Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro disse Dom Pedro II
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MINISTÉRIO DO TRABALHO - Eles fabricam sindicatos (Dica da @nairpessoaf a quem agradeço)

Ministério do Trabalho promove o milagre da multiplicação, criando uma nova entidade a cada dia, e documentos revelam um mercado negro das cartas sindicais

Claudio Dantas Sequeira                         



A trajetória do ex-jornaleiro Carlos Lupi, que virou presidente do PDT e ministro de Estado, é um exemplo do quanto a política e os movimentos sociais no Brasil são capazes de transformar a vida de um cidadão. Foi a disciplinada militância de Lupi nos partidos e nos sindicatos que consolidou seu caminho até o Ministério do Trabalho. E desde que assumiu a pasta, em 2007, Lupi, associado ao deputado federal Paulinho da Força (PDT), ainda teve fôlego para tornar-se personagem de um novo milagre: o da multiplicação de sindicatos. Em apenas três anos de sua gestão no Ministério, foram concedidos 1.457 registros sindicais e há outros 2.410 pedidos em trâmite na Secretaria de Relações do Trabalho.

Nos primeiros seis meses deste ano, o ministro autorizou o funcionamento de 182 entidades sindicais, tanto de trabalhadores como patronais. Ou seja, em média surge um novo sindicato a cada dia no Brasil. Em vez de alta produtividade associativa, no entanto, parece haver uma situação de descontrole total na concessão de registros, como indicam uma avalanche de impugnações por parte de sindicatos históricos e o acúmulo de processos na Justiça do Trabalho. Há sinais contundentes de que a fabricação de sindicatos, federações e confederações vem atendendo a interesses políticos e partidários, não apenas trabalhistas. Denúncias, recebidas por ISTOÉ, indicam inclusive a existência de um balcão de negócios por trás da concessão das cartas sindicais, que chegariam a custar R$ 150 mil no mercado negro da burocracia federal.


MILAGRE
O ministro Carlos Lupi e o deputado Paulinho da Força promovem a
multiplicação das entidades que disputam contribuições de trabalhadores

A presidente da Federação Nacional dos Terapeutas (Fenate), Adeilde Marques, relata um episódio definitivo para revelar o tratamento diferenciado que estaria ocorrendo na burocracia federal. Quem paga, segundo ela, vai para o topo da fila das concessões de cartas sindicais. Quem se recusa a entrar no esquema pode ficar esperando indefinidamente pelo registro. Ela conta que, ao buscar a regularização da entidade junto ao Ministério do Trabalho, em Brasília, foi encaminhada ao escritório do sindicalista Miguel Salaberry, ligado à Social Democracia Sindical, hoje a nova central UGT, União Geral dos Trabalhadores. “Me pediram R$ 5 mil para que a carta sindical saísse mais rápido”, afirma. Indignada, Adeilde pediu apoio da Força Sindical. Foi pior. Em conversa com o próprio presidente da central em Sergipe, Willian Roberto Cardoso Arditti, o “Roberto da Força”, Adeilde foi informada de que a carta sindical poderia custar até R$ 40 mil. “Eu me recusei a pagar”, garante.

Roberto da Força é o mesmo personagem que aparece em denúncia da presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Nossa Senhora do Socorro, Edjane Silveira. Ao Ministério Público Federal, ela disse que não quis pagar o pedágio e trocou a Força Sindical pela CUT. Em retaliação, Roberto criou, com aprovação do Ministério, um clone do sindicato de Edjane com um nome quase idêntico: o Sindicato dos Servidores do Município de Nossa Senhora do Socorro (Sindispub). No comando desse Sindispub clonado está Joanes Albuquerque de Lima, que também preside outros sindicatos locais da Força Sindical. “Mesmo provando que o sindicato de Edjane já existia desde 2001, a Secretaria de Relações do Trabalho arquivou nosso processo de pedido de registro sindical”, reclama o advogado João Carvalho.

Há uma coleção de casos estranhos. Em São Paulo, o camelô José Artur Aguiar conseguiu fundar o Sindicato dos Trabalhadores em Casas Lotéricas, mesmo sem nunca ter trabalhado na atividade (o registro é contestado na Justiça). Em outro episódio, o Sindicato de Empresas de Desmanche de Veículos (Sindidesmanche), entidade patronal ligada à Força, ganhou sua carta sindical apesar de seus dirigentes – Mario Antonio Rolim, Ronaldo Torres, Antonio Fogaça e Vitorio Benvenuti – também comandarem, na outra ponta, uma entidade de trabalhadores, o Sintseve, que reúne inspetores técnicos em segurança veicular. O objetivo da multiplicação de entidades não é difícil de entender.


MANIFESTAÇÃO
Nesta semana, a Força Sindical reuniu 17 mil pessoas
em São Paulo para pedir redução da jornada de trabalho

Sindicalistas brigam para pôr as mãos na contribuição sindical dos trabalhadores. Só em 2010, R$ 1,2 bilhão foi arrecadado, sendo que 60% da bolada parou nos cofres dos sindicatos, 15% nas federações, 5% nas confederações e 10% nas centrais de trabalhadores. A criação de sindicatos clones é a maneira mais rápida de decidir a parada. Quando reconhece um novo sindicato, o Ministério do Trabalho fornece o código que permitirá à entidade ter acesso a uma conta-corrente na Caixa Econômica em que serão depositados os recursos do imposto sindical recolhido daquela categoria. Automaticamente, então, o novo sindicato passa a ser dono do cofre. O sindicalista Raimundo Miquilino da Cunha, presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, tem um bom exemplo de como funciona a clonagem oficial de entidades. A federação comandada por ele, fundada há quase 30 anos, tem 24 sindicatos e representava cerca de 400 mil trabalhadores, a maioria frentistas. Este contingente acabou abocanhado pela Força Sindical a partir da criação de sindicatos estaduais de frentistas. A tarefa de multiplicação coube a Antonio Porcino, dirigente da Força e ex-prefeito de Itaporanga (PB). Ele criou o Sindicato dos Empregados em Postos de Serviço de Combustíveis e Derivados de Petróleo de São Paulo, depois ajudou a fundar sindicatos de frentistas em vários Estados, inclusive no Rio de Janeiro. “O Lupi participou da inauguração do sindicato dos frentistas no Rio antes que a certidão sindical fosse publicada no ‘Diário Oficial’ ”, acusa Miquilino da Cunha.

O esquema que permite a clonagem e o fatiamento de entidades sindicais começou em 2008, a partir da Portaria 186, que estabeleceu novas regras para o registro sindical. O texto tinha por princípio combater a unicidade sindical nas entidades de grau superior (federações e confederações), mas acabou retalhando o movimento sindical e servindo aos interesses da Força e do PDT. A Secretaria de Relações do Trabalho, responsável pela concessão das cartas sindicais, foi comandada até o ano passado por Luiz Antonio de Medeiros, que deixou o posto para concorrer nas eleições.

Mesmo fora da pasta, ele continua operando por intermédio da técnica Zilmara Alencar e de seu chefe de gabinete, o delegado aposentado Eudes Carneiro, que representa Lupi em reuniões sindicais e inaugurações de entidades. Carneiro é tesoureiro do Sindicato Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Sindepol). Questionado por ISTOÉ, Lupi negou que haja interferência política na liberação dos registros. “O papel do ministério é de mediação”, diz ele. Na opinião do ministro, a Portaria 186 “democratizou” o movimento sindical. Não é o que pensam outros históricos sindicalistas como o ex-governador gaúcho Olívio Dutra. Para ele, a política de Lupi não passa de um “democratismo sindical”, que estaria “estilhaçando a representação dos trabalhadores e favorecendo barbaridades”. Dutra alerta: “São gangues que se apropriam dos recursos do trabalhador.”








Fonte Isto é http://www.istoe.com.br/reportagens/150318_ELES+FABRICAM+SINDICATOS

domingo, 2 de maio de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Oposição entrará com nova representação contra Lula por propaganda eleitoral

da Reportagem Local
 
O PSDB e o DEM vão apresentar à Justiça Eleitoral uma representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por realização de propaganda eleitoral antecipada em favor da petista Dilma Rousseff na festa de 1º de maio realizada hoje pela Força Sindical.
Segundo o advogado do PSDB, Ricardo Penteado, além da suposta promoção ilegal da candidatura da candidata petista outras duas infrações eleitorais foram cometidas no evento.

Veja imagens do evento promovido pela Força Sindical neste sábado
Dilma se apodera pela segunda vez de mote de Serra
Com Dilma, Lula defende "sequenciamento" do governo e chora ao lembrar de despedida
 
Penteado afirma que a lei proíbe que sindicatos façam contribuições para candidatos nas eleições, e a abertura do palanque da festa para divulgar o nome de Dilma configura financiamento indireto de campanha.
A terceira irregularidade teria sido, segundo ele, realização de propaganda eleitoral em um evento que contou com patrocínio de estatais.
No Twitter, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, criticou a participação de Lula na festa da Força Sindical. "DEM vai entrar com representação contra Lula. O presidente desrespeita a legislação e em ato público aproveita para pedir votos para sua candidata", escreveu ele. "É proibido que centrais, sindicatos participem da vida partidária e em evento com recurso público. Não poderia Lula fazer política eleitoral."
No palanque montado pela Força, Lula fez uma menção indireta à pré-candidata petista Dilma Rousseff. "Vocês sabem quem eu quero", disse ele. No mesmo palanque estavam Dilma, o pré-candidato petista Aloizio Mercadante e o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

   

terça-feira, 13 de abril de 2010

SÃO PAULO/COTIDIANO - Manifestantes bloqueiam faixas da avenida Paulista em SP


colaboração para a Folha


Trabalhadores filiados à Força Sindical realizam na manhã desta terça-feira uma manifestação em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista, no centro de São Paulo, e bloqueiam ruas da região.
Por volta das 10h40, três faixas da avenida Paulista com a rua Brigadeiro Luís Antônio estavam bloqueadas no sentido Consolação. Havia 700 metros de lentidão no local, a partir da rua Oswaldo Cruz.
Os manifestantes pedem a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, segundo a Força Sindical. Cerca de 20 mil pessoas devem participar do protesto. Outras vias importantes do centro estão ocupadas por manifestantes que caminham em direção ao prédio da Fiesp, como a avenida Doutor Arnaldo, no sentido Consolação; e rua Brigadeiro Luís Antônio com rua Tutoia, onde duas faixas da direita estão ocupadas no sentido centro.
De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), não há desvios nos locais, mas agentes da companhia estão monitorando o tráfego na região. A Polícia Militar não soube informar o número de pessoas que participam do protesto.

 


 

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ELEIÇÕES 2010 - Sindicatos tentam ‘ofuscar’ festa de Serra


Ato está sendo preparado para receber Lula e Dilma no ABC paulista

De Leila Suwwan:

Representantes de seis centrais sindicais — CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CGTB e CTB — preparam um grande evento para a ex-ministra Dilma Rousseff, em São Bernardo do Campo, no próximo sábado — dia do lançamento da pré-campanha de José Serra (PSDB), em Brasília. Além de Dilma, o presidente Lula também é esperado.
No ato estão previstos elogios e um balanço positivo da gestão petista, mas também serão cobradas de Dilma promessas de maior intervenção e regulação das relações trabalhistas. Batizado de "Mais e Melhores Empregos", o evento espera reunir cerca de 700 convidados.
A previsão é que as manifestações populares fiquem fora do auditório, para evitar que os discursos se tornem um comício.
Apesar do cuidado das centrais de não declarar o endosso institucional antecipado a qualquer candidato, o clima deverá ser de campanha aberta por Dilma Rousseff.
Um dos motes será a recordação da relação ruim do PSDB com os sindicatos, a exemplo da atual greve de professores em São Paulo.
Leia mais em O Globo

 


 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

24o.Escândalo Brasileiro - Tosto foi tostado

VEJA
Edição 2058

30 de abril de 2008


Justiça
Tosto foi tostado
Advogado famoso é preso sob a acusação de usar seu cargo
no BNDES para liberar empréstimos em troca de propinas


Heloisa Joly
Mario Rodrigues

Ricardo Tosto, sócio de um dos escritórios mais caros de São Paulo: bon vivant assumido

O advogado paulista Ricardo Tosto é um dos mais requisitados e caros do país. Seu escritório, aberto em 1991, fatura 50 milhões de reais por ano. Por causa de seu portfólio de clientes, ele foi apontado pela revista Veja São Paulo como umas da estrelas da advocacia nacional. Na semana passada, Tosto foi preso pela Polícia Federal juntamente com outras nove pessoas, sob a acusação de participar de uma quadrilha que cobrava propina para liberar financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O advogado integra o conselho administrativo do banco desde agosto do ano passado por indicação da Força Sindical. De acordo com o inquérito, Tosto e seus supostos comparsas exigiriam de 2% a 4% do valor total dos empréstimos para liberar os recursos da instituição. O esquema teria funcionado em três operações. Duas envolveram a cadeia varejista Marisa e outra a prefeitura de Praia Grande, em São Paulo. O grupo teria abocanhado 21 milhões de reais nessas transações. Além de Tosto, outros dois presos têm ligação com a Força Sindical. Por isso, a Polícia Federal suspeita de que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), presidente da central, esteja envolvido no esquema de corrupção.

A suspeita sobre a cúpula da organização foi reforçada por escutas telefônicas feitas pelos policiais durante as investigações. Em uma delas, dois dos presos comentam a influência de Tosto. "Dentro do PDT e com Paulinho, ele pode muito", diz um deles. Outras gravações mostram reuniões sendo marcadas no escritório do advogado. Como é deputado, Paulinho tem foro privilegiado. Por isso, os policiais precisariam de autorização do Supremo Tribunal Federal para grampeá-lo. Mas preferiram não fazer isso.
Paulinho da Força: ele está no rol dos suspeitos da PF 
A Polícia Federal descobriu o esquema de corrupção quando investigava uma quadrilha que explorava prostitutas e tráfico de mulheres. Bon vivant assumido, colecionador de vinhos caros e charutos cubanos, Tosto é apontado como um dos clientes dos acusados de lenocínio. Seus amigos suspeitos também estão nessa. Todos se reuniriam em um flat em São Paulo, para fazer programas com garotas. Os encontros chegavam a custar 2 000 reais. A polícia investiga se depois de passar algum tempo no flat, as moças, boa parte delas gaúchas, eram levadas para outros países. Os sócios do advogado afirmam que as acusações feitas pela polícia não têm fundamento. Segundo eles, como Tosto não tinha poder decisório no BNDES, os empréstimos não passavam por seu crivo. O banco confirma essa versão.