Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 11 de abril de 2010

REFORMA AGRÁRIA - MST ocupa dois engenhos e uma fazendo em Pernambuco




 
colaboração para a Folha


Cerca de 580 famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam na madrugada deste domingo (11) dois engenhos de cana e uma fazenda em três municípios de Pernambuco.
Em Tacaratu, a fazenda Salgadinho foi ocupada por 350 famílias. No município de Moreno, outras 130 famílias ocuparam o engenho Poço de Anta e, em Maraial, 100 famílias ocuparam o engenho São Salvador.
De acordo com a assessoria do MST, o engenho São Salvador possui cerca de 700 hectares. O MST informou que não sabe o tamanho das duas outras áreas. As famílias pretendem permanecer no local até que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) termine a vistoria do local.
A ocupação deu início à Jornada Nacional da Luta pela Reforma Agrária em São Paulo, que acontece em vários Estados e lembra os 14 anos da morte dos 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996.
A assessoria do movimento informou que jornada vai até o dia 23 de abril e que, até lá, devem ocorrer outras 25 ocupações. O MST exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o país, a atualização dos índices de produtividade, garantia de recursos para as desapropriações de terras e investimentos públicos nos assentamentos.


 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/PREFEITURA - Governos estimularam a ocupação do lixão #niteroi


A área condenada para construções recebe obras de urbanização desde os anos 80

Rio - Era uma tragédia anunciada. As construções na encosta do Morro do Bumba sobre um lixão desativado não tinham como se sustentar naquele terreno frágil, de resíduos orgânicos acumulados durante 16 anos, de 1970 até 1986. Ao longo das últimas décadas, em vez de remover as famílias, os governantes estimularam o crescimento da comunidade, com projetos sociais, obras de saneamento e até projetos habitacionais. Estudo encomendado pela própria prefeitura em 2004 já apontava o alto risco de construções no Morro do Bumba. A Polícia abriu inquérito para apurar a responsabilidade pela tragédia.

Retroescavadeira revolve a terra escura, devido aos sedimentos antigos do lixão, em busca de corpos | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A chuva forte contribuiu para encharcar o solo e provocar o deslizamento. De acordo com os estudiosos, ainda que fosse um aterro sanitário com tratamento de lixo, sistema de drenagem de gás e chorume, o terreno jamais poderia receber construções, por questões estruturais, de saúde pública e até riscos de explosões provocadas pela decomposição do material orgânico que produz o gás metano.

>> FOTOGALERIA: Novo deslizamento no Morro do Bumba em Niterói

Segundo o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Agostinho Guerreiro, as áreas de lixão são como terra fofa e não oferecem sustentação adequada para construções. “A estrutura das construções não têm como se firmar nesses terrenos frágeis. Quando há chuva forte, o solo fica alagado e mais pesado e, no caso de áreas em declive, fica mais propenso ao deslizamento”.

O lixão ocupa a parte baixa do Morro do Bumba e até 1986 era usado pela prefeitura. Moradores ouviram explosões e sentiram cheiro de gás. Segundo o professor do Laboratório de Geotecnia da Coppe/UFRJ, Cláudio Mahler, especialista em solos de aterros sanitários, mesmo após 30 anos interditado, um lixão ainda produz este gás tóxico.

>> FOTOGALERIA: Motoristas ficaram ilhados até a água baixar