Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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quarta-feira, 28 de março de 2012

PROPINA NO RIO II - Empresas Corruptoras por Jorge Hage da @CGU

Não só no Brasil, mas no mundo inteiro, é passada a hora de as empresas privadas deixarem a cômoda postura de colocar-se como inocentes "vítimas" da corrupção. E a mais recente (e primorosa) reportagem do "Fantástico", da Rede Globo, dispensa-me de gastar espaço aqui explicando por quê. O que foi mostrado ali é autoexplicativo e exemplar.

Temos participado de todos os fóruns internacionais onde se debatem meios e formas de combater a corrupção; e um tema importante na agenda global é justamente a necessidade de envolver o setor empresarial nesse esforço. Por uma razão óbvia: a corrupção tem dois lados - até em sua tipificação nos códigos penais ela é a "ativa" e a "passiva". Está nos "dois lados do balcão".

O problema é que nunca se deu a devida atenção ao "lado externo", apenas se demonizando o funcionário corrompido. Óbvio que esse tem de ser punido. E, de uns tempos para cá, tem sido. Não é por outra razão que mais de 3.600 agentes públicos já foram demitidos da administração federal nos últimos nove anos, a partir da criação da CGU. Mas, e o empresário corruptor? Sem ele não haveria o crime, ao menos na espécie aqui focalizada - suborno ou propina, confessadamente referido por uma das corruptoras como da "ética do mercado".

O que ocorre é que, em primeiro lugar, sua punição mais séria depende do Judiciário e este, como sabemos, não consegue aplicar as penas, porque as leis processuais permitem tal número de recursos e protelações que as sentenças nunca transitam em julgado.

Em segundo lugar, ainda que se punisse o empresário, o dono da empresa, o gerente ou o sócio, tal sanção alcançaria hoje apenas a pessoa física cuja culpa estivesse individualmente comprovada, o que, se sabe, é sempre difícil nessa espécie de crime, que não deixa digitais nem enseja flagrante. (Nem mesmo as excelentes imagens do "Fantástico" poderiam ser usadas como prova, pois, sabe-se, a Justiça não aceita o "flagrante preparado", embora possam servir como ponto de partida para a formulação de outras provas.)

Para que o poder público possa alcançar a empresa e seu patrimônio, sem depender da individualização de responsabilidades, seria preciso que o Congresso aprovasse um projeto de lei enviado pelo governo em fevereiro de 2010 e que hoje está sob a relatoria do deputado Carlos Zarattini (o PL 6.826).

Esse projeto institui a responsabilização objetiva da pessoa jurídica (ou seja, independentemente de culpa de A ou B na estrutura da empresa), nas esferas cível e administrativa, facilitando o hoje difícil ressarcimento do dano causado ao patrimônio público. Isso é essencial porque normalmente a corrupção resulta da ação conjunta de vários indivíduos, de hierarquias distintas. Veja-se que, no caso do "Fantástico", as empresas já se apressaram em dizer que não autorizaram seus funcionários a oferecer propina e, assim, não seriam responsáveis pelo ocorrido... É sempre muito difícil provar quem deu a ordem para que o preposto suborne o servidor. A nova lei afastará a necessidade dessa prova, bastando demonstrar que a empresa se beneficiaria do "esquema".

Mas, para que esses processos não se arrastem por anos a fio, será preciso que se alterem as leis processuais e se aprove também a PEC n 15, que retira o efeito suspensivo dos recursos excepcionais ao STJ e ao STF.

Mesmo sem isso, porém, aquela lei já melhoraria muito a situação, pois prevê a aplicação de sanções também pela própria administração, tais como as multas de até 20% do faturamento bruto e o impedimento de receber benefícios fiscais, além do ressarcimento do prejuízo.

Hoje, a sanção máxima que o governo pode aplicar é a declaração de inidoneidade, que impede a participação em novas licitações e contratos. O cadastro exibido no site da CGU já conta com quase seis mil empresas impedidas (inclusive uma daquelas da reportagem já havia sido punida dessa forma).

Além de tudo isso, a aprovação do projeto de lei atenderia ao último compromisso de ordem normativa ainda não cumprido pelo Brasil perante a Convenção da OCDE contra o Suborno Transnacional.

Fica o apelo aos congressistas.




Fonte CGU

sábado, 22 de outubro de 2011

CORRUPÇÃO E SUBORNO - Blatter agora 'moralizador' ameaça Ricardo Teixeira

RODRIGO MATTOS
ENVIADO ESPECIAL A ZURIQUE
Em cruzada para limpar a imagem da Fifa, o presidente Joseph Blatter prometeu na sexta-feira reabrir o caso ISL (International Sports and Leisure), em que houve propinas recebidas por cartolas da entidade.

Câmara instala comissão para investigar Teixeira
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É o maior escândalo de corrupção da organização máxima do futebol. A promessa dele, no entanto, não é uma garantia de que se tornarão públicos os nomes dos subornados. A ameaça de mexer no caso atinge o presidente do COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014, Ricardo Teixeira, que, segundo a BBC, recebeu propinas.

Afeta o ex-presidente da Fifa João Havelange. E pode opor o comitê da Copa ao presidente da Fifa. Outros membros do Comitê Executivo podem ser afetados. Só que esse foi o único trunfo de Blatter para mostrar estar engajado em uma luta contra a corrupção.

 Fabrice Coffrini/France Presse

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, durante entrevista, em Zurique


"É um dossiê complexo [o da ISL]. É complicado, com repercussões legais. O Comitê Executivo, por meu pedido, concordou que em dezembro nós vamos abrir esse arquivo", disse o cartola.

Segundo o dirigente, os documentos serão entregues para uma auditoria após 17 de dezembro, na próxima reunião do Comitê Executivo da Fifa. Na mesma data, eles se tornariam públicos.

A questão é que o processo da ISL foi encerrado em 2010, com sigilo na Justiça suíça. Concluiu-se que US$ 100 milhões foram pagos em subornos a dirigentes, mas seus nomes não foram revelados após eles pagarem multas.

O advogado e jornalista Jan François Tanda entrou com uma ação para pedir a revelação dos documentos. Mas a Fifa e dois dirigentes, descritos como Y e Z, lutam para impedir a publicação. Outros processos foram abertos por jornais e TVs.

"Se a Fifa quiser, é só desistir do processo que ele se torna em parte público", explicou Tanda. "Tem que saber se as outras partes também vão desistir do sigilo". Se os dois cartolas mantiverem a luta pelo sigilo, a Justiça suíça terá de decidir o que se torna público, explicou Tanda.

 Antonio Lacerda-29.jul.2011/Efe

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio, em julho de 2011


E os nomes deles podem continuar anônimos. Até agora, os procuradores suíços concordaram, por duas vezes, em liberar os documentos. Mas os dirigentes recorreram, e o caso deve ir a cortes inferiores e superiores.

E os membros do Comitê Executivo não se manifestaram claramente a favor da liberação dos documentos. Até porque Blatter não colocou a questão em votação. "Não botei em voto, mas ninguém se manifestou contra", disse ele.

Na reunião, estavam Teixeira e o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, outro possível implicado no caso. A assessoria do presidente do COL e da CBF não respondeu às ligações da Folha. 

sexta-feira, 19 de março de 2010

CONDENADO À MORTE - Árbitro de Copa do Mundo pode ser condenado à pena de morte


Lu Jun, que apitou duas partidas da Copa do Mundo de 2002 (Croácia x México e Polônia x Estados Unidos), pode ser sentenciado à morte na China. De acordo com o jornal espanhol Marca, ele foi preso junto a outros dois árbitros, Zhou Weixin e Junjie Huang, todos suspeitos de receberem suborno para alterar resultados de jogos.
A polícia chinesa afirma ter provas concretas do envolvimento dos três em uma trama de manipulação de resultados, com quantias que giram em torno de 10 mil euros (R$ 24,3 mil), segundo informações do jornal. Por Jun - aposentado do futebol desde 2005 - ser funcionário publico, se ele for considerado culpado, sua sentença pode ir de 10 anos de prisão à sentença de morte.
Ainda de acordo com a publicação, a corrupção em todos os níveis da liga de futebol da China é tão grande, que as autoridades reuniram centenas de árbitros e treinadores nas periferias de Pequim e Guangzhou para que eles se reeduquem e confessem seus crimes.

 


 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Jornalista Edson Sombra diz ter sido vítima de "cooptação" a mando do governador Arruda

16:22 05/02/2010, Correio Braziliense
O jornalista Edmilson Edson dos Santos confirmou há pouco em sua residência que foi vítima de "cooptação" que teria sido feita, segundo ele, pelo governador José Roberto Arruda (sem partido). Segundo Sombra, como o jornalista é conhecido na cidade , três intermediários participaram das supostas negociações entre ele e o governador.

O primeiro interlocutor teria sido Geraldo Naves (DEM), o segundo trata-se do secretário-chefe da Agência de Comunicação do governo, Weligton Moraes, e o terceiro, Antônio Bento da Silva, que foi preso na manhã desta quinta-feira (4/2) durante ação da Polícia Federal na Torteria de Lorenza, no Sudoeste.

Segundo Edson Sombra, ele exigiu do governador Arruda uma prova de que estaria disposto a fazer a negociação. Essa prova seria uma carta, um bilhete escrito de próprio punho pelo governador no qual ele envia mensagem codificada ao jornalista. Segundo Sombra, Arruda teria pedido para que ele assinasse uma carta desqualificando os vídeos do suposto esquema de corrupação á Policia Federal.

O governador também teria pedido um vídeo que incriminasse o braço direito do ex-governador Joaquim Roriz, Valério Neves. Segundo Sombra, por esse vídeo, Arruda estaria disposto a pagar R$ 1 milhão.