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terça-feira, 3 de abril de 2012

DESABAMENTO NA TREZE DE MAIO - Operários revelaram à polícia que serraram colunas do Edifício Liberdade

Prédio foi um dos três que desabaram no dia 25 de janeiro na Cinelândia, provocando a morte de 17 pessoas e deixando cinco desaparecidas
Gustavo Goulart
Rogério Daflon
Diego Barreto


Avenida Treze de Maio, no local onde desabaram prédios no dia 25 de janeiro
Domingos Peixoto / Agência O Globo


RIO
- Depoimentos dados à polícia por operários que trabalharam na reforma do nono andar do Edifício Liberdade, na Cinelândia, mostram que foram derrubados pelo menos um pilar e paredes de concreto armado. O Liberdade foi um dos três prédios que desabaram no dia 25 de janeiro, provocando a morte de 17 pessoas e deixando cinco desaparecidas.

Segundo o depoimento do operário Wanderley Muniz da Silva — a que O GLOBO teve acesso —, "todas as paredes foram derrubadas, à exceção das da sala dos arquivos da T.O. e de parte da parede que dividia as salas do lado esquerdo do banheiro". Wanderley diz que o andar "virou um salão aberto, à exceção de uma coluna de 20 centímetros que suportava o barbará, próximo à porta do banheiro".


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Ele afirmou ainda que havia uma coluna na outra parede (indicada pelo número 19 na planta que consta do inquérito policial). Segundo ele, "era de concreto armado, estruturada com trançado de ferragens grossas". Em seguida, disse que "tinha uma estrutura de coluna com seis vergalhões verticais, dispostos em pares, aos quais era fixada a trama de ferro da parede". Por fim, afirmou "que essa parte que demonstrava ser uma coluna mais resistente foi derrubada e serrados seus ferros do teto e da base".

No depoimento de Wanderley, consta ainda a informação de que paredes de concreto armado também foram derrubadas.

Dono de empresa diz que não sabia

Por considerar conflito de competência no caso do desabamento dos prédios no Centro, o juízo da 31ª Vara Criminal remeteu o inquérito iniciado pela 5ª DP (Gomes Freire) para a Polícia Federal, que, além de apurar responsabilidades nos danos causados ao Teatro Municipal, está investigando a queda dos prédios e as mortes.

A obra no nono andar foi feita sob responsabilidade da empresa Tecnologia Organizacional (T.O.), que também ocupava o 3º, o 4º, o 6º, o 10º e o 14º andares do prédio 44 da Avenida Treze de Maio. O presidente da T.O, Sérgio Alves, afirmou que não havia pilares internos no nono andar:

— O andar era um vão livre, com pilares externos. E já tínhamos feito obras no mesmo edifício no terceiro, quarto e sexto andares. O que fizemos no nono foi replicar o que havíamos feito nesses outros pavimentos. Por isso, não houve necessidade de um acompanhamento de um engenheiro ou um arquiteto. Era uma reforma, não uma obra, e ela foi comunicada ao síndico. Não tenho informações de profissionais que tiraram pilares ou vigas. Não consigo conceber essa ação. E não tenho conhecimento desses depoimentos.

O encarregado da obra, Gilberto Figueiredo, declarou à polícia que esteve ausente do local entre os dias 19 e 24 de janeiro (véspera do desabamento). Ele afirmou ainda que, quando retornou, a "estrutura da coluna 19 já não se encontrava no local, não tendo visto qualquer ferragem pendendo do teto ou caindo do chão". Por isso, ele pôde concluir "que seus colegas a tenham derrubado".

Outro operário da obra, Alexandro da Silva Fonseca também apontou, em seu depoimento, a derrubada de paredes de concreto armado.

Segundo a comissão técnica do Clube de Engenharia formada para acompanhar o caso, a primeira leitura dos depoimentos de operários leva a crer que houve quebra de estrutura de concreto armado e que isso pode ter causado o desabamento.

— Pelos depoimentos, existe a probabilidade de que estruturas de concreto armado que foram demolidas sustentavam parte dos andares superiores. O certo é que essas estruturas não deveriam ter sido derrubadas — disse o vice-presidente do clube, Manoel Laça, acrescentando que a comissão é formada por quatro engenheiros especialistas em cálculo estrutural.

O delegado federal Fábio Scliar, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, que assumiu o inquérito vindo da 5ª DP, diz haver depoimentos de pedestres informando que a primeira coisa a cair foi o aparelho de ar-condicionado do nono andar e, depois, a parede do mesmo pavimento. Em seguida, conta ele, os andares de cima se curvaram e desabaram sobre outros prédios atingidos. Para ele, os depoimentos dos operários da obra do nono andar são bastante relevantes.

— Com o depoimento do Wanderley, ficam explícitas as responsabilidades. Vamos nos aprofundar nas investigações — disse.

Scliar fará hoje acareação entre os vários empregados da obra:

— Há contradições que precisam ser esclarecidas. Penso que estamos à frente para esclarecer os fatos. São pessoas humildes que estão submetidas a uma linha hierárquica. Mas, como profissionais, podem atingir vergalhões de uma viga e continuar o trabalho? Em tese, o profissional sabe que não deve mexer nas estruturas.

No fim da tarde desta terça-feira, o delegado terá um encontro com representantes do Instituto de Criminalística Carlos Éboli para tratar do laudo.



Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/operarios-revelaram-policia-que-serraram-colunas-do-edificio-liberdade-4479865#ixzz1qy8KtpAK

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

DESABAMENTO NO RIO - Suspeita de negligência: prédio que desabou tinha obras sem licença


Tragédia tem seis mortos e 20 desaparecidos. Trabalho de resgate continua pela madrugada

O Globo

 
Bombeiros dão prosseguimento ao trabalho de resgate de vítimas no Centro do Rio 
Marcelo Piu / O Globo
 
RIO - Negligência. Uma única palavra pode ser o ponto de partida para explicar a tragédia que se abateu sobre o Centro, na quarta-feira à noite, quando três prédios desabaram, matando seis pessoas e deixando seis feridos. Há ainda 20 desaparecidos que mobilizam equipes de resgate no coração da cidade. Mal começa a baixar, a cortina de poeira revela um cenário de destruição, mas também os primeiros indícios de que a lei foi, mais uma vez, ignorada. No Edifício Liberdade, no número 44 da Avenida Treze de Maio, que foi o primeiro a ruir, estavam sendo realizadas duas reformas de grande porte no terceiro e no nono andares, mas nenhuma delas tinha registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ). A última obra de que se tem notícia por ali é de 2008.

— São obras irregulares, com certeza — disse o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea, o engenheiro Luiz Antonio Cosenza. — Já entramos em contato com a empresa para que informe quem eram os engenheiros responsáveis e que obras eram essas.

Os dois andares em questão eram ocupados pela empresa TO Tecnologia Organizacional. Sem o conhecimento de órgãos técnicos, a empresa só poderia fazer discretas intervenções. Não é o que estaria acontecendo. Há relatos de que quase todas as paredes de um dos andares haviam sido retiradas, o que pode ter sido crucial para o abalo estrutural. Porém, o advogado da TO, Jorge Willians Soares, garante que os serviços executados se limitavam à troca de carpetes antigos e à pintura de paredes. Ele prometeu entregar documentos comprovando sua versão na 5ª DP (Gomes Freire), onde já foi aberto um inquérito. O delegado Alcides Alves de Moura já ouviu o depoimento de seis pessoas, entre testemunhas e donos de imóveis no Edifício Liberdade.

Se o Plano Diretor da Cidade tivesse sido cumprido, a obra no Edifício Liberdade deveria ter sido licenciada pela Secretaria municipal de Urbanismo. Por meio de nota, o município alegou que o artigo 57 do Plano Diretor dispensa a licença prévia quando as reformas não envolvem aumento da área construída. Mas o mesmo artigo da lei prevê exceções: o licenciamento é obrigatório se a obra estiver no entorno de um bem tombado.

O Edifício Liberdade ficava ao lado do Teatro Municipal, tombado pelo Iphan desde 1973. Tão próximo que teve sua bilheteria, num prédio anexo, atingida por destroços. Não bastasse o vizinho mais próximo, ainda ficam nos arredores, que integram o Corredor Cultural do Centro, imóveis igualmente ilustres, como o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores, o Museu de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.

O subsecretário de Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design, Washington Fajardo, tem outro entendimento da legislação. Segundo ele, a lei não pode ser aplicada de forma genérica.

— Esse item diz respeito apenas à ambiência no entorno dos prédios, mas não às partes internas de imóveis. Essa sempre foi a regra adotada pela prefeitura. Uma agência bancária que funcionava num dos prédios alterou a fachada e por isso precisou de licença prévia do Patrimônio. Se alguém quiser instalar um letreiro, isso interfere na observação do imóvel tombado e por isso terá que ser analisado — argumentou Fajardo.

O Iphan preferiu não se manifestar por ser um órgão federal e as licenças de obras serem da alçada da prefeitura. Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Sidney Menezes, o grande problema está na própria legislação urbanística.

— As regras são confusas e dão margem a interpretações distintas. Realmente há décadas a prefeitura dispensou licenças para reformas. Mas, se existe uma outra interpretação, isso nem é uma questão para os arquitetos. Tem que ser resolvida pelos juristas — opinou.

Foi decretado luto oficial na cidade do Rio por três dias. Se o pior se confirmar — e não forem encontrados sobreviventes sob os escombros — , terá sido um desabamento tão trágico quanto o pior deles já registrado no Rio. Em 1971, uma falha estrutural levou ao chão 122 metros do Elevado Paulo de Frontin. Na época, 26 pessoas morreram.

Falta de licença ou falhas na fiscalização estão por trás de outros desabamentos ocorridos nos últimos anos. Foi o caso do prédio no número 55 da Rua do Rosário, no Centro, onde funcionou o Hotel Linda do Rosário. Apesar de ter seis andares, apenas dois pavimentos constavam no cadastro do IPTU. Em 2002, o desabamento matou um casal de hóspedes. No térreo, onde funcionava uma lanchonete, havia uma obra ilegal. O problema é crônico. Em 2007, um prédio de três andares caiu em Marechal Hermes, causando a morte de duas crianças e deixando sete feridos. O imóvel chegou a ser interditado pela Defesa Civil, mas o proprietário prosseguiu com a obra mesmo depois de receber cinco autos de infração.

Um dos casos mais emblemáticos do Rio, o desabamento parcial do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, em 1998, matou oito pessoas e deixou 130 famílias desabrigadas. O prédio desabou depois de uma obra irregular na cobertura, onde foi construída uma piscina. A perícia ainda constatou falhas no projeto de construção de dois pilares.

 
Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/suspeita-de-negligencia-predio-que-desabou-tinha-obras-sem-licenca-3774067#ixzz1keAjKhW4

sábado, 5 de novembro de 2011

DESAPARECIDO - Edson Cegonha, ex-jogador do Corinthians e São Paulo



O ex-jogador Edson de Souza Barbosa, mais conhecido como Edson Cegonha, está desaparecido desde a último dia 20 de outubro. De acordo com as últimas informações, ele foi visto pela última vez no bairro de Bonsucesso (Zona Norte do Rio), usando bermuda creme, camiseta de marinheiro e casaco marrom. O ex-atleta sofre do mal de Alzheimer e a hipótese mais provável é que ele tenha sofrido uma perda de memória.

Edson Cegonha começou a carreira atuando pelo Bonsucesso e teve passagens marcantes por Corinthians, São Paulo e Palmeiras, nas décadas de 1960 e 1970. Depois de encerrar a carreira, trabalhou como auxiliar-técnico. Ele foi casado com a cantora Beth Carvalho e é pai da atriz Luana Carvalho.

Fonte SZRD http://www.sidneyrezende.com/noticia/151624+edson+cegonha+ex+jogador+do+corinthians+esta+desaparecido

sábado, 5 de fevereiro de 2011

DENÚNCIA - Protetores dos animais denunciam desaparecimentos de 80 animais

O GLOBO

RIO _ Protetores de animais vão realizar neste domingo, às 10h, uma manifestação em frente ao Campo de Santana. O protesto é contra o desaparecimento de cerca de 80 gatos de dentro do Campo e os maus tratos aos animais que vivem no espaço. Segundo os cuidadores, os gatos estariam sendo levados dentro de uma Kombi branca, que vem entrado periodicamente no local, administrado pela prefeitura. O ponto de encontro dos manifestantes será em frente ao Hospital Souza Aguiar, no Centro.