Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

#COPA2014 - Arenas das Dunas é o Estádio mais atrasado e MPF diz que há várias irregularidades

Arena das Dunas: “Não podemos dizer que a obra é 100% regular” diz procurador
Por Andrea Dip

O Copa Pública falou com representantes do Ministério Público Federal e Estadual e do comitê popular local sobre o estádio mais atrasado da Copa de 2014. As coisas andam meio nebulosas..


A Arena das Dunas, estádio que está sendo construído em Natal para os jogos da Copa de 2014, já passou por vários percalços. Os primeiros aconteceram durante o processo de licitação das obras em 2010, quando o Ministério Público questionou vários itens do edital e apontou que o contrato estipulava ônus excessivo para o Estado do Rio Grande do Norte e amenizava riscos para o parceiro privado. Depois, já no começo de 2011, o MP chegou a recomendar ao BNDES que suspendesse o empréstimo de R$ 300 milhões para a obra por conta de irregularidades no edital. No final de 2011, uma licença ambiental dada às pressas, liberou o uso de areia de uma área de proteção ambiental, que fica pertinho das dunas de Jenipabu para as obras.

Neste ano, a Arena das Dunas foi alvo de críticas da Fifa por causa do atraso na construção – o estádio fechou o mês de março com 20% das obras concluídas e teve duas paralisações: a primeira no dia 19 de março, quando os trabalhadores reivindicaram melhores condições de trabalho e aumento salarial, e a segunda depois que a OAS (empresa responsável pelas obras) demitiu 14 funcionários alegando baixa produtividade e deficiência técnica. As demissões revoltaram os trabalhadores, que pararam novamente no último dia 3, e só voltaram ao trabalho na quinta-feira (12), apesar da liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 21a Região que os obrigava a voltar no dia 9.

Copa Pública ouviu representantes do Ministério Público Federal e Estadual e ainda um representante do Comitê Popular Copa 2014 e do Conselho estadual de Direitos Humanos para saber como anda a Arena das Dunas –mas recebeu respostas imprecisas e vagas, na contramão da tendência por transparência no Brasil. Segundo Luis Lopes, presidente da comissão do Ministério Público Estadual que acompanha as obras da Copa para 2014, há procedimentos instaurados sobre irregularidades mas o MP aguarda documentos do governo: “Ainda está no prazo. O governo estadual diz que tem como provar a regularidade. As obras estão dentro do cronograma e nós achamos que as irregularidades são sanáveis”. Já o procurador da república do MPF, Rodrigo Telles de Souza, disse que não há um prazo estabelecido para que estes documentos sejam apresentados. E reclamou: “A gente está tendo uma dificuldade em dar andamento aos procedimentos porque a Procuradoria do Rio Grande do Norte, aliás do Brasil todo, carece de procuradores. Há uma sobrecarga de trabalho e a gente não tem conseguido dar um andamento ideal a estes ou a outros procedimentos”.

Quando questionados sobre as recomendações dadas em 2010 e 2011, o procurador estadual Luis Lopes disse que o MPF teria mais detalhes, e o procurador Rodrigo Telles, do MPF disse não se lembrar exatamente: “Olha, faz um bom tempo, mas as discussões giravam em torno do financeiro do contrato. Os detalhes específicos não me recordo”.

Ambos, porém, admitiram que há pontos nebulosos no projeto. Luis Lopes afirmou que o Ministério Público pode até pedir a suspensão da obra até que as pendências sejam regularizadas: “Mas vamos tentar fazer com que não aconteça para que a obra saia, afinal já houve gasto de dinheiro público. O jogo já começou, vamos torcer para que termine dentro das regras”. Rodrigo Telles explicou que o Estado alegou que não teria como acatar todas as recomendações do Ministério Público sem ônus financeiro: “Então algumas questões não foram corrigidas. A gente não pode dizer que a obra é 100% regular porque pende esta análise de consistência, viabilidade econômico-financeira do projeto e tem que ser verificada a questão de sobrepreço e faturamento. Mas por enquanto a gente não tem o que dizer”.

Para Marcos Dionisio Medeiros Caldas, da coordenação do Comitê Popular Copa 2014 e do Conselho Estadual de Direitos Humanos, o maior problema é “a total falta de transparência em todas as obras da Copa”. Ele lembrou que no caso do Machadão, estádio que foi destruído para dar lugar à Arena, houve um pequeno protesto por parte da comunidade, sem sucesso. “No ano passado houve uma reunião com o arquiteto do Machadão e ele colocou que, respeitando todas as normas da FIFA para a construção dos estádios, as obras de reforma ficariam em torno de 89 milhões. E o Estado optou não por essa obra mas pela demolição do Machadão e pela construção do Arena das Dunas, que jogou o orçamento em mais de 450 milhões de reais e destruiu a história da cidade”. E lamentou que a Copa não esteja sendo uma oportunidade para o país fazer obras de melhoria para a população: “Ao invés disso, a Copa tem sido um gol contra ao Brasil. E um gol contra bastante caro”.


O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.


sábado, 3 de março de 2012

CAOS AÉREO - fila de voos rende R$ 24 mil de indenização

Com atrasos e complicações em aeroportos, passageiro pode entrar com ação na Justiça para ser ressarcido

POR Pablo Vallejos


Rio - Esperar na fila de aeroportos pode render indenização de até 40 salários mínimos para passageiro (R$24.880). Após crises como a da TAM, ontem, com pane no check-in, que teve atraso de 164 voos, consumidores devem recorrer à Justiça e ao juizado especial pelo tempo que “mofaram” aguardando definição sobre seus voos.

Segundo José Roberto Soares, presidente da Associação Nacional de Assistência ao Consumidor e ao Trabalhador (Anacont), somente o juiz definirá o montante final a ser pago pela companhia aérea. Mas esse tipo de caso chega a 40 salários mínimos. “Se o passageiro for lesado num valor superior a esse, deve ir imediatamente à Justiça”, orienta.

Segundo o Idec, há determinações para companhias aéreas cumprirem em caso de atraso, como ontem na TAM | Foto: Divulgação

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) afirma que, em casos de atrasos nos voos, a partir de uma hora, a companhia deve oferecer ao passageiro facilidade de comunicação, como ligação telefônica e acesso à Internet. A partir de duas horas de atraso, fica garantida também a responsabilidade da empresa pela alimentação. Se necessário, serviço de hospedagem, incluindo transporte de ida e volta ao hotel.
No entanto, o Idec explica que nada impede o consumidor prejudicado ajuizar ação para pagamento de indenização na Justiça Estadual ou nos Juizados Especiais Cíveis estaduais. Caso a companhia aérea não cumpra as determinações de assistência, além de poder procurar a Justiça, o passageiro lesado deve fazer denúncia à Anac e se dirigir a órgão de proteção ao consumidor mais próximo.

Como recorrer
SOLUÇÃO
Existem maneiras de lidar com os atrasos abusivos, caso o passageiro seja prejudicado pela falha. Quem dá as dicas é Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP.

ORIENTAÇÃO INICIAL“Sempre procurar balcão da companhia aérea ou da Infraero, atendimento da Anac no próprio aeroporto e avaliar o que é mais adequado para o momento”, sugere a especialista. Ser ressarcido, cancelar, esperar são ações que o consumidor pode tomar a qualquer momento, se desejar.

DINHEIRO DE VOLTA Para reembolso de gastos do passageiro no atraso, o Procon pode ajudar com orientação e encaminhar questões à companhias aéreas. “Dessa maneira, não é preciso entrar com ação judicial”, indica Fátima.

“QUERO INDENIZAÇÃO”Até 20 mínimos (R$ 14.440) de prejuízo, não é necessário auxílio de advogado. “Basta recorrer ao juizado especial cível, podendo pleitear a devolução do valor pago por serviço que nem utilizou. Para somente pleitear, ele pode fazer isso no Procon”, afirma.

Fonte O Dia



    

sexta-feira, 2 de março de 2012

FALTA DE RESPEITO - Anac notifica TAM por atraso 8 horas em voo e multa pode chegar a R$ 1,7 milhão

Voo JJ 8084 decolou do Aeroporto de Guarulhos com quase 8h de atraso.
Agência quer esclarecimentos da empresa sobre assistência aos passageiros.
Do G1, em São Paulo
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) notificou nesta quinta-feira (1º) a TAM Linhas Aéreas para verificar a prestação de assistência pela empresa aos passageiros de um voo que sofreu atrasos de quase 8 horas.
O voo JJ 8084 deveria ter decolado do Aeroporto de Guarulhos para Londres, às 22h50 da quarta-feira (29/02), mas isso só ocorreu às 6h37 desta quinta, segundo a Anac.
A agência destaca que a assistência ao passageiro deve seguir o que está previsto na Resolução nº. 141, de 2010.
“De acordo com a conclusão do processo administrativo de apuração dos fatos, a empresa poderá ser multada em até R$ 7 mil por passageiro, o que pode perfazer um total de cerca de R$ 1,7 milhão, a depender da quantidade de passageiros prejudicados”, diz a Anac, em nota.

Outro ladoProcurada pelo G1, a TAM disse que a aeronave que realizaria o voo JJ8084 teve de passar por manutenção na noite de quarta-feira, devido a um impacto de pássaro registrado anteriormente.
"Por conta disso, o voo já havia sido reprogramado para decolar às 2h da madrugada de hoje (1º de março) – e não no horário original das 22h50 de quarta-feira", diz a companhia.
Segundo a TAM, o embarque para Londres ocorreu por volta das 3h desta quinta. No entanto, diz a empresa, devido a um problema técnico imprevisto, a aeronave passou por um novo procedimento de manutenção, e o voo decolou às 6h15.
"Diante do tempo necessário para desembarcar e embarcar todos novamente – e buscando amenizar o desconforto dos clientes –, a companhia solicitou aos passageiros que aguardassem a bordo, onde foi servido o jantar. Os sistemas de comunicação e entretenimento da aeronave também ficaram disponíveis nesse período. A companhia lamenta os transtornos experimentados pelos seus clientes, mas ressalta que não abre mão de suas normas de segurança (...)."
A Anac informa que os passageiros do voo JJ 8084 podem recorrer à agência pelo 0800-7254445, que funciona 24 horas com atendimento gratuito em português, inglês e espanhol.

Fonte G1
       

    terça-feira, 8 de novembro de 2011

    SÃO JOÃO DE MERITI / RJ - Prefeitura atrasa aluguel social de vítimas de deslizamento há sete meses

    Deslizamento de terra destruiu 12 casas em São João de Meriti, em dezembro de 2009 Foto: Divulgação

    Cíntia Cruz
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    Na noite de 30 de dezembro de 2009, tudo o que o vendedor ambulante Dernival Mendes Sena queria era se preparar para o réveillon em sua casa, na Rua dos Coelhos, no bairro Jardim Íris, em São João de Meriti. Em vez de cuidar da ceia, porém, Dernival passou a madrugada seguinte ajudando a retirar o corpo de um de seus vizinhos que ficou soterrado com o deslizamento. Quase dois anos após o acidente que deixou 12 famílias sem casa, moradores têm uma rotina constante de descaso e sofrimento. Há sete meses, o aluguel social no valor de R$ 350 está atrasado.
    — No início, o prefeito apareceu e sugeriu que todos fossem para um hotel, mas não deu nenhum recurso. Ainda permanecemos nas casas durante dois dias. Só em 4 de janeiro que eles interditaram os imóveis e fomos cadastrados para o aluguel social — recorda-se Dernival.
    Em fevereiro de 2010, os moradores receberam a primeira parcela do benefício. De julho a outubro, a primeira suspensão. Devido à renovação dos cadastros, ficaram sem receber. Em novembro, o aluguel voltou a ser pago, mas em abril deste ano foi novamente interrompido.
    A dona de casa Bárbara Alves Mendonça, de 32 anos, deve três meses de aluguel.
    — Moro com meu filho de 5 anos e com meu marido, que faz biscates atualmente. Não sei mais o que dizer para o proprietário — desespera-se.
    Uma reunião com o prefeito em abril deu esperança aos moradores, mas o acordo não foi posto em prática.
    — Em 29 de abril, o prefeito disse que iria renovar o aluguel social por mais uma ano. Desde então, ficamos nesse jogo de empurra — lamenta Dernival.
    A Prefeitura de São João de Meriti informou que paga o aluguel social pelo período de seis meses, mas que, para a renovação, é realizado um levantamento pela Secretaria de Promoção Social para avaliar se há a necessidade de continuar com os benefícios. Ainda segundo a prefeitura, as famílias estão em processo de análise para a concessão da renovação dos benefícios

    terça-feira, 27 de setembro de 2011

    COPA 2014 - Após ameaça a Copa, Dilma quer encontro com a Fifa

    A presidente Dilma Rousseff baixou ordem entre seus auxiliares diretos para que o governo estenda a mão à Fifa e acabe com o clima de beligerância que existe hoje entre o governo e a entidade.

    A Folha apurou que a presidente se dispõe até mesmo a marcar um encontro com a cúpula da entidade para conversar sobre as divergências em torno da realização da Copa de 2014 no Brasil.

    Nos últimos dias, a Fifa espalhou notícias de que poderia até mesmo cancelar o mundial no país caso não houvesse um consenso em torno de temas sensíveis, como a cobrança de meia entrada nos estádios.

    O governo considera que a entidade não tem condições de concretizar a ameaça. Ainda assim, quer "melhorar o clima" com os cartolas.

    A Lei Geral da Copa é o centro do litígio. A entidade máxima do futebol entende que o texto não defende suas receitas com ingressos, patrocínios e televisão do Mundial. O projeto de lei ainda será votado por Câmara dos Deputados e Senado.

    São sete pontos de discórdia. Entre os principais, está o fato de a Lei Geral da Copa não ter derrubado a meia-entrada para idosos. Isso contraria o Acordo para Sediar, que dava liberdade à Fifa para lidar com ingressos.

    Dilma tem mantido distância dos dirigentes do futebol e colocou todos na geladeira, especialmente o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele mantinha boa relação com o ex-presidente Lula mas sequer é recebido pela atual presidente.


    Fonte Folha http://www1.folha.uol.com.br/esporte/981535-apos-ameaca-a-copa-dilma-quer-encontro-com-a-fifa.shtml

    terça-feira, 4 de maio de 2010

    copa de 2014 - 'A lógica da política na Copa de 2014' #copa2014


        Artigo do leitor Silvio Teles - O Globo


               FALTAM 1.495 dias
    Acostumados a tratar com um povo passivo e que, muito raramente, faz valer seus direitos, as autoridades públicas brasileiras e a Comissão Brasileira de Futebol receberam do secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke, um constrangedor "puxão de orelhas" pelo atual descumprimento dos prazos estabelecidos para as obras que comporão o plantel para a Copa do Mundo de 2014.

    O francês foi duro, incisivo e mandou às favas todo e qualquer eufemismo ou tentativa de gentileza na admoestação. Jerome usou o popular e disse na cara: "Por que vocês assinaram todos aqueles documentos e não cumprem?", obrigando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a ficar sem resposta. Que feio, hein?
    A reclamação da FIFA tem sentido: hoje, todas as cidades habilitadas à sede do Mundial já deveriam ter iniciado suas obras, mas apenas seis (Manaus, Cuiabá, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) iniciaram as reformas e construções necessárias. Mesmo assim, em todas elas, as obras seguem fora do cronograma.
    O que aconteceu, particularmente no Brasil, é que prevaleceu a lógica hedionda de escolha de representantes políticos. Até a eleição (nesse caso, do país-sede), tudo foi dito para assegurar o evento, como promessa de campanha: projetos mirabolantes, previsão de recursos orçamentários sobrepujantes, assinatura termos de compromisso etc. Mas, uma vez escolhido o Brasil, os responsáveis pelo projeto querem que tudo aquilo que foi dito e prometido não tenha a menor importância prática: afinal, já nos escolheram!
    Há quem pense que é uma birra sem motivos essa que o secretário-geral da FIFA está criando para com o Brasil. Eu, particularmente, acho da mais sincera pertinência. Ora, nesse caso da Copa de 2014, além do Brasil os Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela demonstraram interesse em sediar a competição. A escolha do Brasil envolveu, além da conveniência política, a avaliação do melhor projeto e de sua execução, situação indissociavelmente ligada a prazos. Daqui até a Copa das Confederações são apenas três anos e há estádios, como o "Nacional de Brasília", que sequer saíram do papel.
    A verdade é que a maioria dos gestores públicos brasileiros não gosta de prazos, nem está acostumada a eles. E, quando eles os são impostos, sempre se arruma uma maneira de burlá-los: é a rua esburacada que estará pronta daqui a seis meses, a escola nova que será construída em um ano, a compra de equipamentos que em quinze dias será licitada... Desculpa para repórter. Balela pura!
    Essa má fama brasileira parece correr o mundo a ponto de Jerôme Valcke, quando "descia a lenha" em nosso "jeitinho" de conduzir os acordos que assinamos e as promessas que fazemos, usar ironicamente alguns velhos argumentos conhecidos nossos: "O Brasil só funciona depois do carnaval", "Até a Copa do Mundo nada será feito...", "Esse ano tem eleições e, até lá, nada anda".
    Espero que a FIFA, diferentemente do passivo povo brasileiro (salvo raras exceções), tenha mecanismos eficazes para cobrar o adimplemento das condições aceitas pelo Brasil para sediar o Mundial. Mas temo que, logo logo, a FIFA conclua o que aqui não é difícil perceber: no Brasil, a demora não é fazer a obra; o que leva tempo, de verdade, é equilibrar os "ganhos" dos envolvidos na construção.

    domingo, 25 de abril de 2010

    JOGOS 2016 - Projetos para Jogos Olímpicos do Rio-2016 já têm atrasos


       
    RODRIGO MATTOS
    da Reportagem Local


    Apenas sete meses após o Rio ganhar a disputa para sede olímpica, já há atraso em projetos esportivos e de organização para os Jogos de 2016.
    Até agora não foi liberado nada dos R$ 300 milhões prometidos pelo Ministério do Esporte em novembro. A verba daria início a programas olímpicos, e parte desse dinheiro --R$ 120 milhões-- seria aplicada especificamente no plano para tornar o país uma "potência".
    Só que a proposta para instituí-lo está travada há quase cinco meses no governo, que recebeu em dezembro pedidos de verbas das confederações olímpicas. "O Ministério do Esporte está finalizando uma proposta de incremento do esporte olímpico e paraolímpico no país", informou a assessoria da pasta.
    O principal motivo para a paralisação é uma discussão entre o comitê e o governo em relação ao formato do projeto, segundo dirigentes das confederações. A entidade e a pasta negam as desavenças.
    Enquanto isso, confederações já relataram um atraso no plano de longo prazo para 2016.
    "Quando o presidente [Carlos Arthur] Nuzman nos convocou, definiu um prazo curto para os projetos. Entendíamos que o investimento seria imediato", contou o presidente da Confederação de Pentatlo, Hélio Meirelles. "O número de tarefas que temos pela frente é muito grande".
    As modalidades de menos recursos foram as mais prejudicadas. "Praticamente, perdemos um ano de preparação", afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo.
    Os esportes com mais tradição no país sofreram menos danos. 'Não tivemos atrasos. Não deixamos de fazer viagens. Podem ser feitas adequações posteriores quando vier a verba'', explicou o presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley.
    As confederações levaram cerca de R$ 34 milhões pela Lei Piva no ano passado. Esse valor pode triplicar com a liberação de verba prevista pelo governo. E pode até ser multiplicado por sete se todas as reivindicações forem atendidas.
    Há ainda o caso das duas confederações que receberam status de olímpicas, golfe e rúgbi, que só terão verbas da Lei Piva a partir de 2012, segundo COB. Por ora, só terão recursos do comitê por meio de projetos esporádicos. "Ainda estamos em negociação com o COB", contou o presidente da confederação de golfe, Rachid Orra.
    Fora do campo esportivo, o ministério também fez pouco. Até agora não houve recurso governamental para o Comitê Organizador Rio-2016.
    Ainda com uma equipe reduzida, como previsto, o comitê tem sido administrado com verba privada de sobras da campanha olímpica. Foram R$ 5,5 milhões restantes do investimento feito por empresas e pelo empresário Eike Baptista.
    Em outubro, o ministério dizia que também tinha "restos da candidatura" e que parte seria repassada até o final daquele ano ao comitê. Houve outra promessa, de R$ 15 milhões, do total inicial a ser investido.
    Outra tarefa nas mãos do governo é a constituição da APO (Autoridade Pública Olímpica), órgão que tocará as obras por parte da administração pública, com governos municipal, estadual e federal. O COI pedira que estivesse pronta em abril.
    Mas a APO só deve ser apresentada em maio, na visita do comitê internacional ao Brasil. Isso porque o seu formato ainda é discutido pelos governo.
    O Rio-2016 cumpriu os prazos combinados com o COI para estabelecer seu estatuto e boa parte de seus integrantes.
    Mas, na esfera do governo, os primeiros passos olímpicos têm sido lentos.