Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador calote. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador calote. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CALOTE - Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condena o Fluminense por desrespeito a contrato

Fluzão leva 'facada' de R$ 350 mil por calote

Rio - O Fluminense vai levar uma facada de R$ 350 mil, por decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A razão é o descumprimento de contrato com a CHP Sports, empresa de consultoria e gestão administrativa e financeira, que havia acertado a prestação de serviço ao clube pelo período de dois anos.

O valor mensal do serviço seria de RS 45,7 mil. No entanto, o Fluminense parou de pagar e resolveu, sem motivo, rescindir o contrato. De acordo com os autos, o acordo foi firmado em 2010, sendo que a consultoria se iniciou em janeiro de 2011. O pagamento, no entanto, não foi efetuado.

A juíza da 11ª Vara Cível, Lindalva Soares, que cuidou do litígio e deu a sentença, entendeu que "por não ter havido o pagamento pelos serviços, o réu deve ser condenado a quitar a dívida com a devida cláusula penal". Quando o contrato foi rescindido, restavam quase dois anos de prazo. Daí o valor da sentença.

Fonte O Dia .
   

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CALOTE À VISTA - PDVSA tem dificuldades em cumprir garantias de refinaria em PE

DENISE LUNA
DO RIO

O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou que recebeu, nesta terça-feira, uma carta da petroleira estatal venezuelana PDVSA explicando que está tendo dificuldades em fechar as garantias que precisam ser entregues ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para entrar no capital da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

As garantias são referentes à parte de 40% da venezuelana no empréstimo de de R$ 10 bilhões contraído pela Petrobras para a construção da refinaria.

Para assumir a sua parte, e com isso ter direito a uma participação na refinaria, a PDVSA teria que entregar as garantias financeiras ao banco até o dia 31 de janeiro.

O diretor disse que vai analisar a carta e decidir se prorrogará ou não o prazo para a PDVSA entrar no projeto.

A Petrobras já fez metade da refinaria sozinha. Se a empresa não aceitar as explicações da da PDVSA, poderá tocar sozinha o projeto da refinaria.

Pelo acordo firmado entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em 2005, a Petrobras teria 60% do empreendimento, e a PDVSA, 40%. A refinaria está orçada em R$ 26 bilhões e vai ter capacidade para processar 200 mil barris diários de petróleo, como foco na produção de diesel, produto importado pelo Brasil.

O nome Abreu e Lima foi escolhido para homenagear um militar brasileiro que lutou junto a Simón Bolívar.

GARANTIAS

Segundo o BNDES, o relatório sobre as garantias já foram entregues no final do ano passado à refinaria Abreu e Lima. Em outubro do ano passado, a PDVSA chegou a entregar garantias ao banco, que foram consideradas "aceitáveis", mas que dependiam da "apresentação de instrumentos que formalizarão as garantias bancárias em termos satisfatórios ao BNDES". Ou seja, não foram totalmente aceitas.

A novela da entrada da PDVSA na refinaria da Petrobras se arrasta há seis anos e sempre foi criticada pelo mercado, que viu na parceria um ato mais político do que empresarial. Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires, o melhor negócio para a Petrobras é que a PDVSA não entregue nada e fique fora do negócio.

A refinaria Abreu e Lima é a primeira a ser construída pela Petrobras desde 1980.

 Fonte Folha




    

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CALOTE : Empresas devem R$ 16,2 bilhões ao FGTS

Calote no Fundo de Garantia cresceu quase R$ 1 bilhão em um ano e envolve cerca de 330 mil empresas e quase cinco milhões de trabalhadores   
Marcelo Rehder, de O EStado de S. Paulo
SÃO PAULO -
A dívida das empresas com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deu um salto de quase R$ 1 bilhão em apenas um ano e já passa de R$ 16,2 bilhões. Nos últimos dez anos, o valor do calote dobrou. As informações são do último balanço da Carteira de Recuperação de Créditos do FGTS divulgado pela Caixa Econômica Federal, referente a 31 de dezembro de 2010.
De acordo com a Caixa, estão sendo cobradas pelas vias administrativa e judicial 330.995 ações, no valor total de R$ 12,991 bilhões. Outros 9.488 processos classificam as dívidas como "em recuperação", ou seja, as empresas estão parcelando um débito que soma R$ 3,225 bilhões. No total, são 340.483 processos.
O número de empresas não foi informado pelo banco, mas especialistas estimam em 330 mil, já que algumas podem ser citadas em mais de uma ação.
Tomando-se como base uma média de 15 trabalhadores por empresa, o calote atingiria 4,95 milhões de brasileiros.
"O rombo no FGTS é ainda maior que o registrado pela Caixa", diz o presidente da ONG Instituto FGTS Fácil, Mário Avelino.O especialista alega que os números oficiais referem-se apenas às empresas irregulares que o governo consegue pegar.
Poucos fiscais
Para Avelino, o Ministério do Trabalho, órgão responsável pela fiscalização do recolhimento do FGTS, não consegue cumprir o seu papel de forma adequada porque tem um quadro insuficiente de fiscais.
Em um universo de cerca de 3 milhões de empresas no País, só 255 mil, ou 8,5%, foram fiscalizadas no ano passado. A responsabilidade de supervisionar todas essas empresas está nas mãos de apenas 2,9 mil auditores fiscais. É muito pouco, reconhece Edgar Brandão, chefe da divisão de fiscalização do FGTS.
Brandão se baseia em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que apontam a necessidade de mil fiscais para cada 20 mil integrantes da População Economicamente Ativa (PEA) de um país. No Brasil, o ideal seria um número ao redor de 5 mil fiscais, ou seja, 70% maior que o atual.
"Como o número de fiscais é pequeno, vamos em busca das empresas com maiores débitos e grande número de funcionários", conta o chefe da fiscalização do FGTS.
A boa notícia é que a informatização facilita a vigilância do governo. Em alguns casos, o cruzamento de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) dispensa a visita de fiscais aos estabelecimentos.
30 anos para pagar
Para especialistas, a razão de tantas empresas deixarem de recolher o FGTS é que mesmo surpreendidas pela fiscalização elas têm até 30 anos para regularizar a situação.
As regras estabelecidas pelo Conselho Curador do FGTS permitem que uma empresa inadimplente pode parcelar sua dívida em até 18 meses.
Como se não bastasse, se por algum motivo volte a deixar de recolher o FGTS essa empresa ainda pode renegociar o pagamento da dívida total por mais 180 meses.
Caso decrete falência e comprove que não tem recursos para pagar as dívidas, o prejuízo é todo dos funcionários.
"Temos um projeto tramitando no Congresso Nacional que reduz o prazo de recolhimento em atraso de 30 para apenas um ano", informa o presidente do Instituto FGTS Fácil.
Não é tarefa simples. Há cerca de dois anos, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) tentou emplacar um projeto que reduzia o poder do governo no Conselho Curador.
Embora tripartite, o conselho tem oito representantes do governo, quatro das centrais sindicais e quatro do setor empresarial. "Podemos fazer um barulho, mas a decisão é sempre do governo, que tem maioria no conselho", reclama o presidente da UGT, Ricardo Patah. O projeto da central foi arquivado


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CALOTE - SENADORES DÃO CALOTE NO SENADO FEDERAL

Fonte IG

Uma auditoria interna do Senado mostrou que senadores aplicaram um calote nas contas da Casa ao deixar de pagar taxas de conservação e manutenção dos apartamentos funcionais. Sete meses depois, sem que o caso tenha sido divulgado, a solução encontrada pelos colegas foi simplesmente acabar com a cobrança e dar o assunto por encerrado.

iG teve acesso ao relatório de auditoria da Secretaria de Controle Interno do Senado na semana passada. Com 14 páginas, o documento foi finalizado em 7 de maio de 2010. “Segundo informações da Coordenação de Administração de Residências Oficiais do Senado Federal – COARO, as referidas taxas não estão sendo pagas pelos ocupantes dos referidos imóveis”, diz o relatório.



Com cerca de 250 metros quadrados cada um, os apartamentos funcionais do Senado ficam localizados em três blocos na quadra 309 sul, uma das mais nobres de Brasília. Um imóvel de padrão similar na mesma região custa de R$ 700 mil a R$ 1,2 milhão. Um senador pode morar de graça em apartamento funcional ou solicitar pagamento de auxílio-moradia de R$ 3.800. 

A auditoria não cita o valor do rombo provocado pela falta de pagamento das taxas porque o percentual que deveria ser descontado nos salários dos senadores nunca foi definido. 

O relatório lista 76 apartamentos disponíveis para senadores. Explica que o uso dos imóveis tem como fundamento legal o Ato 24/1992, da Comissão Diretora do Senado, comandada pelo presidente da Casa. A mesma norma também define o pagamento de auxílio-moradia para o parlamentar que preferir alugar um imóvel em vez de usar o apartamento funcional.

É também no Ato 24/1992 que está previsto o pagamento de taxa de ocupação: “(...) obrigam-se os ocupantes, pelo uso das residências, a pagarem mensalmente, mediante desconto em folha, as taxas de ocupação, administração, conservação e de renovação do mobiliário, as quais serão fixadas e reajustadas mediante ato do Primeiro-Secretário”. Nada disso foi feito.

Considerado uma espécie de “prefeito do Senado”, o posto de primeiro-secretário é ocupado por um senador escolhido pelos colegas e sua principal função é tratar da administração (obras e contratações) da Casa. Hoje, o Orçamento do Senado é cerca de R$ 3 bilhões e o primeiro-secretário é Cícero Lucena (PSDB-PB), eleito pelos colegas em 1º de fevereiro.

Confusão jurídica

Uma trapalhada jurídica contribuiu para o problema. Em 2002, o Ato 24/1992 foi revogado pela Comissão Diretora por um outro, de número 30/2002. O instrumento legal acabou com a cobrança das taxas. No entanto, acabou também com o pagamento de auxílio-moradia. Isso só foi percebido em maio de 2009. Ou seja, durante sete anos o benefício ficou ilegal. Mesmo assim, nunca deixou de ser pago. O caso foi revelado pela imprensa na época.

Para evitar questionamentos na Justiça, a Comissão Diretora decidiu, ainda em 2009, revalidar (o termo jurídico usado foi repristinar) cinco artigos do Ato 24/1992 de forma retroativa a 2002. Nessa canetada, legalizou-se o pagamento de auxílio-moradia de sete anos antes. O problema é que a comissão não se deu conta de que a cobrança das taxas de manutenção dos imóveis funcionais também  voltou a valer para esses sete anos. 

A falha não passou despercebida pelo Controle Interno do Senado, como mostra a auditoria obtida pelo iG. De novo, era preciso encontrar uma saída. Sete meses depois de apresentada a auditoria, uma nova canetada em novembro resolveu o problema: 

“Não se aplicam os incisos I a IV deste artigo quando o permissionário for senador da República, devendo ser as despesas correspondentes, quando aplicáveis, custeadas pelo Senado”, diz o texto do ato publicado em novembro de 2010, o primeiro da Terceira Secretaria no ano passado.

Ou seja, do bolso dos senadores não sai mesmo nenhum real para morar em área nobre de Brasília.

O ato é assinado por Mão Santa (PSC-PI), que entre 2009 e 2010 comandou a Terceira Secretaria do Senado, órgão da Casa responsável pela administração de imóveis funcionais. Mão Santa não se reelegeu. Durante o fim de semana, o iG tentou contato com o ex-senador pelos telefones informados por um antigo assessor. Mão Santa não foi encontrado.

Briga por apartamento

No começo deste ano, iG mostrou que quase a metade dos 81 senadores da atual legislatura ficará sem apartamento funcional. Isso ocorre porque não há imóveis para todos. Além disso, 14 apartamentos estão cedidos a juizes, dois ministros do Tribunal de Contas da União e dez ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Eles têm as mesmas condições de moradia dos senadores. A diferença é que os congressistas entregam os imóveis quando terminam seus mandatos. O Senado procura manter boa relação com o Judiciário, por isso não cobra a devolução dos imóveis. 

Até a metade da década, os parlamentares preferiam receber auxílio-moradia. Com a valorização imobiliária em Brasília, ficou cada vez mais difícil alugar um imóvel de alto padrão em Brasília com R$ 3.800 mensais. Por isso, morar de graça e não pagar sequer uma taxa de manutenção tornou-se um grande negócio.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

ROMBO EM FURNAS - Empresa de Eduardo Cunha deu CALOTE

O globo
RIO - Pressionada pelos sócios, Furnas Centrais Elétricas cobriu os prejuízos causados pela participação da Companhia Energética Serra da Carioca II na sociedade montada para construir e explorar a Usina Hidrelétrica da Serra do Facão , em Goiás. As perdas para a estatal, que superam R$ 100 milhões, incluem o pagamento de um empréstimo de R$ 60 milhões, tomado em abril de 2008 pela empresa Serra da Carioca II junto ao ABN AMRO Real, que teve como garantia as próprias ações da sociedade e não foi honrado. ( Leia também: Para especialista, loteamento de cargos mostra 'absolutismo anacrônico' do país )
Pivô da crise que causou a saída de Carlos Nadalutti da presidência de Furnas, substituído por Flávio Decat, a Serra da Carioca II teve entre os membros do Conselho de Administração o ex-presidente da Cedae Lutero de Castro Cardoso, apadrinhado político do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É atribuída ao mesmo parlamentar a indicação da diretoria de Furnas que, na época, autorizou o negócio.
Presidente da estatal omitiu desembolso
O desembolso feito por Furnas, depois de ação judicial proposta pela Alcoa, outra sócia do negócio, foi omitido da carta enviada por Nadalutti ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, para explicar a operação suspeita.
O então presidente da estatal alegou que, ao comprar da Serra da Carioca II, por R$ 80 milhões , um lote de ações que fora adquirido pelo sócio por R$ 6,9 milhões sete meses antes, Furnas teria compensado supostos aportes feitos pela empresa privada no período.
Termo de compromisso assinado por Furnas, cujo conteúdo foi obtido pelo GLOBO, revela outra situação: a estatal não apenas teve de cobrir o calote bancário da Serra da Carioca II, sob pena de ser excluída do investimento, como também assumiu aportes de mais de R$ 16 milhões que a empresa ligada a Eduardo Cunha deixara de fazer no empreendimento, contrariando as suas obrigações societárias.
O desembolso de Furnas levou a Alcoa a desistir de um pedido de arbitragem em São Paulo e de uma ação judicial, com medida cautelar, aberta na 51ª Vara Cível do Rio de Janeiro, para obrigá-la a pagar. Se os compromissos de Serra da Carioca II não fossem honrados, Furnas corria o risco de ser forçada a vender a sua participação no negócio por 90% do valor de face das ações.
Revelada pelo GLOBO, a operação é agora alvo de uma investigação na Controladoria Geral da União (CGU), que não considerou satisfatórias as explicações de Nadalutti.
Desde setembro de 2007, quando o ex-prefeito Luiz Paulo Conde assumiu a presidência da estatal, Furnas é feudo do PMDB fluminense. Um ano depois, doente, Conde foi substituído por Nadalutti, que, em entrevista ao jornal, reconheceu ser filiado ao PMDB de Goiás e ter chegado ao cargo por indicação política.
Criada em dezembro de 2007, duas semanas antes de entrar no negócio com Furnas , a Serra da Carioca II faz parte do Grupo Gallway, sediado em paraíso fiscal no Caribe. Um de seus executivos é Lúcio Funaro, o mesmo empresário que alugava o apartamento ocupado, em 2003, no flat Blue Tree Towers (em Brasília), por Eduardo Cunha - o parlamentar, porém, sustenta que não conhece Funaro.
Para participar do empreendimento, Furnas montou, ao lado da administradora de fundos Oliveira Trust Service, sociedade com propósitos específicos: Serra do Facão Participações. A parceria com a empresa privada foi a alternativa encontrada para superar as restrições legais que impediam estatais de atuar como sócias majoritárias.
Sendo assim, Furnas deteve 49% das ações, e a Oliveira Trust, 51%. Uma cláusula contratual, porém, garantia à estatal a opção de compra das ações do sócio. Esta sociedade, para participar do projeto da usina, teve de fazer parte de outra, a Serra do Facão Energia, que tinha como sócios a Alcoa Alumínio, a Camargo Corrêa Energia e a DME Energética.
Porém, no mesmo mês em que a Serra da Carioca II foi criada, Furnas renunciou à preferência de compra do lote de ações da Oliveira Trust. A desistência abriu caminho para o ingresso da empresa ligada a Eduardo Cunha no negócio.
A construção da usina em Goiás seria alavancada por um financiamento do BNDES, no valor de R$ 400 milhões. Semanas antes da assinatura do contrato, Serra da Carioca II tomou o empréstimo de R$ 60 milhões do ABN AMRO Real para cumprir parte da obrigação de aporte de capital no negócio, que era de quase R$ 100 milhões.
O negócio, porém, começou a complicar para Furnas e seu sócio privado em junho, quando o BNDES negou o empréstimo. Ao levantar informações sobre o quadro societário da Serra da Carioca II, o banco teria descoberto que sua sede ficava em paraíso fiscal, e que alguns dos seus sócios estavam envolvidos em escândalos financeiros.
No mesmo mês, Furnas recebeu comunicado do ABN AMRO Real de que iria executar os seus direitos sobre as ações alienadas. Sem o financiamento, Serra da Carioca decidiu sair do negócio, mas havia um impedimento legal para Furnas comprar a sua parte e assumir integralmente a sociedade.
Na época, Cunha, o mesmo deputado que indicara a diretoria da estatal e tinha amigos entre os gestores da Serra da Carioca, apresentou e conseguiu aprovar mudança na lei, permitindo que estatais do setor elétrico fossem acionistas majoritárias de consórcios "que se destinem à exploração da produção ou transmissão de energia elétrica sob regime de concessão ou autorização".
Vencido o obstáculo, em julho, Serra da Carioca II vendeu para Furnas o lote de ações que tinha comprado por R$ 6 milhões por R$ 80 milhões e finalmente deixou o negócio.
Procurada desde a manhã desta sexta-feira e comunicada sobre o teor da reportagem em duas mensagens, Furnas optou por não responder ao jornal até o fechamento da edição, à noite. A Alcoa também foi procurada e não respondeu.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Minha Casa, Minha Vida - venda dos imóveis e calote


No Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana, comércio ilegal de apartamentos e abandono das unidades por falta de pagamento das prestações de R$ 50 põem em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff

Edna Simão e Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo

FEIRA DE SANTANA, Bahia - Apenas seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda tornou-se uma espécie de assentamento urbano com comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento das prestações de R$ 50, colocando em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff.
Dilma usou feira de santana em programa eleitoral
O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi o primeiro empreendimento para famílias com renda de até R$ 1.395 entregue no País e recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha presidencial, Dilma levou ao ar no horário eleitoral gratuito o condomínio como exemplo bem-sucedido de política pública para os mais pobres.
De lá para cá, desligadas as câmeras da campanha, o "condomínio" apresenta personagens com dramas reais. O presidente da Associação de Moradores do Residencial Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, 27 anos, diz que o calote tem aumentado no empreendimento porque boa parte dos moradores tem como renda apenas o benefício do Bolsa Família.
De acordo com ele e com entrevistas realizadas pelo Estado, das 440 unidades do residencial distribuídas em 22 blocos, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito, escolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana em parceria com a Caixa Econômica Federal. Eram pessoas que tiveram as casas condenadas depois da enchente que atingiu o bairro periférico de Feira X, a cerca de dez quilômetros dali, em 2007.
"Houve quem vendesse a unidade a R$ 500, antes de receber as chaves", conta Marques. Em média, cada apartamento tem 37 m², dois quartos, cozinha e banheiro. "Hoje, os valores estão por volta de R$ 15 mil." Como rege a lei da oferta e da procura e há demanda para as unidades, os preços dos apartamentos estão subindo.
Contas
Para Anália Barbosa dos Santos, de 62 anos, a entrega das chaves do apartamento 2, do bloco 16, depois da visita presidencial e da então candidata parecia encerrar uma vida de necessidades. Agora, ela pensa em se mudar. "Tenho dificuldades para pagar todas as contas que chegam", conta a idosa, que sonha comprar uma casa no bairro de origem com o dinheiro da venda.
A inadimplência já preocupa a Caixa. Isso porque, a entrega do empreendimento é recente e há o temor de que essa situação se repita em outros locais.
Com a "expulsão" dos beneficiários originais, o residencial que era para ser destinado, principalmente, aos inscritos no Bolsa Família que moravam em áreas de risco está sendo "colonizado" por famílias com renda familiar superior.
Mãe solteira de três crianças, Cristiane Lopes, 30 anos, deixou de pagar, há quatro meses, as parcelas da casa própria à Caixa. Desempregada, ela conta apenas com a renda de R$ 134 do Bolsa Família para manter a casa. "Paguei as duas primeiras parcelas com R$ 100 que ganhei da minha tia. Depois não consegui pagar mais", lamentou Cristiane. Ela já recebeu cartas da Caixa cobrando o débito e teme perder o imóvel por inadimplência.
Lançado por Lula em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi um dos principais trunfos de Dilma na campanha. Na ocasião, ela prometeu entregar 2 milhões de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 até 2014.
O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional no País, que é de quase 6 milhões de moradias - concentrado entre as famílias que recebem até um salário mínimo. Mas quando foi lançado, o Minha Casa, Minha Vida também serviu de estímulo econômico em momento em que o País sentia os efeitos da maior crise financeira dos últimos 80 anos.
De abril de 2009 a dezembro de 2010, a Caixa assinou 1 milhão de contratos, como era esperado. O número de imóveis entregues, no entanto, não chegou a 300 mil unidades. A expectativa é de que as entregas se acelerassem no decorrer de 2010. Isso porque, um empreendimento demora, em média, 18 meses para ser construído.

quinta-feira, 25 de março de 2010

ECONOMIA/NEGÓCIOS - Companhia imobiliária da Dubai World faz propostas para pagar dívidas


da Efe, em Abu Dhabi
A companhia imobiliária Nakheel, dos Emirados Árabes Unidos, filial do consórcio Dubai World, se comprometeu hoje a pagar totalmente sua dívida com dinheiro, bônus ou extensões dos vencimentos de seus atuais compromissos.
A proposta de reestruturação foi divulgada depois que o governo de Dubai anunciou que colocou à disposição da Dubai World e da Nakheel US$ 9,5 bilhões para reestruturar suas dívidas e assegurar a continuidade de seus negócios.
Em comunicado, a Nakheel informa que sua proposta de refinanciamento oferece a seus credores uma "justa e equitativa recuperação" dos empréstimos.
No último dia 25 de novembro, a Dubai World anunciou intenção de renegociar seus vencimentos de pagamento, posteriormente cifrados em US$ 26 bilhões, assim como os de suas várias de seus filiais, entre elas a Nakheel.
Em sua proposta, a companhia imobiliária ofereceu a seus credores comerciais (contratados e fornecedores) o pagamento de 100% da dívida, sendo 40% em dinheiro e 60% em bônus de cotação pública.
Aos credores financeiros que tenham feito empréstimos garantidos, a empresa ofereceu o abono de 100% do capital principal e juros acumulados mediante uma extensão dos vencimentos.
Aos detentores de bônus islâmicos ("sukuk") com vencimento em 2010 e 2011, foi oferecido o pagamento da totalidade do montante à medida que os títulos vão vencendo.
A Nakheel também anunciou que o Comitê Fiscal Supremo de Dubai ofereceu a transformação em participação de capital de empréstimos feitos à empresa, totalizando US$ 1,2 bilhões, sujeitos ao êxito da reestruturação financeira com seus credores.