Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
Mostrando postagens com marcador massacres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador massacres. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MASSACRE DO CARANDIRU - Réu no caso Carandiru assume a Rota

Coronel Modesto Madia e outros 28 policiais são acusados de matar 76 presos no processo do massacre na Casa de Detenção, em 1992

 Marcelo Godoy e William Cardoso, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Réu no processo do massacre da Casa de Detenção de São Paulo, o tenente-coronel Salvador Modesto Madia foi nomeado ontem o novo comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Madia não é qualquer réu no processo. Depois do coronel Ubiratan Guimarães - absolvido da acusação de ser responsável por 102 das 111 mortes -, Madia e outros 28 policiais são acusados de matar 76 presos no Pavilhão 9 do presídio, que ficava no Carandiru, zona norte de São Paulo.
O massacre de 111 presos aconteceu no dia 2 de outubro de 1992 e é considerado um divisor de águas dentro da PM. Na época, uma briga entre detentos do pavilhão provocou uma rebelião. A Tropa de Choque foi chamada para abafar a revolta e retomar o controle. De acordo com a denúncia, os 80 policiais invadiram o pavilhão e mataram os presos - nenhum oficial morreu. Depois do massacre, dezenas de PMs foram afastados da Rota, o então secretário da Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, pediu demissão e a PM criou programas de controle da violência letal.

O anúncio de Madia para assumir a Rota foi feito ontem pelo comando da Polícia Militar e pela Secretaria da Segurança Pública. É uma aposta por ele ser um integrante da corporação respeitado pela tropa.

A escolha recebeu críticas de entidades de defesa dos direitos humanos. “Alguém que participou do massacre do Carandiru não pode receber nem promoção, quanto mais chegar a um cargo tão sensível quanto o comando da Rota”, afirmou o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ivan Seixas.

Em nota divulgada ontem, o coronel prometeu combater “o crime com inteligência” e disse estar orgulhoso. Ele substituirá o tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, que se aposentou na semana passada. Madia, segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, era o quarto homem na linha de comando da tropa que retomou o 2.º andar do Pavilhão 9. Sob o comando do então capitão Valter Alves Mendonça, a tropa que ali atuou matou 76 dos 111 presos. Em média, cada um deles recebeu 4,5 tiros - a maioria na cabeça e no tórax. Muitos dos detentos foram atingidos nas costas. Os PMs alegam legítima defesa.

O nome do novo comandante da Rota está na folha 32 da denúncia. A 2.ª Vara do Júri de São Paulo decidiu mandar Madia e os demais réus a julgamento pelas mortes - até agora, só o coronel Ubiratan foi julgado - e pelo espancamento de presos depois de controlado o motim. Os réus recorreram da decisão e aguardam decisão do Tribunal de Justiça para saber se vão ou não a júri.

Confronto. Madia já havia trabalhado de 1986 a 1988 e de 1991 a 1993 na Rota e era o chefe operacional do Comando de Policiamento de Choque (BPChoq). Desde 2009, a Rota se transformou em um dos principais instrumentos de combate ao crime organizado no Estado. Madia negou que seu grupo tenha assassinado 76 pessoas, disse que tudo o que tinha para falar está relatado nos autos e que tem “total tranquilidade quanto ao que ocorreu”. Ele nega as execuções. “Foi confronto. Tenho certeza, tanto que deponho assim”, disse. Ele não vê problema em ser um dos acusados pelo massacre e assumir a Rota. “São atos inerentes à função do PM.”

 Fontes Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,reu-no-caso-carandiru-assume-a-rota,801733,0.htm

quinta-feira, 22 de abril de 2010

BRASIL - Crianças vivas


De: Vinicius Torres Freire:

A cada ano, cerca de 100 mil crianças morrem no Brasil antes do quinto aniversário; 70 mil delas antes do primeiro ano.
Ainda é um massacre silencioso: de cada mil crianças, 24 morrem antes dos cinco anos. Mas já foi muito pior, não faz muito tempo. Em meados dos anos 1990, essa taxa de mortalidade era quase três vezes maior.
Um estudo de uma equipe de nove pesquisadores do Ipea mostra como caíram as taxas de mortes infantis, entre outros indicadores. Tão importante quanto, revela que diminui também a desigualdade social na expectativa de vida das crianças.
Em 1996, a mortalidade na infância (a dos menores de cinco anos) era de 141 por mil entre as crianças classificadas como "extremamente vulneráveis".
Esses meninos vivem em famílias chefiadas por homens de cor negra, mães que não foram à escola e ausentes da casa, moradores da zona rural do Nordeste, com renda per capita menor que a da metade da linha de pobreza (R$ 24,90). Na média nacional, a mortalidade era de 64 por mil.
Em 2006, a mortalidade na infância na média brasileira caíra para 24 por mil; a dos meninos "extremamente vulneráveis", para 39 por mil.
A mortalidade infantil -mortes antes do primeiro ano- ainda é cerca de cinco vezes maior que a dos países desenvolvidos. Em 1996, era de 55 por mil, na média. Em 2006, de 21 por mil. Entre as crianças vulneráveis, a taxa caiu de 115 para 33.
A porcentagem de crianças com baixo peso ao nascer caiu a um nível similar à de países desenvolvidos.
O que aconteceu?
Segundo os pesquisadores do Ipea: 1) Redução rápida da pobreza extrema; 2) Expansão do acesso aos serviços básicos de saúde e saneamento, em especial entre os mais pobres; 3) Maior utilização dos serviços devido ao aumento da escolaridade dos pais e às campanhas de atenção básica à infância.
Grande parte da melhoria no acesso a serviços básicos de saúde pode ser atribuída ao Programa de Saúde da Família (PSF), dizem os pesquisadores.
O PSF foi criado em 1994 e expandido desde então -o atendimento é feito em unidades básicas de saúde (o posto de saúde renovado), por equipes de saúde que vão à casa das famílias.
Assinante do jornal leia mais em Crianças vivas