Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EMPORCALHAMENTO da CHEVRON II : Empresa tentou esconder vazamento de petróleo em Campos

São Paulo – A direção da Chevron no Brasil, omitiu informações sobre o vazamento de petróleo em poço da Bacia de Campos e pode ser responsabilizada por tentar ocultar o acidente. Segundo reportagem da folha de S.Paulo deste domingo (20), a Chevron sabia do vazamento de petróleo no Campo do Frade desde o dia 9, mas só tornou a informação pública cinco dias depois, na segunda (14). Até então, a empresa tratava o incidente como “fissuras no fundo do mar”.

Foi preciso que técnicos da Petrobras avistassem sinais de vazamento na superfície do mar e avisassem a multinacional para que a empresa tomasse as primeiras providências para tentar conter o vazamento, que já dura 13 dias.

Reincidente
A empresa Transocean, que faz os trabalhos de perfuração para a Chevron no Campo de Frade, é a mesma que operava a plataforma da British Petroleum, que explodiu em abril de 2010, no Golfo do México, causando um dos maiores desastres ambientais da história recente.
Apesar do negativo retrospecto da Transocean, o presidente da concessionária brasileira da Chevron, George Buck, disse que a terceirizada “é de confiança” e que continuará a operar com ela no Brasil.

No acidente do Golfo do México, 11 pessoas morreram, cerca de 4,9 milhões de barris de óleo foram derramador no mar, em 87 dias de vazamento e até hoje a dimensão total dos prejuízos materiais e ambientais são desconhecidos.

Desinformação
No Rio, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, acusou a Chevron de ter subestimado a quantidade real de petróleo vazado do Campo de Frade, que está instalado na Bacia de Campos. Minc sobrevoou a área atingida pelo vazamento a bordo de um helicóptero da Marinha e constatou que a quantidade de óleo no mar é maior do que o anunciado pela empresa.

“A mancha é muito grande. Está borbulhando e continua saindo óleo da fissura. Nós vimos três baleias jubarte a 300 metros, o que significa que a biodiversidade já está afetada. Se a empresa sonegou informação, e tudo indica que sonegou, ela tem que ser ainda mais rigorosamente punida. Por ter poluído, por ter afetado a biodiversidade e por ter sonegado a informação.” As declarações foram feitas na sexta-feira (18).

Minc considerou que houve erro em um estudo geológico anterior, ao não prever a possibilidade de uma falha no subsolo. “Isso é muito grave. Pois significa que deveria ter sido previsto antes e poderia inclusive evitar esse tipo de acidente.”

O secretário também classificou o acidente como um alerta para toda a exploração do pré-sal que está começando no país. “Este não foi um acidente gravíssimo, mas foi um festival de erros. Serve para nós como um alerta vermelho. Este é um [poço], o pré-sal vai ter mil. Então temos que tirar lições disso.”

O presidente da subsidiária brasileira da Chevron, George Buck, negou que a empresa tenha subestimado o tamanho do vazamento e disse que era muito difícil definir a real dimensão do problema. O exectuvo afirmou ainda que a empresa não tem uma estimativa sobre a quantidade de óleo que escapou do Campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo ele, a apuração do volume efetivamente vazado depende de cálculos complexos e vai levar alguns dias.

Buck concordou que a causa provável do acidente foi um erro de cálculo dos técnicos da empresa. “A pressão em um dos reservatórios de óleo foi subestimada, mais alta do que nós esperávamos. Nossa previsão da pressão do reservatório é que pode não ter sido correta”.

Suspeitas
Um inquérito para apurar as causas e responsabilidades do acidente foi instaurada pela Polícia Federal, que afirmou que as investigações tentarão apurar se a Chevron estava fazendo perfurações abaixo do permitido pela concessão contratual firmada com o governo brasileiro e se a real intenção da companhia era chegar à camada pré-sal.

As diligências deverão checar também por que o executivo Buck omitiu informações sobre o início e as reais dimensões do vazamento

Fonte Correio do Brasil http://t.co/VrMPL9vA

EMPORCALHAMENTO da CHEVRON : Empresa pode ter de pagar R$ 100 mi entre multas e reparação ambiental [Multa tem de ser com base no Capital da Empresa, 10%,no mínimo]

A ANP, o Ibama e o governo do Rio começam a discutir os valores que serão aplicados à companhia americana responsável pela operação no Campo de Frade

Sergio Torres, de O Estado de S.Paulo

RIO - A Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o governo do Rio começam hoje a avaliar os valores das multas que serão aplicadas à companhia americana Chevron, responsável pelo vazamento de milhares de litros de petróleo na Bacia de Campos. Somados, os pedidos de reparação e as multas podem atingir R$ 100 milhões.

Executivos e engenheiros da companhia podem virar réus na Justiça com base no inquérito aberto na Polícia Federal do Rio.

Responsável pelo licenciamento ambiental do empreendimento - a exploração de petróleo no campo de Frade, a 120 km do litoral fluminense -, o Ibama estuda se o caso é de aplicação da multa máxima, de R$ 50 milhões. O vazamento começou no dia 8. Há divergências sobre a quantidade de óleo que escapou e poluiu o mar. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o derramamento não é de grande porte, mas a companhia teria tentado enganar as autoridades e a opinião pública ao divulgar versões que as vistorias indicam ser mentirosas.

Um exemplo é a primeira versão da Chevron, de que o petróleo vazou por falha geológica, sem influência da atuação da petroleira. Já está comprovado pelo Ibama e pela ANP que problemas no poço originaram o derramamento do óleo no oceano.

A multa do Ibama, se estipulada em seu patamar mais elevado, serviria de alerta às outras companhias que atuam no Brasil, analisa a cúpula da instituição.

Da mesma forma, a ANP, responsável pela apuração das causas do vazamento, prepara-se para aplicar "multas pesadas" na companhia dos Estados Unidos, conforme já disseram o presidente Haroldo Lima e a diretora Magda Chambriard. Eles não informaram o possível valor das punições, mas especialistas do mercado de óleo e gás têm especulado que as multas da ANP não ficarão em menos de R$ 30 milhões.

Ontem, a agência limitou-se a informar que a mancha de óleo diminuiu e continua se afastando da costa.

Embora as multas sejam de responsabilidade da União, o governo do Estado do Rio estuda se poderá aplicar punições suplementares na Chevron. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse ontem que será exigido da companhia uma reparação financeira pelos danos causados ao meio ambiente e aos pescadores, entre outros afetados. Ele estimou a reparação, "como base inicial" em R$ 10 milhões, "podendo ser mais ou menos que isso". "Reparação não é multa. Qualquer vazamento causa danos à biodiversidade. Eu vi baleias perto da mancha de óleo durante sobrevoo na sexta-feira passada", disse Minc. 

O delegado Fábio Scliar, que abriu inquérito na PF sobre o vazamento, ouve na quarta-feira sete representantes da Chevron, entre eles dirigentes da companhia e engenheiros responsáveis pelo trabalho na Bacia de Campos. Ele não quis dizer quem são os interrogados. Hoje o delegado se reúne com o secretário.

O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, estará hoje no Rio, onde se encontrará com Carlos Minc

O OUTRO LADOProcurada, a Chevron afirmou em nota que respeita as leis dos países onde opera e está trabalhando com todas as agências do governo para "avaliar o problema, mitigar os impactos e identificar a causa raiz". 

domingo, 20 de novembro de 2011

EMPORCALHAMENTO da CHEVRON II : PF vai indiciar Chevron por novo crime ambiental

Além do vazamento na Bacia de Campos, inquérito acusará empresa de afundar óleo no mar, em vez de removê-lo
Bruno Villas Bôas
Mariana Durão
Catarina Alencastro
Liana Melo
 


BRASÍLIA e RIO - A empresa americana Chevron será indiciada pela Polícia Federal (PF) não apenas pelo vazamento de petróleo iniciado há 13 dias no Campo de Frade, na Bacia de Campos, mas também por afundar o óleo derramado no mar — com uma técnica de jatear areia na mancha —, em vez de recolhê-lo com barcos. O delegado da Polícia Federal Fábio Scliar, chefe da Delegacia do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, disse ontem que o procedimento, chamado de dispersão mecânica, está sendo empregado de forma errada e configura-se em crime ambiental.
— Orientei a Chevron para interromper essa técnica, que não está certa. O óleo deveria ser removido, e não empurrado para o fundo do mar, poluindo corais. Vamos incluir esse segundo crime ambiental no inquérito — disse Scliar, que descartou investigação sobre eventual interesse da Chevron em atingir o pré-sal ao perfurar o poço que vazou.

Ele explicou que a companhia tinha autorização para perfurar 3.800 metros de profundidade e o poço estava com apenas 1.805 de perfuração. O reservatório de óleo estaria a 2.300 metros.


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Vídeo Confira as imagens do vazamento de óleo no fundo do oceano na Bacia de Campos

Segundo o oceanógrafo da Uerj David Zee, nomeado perito pela PF para acompanhar o caso, a dispersão mecânica deveria ser o último de uma série de procedimentos da empresa, após a avaliação preliminar, monitoramento da mancha e recolhimento do óleo.

— A dispersão deveria ser adotada quando houvesse quantidade mínima de óleo na superfície, a ponto de precisar de uma colher para remoção. Pode ser até pior para o meio ambiente empurrar esse óleo para o fundo do mar — diz Zee.

Em nota, a Chevron negou ontem o uso de dispersantes e areia. E afirmou que seus métodos incluem “barreiras de contenção e técnicas de lavagem” para “controlar, recolher e reduzir a mancha”. Seus barcos teriam recolhido 250 metros cúbicos de água oleosa. Na última sexta-feira, após sobrevoo na Bacia de Campos, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, denunciou o uso do “jateamento de areia” e que o óleo não estava sendo removido do mar.
Para evitar as consequências do derramamento, a Chevron contratou a empresa Hidroclean para Plano de Emergência Individual (PEI) do Projeto Frade, campo ontem ocorreu o vazamento. O PEI lista equipamentos e materiais para dar suporte à emergência e procedimentos operacionais.

Ibama quer um relatório da empresa até segunda-feira
A Marinha e o Ibama farão neste domingo um novo sobrevoo no Campo de Frade para analisar o andamento das ações para conter o vazamento de óleo. Segundo nota divulgada ontem pelo Grupo de Acompanhamento da operação — que inclui também a Agência Nacional do Petróleo (ANP) — a mancha estaria com 18 quilômetros de extensão e 11,8 quilômetros quadrados de área, o que significa uma redução em relação aos 13 quilômetros quadrados detectados quatro dias antes. O acidente ambiental já completa 12 dias.

No sábado, Minc disse que o Ibama solicitou à Chevron um relatório sobre as ações para cumprir as condicionantes da licença ambiental da operação no campo de Frade. O prazo para entrega termina amanhã, quando Minc se reunirá com o presidente do órgão, Curt Trennepohl. O documento ajudará a embasar a multa do Ibama. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prepara estimativa do volume de barris derramados.
— O descumprimento de condicionantes pode ser um agravante (para a multa) — disse Minc, que estima um valor mínimo de R$ 10 milhões para reparos dos danos causados, fora a multa do Ibama. — Vamos mostrar a essa turminha que não pode vir aqui e fazer a lambança ambiental que quiser. Quero ver o presidente da Chevron mergulhar naquele óleo.

Enquando isso, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, admitiu em entrevista ao GLOBO que até agora não há uma conclusão sobre a dimensão do vazamento de óleo no poço operado pela americana Chevron na Bacia de Campos. Porém, baseada nas estimativas disponíveis, disse que o evento não configura um acidente de significância nacional. Isso quer dizer que, neste caso, o Plano Nacional de Contingência (PNC) — se existisse — não seria acionado.

Para acidentes de pequeno e médio portes entra em ação o Plano de Emergência Individual, no qual a empresa é responsável por controlar o problema. A ministra diz estar sendo informada de que este plano de emergência está sendo cumprido. Segundo ela, o Ibama coordena o processo:

— O Ibama está à frente porque é o órgão licenciador. Estamos avaliando o dano não só a partir das informações que a empresa fornece, mas também por sobrevoos que estamos fazendo e imagens de satélite. Agora, todo acidente você conclui o processo e depois é que avalia o dano. Qual é sua primeira providência: combater. O plano de emergência está sendo cumprido.

Se as estimativas com as quais o governo trabalha estiverem erradas e as dimensões do vazamento alcançarem um nível de gravidade nacional, o PNC não existe. Em tese, ele prevê que o governo atue quando a empresa sozinha não consegue resolver o problema, ou seja, quando o vazamento chega a 200 mil litros diários de óleo. Segundo Izabella, mesmo as estimativas mais altas estão aquém de um acidente desse porte:

— Um acidente como esse da Chevron, cuja estimativa é de cinco mil ou oito mil litros, segundo a legislação, é considerado de pequeno porte, em que você aciona o plano de emergência individual. Num caso como esse, nunca o PNC seria acionado.

O plano começou a ser elaborado no ano passado pelo governo, mas está preso nas teias das divergências entre os órgãos envolvidos. Apesar de, em agosto de 2010, a previsão ser de que o plano poderia estar pronto em 45 dias, Izabella garantiu ao GLOBO que a proposta técnica dos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia ficou pronta no prazo estipulado no cronograma.

Segundo a ministra, o PNC está agora em consulta em outras pastas. Haverá uma reunião no fim do mês, e o plano então será enviado à Presidência da República.

Para o professor de Direito Ambiental e coordenador do Programa em Direito e Meio Ambiente da FGV Rômulo Sampaio, o Brasil está atrás de vizinhos como Venezuela e Argentina, que têm planos nacionais de contingência em caso de acidente ambiental:

— O Brasil tem sistema de responsabilização por acidentes ambientais, mas não tem um Plano de Contingência. Do ponto de vista jurídico, a empresa pode ser responsabilizada administrativamente por meio de multas, penalmente se comprovado que houve, por exemplo, omissão de informação, e civilmente ao arcar com os custos de reparação ambiental. Mas é apenas isso

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/pf-vai-indiciar-chevron-por-novo-crime-ambiental-3277276#ixzz1eFEhDVXY

EMPORCALHAMENTO da CHEVRON : Vazamento na Bacia de Campos pode afetar migração de animais marinhos #ChevronOUT

Dano ambiental causado pela mancha de óleo é difícil de mensurar: no acidente no Golfo do México, em 2010, chegaram ao litoral as carcaças de apenas 2% dos animais atingidos pelo desastre; no Rio, especialistas se preocupam com mamíferos e aves         
Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo

No meio do caminho, havia óleo. Obstáculo difícil de superar por baleias como jubarte, minke-antártica, baleia-de-bryde e entre 20 e 25 espécies de golfinhos e pequenos cetáceos que usam a Bacia de Campos como rota migratória. O óleo que vazou por pelo menos seis dias pelo poço no Campo de Frade, operado pela Chevron Brasil, chegou a cobrir uma superfície de 163 quilômetros quadrados – ou 16,3 mil campos de futebol.

Vista aérea da mancha de óleo no Rio de Janeiro - REUTERS
REUTERS
Vista aérea da mancha de óleo no Rio de Janeiro

E o dano ambiental é difícil de mensurar. No acidente provocado por uma explosão na plataforma de perfuração da British Petroleum, no Golfo do México, em abril do ano passado, 800 milhões de litros de óleo vazaram por 87 dias.

Somente 2% das carcaças dos animais atingidos chegaram ao litoral, aponta o biólogo Salvatore Siciliano, coordenador do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“A nossa informação sobre o impacto do acidente sempre vai ser muito limitada. A maior parte das carcaças vai afundar. O que vai chegar na praia é o piche, que suja o pé. Mas o que está por trás disso é de uma escala enorme. As empresas têm de estar preparadas para esse risco. O ônus não pode caber a todo mundo. Elas têm de monitorar e sanar o problema”, afirma.

As baleias jubarte, por exemplo, estão retornando para o Polo Sul. Depois de se alimentar durante o verão, no inverno elas nadaram em direção à linha do Equador, em busca de águas mais quentes para se reproduzir. Agora, voltam para a Antártica acompanhadas de seus filhotes.

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, viu três delas nadando perto da mancha – uma a menos de 300 metros de distância.

“Elas ainda não voltaram a se alimentar. Estão frágeis e mais suscetíveis à contaminação. Esses animais precisam vir à tona para respirar e podem ingerir esse óleo. O contato com a pele também pode interferir no isolamento térmico, afetar os filhotes, que têm ainda menos proteção”, afirma o oceanógrafo David Zee, professor da Universidade do Estado do Rio (Uerj).

Além dos mamíferos, o dano para as aves é agudo. Acredita-se que elas confundam a mancha de óleo com cardumes e, por isso, mergulhem no petróleo.

“Para as aves, esse encontro com a mancha é fatal. A pena absorve o óleo. Elas agonizam porque tentam limpar as penas com o bico e acabam ingerindo o petróleo. O quadro piora por causa do dano no aparelho digestivo”, explica Siciliano.

Ele conta que algumas têm o comportamento migratório dos cetáceos, como albatrozes e petreis. Outras são residentes daquela região. É o exemplo de atobás, fragatas e algumas gaivotas.

Pequenos
Mesmo os organismos microscópicos são atingidos pela poluição. Na superfície, o óleo se espalha e impede a troca gasosa entre o mar e a atmosfera. Também não permite a passagem da luz solar. Nessa camada estão os fitoplânctons, base da cadeia alimentar marinha.

“Há o impacto agudo, mas o que nos preocupa é essa exposição crônica aos compostos de petróleo, que são carcinogênicos. Parte desse óleo evapora e é inalado. Outra parte afunda, vai ficar no sedimento, na coluna d’água, vai ser assimilado pelo peixe. O golfinho ingere esse peixe. É o que a gente chama de bioacumulação”, afirma Siciliano.

Ele critica a falta de planos de contingência e salvamento das espécies depois dos vazamentos. “Estamos às vésperas do Rio +20 e o Brasil está seguindo na contramão ambiental muito séria. Voltamos ao tempo do desenvolvimento a qualquer custo. Estamos pensando no pré-sal mas ainda não conseguimos lidar com vazamentos”, afirma o coordenador do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos

    Fonte Estadao http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,vazamento-na-bacia-de-campos-pode-afetar-migracao-de-animais-marinhos,800438,0.htm

sábado, 19 de novembro de 2011

DESASTRE ECOLÓGICO - Quase duas semanas após início do vazamento da Chevron, na Bacia de Campos, ainda há muitas dúvidas

As perguntas que persistem
Quase duas semanas após início do vazamento da Chevron, na Bacia de Campos, ainda há muitas dúvidas 

QUANTO VAZOU DE ÓLEO? Na sexta-feira, a empresa afirmou que no dia em que a mancha estava maior, o volume total de petróleo vazado era de 882 barris (ou 14 caminhões-pipa) no total. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) estimou o vazamento entre 1.400 a 2.310 barris e a ONG americana SkyTruth avaliou o derrame em quase quatro mil barris por dia, com base em imagens de satélite da Nasa, o que daria um total de 15 mil barris (quase 238 caminhões-pipa).

COMO O VAZAMENTO ESTÁ SENDO CONTIDO? Fontes ouvidas pelo GLOBO afirmam que o robô usado inicialmente pela Chevron para detectar o vazamento no fundo do mar tinha atuação limitada. Foi preciso que a multinacional americana, a terceira maior do mundo, pedisse ajuda à Petrobras para identificar a origem do vazamento com precisão.

POR QUE O ÓLEO NÃO ESTÁ SENDO RECOLHIDO? O Plano de Emergência assinado pela empresa e apresentado ao Ibama não está sendo cumprido. Ele previa o recolhimento do óleo derramado, mas até agora, as autoridades garantem que isso não ocorreu. A empresa tem usado areia para evitar que a mancha se espalhe mais, procedimento que não é considerado ideal por especialistas.

POR QUE A DEMORA EM SE PRONUNCIAR? Apenas na sexta-feira o governador Sérgio Cabral divulgou nota em que afirma que "o acidente é a demonstração clara do que significa um dano ambiental num estado produtor de petróleo". Até então, a Chevron só se comunicava com a imprensa por meio de notas enviadas por e-mail, apesar dos pedidos de entrevistas. Só na sexta-feira a empresa formalmente deu entrevista.

QUAIS AS PUNIÇÕES POSSÍVEIS E QUEM AS APLICA? O Ibama é o órgão responsável por eventuais punições em caso de danos ao meio ambiente em alto-mar. É crime federal. Os órgãos estaduais só podem agir se o petróleo atingir a costa do Rio. A multa máxima que pode ser aplicada é de R$ 50 milhões, considerada baixa para inibir crimes ambientais, na avaliação de especialistas. O Ibama alega que ainda tem de dimensionar o dano ambiental para determinar que tipo de punição será aplicada e se será aplicada. O especialista David Zee, oceanógrafo e perito responsável por analisar o vazamento, é taxativo ao afirmar que é mais vantajoso, para uma petrolífera, arcar com os custos de multas pelo vazamento do que agir para preveni-lo.

HÁ RISCO DE O ÓLEO ALCANÇAR AS PRAIAS DO RIO? A Chevron e as autoridades que acompanham o vazamento dizem que a mancha de óleo está se deslocando em direção a alto-mar, com risco remoto de chegar à costa.

AFINAL, O VAZAMENTO FOI OU NÃO CONTIDO? Segundo a empresa, o principal já foi sanado e agora há, somente, um vazamento residual. A ANP chegou a divulgar um vídeo mostrando essa redução. Mas o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, desmente a companhia e afirma que o vazamento continua a ocorrer, poluindo o mar na região do poço, a cerca de 130 km de Macaé.

A EMPRESA ATUA COM TRABALHADORES IMIGRANTES ILEGAIS NO BRASIL? O delegado da Polícia Federal que apura o vazamento de petróleo, Fábio Scliar, também investiga denúncias de que a Chevron trabalha com mão-de-obra que sequer passou pelo controle de entrada de estrangeiros nos aeroportos. A empresa nega esta acusação e afirma que até seus terceirizados estão dentro da lei

Fonte O Globo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/as-perguntas-que-persistem-3274254#ixzz1e99rrupx 

DESASTRE ECOLÓGICO - PF investiga se Chevron tentou atingir pré-sal ao perfurar poço que vazou #ChevronOUT

Suspeita também é levantada por técnicos da ANP; vazamento no Campo de Frade já dura 11 dias
 
A Polícia Federal está investigando a possibilidade de a petroleira norte-americana Chevron estar tentando indevidamente alcançar a camada pré-sal do Campo de Frade. Na tentativa, teria ocorrido a ruptura de alguma estrutura do poço perfurado, dando origem ao vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ), que já dura 10 dias. Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) admitiram nesta sexta-feira, 18, que discutem internamente essa possibilidade.


Divulgação
Mancha de óleo no mar: estimativa de vazamento é de 200 a 330 barris por dia entre os dias 8 e 15


Veja também:
TV ESTADÃO: Vídeo mostra redução de vazamento
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O delegado Fábio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF e responsável pelo inquérito, disse que “uma das hipóteses com as quais trabalhamos é a de que o acidente pode ter ocorrido pelo fato da empresa ter perfurado além dos limites permitidos”. Os especialistas da ANP suspeitam que o emprego pela Chevron de uma sonda com capacidade para perfurar a até 7,6 mil metros, quando o petróleo em Frade aparece a menos da metade dessa profundidade, é um indicativo de que a companhia poderia estar burlando seu plano de prospecção do campo.


Além de investigar a hipótese de que haveria em curso, antes do acidente, uma ação exploratória em direção ao pré-sal, a ANP pretende apurar falhas na construção do poço, o emprego de material inadequado e a falta de realização de testes de segurança antes do início da perfuração.


A Chevron tem quatro poços autorizados no Campo de Frade. O site da ANP informa que um deles está concluído e os outros três (6CHEV4ARJS, 9FR47DRJS e 9FR49DPRJS), em fase de perfuração, em lâminas d’água que variam entre 1.184 metros e 1.276 metros de profundidade.


Movimentação de terreno

Ex-presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja afirma que as conjecturas que surgem em relação às causas do vazamento na Bacia de Campos, até mesmo as que vêm sendo investigadas pela ANP, não podem ser consideradas definitivas.


Segundo ele, a Chevron poderia estar tentando alcançar o pré-sal, sem que isso represente uma irregularidade. “A área é dela, se quiser pode ir ao Japão”, afirmou ele, acrescentando que a empresa deve, com até 20 dias de antecedência, avisar a ANP sobre seus planos de perfuração, com detalhes da profundidade.


Para Azambuja, a hipótese mais provável é que durante o trabalho de injeção de água em um poço tenha havido movimentação de terreno e o petróleo represado no que os especialistas chamam de trapa (armadilha) acabou escapando. “Esse é um fenômeno que pode acontecer. Em reservatórios, o óleo pode ficar preso numa trapa. Quando a trapa rompe, há vazamento.”


Estrangeiros

A Polícia Federal também investiga a suspeita de que a Chevron empregue estrangeiros em situação irregular no País. Segundo o delegado Fábio Scliar, há indícios de que até pessoas que não deram entrada oficialmente no Brasil estejam trabalhando em plataformas localizadas no litoral brasileiro.


“Trata-se de um ilícito administrativo. Mas é algo sério. Se isso for comprovado e esses estrangeiros em situação irregular estiverem recebendo salários no exterior, por exemplo, já se configura crime de sonegação fiscal e de sonegação previdenciária”, explicou o delegado responsável. Um porta-voz da empresa negou essa possibilidade.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a prioridade, no momento, é conter o vazamento. “Estamos agindo neste sentido. Depois, vamos passar para a fase de apuração de responsabilidades e penalidades. Teve dano ambiental, tem multa, a legislação é clara. A área técnica vai produzir relatórios e, depois, vamos dar satisfação à sociedade”, disse.


Já o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), reforçou sua posição de que os Estados produtores de petróleo têm de receber uma maior parte dos royalties pois são afetados pela operação. “Esse acidente é a demonstração clara do que significa um dano ambiental em um Estado produtor de petróleo. É uma prova de que eles devem receber uma parte maior dos royalties.”


Fonte Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pf-investiga-se-chevron-tentou-atingir-pre-sal-ao-perfurar-poco-que-vazou,800178,0.htm

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EMPORCALHAMENTO da CHEVRON : ANP, Ibama e PF cobram explicação sobre vazamento, que pode ser 23 vezes maior que o divulgado #ChevronOUT

Chevron sob pressão

ANP, Ibama e PF cobram explicação sobre vazamento, que pode ser 23 vezes maior que o divulgado


Catarina Alencastro
Danielle Nogueira
Ramona Ordoñez
Liana Melo




Reprodução de imagem captada pela NASA da área do vazamento de óleo do campo do Frade, na Bacia de Campos, destacando a macha no oceano Reprodução

Enquanto o vazamento de petróleo de um campo operado pela empresa americana Chevron polui o litoral norte fluminense há dez dias, em terra firme, órgãos governamentais — como ANP, Ibama, Polícia Federal e Marinha — e a sociedade civil apertam o cerco em torno de um acidente que pode ser até 23 vezes maior que o estimado pela petrolífera. Oficialmente, a Chevron calcula que a mancha de óleo localizada a 120 quilômetros da costa era ontem de 65 barris na superfície, e que o total vazado ao longo dos dias teria chegado a 650 barris. O geólogo americano John Amos, da ONG SkyTruth, estima, contudo, com base em imagens captadas pela Nasa, um vazamento de 3.738 barris por dia entre 9 e 12 de novembro. Isso daria um total de, pelo menos, 15 mil barris despejados no oceano. 

Devido a problemas meteorológicos, os sobrevoos de helicóptero à região do campo de Frade foram suspensos nos últimos dias. Nesta quinta-feira, a Marinha do Brasil uniu-se à ANP e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para formar um grupo de acompanhamento do vazamento. Os sobrevoos serão retomados hoje e só após a visita os três órgãos devem se pronunciar.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita, no entanto, que em uma semana o derrame de óleo seja interrompido. Ao adotar um discurso para minimizar o acidente, Lobão disse que a empresa "está fazendo de tudo e que a Chevron não foi punida ainda porque há trâmites a seguir".



Para ANP, acidente é cinco vezes maior
Em conversas com parlamentares do Partido Verde, o presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, teria calculado que o derramamento de óleo atinge 3,3 mil barris desde o dia 7 de novembro — cinco vezes maior do que afirma a Chevron. Em conversas com o deputado Sarney Filho (PV-MA) e a diretora da ANP, Magda Chambriard, Lima teria dito que houve erro da Chevron na prestação de informações à ANP. Lima informou a Sarney Filho que a Chevron deverá ser punida também por isso, além de multas pelo crime ambiental.

O delegado Fábio Scliar, da Polícia Federal (PF) e autor do inquérito aberto contra a Chevron, afirmou que vai levantar dados e informações para apurar as responsabilidades. Ele pretende ouvir funcionários diretamente ligados à operação e, num segundo momento, convocará executivos da empresa:

— Se a trinca no fundo do mar não for fechada, vai continuar vazando. O responsável por fechar essa rachadura disse à minha equipe que não tinha previsão de quando ia conseguir parar o vazamento. O acidente é uma catástrofe.

O secretário estadual de Ambiente do Rio, Carlos Minc, também estuda cobrar reparação à Chevron:

— Não estamos querendo nos sobrepor ao Ibama. Mas como o acidente ocorreu no Rio, podemos cobrar reparação aos danos ambientais e, sobretudo, as perdas para os pescadores que atuam na região.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, ainda não se pronunciou sobre o acidente. A Petrobras, parceira da Chevron no campo, também não vai falar sobre o assunto. Assim como o Ministério do Meio Ambiente, que alega ter repassado a tarefa ao Ibama. O presidente do órgão, Curt Trennepohl, passou boa parte do dia de ontem no Rio, reunido com representantes da Chevron.

Executivos da Chevron devem ser convocados pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), para uma audiência pública na próxima semana. No Senado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também disse que tomará providências. Na segunda-feira, pretende por em votação um requerimento para convidar a empresa, a ANP, o Ministério Público e o secretário Minc.

O geólogo John Amos, da ONG SkyTruth, um dos primeiros a dimensionar o acidente da BP no Golfo do México, acredita que o vazamento da Chevron na Bacia de Campos tenha começado antes mesmo da data divulgada pela empresa (dia 9).

— Estimamos o ritmo do vazamento entre 9 e 12 de novembro em 3.738 barris por dia. Após o dia 12, a vazão pode ter aumentado ou diminuído. Não há como sabermos, porque o tempo ficou nublado — disse Amos, em entrevista ao GLOBO, por telefone.

A Chevron, em nota oficial, informou que a operação de cimentação para vedar o poço continua em andamento. Não informou, no entanto, a previsão para término dos trabalhos.

O motivo do vazamento ainda está sendo investigado. Na avaliação da ANP, a causa "parece ter sido as operações realizadas pela Chevron". A empresa, por sua vez, alega a existência de uma falha geológica na região atingida.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

DESASTRE DE CHERNOBYL - Notícias » Notícias Cuba atendeu mais de 25 mil doentes por explosão de Chernobyl

Cuba celebrou nesta quinta-feira duas décadas de um programa criado pelo ex-presidente Fidel Castro, que deu tratamento médico gratuito a mais de 25 mil afetados pela explosão da usina de Chernobyl, em 1986, o pior desastre nuclear da história. Desde 1990, quando o primeiro grupo de doentes chegou à ilha, médicos acompanham pacientes da Rússia, Belarus e Ucrânia com sequelas que vão desde leucemia e câncer de tireóide a transtornos psicológicos e neurológicos e alopecia, um mal que provoca perda de cabelos.
"(Este programa) é um exemplo do que pode fazer um povo que, sem ter grandes riquezas materiais, tem a grande riqueza espiritual de haver-se educado na solidariedade", disse o ministro de Saúde cubano, José Ramón Balaguer, durante cerimônia do projeto em Tarara, a 20 quilômetros de Havana.
Fidel, que foi substituído na Presidência da ilha por seu irmão Raúl após uma doença que o deixou à beira da morte em 2006, criou um programa em meio à estreita aliança ideológica e econômica com a antiga União Soviética.
Após a queda do socialismo soviético na década de 1990 apenas a Ucrânia, o país mais afetado, continuou enviando doentes.
"Agradecemos ao Estado e ao povo da Ucrânia por ter nos confiado seu maior tesouro: as crianças", disse Balaguer, que foi aplaudido por pacientes, familiares e médicos.
O ministro cubano disse que de 25.457 pacientes atendidos, 21.378 foram crianças.
Mães ucranianas divulgaram durante a comemoração uma declaração de agradecimento ao governo e ao povo cubano.
"Queremos declarar a todo o mundo que não existe uma ação mais humana com relação às crianças doentes que o programa ucraniano-cubano ''Crianças de Chernobyl", afirma o texto.
A catástrofe de Chernobyl, em que um reator nuclear liberou toneladas de material radioativo na atmosfera, deixou milhares de mortos e feridos em 1986.
(Reportagem de Rosa Tania Valdés)
Reuters