Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 10 de abril de 2012

VAI UMA CARONINHA AÍ ??? - Crivella leva Pastor de carona em avião da FAB

Por Josias de Souza

O ministro Marcelo Crivella (Pesca) ofereceu carona num avião da FAB ao pastor evangélico Wilton Acosta, presidente do Fenasp (Fórum Cristão Nacional de Ação Social e Político). Voaram juntos de Brasília para Campo Grande (MS). Viagem de ida e volta.

O deslocamento ocorreu há quatro dias, na quinta-feira (5) da semana passada. Em texto veiculado nesta segunda (9), a pasta da Pesca informou que Crivella foi ao Mato Grosso do Sul para entregar escavadeiras hidráulicas a 13 municípios e visitar as obras de um entreposto pesqueiro.

A notícia do ministério não menciona, mas Crivella cumpriu em Campo Grande uma agenda paralela. O repórter Ítalo Milhomem informa: antes dos compromissos oficiais, o titular da Pesca, que é bispo licenciado da Igreja Universal, participou de um café da manhã com outros pastores e com parlamentares evangélicos.

Crivella foi ao café acompanhado do “carona” Wilton Acosta, primeiro a descer do avião da FAB, conforme mostra o vídeo lá do alto. Além dele e do ministro, voaram nas asas da Força Aérea uma assessora da Pesca e o deputado federal Vander Loubet (PT-MS). Recepcionou-os o governador André Puccineli (PMDB).

O petista Vander é autor das emendas que injetaram no Orçamento da União as verbas usadas na aquisição das escavadeiras hidráulicas que o ministro entregou. Em tese, sua presença no vôo seria justificável. Quanto ao pastor Wilton Acosta, não participou senão do pedaço religioso e extraoficial da agenda do ministro.

Deu-se na sede matogrossense da Igreja Mundial. Crivella brindou os presentes com uma oração. A audiência incluiu o governador Puccinelli e dois candidatos à prefeitura de Campo Grande: o petista Vander, aquele que apresentou as emendas das escavadeiras, e o também deputado Edson Giroto, do PMDB.

Ao discursar, o “carona” Wilton Acosta convocou os “irmãos” a se unirem na fé e na defesa dos bons costumes na política. Debateu-se no encontro, por exemplo, a mobilização contra a liberação do aborto de bebês anencéfalos. Um tema que vai a julgamento no plenário do STF nesta quarta (11).

Terminado o café “cristão”, Crivella foi aos compromissos oficiais de sua agenda. O pastor Wilton permaneceu na igreja. Reencontraram-se mais tarde, no embarque de volta para Brasília. Tomaram, de novo, o avião da FAB, que os aguardava na Base Aérea de Campo Grande.

O uso de jatinhos da frota da Força Aérea é regulamentado por um decreto presidencial (4.244) baixado em maio de 2002, sob FHC. Menciona as autoridades que podem voar: vice-presidente, presidentes do Senado, da Câmara e do STF, ministros e autoridades com status ministerial.

Estipula as situações em que os aviões podem ser requisitados. Pela ordem: “por motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente” das autoridades.

Anota que o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica poderão “autorizar o transporte de outras autoridades –nacionais e estrangeiras”. Aos olhos da administração pública, o pastor Wilton Acosta não se enquadra no rol de “autoridades” admissíveis como passageiros.

Diz ainda o texto: “O transporte de autoridades civis em desrespeito ao estabelecido neste decreto configura infração administrativa grave, ficando o responsável sujeito às penalidades administrativas, civis e penais aplicáveis à espécie.”

Procurado, o Ministério da Pesca alegou que Crivella convidou o pastor para acompanhá-lo no voo porque Mato Grosso do Sul é o Estado natal de Wilton Acosta. A FAB reagiu à moda de Pilatos. “As informações sobre rotas, listas de passageiros e demais detalhes dos voos são de responsabilidade das autoridades transportadas”, lavou as mãos a Força Aérea.

Entrevistado pelo telefone, o pastor caroneiro reconheceu que não participou da agenda oficial de Crivella. “Fiz uma reunião em Campo Grande com os deputados, vereadores e lideranças para discutir uma estratégia de atuação da Fenasp nas Câmaras e Assembléias”, disse.

Por que diabos voou na companhia do ministro? “Nós tínhamos um agenda conjunta, não há nada de ilegal, foi autorizado e não é uma prática habitual.” Se tivesse viajado em avião comercial, o pastor teria desembolsado algo entre R$ 1.200 a R$ 1.750 para a ida e quantias semelhantes para a volta. De FAB, o contribuinte pagou os dois trechos

Fonte Uol/Blog do Josias
    

domingo, 29 de janeiro de 2012

FARRA AÉREA - Ministros e vice gastam R$ 16,6 milhões com jatinhos. Padilha, da Saude, é o Campeão

Por Lucio Vaz
SÃO PAULO

Em 2011, ministros de Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer gastaram R$ 16,6 milhões com viagens em aviões da FAB

Eles estavam em missões oficiais ou em deslocamentos para casa. A Folha teve acesso às planilhas de voo de todos os ministros, com dados inéditos sobre horário de partida, duração da viagem, custo da hora/voo, roteiros e datas.

O cruzamento de todos esses dados, que abrangem dez meses de exercício, revela que muitas aeronaves decolam em horários próximos, com o mesmo destino, cada uma com um ministro a bordo.

Não há um planejamento para evitar desperdício do dinheiro público e em muitos casos foi desrespeitada a orientação da presidente para que os voos fossem compartilhados por uma ou mais autoridade.

A maior parte dos ministros vai para casa de jatinho nos finais de semana. Dos 16,6 milhões, R$ 5,5 milhões foram gastos neste tipo de trajeto. Nesses casos, o jatinho precisa fazer até quatro viagens (normalmente a aeronave leva o passageiro na quinta ou sexta e retorna para Brasília; depois, volta para buscá-lo na segunda).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

FARRA NA FAB - Ministério Público investiga fraude na folha de pagamento da Aeronáutica. Rombo pode chegar a podem chegar a R$ 3 bilhões

Ministério Público investiga fraude na folha de pagamento da Aeronáutica depois de descobrir que oito mil militares demitidos nos últimos dez anos permanecem ativos em cadastro interno por Claudio Dantas Sequeira




ROMBO
Fraudes na FAB podem chegar a R$ 3 bilhões, valor correspondente
a 70% do investimento previsto para o setor em 2012

O Ministério Público Federal está debruçado no que pode ser um dos maiores escândalos de desvio de verbas já descobertos envolvendo a Força Aérea Brasileira. Cerca de oito mil militares que foram demitidos nos últimos dez anos continuam ativos no cadastro interno da FAB e de órgãos federais, como o Ministério do Trabalho e da Previdência. Na enorme lista de soldados fantasmas – que corresponde a 12% do efetivo da Aeronáutica – constam até mortos, segundo documentos obtidos com exclusividade por ISTOÉ e que estão sendo analisados pelo procurador da República Valtan Timbó Furtado, do 7º Ofício Criminal, de Brasília. Depois de analisar os papéis, que incluem laudos internos da Aeronáutica e do Ministério da Defesa, o procurador encontrou elementos suficientes para investigar a FAB por crime contra o patrimônio e estelionato. “Vou pedir à Polícia Federal que instaure o inquérito”, disse Furtado à ISTOÉ. O rombo pode alcançar R$ 3 bilhões, valor equivalente a 70% de todo o investimento da Força Aérea previsto para 2012 e 20% do orçamento da Defesa. Na mira do procurador estão chefes de bases aéreas, comandantes do Estado-Maior da Aeronáutica e dos departamentos e diretorias de pessoal a eles subordinados.

Informada do caso em abril, a presidenta da República, Dilma Rousseff, ordenou uma devassa nas contas da Aeronáutica. Mas pediu sigilo para evitar ferir suscetibilidades. A suspeita da fraude aconteceu quando um grupo de ex-soldados decidiu recorrer à Justiça para tentar reingressar na FAB. Eles são parte de um contingente de 12 mil homens que entraram na Força Aérea entre 1994 e 2001, por meio de concurso público para o cargo de soldado especializado. A função fazia parte do Programa de Modernização da Administração de Pessoal, idealizado pelo brigadeiro José Elislande Bayo, que mais tarde seria secretário de Finanças da Aeronáutica. Em documento interno, classificado como reservado, Bayo atacou a “cultura viciada de improviso” e “métodos ultrapassados”. Para combater esses problemas, propôs a reestruturação de quadros e a criação da “figura do soldado especializado”, que poderia “dispensar o recrutamento para o serviço militar obrigatório”.

A ideia parecia boa, mas por algum motivo não funcionou. Dos 12 mil soldados especializados que prestaram concurso, apenas quatro mil foram aproveitados. Os demais acabaram desligados da FAB sem nenhuma justificativa, ao término de seis anos engajados. Como o edital não previa temporalidade, cerca de três mil desses soldados reuniram-se numa associação, a Anese, Associação Nacional dos Ex-Soldados Especializados, e passaram a cobrar o direito de reingresso. Foi quando descobriram que seus cadastros continuavam ativos, apesar da demissão. Luiz Carlos Oliveira Ferreira, por exemplo, trabalhou no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos até 2001. Seu desligamento foi publicado em boletim interno, mas a FAB não comunicou a dispensa ao TCU, ao Ministério do Trabalho ou à Previdência. Quem consulta a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) e o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) verifica que Ferreira e tantos outros, como os ex-soldados Williams de Souza, André Miguel Braga Longo, Alexandre Gregório, Edmilson Brasil e Anviel Rodrigues, nunca foram demitidos de fato. “A FAB cometeu todo tipo de fraude cadastral”, acusou o ex-soldado Marcelo Lopes, que integra a direção da Anese em Brasília.


NA JUSTIÇA
Cerca de 3 mil soldados reuniram-se numa associação,
a Anese, e passaram a cobrar o direito de reingresso à FAB

Robson Sampaio, da Anese do Rio, cita o caso de Alexandre Gregório, que após deixar a Aeronáutica prestou concurso para a Prefeitura do Rio e se surpreendeu ao descobrir que suas guias do CNIS, da Rais e do Caged estavam em nome de Denílson Nogueira, que consta como ativo no Parque de Material Bélico de São Paulo. Outro caso é o de Edmilson Brasil, que constam no Caged como aposentado, embora tenha sido demitido da FAB e hoje trabalhe na empresa Tecnoval Laminados. “Isso é caso de polícia. É preciso investigar a fundo essa fraude bilionária”, afirma Sampaio. As fraudes, segundo ele, também envolvem duplicidade de certificado de reservista de milhares de militares, como os ex-soldados especializados Teodoro dos Santos Gomes, Sandro Roberto de Souza, Nuil Benigno Andrade Ferreira e Alessandro Baptista. Eles descobriram que foram emitidos certificados em seus nomes tanto pelo Exército como pela Aeronáutica. Até mortos figuram como ativos na FAB, como Paulo Fabrício Cavalcante Vieira, morto em outubro de 2000 numa troca de tiros.

Questionada por ISTOÉ, a FAB negou o desvio de recursos e garantiu que os soldados especializados foram desligados da folha de pagamento da Aeronáutica. Em nota, a assessoria de imprensa alegou que os militares deixaram de constar da RAIS “desde quando deixaram de receber remunerações pela Aeronáutica”, o que não é verdade. Da mesma forma, a FAB alega que o fato de os soldados desligados estarem “ativos” no CNIS, no Caged e no CBO “não implica o pagamento de benefício pecuniário e tampouco recebimento de qualquer dotação orçamentária”. A justificativa não explica, por exemplo, o caso de Paulo André Schinaider da Silva. ISTOÉ obteve uma cópia da ficha interna do banco de dados da FAB, chamada SGIPES (Sistema de Informações Gerenciais de Pessoal). O soldado, admitido em 1998 e desligado em 2004, consta no cadastro sigiloso como “militar inativo”. Ou seja, aposentado. Portanto, beneficiário da previdência militar. Schinaider, porém, garante que não recebe o dinheiro. “Quero saber para onde está indo minha aposentadoria como militar. Para a minha conta é que não é!”, diz Schinaider. Ao procurar a FAB, o ex-soldado gravou com uma câmera escondida um funcionário informando que houve uma reunião para discutir sobre como desligar os soldados do sistema da FAB. “Ele disse que não havia como e que uma tenente ficou responsável por enviar ao Ministério do Trabalho e à Previdência pedidos de retificação da RAIS. Mas isso não muda nada lá dentro”, afirma Schinaider.

Uma análise da assessoria jurídica, mantida a sete chaves pelo comando, também atestou a falha no cadastro de soldados e alunos das escolas de formação de oficiais e sargentos, recomendando à FAB que passe a comunicar “os ingressos e saídas de praças e alunos” ao Tribunal de Contas. Descobriu-se que, embora os desligamentos dos soldados constem de boletim interno da FAB, os mesmos não foram informados aos órgãos de controle, nem ao Ministério do Trabalho ou à Previdência Social. Destacado para cuidar do assunto, o ex-deputado José Genoino, assessor especial do ministro Celso Amorim, admitiu em reunião com ex-soldados o “nó jurídico e material”. Resta saber se esse nó pode ser desatado e a quem beneficia. Em 2004, o TCU condenou Jayro José da Silva, ex-gestor de finanças da Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, a devolver quase R$ 4,6 milhões em decorrência de uma fraude no cadastro. Ouvido por ISTOÉ, o coronel, que foi expulso da FAB, diz que assumiu a responsabilidade sozinho. “Perdi minha carreira, meu emprego e minha honra. Aguentei tudo para proteger muita gente”, disse. Questionado sobre quem seriam esses oficiais, Silva foi lacônico. “Melhor não mexer nisso.”


PROVA DO DESCONTROLE
Foram emitidos certificados de reservista, em nome do militar Alessandro Baptista,
tanto pela Aeronáutica quanto pela Marinha, o que aumenta as suspeitas de irregularidades


Documento da Previdência (acima) mostra que, embora tenha sido demitido da FAB,
o militar André Longo continua com cadastro ativo na Aeronáutica. O MP, em ofício
encaminhado ao Departamento de Ensino da Aeronáutica (abaixo),
alerta para as irregularidades na dispensa de soldados




Fonte isto e http://www.istoe.com.br/reportagens/179743_A+FARRA+DA+FAB?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sábado, 3 de abril de 2010

ACIDENTE - Após morte, FAB suspende shows da Esquadrilha da Fumaça



As apresentações da Esquadrilha da Fumaça agendadas para as próximas semanas foram suspensas pelo Comando do Aeronáutica após o acidente que matou um oficial no final da tarde de sexta-feira em Lages, cidade localizada a 200 km de Florianópolis (SC).
Neste sábado, os "fumaceiros" realizariam uma apresentação em Curitiba. O capitão Anderson Amaro Fernandes pilotava um Tucano número sete e colidiu contra o solo durante as festividades dos 68 anos do Aeroclube de Lages, quando 10 mil pessoas assistiam ao evento.
O acidente é investigado pela Aeronáutica, que não informou em quanto tempo as atividades do esquadrão serão retomadas. Na noite desta sexta, peritos do Centro nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) desembarcaram em Lages. Por volta das 7h30 deste sábado, a equipe começou a analisar o local onde o avião explodiu. O aeroporto de Lages continua interditado ao público e o acesso só é permitido aos militares que trabalham na investigação.
Ainda na madrugada deste sábado, o corpo do oficial foi levado num avião da Aeronáutica para a cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo, onde está situada a base da Esquadrilha da Fumaça.
Com 33 anos de idade e 180 apresentações no currículo, Amaro era casado e tinha uma filha. Após o velório em Pirassununga, seu corpo será levado para Fortaleza, sua terra natal, onde será sepultado. O oficial completaria 34 anos no próximo dia 20.


 


 

sábado, 20 de março de 2010

PROJETO FX-2 - Nélson Jobim ignora FAB e prioriza transferência de tecnologia de caças

da Folha Online
Hoje na Folha O ministro da Defesa, Nelson Jobim, desconsiderou o ranking da Aeronáutica em que o caça sueco Gripen NG ficou em primeiro lugar para renovar a frota da FAB e priorizou transferência de tecnologia de caças, informa reportagem de Eliane Cantanhêde, publicada neste sábado pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a reportagem, Jobim mandou de volta aos militares um relatório sucinto desqualificando as possibilidades de transferência de tecnologia tanto do caça sueco quanto do norte-americano F-18 e afunilando a escolha para o francês Rafale.
A base da justificativa do ministro, conforme a Folha antecipou em 4 de fevereiro, é que o F-18 é americano e o Gripen NG tem componentes dos EUA, como o motor, e ambos deixariam o Brasil vulnerável. Os EUA, que têm regras peculiares de transferência de tecnologia, já impediram a Embraer de vender os aviões Super Tucano à Venezuela por terem peças americanas.
Argumentando que a avaliação de Jobim foi a partir de informações objetivas pinçadas do próprio relatório da FAB, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, respondeu anteontem ao ministro que o Alto Comando (integrado pelos brigadeiros de mais alta patente) não tinha nada a opor.
Com isso, Jobim tem o caminho livre para finalmente anunciar o caça francês, o último no ranking oficial da Aeronáutica. O pacote do Rafale deve ficar em cerca de R$ 18 bilhões.
Leia a reportagem completa na Folha deste sábado, que já está nas bancas.
Assine a Folha

 

 

terça-feira, 2 de março de 2010

Nélson Jobim admite ter sido desatento com documentos da FAB


Agência Brasil
Publicação: 02/03/2010 20:42
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou nesta terça (2) que a Força Aérea Brasileira (FAB) tenha sonegado documentos sigilosos do período da ditadura militar solicitados pela Casa Civil em 2006. Jobim alegou “desatenção” aos papéis que, segundo ele, estavam disponíveis desde que o pedido foi feito. “A FAB não ocultou nada. O que se passou, de minha parte, foi uma desatenção da necessidade de verificá-los”, disse o ministro em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.
Segundo Jobim, na época em que a Casa Civil solicitou ao Ministério da Defesa os documentos, o então comandante da FAB, o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, disse que parte dos papéis havia sido destruída em um incêndio ocorrido no Rio de Janeiro. De acordo com o ministro os papéis que sobraram eram “notadamente produzidos pelo departamento de inteligência” e com informações muito “genéricas”, daí sua desatenção.
“Eu não me dei conta quando fui informado. O brigadeiro Juniti Saito me informou que havia documentos que tinham sido classificados pelo comandante Bueno como genéricos. Estávamos preocupados exclusivamente com a queima de documentos”, disse o ministro sobre a documentação que foi enviada somente neste ano para o Arquivo Nacional.
O envio dos papéis, de acordo com Jobim, se deu por causa de uma “curiosidade” da Procuradoria-Geral da Justiça Militar, que se interessou em verificá-los em 2008.

Nelson Jobim pede à FAB relatório sobre documentos da ditadura

Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu ao Comando da Aeronáutica, na segunda-feira, o envio de um relatório de providências tomadas para reunir os documentos sigilosos da ditadura militar (1964-1985) nas unidades da Força Aérea Brasileira (FAB), até o encaminhamento do material para o Arquivo Nacional. O objetivo é provar que a Aeronáutica cumpriu determinação feita durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Ainda não se sabe por que os mais de 50 mil documentos da ditadura foram enviados somente neste ano para o Arquivo Nacional. Na primeira vez que a Defesa exigiu o material, a FAB afirmou que os documentos haviam sido destruídos em um incêndio no aeroporto Santos Dumont (RJ), em 1998. Em 2004, foram encontrados documentos parcialmente destruídos na Base Aérea de Salvador (BA). Havia a suspeita de que teriam sido queimados pelo comando da base.

As informações são do Terra

segunda-feira, 1 de março de 2010

FAB tem aviões disponíveis para trazer brasileiros do Chile, mas aguarda pedido

Agência Brasil
Publicação: 01/03/2010 09:38
 
A assessoria de imprensa da Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta segunda-feira (1º/3) que há aeronaves disponíveis para serem utilizadas no transporte de brasileiros que estão no Chile, mas que aguarda um pedido do Ministério das Relações Exteriores ou mesmo do Ministério da Defesa.
 
Ontem (28), 12 brasileiros que estavam no Chile desembarcaram na Base Aérea de Brasília em um avião VC-99 B Legacy da FAB. Eles resolveram retornar ao Brasil depois do terremoto que atingiu o Chile no último sábado (27) e que atingiu 8,8 graus na escala Richter.

O avião havia decolado de Brasília na tarde de sábado com o ministro da Justiça chileno, Jorge Toledo, e com o procurador-geral da República, Chahuán Sabas. Segundo a FAB, eles estavam no Brasil e retornaram ao Chile para participar das decisões governamentais.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Suecos e americanos também oferecem desconto nos caças

da Folha Online
Hoje na Folha As empresas sueca e americana que disputam o fornecimento dos novos caças da FAB (Força Aérea Brasileira) reclamam o direito de oferecer novos preços para seus aviões, informa Igor Gielow em reportagem publicada nesta sexta-feira na Folha (íntegra disponível somente para assinantes do jornal ou do UOL).
Os concorrentes ficaram surpresos com a negociação direta do governo brasileiro com a francesa Dassault, conforme revelado ontem pela colunista Eliane Catanhêde, da Folha. Segundo a reportagem, a Dassault baixou em US$ 2 bilhões a oferta pelo pacote de seu caça, o Rafale.
Na reportagem de hoje, o diretor da sueca Saab no Brasil, Bengt Janér, diz que está disposto a oferecer um preço mais baixo pelo caça Gripen NG, escolhido na avaliação técnica da FAB por ser mais barato, além de transferência de tecnologia.
Já o representante da norte-americana Boeing, Mike Coggins, reclamou de não ter tido a mesma oportunidade de apresentar um preço melhor pelo F-18 Super Hornet.
Ontem, o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, também saiu em defesa da Boeing, que segundo ele ainda está no páreo para vender 36 aviões caças à FAB.
Em nota divulgada ontem, o Ministério da Defesa afirma que ainda não concluiu a análise sobre os 36 aviões caças que serão adquiridos pelo governo federal. O ministério admite, porém, que vai levar em conta no momento da escolha não somente critérios técnicos, mas "informações enviadas pelos governos interessados e pelos proponentes".
"Desde 06 de janeiro, realizam-se, por órgãos competentes do Ministério da Defesa, análises dos aspectos políticos, estratégicos e financeiros do referido pacote tecnológico. Tais análises têm como parâmetro a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em dezembro de 2008. O Ministério da Defesa levará em consideração, também, outras informações enviadas pelos governos interessados e pelos proponentes", diz a nota.
Segundo o Ministério da Defesa, o ministro Nelson Jobim vai submeter as conclusões sobre a compra dos caças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Editoria de Arte/Folha Imagem
Leia a coluna completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Embaixador dos EUA diz que Boeing está no páreo por venda de caças

Ministros disseram que não há definição ainda, diz Thomaz Shannon.
Jornal diz que Lula escolheu caça francês após revisão de preço.
Diego Abreu Do G1, em Brasília
Ampliar Foto Foto: Antônio Cruz/ABr Foto: Antônio Cruz/ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe as credenciais do embaixador dos Estados Unidos, Thomas Alfred Shanon Jr (Foto: Antônio Cruz/ABr)

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomaz Shannon, afirmou nesta quinta-feira (4), em entrevista coletiva, que a empresa norte-americana Boeing continua na disputa pela concorrência aberta pelo governo brasileiro para a compra de caças para reaparelhar a Força Aérea Brasileira (FAB).

Shannon disse que conversou nesta quinta com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Celso Amorim (Relações Exteriores), que teriam afirmado que o Brasil ainda não definiu se comprará aviões norte-americanos, franceses ou suecos. “Sobre os aviões, o ministro Jobim e o ministro Amorim disseram que não há uma definição ainda do governo do Brasil”, disse o novo embaixador, que tomou posse no cargo nesta quinta.

  • Aspas Sobre os aviões, o ministro Jobim e o ministro Amorim disseram que não há uma definição ainda do governo do Brasil "
Reportagem publicada nesta quinta pelo jornal "Folha de S. Paulo" afirma que, depois de uma queda de quase R$ 4 bilhões no valor do pacote de 36 caças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa optaram pela proposta francesa na negociação de novos aviões para a FAB.

É importante observar que França e Suécia são amigos e aliados dos EUA. Isso são relações comerciais, que não vão afetar nossas relações. Esse é um ato de diplomacia comercial. Obviamente temos grande interesse, mas França e Suécia são aliados e amigos
 Em nota emitida mais cedo, o comando da FAB já havia afirmado não ter recebido "qualquer comunicação oficial" sobre a suposta compra dos caças franceses pelo governo brasileiro. O ministro Nelson Jobim também negou, em entrevista nesta quinta, que haja uma definição pelos caças franceses.
 
Relações
O embaixador observou que os EUA têm se empenhado para que a Boeing seja a escolhida, mas destacou que uma eventual não escolha da empresa não afetará as relações com o Brasil.

“É importante observar que França e Suécia são amigos e aliados dos EUA. Isso são relações comerciais, que não vão afetar nossas relações”, garantiu. “Esse é um ato de diplomacia comercial. Obviamente temos grande interesse, mas França e Suécia são aliados e amigos”, completou. 

Transferência de tecnologia
 
Thomaz Shannon destacou ainda que a decisão da Boeing de transferir tecnologia para o Brasil é sem precedentes. “Isso mostra a nossa confiança no Brasil.”

Comissão do Senado convida Jobim para falar sobre compra de caças

Ministro também é chamado para falar sobre comissão da verdade.
Presidente da Câmara quer participar de decisão sobre caças.
Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou nesta quinta-feira (4) um convite para que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fale sobre o processo de compras de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Acompanhando o assunto, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse esperar que o Conselho de Defesa Nacional seja convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o tema. Além de Lula, o Conselho é formado pelos presidentes da Câmara e do Senado e pelo vice-presidente da República. “Espero ser convocado e lá no conselho nós vamos discutir”, disse Temer. 
Comissão da verdade
O convite a Jobim para falar no Senado se estende também a outro tema polêmico, a criação de uma comissão de verdade para debater crimes praticados durante a ditadura militar. A pedido de Jobim, foi retirado do decreto que prevê a criação de um grupo de trabalho para debater o tema o termo “repressão”.

Além do ministro da Defesa, a comissão aprovou a presença do ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) para debater o tema. Vannuchi comandou as discussões que levaram ao Programa Nacional de Direitos Humanos. 
Jobim nega compra de caças
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou nesta quinta-feira (4) que o governo brasileiro tenha definido a suposta compra dos caças franceses para reaparelhar a Força Aérea Brasileira (FAB). Presente na cerimônia de apresentação do balanço de três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Brasília, Jobim afirmou que o processo sobre as aeronaves ainda não foi concluído.

"Não está definida a compra dos caças. O procedimento ainda está no Ministério da Defesa. A notícia não tem fundamento", disse Jobim.

Reportagem publicada nesta quinta pelo jornal "Folha de S. Paulo" afirma que, depois de uma queda de quase R$ 4 bilhões no valor do pacote de 36 caças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, optaram pela proposta francesa na negociação de novos aviões para a FAB.



Segundo a publicação, a fabricante Dassault reduziu o preço final dos caças Rafale de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) depois de uma revisão concluída no sábado (30), quando Jobim passou por Paris na volta de uma viagem a Israel. Mesmo com a redução, diz o jornal, a proposta francesa ainda tem valor maior qua a das concorrentes (US$ 4,5 bilhões da sueca Saab e US$ 5,7 bilhões da americana Boeing).

Em setembro de 2009,  Lula e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, emitiram comunicado conjunto em que anunciavam a intenção da parte do governo brasileiro de entrar em negociação para aquisição de 36 caças GIE Rafale. Os dois também assinaram acordos para o desenvolvimento compartilhado de submarinos e helicópteros. 

À época, para convencer o Brasil, a França aceitou em sua oferta uma transferência tecnológica considerada sem precedentes por Paris. Apesar do comunicado,  nenhuma outra proposta havia sido oficialmente excluída da concorrência.

Em janeiro de 2010, Lula disse  que a escolha dos caças não é uma questão comercial comum e que leva em conta outros fatores que o custo das aeronaves. Ele disse, ainda, que mantinha-se calado sobre essa questão porque era ele quem decidiria no final.

“O único que ficou em silêncio até agora fui eu. E fiquei em silêncio porque sou eu que tenho o poder de decidir. E quem tem o poder de decidir tem mais responsabilidade, não fala o que quer, fala o que pode”, disse o presidente.

Na ocasião, Lula afirmou ainda que conversou com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pediu que ele apresentasse um relatório sobre os três aviões que disputam a concorrência para atender a Força Aérea Brasileira (FAB).

“Quando esse relatório for apresentado pelo ministro Jobim a mim, tomarei a iniciativa de convocar o Conselho de Defesa, poderei tomar a iniciativa de fazer um debate no Congresso Nacional porque essa questão do caça não é uma questão comercial comum. Não é um acordo eminentemente econômico, que eu vou comprar um porque é mais barato ou vou comprar outro porque é isso”, argumentou.  Ele acrescentou, porém, que não deixaria a decisão para o próximo presidente.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Projeto FX-2

O Projeto FX-2 de reequipamento e modernização da Força Aérea Brasileira foi criado em 2006, após uma mudança profunda no projeto inicial FX, na época considerado problemático e pouco ambicioso. O projeto foi remodelado e em 2006 o governo do Brasil anunciou um projeto mais ambicioso, o FX-2, visando à compra de uma aeronave de superioridade aérea. Enquanto o projeto FX projetava gastos de US$ 700 milhões, o FX-2 prevê gastos da ordem de US$ 2,2 a US$ 3 bilhões mas exige transferência completa de tecnologia,[1] e mais recentemente passou a incluir o direito de produção sob licença da aeronave no Brasil e de exportação para o mercado sul-americano.
Devido à repercussão desta licitação que pode incluir a aquisição posterior de mais aeronaves do mesmo modelo que vencer a concorrência, esta tem sido considerada a mais importante aquisição de aeronaves militares da década. A "compra da década" teria este peso pois muitos países que estavam para definir suas compras, adiaram suas decisões finais para esperar o anúncio do resultado final da decisão brasileira. Isto porque a aeronave que o Brasil comprar, ficará mais atraente em termos de preço, dada a economia em escala da produção de um número maior de unidades.

Índice

Histórico

Várias empresas aéreas chegaram a oferecer propostas para participar da concorrência do "FX-2":
Gripen da força aérea tcheca.
  • Su-35BM Super Flanker, da Sukhoi (Rússia)
  • Rafale F3, da Dassault (França)
  • JAS-39 Gripen NG, da Saab-BAE (Suécia)
  • F-18 F/A-18 E/F Super Hornet, da Boeing (EUA)
  • F-35 Lightning II, da Lockheed Martin (EUA)
  • EF-2000 Typhoon, do consórcio Eurofighter europeu (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra)
Inicialmente os aviões cotados como favoritos eram o russo Sukhoi Su-35 e o francês Rafale[2][3]
Desde o início também participavam das disputa os modelos F-18 da Boeing e o Gripen da sueca Saab (que utiliza turbina americana), considerados inicialmente candidatos com chances mais reduzidas devido às restrições de transferência tecnológica e direitos de fabricação que os Estados Unidos historicamente impõem mesmo a aliados priviliagiados como Israel e Inglaterra. O caso das restrições impostas pelos EUA sobre o Brasil, impedindo a venda do Super Tucano à Venezuela, pesaram para que já no primeiro projeto FX, a oferta do F-16 americano fosse descartada.

A escolha dos finalistas e a polêmica com o Sukhoi

Sukhoi Su-30 da força aérea da Índia.
Para surpresa de muitos analistas,[4][5][6] em 2008 a FAB anunciou[7] que a aeronave russa estava fora da disputa final pelo FX-2[8][9]
O episódio causou polêmica pois os pilotos da FAB e muitos analistas afirmavam que o avião russo era superior, tinha maior autonomia e maior capacidade de carga, além de ser tecnologicamente superior aos outros modelos oferecidos ao Brasil.
As relações políticas internacionais permearam as disputas pela aquisição do caça brasileiro desde o início do FX-2 e, tudo indica, ajudam a explicar a exclusão dos russos da concorrência e a inclusão do F-18 na final.
Os Estados Unidos já haviam vetado a venda de aviões Super Tucano da Embraer à Venezuela em 2003, pela existência de componentes americanos, como a turbina turbohélice Pratt&Whitney Canada PT6A-25C utilizada no avião brasileiro. Este episódio desagradou alguns estrategistas brasileiros pois resultou na aproximação da Venezuela com a Rússia, que vendeu uma aeronave muito superior ao governo venezuelano, o Su-30.
Até 2005, o Su-30 era considerado o favorito para o programa FX brasileiro em 2005.[10][11] A aquisição venezuelana tornou-se um problema para o Programa FX, pois a FAB acreditava que seria possível adquirir o Su-30 como aeronave de superioridade aérea regional, ou seja, uma aeronave tecnologicamente superior às adquiridas pelos países vizinhos da América do Sul. Isto já havia levado a FAB à descartar o F-16, aeronave já adquirida pelo Chile e em estudo para aquisição por parte da Colômbia.
F/A-18 em evento de comemoração do 30o aniversário da aeronave.
A aquisição, por parte da Venezuela do Sukhoi Su-30 MKV e de mais uma frota de F-16 C/D Block 50 pelo Chile, foram considerados elementos decisivos para explicar o abandono do projeto FX, encerrado oficialmente em: 24/02/2005. Antes de sua substituição pelo projeto FX-2 a partir de 2006, a FAB adquiriu 12 caças Mirage 2000C usados, pertencentes à Força Aérea Francesa, por US$ 57 milhões, para que fosse possível continuar tendo capacidade de defesa do espaço aéreo brasileiro enquanto se definiam os detalhes da "concorrência" para o FX-2.
Apenas após concluída a aquisição das aeronaves francesas usadas, em 07 de novembro de 2007 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o Brigadeiro Juniti Saito (comandante da Aeronáutica), a iniciar o projeto de aquisição de aeronaves para a FAB, o FX-2, a partir de janeiro de 2008.
A concorrência do FX-2 incluiu inicialmente 6 aeronaves, o que foi reduzido pela metade em novembro de 2008. A partir desta etapa, apenas 3 aeronaves participariam da fase final da concorrência. O avião russo foi excluído da etapa final, em detrimento do F/A-18 americano, que até então não era considerado um candidato sério devido às restrições de transferência tecnológica que os EUA sempre impõem, mesmo aos seus aliados.
A exclusão do Sukhoi da concorrência chegou a ser rediscutida, mas não foi reconsiderada, mesmo diante da oferta russa de desenvolver um novo caça de 5a geração em conjunto com a Embraer.[12]

O final da concorrência FX-2 em 2010

O Dassault Rafale.
No mês de fevereiro de 2009 teve início o processo de avaliação final das questões técnicas e políticas envolvendo a concorrência para o FX-2, comparando as vantagens e desvantagens de cada uma das três ofertas finais (Boeing, Saab e Dassault).[13]
Em Abril de 2009 a Embraer chegou a cogitar a possibilidade de adquirir parte da Saab, com aporte do BNDES o que potencialmente encerraria a discusão em torno da aquisição do FX-2.[14] Entretanto, este acordo não foi concluído e a concorrência continuou normalmente.
Em 7 de setembro de 2009, o Presidente Lula declarou que o acordo Brasil-França de aquisição de material bélico francês, incluindo submarinos e a transferência tecnológica para a construção do casco de um novo submarino nuclear, também incluiria o Rafale desde que a empresa Dassault confirmasse as promessas feitas pelo presidente francês, de transferência tecnológica irrestrita e licença para produzir e exportar o avião para a América do Sul.[15][16][17][18] O Presidente Lula fez questão de esclarecer que a preferência pelo Rafale não encerrava a concorrência, que os detalhes técnicos estavam sendo levados em consideração mas que a decisão final era político-estratégica, portanto da Presidência da República.[19]
O Ministério da Defesa estendeu o prazo para as ofertas finais das empresas até 02 de outubro de 2009 e deve anunciar o resultado final do relatório téncico no mesmo mês.[20] O lobby das empresas participantes da concorrência continua intenso[21][22][23][24][25][26] e as ofertas foram melhoradas até o último instante.[27]
No dia 14/12/2009, o presidente Lula confirmou que a decisão final sobre qual caça será comprado para a re-aparelhagem da FAB só sairá em 2010.

 

Disputas internacionais e a hipótese de sabotagem

Uma semana antes do anúncio do resultado final da concorrência que vem sendo considerada a mais importante da década, dois aviões franceses do tipo Rafale caem misteriosamente no Mar Mediterrâneo, levantando suspeitas de sabotagem industrial. A hipótese de sabotagem vem sendo considerada pela França, após uma série de acidentes aéreos com aeronaves da Airbus nos últimos três anos, que incluiu a descoberta de um caso de dano intencional (sabotagem) ao detector de fumaça de um avião da Air France que estava em Dusseldorf, na Alemanha, em 09/06/2009[28]

 

Propostas finalistas

No dia 11 de setembro, a FAB emitiu um esclarecimento sobre o Projeto F-X2 detalhando os pontos relevantes na avaliação das propostas recebidas.
As cinco áreas prioritárias de avaliação são:
  1. Transferência de tecnologia;
  2. Domínio do sistema de armas [pelo Brasil];
  3. Acordos de compensação e participação da indústria nacional (offset);
  4. Técnico-operacional; e
  5. Comercial.

Segundo artigo publicado na Folha de São Paulo, em 15 de Outubro de 2009, em uma audiência pública na Câmara, representantes da Dassault, Boieng e Saab reconheceram que a trasnferência de tecnologia não seria irrestrita.
Dentro desse contexto, torna-se importante o conhecimento das propostas oferecidas pelas três empresas finalistas. Ver infográfico.
Rafale F3
Em sua proposta inicial, a Dassault oferecia, além da transferência de tecnologia e da implantação de uma linha de montagem em parceria com a Embraer e outras 10 empresas brasileiras, um custo de manutenção para os Rafales equivalente ao dos Mirage 2000 já adquiridos pela FAB.
Eric Trappier, presidente da Rafale Internacional, prometeu que os aviões comprados seriam entregues em, no máximo, três anos e que a tecnologia do caça seria transferida a pelo menos uma dezena de empresas brasileiras que são parceiras da Rafale Internacional - um consórcio integrado também pelas empresas Snecma (fabricante das turbinas) e Thales (equipamentos eletrônicos, radares e sistemas de defesa).
Seriam produzidos no Brasil, inicialmente, as asas (pela Embraer), os componentes eletrônicos do radar de última geração e as peças de manutenção dos motores. Outros componentes necessários as adaptações exigidas pela FAB viriam a ser produzidos no Brasil também.
Em matéria publicada no dia 13/11/2009 no jornal O Globo, foi noticiado que a Dassault estava disposta a transferir a tecnologia do Rafale irrestritamente, incluindo os códigos-fonte do avião.
Segundo o almirante Edouard Guillard, "chefe do estado-maior particular do presidente da república", a oferta atual da Dassault sai da chamada transferência de tecnologia para a cessão de segredos industriais.
F/A-18E Super Hornet
No dia 30 de Setembro, a Boeing liberou um documento detalhando o seu programa de transferência de tecnologia oferecida para o Brasil. O pacote de oferecido pela Boeing cobre as tecnologias empregadas no Super Hornet, tecnologias estratégicas para o Brasil no que diz respeito a autonomia nacional e tecnologias capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico brasileiro.
Além de garantir o acesso as tecnologias já existentes no caça, o acordo também inclui a modernização da integração de sensores AESA, FLIR e sistemas de designação de alvos, modernização dos sistemas de comunicação e de rede e a possibilidade de integração de novas armas.
O programa inclui o apoio e manutenção dos aviões no Brasil, com a transferência dos trabalhos realizados ao país. Engloba também o apoio à pesquisa no campo de aerodinâmica supersônica, através do fornecimento ao Brasil de um túnel de vento tri-sônico.
Um possível problema que ameaça a intenção estratégica de transferência de tecnologia é o risco de embargos e de veto por parte do governo americano, como demonstrado no incidente[29] da venda, pelo Brasil, de Super Tucanos para a Venezuela.
Bob Gower, vice-presidente da empresa responsável pelo F-18 Super Hornet, quando questionado em audiência pública sobre o porquê da proposta da Boeing citar transferência "necessária" e não "irrestrita", disse: "Isso significaria dar acesso a cada pequena peça. Se tivermos um chip Intel, não podemos dar acesso aos senhores. Solicitamos a eles [permissão para transferir], e eles nos disseram que era simples: "Basta comprar a nossa empresa'".
JAS-39 Gripen NG
Na área de projeto, a Suécia propõe[30] um compartilhamento no desenvolvimento do avião. As capacidades essenciais a serem compartilhadas pelas equipes do Brasil e Suécia devem ser: Integração de Armamento, integração do motor, integração de sistemas, Possibilidade de Projetar, Enlace de Dados, Seção de Reflexão ao Radar, Integração de sistemas Comerciais, Radar, Aerodinâmica, Avaliações e testes, sobrevivência, Desenvolvimento de Softwares, Integração de sistemas Táticos, sistema de gravação de dados, Funções de navegação.
Na parte de fabricação é proposta a participação brasileira na produção de 40% dos componentes, esses componentes ainda serão usados nos caças a serem produzidos posteriormente na Suécia tanto para a Força Aérea da Suécia como para outros clientes. O Brasil deverá ser responsável pela fabricação de do sistema de rastreamento infravermelho, o sistema de display, o data link e o trem de pouso.
Uma das críticas feitas ao caça da suéca Saab, o Gripen, é que ele tem dois terços do avião fabricados em outros países (aproxidamente 30% do avião possui componentes estadunidenses), e que isso dificultaria os processos de transferência de tecnologia para o Brasil. Os finalistas:

Aeronaves
Rafale F3
JAS-39 Gripen NG
F/A-18E Super Hornet
Dimensões
(CxLxA) m
Rafale F3: 10,9 x 15,3 x 5
JAS-39 Gripen NG: 8,4 x 14 x 4,5
F/A-18E Super Hornet: 13,6 x 18,3 x 4,8
Carga bélica (kg)
Rafale F3: 8.000
JAS-39 Gripen NG: 6.300
F/A-18E Super Hornet: 8.000
Peso máx.
(kg)
Rafale F3: 21.500
JAS-39 Gripen NG: 16.000
F/A-18E Super Hornet: 29.930
Velocidade
máx.(Km/h)
Rafale F3: 2.125
JAS-39 Gripen NG: 2.126
F/A-18E Super Hornet: 2.190
Alcance
máximo(Km)
Rafale F3: 3.125
JAS-39 Gripen NG: 4.070
F/A-18 Super Hornet: 3.700
Motor/
Potência(KN)
Rafale F3: 02 Snecma M88-3 87
JAS-39 Gripen NG: 01 GE F414-400 97,8
F/A-18 Super Hornet: 02 GE F414-400 97,8
Armamento
(típico)
Rafale F3: 1 canhão DEFA de 30mm, mísseis MICA e SCALP, bombas LGB
JAS-39 Gripen NG: 1 canhão Mauser, 27mm e mísseis AIM9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM
F/A-18E Super Hornet: 1 canhão M61A1 Vulcan com 6 canos de 20mm, mísseis AIM-9X Sidewinder e AIM-120 AMRAAM
Raio de ação (Km)
Rafale F3: 1.055
JAS-39 Gripen NG: 1.850
F/A-18E Super Hornet: 1.231
Preço
(estimado)
Rafale F3: US$ 70 milhões
JAS-39 Gripen NG: US$ 60 milhões
F/A-18E Super Hornet: US$ 70 milhões Proposta

Rafale F3: Transferência de parte da tecnologia do avião, com possibilidade de ser montado no Brasil
JAS-39 Gripen NG: Transferência de parte da tecnologia e integração de vários tipos de mísseis
F/A-18E Super Hornet: Venda direta, sem transferência de tecnologia

O Posicionamento da EMBRAER

O Gripen é o caça mais bem visto pela EMBRAER, conforme noticiado em 28/09/2009 pelo jornal Valor Econômico.
"Avaliamos as três propostas, a pedido da FAB e vimos que a oferta da empresa sueca Saab é a que vai assegurar ao Brasil o conhecimento e a agregação de tecnologia dentro da premissa 'on the job doing', ou seja, aprender fazendo", disse o vice-presidente-executivo para o mercado de defesa da empresa, Orlando José Ferreira Neto.
"Não estamos interessados em fabricar peças. Buscamos o domínio de conhecimento que ainda não temos e que nos será útil no desenvolvimento de futuras aeronaves."


sábado, 16 de janeiro de 2010

Ministro Celso Amorim pede aos EUA prioridade para voos brasileiros no Haiti



da BBC Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, relatou nesta sexta-feira (15) à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que os aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) estão encontrando dificuldades para desembarcar no aeroporto de Porto Príncipe, controlado pelos EUA.

"Eu mencionei o problema que está havendo de acesso da própria Missão de Estabilização da ONU no Haiti [a Minustah, missão de paz da ONU no Haiti] ao aeroporto e dos próprios aviões brasileiros, inclusive alguns deles levando ajuda, e que estão com dificuldades de chegar lá", disse Amorim em uma entrevista coletiva.

A Minustah é chefiada pelo Brasil e atua no Haiti desde 2004. A missão conta com 1.266 soldados brasileiros.

Segundo Amorim, a secretária afirmou que vai tomar providências para garantir que as aeronaves brasileiras não encontrem dificuldade em chegar ao Haiti.

O ministro disse ainda que a dificuldade "pode ser vista de forma natural porque há muitos voos de muitos países querendo pousar".

"É importante ter clareza que nós estamos sendo tratados com a prioridade adequada e a secretária de Estado mais uma vez manifestou que o Brasil tem liderança nesse processo e que a nossa ajuda e nossa presença tem que ser tratada de maneira adequada", disse.

Três dias após o terremoto que atingiu o Haiti, oito aeronaves da FAB já decolaram para levar ajuda humanitária às vítimas. Ao todo, 140 passageiros e mais de 80 toneladas de carga foram transportadas para Porto Príncipe, a capital haitiana.

Três delas conseguiram pousar no local e já retornaram. Cinco estão à caminho com suprimentos, equipes médicas, material de apoio e o Hospital de Campanha da FAB. Destas, três aeronaves aguardam em Santo Domingo, na República Dominicana, autorização para pouso em Porto Príncipe. Outras duas aguardam em Boa Vista (RR).

Nesta sexta-feira, o governo do Haiti concordou em conceder o controle temporário do aeroporto de Porto Príncipe aos Estados Unidos para acelerar os esforços humanitários que chegam ao país.

Hillary Clinton

Também nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana afirmou que viajará ao Haiti neste sábado com o gerente da USAid (agência de auxílio internacional americana), Rajiv Shah.

Segundo Hillary, eles devem se encontrar com o presidente do Haiti, René Préval, e com outros membros do governo americano que já estão em solo haitiano.

A secretária afirmou ainda que poderá ver "em primeira mão" os esforços de ajuda humanitária no país.

Segundo o porta-voz do departamento de Estado, PJ Crowley, existem "limitações logísticas" e a chegada e distribuição da ajuda humanitária é "uma corrida contra o tempo".





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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Relatório da FAB não terá ranking de caças







Deu em O Estado de S. Paulo :

Versão final de parecer a ser entregue para Jobim fica sem 'hierarquização' que indicava preferência pelo Gripen

De Vera Rosa e Eugênia Lopes:

O relatório técnico que o Comando da Aeronáutica apresentará ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a avaliação dos modelos de caças para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), não vai conter uma "hierarquização" das propostas internacionais.

A FAB iria recomendar o Gripen NG, da empresa sueca Saab, mas foi pressionada pelo governo e não entrará no mérito de qual a melhor opção para o projeto FX-2, que prevê a compra de 36 caças.

A versão final do relatório já havia sido "reexaminada", para cortar do texto o ranking das propostas, quando o documento foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo.

O novo texto deverá ser apresentado a Jobim na próxima semana. O vazamento foi interpretado pelo Palácio do Planalto como uma derradeira tentativa da Aeronáutica de constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a optar pelo caça sueco, o mais barato entre os três concorrentes.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Aviões - Lula deve manter opção por Rafale

Deu em O Estado de S. Paulo:

Para presidente, compra dos 36 aviões é 'política e estratégica' para consolidar parceria entre Brasil e França

De Eugênia Lopes, Vera Rosa, Denise Chrispim Marin e Leonêncio Nossa:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica que avaliou o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab, como o melhor para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), informou um de seus mais próximos auxiliares.

Lula já manifestou a preferência pelo caça francês Rafale e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é "política e estratégica" para consolidar a parceria entre o Brasil e a França.

O vazamento do relatório do Comando da Aeronáutica para o jornal Folha de S. Paulo - com a avaliação ainda parcial das propostas para o projeto FX-2, de renovação da frota da FAB - irritou Lula e provocou mal-estar no governo.

Auxiliares do presidente disseram que o documento já foi modificado e não faz um ranking das melhores propostas, apenas avalia tecnicamente itens como transferência de tecnologia e aspectos comerciais e logísticos.

Nota do Comando da Aeronáutica informou ontem que o relatório ainda não foi enviado ao Ministério da Defesa.

Leia mais em Lula deve ignorar parecer pró-caça sueco e manter opção por Rafale

De Patrícia Campos Mello, correspondente em Washington:

A Boeing divulgou comunicado ontem dizendo esperar "que a decisão final seja tomada com base nas propostas técnicas e estratégias prioritárias do governo brasileiro".

"Acreditamos firmemente que o Programa Super Hornet oferece ao Brasil segurança garantida, a expansão da indústria aeroespacial e valores estratégicos de longo prazo", disse a empresa.

"Ademais, a Força Aérea Brasileira publicou nota em seu website na qual confirma que o relatório final ainda não foi entregue ao Ministério da Defesa."Na avaliação técnica feita pela Aeronáutica, o Gripen NG, da sueca Saab, foi o mais bem avaliado e o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, ficou em segundo. O Rafale, da francesa Dassault, ficou em terceiro e último lugar.

O "sumário executivo" do relatório da FAB, com as conclusões finais das mais de 30 mil páginas de dados, apontou o fator financeiro como decisivo para a classificação do caça sueco: o Gripen NG, até por ser monomotor e ainda em fase de projeto, é o mais barato dos três concorrentes finais.