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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FRAUDE NA COHAB - Polícia apura envolvimento de prefeita de Ribeirão Preto em fraude

Por ARARIPE CASTILHO

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) investiga se a prefeita Dárcy Vera (PSD) está envolvida num suposto esquema de fraude na distribuição de casas populares por meio da Cohap-RP (Companhia Habitacional Regional da cidade).

A acusação contra Dárcy foi feita pela suspeita de estelionato por "vender" essas casas a Marta Aparecida Mobiglia, 45.

De olho em 2012, prefeita de Ribeirão Preto retoma ações populares

Ela afirmou nesta quarta-feira à polícia que entregava dinheiro referente à comercialização das residências para um mensageiro da prefeita.

Silva Junior/Folhapress

Dárcy Vera, prefeita de Ribeirão Preto, nega envolvimento em suposta fraude

Dárcy negou as acusações e convocou uma entrevista coletiva para se defender no final da tarde desta quarta-feira. 

 Marta é uma das investigadas por prometer, mediante pagamento de até R$ 3.000, que era capaz de "furar" o sorteio das casas do conjunto Paulo Gomes Romeu, construído pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de SP).

A Cohab-RP era responsável por fazer o cadastro das pessoas interessadas e organizar os sorteios.

Segundo a advogada de Marta, Máira Ferreira Teles, sua cliente disse à polícia que documentos e todo o dinheiro arrecadado com a fraude eram entregues a um motoqueiro, que seria um mensageiro de Dárcy.

"Ela afirmou que o contato [com a Dárcy] foi por meio da irmã da prefeita [Marli Vera, conhecida como Chaveirinho]", disse Teles.

DENÚNCIA 
 O caso começou a ser investigado há uma semana, quando Marta e uma segunda suspeita, Maria Rosa Lopes Ferreira, 57, foram parar na delegacia após denúncia de membros do Conselho Municipal da Habitação e do jornal "A Cidade".

Após a denúncia, a polícia começou a apurar se havia participação de funcionários da Cohab --comandada pelo PMDB em Ribeirão desde que Dárcy assumiu a prefeitura, em 2009.

Além de Marta, o delegado responsável pelo caso, Marcelo Velludo, deve ouvir nesta quinta-feira a segunda suspeita.

Procurado pela Folha, Velludo confirmou ter ouvido o depoimento de Marta, mas não quis comentar o conteúdo das declarações da investigada. 

 "Eu sou o presidente do inquérito e, se esse conteúdo vazou, não foi pelas minhas mãos. O que eu posso dizer é que o depoimento da Marta realmente foi colhido", afirmou sobre o fato de Dárcy já ter recebido as declarações.

OUTRO LADO
No final da tarde, Dárcy chamou os jornalistas para desmentir as afirmações da mulher que a acusou.

A prefeita afirmou nunca ter falado com a investigada e que não é a primeira vez que "usam" seu nome para cometer irregularidades.

Ela disse ainda que está à disposição da polícia para a investigação.

"Sou a maior interessada em que tudo isso seja muito bem investigado e que se descubra a verdade. Estou muito tranquila quanto a isso", afirmou Darcy. 

 Ela concedeu a entrevista diante de uma mesa cheia de fitas de vídeo que ela disse serem as filmagens de todos os sorteios de casas em seu governo.

O presidente da Cohab-RP, Sílvio Martins --ex-vereador do PMDB indicado ao cargo pelo deputado Baleia Rossi--, acompanhou a prefeita durante a coletiva. 

 Ele afirmou que até agora não há indício de prova sobre o envolvimento do poder público no caso.

A assessoria de Dárcy disse que ela soube do depoimento da mulher à polícia por meio de "fontes"

terça-feira, 13 de abril de 2010

DENÚNCIA - Empresa ligada a Afif ganha R$ 10 mi na gestão Kassab


Da Agência Estado:

Empresa que tem como sócio-diretor o ex-secretário estadual do Emprego e das Relações de Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM), a Indiana Seguros S/A já recebeu mais de R$ 10 milhões da gestão do prefeito Gilberto Kassab, seu colega de partido.
O valor equivale a dois anos e meio de contrato da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) para cobertura dos riscos de morte e invalidez de mutuários e de danos físicos das unidades habitacionais.
Ex-presidente da Indiana, Afif deixou a secretaria na gestão José Serra/Alberto Goldman (PSDB) há 15 dias para disputar a eleição; deve ser vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin.
Em nota, o ex-secretário afirmou que se afastou da presidência da seguradora em 2006 para concorrer ao Senado, “respondendo só como membro do conselho” da firma.
O contrato da Cohab com a Indiana, cujo valor inicial era de R$ 329 mil por mês, foi assinado em outubro de 2007, quando o irmão de Afif, Cláudio Afif Domingos, respondia pela presidência da empresa.
À época, o presidente da Cohab era Marcelo Rehder, atual secretário-adjunto de Comunicação de Kassab. Em janeiro deste ano, a Cohab prorrogou o contrato até outubro pelo valor mensal de R$ 422 mil, ou seja, 28% a mais.
O primeiro pregão eletrônico para contratar o seguro das unidades da Cohab foi considerado fracassado por Rehder em julho de 2007 sob a alegação de que a proposta vencedora, da AGF Brasil Seguros, estava acima do valor referência da companhia.
Na ocasião, a Indiana havia sido desclassificada. Na sequência, a Cohab iniciou outro pregão eletrônico vencido em outubro pela Indiana.
Em nota, a Cohab informou que “não há irregularidade no contrato” com a Indiana e destacou que três concorrentes participaram do pregão vencido pela empresa de Afif.
A companhia afirmou ainda que “não houve alteração no valor do prêmio/alíquota de cobertura nas renovações”, mas aumento do número de mutuários assegurados pela Indiana.
Afif afirma que a Indiana foi criada em 1943 e ficou com os Afif Domingos até 1997, quando seu controle foi adquirido pela Bradesco Seguros, mas membros da família permaneceram na administração.
Balanço da empresa, porém, indica que, até o início de 2008, os Afif tinham 60% das ações e o Bradesco, 40%. À época, ela foi vendida ao grupo Liberty Seguros e passou a ser presidida pelo argentino Luís Maurette, mas Afif e o irmão ainda são sócios-diretores e membros do conselho de administração, com participação nos lucros.
Em nota, o ex-secretário de Trabalho do governo Serra, Guilherme Afif Domingos, afirmou que não ocupa a presidência da Indiana desde 2006, quando se afastou para concorrer ao Senado e, em seguida, assumir a secretaria.
Afif diz que “já estava afastado da administração e do dia a dia da empresa” em outubro de 2007, quando o contrato com a Cohab foi assinado.
Segundo ele, a Indiana foi vendida à Liberty Seguros naquele mês e ele e o irmão permaneceram como membros do conselho, “não tendo nenhum tipo de gestão, nem de participação na mesma”. Ele ainda afirma “desconhecer totalmente” o contrato. As informações são do Jornal da Tarde.