Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 18 de abril de 2010

PREFEITO DE NITERÓI; '-CADê O DINHEIRO DO MORRO DO BUMBA? '


Prefeitura de Niterói não informou quando desabrigados passarão a receber auxílio-aluguel; até esta sexta, 16, total de mortos no local devido às chuvas chega a 45 e, no Estado, 254

De Gabriela Moreira, de O Estado de S. Paulo:

Sem ter uma perspectiva de quando passarão a receber o pagamento do Aluguel Social, moradores do Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana, estão voltando para casa. A maioria dos imóveis no local foi interditada pela Defesa Civil, por estarem sob risco de desabamento.
No último dia 7, cerca de 60 casas foram soterradas por desabamentos provocados pelas chuvas. Até esta sexta-feira, 16, o total de mortos no local chegava a 45 e, no Estado, 254.
Segundo a Defensoria Pública, ainda há 24 corpos desaparecidos na favela, que foi construída em cima de um lixão.
A prefeitura de Niterói não informou quando os moradores passarão a receber o auxílio, nem quantas pessoas serão beneficiadas. A última informação sobre o assunto, repassada à imprensa pela assessoria, era de que 500 pessoas tinham sido cadastradas.

 


 

domingo, 11 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/GOVERJ/CHUVAS - Cabral divulga que governo federal vai liberar R$ 5,3 bilhões para o Rio de Janeiro


Colaboração para a Folha


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou neste domingo que o governo federal vai liberar R$ 5,3 bilhões do Plano de Ajuste Fiscal para o Estado. A afirmação foi feita durante vistoria à área do morro do Bumba, em Niterói --município com maior número de mortos em decorrência das chuvas. Na quinta-feira (15), Cabral deve se reunir com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Segundo Cabral, R$ 1 bilhão da verba será aplicada exclusivamente na área de habitação.
O governador ainda divulgou que, até quarta-feira (14), estará pronto o Plano Diretor de Remoção que mapeará todas as áreas de risco do Estado, seguindo quatro classificações: baixo risco (cor azul), médio risco (cor amarela), alto risco (cor vermelha), e altíssimo risco (cor preta). As áreas de cor preta terão remoção imediata. Segundo Cabral, já existem algumas áreas mapeadas, como no morro do Céu, onde 80 famílias serão removidas.
Ele afirmou que a medida é importante para priorizar os casos mais graves e informou que o projeto depende da adesão das prefeituras. As operações serão realizadas por cada município, com subsídio do governo.
De acordo com governador, durante um ano o governo vai pagar aluguel às famílias removidas. Esse período também será o prazo para que elas recebam uma casa nova.
Até a tarde deste domingo, o Corpo de Bombeiros havia retirado 36 corpos de vítimas dos deslizamentos ocorridos no morro do Bumba. Em todo o Estado, são 229 óbitos. Há 161 feridas no Estado em decorrência das últimas chuvas.

 


 

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/CHUVAS - Fissura em rocha provocou deslizamento


da Sucursal do Rio


Duas fissuras na rocha, no alto do morro do Bumba, serviram de "gatilho" para o grande deslizamento de terra que soterrou centenas de pessoas. A conclusão é de estudo de geógrafos da PUC-Rio, feito a pedido do DRM (Departamento de Recursos Minerais do Rio).
Os pesquisadores trabalharam no local durante todo o dia de sexta-feira e, ao contrário do que se imaginava inicialmente, a causa do deslizamento não foi uma explosão de gás metano, acumulado no local onde funcionava um antigo lixão.
Segundo os geógrafos, o excesso de lixo e a presença do gás agravaram a tragédia, mas não foram o estopim. O número de mortos, porém, seria menor se não fossem esses dois fatores.
"O movimento detonador se deu a partir da encosta, na cabeceira do morro", disse Marcelo Motta, geógrafo da PUC que participou dos trabalhos.
De acordo com ele, "duas cicatrizes" analisadas mostram que o deslizamento começou no alto e "empurrou" a massa de lixo que estava embaixo.
Na avaliação de Motta, porém, tamanho desastre poderia ser evitado, se as casas não tivessem sido erguidas sobre o lixão: "Seria uma catástrofe de outras proporções."
Segundo o geógrafo, as chuvas dos últimos dias acionaram "vários gatilhos" semelhantes ao que deu início ao deslizamento no morro do Bumba em outros pontos do maciço de Niterói e São Gonçalo. Por isso, técnicos vão vistoriar a região em busca áreas com risco de deslizamento. Até a noite de ontem, 33 corpos foram resgatados do morro do Bumba. Em todo o Estado do Rio, foram contabilizados 223 mortos.
O policiamento no entorno do morro do Bumba foi reforçado pelo Bope após informações sobre saques em casas interditadas. Ninguém foi preso.
O subprocurador de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, Leonardo Chaves, inspecionou a operação de resgate das vítimas do morro do Bumba e disse que veio para saber qual destino será dado aos desabrigados.
O aposentado José de Oliveira, 87, um dos sobreviventes, diz ser o morador mais antigo da comunidade. "Moro aqui antes disso virar um lixão", afirmou. Ele disse que cerca de 20 parentes estão sob os escombros. Sua filha, a autônoma Gilsinete Oliveira, 45, conta que a "sorte ajudou na sobrevivência do pai", que já teve dois AVCs e se locomove com dificuldades.

Prefeito e a UFF
O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), disse ontem, em coletiva de imprensa, que nos laudos produzidos pela UFF (Universidade Federal Fluminense) sobre a encosta do município não constava a informação de que o morro do Bumba apresentava risco de desmoronamento. Silveira afirmou não saber que tal área era "uma bomba-relógio". Segundo ele, os pontos apontados como área de risco sofrem ou sofrerão intervenções do PAC e de um projeto municipal.
Em 2004, o Instituto de Geociência da UFF fez um estudo, a pedido do Ministério das Cidades, e constatou que a área tinha alto risco de acidentes e exigia monitoramento.

Forças Armadas
Amanhã serão montados dois hospitais de campanha das Forças Armadas para atender sobreviventes em São Gonçalo.
O Exército vai liberar também duas áreas militares no Rio e em Niterói para receber os desabrigados. Homens do Exército, Marinha e Aeronáutica podem auxiliar no resgate das vítimas dos deslizamentos, conforme pedido do governador Sérgio Cabral (PMDB).
Colaborou a Sucursal de Brasília

 


 

sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/CHUVAS - Animais são resgatados com vida do deslizamento no Morro do Bumba


Rio - Três cachorros, um papagaio e uma tartaruga foram resgatados vivos do monte de terra que se formou após o deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Um labrador já foi entregue aos donos.

Bombeiros encontraram às 12h35 deste sábado mais uma vítima do deslizamento. Durante a madrugada, as equipes de resgate encontraram os corpos de Caique Carvalho de Jesus, de 6 anos, e da avó Nádia Carvalho de Jesus, 49 anos. Uma pessoa que havia sido resgatada na quarta-feira e estava no Hospital Azevedo Lima, não resistiu aos ferimentos e morreu nesta manhã. Até o momento, são 31 mortos na comunidade, 136 na cidade de Niterói e 216 em todo o estado do Rio.

Desse total,  60 foram no município do Rio, 16 em São Gonçalo, um em Magé, um em Nilópolis, um em Paracambi, na Baixada Fluminense, e um em Petrópolis, na Região Metropolitana.
Caos no Rio

A chuva que castigou o Estado do Rio entre os dias 5 e 6 de abril matou mais de 200 pessoas soterradas. O temporal alagou as principais vias da cidade, causou diversos deslizamentos e destruição em todo o Estado. O Serviço de Meteorologia do Rio registrou no período o maior índice pluviométrico da cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos: 288 mm.

Desde que a chuva começou, por volta das 17h30 desta segunda-feira, uma série de congestionamentos provocou transtornos no tráfego no Rio. A situação mais crítica, de acordo com a Guarda Municipal, ocorreu na Praça da Bandeira, que é um dos locais de acesso a vários pontos do Centro. O local ficou totalmente alagado e o nível da água chegou a atingir 1,5 m, impedindo a passagem de carros e ônibus. Nesse ponto, assim como na Avenida Maracanã, bombeiros usaram barcos e botes infláveis para auxiliar motoristas e pedestres.

Milhares de pessoas, entre elas muitas crianças e idosos, perderam suas casas e estão desabrigadas. Diversos locais estão recolhendo doações, como roupas, cobertores, colchonetes e comida. O Hemorio também está com o estoque baixo, aguardando doações de sangue de voluntários.


 


 

RIO DE JANEIRO/CHUVAS - Voluntários trabalham para ajudar vítimas do Morro do Bumba



Em dois dias uma pequena igreja da Assembléia de Deus aos pés do Morro do Bumba recebeu mais de uma tonelada de roupas e sapatos.



Voluntários trabalham dia e noite montando cestas básicas para quem perdeu tudo com as chuvas.

Solidariedade e compaixão não têm tamanho, não é mesmo? Mas podemos medir. Em dois dias essa pequena igreja da Assembléia de Deus aos pés do Morro do Bumba receberam mais de uma tonelada de roupas e sapatos.

Coisas simples que vieram de moradores das redondezas e que servem para ajudar a recompor a vida de quem perdeu tudo.

Michele, 11 anos é incansável. Desde ontem, trabalha das 6h à meia noite na igreja.

Arruma daqui, organiza dali. Separa sapatos e roupas. Contagia a todos com sua energia do bem.

Cíntia não mora aqui. Começou a trabalhar na cozinha de outra igreja, quando houve o primeiro desabamento em Niterói. O amor por quem precisa não tem tamanho, não tem medida. É o que move essa mulher baixinha e determinada.

Ângela perdeu a filha, a neta e os irmãos na tragédia. Aqui encontra carinho e consolo.

 


 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/CHUVAS - Gás metano sozinho não causou explosão, diz professor


da Sucursal do Rio
da Folha Online


O professor de ciência ambiental da UFF (Universidade Federal Fluminense), Emílio Eigenheer afirmou, na noite de ontem, que o gás metano não pode ter sido o único causador de uma explosão no morro do Bumba, em Niterói (RJ), que teria causado o deslizamento de terra -- 17 pessoas morreram até agora.
Mais cedo, a secretária Estadual do Ambiente do Rio, Marilene Ramos disse que o deslizamento pode ter sido provocado por uma explosão ocorrida quando o gás metano do lixão entrou em contato com a atmosfera movendo a terra que já estava debilitada pelo acúmulo de água da chuva.
O Coronel Pedro Machado, comandante geral dos bombeiros, também refutou a possibilidade de explosão pelo metano. Segundo Machado, o perigo do metano está mais relacionado às suas características tóxicas do que explosivas.
Entre 1970 e 1985, o morro foi depósito de lixo de Niterói e São Gonçalo. Nos 25 anos seguintes, a área foi ocupada por mais de cem casas, segundo os moradores. Cerca de 50 delas foram soterradas.
Em 2004, o Instituto de Geociência da Universidade Federal Fluminense fez um estudo, a pedido do Ministério das Cidades, e constatou que a área tinha alto risco de acidentes e exigia monitoramento constante.
Durante visita ao morro, o professor afirmou que "foi uma omissão e um crime do poder público deixar que se formasse uma comunidade sobre o antigo aterro sanitário". Para ele, trata-se de um solo instável por causa do lixo e que água da "chuva moveu uma quantidade muito grande de terra".
Eigenheer explica que, com as chuvas, houve um acúmulo de muita água debaixo de superfície, o que pode ter causado o deslizamento.

 


 

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/PREFEITURA - Governos estimularam a ocupação do lixão #niteroi


A área condenada para construções recebe obras de urbanização desde os anos 80

Rio - Era uma tragédia anunciada. As construções na encosta do Morro do Bumba sobre um lixão desativado não tinham como se sustentar naquele terreno frágil, de resíduos orgânicos acumulados durante 16 anos, de 1970 até 1986. Ao longo das últimas décadas, em vez de remover as famílias, os governantes estimularam o crescimento da comunidade, com projetos sociais, obras de saneamento e até projetos habitacionais. Estudo encomendado pela própria prefeitura em 2004 já apontava o alto risco de construções no Morro do Bumba. A Polícia abriu inquérito para apurar a responsabilidade pela tragédia.

Retroescavadeira revolve a terra escura, devido aos sedimentos antigos do lixão, em busca de corpos | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A chuva forte contribuiu para encharcar o solo e provocar o deslizamento. De acordo com os estudiosos, ainda que fosse um aterro sanitário com tratamento de lixo, sistema de drenagem de gás e chorume, o terreno jamais poderia receber construções, por questões estruturais, de saúde pública e até riscos de explosões provocadas pela decomposição do material orgânico que produz o gás metano.

>> FOTOGALERIA: Novo deslizamento no Morro do Bumba em Niterói

Segundo o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Agostinho Guerreiro, as áreas de lixão são como terra fofa e não oferecem sustentação adequada para construções. “A estrutura das construções não têm como se firmar nesses terrenos frágeis. Quando há chuva forte, o solo fica alagado e mais pesado e, no caso de áreas em declive, fica mais propenso ao deslizamento”.

O lixão ocupa a parte baixa do Morro do Bumba e até 1986 era usado pela prefeitura. Moradores ouviram explosões e sentiram cheiro de gás. Segundo o professor do Laboratório de Geotecnia da Coppe/UFRJ, Cláudio Mahler, especialista em solos de aterros sanitários, mesmo após 30 anos interditado, um lixão ainda produz este gás tóxico.

>> FOTOGALERIA: Motoristas ficaram ilhados até a água baixar