Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

BOCA LIVRE NO PR - Pacotes de viagens e estadas em hotéis de luxo. Distribuição de panetones e brindes no fim de anoo

Parlamentares aumentaram em 53% as despesas com verba de ressarcimento no fim do ano. Dinheiro foi usado em pacotes de viagens e pagamento de “boca-livre” para aliados em restaurantes

Publicado em 20/02/2011 | SANDRO MOSER E ROSANA FÉLIX

Pacotes de viagens e estadas em hotéis de luxo. Distribuição de panetones e brindes no fim de ano. As habituais reuniões “boca-livre” com aliados em restaurantes, além de gastos exagerados com propaganda pessoal e no consumo de combustíveis. Foi assim que os deputados estaduais do Paraná “limparam” o caixa das verbas de ressarcimento dos gabinetes em dezembro. Segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo, eles gastaram R$ 1,1 milhão nesse mês, contra uma média de R$ 773,8 mil registrada ao longo de 2010. Ou seja, um aumento de 53%.


Com o dinheiro gasto pelos parlamentares em dezembro, seria possível comprar 5 mil cestas básicas, por exemplo. Isso mostra que, mesmo com o recesso de quase duas semanas – a Assembleia fechou as portas em 17 de dezembro, e funcionou por apenas 12 dias úteis – os deputados não economizaram nas despesas.

Assessores ficaram em hotel de luxo
A verba indenizatória da Assembleia Legislativa do Paraná foi usada para pagar a hospedagem de três assessores do deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), atual secretário estadual do Trabalho, em um hotel de luxo em Foz do Iguaçu. No mês de dezembro do ano passado, o peemedebista apresentou gastos relacionados sob a rubrica de “despesa de hospedagem e estadia” de R$ 4.728,45.
Gastança é afronta ao direito
O esforço dos deputados em gastar até o limite a verba anual de ressarcimento afronta os princípios do direito administrativo e mostra uma inversão da lógica por parte dos parlamentares. Os deputados acabam criando gastos nos meses finais do ano para usar até o limite o dinheiro a que têm direito. No entanto, a verba foi criada para pagar despesas estritamente necessárias para o mandato.
Alimentação
Verba paga panetone no Natal
A ex-deputada estadual Rosane Ferreira (PV), hoje na Câmara Federal, apresentou à Assembleia uma nota de R$ 3,5 mil para ressarcimento de “serviço de fornecimento de alimentação” em uma confeitaria na Cidade Industrial de Curitiba. A reportagem da Gazeta do Povo foi até o local e apurou que o gasto inclui a compra de mil panetones pela deputada. De acordo com informações prestadas por funcionários da confeitaria, uma única nota fiscal foi emitida em nome de Rosane, incluindo os gastos de lanches de alguns assessores da parlamentar e o valor dos cerca de mil panetones que foram encomendados no dia 5 de dezembro e entregues no dia 12 daquele mês.
Os confeitos foram distribuídos na semana do Natal em Araucária, reduto eleitoral de Rosane, na região metropolitana de Curitiba. A assessoria de imprensa da deputada reconhece que fez a distribuição de panetones, repetindo uma “tradição” de outros anos, mas negou que os panetones tenham sido comprados com verba de ressarcimento. Segundo a assessoria, os gastos apresentados à Assembleia se referem apenas a refeições feitas por assessores da deputada durante o ano e cobradas numa única nota fiscal.
Essa prática é bastante comum, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem. Outros admitem que bancam, com verba da Assembleia, almoços ou jantares para aliados, em encontros políticos. Não há uma regra definida sobre os limites da verba indenizatória para alimentação.
O professor de Ciência Política e Direito Constitucional Carlos Luiz Strapazzon diz não ser possível julgar a prestação de contas dos deputados, já que a Assembleia não determinou regras detalhadas para o ressarcimento das despesas. E esse, na verdade, seria o problema. “A Assembleia deveria, por exemplo, estipular um número de refeições e o teto de gastos, como as empresas adotam. Entretanto, o Legislativo não estipula uma norma e os abusos são frequentes”, diz.


Apesar do alto valor movimentado, os parlamentares agem completamente dentro da lei. Pelas normas do Legislativo paranaense, cada gabinete tem direito a um ressarcimento de R$ 15 mil mensais, para custear gastos com combustível, alimentação, hospedagem, divulgação da atividade parlamentar, entre outros. Porém o saldo que não é usado vai acumulando para os meses seguintes, e muitos deputados aproveitam para “torrar” o dinheiro em dezembro. Os gastos com alimentação, por exemplo, atingiram uma média de R$ 136,8 mil entre janeiro e novembro. Em dezembro, essa rubrica saltou para R$ 177 mil.



Levantamento feito pela reportagem com os dados de 2009 já mostrava essa tendência. No segundo semestre daquele ano, quando a publicação dos dados começou a ser feita, as despesas médias dos 54 deputados foi de R$ 745.742 no período entre agosto e novembro. Em dezembro, no entanto, essa quantia subiu para R$ 982.631,71.



Os deputados argumentam que gastam mais no fim do ano porque quitam as dívidas acumuladas nos meses anteriores. Entretanto, os dados tabulados pela Gazeta do Povo mostram que os gastos nos outros meses de recesso – janeiro e julho – também são elevados. “Já que há uma redução significativa da atividade parlamentar nos meses de recesso, seria interessante limitar ou vetar alguns gastos nesse período”, afirma o economista Evilásio Salvador, professor de políticas sociais da Universidade de Brasília (UnB).



A verba de ressarcimento é regulada pelas resoluções n.º 003/2004 e 003/2009. Há algumas limitações, como destinar no máximo 30% do valor total para gastos com combustíveis. Essa é a única despesa cujo saldo não é cumulativo. A maioria dos deputados costuma gastar em torno do teto mensal – R$ 5 mil. Os parlamentares também têm direito a cotas de transporte de R$ 9,3 mil e cota postal e telefônica de R$ 3,2 mil. Mas esses gastos não constam do Portal da Transparência.



Dezembro também registra um salto no gasto com correio. Os 54 deputados usaram, em média, R$ 20 mil entre janeiro e novembro em serviços postais. Em de­­zembro, a despesa foi quase quatro vezes maior: R$ 75 mil. Não por acaso, no Natal, milhares de paranaenses receberam em casa mensagens de boas festas de deputados.



De acordo com o regimento interno da Assembleia, a verba de ressarcimento é um recurso destinado, exclusivamente, ao atendimento das despesas de custeio realizadas pelo deputado no exercício do seu mandato.



Só podem ser reembolsadas mediante requerimento e comprovação do ato específico que a motivou. Os valores gastos são ressarcidos mediante apresentação de notas fiscais, que passam por checagem na Comissão de Tomada de Contas da Assembleia antes da devolução do dinheiro aos deputados.



Colaborou Guilherme R. Storck.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CONGRESSO EM FOCO - PMDB e DEM concentram os mais ricos do Congresso


Existem 220 senadores e deputados com patrimônio superior a R$ 1 milhão. Grupo de “milionários” representa quase 40% dos novos membros do Legislativo
José Cruz/ABr
O DEM possui 64% de parlamentares donos de mais de R$ 1 milhão. No PMDB, são 42 entre 95 congressistas na mesma situação
  
Dos 567 parlamentares empossados esta semana, 220 (39%) declararam à Justiça eleitoral possuir mais de R$ 1 milhão em patrimônio. O governista PMDB e o oposicionista Democratas são os partidos que concentram o maior número de deputados e senadores recém-empossados com bens declarados acima de seis dígitos. Os dados foram levantados pelo site no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O DEM é a legenda com mais deputados e senadores eleitos em outubro com patrimônio superior a essa cifra: 29 (64,4%) de seus 45 representantes. Em números absolutos, o partido só perde para o PMDB, que tem 42 de seus 95 congressistas em início de mandato nessa condição financeira. Assim como o DEM, outras quatro bancadas no Congresso têm pelo menos metade de seus integrantes com patrimônio “milionário”. São elas: PTB, PR, PP e PSDB. Apenas 14 dos 98 petistas recém-empossados informaram ter bens acima dessa cifra.
AINDA HOJE: A lista com o patrimônio de todos os parlamentares
Os ricos, por partido
*Número de parlamentares eleitos em outubro de 2010. Fonte: Congresso em Foco 


Do DEM, o parlamentar com o maior patrimônio é Paulo Magalhães (BA). Ele declarou ao TSE ter R$ 14.046.149,19 em bens. Boa parte deste montante (R$ 9.561.442,00) está dividida entre nove fazendas na Bahia. Uma delas está avaliada em R$ 3,3 milhões. De acordo com o site da Câmara, Magalhães é administrador de empresas. À Justiça Eleitoral, ele informou ser apenas deputado.

O valor declarado por Magalhães, o primeiro entre os demistas, no entanto, está longe do parlamentar peemedebista com maior patrimônio. O empresário Newton Cardoso (MG), ex-governador de Minas Gerais, foi eleito para uma cadeira na Câmara. Um dos mais ricos de toda a legislatura que tomou posse há dois dias, ele declarou possuir R$ 77.956.890,08 à Justiça Eleitoral.
Entre os bens declarados, estão ações de variadas empresas, 11 automóveis, casas e outros imóveis. Em 2009, ele se viu envolvido em uma polêmica sobre seu patrimônio. Maria Lúcia Cardoso declarou que o ex-marido usava empresas offshore para administrar parte do patrimônio. A ex-mulher de Newton Cardoso, no processo de separação litigiosa, estimou na ação que ele tivesse bens avaliados entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. Ele negou as acusações de Maria Lúcia.
Atrás de Newton Cardoso está o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). O peemedebista possui R$ 36.737.673,19, divididos em quatro carros e imóveis comerciais e rurais em Brasília, Ceará, Minas Gerais, Goiás. Também possui cota de 50% da construtora Therma e possui 98% das ações da empresa de vigilância Confederal.
A firma teve seu nome ligado ao mensalão do Arruda, em 2009, escândalo que revelou um esquema de propina envolvendo membros do Executivo e do Legislativo do Distrito Federal. O jornal O Estado de S. Paulo reportou no ano passado que a Confederal assinou um contrato de R$ 2,6 milhões sem licitação. O peemedebista disse que se afastou do comando da empresa em 1998.
Os ricos, por estado
*Número de parlamentares eleitos em outubro de 2010. Fonte: Congresso em Foco

As duas maiores bancadas estaduais, a de São Paulo e a de Minas Gerais, também concentram maior número de parlamentares milionários: são 26 mineiros e 35 paulistas. Mas, quando se leva em conta o tamanho da representação estadual, os maiores índices ficam por conta de Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso, Piauí, Tocantins e Rio Grande do Norte. Eles têm metade ou mais de seus congressistas com bens superiores a R$ 1 milhão.

Os paulistas são responsáveis por R$ 163.081.868,53. Ontem, o site mostrou que os 513 deputados e 54 senadores que tomaram posse na terça-feira possuem, somados, R$ 1.602.348.205,59. Ou seja, a bancada de São Paulo possui 10,1% dos bens declarados por todos os novos parlamentares.
Na terça-feira, 55 parlamentares mineiros tomaram posse. Apesar de a bancada ser menor que a paulista, a soma dos bens é um pouco maior do que a do maior estado do país: R$ 164.508.526,12. A diferença é de R$ 1.426.657,59.

AINDA HOJE: A lista com o patrimônio de todos os parlamentares


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Câmara gastou R$ 44,4 milhões com horas extras em 2009



De Isabel Braga, de O Globo:

A Câmara gastou em 2009 R$ 44,4 milhões com o pagamento de horas extras de funcionários. O valor é 64,4% (R$ 17 milhões) maior do que o gasto em 2008, quando foram gastos R$ 27 milhões pelas sessões deliberativas que passaram das 19h.

O valor, no entanto, fica abaixo do pago pelo Senado em 2009 a seus servidores. A Casa registrou um crescimento de 4,4% em relação a 2008, gastando um total de R$ 87,6 milhões.

O aumento acontece mesmo depois do anúncio de regras mais rígidas no controle de ponto dos servidores e o limite de pagamento de duas horas extra/dia.

A Câmara possui mais de 15 mil funcionários, entre servidores concursados, cargos de confiança e secretários parlamentares que trabalham nos gabinetes dos 513 senadores.

Só recebem o pagamento extra os que assinam a folha de ponto, distribuída, segundo a assessoria da Câmara, por volta de 20h/ 20h30 nos dias em que a sessão se estende além do horário. A dotação para a folha de pagamentos da Casa, em 2009, foi de R$ 2,6 bilhões, num orçamento global de R$ 3,2 bilhões.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o aumento no montante de horas extras pagos pode ser explicado por vários fatores.

Um deles é o número maior de sessões que passaram das 19h de um ano para outro. Em 2009, 74 sessões extrapolaram o horário, contra 52 em 2008.

E o maior número de sessões extraordinárias foi possível depois do entendimento dado pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em relação ao trâmite das medidas provisórias na Casa, que permitiu votações de emendas constitucionais e outras propostas, mesmo quando a pauta estava trancada por MPs, o que não ocorreu em 2008.