Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

DESABAMENTO NO RIO - Suspeita de negligência: prédio que desabou tinha obras sem licença


Tragédia tem seis mortos e 20 desaparecidos. Trabalho de resgate continua pela madrugada

O Globo

 
Bombeiros dão prosseguimento ao trabalho de resgate de vítimas no Centro do Rio 
Marcelo Piu / O Globo
 
RIO - Negligência. Uma única palavra pode ser o ponto de partida para explicar a tragédia que se abateu sobre o Centro, na quarta-feira à noite, quando três prédios desabaram, matando seis pessoas e deixando seis feridos. Há ainda 20 desaparecidos que mobilizam equipes de resgate no coração da cidade. Mal começa a baixar, a cortina de poeira revela um cenário de destruição, mas também os primeiros indícios de que a lei foi, mais uma vez, ignorada. No Edifício Liberdade, no número 44 da Avenida Treze de Maio, que foi o primeiro a ruir, estavam sendo realizadas duas reformas de grande porte no terceiro e no nono andares, mas nenhuma delas tinha registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ). A última obra de que se tem notícia por ali é de 2008.

— São obras irregulares, com certeza — disse o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea, o engenheiro Luiz Antonio Cosenza. — Já entramos em contato com a empresa para que informe quem eram os engenheiros responsáveis e que obras eram essas.

Os dois andares em questão eram ocupados pela empresa TO Tecnologia Organizacional. Sem o conhecimento de órgãos técnicos, a empresa só poderia fazer discretas intervenções. Não é o que estaria acontecendo. Há relatos de que quase todas as paredes de um dos andares haviam sido retiradas, o que pode ter sido crucial para o abalo estrutural. Porém, o advogado da TO, Jorge Willians Soares, garante que os serviços executados se limitavam à troca de carpetes antigos e à pintura de paredes. Ele prometeu entregar documentos comprovando sua versão na 5ª DP (Gomes Freire), onde já foi aberto um inquérito. O delegado Alcides Alves de Moura já ouviu o depoimento de seis pessoas, entre testemunhas e donos de imóveis no Edifício Liberdade.

Se o Plano Diretor da Cidade tivesse sido cumprido, a obra no Edifício Liberdade deveria ter sido licenciada pela Secretaria municipal de Urbanismo. Por meio de nota, o município alegou que o artigo 57 do Plano Diretor dispensa a licença prévia quando as reformas não envolvem aumento da área construída. Mas o mesmo artigo da lei prevê exceções: o licenciamento é obrigatório se a obra estiver no entorno de um bem tombado.

O Edifício Liberdade ficava ao lado do Teatro Municipal, tombado pelo Iphan desde 1973. Tão próximo que teve sua bilheteria, num prédio anexo, atingida por destroços. Não bastasse o vizinho mais próximo, ainda ficam nos arredores, que integram o Corredor Cultural do Centro, imóveis igualmente ilustres, como o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores, o Museu de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.

O subsecretário de Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design, Washington Fajardo, tem outro entendimento da legislação. Segundo ele, a lei não pode ser aplicada de forma genérica.

— Esse item diz respeito apenas à ambiência no entorno dos prédios, mas não às partes internas de imóveis. Essa sempre foi a regra adotada pela prefeitura. Uma agência bancária que funcionava num dos prédios alterou a fachada e por isso precisou de licença prévia do Patrimônio. Se alguém quiser instalar um letreiro, isso interfere na observação do imóvel tombado e por isso terá que ser analisado — argumentou Fajardo.

O Iphan preferiu não se manifestar por ser um órgão federal e as licenças de obras serem da alçada da prefeitura. Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Sidney Menezes, o grande problema está na própria legislação urbanística.

— As regras são confusas e dão margem a interpretações distintas. Realmente há décadas a prefeitura dispensou licenças para reformas. Mas, se existe uma outra interpretação, isso nem é uma questão para os arquitetos. Tem que ser resolvida pelos juristas — opinou.

Foi decretado luto oficial na cidade do Rio por três dias. Se o pior se confirmar — e não forem encontrados sobreviventes sob os escombros — , terá sido um desabamento tão trágico quanto o pior deles já registrado no Rio. Em 1971, uma falha estrutural levou ao chão 122 metros do Elevado Paulo de Frontin. Na época, 26 pessoas morreram.

Falta de licença ou falhas na fiscalização estão por trás de outros desabamentos ocorridos nos últimos anos. Foi o caso do prédio no número 55 da Rua do Rosário, no Centro, onde funcionou o Hotel Linda do Rosário. Apesar de ter seis andares, apenas dois pavimentos constavam no cadastro do IPTU. Em 2002, o desabamento matou um casal de hóspedes. No térreo, onde funcionava uma lanchonete, havia uma obra ilegal. O problema é crônico. Em 2007, um prédio de três andares caiu em Marechal Hermes, causando a morte de duas crianças e deixando sete feridos. O imóvel chegou a ser interditado pela Defesa Civil, mas o proprietário prosseguiu com a obra mesmo depois de receber cinco autos de infração.

Um dos casos mais emblemáticos do Rio, o desabamento parcial do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, em 1998, matou oito pessoas e deixou 130 famílias desabrigadas. O prédio desabou depois de uma obra irregular na cobertura, onde foi construída uma piscina. A perícia ainda constatou falhas no projeto de construção de dois pilares.

 
Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/suspeita-de-negligencia-predio-que-desabou-tinha-obras-sem-licenca-3774067#ixzz1keAjKhW4

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TRAGÉDIAS - 15% dos decretos municipais são indeferidos pela Secretaria Nacional de Defesa Civil

A Secretaria Nacional de Defesa Civil indeferiu, no ano passado, 225 pedidos de reconhecimento de decretos municipais de situação de emergência ou estado de calamidade. Segundo levantamento obtido pela Agência Brasil, esse número representa 15% das 1.514 solicitações de reconhecimento de situações adversas causadas por intempéries como chuva, seca ou estiagem encaminhadas em 2011.

O reconhecimento dos decretos locais é necessário para que o governo federal possa liberar recursos econômicos e humanos para os municípios que, sozinhos, não têm condições de auxiliar as vítimas e reconstruir os prejuízos. Para os cidadãos, o reconhecimento também torna mais ágil a liberação de benefícios federais como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a antecipação de benefícios previdenciários, entre outros.

Os Estados com maior número de decretos negados foram a Bahia (47), Santa Catarina (47), o Rio Grande do Sul (34), Minas Gerais (17), o Amazonas (15), Pernambuco (9), o Paraná (8), Roraima (7), o Espírito Santo (5), a Paraíba (5), o Piauí (5), Sergipe (5), o Rio Grande do Norte (4), São Paulo (4), o Ceará (3), Alagoas (2), Goiás (2), Mato Grosso (2), o Rio de Janeiro (2), o Pará (1) e Rondônia (1).

A maioria das cidades é de pequeno porte, mas a secretaria informou que também foram indeferidas solicitações feitas por municípios de médio porte, como, por exemplo, Vitória da Conquista (BA). Duas capitais, João Pessoa (PB) e Salvador (BA), também tiveram pedidos recusados. No caso da capital paraibana, um primeiro decreto foi indeferido, mas, pouco tempo depois, outro foi reconhecido. Procurado, o coordenador da Defesa Civil municipal, Francisco Noé, informou que o pedido do município foi regularizado. A prefeitura de Salvador continua recorrendo da decisão da secretaria nacional, que é vinculada ao Ministério da Integração Nacional.

O prefeito da capital baiana, João Henrique, decretou situação de emergência no dia 9 de novembro, devido aos estragos causados pelas chuvas que atingiram a cidade nos dias anteriores. O pedido de reconhecimento, contudo, foi negado no último dia 16. O chefe da Divisão de Reconhecimento da secretaria nacional, Werneck Carvalho, explicou que o pedido não atendia aos critérios estabelecidos a partir de parâmetros internacionais empregados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"Segundo os critérios da secretaria, as anormalidades relatadas por Salvador não configuravam um desastre", disse Carvalho, com base em pareceres de dois técnicos. "Eles foram a Salvador verificar a situação e garantem que os danos alegados pela prefeitura não foram constatados. Segundo os técnicos, os prejuízos não excederam a capacidade da prefeitura e só cinco casas foram danificadas."

De acordo com a Secretaria de Transportes e Infraestrutura de Salvador, só entre os dias 7 e 9 de novembro desabaram um prédio de três andares e seis casas. Foram registrados 246 deslizamentos de terra e mais de 100 casas tiveram que ser evacuadas. Muitos dos moradores dessas residências continuam vivendo em abrigos municipais. "Os riscos de desastres em locais de risco não desaparecem quando a chuva vai embora. Pelo contrário. E é justamente quando o tempo melhora que se pode trabalhar nas áreas com mais segurança, visibilidade dos estragos e eficiência. Por essa razão, é dever da administração municipal pedir a reavaliação da decisão, pois o que se preza é a segurança da população", justifica a prefeitura, em nota.

Além da confirmação de que eventos adversos provocaram grandes perdas humanas e materiais, a secretaria nacional também verifica se o município (ou o Estado, se for o caso) não tem capacidade de lidar com a situação por seus próprios meios e se, de fato, necessita da ajuda federal. "Quem dá a resposta imediata ao desastre é a cidade, que tem que ter sua defesa civil, seus órgãos e recursos próprios. Se isso não for suficiente, a prefeitura deve pedir auxílio ao Estado. A ajuda federal complementar só deve ser pedida nos casos em que também o Estado não for capaz de responder ao problema", explicou Carvalho.

Ele disse que há situações em que os municípios contabilizam danos de anos anteriores ao elaborar o pedido de reconhecimento. Além disso, há prefeituras que embora não precisem da ajuda federal, pedem o reconhecimento do decreto por entender que só assim poderão contratar, sem licitação, obras emergenciais como drenagem e contenção de encostas.

"Muitas vezes, existe uma falta de conhecimento. Há defesas civis municipais que desconhecem o processo e a legislação e encaminham documentação incompleta, fora do prazo, com erros. Se sabemos que a situação exige nosso auxílio, levamos em conta o interesse público e devolvemos a documentação pedindo que seja corrigida, mas há casos em que esses problemas implicam a rejeição do pedido."


    
Fonte Terra http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5578375-EI306,00-Defesa+Civil+dos+decretos+municipais+sao+indeferidos.html

domingo, 13 de fevereiro de 2011

TRAGÉDIA NA REGIÃO SERRANA - Número de mortes causadas pela chuva chega a 894



O número de mortos identificados na região serrana do Rio de Janeiro em consequência da catástrofe provocada pela chuva no mês passado é de 894 pessoas, de acordo com o último balanço da Polícia Civil do Rio, divulgado hoje (12), quando a tragédia completa um mês. Nova Friburgo tem o maior número, com 424 óbitos, seguida de Teresópolis (373), Petrópolis (71), Sumidouro (21), São José do Vale do Rio Preto (quatro) e Bom Jardim, onde uma pessoa morreu.

O número de desaparecidos na região chega a 408, segundo balanço divulgado ontem (11), pelo Programa de Identificação de Vítimas (PIV) do Ministério Público do Rio de Janeiro. O município de Teresópolis lidera a lista de desaparecidos, com 223 nomes, seguido de Nova Friburgo (85), Petrópolis (56) e Sumidouro (dois). Em São José do Vale do Rio Preto e em Bom Jardim não há desaparecidos.

Na próxima segunda-feira (14), o Ministério Público deverá divulgar uma nova atualização da lista de desaparecidos.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/PREFEITURA - Governos estimularam a ocupação do lixão #niteroi


A área condenada para construções recebe obras de urbanização desde os anos 80

Rio - Era uma tragédia anunciada. As construções na encosta do Morro do Bumba sobre um lixão desativado não tinham como se sustentar naquele terreno frágil, de resíduos orgânicos acumulados durante 16 anos, de 1970 até 1986. Ao longo das últimas décadas, em vez de remover as famílias, os governantes estimularam o crescimento da comunidade, com projetos sociais, obras de saneamento e até projetos habitacionais. Estudo encomendado pela própria prefeitura em 2004 já apontava o alto risco de construções no Morro do Bumba. A Polícia abriu inquérito para apurar a responsabilidade pela tragédia.

Retroescavadeira revolve a terra escura, devido aos sedimentos antigos do lixão, em busca de corpos | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A chuva forte contribuiu para encharcar o solo e provocar o deslizamento. De acordo com os estudiosos, ainda que fosse um aterro sanitário com tratamento de lixo, sistema de drenagem de gás e chorume, o terreno jamais poderia receber construções, por questões estruturais, de saúde pública e até riscos de explosões provocadas pela decomposição do material orgânico que produz o gás metano.

>> FOTOGALERIA: Novo deslizamento no Morro do Bumba em Niterói

Segundo o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Agostinho Guerreiro, as áreas de lixão são como terra fofa e não oferecem sustentação adequada para construções. “A estrutura das construções não têm como se firmar nesses terrenos frágeis. Quando há chuva forte, o solo fica alagado e mais pesado e, no caso de áreas em declive, fica mais propenso ao deslizamento”.

O lixão ocupa a parte baixa do Morro do Bumba e até 1986 era usado pela prefeitura. Moradores ouviram explosões e sentiram cheiro de gás. Segundo o professor do Laboratório de Geotecnia da Coppe/UFRJ, Cláudio Mahler, especialista em solos de aterros sanitários, mesmo após 30 anos interditado, um lixão ainda produz este gás tóxico.

>> FOTOGALERIA: Motoristas ficaram ilhados até a água baixar