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quinta-feira, 15 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/@GOVRJ//CHUVAS - Com aluguel social, desabrigado só acha moradia em lugar de risco


'Não quero sair de um abismo para outro', diz moradora sobre R$ 400.
Aluguel em lugar seguro em favela custa R$ 700, mais fiador.

Liana Leite Do G1, no Rio
Nas comunidades mais atingidas pelas chuvas no estado do Rio, os moradores formam filas para se cadastrar no aluguel social. As pessoas que se cruzam têm dramas semelhantes e a mesma dificuldade: como encontrar uma casa para alugar, em um local seguro, por R$ 400, valor do subsídio oferecido pelo governo do estado?
Veja cobertura completa da chuva no Rio

A vendedora Jessiana Moreira da Silva, de 26 anos, considera a tarefa quase impossível. O G1 acompanhou a moradora do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro do Rio, até a casa que ela encontrou para alugar.

“Não quero sair de um abismo para outro. Já escapei da morte uma vez, não quero alugar uma casa em um local arriscado”, desabafa Jessiana, que encontrou uma casa por R$ 500 a 24 metros do seu imóvel, que está interditado.

“Com este valor oferecido pelo governo só encontro casas no mesmo esquema. Estou há cinco dias procurando. Já fui ao Bairro de Fátima, Glória, Catete, Largo do Machado, Rio Comprido e Santa Teresa. As casas seguras custam entre R$ 700 e R$ 800 e precisam de fiador. Quem vai querer ser fiador de uma pessoa que acabou de perder a casa”, questiona Jessiana
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Demolição

Demolição em casas em áreas de risco
começaram no fim de semana
(Foto: Liana Leite / G1)

Moradora sustenta pais na Paraíba
 A comerciante morava com mais três irmãs no Morro dos Prazeres e sustenta os pais na Paraíba. Enquanto ela procura uma casa para alugar, está dormindo em uma garagem cedida por vizinhos. “No dia da chuva saímos correndo e não tivemos tempo de pegar nada. Tivemos que dormir no túnel Dois Irmãos. Eu vendia roupas, mas a chuva levou tudo. Não estou tendo nem como trabalhar”, contou.

Ela vai precisar comprar uma passagem para a irmã de 17 anos voltar para a Paraíba. “Não tenho mais como sustentar a mim e mais três. Terei que mandar a mais nova de volta. Isso me dói”, disse emocionada.
Frei Caneca
“Eu não acredito que o governo vá dar esse dinheiro, mas estou esperando. Também tenho dúvidas sobre os apartamentos no antigo Presídio Frei Caneca, mas não temos condições de escolher, vou para onde me oferecerem um lugar para morar”, afirmou a comerciante.

A fisioterapeuta Viviane Polito Villardo, de 29 anos, também está tentando se cadastrar para receber o aluguel social, mas discorda de Jéssica. “Não tenho para onde ir, mas não quero ir para o Frei Caneca. Os apartamentos serão construídos a toque de caixa e o lugar não tem nenhuma infra-estrutura”, desabafou.

Viviane morava em um dos locais mais atingidas pelo deslizamento no Morro dos Prazeres, a Rua Gomes Lopes. Ela está hospedada na casa de um primo. “Estou procurando casas para alugar, mas não encontro nada no valor de R$ 400. Estou sozinha para fazer tudo. Minha mãe e meu pai sofrem de pressão alta. Sobrevivemos por um milagre de Deus. Todos os nossos vizinhos e amigos estão mortos”, contou.

Moradora não esconde revolta
A fisioterapeuta está procurando casas para alugar em Santa Teresa, Estácio e Rio Comprido e não esconde a sua revolta: “Ninguém veio perguntar para os moradores se temos para onde ir ou se estamos conseguindo um lugar para alugar com o dinheiro que estão nos oferecendo”.
Viviane explicou que precisa do dinheiro para complementar a renda: “Terei que colocar dinheiro do meu bolso para alugar um imóvel decente. Ninguém tem noção do que a gente está passando”.

 


 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/PREFEITURA/CHUVAS - Moradores de áreas de risco poderão ser retirados de casa à força no Rio; veja decreto


da Reportagem Local


O prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes (PMDB), publicou um decreto na quinta-feira (8) em que permite a retirada de pessoas de locais considerados de risco mesmo sem seu consentimento. A medida consta no documento que também decretou situação de emergência nas áreas afetadas pelas chuvas no município.


Com a determinação, autoridades administrativas e agentes de Defesa Civil poderão "penetrar nas casas, mesmo sem o consentimento do morador, para prestar socorro ou para determinar a pronta evacuação das mesmas". O documento ainda acrescenta que esses mesmos agentes serão responsabilizado no caso de comprometimento da "segurança global da população".
O Corpo de Bombeiros do Rio confirmou na manhã desta sexta-feira mais uma morte provocada pelas chuvas. Com os novos dados, a cidade do Rio acumula 56 mortes devido às chuvas. Apesar disso, o município com maior número de mortes até esta sexta ainda era Niterói, com 107 óbitos confirmados.
Outras cidades que registravam mortes eram São Gonçalo (16), Nilópolis (1), Paracambi (1), Petrópolis (1) e Magé (1). Também há registro de 161 pessoas feridas em decorrência das chuvas em todo o Estado.
As chuvas também já fizeram com que mais de 14 mil pessoas deixassem suas casas em todo o Estado, segundo levantamento da Defesa Civil. Desse total, mais de 11,4 mil pessoas são desalojadas --estão em casas de parentes e amigos-- e outras 3.200 estão desabrigadas, ou seja, dependem de abrigos públicos.

Veja decreto
Art. 3º - Fica autorizada, nos termos dos incisos XI e XXV, do artigo 5º, da Constituição Federal, às autoridades administrativas e aos agentes de defesa civil, diretamente responsáveis pelas ações de resposta aos desastres, em caso de risco iminente, a adoção das seguintes medidas:
I - penetrar nas casas, mesmo sem o consentimento do morador, para prestar socorro ou para determinar a pronta evacuação das mesmas;
II - usar de propriedade particular para as ações de emergência que visem evitar ou minimizar danos ou prejuízos ou comprometer a segurança de pessoas.
Parágrafo Único - Será responsabilizado o agente da defesa civil ou a autoridade administrativa que se omitir de suas obrigações, relacionadas com a segurança global da população.

Celso Pupo/Fotoarena/Folhapress


 


 

quinta-feira, 8 de abril de 2010

RIO DE JANEIRO/PREFEITURA/CHUVAS - Paes afirma que irá remover 'todos' os moradores de morro


De Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo:

No dia seguinte da enxurrada que matou 133 pessoas no Estado, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PMDB), anunciou a decisão de remover e reassentar "todos" os moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no centro, onde morreram 18 pessoas em deslizamentos, e no trecho da Rocinha conhecido como Laboriaux, na zona sul.
"É uma decisão tomada a partir de estudos de geotecnia. Não vamos mais brincar com essa história", disse ele, que criticou "demagogos de plantão" contrários à medida. Sem informar prazos, o prefeito afirmou nesta quarta, 7, que vai "avançar" na questão dos reassentamentos na cidade.
No caso das duas favelas, ele calculou que 2 mil famílias serão transferidas para local ainda não definido. "Não me peçam data ou projeto. Vamos discutir isso na fase seguinte da contingência."
Paes disse esperar que os "demagogos de plantão não esqueçam" a tragédia provocada pela chuva. "Não vou ser responsável por pessoas morrerem ou passar todo o verão sem dormir." Ele afirmou que impedir novas ocupações é uma "linha" de seu governo.
"Não vou ficar com esses urubus da política esperando essas pessoas morrerem para que eles possam de alguma maneira se divertir."
O prefeito fez o anúncio ao comentar declaração do secretário de Defesa Civil do Estado, Sérgio Côrtes, que defendera "remoção compulsória" de moradores de áreas de risco.
Em janeiro, a prefeitura havia apresentado um mapeamento de áreas de risco que indicava a necessidade de remoção de 12.196 domicílios em 119 comunidades. Apenas um dos locais onde morreram as 43 vítimas da tragédia na capital estava na lista: a Rocinha (com uma vítima).