Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FRAUDE NO BOLSA FAMÍLIA - Índios de países vizinhos se nacionalizam para obter benefícios do governo

      
Família peruana, a mãe Jurandina Parente Adan e o pai (E), Ortega Pereira Torres (Daniel Camargos/EM/D.A Press)
Família peruana, a mãe Jurandina Parente Adan e o pai (E), Ortega Pereira Torres

Benjamin Constant (AM), Tabatinga (AM) e São Miguel do Iguaçu (PR) — Índios paraguaios, colombianos e peruanos não preenchem um requisito básico para receber o principal programa social do governo, o Bolsa Família: ser brasileiro. Mas, diante da frágil estrutura da Fundação Nacional do Índio (Funai), burlam a legislação e se nacionalizam rapidamente, ficando aptos a ganhar o benefício mensal. O Correio Braziliense/Estado de Minas percorreram aldeias nas fronteiras das regiões Sul e Norte do Brasil e detalham como funciona a fraude. A nacionalização — que, além do recebimento do Bolsa Família, almeja a aposentadoria especial para trabalhador rural e o auxílio-maternidade — é possível graças ao Registro Administrativo de Nascimento Indígena (Rani), uma Certidão de Nascimento especial para os índios. No documento, reconhecido por um funcionário da Funai e assinado por duas testemunhas — quase sempre indígenas da aldeia em que o estrangeiro chega —, fica registrado que o migrante nasceu em território brasileiro.

Com o Rani em mãos, o índio estrangeiro vai ao cartório de registro civil e consegue a Certidão de Nascimento tradicional. A partir daí, todos os documentos se tornam possíveis: Carteira de Identidade, CPF e título de eleitor. A maneira convencional de nacionalização exige que o índio more no país por pelo menos cinco anos e uma série de documentos que provem o vínculo com o Brasil.

Na aldeia Bom Caminho, em Benjamin Constant, no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru e a Colômbia, 20 famílias de índios peruanos e colombianos integram a comunidade com pouco mais de 800 índios Ticunas. O cacique Américo Ferreira detalha como os índios passam a receber os benefícios: “Tiramos o documento (Rani) dos pais primeiro e, depois, os dos filhos”.

A família do casal peruano Ortega Pereira Torres e Jurandina Parente Adan está entre os beneficiados. Jurandina diz que os R$ 166 do Bolsa Família são fundamentais para a sobrevivência. O casal tem seis filhos e, sem o dinheiro dado pelo governo brasileiro, não poderia comprar itens de sobrevivência. O rápido processo de nacionalização foi conseguido graças ao Rani forjado.

No sul do Brasil, na aldeia Ocoy (PR), a realidade não é diferente. O cacique Daniel Maraka Lopes diz que quase a metade do habitantes é do Paraguai. Mas a origem não impede que os estrangeiros recebam o benefício. “Quem não tem o documento brasileiro está fazendo de tudo para conseguir”, conta. É o caso de Eugênio Ocampo e Silvina Benitez. Com seis filhos, eles recebem mensalmente R$ 230 do Bolsa Família. Desde que saíram do Paraguai, vivem em uma casa simples na fronteira com o país natal. Ambos falam muito pouco o português, se comunicam em guarani.

Sem solução
As esferas públicas envolvidas com a questão indígena nas regiões de fronteira conhecem o golpe, mas alegam ter dificuldade para combatê-lo. O coordenador de proteção social da Funai, Francisco Oliveira de Souza, tenta minimizar as fraudes dizendo que o critério da etnia é feito pelo reconhecimento dos pares. “Se há desvio, é com a conivência dos indígenas da comunidade”, acusa. Souza faz uma digressão histórica e explica que o fato de um indígena nascer em um país vizinho não é relevante para a etnia. “Os limites internacionais foram marcados pelos brancos”, ressalta. Além disso, segundo ele, muitos índios não sabem precisar em qual lado da fronteira estão. A Funai estuda uma forma de diminuir as fraudes, mesmo não considerando o golpe abrangente. “Queremos formar um banco de dados com todos os registros indígenas.”

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que “se o cidadão está documentado como residente no território nacional e preenche todos os requisitos para ser incluído no Cadastro Único e sendo a documentação autêntica, o gestor municipal não pode negar o cadastramento e o MDS não pode impedir que ele seja selecionado como beneficiário do Bolsa Família”.

Responsável pelo cartório do segundo ofício de Tabatinga e pelo de primeiro ofício de Benjamin Constant, Abdias Pereira de Oliveira explica que os índios fraudadores alegam falar somente a língua do seu povo — no caso, a ticuna — e contam com um tradutor, que atua sabendo do golpe, para conversar com o tabelião. “O Brasil tem tudo: saúde, educação, aposentadoria e um monte de benefício. Por isso, eles ficam tentando se passar por brasileiros. Quando percebo, não faço a certidão e levo o caso para a Justiça”, explica. Recentemente, o cartório fez uma campanha de registro e expediu a documentação para 1,5 mil índios. “Visitei 19 comunidades afastadas e vi apenas um posto da Funai. Não tem como o funcionário do cartório conhecer tudo. O registro é feito na base da palavra”, detalha o tabelião. Em Tabatinga, mais de 2 mil índios recebem o Bolsa Família, o que corresponde a quase metade dos beneficiados na cidade: 4.148.

Professor da Universidade Estadual do Amazonas, Sebastião Rocha de Souza percebe modificações com o aumento dos benefícios para os índios. “Eles começaram a exercer a cidadania, mas também adquiriram o vício de ficar esperando a ajuda chegar”, pondera. De acordo com ele, índios deixaram de pescar, fazer artesanato e até de se dedicar à agricultura, contando exclusivamente com o amparo do governo. “Muitas passaram a fazer questão de engravidar para conseguir o dinheiro do auxílio-maternidade”, lamenta o educador.

Inquéritos na PF
O delegado da Polícia Federal de Tabatinga, Gustavo Pivoto, entende que falta um controle maior dos órgãos do governo federal, principalmente da Funai. Na delegacia regional, existem diversos inquéritos que investigam falsificações de documentos realizadas pelos índios da região, segundo ele. “Tem indígena responsável pelo cadastro que quer se eximir da responsabilidade”, lamenta.
Reginaldo comprou um freezer com o dinheiro do auxílio-maternidade (Daniel Camargos/EM/D.A Press)
Reginaldo comprou um freezer com o dinheiro do auxílio-maternidade

Sapatos, cadernos e drogas

Creuza Santiago Jaguari está grávida do nono filho. O marido dela, Reginaldo Guilherme Cordeiro, faz planos do que comprar com os seis meses de salário mínimo referentes ao auxílio-maternidade. “Um computador para ajudar os meninos na escola”, vislumbra. Com o dinheiro que recebeu dos outros filhos, ele já adquiriu um motor de barco e um freezer. O mais novo dos meninos do casal tem dois anos e o mais velho, 17. A família recebe R$ 231 de Bolsa Família mensalmente. “Compro lápis, caderno, borracha e, quando sobra um pouco, uso para comprar comida”, afirma Creuza.

São índios Ticunas e moram na aldeia de Umariaçu, em Tabatinga (AM). Com quase 6 mil habitantes, o local é semelhante a um bairro humilde de uma cidade grande, com casas de alvenaria sem acabamento que se juntam a outras de madeira. O trânsito frequente de motocicletas e até residências funcionando como lan houses mostram que mudou muito o cotidiano dos índios do século 21.

No fim do mês passado, a Polícia Federal (PF) prendeu, na aldeia, dois colombianos com diversas armas e munições de grosso calibre. O arsenal era composto por lançador de granada, mais de uma dezena de granadas e fuzis de fabricação belga, sendo um deles com o emblema do Exército peruano. Havia também submetralhadora .40 e centenas de munições.

De acordo com a PF, os presos trabalhavam para o peruano Jair Ardela Michue, um dos maiores traficantes da tríplice fronteira, preso em março deste ano. Um dia depois, mais armamento foi encontrado em Belém do Solimões, outra aldeia indígena ticuna. O delegado da PF de Tabatinga, Gustavo Pivoto, afirma que o aliciamento de indígenas por organizações criminosas é intenso na região. Índios são usados para transportar drogas e armas e despistar a ação da polícia. O atrativo é sempre o mesmo: dinheiro. “O indígena está contaminado com os valores dos que não são indígenas”, avalia o professor da Universidade Estadual do Amazonas Sebastião Rocha de Souza, que faz parte da coordenação que prepara professores indígenas do Alto Solimões. (DC)

FOnte Correio Brasiliense Índios de países vizinhos se nacionalizam para obter benefícios do governo

sábado, 29 de outubro de 2011

BOLSA FAMÍLIA - Vereador de Minas recebe Bolsa Família

Paulo Sérgio Teodoro e a esposa receberam o subsídio destinado a famílias de baixa renda durante cinco meses
O vereador de Machado, Paulo Sérgio Teodoro, e a esposa dele, são condenados a devolver R$ 10 mil aos cofres públicos por receberem, indevidamente, benefícios do Programa Bolsa Família. 

Segundo denúncia do Ministério Público, o casal recebeu o subsídio destinado a famílias de baixa renda durante cinco meses.

Nesse período, Paulo Sérgio Teodoro já assumia o cargo de vereador e presidente da Câmara Municipal, com remuneração de mais de R$ 3 mil.

Além do pagamento de multa, o vereador também foi deposto do cargo. 
 A justiça determinou, ainda, que o casal terá os direitos políticos suspensos por cincoanos, e proibido de firmar contratos com o Poder Público ou receber benefícios e incentivos fiscais pelo mesmo período. A decisão ainda está sujeita a recurso.
Fonte Da Redação com BandNews FM BH noticias@band.com.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

GOVERNO DILMA - Governo estuda ampliar o Bolsa Família




Demétrio Weber, O Globo

Depois da promessa de cortar R$ 50 bilhões do Orçamento de 2011, já está nos planos do governo ampliar a transferência de renda através do programa Bolsa Família. Num dos cenários em estudo pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome como parte do plano de combate à miséria, está sendo analisado o aumento do repasse do Bolsa Família em R$ 14 bilhões por ano - o equivalente a dobrar os gastos do programa.

Mas a opção por combater a miséria apenas com a transferência direta de renda ainda não é consenso no governo. E o Ministério de Desenvolvimento Social divulga que o plano vem sendo concebido para funcionar como um tripé: além da transferência de renda, inclusão produtiva e maior acesso a serviços, como educação, saúde, energia elétrica e saneamento básico.

O governo também não abre mão de abrir portas de saída para quem já é beneficiário do Bolsa Família - um dos pontos mais criticados do programa e que pouco tem funcionado.

O custo da erradicação da miséria está vinculado à definição de uma linha oficial de pobreza extrema, capaz de delimitar o número de miseráveis no país.

A equipe do governo que discute o assunto está inclinada a adotar o critério de renda familiar. Assim, ganha força a ideia de estabelecer como linha de corte o valor de R$ 70 mensais por pessoa - o mesmo que dá direito hoje ao benefício básico do Bolsa Família, no valor de R$ 68 mensais para adultos com ou sem filhos.

Se prevalecer esse recorte, a meta da presidente Dilma Rousseff de erradicar a miséria significará emancipar cerca de 9 milhões de pessoas - o equivalente a 5% da população brasileira. O custo adicional para isso, via Bolsa Família, seria de R$ 14 bilhões por ano.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

JUSTIÇA/MPF - exige que 44 prefeituras fiscalizem a frequência de alunos do Bolsa Família


colaboração para a Folha


O Ministério Público Federal de Jales (a 585 km de São Paulo) recomendou a 44 prefeituras da região que fiscalizem a frequência escolar dos alunos beneficiados pelo programa Bolsa Família.
Caso os prefeitos não respondam ao MPF em 10 dias, o procurador Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo processo, diz que entrará com uma ação civil pública. "Se os requisitos para um programa do governo não são cumpridos, ele vira esmola", afirmou Nobre.
Segundo o Ministério Público, a recomendação foi motivada por uma denúncia de que entre os 50 municípios do Estado de São Paulo que não cumprem a exigência mínima de frequência escolar para se ter direito ao benefício do programa, quatro estão na região judiciária de Jales: Aparecida d'Oeste, Ilha Solteira, Santa Clara d'Oeste, Santa Fé do Sul e Sud Mennucci.
O procurador também recomenda que as prefeituras instituam um programa de acompanhamento dos alunos com baixa frequência. "Isso é uma questão muito séria, seja em razão de eventual existência de problemas familiares ou de aprendizado, seja para garantir que os requisitos do benefício sejam preenchidos, sob pena do desvirtuamento do programa assistencial", ressaltou Nobre.

 


 

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ARRUDAGATE/DENÚNCIA - Gestão Arruda desviou R$ 1 mi do Bolsa Família, afirma CGU

FILIPE COUTINHO
da Sucursal de Brasília

O governo de José Roberto Arruda (sem partido) desviou R$ 1 milhão do principal programa social da gestão Lula, o Bolsa Família, segundo auditoria do governo federal.

Lula Marques/Folha Imagem
Alambrado colocado com verba destinada ao Bolsa Família no Distrito
 Federal, diz a CGU
Alambrado colocado com verba destinada ao Bolsa Família no Distrito Federal, diz a CGU       

Entre 2008 e 2009, o Ministério do Desenvolvimento Social repassou R$ 1,4 milhão para que o DF administrasse o programa em seu território, mas ao menos R$ 1 milhão foi usado para construir cercas e alambrados da Secretaria de Desenvolvimento Social.
O valor é suficiente para beneficiar quase mil famílias por um ano e, pelas regras do ministério, ele não poderia ser usado para construir cercas.
O desvio foi apontado em auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União). Segundo o órgão, a verba era para financiar o acompanhamento, o cadastro e a fiscalização das famílias beneficiadas pelo programa.
"Detectamos a aquisição de alambrados para cercar as unidades da secretaria, desvirtuando a finalidade do programa que consiste no apoio à gestão de Bolsa Família", informa o relatório da CGU.
O DF tem 71 mil famílias cadastradas no programa -quase 280 mil pessoas ou 10% da população. Em média, o Ministério do Desenvolvimento Social distribui mensalmente R$ 5,8 milhões em benefícios do Bolsa Família na região.
Desde 2008, o governo do DF recebeu do ministério R$ 1,7 milhão para administrar o programa. Foi desse montante que, segundo a CGU, que foi retirado o dinheiro para construir cercas. Ou seja, quase 60% da verba foi desviada.
No mesmo período, a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF teve um orçamento disponível de R$ 683 milhões.
De acordo com a CGU, as irregularidades não foram detectadas apenas na compra de alambrados. A Secretaria de Desenvolvimento Social também teria escolhido a proposta mais cara para a construção das cercas, com valor até 64% acima do preço mais barato oferecido na negociação.
A CGU aponta indícios de irregularidades também na instalação dos alambrados, que não foram colocados em lugares previstos.
O órgão pediu esclarecimentos à Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, mas não obteve resposta. A CGU quer que o governo do DF devolva R$ 1 milhão à União.
A auditoria faz parte da devassa da CGU nos repasses da União para o governo de Arruda, cassado por infidelidade partidária e preso por atrapalhar investigações do mensalão do DEM. O órgão suspeita de desvios de até R$ 106 milhões.


 


 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Governo cancela 710 mil benefícios do Bolsa Família

deu na folha


Corte das pessoas que não se recadastraram atinge 5,7% das famílias e é o maior desde a criação do programa, em 2004
Cidade de São Paulo terá a maior redução no número de benefícios; das 169 mil famílias atendidas, 65,3 mil não atualizaram o cadastro
De Catia Seabra:
O governo federal divulga, na segunda-feira, o cancelamento de 710 mil benefícios do Bolsa Família em todo o país, representando 5,7% dos 12,4 milhões das famílias atendidas.
Esse é o maior cancelamento desde a criação do Bolsa Família, em 2004, e atende ao decreto presidencial de 2007, segundo o qual todo beneficiário é obrigado a atualizar seus dados cadastrais em, no máximo, dois anos de adesão ao programa.
A cidade de São Paulo é a que sofrerá maior redução de benefícios: 38,46%. Das 169 mil famílias atendidas pelo Bolsa Família no município, 65.357 não tiveram seu cadastro atualizado pela prefeitura.
Na cidade do Rio de Janeiro, serão 20,6 mil cancelamentos. Em Curitiba, 18 mil. Os números da cidade de São Paulo se aproximam ao registrado em todo o Estado da Bahia -onde há maior quantidade de beneficiários- 67 mil.
Em comparação aos outros Estados, São Paulo terá o maior corte: 133.992, correspondendo a 11,65% de um total de 1,1 milhão de benefícios.
O cancelamento de 710 mil benefícios é ainda mais expressivo se comparado ao universo de famílias que estavam havia mais de dois anos sem atualizar seu cadastro: 3,4 milhões. Assinante do jornal leia mais em: Governo cancela 710 mil benefícios do Bolsa Família