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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

LIXO IN RIO - Cerca de 80% do lixo produzido em todo o estado ainda têm destinação inadequada

Ratos e urubus rasgam a fantasia
Cerca de 80% do lixo produzido em todo o estado ainda têm destinação inadequada
Publicada em 09/10/2011 às 23h34mEmanuel Alencar (emanuel.alencar@oglobo.com.br)

 

RIO - A três anos da Copa do Mundo, no retrato do lixo urbano do Estado do Rio há urubus, crianças pisando em seringas e solo contaminado. Lixões a céu aberto, vazadouros clandestinos e aterros sem adequação ambiental ainda recebem 79,4% do total de resíduos domiciliares e daqueles recolhidos nas ruas do estado. Nada menos que 14 mil toneladas de lixo por dia são despejadas sem o controle necessário. Os dados foram levantados pelo GLOBO, com base em informações da Secretaria estadual do Ambiente e da Comlurb. Enquanto os aterros sanitários em operação - depósitos adequados que recebem apenas 20,6% do lixo diário - somam 14, há pelo menos 49 lixões. Sem contar os 189 vazadouros clandestinos.

VÍDEO: Coordenador de projetos da Comlurb dá detalhes sobre impasse em Gramacho

FOTOGALERIA: Confira mais imagens de Jardim Gramacho

INFOGRÁFICO: O raio x do lixo no Estado do Rio

O panorama põe em risco o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei 12.305/2010 - que completou um ano em agosto. A legislação é clara: em 2014 os lixões a céu aberto e aterros controlados, como o de Jardim Gramacho, devem ser erradicados. E os estados e municípios que não apresentarem seus planos de resíduos em agosto do ano que vem perdem o direito de receber financiamento federal. Um desafio que a cada dia ganha contornos mais dramáticos. A reciclagem no Rio, por exemplo, não passa de 0,5% do total de resíduos gerados diariamente, segundo dados da Secretaria do Ambiente.

Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em resíduos domésticos, Emilio Eigenheer ainda vê uma solução distante. Para ele, o principal gargalo está nos municípios do interior.

- Temos uma economia que está gerando lixo a níveis de países desenvolvidos e uma estrutura que não chegou ao século XX. Em um ano de lei quase nada avançou. Na Região Metropolitana, teremos ganhos mais rápidos, com as grandes empresas construindo aterros privados. Mas no interior, onde a produção de lixo é pequena, as empresas não vão - diz Eigenheer. - Não há mágica. Quando as prefeituras têm dinheiro, acabam resolvendo. A grande dificuldade é ter verba para bancar este negócio permanentemente. Entraves políticos nos consórcios

Os tímidos avanços refletem uma questão aparentemente trivial: quem vai pagar esta conta? O caso do lixão de Babi, em Belford Roxo, Região Metropolitana, é emblemático. Construído com dinheiro da multa do vazamento de óleo da Petrobras, na Baía de Guanabara, em 2000, acabou virando lixão, lembra o secretário do Ambiente, Carlos Minc. Hoje o depósito, onde até crianças atuam como catadores, tem um rio de chorume - resultado líquido da decomposição do lixo orgânico - e porcos circulando

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- As obras jamais foram concluídas, mudou o prefeito e já era. É por isso que apostamos em consórcios intermunicipais. Um aterro pequeno vira lixão em três semanas - afirma Minc, que reconhece as dificuldades, mas garante que a lei será cumprida "com folga". - Posso garantir o fim dos lixões da Região Metropolitana em dois anos. Com Seropédica em operação total, avançaremos muito.

Na prática, os entraves políticos não sugerem tanto otimismo. Dos 15 consórcios previstos no estado, apenas dois já estão firmados. E o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Teresópolis, o primeiro aterro construído com dinheiro público, só está enterrando adequadamente lixo do próprio município. Muitos prefeitos relutam em jogar seus rejeitos em aterros sanitários por causa do preço, que chega a R$ 100 por tonelada. Transferir os custos para a população, via taxas de lixo, é assunto proibido num país que vive sob disputa eleitoral, observam especialistas. Minc afirma que o governo do estado investe anualmente R$ 30 milhões do Fecam no programa "Lixão Zero":

- Eu tenho que fazer o aterro, dar dinheiro para o remediar o lixão, e no caso do aterro sanitário privado, subsidiar as prefeituras. Os consórcios estão caminhando. O mais difícil foi a costura política - defende-se Minc.

- Só vamos conseguir reverter este quadro quando se pagar pelo serviço de coleta de lixo. É o princípio mundial do gerador-pagador, consagrado na Europa - opina o diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho. - A coleta e destinação adequada é igual a outro serviço qualquer, como o fornecimento de gás e energia. E, como tal, precisa ser remunerado. Do contrário não há sustentabilidade. Em destinação de resíduos, o Rio está atrás de Rio Grande do Sul, onde 70% do lixo produzido por dia vão para aterros sanitários, e de São Paulo, com índice superior a 50%.

O aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, ainda é o destino de 70% do lixo domiciliar e do recolhido nas ruas da capital, segundo a Comlurb. Em março, o secretário Carlos Minc anunciava o encerramento do lixão para dezembro, com a ativação total do aterro sanitário de Seropédica. A Comlurb agora estipula o fechamento para junho de 2012. Gramacho vive um impasse. Os cerca de 1.300 catadores ainda não sabem o que fazer a partir do fim da atividade. O fundo que deveria ter sido criado para ampará-los - abastecido com dinheiro da venda do biogás da Novo Gramacho à Petrobras - ainda não saiu do papel.

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/09/cerca-de-80-do-lixo-produzido-em-todo-estado-ainda-tem-destinacao-inadequada-925542533.asp#ixzz1aNYQA49d



sábado, 10 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/CHUVAS - Chuva no Rio: estudo da UFF indicou risco de desmoronamento em Niterói seis anos atrás

Ludmilla de Lima e Rafael D´Angelo - O Globo

RIO - Os riscos de uma grande tragédia em Niterói já eram conhecidos pela prefeitura do município há pelo menos seis anos. Dois estudos da UFF, concluídos em 2004 e 2008, e entregues à prefeitura, apontavam perigo em cerca de 90% das áreas da cidade que sofreram com desmoronamentos esta semana. Pelo menos 29 dos 32 pontos onde ocorreram deslizamentos foram alvos de alerta, inclusive o Morro do Bumba.
O promotor Luciano Mattos, de Tutela Coletiva, Urbanismo e Meio Ambiente, deu prazo de 48 horas para que a UFF entregue os estudos ao Ministério Público. O objetivo é apurar a responsabilidade do poder público sobre os deslizamentos.
(Leia mais: MP investiga ações de prefeituras na prevenção a enchentes Em 2004, uma equipe do Instituto de Geociências doou à Secretaria municipal de Meio Ambiente um mapeamento das áreas de risco nas regiões Norte, Sul e Centro de Niterói.
- O objetivo era que servisse como base para elaboração do plano diretor e planejamento $intervenções dos governos - diz o professor e geólogo Adalberto da Silva.
Entre os pontos suscetíveis a desabamentos foram listados o Morro do Bumba, a Rua Coronel Leôncio e a Rua Oliveira Lima.
No fim de 2008, um grupo de doutores da UFF, coordenado pelo especialista em drenagem Elson do Nascimento, entregou à prefeitura o Plano de Prevenção de Risco, custeado pelo Ministério das Cidades e pelo município. A pesquisa apontou, na Zona Sul e no Centro, 142 encostas com risco de deslizamentos, distribuídas por 11 áreas. Dessas áreas, cinco registraram problemas com as últimas chuvas: Morro do Estado, Beltrão, Vital Brazil, Estrada Fróes e Juca Branco.
Apesar de o trabalho apresentar soluções, orçamentos e formas de captação de recursos, ele não foi implementado. E a prefeitura ainda deve R$ 20 mil aos pesquisadores, que só receberam a parcela do governo federal, de R$ 80 mil.
O plano indica serem necessários R$ 44 milhões para resolver os problemas dos pontos listados. Segundo Elson do Nascimento, o mapa não abrange a área do Bumba. Ele detectou os riscos na comunidade durante uma vistoria, em 2004, para outro estudo da UFF:
- Percebi a presença de gás metano na área do antigo lixão, onde tinham apenas umas dez casas na época.
A visita fazia parte de um estudo do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF, que foi procurado pela prefeitura após o desabamento na favela. O Nephu apresentou a proposta de remoção das famílias e a recuperação da área do antigo lixão, mas a prefeitura não mostrou interesse. Segundo a coordenadora do Nephu, Regina Bienenstein, seria quase impossível a prefeitura desconhecer a gravidade da situação:
- Dava para ver claramente as casas assentadas em cima do lixão e o chorume escorrendo. E a prefeitura havia aberto essa via em cima do morro. Era uma área extremamente poluída, com terreno muito frágil. Não havia segurança



 


 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/NITERÓI/CHUVAS - Gás metano sozinho não causou explosão, diz professor


da Sucursal do Rio
da Folha Online


O professor de ciência ambiental da UFF (Universidade Federal Fluminense), Emílio Eigenheer afirmou, na noite de ontem, que o gás metano não pode ter sido o único causador de uma explosão no morro do Bumba, em Niterói (RJ), que teria causado o deslizamento de terra -- 17 pessoas morreram até agora.
Mais cedo, a secretária Estadual do Ambiente do Rio, Marilene Ramos disse que o deslizamento pode ter sido provocado por uma explosão ocorrida quando o gás metano do lixão entrou em contato com a atmosfera movendo a terra que já estava debilitada pelo acúmulo de água da chuva.
O Coronel Pedro Machado, comandante geral dos bombeiros, também refutou a possibilidade de explosão pelo metano. Segundo Machado, o perigo do metano está mais relacionado às suas características tóxicas do que explosivas.
Entre 1970 e 1985, o morro foi depósito de lixo de Niterói e São Gonçalo. Nos 25 anos seguintes, a área foi ocupada por mais de cem casas, segundo os moradores. Cerca de 50 delas foram soterradas.
Em 2004, o Instituto de Geociência da Universidade Federal Fluminense fez um estudo, a pedido do Ministério das Cidades, e constatou que a área tinha alto risco de acidentes e exigia monitoramento constante.
Durante visita ao morro, o professor afirmou que "foi uma omissão e um crime do poder público deixar que se formasse uma comunidade sobre o antigo aterro sanitário". Para ele, trata-se de um solo instável por causa do lixo e que água da "chuva moveu uma quantidade muito grande de terra".
Eigenheer explica que, com as chuvas, houve um acúmulo de muita água debaixo de superfície, o que pode ter causado o deslizamento.