Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

JUÍZA PATRÍCIA - Promotor que trabalhava com juíza diz em depoimento à polícia que Mário Sérgio transferiu seguranças dela

Antônio Werneck (werneck@oglobo.com.br) e Vera Araújo (varaujo@oglobo.com.br)
 
RIO - Um promotor afirmou, num dos últimos depoimentos prestados à Divisão de Homicídios (DH), que a juíza Patrícia Acioli morreu porque ficou "entregue à própria sorte" quando o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, determinou a transferência dos dois PMs do 7º BPM que faziam a segurança informal da juíza. O promotor trabalhava desde 2001 na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde a magistrada era titular. Na segunda-feira, a DH concluiu o inquérito sobre o assassinato da juíza, indiciando, por homicídio, 11 PMs . Patrícia foi executada com 21 tiros no dia 11 de agosto.

Ainda segundo o promotor contou em seu depoimento, Mário Sérgio fez constar no Boletim Interno da PM com o registro da transferência dos policiais que uma nova remoção só poderia ser feita com a sua ordem. Diante da determinação do então comandante-geral e de informações dando conta que o tenente-coronel planejava a morte da juíza, o promotor teve um encontro com Mário Sérgio.

Na reunião - para melhorar a relação entre o comandante, o MP e a juíza -, o promotor afirmou ter explicado ao coronel como eles trabalhavam a questão dos autos de resistência em São Gonçalo. Mário Sérgio - que pediu exoneração na última quarta-feira, após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira - disse apenas que a nomeação do tenente-coronel Cláudio para o 7º BPM foi sua, para melhorar os índices de criminalidade do batalhão de São Gonçalo.

Ao "Fantástico", da Rede Globo, no domingo, Mário Sérgio explicou que os PMs foram transferidos porque estavam fazendo segurança de autoridades informalmente. O ex-comandante explicou que, sobre o fato de a transferência deles só poder ser feita com sua autorização, isso foi uma forma de proteger os dois, para evitar que fossem transferidos para o interior do estado. Um dos PMs transferidos era namorado da juíza. Segundo a PM informou na segunda-feira, é praxe a recomendação do comandante.

Entre os PMs indiciados, estão o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) e do 22º BPM (Maré), e o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes, que chefiava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM. Todos já estão presos. O tenente-coronel - acusado pela polícia de ser o mentor do crime - e o tenente negam as acusações.

O inquérito foi entregue ao Ministério Público estadual na última sexta-feira, ainda sem o relatório do delegado Felipe Ettore, titular da DH e responsável pelas investigações, que levaram 50 dias. O material já está sendo analisado agora pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Eles têm até terça-feira para elaborar a denúncia e encaminhá-la à Justiça estadual.

No domingo, o cabo Sérgio Costa Júnior, o primeiro a aderir à delação premiada, confirmou que o coronel esteve na prisão militar antes dele mesmo ser preso, garantindo que "tudo ia passar" . Em entrevista ao Fantástico, ele afirmou que o coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira não apostava numa punição para os policiais do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7 BPM (São Gonçalo) pelo assassinado da juíza.

- Ele fez uma reunião com todos, deu uma palavra de conforto. Disse que tudo ia passar. E depois só ficou o tenente (Daniel Benitez) conversando com ele, não sei dizer por quanto tempo - afirmou o cabo, em entrevista ao Fantástico .

Sérgio e Benitez foram os autores dos 21 disparos que mataram a juíza, dentro do condomínio onde ela morava, no dia 11 de agosto. O cabo afirmou, na entrevista, que atirou com duas pistolas, de calibres 40 e 45. O tenente seria o autor dos tiros de revólver 38. Sérgio disse estar arrependido e temer pela vida da família:

- Saiu nos jornais que por causa do meu depoimento o coronel foi preso. Na verdade, não falei no nome do coronel. Quem falou no coronel foi o tenente Benitez - disse.

Apreensões eram chamadas de espólio de guerraO cabo revelou ainda que a ideia de assassinar a juíza partiu do tenente Benitez, que conversou com a equipe do GAT entre abril e maio. Patrícia Acioli incomodava aos PMs porque colocava em risco o faturamento do batalhão. Os policiais lotados na unidade de São Gonçalo partilhavam armas, drogas e dinheiro apreendidos com bandidos, itens que eram chamados de espólio de guerra.

- Uma vez, o tenente reservou uma parte do espólio para o coronel. Se entregou, não posso dizer - afirmou o cabo Sérgio.

Outro cabo que aceitou participar da delação premiada revelou que o batalhão arrecadava entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por semana. O que passasse desse valor, iria para o coronel, de acordo com o relato da testemunha.

Câmeras de segurança do condomínio onde a juíza morava, em Piratininga, Niterói, revelaram que Sérgio e Benitez estiveram no local do crime aproximadamente sete horas antes do assassinato. Primeiro, chegou o tenente, a pé, seguido posteriormente por Sérgio, numa moto.

Imagens mostraram ainda que ambos aguardavam a saída da juíza do fórum, no dia do crime. Como a moto em que estavam demorou a pegar, um carro começou a seguir o automóvel da juíza. Assim que os dois policiais a alcançam, o veículo, em que estava o policial Jovanir Falcão Júnior, vai embora.

De acordo com o cabo Sérgio, o estudo do local foi bastante detalhado porque a juíza, mesmo sem saber do risco que corria, já havia escapado de outras duas emboscadas na mesma semana. Na primeira, Patrícia Acioli desmarcou uma reconstituição de crime que iria fazer e, em outro dia, saiu mais cedo do que o habitual do trabalho, impedindo que os policiais realizassem seus planos.

No dia seguinte ao assassinato, quatro policiais foram presos por outro crime, com condenação da própria juíza. Após as primeiras investigações, todos os policiais do GAT do 7º BPM foram presos e a Justiça autorizou que as ligações feitas por eles de dentro da unidade prisional fossem grampeadas.

Nas gravações, o tenente Benitez pede a um interlocutor que encha uma bolsa de viagem com seis, oito caixas de cerveja e duas garrafas de vodca. Em conversa com a mãe, o tenente afirmou que fugir do local seria fácil "a coisa mais fácil de fazer do mundo" e que ele poderia ter umas feriasinhas em breve. Por telefone, Benitez foi informado também sobre a visita do 01, como é chamado o coronel Claudio

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/10/03/promotor-que-trabalhava-com-juiza-diz-em-depoimento-policia-que-mario-sergio-transferiu-segurancas-dela-925501497.asp#ixzz1ZntIp6ex

sábado, 1 de outubro de 2011

RIO - Especialista cobra reforma estrutural da PM para novas crises serem evitadas

RIO - A crise na segurança pública do Rio, que culminou na troca de comando da Polícia Militar , não deve alterar o plano de voo da política de segurança pública planejado por José Mariano Beltrame. A avaliação é compartilhada pelo cientista político Gláucio Soares, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), e por Paulo Storani, ex-capitão do Bope e mestre em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

OPINE: Você acha que o novo comando da PM conseguirá sanar a crise na corporação?

Criminalidade: menores patamares em 20 anosAmbos consideram a gestão de Beltrame positiva e destacam que os índices de redução da criminalidade atingiram os menores patamares em 20 anos. Gláucio ressalta que a manutenção da política está garantida pois "rende benefícios políticos ao governador".

- A permanência de Beltrame é a garantia de que a política não muda. A crise acontecer neste momento chega a ser irônico porque ocorre num momento em que ocorre a maior redução do número de mortos por homicídios, há mais de uma década. De 2007 a 2010, 2.881 vidas foram poupadas, se compararmos com os patamar de 2006 - avalia Soares, para quem o ex-comandante Mário Sérgio Duarte renunciou por ter "alto sentido de honra".

O especialista do Iuperj teme que o "afã punitivo" da sociedade brasileira atual - e em particular da fluminense - acabe por cometer injustiças:

- O que garante (manutenção da política) é que ela rende benefícios ao governador. Mas a sociedade está cansada de todo o tipo de corrupção, existe um ânimus punitivo exacerbado. Devemos ficar atentos ao perigo de cometermos injustiças. É importante lembrar que as investigações estão sendo feitas durante a gestão. A corrupção está sendo combatida.

Adotando uma postura mais crítica, Paulo Storani dá nota oito ao gestor Beltrame, mas cobra reformas contundentes nas estruturas das polícias. Só assim, ressalta ele, novas crises serão evitadas:

- A polícia do Rio tem um dos piores salários do país. Falta controle das ações dos oficiais e investimento em tecnologia. A questão não é falta de eficiência operacional. Tanto é que o (tenente-coronel) Cláudio Luiz Silva Oliveira recebeu gratificação há pouco tempo por diminuir os índices de criminalidades do 7º BPM. Mas a custa de quê? - questionou Paulo Storani, que elogiou o amigo Mário Sérgio: - Ele é o cara com o maior coração que eu conheço. Talvez, ao assumir o comando, tivesse que diminuir esse coração. Pedir exoneração e assumir o erro foi uma atitude de "caveira".

Fonte O Globo http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/30/especialista-cobra-reforma-estrutural-da-pm-para-novas-crises-serem-evitadas-925478456.asp#ixzz1ZWcWALjM

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CAIU - Comandante-geral da PM do Rio, Mário Sérgio Duarte, é exonerado pelo telefone por Beltrame

Comandante-geral da PM do Rio, Mário Sérgio Duarte, é exonerado
Elenilce Bottari, Fabíola Leoni, Vera Araújo e Osvaldo Soares (granderio@oglobo.com.br)



RIO - Dois dias depois da prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, comandante de dois batalhões acusado de ser o mentor do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 11 de agosto , o comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, deixou o cargo, no fim da noite de quarta-feira. Mário Sérgio, de 52 anos, também comandou o Bope - a tropa de elite da PM.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que ele enviou uma carta ao secretário José Mariano Beltrame, reconhecendo "o equívoco" de ter nomeado o tenente-coronel Cláudio para o 7º BPM (São Gonçalo), o primeiro cargo de comando dado ao oficial, que está preso desde quarta-feira em Bangu 1 com outros sete PMs. Na carta com o pedido de exoneração, enviada a Beltrame pelo BlackBerry do hospital onde está internado, se recuperando de uma cirurgia na próstata, ele disse estar "ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha".

NO COVIL DOS CHEFÕES: Ex-comandante e outros 7 PMs presos por morte de juíza são isolados em Bangu 1

SUSPEITO DE ALTA PATENTE: Tenente-coronel preso por envolvimento na execução de juíza ficará em Regime Disciplinar Diferenciado

"Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli, e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim", escreveu Mário Sérgio.

A exoneração, pedida, segundo a nota da secretaria, "em caráter irrevogável", aconteceu um dia depois de Beltrame ter afirmado, em entrevista coletiva, que Mário Sérgio gozava de sua "plena confiança". Ainda segundo o texto, o secretário lamentou a saída do oficial.

Beltrame visitou Mário Sérgio na tarde de quarta-feira à tarde no Hospital Central da Polícia Militar. A nota da secretaria não informa quem substituirá o comandante. Porém, comenta-se nos bastidores do QG da PM que haveria uma lista tríplice sendo analisada por Beltrame com os nomes dos coronéis Aristeu Leonardo, Pinheiro Neto e Ricardo Quemento como possíveis sucessores.

PERFIL: Tenente-coronel assumiu seu 1º batalhão, em São Gonçalo, por indicação do comandante da PM

Procurado pelo GLOBO, o comandante-geral interino, coronel Álvaro Garcia, afirmou que se acha preparado para ocupar o cargo:

- Sim, aceitaria, qualquer coronel da PM se acha pronto para isso.

Perguntado se a crise que atinge a imagem da PM é permanente, Garcia respondeu:

- A polícia viveu outras crises e as superou. Uma gestão marcada por crises

As crises enfrentadas por Mário Sérgio à frente da PM foram muitas. Só nos últimos três meses, três casos arranharam ainda mais a imagem da corporação, que havia melhorado com o programa de pacificação das favelas iniciado em 2008. Além do caso da juíza Patrícia, que já levou à prisão dez policiais militares, em junho o menino Juan, de 11 anos, foi morto a tiros durante uma ação da PM na Favela Danon, em Nova Iguaçu. Este mês, mais um escândalo: 11 policiais da UPP do Fallet, Fogueteiro e Coroa, em Santa Teresa, foram acusados de receber propina de traficantes. Neste episódio, caíram o comandante e o subcomandante da UPP.

Outra crise durante sua gestão ocorreu em 2009, quando policiais do 13º BPM (Praça Tiradentes) foram flagrados por câmaras prendendo e liberando logo em seguida ladrões que haviam acabado de assassinar, no Centro, o coordenador de projetos sociais do AfroReggae, Evandro João da Silva. Na época, Mário Sérgio, foi a público pedir desculpas:

- Estamos envergonhados. A PM errou

Fonte Jornal o Glogo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/28/comandante-geral-da-pm-do-rio-mario-sergio-duarte-exonerado-925470821.asp#ixzz1ZKmZS2j8

terça-feira, 27 de setembro de 2011

SAÚDE IN RIO - Fechamento da UPA da Maré gera reflexos em outras unidades

POR ROBERTA TRINDADE
Rio - O número de pacientes no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) já aumentou, após o fechamento da Unidade de Pronto Atendimento da Maré, nesta segunda-feira. A informação é da assessoria de imprensa do hospital, que não especificou o percentual de aumento. A unidade, que passa por obras, está recebendo mais pacientes especialmente na pediatria. Pacientes contaram que aguardaram mais de sete horas.

Movimento de pacientes aumentou no Hospital Federal de Bonsucesso após fechamento da UPA da Maré | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Moradora da Maré, Maria de Macedo, 44, estava com a pressão alta. “Estou aqui há sete horas e não fui atendida. Espero não ter nada grave. Vou para casa”.

Médicos do hospital questionaram a decisão de a unidade ter sido indicada como opção após o fechamento da UPA. “Isso é um hospital para atender casos graves, com risco de vida. É um perfil diferente da UPA e vamos ficar sobrecarregados”, lamentou um médico, que pediu para não ser identificado.

Na UPA da Ilha, os pacientes estavam com medo de que a unidade ficasse sobrecarregada. “Hoje (segunda-feira) o atendimento é bom, mas com mais pacientes vai complicar”, avaliou a aposentada Vânia Gomes, 60. O aparelho de Raio X e o de exames de sangue estavam quebrados. “Podiam pegar os equipamentos da Maré e colocar aqui”, sugeriu Vânia.

290 pacientes por dia
Primeira Unidade de Pronto Atendimento inaugurada no Estado do Rio, em 2007, a UPA da Maré foi fechada por tempo indeterminado. A decisão foi da Secretaria de Estado de Saúde, após recomendação do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte. A unidade atendia em média 290 pacientes por dia. O investimento para a abertura de uma UPA é em torno de R$ 1 milhão e o custeio mensal, de R$ 400 mil a 500 mil.

A medida, segundo a PM, foi tomada para preservar moradores e funcionários da unidade, devido a seguidas operações das polícias Civil e Militar, que começaram no dia 19. Em sete dias, 13 pessoas acusadas de tráfico foram presas.

Sem aviso, pacientes perdem a viagem até a UPA da Maré. Vigias avisam sobre fechamento e indicam as alternativas | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
O governador Sérgio Cabral lamentou o fechamento. Segundo ele, se há uma recomendação da segurança, é melhor reabrir depois. “Dói muito o coração porque foi a primeira UPA a ser aberta por mim. Eu lamento, mas chegará o momento em que a Maré estará pacificada e que esse tipo de situação tensa não acontecerá mais”, disse.

 O comandante do 22º BPM (Benfica), coronel Cláudio Oliveira (que foi preso nessa manhã), revelou que grande quantidade de drogas e armas tem sido apreendida.

A violência já tinha afastado alguns moradores da unidade. A dona de casa Rosângela Medeiros, 34 anos, conta que já dormiu na UPA. “Levei minha mãe, com pressão alta, e começou tiroteio. Não pude sair”. Domingo, quando o filho sentiu taquicardia, ela foi para a UPA da Penha. “Se ele ouvisse tiro, ia piorar”.

Sem aviso O fechamento, que completa uma semana hoje, pegou de surpresa moradores que procuraram atendimento. A diarista Mariana Gomes, 37, levou um susto. “Agora vou ter que ir até a Penha”, lamentou, logo após ser informada pelos três vigias na unidade fechada. Ela estava com tonteiras.

O aposentado Ismael Magalhães, 84 anos, que mora há sete anos na Vila do João, resolveu voltar para casa, apesar da forte dor de cabeça. “Depois vou até o Hospital Federal de Bonsucesso”, disse. No HFB, o número de pacientes já subiu com fechamento da UPA.

Forte esquema de segurança em 2007
Com consultórios de pediatria, ortopedia, clínica médica e odontologia, a UPA da Maré — a primeira do estado — foi inaugurada em maio de 2007 com forte esquema de segurança. Policiais armados ocupavam as vias de acesso à Vila do João e contêineres, enquanto, dentro da UPA, crianças cantavam e comemoravam o lançamento do que chegou a ser chamado de “UPA D’Or” pelos moradores da região.

Segundo o estado, a UPA fazia 290 atendimentos diários. “O fechamento da UPA é o reconhecimento da inoperância e ineficiência da administração pública na garantia dos direitos constitucionais”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze.

O vereador Paulo Pinheiro afirma que a falta de segurança nas unidades de saúde localizadas em comunidades é um problema que afasta os profissionais.

“A bala não desvia do médico porque ele é médico. Os enfermeiros, técnicos e médicos enfrentam os mesmos problemas dos moradores da região. A rotatividade nestes locais é alta porque o médico enfrenta um tiroteio, uma invasão e acaba desistindo. A população não tem esta opção”.

'UPP fora dos planos'
O comando da PM emitiu nota nesta segunda-feira explicando que a decisão de fechar a UPA foi tomada devido a informações do setor de Inteligência sobre a existência de bandidos com armamento perto da unidade. Segundo a nota, ‘as operações têm sido diárias’.

Na sexta-feira, por exemplo, em localidade próxima à UPA, nove traficantes foram presos pela polícia, que apreendeu três fuzis, duas metralhadoras, duas pistolas, duas granadas e drogas. A nota ressalta que ‘as ações não têm nada a ver com a instalação de UPP na área’.

Ainda segundo a nota, a Maré terá em breve um Comando de Operações Especiais (COE), no quartel do antigo Batalhão de Infantaria Blindada (BIB). O COE será sede do Bope, do Canil da PM e do Grupamento Aéreo-Marítimo. “Como o atendimento nas UPAs é 24 horas, foi necessário evitar o fluxo de pessoas ao local para que ninguém ficasse sob risco”.

O complexo tem 132 mil moradores, segundo a ONG Redes de Desenvolvimento da Maré (Redes). É composto por 15 favelas, divididas entre o domínio da milícia e das facções criminosas Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV).

FOnte O Dia http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/9/fechamento_da_upa_da_mare_gera_reflexos_em_outras_unidades_195114.html
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

UPP - Unidade de Policiamento Pacificadora

CONCEITO UPP: A POLÍCIA DA PAZ

A Unidade de Policiamento Pacificadora é um novo modelo de Segurança Pública e de policiamento que promove a aproximação entre a população e a polícia, aliada ao fortalecimento de políticas sociais nas comunidades. Ao recuperar territórios ocupados há décadas por traficantes e, recentemente, por milicianos, as UPPs levam a paz às comunidades do Morro Santa Marta (Botafogo – Zona Sul); Cidade de Deus (Jacarepaguá – Zona Oeste), Jardim Batam (Realengo – Zona Oeste) e Morro da Babilônia e Chapéu Mangueira (Leme – Zona Sul).

Hoje, as UPPs representam uma importante ‘arma’ do Governo do Estado do Rio e da Secretaria de Segurança para recuperar territórios perdidos para o tráfico e levar a inclusão social à parcela mais carente da população.

Criadas pela atual gestão da secretaria de Estado de Segurança, as UPPs trabalham com os princípios da Polícia Comunitária. A Polícia Comunitária é um conceito e uma estratégia fundamentada na parceria entre a população e as instituições da área de segurança pública. O governo do Rio está investindo R$ 15 milhões na qualificação da Academia de Polícia para que, até 2016, sejam formados cerca de 60 mil policiais no Estado. Até o fim de 2010, 3,5 mil novos policiais serão destinados às Unidades Pacificadoras.


A Palavra do Secretário - José Mariano Beltrame
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
Sem dúvida, o Rio de Janeiro é o primeiro estado a vir à mente quando o assunto é favela. Numa cidade com mais de mil, o tema segurança torna-se assunto diário e sempre dramático.

Implantamos há menos de um ano o projeto UPP que recebe forte apoio da mídia e da sociedade. A idéia é simples. Recuperar para o Estado territórios empobrecidos e dominados por traficantes. Tais grupos, na disputa de espaço com seus rivais, entraram numa corrida armamentista nas últimas décadas, uma disputa particular na qual o fuzil reina absoluto.

E apesar da rotina complicada, a cidade atrai mais e mais turistas todos os anos. O Rio é mesmo um lugar único e privilegiado.

Decidimos então por em prática uma nova ferramenta para acabar com os confrontos. Ocupamos quatro comunidades em bairros distintos em caráter definitivo. Fim do fuzil e início das pequenas revoluções que serão contadas nessas páginas.

Junto com os elogios surgiram algumas conclusões simplistas. A primeira e mais comum entre todas: coloquem polícia comunitária em todos os morros e o problema estará resolvido.

Posso garantir que segurança pública não é tão cartesiana assim. Muitas das queixas com as favelas pouco tem a ver com o crime bárbaro do tráfico, mas com a dificuldade da própria sociedade de conviver com suas diferenças. O problema é que, quando tais diferenças incomodam, é melhor chamar todos de criminosos.

Isso ficou mais evidente após a implantação das UPPs. O traficante vai embora, mas muitos conflitos, os menores, evidentemente, continuam por lá.

Tenho recebido e visitado os moradores dessas comunidades com frequência. Há uma tremenda dívida social que veio desde a colonização destas terras. A maioria negros, pardos, mulatos, pobres e muito pobres. Carências tão grandes que é preciso ajudá-los a pedir, pois lhes é difícil até priorizar as emergências.

Podemos traduzir as causas da violência de diversas formas: desigualdade, falta de educação, corrupção, falta de assistência, falta de planejamento das cidades, enfim, inúmeras possibilidades. Podemos usar o legalismo para dizer que as favelas precisam ser demolidas, pois são invasões; ou defendê-las, afinal são brasileiros vítimas de um modelo econômico e histórico perverso.

Vou encerrar sem defender tese alguma. No Rio, o projeto no qual apostamos é a UPP e estamos aprendendo com os resultados. Sai o tráfico e entra a polícia definitivamente. Todos os indicadores são animadores e todas as conclusões são precipitadas. Até o fim de 2010, creio que haverá condições logísticas de ocupar muitas comunidades. Mas como tenho repetido sempre que sou interpelado: ou a sociedade abraça e acolhe estas áreas ou nada vai mudar de fato. Portanto, a polícia faz um apelo: subam o morro, ele é da cidade.

José Mariano Beltrame
Secretário de Segurança do Rio de Janeiro


Palavra do Comandante - Mário Sérgio de Brito Duarte
Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Por duas décadas, as áreas carentes do Rio de Janeiro infelizmente viram crescer a ditadura do narcotráfico se impondo à população menos favorecida, ditando-lhes regras e subjugando-lhes a vontade.

Essa tirania, que por todo esse tempo calou a voz de milhares de mulheres e homens de bem, esmagadora maioria dos moradores de favelas onde se escondem os criminosos, quase fez descrente o povo fluminense de um dia poder desfrutar a tranquilidade pública e a paz social que, por direitos inalienáveis, lhes devem pertencer.

As Unidades de Polícia Pacificadora da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro– UPP – representam, nestes nossos dias, a certeza de que a felicidade é possível, pois a liberdade é uma questão de escolha e decisão.

Retomar os territórios apropriados criminosamente por bando e facções, livrando seus moradores das garras despóticas e assassinas dos traficantes de drogas, foi o desafio a que se propôs o Estado do Rio de Janeiro; seus governantes, sua segurança pública e sua população, inexcedível em talento, alegria e espírito pacificador.

As UPPs vieram para ficar.

Elas materializam um sonho de liberdade.

Mário Sérgio de Brito Duarte