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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SUSPEITA DE FRAUDE - na Caixa pode dar prejuízo de R$ 100 mi ao FGTS

As transações financeiras da corretora carioca Tetto realizadas após uma suposta pane no setor de informática da Caixa Econômica Federal ameaçam lesar em cerca de R$ 100 milhões o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), conforme aponta o banco em ação judicial, informa reportagem de Natuza Nery, Dimmi Amora e Rubens Valente

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A Folha revelou anteontem que a Tetto vendeu, como se não tivessem dívidas, papéis da dívida pública de baixo ou nenhum valor. O caso surge em meio a uma disputa entre PT e PMDB pelo controle da Caixa.

A Tetto só conseguiu fazer isso porque o sistema da Caixa que atestava a qualidade dos papéis, justamente sob uma vice-presidência do PMDB, ficou mais de dois anos inoperantes.


OUTRO LADO
O banco do Distrito Federal informou que está "buscando preservar os direitos do BRB frente a irregularidades que possam, eventualmente, ter sido cometidas".

Para isso, abriu uma sindicância interna para apurar o caso. A apuração começou neste ano, quando o governo passou às mãos de Agnelo Queiroz (PT). 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Os Roriz - Família que se corrompe unida permanece unida



Família do ex-governador, incluindo duas filhas parlamentares, ‘ganhou’ 12 apartamentos em condomínio de luxo

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

O ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, suas três filhas e um neto, maior de idade, tornaram-se réus em ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do DF e Territórios na 3.ª Vara de Fazenda Pública. Só a mulher escapou. Eles são acusados de ganhar, a título de propina, em 2006, quando Roriz era governador, 12 apartamentos de alto padrão no condomínio residencial Monet, construído com ajuda de dinheiro público.

O suposto presente, segundo as investigações, foi dado pela construtora WRJ Engenharia, a título de retribuição por um financiamento de R$ 6,7 milhões, obtido no banco estatal BRB, a mando de Roriz, para construção do condomínio. Um contrato de gaveta, apreendido em operação da Polícia Federal em 2010, comprovou que os imóveis foram repassados de forma camuflada ao clã Roriz.

Além de Roriz, são réus na ação suas filhas Jaqueline (deputada federal pelo PMN), Liliane (deputada distrital pelo PRTB) e Weslliane Neuls (empresária), e seu neto, Rodrigo Roriz.

Dois filhos de Liliane e um de Jaqueline deixaram de ser citados na ação, embora tenham recebido também apartamentos, porque eram menores de idade e foram representados pelas mães no negócio. Os donos da construtora e diretores do BRB envolvidos na fraude também são réus. A ação é assinada por cinco promotores do Núcleo de Combate a Organizações Criminosas.

A descoberta da fraude ocorreu em 2009, já no governo de José Roberto Arruda, preso e afastado do cargo por envolvimento no "mensalão do DEM". Como a construtora não pagou o empréstimo, o BRB, por ordem judicial, tomou os apartamentos para cobrir o prejuízo. Os moradores entraram com uma ação civil pública para não perder os imóveis. Descobriu-se então que os recibos do clã Roriz eram fajutos.

(Coment[ário: Quando se pensa que se viu tudo em matéria de falcatruas ou de suspeitas de falcatruas cometidas por Roriz e seu clã, aparece sempre algo novo. Pronta recuperação ao ex-governador, hospitalizado em São Paulo! Ele tem muitas coisas a acertar com a Justiça.)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MINISTÉRIO PÚBLICO - do DF pede inelegibilidade de Roriz até 2018 por uso de influência política


da FILIPE COUTINHO
da Sucursal de Brasília


O Ministério Público do Distrito Federal quer que o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), líder das pesquisas para o governo do DF, fique inelegível até 2018 por usar influência política para sacar R$ 2,2 milhões sem ser rastreado.
O pedido é um desdobramento da operação Aquarela, em que a Polícia Civil do DF investigou um suposto esquema de desvio de dinheiro do BRB (Banco Regional de Brasília). Na ação, a Promotoria quer que Roriz perca qualquer cargo público que tiver, caso ele já tenha sido eleito na data da sentença.
O Ministério Público pede também que Roriz banque o prejuízo de R$ 223 mil que o BRB sofreu com a transação, e pague o dobro como multa, totalizando R$ 669 mil.
A Folha teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público. Roriz é acusado de usar a influência política e mandar que aliados nomeados por ele no Banco de Brasília infringissem as regras contra a lavagem de dinheiro para sacar um cheque de R$ 2,2 milhões sem informar o Banco Central.
Após a operação Aquarela, em 2007, Roriz renunciou à vaga no Senado e alegou que recebeu cerca de R$ 270 mil do montante, como empréstimo para comprar uma bezerra.
A Justiça quebrou o sigilo bancário de Roriz e o Ministério Público ainda investiga o motivo para a partilha dos R$ 2 milhões. Para os promotores, contudo, Roriz já deve ser condenado por usar a influência política para facilitar o saque --o que causou uma multa ao Banco de Brasília e prejuízo aos cofres públicos.
"A conduta de Roriz, beneficiado pelo ato de improbidade, foi a causa decisiva e determinante que induziu Tarcísio Franklin [presidente do banco] a autorizar o desconto do cheque. Desse modo, não fosse a sua conduta, induzindo Tarcísio à prática do ato, este não ocorreria", diz a denúncia.
Em depoimento à Polícia Civil, o ex-presidente do banco admitiu que "levou em conta o pedido de Roriz" para autorizar a transação. O cheque era nominado ao empresário Nenê Constantino, pai do presidente da Gol. Em depoimento, Constantino disse que Roriz garantiu que o Banco de Brasília não iria descontar a CPMF, uma das maneiras que o governo federal tinha para rastrear transações suspeitas.
"Mesmo cientes das irregularidades que envolviam a operação, ainda assim agiram no intuito de satisfazer o interesse particular de Roriz e Constantino", diz o MP, em relação aos funcionários do banco que fizeram o saque.
De acordo com o Ministério Público, o desconto do cheque "significava burlar diversas normas que regulam o sistema financeiro e o combate à lavagem de dinheiro". A lei prevê que esse tipo de saque seja informado ao Banco Central em até 24 horas, mas o Banco de Brasília --comandado por aliados de Roriz-- demorou uma semana para informar as autoridades. E quando informou, informou errado.
"[O banco] comunicou de forma intempestiva a ocorrência do saque, bem como inseriu nos registros informações relativas a uma conta e um titular inexistentes", diz o processo administrativo do Banco Central.
Na ação, a Promotoria transcreve um diálogo de 13 de março de 2007 entre Roriz, então senador, com o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin. Na conversa, o presidente do banco sugere tirar o dinheiro da tesouraria do banco e enviar num carro forte. Roriz recusa, porque "chama atenção".
No diálogo, eles decidem repartir o "dinheirão todo" no escritório do empresário Nenê Constantino, a quem o cheque era nominado. Detalhe: a empresa que deu o cheque e Constantino não eram clientes do Banco de Brasília, onde o dinheiro foi sacado.

Outro lado
Em nota, Joaquim Roriz diz que a transação foi legal e que ele usou apenas uma parte dos R$ 2,2 milhões --o resto teria sido devolvido a Nenê Constantino. Roriz afirma que usou o dinheiro para comprar uma bezerra de R$ 270 mil. "Qualquer outra ilação, qualquer outro entendimento ou juízo de valor se refere a interpretações equivocadas, algumas delas de absoluta má fé", diz Roriz.
O advogado de Tarcísio Franklin, ex-presidente do BRB, disse que não houve irregularidade no saque. Segundo o advogado Bruno Rodrigues, o ex-presidente do BRB sabia que o empresário Nenê Constantino era uma pessoa idônea e com fundos para bancar o saque de R$ 2,2 milhões. "Tarcísio Franklin não vislumbrou qualquer prejuízo aos cofres públicos com a transação", disse o advogado. O advogado do empresário Nenê Constantino não retornou a ligação da Folha.

 


 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dinheiro para suborno foi obtido com sobrinho de Arruda

Mensalão do DEM
(Atualizada às 21h20)
Em depoimento, esta tarde, na Polícia Federal, Antonio Bento, funcionário aposentado da Companhia de Energia de Brasília, disse que recebeu de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário-particular do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, os R$ 200 mil que entregou hoje pela manhã em um restaurante da cidade ao jornalista Edson Sombra, uma das testemunhas-chaves do caso do Mensalão do DEM.
Bento foi preso por agentes federais logo depois do ato de entrega do dinheiro. Sombra havia contado com antecedência à polícia que estava em curso uma tentativa de suborná-lo comandada diretamente por Arruda.
Em meados de janeiro último, Sombra fora visitado no seu apartamento, na Asa Norte, pelo deputado distrital Geraldo Naves (DEM), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa.
Segundo Sombra contou à polícia, Naves lhe deu um bilhete escrito por Arruda e adiantou qual era a oferta dele. Em troca de R$ 3 milhões, Sombra deveria dizer que haviam sido manipulados os vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo, onde aparecem Arruda e deputados que o apóiam embolsando dinheiro.
Foi Sombra que convenceu Durval a denunciar o mensalão do DEM.
No bilhete, já de posse da polícia, Arruda escreveu frases soltas. Algumas delas:
* "Gosto dele". (Sombra entendeu que ele se referia a Durval.)
* "Sei que tentou evitar". (Sombra entendeu que Arruda quis dizer que ele, Sombra, tentara impedir Durval de detonar o escândalo.)
* "Preciso de ajuda. Sou grato".
No bilhete, Arruda escreveu uma sigla - GDF. E ao lado dela, assinalou: "OK ". GDF é Governo do Distrito Federal. Sombra entendeu que Arruda sugeria que ele não teria dificuldades no âmbito do governo.
Então decidiu procurar o jornalista Wellington Moraes, assessor de comunicação social de Arruda. Os dois se reuniram em uma sala do oitavo andar do edifício Liberty Mall.
- Diz pro Arruda que não dá para negociar com um intermediário tão amador como é esse Geraldo Naves.
Como prova do amadorismo de Naves, deu a Welligton o original do bilhete que Arruda lhe enviara. Guardou uma cópia.
Em seguida, pediu emprestado o celular de Wellington e telefonou para Arruda na Granja de Águas Claras, residência oficial do governador do Distrito Federal.
O diálogo com Arruda foi curto. Sombra encerrou-o dizendo:
- O que já fizemos juntos no passado dispensa agora o uso de intermediários.
Os dois foram amigos. Mas naquele momento o que Sombra pretendia era dar esperança a Arruda de que aceitaria a proposta de suborno feita por intermédio do deputado Naves.
- Tratei do assunto várias vezes com Wellington e depois com Antonio Bento. Isso durou quase três semanas - revelou Sombra a este blog.
Bento havia trabalhado de graça na campanha de Arruda para governador. Esperava depois ser nomeado para um cargo em comissão.
Arruda ofereceu-lhe um cargo cujo salário era de R$ 2 mil mensais. Bento preferiu aceitar a oferta de Sombra, que é dono do jornal quinzenal O Distrital, e o empregou como "gerente comercial para o mercado privado".
Foi Bento, que esteve três ou quatro vezes com Arruda da semana passada para cá, quem escreveu em papéis colecionados por Sombra as siglas BRB e CEB.
BRB é Banco Regional de Brasília. Ali, adiantou Bento, a Arte Produção, empresa de Sombra, ganharia uma conta garantida de R$ 450 mil, prometera Arruda. CEB quer dizer Companhia de Eletricidade de Brasília.
À CEB, Sombra deve mais de R$ 500 mil da época em que arrendou uma emissora de rádio que pertenceu ao ex-senador Luiz Estevão de Oliveira. A dívida seria perdoada ou renegociada, dissera-lhe Bento a pedido de Arruda.
O que Bento não sabia, e só ficou sabendo hoje na Polícia Federal, é que Sombra gravou em vídeo várias conversas que teve com ele e Wellington.
- Gravei cinco ou seis encontros que tive com Bento na minha casa.  E dos cinco encontros que tive com Wellington, gravei um. As fitas estão com a Polícia Federal. No total, somam mais de 12 horas - revela Sombra.