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sábado, 25 de fevereiro de 2012

FICHA LIMPA - Turma da renúncia já está enquadrada

O julgamento ainda não acabou, mas uma coisa os votos dos ministros do STF já resolveram: quem renunciou para escapar de cassação está inelegível

por
Mario Coelho

Inelegível até 2023: esse é o provável futuro político do ex-governador do DF Joaquim Roriz

Joaquim Roriz, Paulo Rocha e José Borba têm mais em comum do que o ato de renunciar ao mandato concedido pelos eleitores para escapar da cassação no passado. No presente e no futuro, eles compartilham o fato de que deverão ser considerados inelegíveis nas próximas eleições pela Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10). Roriz, ex-governador do Distrito Federal, tinha a pretensão de retomar sua vida política da cidade em que a começou, candidatando-se à prefeitura de Luiziânia (GO).
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A inelegibilidade dos três deve ser decretada caso o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme o entendimento projetado na sessão de ontem, que foi interrompida quando a votação pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa estava em quatro a um. Desde que começou a julgar três ações que pedem a declaração de constitucionalidade das novas regras de inelegibilidade, os ministros que se pronunciaram até o momento foram unânimes em reconhecer a renúncia para escapar da cassação como motivo para decretar a inelegibilidade.

Até agora, cinco ministros se manifestaram. Entre eles, existem discordâncias em outros trechos da lei, especialmente nos casos enquadrados na alínea E, que trata da modificação da lei: a inelegibilidade a partir de condenação por órgão colegiado da Justiça e seus prazos.

Posição da maioria
O relator das três ações, Luiz Fux, considerou desproporcional a fixação do prazo de oito anos de inelegibilidade após o cumprimento da pena. O ministro José Antonio Dias Toffoli discorda da possibilidade de tornar inelegível quem foi condenado apenas por uma corte de juízes e ainda tem possibilidades de recurso. Porém, até agora, existe unanimidade com relação à questão da renúncia. E, projetando-se os demais votos, já se pode inferir que essa será a posição da maioria.

Dos seis ministros da corte que ainda vão votar, pelo menos dois já se manifestaram favoravelmente à possibilidade da inelegibilidade após a renúncia. Carlos Ayres Britto e Ricardo Lewandowski participaram dos julgamentos envolvendo o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e do senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Em diferentes momentos, os dois deixaram os cargos para evitar cassação.

Se os dois mantiverem suas posições, a alínea K, que prevê a inelegibilidade de oito anos para quem renunciar o mandato após apresentação de petição capaz de resultar em cassação, ganha o apoio de sete dos 11 ministros. E fica ratificada a inelegibilidade de políticos como Roriz, Paulo Rocha e José Borba.

Roriz fora até 2023
Entre eles, o que tem a situação mais delicada é o ex-governador do DF. Em 2007, ele renunciou ao mandato de senador. Na época, uma representação do PSol acusava Roriz de negociar uma partilha de R$ 2,2 milhões com o presidente do BRB. O dinheiro teria saído dos cofres públicos. Roriz poderá ficar inelegível até fevereiro de 2023, oito anos depois do prazo em que seu mandato de senador terminaria.

Roriz chegou a se candidatar a governador do Distrito Federal em 2010. No entanto, teve seu registro de candidatura barrado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). Ele recorreu, mas tanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto o STF confirmaram a decisão. Sua esperança era que os ministros da mais alta corte do país considerassem agora inconstitucional a alínea K.

Ex-líder do PMDB na Câmara, atual prefeito de Jandaia do Sul, no Paraná, José Borba (PP-PR) renunciou em 2005 ao mandato de deputado federal para evitar a cassação. Ele era acusado de ser um dos beneficiários do mensalão do PT. Foi eleito prefeito em 2008, mas pode ficar impedido de disputar eleições até 2015.

Assim como Borba, o petista Paulo Rocha (PA) foi citado no mensalão e renunciou em 2005 para escapar da cassação. No ano seguinte, foi eleito deputado, função que exerceu até 2010. Candidatou-se ao Senado e obteve a terceira maior votação no estado. Inicialmente teve o registro de candidatura indeferido, mas acabou beneficiado pela decisão do STF de adiar a aplicação da ficha limpa para 2012.

Exceções
Apesar de ficar conhecida como a possibilidade de cassação após a renúncia, a alínea K precisa ser aplicada na íntegra para funcionar. Ela determina que a inelegibilidade seja aplicada “desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo”. Nos últimos anos, parlamentares renunciaram por conta de denúncias. Mas nem em todos os casos existiam processos contra eles.

O caso mais conhecido envolve o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Ele foi um dos parlamentares que renunciou ao mandato em 2005 por conta do seu suposto envolvimento no mensalão do PT. Investigado pela CPI dos Correios, acabou deixando o cargo. Porém, ao se candidatar em 2010 para um novo mandato na Câmara, conseguiu o registro de candidatura.

A tese vencedora no TSE deixa clara a necessidade de existir uma representação contra o parlamentar que resulte em cassação. Ou seja, protocolada ou na Corregedoria da Câmara ou no Conselho de Ética. Valdemar foi investigado pela CPI, mas não chegou a ser protocolado pedido de cassação contra ele.

É a mesma situação do ex-deputado e ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Carlos Rodrigues. Ele saiu da vida política depois que renunciou ao mandato, em 2005, por suposto envolvimento no mensalão. Na época, porém, a Câmara não chegou a abrir procedimento investigatório contra ele, apesar dele ter prestado depoimento na CPI dos Correios.

Ações

Os ministros julgam em conjunto três ações. Duas pedem a declaração de constitucionalidade da ficha limpa e a outra a inconstitucionalidade de um trecho da lei. O PPS e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entraram com ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) no ano passado. As entidades querem que o Supremo decida se a ficha limpa está de acordo com a Constituição Federal ou não. O partido e a entidade são favoráveis à aplicação da lei, mas querem uma garantia definitiva de que ela será respeitada.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi apresentada pela Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL). A entidade questiona dispositivo da chamada Lei da Ficha Limpa que declara inelegível quem for excluído do exercício da profissão por decisão de conselho profissional.

Por um critério de desempate, os ministros decidiram no início do ano que as novas regras de inelegibilidade haviam sido válidas para as eleições de 2010. Depois, com o quorum completo após a posse de Luiz Fux, o entendimento da corte foi modificado. A tese vencedora foi de que as novas regras de inelegibilidade devem respeitar o princípio da anualidade previsto no artigo 16 da Constituição Federal. A Carta Magna prevê que leis que alterem o processo eleitoral só passam a valer a partir de um ano após a sua publicação. 

Fonte Congresso em Foco

    

sábado, 18 de fevereiro de 2012

FICHA LIMPA - Mensaleiros podem ficar fora das eleições até 2020 #MensalãoJá

Pela lei, condenados por órgãos colegiados não podem disputar por pelo menos oito anos
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BRASÍLIA - A Lei da Ficha Limpa, validada pelo Supremo Tribunal Federal na quinta-feira, poderá ter forte impacto sobre a política nacional, a começar pelos réus do mensalão, o escândalo mais rumoroso do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se os políticos do grupo forem condenados este ano, ainda que com penas baixas, estarão proibidos de concorrer a cargos eletivos, no mínimo, até as eleições de 2020. Pela lei, políticos condenados por órgãos colegiados, como o STF, não podem disputar eleições por pelo menos oito anos.Até a aprovação da Lei da Ficha Limpa em 2010, condenações em processos criminais resultavam na inelegibilidade por apenas três anos. O ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão, disse que o processo poderá ser julgado ainda no primeiro semestre deste ano. Entre os réus do processo que poderão ter as carreiras duramente atingidas estão alguns dos principais líderes do PT como o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino e o deputado João Paulo Cunha. O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, que vinha se preparando para as eleições deste ano, corre o risco de se ver obrigado a mudar os planos políticos antes mesmo do próximo pleito.
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O mesmo pode acontecer com o ex-deputado Roberto Jefferson, atual presidente do PTB, Bispo Rodrigues, ex-PR, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto (PR), entre outros. José Dirceu e Roberto Jefferson tiveram os mandatos cassados em 2005 e, desde então, perderam o direito de concorrer a cargos eletivos até 2014. Com uma eventual condenação no processo criminal em curso no STF, a punição poderia ser ampliada por um prazo igual ou superior a oito anos.
O artigo 2º da Lei da Ficha Limpa torna inelegível “os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de oito anos após o cumprimento da pena, pelos crimes: contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público”. Nessa relação constam ainda pelo menos mais dez diferentes tipos de crimes que também podem levar à perda do direito de candidatura a cargo eletivo.

Punições podem ser mais longas
Um detalhe do texto pode tornar a punição ainda mais longa: o prazo de proibição de candidaturas começa a ser contado depois da condenação. Exemplo: se um dos acusados for condenado a dez anos de prisão, a restrição à candidatura pode levar quase duas décadas.
- Essa lei vai tirar muita gente da política brasileira. Vai obrigar os partidos a escolher melhor os seus candidatos. No fundo, vai fortalecer a política - afirma o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante.
A ampliação do prazo de inelegibilidade vale até para políticos que estão no exercício do mandato. Segundo Ophir, o fato de terem sido eleitos não invalida a aplicação das novas regras para as eleições a partir deste ano. O ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA) também pode ser atingido pelas novas regras. O ex-deputado renunciou ao mandato em 2005, no auge do escândalo do mensalão, para escapar a um processo por quebra de decoro. Pela lei, a renúncia para fugir a uma eventual punição também implica a perda dos direitos de se candidatar por oito anos. Procurado pelo GLOBO, ele preferiu não falar a respeito da decisão do Supremo.
- Eu não quero falar muito sobre isso porque essas coisas ainda estão muito indefinidas. Como eu estou envolvido em outro julgamento, não quero falar sobre isso - disse Paulo Rocha.
A contagem do prazo começa a partir do fim da legislatura de quem renuncia. No caso de Paulo Rocha, isso aconteceu em dezembro de 2006. Ou seja, o ex-deputado terá que ficar de fora das eleições até, no mínimo, dezembro de 2014. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) também pode ser atingido. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato de governador da Paraíba em 2009 por irregularidades na campanha de 2006. Pela Lei da Ficha Limpa, ele deveria ficar inelegível até 2014, oito anos após a eleição em que cometeu os atos ilícitos.
Mas o acórdão do TSE estipulou que ele ficaria inelegível por três anos a partir de 2006. Como o STF decidiu apenas pela constitucionalidade da lei, sem analisar casos concretos, essa questão ainda está em aberto.
- A lei foi analisada em tese e não desce a minúcias. O Supremo analisou duas coisas: considerou que a lei é constitucional e se aplica a casos pretéritos - disse o secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Coelho.
A Lei da Ficha Limpa também atingirá boa parte dos políticos supostamente envolvidos no mensalão do DEM, fisgados na Operação Caixa de Pandora. Entre eles, o ex-governador do DF José Roberto Arruda.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

POLÍTICA : Conselho de Ética da Câmara arquiva caso Valdemar Costa Neto

Defesa do deputado sustentou que não havia nada a investigar

O Conselho de ética da Câmara decidiu arquivar, por 16 votos a dois, o caso do deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP) sem sequer abrir investigação. O relator, Fernando Francischini (PSDB-PR), pediu ao colegiado a abertura do processo, mas seus colegas decidiram que não havia por que investigar Valdemar.

O PR mobilizou suas principais lideranças na Casa para acompanhar a sessão, como o líder, Lincoln Portela (MG), e o vice-líder do governo, Luciano Castro (PR-RR). A base aliada fez coro com o argumento da defesa de Valdemar de que não havia nada a investigar.

— Não se pode banalizar o Conselho de êtica. Não se pode sempre que sair acusação na imprensa trazer para cá — disse Amaury Teixeira (PT-BA).

— Essa representação é pirotecnia, denuncismo barato — afirmou Wladimir Costa (PMDB-PA).

Valdemar foi levado ao Conselho de êtica pelo PSOL e o PPS. Os partidos reuniram denúncias veiculadas pela imprensa que apontam a participação do deputado em reuniões no Ministério dos Transportes nas quais se pedia a empresários o pagamento de propina para a liberação de recursos.

Consta também do pedido de investigação um vídeo no qual Valdemar negocia a liberação de recursos do Ministério para que o deputado Davi Alves Silva Júnior ingresse no PR.

A representação também traz um trecho de entrevista de Valdemar a uma rádio de Mogi das Cruzes na qual ele diz "querer" uma diretoria de um banco público para ajudar aliados a liberar verbas. Um aditamento incluiu ainda no escopo da investigação a denúncia de fraudes na "Feira da Madrugada" em São Paulo.


ConstrangimentoValdemar fez sua defesa pessoalmente durante 15 minutos. Rebateu cada ponto da acusação e disse não haver nada que desabone sua conduta. Atribuiu as denúncias ao aproveitamento de uma crise política. O advogado dele, Marcelo Bessa, reforçou que não podia se abrir investigação sobre o "nada".

Francischini rebateu o argumento lembrando a crise que levou à demissão de diversas pessoas da cúpula do Ministério dos Transportes.

— Se não existe nada nos Transportes porque a presidente Dilma demitiu o ministro e 20 integrantes da cúpula? — questionou o tucano.

A declaração provocou reação dos partidários de Valdemar. O líder, Lincoln Portela, destacou que foi Alfredo Nascimento quem pediu demissão e defendeu a gestão do partido na pasta.

No fim, o relator ainda tentou sensibilizar os colegas lendo uma carta de seu filho, de 18 anos, na qual ele dizia passar constrangimento por ser filho de um deputado e dizia acreditar que no Conselho havia outros deputados como ele que "não vendem a alma por cargo ou dinheiro".

O deputado Mauro Lopes (PMDB-MG), aliado do deputado do PR, ironizou afirmando que os filhos de Valdemar também têm este mesmo pensamento.

Fonte AGÊNCIA ESTADO http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Pol%EDtica&newsID=a3505620.xml

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

QUEIMA DE ARQUIVO - Testemunha contra corrupção no PR morre depois de ser baleado

Testemunha contra corrupção no PR morre depois de ser baleado em assalto

SÃO PAULO - Testemunha que seria ouvida pela Polícia Federal em investigação de corrupção envolvendo o deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP), o empresário Geraldo de Souza Amorim, de 61 anos, morreu na madrugada desta terça-feira em São Paulo, no Hospital São Luiz, depois de ter sido baleado durante uma tentativa de assalto ao seu sítio, em Tatuí (SP). Dois suspeitos do assalto, ocorrido na noite do último sábado, segundo a polícia, estão presos. Geraldo era administrador da antiga Feira da Madrugada, no Brás, na região central de São Paulo.

Com o sucesso da feira, criada em 2005, em julho deste ano Geraldo Amorim denunciou que estava recebendo ameaças e pedidos de propina. Para conseguir montar o negócio ele recebeu da antiga Rede Ferroviária Federal o direito de explorar o local. No entanto, o delegado-titular de Tatuí, Alexandre Andreucci, disse que as investigações indicam que a morte não tem qualquer ligação com a denúncia.

Plantão
Publicada em 20/09/2011 às 20h31m
Adauri Antunes Barbosa (adauri@sp.oglobo.com.br)
- O caso é de roubo mesmo. Segundo as informações, ele passava o fim de semana aqui e trazia dinheiro - afirmou o delegado.

'O caso é de roubo mesmo. Segundo as informações, ele passava o fim de semana aqui e trazia dinheiro '

Três homens invadiram o sítio na noite de sábado, por volta de 23h, e renderam Geraldo e a sua mulher, e dois ficaram do lado de fora. Provavelmente, conforme a polícia, um segurança do sítio reagiu e trocou tiros com os assaltantes. O ex-administrador da Feira e dois suspeitos foram atingidos.

Pouco depois guardas municipais prenderam os suspeitos na região, um supervisor de vendas de 25 anos e um estudante de 23 anos, com o qual foi encontrado um revólver calibre 38 com a numeração raspada. Um deles levou um tiro no peito e o outro teve ferimentos no pescoço e no braço esquerdo. Os dois foram levados para um hospital de Tatuí.

Em 31 de março deste ano o vereador Agnaldo Timóteo (PR), de São Paulo, mandou uma carta a Geraldo Amorim na qual fala sobre o pagamento de R$ 300 mil mensais para "oportunistas" do PR. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) enviou a carta ao Ministério Público Federal, que pediu abertura de inquérito pela Polícia Federal porque o documento "indica a prática, em tese, de crime contra a administração pública por membros do PR".
O vereador e cantor Agnaldo Timóteo explica, na carta, a demissão da filha de Geraldo de seu gabinete, o chama de "amigo" e lembra que o levou para reuniões com o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que é do PR, e com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Agnaldo ainda diz, na carta, que a Feira da Madrugada era uma "galinha dos ovos de ouro" e afirma que Geraldo "perdeu" o negócio por ter "peitado o Waldemar" (o deputado Valdemar da Costa Neto).
- O Valdemar é o PR em São Paulo. É quem manda. Mas ele estava indignado porque alguém disse para ele que o Geraldo estaria usando o terreno de maneira indevida - disse Agnaldo Timóteo, que aponta o empresário Aílton Vicente de Oliveira, então síndico do Condomínio Novo Oriente, que administrava a Feira, como o responsável por ter "derrubado" Geraldo: - Ele era o inimigo do Geraldo.

Antes da Feira ser fechada, Aílton Oliveira foi escolhido síndico pelos lojistas. Ele admitia cobrar R$ 300 mensais dos comerciantes para manutenção e pagamento de luz. A prefeitura de São Paulo, que quer construir um shopping popular no local, fechou a Feira depois de conseguiu, em abril, que o governo federal passasse a guarda da área para o município

sexta-feira, 26 de março de 2010

MENSALÃO DO PT - José Dirceu envia judicialmente oito perguntas à Lula em busca de subsídios para sua defesa


Tiago Pariz
Publicação: 26/03/2010 07:00



O ex-ministro José Dirceu (PT) quer a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em documento incluído no processo contra ele que corre no Supremo Tribunal Federal, o deputado cassado apresentou oito questões para Lula responder. Elas tratam dos papéis que Dirceu desempenhou na campanha presidencial de 2002, à frente da Casa Civil e internamente no Partido dos Trabalhadores.

O mais importante é que José Dirceu quer que Lula corrobore a versão de que ele não participou de qualquer negociação financeira na campanha de 2002. E, no específico, quer ouvir do titular do Planalto que não tratou do acordo entre PT e PL (hoje PR). Segundo o ex-presidente da legenda, deputado Valdemar Costa Neto (SP), o negócio foi fechado em R$ 10 milhões.

O ex-ministro quer o aval do presidente para reforçar sua tese de que não teve qualquer envolvimento no escândalo do mensalão e não fez negociata político-financeira com partidos, com o PT ou com o publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha de 2002 e réu no caso do mensalão.

Dirceu também pede para Lula afirmar se ele, “enquanto exerceu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, administrava questões internas do PT”. Na pergunta de número quatro, questiona se o presidente pode afirmar se, como ministro, “praticou algum ato indevido para beneficiar entidades privadas”, especificamente no que se refere a crédito consignado.

Um auxiliar do presidente ouvido pelo Correio leu o documento e disse que Lula não responderia a todas as perguntas. Achou descabido questionar o presidente sobre assuntos internos do PT. “Essa pergunta é para o Genoino”, afirmou, citando o deputado José Genoino (1) (PT-SP), também réu no mensalão, que na época era o presidente da legenda.

Núcleo base
Dirceu, Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares são apontados pelo Ministério Público como o núcleo político do mensalão. Delúbio é considerado o operador do esquema por ter distribuído o dinheiro aos partidos aliados. Antes da eleição, segundo as investigações, houve uma reunião entre PT e PL para discutir o apoio, que só teria sido fechado graças ao compromisso de repassar R$ 10 milhões. Em depoimento à CPI dos Correios, em 2005, Valdemar disse que o repasse foi negociado com Delúbio e isentou o presidente Lula de qualquer participação. Sequer citou Dirceu. Depois, em entrevistas, o deputado do PL afirmou que Dirceu tratou pessoalmente do valor e disse que Lula soube do acordo financeiro. Se conseguir convencer o ministro Joaquim Barbosa de que essa negociata não teve o dedo do ex-ministro, a defesa do ex-ministro acredita que dará um passo importante para inocentá-lo.

Na avaliação do auxiliar do presidente, Dirceu deveria ter se limitado a três perguntas e não se alongar em questionamentos sobre se houve ilicitudes na votação das reformas (2) da Previdência e Tributária, como feito nos questionamentos de números cinco e seis, ou se há problemas em um ministro receber representantes de empresas privadas ou financeiras. A defesa termina o questionário perguntando se Lula conhece algum fato que desabone a pessoa de José Dirceu de Oliveira e Silva. Essa questão também foi classificada como subjetiva e desnecessária pela fonte ouvida pela reportagem.

O presidente ainda não respondeu as questões formuladas e encaminhadas pelo Ministério Público há cerca de três meses. As perguntas de Dirceu, elaboradas por sua defesa, estão dentro do processo cujo relator é o ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Isso não significa que o presidente figure como testemunha de algum dos réus, especialmente de Dirceu. O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB), que denunciou o mensalão, tem se recusado a enviar os questionamentos por entender que Lula deveria responder como acusado. O julgamento sobre se o presidente vira réu ou não estava marcado para quinta-feira da semana passada, mas foi adiado. Há uma expectativa dessa análise ficar para a próxima semana. Ministros têm dito que dificilmente isso ocorrerá, sustentando que o próprio Ministério Público não incluiu Lula na denúncia.

Procurada, a assessoria de imprensa de Dirceu informou que ele prefere se manifestar sobre a ação penal somente perante o Supremo Tribunal Federal.

1 - Renúncia à Presidência
No processo do mensalão, José Genoino foi denunciado por corrupção. Ele é acusado de negociar o pagamento a parlamentares da base aliada do governo Lula em troca de apoio político em votações importantes para o Executivo. Como consequência das denúncias, renunciou à Presidência do partido. Tempos depois, elegeu-se deputado federal.

2 - Repasses e votações
Durante a CPI dos Correios, a oposição elaborou um gráfico que tentava coincidir os saques de agências bancárias em Brasília por deputados e assessores com votações importantes do governo, como as reformas da Previdência e Tributária. Os governistas rechaçam qualquer vinculação e negam que os repasses a partidos aliados tenham sido motivados pelas votações. O dinheiro serviu, na versão do PT, para saldar dívidas de campanha através de caixa dois.

» Memória
Recompensa aos partidos fiéis


O acordo entre o PT e o PL só foi efetivado porque os petistas se comprometeram a repassar R$ 10 milhões aos cofres da legenda aliada, segundo a versão do então presidente da legenda e deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Esse valor, de acordo com ele, jamais foi pago integralmente. Durante o governo, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, repassou em prestações um total de R$ 6,5 milhões, que Valdemar admite ter recebido. O Partido dos Trabalhadores também pagou ao PTB, de Roberto Jefferson, que reconheceu que embolsou R$ 4 milhões.

Segundo Delúbio, depois da vitória de Lula, o PT acumulou dívidas imensas e difíceis de serem quitadas. Foi quando teria aparecido um facilitador, o empresário Marcos Valério de Souza, que abriu as portas financeiras de bancos de conhecidos dele, pegando empréstimos em nome de suas agências de publicidade SMPB e DNA Propaganda e repassando ao partido aliado.

Nessa época, os envolvidos contam que o PT vivia em bonança; deputados e assessores se revezavam para sacar dinheiro, dívidas eram quitadas sem pestanejar. O complicador do esquema é a suspeita de fraude em fundos de pensão para desviar recursos ao esquema. O segundo problema é que dinheiro público teria irrigado os caixas do escândalo. O Banco do Brasil, que administra o fundo da Visanet, antecipou pagamento de R$ 23,3 milhões para a DNA Propaganda, de Marcos Valério, por um serviço que suspeita-se não ter sido realizado.