Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 6 de março de 2012

REFORMA AGRÁRIA - Em 2011, programa de reforma agrária do governo teve o pior resultado dos últimos 16 anos

Sob Dilma, assentamentos diminuem

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo 

SÃO PAULO - O programa de reforma agrária do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) assentou no ano passado 22.021 famílias, de acordo com números que acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Trata-se do mais baixo índice registrado nos últimos 16 anos, que englobam também os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O melhor índice foi registrado em 2006, quando 136.358 famílias tiveram acesso à terra.

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Em Pernambuco, onde o Movimento dos Sem Terra (MST) contabiliza quase 15 mil famílias acampadas à espera de um lote de terra, o governo assentou apenas 102 famílias no ano passado. Foi o número mais baixo entre todas as unidades da federação.

“Os números comprovam que a reforma agrária não é considerada prioritária pelo atual governo. Eles são vergonhosos”, disse nesta segunda-feira, 5, José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST. De acordo com suas informações, do total de 22.021 assentamentos anunciados pelo governo, apenas 7 mil ocorreram em áreas que foram desapropriadas especialmente para a reforma agrária.

“Boa parte do que o governo põe na conta de assentamento é, na verdade, regularização de lotes fundiários, que estavam abandonados ou ocupados de maneira irregular”, diz o representante do MST.

Demanda menor. O presidente do Incra, Celso Lisboa Lacerda, tem outra avaliação. Ele disse que um dos fatores que explicam a redução no número de assentamentos é a queda na demanda. “Há muito menos famílias acampadas hoje do que no governo do presidente Lula”, afirmou.

Pelas estimativas do Incra, o total de famílias acampadas em todo o País gira em torno de 180 mil. É a metade do que existia no início do governo Lula.
 

sábado, 21 de janeiro de 2012

REFORMA AGRÁRIA - Incra diz que fora assentadas 20,6 família. MST diz que foram 5,7 [Quem está mentindo?]

Dados do Incra indicam avanços da reforma agrária, mas MST contesta

Relatório do Instituto afirma que 20,6 mil famílias foram assentadas em 2011; movimento diz que número real é 5,7 mil


Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo



No relatório que acaba de divulgar sobre suas atividades em 2011, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) enfatiza que concentrou seus esforços no trabalho de consolidação e qualificação dos assentamentos já existentes no País. O relatório, já contestado pelo Movimentos dos Sem Terra (MST), destaca a ampliação da rede de assistência técnica e do crédito para a instalação das famílias nos lotes.

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Outra preocupação da autarquia é a vistoria dos assentamentos, para a verificação de irregularidades. Pelas contas oficiais, em 2011 os técnicos vistoriaram 27,6 mil lotes, espalhados por uma área de 1,9 milhões de hectares. O Incra não revela os dados específicos do ano analisado, mas assinala que, de janeiro de 2001 a dezembro de 2011, um total de 103,5 mil beneficiários foram excluídos do programa de reforma agrária, por irregularidades. Desse total, 36,5 mil haviam negociado ilegalmente as terras ou as benfeitorias recebidas do governo.

No ano passado, diz o relatório, foram assentadas 20,6 mil famílias em 116 novos assentamentos, numa área de 2,5 milhões de hectares. Com isso, a área ocupada por projetos de reforma agrária no Brasil chegou a 87,5 milhões de hectares, espalhados por 2.081 municípios. O total de famílias assentadas passou para 930,5 mil.

A coordenação nacional do MST contesta os números do Incra. Em nota oficial, a organização afirma que, em vez de 20,6 mil famílias, o Incra só teria assentado 5,7 mil. O número referente à área obtida para a criação de assentamentos também foi contestado: seriam 328,2 mil hectares e não 2,5 milhões.
A polêmica origina-se em parte da diferença de critérios para as medições. Na hora de somar famílias assentadas, o MST só inclui as que vão para novos assentamentos. Não contabiliza casos de famílias chamadas para reocupar lotes vazios - por terem sido abandonados ou retomados na Justiça pelo Incra, em decorrência de irregularidades.

Em relação ao tamanho da área, o MST não contabiliza as terras públicas que a União ou os Estados resolveram transferir para o programa de reforma agrária. Além disso, seus dirigentes acusam o Incra de incluir na conta dos assentamentos os casos de posseiros aos quais o governo concedeu a titularidade de suas terras. Seria uma forma de engordar artificialmente os resultados do programa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

REFORMA AGRÁRIA - Pressionado, governo Dilma anuncia retomada da reforma agrária

   Por Najla Passos, especial para Carta Maior - de Brasília
    


O ministro Gilberto Carvalho negocia a reforma agrária com os movimentos sociais

Pressionado durante toda a semana por milhares de trabalhadores rurais acampados em Brasília e em manifestações pelo país, o governo aceitou retomar a reforma agrária. Vai preparar um programa de assentamentos com metas para os próximos três anos. E liberar, de imediato, R$ 400 milhões para compra de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As medidas foram anunciadas na noite desta sexta-feira pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, após horas de negociações com lideranças da Via Campesina, que promovou a mobilização.

Principal interlocutor do Palácio do Planalto junto aos movimentos sociais, o ministro foi até o acampamento central improvisado por cerca de 4 mil camponeses, para fazer o anúncio. “Vocês conseguiram recolocar a reforma agrária no centro da pauta de discussão do governo Dilma”, disse Carvalho aos sem-terra.

Durante a semana, as principais entidades que lutam por terra no país promoveram mobilizações na capital federal e em diversos estados. Em Brasília, ocuparam o Ministério da Fazenda, participaram de passeatas e se reuniram com representantes de 11 ministérios.

– Esta semana foi um marco na história recente da luta pela terra. Combinamos a pressão da luta com negociação efetiva – disse Valdir Misnerovicz, da coordenação do Movimento Nacional dos Sem-Terra (MST).

Segundo ele, o crédito suplementar de R$ 400 milhões para o Incra vai beneficiar, pelo menos, 20 mil famílias. O MST diz que existem hoje cerca de 200 mil famílias acampadas no país à espera de assentamento. Estas devem ser contempladas pelo Plano Nacional de Reforma Agrária, a ser lançado até o fim do ano.

– A presidenta Dilma determinou que sua equipe apresente, ainda no início de setembro, uma proposta para assentar, de forma qualificada e definitiva, todas as famílias acampadas, entre 2012 e 2014 – esclareceu o ministro.

O governo também anunciou a concessão imediata de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a fundo perdido, para projetos de agroindústria. Serão R$ 200 milhões para projetos de até R$ 50 mil e R$ 250 milhões para projetos de até R$ 250 mil.

No início de setembro, o governo deve anunciar as primeiras concessões da recém-lançada Bolsa Verde, um pagamento periódico a pequenos agricultures que preservarem a vegetação de suas propriedades. Ainda em caráter experimental, o projeto vai beneficiar 15 mil famílias sem-terra e extrativistas, com a concessão de benefícios similares aos da bolsa-família.

De acordo com o ministro, o governo autorizou, ainda, a liberação dos R$ 15 milhões do Programa Nacional de Educação para Reforma Agrária (Pronera), que haviam sido contingenciados, e se comprometeu a implementar um amplo programa para erradicar o analfabetismo no campo.

Sem acordo
Gilberto Carvalho afirmou também que o governo aprovou um projeto de refinanciamento das dívidas de até R$ 20 mil dos pequenos agricultores, em sete anos, a juros de 2% ao ano.

Os trabalhadores rurais, entretanto, não ficaram satisfeitos. “Para fechar acordo com o governo, reivindicamos que seja incluído, pelo menos, um bônus de adimplência, como forma de evitar novos endividamentos”, justifica Plínio Silva, do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).

Segundo a Via Campesina, 520 mil famílias estão com problemas para pagar dívidas com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A dívida total é de R$ 30 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões precisariam ser roladas já.
Governo e trabalhadores rurais permanecem discutindo também uma série de outras reivindicações dos movimentos camponeses, como a implementação de um programa de habitação rural, a homologação de terras indígenas e quilombolas, a regulamentação do uso de agrotóxicos e a questão do desterramento das populações atingidas pelas grandes obras no campo

Fonte Correio do Brasil http://correiodobrasil.com.br/pressionado-governo-dilma-anuncia-retomada-da-reforma-agraria/327808/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CADEIA NELES - PF prende em São Paulo ex-coordenador do MST foragido



Ocupação do MST: assalto aos cofres públicos travestido de militância (Carlos Casaes/Agência A Tarde) 
O ex-coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, Antônio Carlos dos Santos, foi preso segunda-feira por agentes da Polícia Federal, em Teodoro Sampaio, no extremo oeste do estado de São Paulo. Sem oferecer resistência, ele recebeu voz de prisão no Assentamento Dona Carmem, onde é dono de um lote. "A nossa equipe chegou ao assentamento às 7 horas, ele foi preso sozinho e não ofereceu resistência", disse José Ribamar Pereira Silva, de 54 anos, assessor de Comunicação Social da Polícia Federal, em Presidente Prudente.
O ex-coordenador era o único foragido da Operação Desfalque, realizada em junho pela Polícia Federal. Santos e outras oito pessoas, entre elas José Rainha Júnior, são acusados de envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro público repassado pelo governo federal para a reforma agrária no Pontal do Paranapanema. O grupo pretendia desviar cerca de 5 milhões de reais, segundo a PF de Presidente Prudente. "Ele era uma das peças-chave do esquema, estávamos em seu encalço desde junho, só faltava ele", contou o assessor, acrescentando que Santos foi submetido ao exame de corpo de delito na sede da Polícia Federal.

 Uma parte do dinheiro, calculada em mais de 200 mil reais, chegou a ser desviada para ao menos seis associações de assentados da reforma agrária no Pontal do Paranapanema ligadas ao líder dissidente do MST, José Rainha Júnior. Dos nove presos, seis já foram libertados. Apenas três acusados continuam atrás das grades: Rainha, Claudemir Silva Novais, líder do MST na região de Araçatuba, ambos presos em Presidente Venceslau, e, agora, Santos. Ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. Na próxima sexta-feira, Santos será ouvido pelo juiz titular da 5ª Vara da Justiça Federal, em Presidente Prudente, Joaquim Eurípedes Alves Pinto. Assim como os outros acusados, o ex-coordenador responderá por seis crimes, entre os quais formação de quadrilha e desvio de dinheiro público.

 (Com Agência Estado)



quinta-feira, 22 de abril de 2010

REFORMA AGRÁRIA - MST invade fazenda de multinacional na Bahia


Área, pertencente à empresa que cultiva eucalipto, é a 16 ocupada pelo movimento no estado durante o Abril Vermelho

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam ontem a Fazenda Barrinha, em Eunápolis, a 644 km de Salvador, que pertence à multinacional Veracel, empresa que cultiva eucaliptos para a produção de celulose.
Esta é a 16 fazenda ocupada na Bahia durante o Abril Vermelho — ações organizadas pelo MST para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a tropa de choque da PM do Pará.
De acordo com Márcio Mattos, um dos coordenadores do movimento, a intenção do MST é ocupar pelo menos 30 fazendas até o fim de abril.
Esta é a terceira vez que o MST ocupa a Barrinha, que possui 4.700 hectares e se situa às margens da BR-101, a 20 km de Eunápolis, onde fica a fábrica da empresa. Mattos informou que a área estava ocupada por 400 famílias.
Leia mais em O Globo

 


 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

REFORMA AGRÁRIA - MST invade 35 fazendas, sem resistência


No Congresso, Stédile diz que eleição de Serra será ‘o pior dos mundos’; presidente da CNA pede ajuda à polícia

De Adauri Antunes Barbosa:

Sem enfrentar qualquer resistência da polícia, apesar dos apelos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), até o fim da tarde de ontem o Movimento dos Sem Terra (MST) já havia invadido 35 fazendas em cinco estados, dentro do Abril Vermelho, como é conhecida a temporada de invasões organizada pelo movimento.
Só ontem foram quatro invasões, três em Pernambuco, estado com mais casos (19 ao todo) e uma em São Paulo.
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sejam usadas para ajudar a impedir as invasões e sugeriu ações da Força Nacional de Segurança para evitar que fazendeiros façam "bobagem" ao reagir às ocupações.
— São 13 anos de Abril Vermelho e 25 anos de MST. É tempo suficiente para criminalizar esse movimento, que já atingiu a maioridade faz tempo — criticou a senadora.
O movimentou também ocupou três escritórios regionais do Incra em São Paulo, no Paraná e em Mato Grosso.
Enquanto o MST fazia as invasões, o líder do movimento, João Pedro Stédile, participava de audiência na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, onde criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e disse que a eleição de José Serra (PSDB) à Presidência "seria o pior dos mundos para o MST":
— É claro que nós percebemos que a candidatura Serra seria a retomada do neoliberalismo no Brasil, a retomada das privatizações, a retomada do que foi o governo Fernando Henrique. Então, um governo Serra, para nós, seria o pior dos mundos. Acredito que em nossas bases ninguém vai votar no Serra — disse, com a ressalva de que, até o momento, os sem-terra não discutiram em quem votar.

Leia mais em O Globo

 


 

domingo, 11 de abril de 2010

REFORMA AGRÁRIA - MST ocupa dois engenhos e uma fazendo em Pernambuco




 
colaboração para a Folha


Cerca de 580 famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam na madrugada deste domingo (11) dois engenhos de cana e uma fazenda em três municípios de Pernambuco.
Em Tacaratu, a fazenda Salgadinho foi ocupada por 350 famílias. No município de Moreno, outras 130 famílias ocuparam o engenho Poço de Anta e, em Maraial, 100 famílias ocuparam o engenho São Salvador.
De acordo com a assessoria do MST, o engenho São Salvador possui cerca de 700 hectares. O MST informou que não sabe o tamanho das duas outras áreas. As famílias pretendem permanecer no local até que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) termine a vistoria do local.
A ocupação deu início à Jornada Nacional da Luta pela Reforma Agrária em São Paulo, que acontece em vários Estados e lembra os 14 anos da morte dos 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996.
A assessoria do movimento informou que jornada vai até o dia 23 de abril e que, até lá, devem ocorrer outras 25 ocupações. O MST exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas em todo o país, a atualização dos índices de produtividade, garantia de recursos para as desapropriações de terras e investimentos públicos nos assentamentos.


 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Justiça libera acusados de depredar fazenda da Cutrale

Da Agência Estado

Seis militantes do MST estavam presos desde 26 de janeiro. Desembargador já havia mandado soltar ex-prefeito de Iaras.

Trator quebrado ao meio encontrado após saída de manifestantes (Foto: Roney Domingos/ G1)

O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo mandou libertar no início da noite desta quarta-feira (10) os seis militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) presos desde 26 de janeiro, acusados de liderar a depredação da fazenda Santo Henrique, da Cutrale, em outubro do ano passado. O desembargador Luiz Pantaleão, que deu a ordem de soltura, acatou o argumento de advogados do MST de que não persistiam os fundamentos para que os acusados fossem mantidos presos.

Entre os beneficiados estão o coordenador do MST na região e sua mulher, uma vereadora de Iaras, a 285 km da capital paulista. O habeas-corpus beneficia outros 13 militantes que tiveram as prisões decretadas, mas estavam foragidos. O desembargador Pantaleão já havia mandado soltar, na terça-feira (9), o ex-prefeito de Iaras acusado de participar da invasão. Eles irão responder em liberdade a processos por crimes como danos e formação de quadrilha.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Invasor do MST que ajudou a destruir laranjal em São Paulo recebeu R$ 13 milhões do Incra

Publicada em 30/01/2010 às 00h10m
O Globo

SÃO PAULO - Miguel Serpa, um dos nove presos pela Polícia Civil de São Paulo sob acusação de comandar a invasão e depredação de uma fazenda da Cutrale em Iaras, (SP) em outubro de 2009, negociou outros convênios com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Um dos compromissos, assinado em 2007, tinha o valor de R$ 13,4 milhões, segundo reportagem exibida nesta sexta-feira pelo "Jornal Nacional", da TV Globo.
Na quinta-feira, já havia sido divulgada a existência de dois convênios de R$ 222 mil de uma associação presidida por Serpa com o Incra .
Pelo convênio de R$ 13,4 milhões, caberia à Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços dos Assentados da Reforma Agrária de Iaras e Região (Cocafi, presidida por Serpa) realizar extração de madeira e, com o dinheiro arrecadado, realizar melhorias em assentamento do Movimento dos Sem Terra (MST), como perfuração de poços, abertura de estradas, preparação do solo para o plantio e implantação de uma agroindústria. Mas assentados, de acordo com a reportagem, dizem que nada foi feito.
Há também acusações de ameaças feitas por líderes do MST contra quem questiona o fato das melhorias não terem sido executadas .
" Se tem uma coisa errada, que se pague por isso. Mas não é função do Incra ir atrás. O governo tem outros órgãos para fiscalizar "

- Vivemos sob ameaça constante - disse a advogada Fernanda Mariano, que faz parte de uma associação que representa 400 assentados.
As condições do assentamento contrastam, porém, com o lote que pertence a Serpa, e cuja imagem foi exibida pelo Jornal Nacional. A casa é de alvenaria, tem varanda, é rodeada por gramado e possui espaço para churrasqueira.
O Ministério Público Federal entrou com ação contra o Incra e a cooperativa por causa do convênio. A Justiça concedeu liminar bloqueando as contas da entidade presidida por Serpa.
- Se tem uma coisa errada, que se pague por isso. Mas não é função do Incra ir atrás. O governo tem outros órgãos para fiscalizar - afirmou Raimundo Pires Silva, superintendente do Incra em São Paulo.
O órgão informou que a venda da madeira rendeu R$ 1,5 milhão à cooperativa. Serpa está preso. Seu advogado não foi localizado.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Líder do MST promete campanha contra Cutrale


PORTO ALEGRE - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stedile criticou hoje a ação da Polícia Civil de São Paulo na prisão de nove pessoas ligadas ao MST, disse que "ocupar terra pública não é crime" e prometeu uma campanha "de denúncia" contra a Cutrale por injustiças que atribuiu às atividades da fabricante de suco. "Vamos mobilizar nossos amigos em todo o mundo", afirmou, dizendo que a campanha começaria no Fórum Social Mundial (FSM), onde hoje participou de seminário.



"Vamos aproveitar o fórum para denunciar a forma como a Cutrale produz esse suco, que depois ela entrega para a Coca-Cola", declarou, em entrevista após o seminário no FSM. A Operação Laranja, que resultou nas prisões, foi desencadeada pelas investigações para apurar os responsáveis pela invasão da Fazenda Cutrale em Borebi (SP), em outubro. Sete nomes estavam na lista dos mandados de prisão que seriam cumpridos e dois foram detidos por porte ilegal de armas.



Ao ser questionado sobre as prisões, Stedile disse que "ocupar terra pública não é crime, é um dever".



O líder do MST acrescentou que "a Polícia Civil de São Paulo está exagerando por motivação política" e considerou que a ação "aproveitou o calendário político", citando que em fevereiro o Congresso volta do recesso e recomeçam os trabalhos da CPI que vai investigar denúncias de irregularidades em convênios entre a União e entidades ligadas ao MST.



Segundo o líder do MST, a área foi ocupada para denunciar "que a Cutrale é invasora de uma terra pública que tem escritura em nome da União".

Personagem do Dia - João Pedro Stédile - Veja a entrevista para a Bandeirantes em 2008

João Pedro Stedile (Lagoa Vermelha, 25 de dezembro de 1953) é um economista e ativista social brasileiro. É membro da direção nacional do do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do qual é também um dos fundadores.
Gaúcho de formação marxista, é um dos maiores defensores de uma reforma agrária no Brasil. Filho de pequenos agricultores originários da província de Trento, Itália, reside atualmente em São Paulo.
Atuou como membro da Comissão de Produtores de Uva, dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul, na região de Bento Gonçalves.
Assessorou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Rio Grande do Sul e em âmbito nacional e trabalhou na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.
Participa desde 1979 das atividades da luta pela reforma agrária, no MST e na Via Campesina Brasil.

Bibliografia

João Pedro Stédile discursa em Brasília (2004).
João Pedro Stédile é autor ou co-autor de diversos livros sobre a questão agrária.
  • Brava Gente: a Trajetória do MST e a Luta Pela Terra no Brasil, com Bernardo Mancano Fernandes. São Paulo. Editora Perseu Abramo: 1999. ISBN 8586469173.
  • Ruy Mauro Marini: Vida e Obra, com Roberta Traspadini. São Paulo. Editora Expressão Popular: 2005.
  • A Questão Agrária no Brasil: o Debate Tradicional: 1500-1960. São Paulo. Editora Expressão Popular: 2005
  • A Questão Agrária no Brasil: o Debate na Esquerda: 1960-1980. São Paulo. Expressão Popular: 2005. ISBN 858739472X
  • A Questão Agrária no Brasil: Programas de Reforma Agrária: 1946-2003. São Paulo. Expressão Popular: 2005. ISBN 8587394711













Líder do MST incitou destruição de laranjal - Veja a destruição e comentários

deu no O Globo:

‘Viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo’, diz invasor de laranjal em SP
De Flávio Freire e Soraya Aggege:
A Polícia Civil de São Paulo divulgou ontem trecho de um vídeo no qual Miguel Serpa, líder do Movimento dos Sem Terra (MST) na região de Bauru (SP), convoca outros militantes a ocupar e causar "pelo menos prejuízo" na fazenda da empresa Cutrale, em Iaras, interior de São Paulo.
Serpa e outros seis sem-terra, que, em setembro do ano passado, comandaram a invasão à área e teriam destruído um laranjal e maquinários da empresa, foram presos anteontem, como parte da Operação Laranja.
No vídeo, de 16 segundos, Miguel Serpa é aplaudido por sem-terra quando lembra que o grupo deveria partir para uma nova ocupação. Os sem-terra permaneceram na fazenda de 25 de setembro a 7 de outubro de 2009.
Ao cumprir determinação de reintegração de posse, a polícia verificou tratores quebrados e paredes pichadas. Um vídeo feito na época mostrou sem-terra usando tratores para derrubar pés de laranja.
"Essa é a quarta ocupação, e nós viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo para eles", disse Serpa, durante reunião que precedeu a invasão, ainda no assentamento.
Leia mais em O Globo