Angra 3 o será sobre rocha sã) e o sistema de instrumentação e controle. Angra 3 já utilizará tecnologia digital de última geração.

Entre 1984 e 1986, foram realizados cortes de rocha, aberturas de cavas para blocos de fundação, preparação parcial do sítio e executadas as instalações parciais de infra-estrutura do canteiro de obras.




CENTRO DE INFORMAçõES


Desde a implantação da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, a Eletronuclear desenvolve uma forte política de comunicação sobre as operações das usinas de Angra junto às comunidades vizinhas. Com isso, propicia o acesso à informação e procura esclarecer as principais dúvidas com relação às atividades desenvolvidas na geração de energia nuclear.

Por conta dessa política de comunicação externa, a Eletronuclear mantém dois centros de informações com o objetivo de divulgar as atividades das usinas nucleares e responder às principais dúvidas de seus visitantes.

O Centro de Informações de Itaorna, no Km 522 da Rodovia Rio-Santos, de onde é possível avistar todo o complexo nuclear, funciona de segunda a sexta, das 8h às 11h30 e das 13h45 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 15h. Uma exposição permanente, filmes e folhetos educativos explicam como é gerada a energia elétrica pelos reatores nucleares e os cuidados da empresa com o meio ambiente e a população.

Localizado na Av. Júlio Maria, 160, região central de Angra dos Reis, o Espaço Eletronuclear oferece informações sobre o funcionamento de Angra 1 e 2, as principais ações de responsabilidade social desenvolvidas pela empresa, promove exibições educativas com paínéis eletrônicos e maquetes das usinas, além de fomentar atividades culturais da região. O local conta ainda com um auditório para 40 pessoas, funcionando de segunda a sexta, das 7h30 às 21h, e, aos sábados, das 9h às 14h.

As duas instalações recebem, juntas, mais de 20 mil visitantes por ano.






•Clique aqui e veja a Lista de Distribuição dos EIA/RIMAs;
http://www.eletronuclear.gov.br/hotsites/angra3/licenciamento_ambiental/quadro.pdf

•Clique aqui e veja o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA);
http://www.eletronuclear.gov.br/pdf/relatorio_de_impacto_ambiental.pdf

•Clique aqui para ver o Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
http://www.eletronuclear.gov.br/pdf/relatorio_de_impacto_ambiental.pdf

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CE mandara demolir Pousada Sankay






De Chico Otavio, de O Globo:

A Pousada Sankay (foto acima), um dos cenários da tragédia que atingiu Angra dos Reis no primeiro dia do ano, faz parte de uma lista de obras irregulares na Baía de Ilha Grande elaborada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) durante uma inspeção especial em 2007.

O levantamento, motivado pela operação Carta Marcada, da Polícia Civil, afirmou que a Sankay, assim como outros empreendimentos na Costa Verde, estava "sobre a área de domínio dos costões rochosos, especialmente quanto ao descumprimento do recuo mínimo exigido na zona costeira, e construções no espelho d'água".

O TCE cobrou, no ano seguinte, providências da prefeitura de Angra para coibir as irregularidades, mas o deslizamento de terras revelou que as obras ilegais encontradas na pousada estavam intactas até a madrugada da tragédia. A vistoria incluía até uma foto da fachada da pousada.

- Não me lembro do relatório. Angra é muito grande. Mas nunca deixamos de cumprir as determinações do TCE - alegou o ex-prefeito Fernando Jordão, que administrou Angra de 2001 a 2008.

[O ex-prefeito é tio do atual prefeito.]

Técnicos do Tribunal passaram um mês na Baía de Ilha Grande depois que a Carta Marcada descobriu um esquema de venda de licenças ambientais e fraudes em licitações envolvendo a agência local da Feema e as prefeituras de Angra e Paraty.

Na inspeção, eles apontaram anormalidades em propriedades privadas nas Praias do Bananal e Vermelha, na Ilha Grande, na Ilha das Palmeiras e no Condomínio Vilas Tanguá.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tragédia de Angra - Cabral tem razão


Deu no Ricardo Noblat:


Sem essa de que a chuva foi a principal razão dos deslizamentos de terras que mataram 50 pessoas em Angra dos Reis.

Socorro-me do governador Sérgio Cabral. Ele disse que aquela foi uma tragédia anunciada.

Por que? Cabral não explicou direito. Mencionou que "não se pode brincar com o solo". E que "não se pode ter construção perto de montanha e de espalho d´água". Em Angra tem de sobra.

Sinto-me tentado a seguir o exemplo de um antigo e sagaz repórter do Diário de Pernambuco.

Nos anos 60 houve um incêndio no Recife que os bombeiros não conseguiram debelar. Apagou-se sozinho.

O repórter tentou, sem sucesso, entrevistar o chefe dos bombeiros. De volta ao jornal, escreveu:

- O chefe dos bombeiros não quis dizer nada. Mas pelo seu semblante dava para notar que ele estava irritado com a pouca água dos hidrantes, com a falta de escadas para atingir grandes alturas...", e por aí foi.

O que Cabral quis dizer quando chamou de "anunciada" a tragédia de Angra?

"Anunciada" virou um cacoete de linguagem desde que o colombiano Gabriel García Márquez publicou "Crônica de uma Morte Anunciada", uma novela.

Por "anunciada", deve-se entender "previsível".

Como sempre chove forte nesta época no Rio, e como o volume da chuva não bateu nenhum recorde, imagino dado ao semblante exibido na ocasião por Cabral que ele quis livrar a chuva da condição de única culpada pelo que aconteceu.

(Vejam que caminho com excesso de cuidado pela vereda que o repórter do Diário de Pernambuco inaugurou.)

A tragédia de Angra só pode ser classificada de "previsível" ou de "anunciada" se levarmos em conta a combinação mortal de chuva forte com habitações plantadas em locais inseguros.

Não lhes parece uma conclusão óbvia? Estamos, pois, de acordo?

Nesse caso cabem várias perguntas.

A prefeitura de Angra nunca avaliou que estava pronto o cenário para uma tragédia?

Nunca alertou a respeito o governo do Estado?

Por sua vez nenhum órgão do governo estadual se tocou para o que estava por vir?

Tuca Jordão (PMDB), atual prefeito de Angra, não pode fingir que não sabia. É sobrinho do prefeito anterior que governou Angra durante oito anos. Trabalhou com ele. Preparou-se para sucedê-lo.

Transcrevo do site da prefeitura um resumo do seu currículo:

* Tuca Jordão é engenheiro civil. Nascido e criado em Angra, começou sua vida pública em 2002 como engenheiro de projetos. Logo depois assumiu a subsecretaria de Obras e Serviços Públicos, quando reestruturou todas as regiões administrativas e criou as subprefeituras, levando cidadania para quem mora longe do Centro.

* Em 2005, Tuca assumiu a Secretaria de Habitação e realizou o sonho da casa própria de milhares de pessoas, com destaque para o primeiro condomínio vertical da cidade. Ele também implantou o maior projeto de regularização fundiária da história de Angra, que garante o direito à terra e à moradia de milhares de famílias.

* Em 2007, Tuca participou da fusão das secretarias de Habitação e Serviços Públicos - que incorporou ainda as quatro subprefeituras -, mostrando toda sua experiência técnica e administrativa. Mas o desafio maior veio em 2008 quando Tuca acumulou a responsabilidade pela Secretaria de Obras, dando maior agilidade aos projetos e realizações no Município.

É impossível acreditar que um homem com tal experiência desconhecesse o perigo que rondava seus governados.

Aqui não se discute se Tuca é um político honesto ou venal, sensível à cobrança de propinas para facilitar construções irregulares.

Sequer precisa ser venal. Um mês depois de eleito, os vereadores de Angra reajustaram seu salário em 39%. E Tuca passou a ganhar R$ 23 mil - quase o dobro do que ganhava o prefeito de São Paulo.

É fato que Tuca está sendo processado - mas por outro motivo. Beneficiou-se, segundo a acusação, do transporte gratuito de barco entre Provetá (Ilha Grande) e Angra dos Reis oferecido pelo tio-prefeito à população. Em troca, moradores de Provetá e de Angra votaram nele.

Descarte-se a hipótese de Tuca e Cabral serem desafetos. E de que isso tenha dificultado o entendimento entre os dois. Não são. Pertencem ao mesmo partido - o PMDB. Dão-se muito bem.

Em junho último, Cabral baixou um decreto que afrouxou as regras para construções em áreas de preservação ambiental de Angra dos Reis e de suas ilhas.

Os ambientalistas de Angra e do Estado subiram nas tamancas. Tuca não subiu.

Dedução óbvia: o prefeito avaliza o decreto de Cabral que está sendo contestado na Justiça.

Digo aos apressadinhos que a recente tragédia de Angra nada teve a ver com o decreto.

Futuras tragédias, se o decreto não for revogado, essas, sim, poderão carregar a indelével impressão digital de Cabral.

A tragédia que ainda se chora é uma obra coletiva dos governos passados em todos os níveis, mas também dos atuais.

Se Cabral anunciou que há 3 mil construções irregulares em Angra, e também que para desapropriá-las o "Orçamento não é problema", por que não agiu antes de modo a evitar a consumação de uma "tragédia anunciada"?

Só agora descobriu as construções irregulares?

Só agora descobriu que o "Orçamento não é problema?"








sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Sobe para 34, o número de mortos pela chuva no Rio e na Baixada

foto da Pousada Sankay


deu no JBONLINE:

RIO - Subiu para 36 o número de mortos em consequência da chuva dos últimos dias no estado do Rio. Ontem à noite, o número de vítimas era de 19. Porém, nesta sexta-feira, morreu no Hospital Salgado Filho, no Méier, a menina Mariana Moraes, de 3 anos, que tinha sido resgatada dos escombros da casa em que morava, na Rua Marechal Alencastro, em Cascadura. Mariana tinha várias fraturas pelo corpo. O seu estado de saúde agravou-se durante a madrugada.

No desabamento da residência, morreu o pai da criança, Mário Jorge Moraes, de 49 anos, e a mãe, Diana Martins.

E esta madrugada, uma encosta deslizou na praia do Bananal, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, soterrando a pousada Sankay. Até agora, já foram encontrados 11 corpos. Cinco pessoas estão gravemente feridas.

O prefeito de Angra, Tuca Jordão, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, acompanham os trabalhos na Praia do Bananal.

Outras cinco pessoas de uma mesma família morreram em um desabamento no Morro da Carioca, região central de Angra.