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terça-feira, 3 de abril de 2012

CRIME AMBIENTAL - MPF denuncia ex-prefeito de Belford Roxo por peculato e crime ambiental em obra de aterro sanitário

Waldir Zito já foi condenado pelo TCU a ressarcir R$ 1,8 milhão aos cofres públicos

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou por crime ambiental e peculato o ex-prefeito de Belford Roxo, Waldir Camilo Zito dos Santos, e o ex-secretário geral do município, Jorge da Silva Amorelli. Os dois responderão pela poluição e degradação ambiental causadas pela não conclusão do aterro sanitário da cidade e pela omissão que levou à depredação dos equipamentos e materiais destinados à obra (processo nº 2006.5110.002740-4). 

O MPF denunciou também pelos mesmos crimes o ex-secretário e o ex-subsecretário de Obras do município, Djalma Henrique da Silva Aguiar e Marco Antonio Novello Marques. Ambos teriam sido responsáveis pelo despejo de lixo no local antes da conclusão do aterro sanitário, paralisando as obras por seis meses e causando grave dano ambiental.

Em janeiro desse ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) julgou irregulares as prestações de contas referentes às verbas liberadas para a obra do aterro, condenando Waldir Zito a ressarcir R$ 1,8 milhão aos cofres públicos. Na denúncia apresentada à 4ª Vara Federal de São João de Meriti, o procurador da República Renato Machado pede o afastamento cautelar dos denunciados dos cargos públicos que hoje ocupem e de todo e qualquer cargo público até o desfecho da ação. Atualmente, Waldir Zito é secretário de Obras e Urbanismo de Duque de Caxias e Jorge Amorelli é vice-prefeito de Duque de Caxias. 

O MPF denunciou ainda por apropriação indébita os representantes da Mastercon 1337 Engenharia e Projetos, contratada para implantação do aterro. A empresa recebeu pagamento integral pela obra, mas não a concluiu, retendo quantias e equipamentos. 

Entenda o caso - Em junho de 2000, o município de Belford Roxo celebrou convênio com o Ibama para construir um novo aterro sanitário e recuperar duas áreas degradadas nas quais o lixo do município era despejado. Os recursos do convênio eram oriundos de multas aplicadas pelo Ibama a Petrobras e faziam parte do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. 

Em 2003, o município assinou um contrato com a empresa Mastercon, que ficou incumbida de realizar a implantação do novo aterro sanitário. Porém, em 2004, o Ibama constatou em vistoria que o aterro não só não tinha sido concluído, como se encontrava totalmente depredado e que a degradação ambiental tinha se agravado para além das áreas já afetadas.

No local onde seria instalado o aterro, começou-se a depositar resíduos, a céu aberto, sem qualquer preparo, com potencialidade de causar sérios danos à saúde de pessoas e animais que circulam no local. Houve contaminação de rios e lençóis freáticos da região, bem como degradação de remanescentes da Mata Atlântica que circundam o lixão. 

O parecer técnico da vistoria apontou também que pessoas não identificadas invadiram a área, saqueando e depredando os equipamentos instalados, adquiridos com o dinheiro público do convênio. Mesmo sabendo que o local de construção do aterro era perigoso e ermo, os agentes públicos denunciados não providenciaram qualquer tipo de vigilância na área. 

Fonte MPF    

domingo, 4 de dezembro de 2011

EXPULSAO - "CHEVRON pode ser expulsa do Brasil", diz Lobão

Ministro afirma que expulsão acontecerá se petrolífera americana não cumprir acordos para reparar o vazamento na Bacia de Campos
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O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou neste sábado que a petrolífera americana Chevron pode ser "expulsa" do País caso não cumpra os acordos para reparar os danos causados pelo vazamento de petróleo na Bacia de Campos.

"A empresa já foi fortemente penalizada pelo que fez e foi suspensa de fazer novas perfurações no Brasil, embora seja a segunda maior empresa do mundo", afirmou Lobão aos jornalistas em Teresina, capital do Piauí.

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O ministro lembrou que a Chevron deve pagar a multa de R$ 50 milhões que foi imposta pelas autoridades e também se responsabilizar pelos danos causados ao meio ambiente, que ainda não foram totalmente quantificados.

"Estamos atentíssimos no sentido de que cumpra o seu papel ou então (a Chevron) será expulsa do Brasil", completou Lobão.
A Chevron calcula que o vazamento na Bacia de Campos seja de 2,4 mil barris de petróleo, embora as autoridades do Rio de Janeiro apresentem outro número: 15 mil barris. A própria companhia foi encarregada de recolher o petróleo que subiu até a superfície.
A mancha de petróleo, que praticamente já desapareceu, está localizada a cerca de 120 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro.



Foto: AE
Moradores de Duque de Caxias fazem protesto contra a Chevron em frente ao Consulado dos Estados Unidos, no centro do Rio, nesta sexta (2) 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Decreto de Cabral favoreceu Luciano Hulk em Angra

Decreto de Cabral favoreceu cliente de sua mulher em Angra

Escritório defende Luciano Huck, que teve obra embargada no município
Alfredo Junqueira, Felipe Werneck (ESTADÃO)

RIO
Alvo de ação civil pública movida pelo município de Angra dos Reis em outubro de 2007 por supostos danos ambientais e construções irregulares em sua casa de veraneio, o apresentador de TV Luciano Huck é representado pelo escritório de direito do qual é sócia a primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo Cabral. Seu marido, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), editou, em junho do ano passado, o Decreto 41.921, que alterava a legislação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, na Baía de Ilha Grande. A medida, cuja constitucionalidade é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, beneficiaria proprietários de residências consideradas irregulares na região ? caso de Huck e sua casa na Ilha das Palmeiras.

Ambientalistas contrários às mudanças determinadas por Cabral se referem ao decreto como "Lei Luciano Huck". Na Ação 2007.003.020046-8, que tramita na 2ª Vara Cível de Angra, o apresentador é representado por dois integrantes do escritório Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados. O município obteve liminar, em maio de 2008, que obrigou Huck a paralisar as obras em sua casa, que incluíam a construção de bangalôs, decks, garagem de barcos e muro para criação de praia artificial, "o que pode ocasionar danos ambientais irreversíveis, assim como agravar os já existentes" ? conforme despacho do juiz Ivan Pereira Mirancos Junior.

Desde domingo, o Estado vem mostrando a atuação da primeira-dama e de seu escritório de advocacia em ações judiciais, como a defesa do Metrô Rio e do grupo Facility, um dos maiores fornecedores do governo Cabral.

Procurado, o governo do Estado indicou Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para comentar o caso. Cabral e Adriana estão em Londres, na Inglaterra, e não foram localizados. Em nota, o Inea informou que a licença ambiental para a casa de Luciano Huck foi concedida em junho de 2004 e o Estado "desconhece a existência de ação do município de Angra contra o apresentador e os motivos que fizeram com que o município movesse a ação citada". Segundo o Inea, Huck nunca fez pedido ao Estado com base no decreto.

O polêmico Decreto 41.921 teria sido originalmente elaborado na Secretaria da Casa Civil, e não por órgãos ambientais do Estado do Rio ? segundo servidores que atuam no setor. Segundo o Inea, a informação não é verdadeira. "O decreto foi elaborado pela Secretaria do Ambiente e encaminhado à Casa Civil unicamente para a assinatura do governador e publicação."

Segundo o coordenador-geral da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), o decreto não beneficia apenas o apresentador. "Em termos gerais, o decreto beneficiaria não só o Luciano Huck, mas grandes empreendimentos que não são regularizáveis pela legislação atual", afirmou.

Segundo o procurador-geral de Angra, André Gomes Pereira, todo processo de regularização que menciona o decreto é suspenso. "A gente tem uma resposta padrão informando que não haveria decisão enquanto não houvesse decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade em tramitação no STF", explicou Pereira.

Por sua assessoria, Luciano Huck informou que o escritório da primeira-dama "atua há vários anos como correspondente de Lilla, Huck, Otranto, Camargo Advogados", seus advogados em São Paulo, desde antes da gestão Cabral. "Não tínhamos conhecimento, até o momento, de que a primeira-dama do Rio de Janeiro era sócia desse escritório", informou a assessoria. O advogado Sérgio Coelho não quis comentar o caso e informou apenas que representa Huck e seus sócios desde 2002.